Volume 2 – Arco 4
Capítulo 157: Entre Tapas e Beijos
Minutos após saírem, já haviam chegado na borda leste onde interceptaram a última caravana de escravos. Não estavam mais lá, porém, de cima das árvores que os dois subiram, conseguiram ver ao longe as carroças informadas.
Um grupo menor.
Duas carroças tampadas, uma com caixas de prováveis suprimentos da viagem e a outra com vários demônios verdes provavelmente servindo de reforço para conseguirem chegar vivos dessa vez. Uma precaução. Não sabiam o que acontecera com a entrega anterior, e o receptor não gostava de falhas em suas encomendas prediletas.
Cr-r-runch!
Menos de um segundo e todos foram cortados ao meio.
Carne e sangue verde jorrando... sons mórbidos e agoniantes dos cadáveres caindo ao solo. Os cavalos se assustaram, mas com um simples toque em seus corpos de Anna, acalmaram-se e a menina olhou para as carroças tampadas.
Nino percebeu que estavam assustados, mantendo silêncio.
"Vai demorar muito ir andando com eles fora disso." Não puxou o tecido. Criou uma base de pedra embaixo das duas jaulas e ergueu-as ao mesmo tempo, retirando a corrente que as prendia em uma carroça. Anna não entendeu bem, mas seguiu normalmente, guiando os três cavalos junto da carroça com suprimentos à vila.
Minutos tranquilos de volta... só para os dois.
Dentro daquelas duas jaulas, pessoas clamando pela Deusa por piedade.
Chegaram em menos de duas horas.
Todos saíram de suas obrigações para olhar Nino carregando algo imenso sobre a cabeça. Pousou no chão com delicadeza e viram a mulher que os alertara da caravana se aproximar mais que os outros:
— Que bom que conseguiram salvá-los.
Um homem na jaula reconheceu a voz.
— Wime?! — exclamou.
— Mamãe?! — perguntou mais alto.
— Roberto?! — Wime começou a chorar de alegria.
Fush...
Nino retirou os panos e libertou os ex-escravos. Roberto, junto com seu filho, correu e, Thumpf... abraçou Wime. Todos ali se conheciam, estavam vindo do mesmo lugar. Reencontraram amigos e membros de sua família. Um momento de alegria... mas Roberto deixou o abraço por um momento e curvou-se perante Nino:
— Obrigado, meu senhor.
Todos os outros imitaram-no.
— Isso não é necessário. Só fizemos o que qualquer um faria.
— Garanto que não, meu senhor... Garanto que não — murmurou em resposta. — Obrigado.
— Claro, claro... mas podem se levantar já.
Todos se levantaram.
— Como posso ser útil ao senhor?
Nino parou um momento para pensar.
— Você sabe para onde estavam sendo levados?
— Sei sim. Éramos a quarta entrega para a escola do Primordial Verde.
Os olhos do Primordial se arregalaram de forma quase instintiva. A Marca se revelou sangrando na base do ódio misturado com seu plano de chamar atenção para Nina encontrá-lo. As pupilas diminuíram com severidade.
— E-e... Você sabe onde ela fica? — Tiques estranhos em seu corpo. Suas garras queriam crescer e rasgar carne, consumir o sangue de algo.
Anna percebeu ele agindo estranho... Roberto ficou meio estranho também. Notou a Marca, sabia que era outro Primordial, mas era estranho demais seus amigos e sua mulher estarem tão visivelmente bem, se aquele ser em sua frente fosse mau.
— Fica a sudeste da Floresta do Desespero. Imagino que estamos nela, cer... — Nino desapareceu da frente de Roberto sem o mesmo nem ter piscado. Nem um sopro. Só desapareceu e o humano até travou por um momento, tentando entender o que acabara de acontecer.
Nino disparou na direção onde os encontrara, e Anna saiu atrás dele no mesmo instante... Poucos minutos e haviam saído da floresta. Anna não conseguia alcançá-lo, mas também não desistia de impedi-lo. Desceram e desceram. Atrás, aquela floresta parecia não ter fim... mas Nino então percebeu melhor — uma grande construção em tom verde e marrom ao longe não era uma árvore estranha, era um edifício criado por vida inteligente.
Saltou por uma das quebras do grande rio que também passava pela Floresta do Desespero e foi o exato momento que Anna conseguiu tocá-lo... Havia uma vila mais à frente, a escola do Primordial Verde ficava logo depois, sendo maior do que toda a área de casas estranhas.
PahSccrrrchh...
Anna usou a água do riacho, disparando-a em Nino assim que o mesmo passava por cima. Nino foi enrolado em cordas de água maciça em todo o corpo e caiu que nem merda no chão, arrastando-se e tentando se soltar.
— O que você tá fazendo?! — gritou em tom baixo, olhando-o se debater no chão como uma minhoca ao ter o corpo espetado pelo anzol.
— Se eu matar o Primordial que tá aí, talvez a notícia de que o Verde morreu pro Preto se espalhe e chegue até minha irmã!
— Ainda não é hora.
— E quando vai ser?!
— Você não está pronto. Precisa treinar mais. Quer encontrar sua irmã ou morrer tentando um ataque suicida na casa de um Primordial?
— Me solta!
— Só se me prometer que não vai sair correndo até lá.
— Eu prometo.
PahSccrrrchh...
Anna o soltou e ele correu... mas ela o prendeu rapidamente e Nino caiu de cara no chão.
— O que eu disse?! Voc...
— O que foi?! Vai me matar por isso? Por que eu quebrei essa promessa? Vai?! Porra, sério?
— Você prometeu — Anna respondeu visivelmente desapontada, confusa.
— Eu não saí correndo. Eu não ia ir atacar o filho da puta lá dentro. Você que achou que eu ia correr até lá. Eu só quero ver o lugar por fora.
— Nino...
— Me soltaaAAaAaa...
Anna não sabia como reagir. Foi muito rápido como as coisas chegaram no estado atual. Estava confusa, cheia de sentimentos estranhos ao mesmo tempo sobrevoando seus pensamentos... e para ajudar, Nino simplesmente começou a fazer pirraça, querendo ser solto.
— AaAmnnmnm... — Deixando a irritação dominar sua cabeça, colocou uma corda como mordaça na boca dele, impedindo-o de falar. O Herdeiro fechou parcialmente os olhos entediado. Depois de firmar sua magia, deixando-o apertado e bem preso, o levantou em seu ombro e os dois foram até o local.
Havia muitas casinhas próximas à escola, mas era como uma cidade fantasma, mesmo que habitada; os demônios que ali viviam, ao avistarem duas pessoas novas, se trancaram em casa, fechando portas e janelas.
Anna olhava sem entender. Sua detecção notando que mesmo com tudo fechado, alguns demônios se escondiam embaixo de suas camas com muito medo de algo. Outras casas já nem haviam mais pessoas, embora fosse perceptível que alguém passava por elas de vez em quando.
— O que será que aconteceu com eles? — perguntou Nino, em pé ao lado dela, enquanto ela, ao ouvir a voz, olhou-o em pé ao seu lado com uma feição confusa.
Ainda o segurando no ombro, percebeu que ele sumira de lá e não havia nada além de cordas moldadas na forma do corpo dele em seu ombro.
— Ahrr, seu... — rosnou.
— Calma, calma. Prometo não sair do seu lado. — Olhou sério para ela.
— Suas promessas pelo visto não valem nada.
— Eu não quebrei nenhuma promessa.
— Não porque eu impedi.
— Eu já disse que eu não ia correr até lá.
O encarou emburrada por um tempo, depois saiu andando na frente, em direção à escola, que exibia um cartaz na entrada.
Era uma escola imensa e por fora, inteiramente pintada em tons de verde e marrom mesclados com a vegetação rica da magia da natureza do Primordial. Por cima, a escola era como uma folha imensa de uma árvore, e no meio dela havia um buraco: era a arena onde o torneio seria realizado.
Era bem posicionada; alguns alunos que estudavam nas salas ao redor tinham o privilégio de assistir aos testes e lutas que demônios poderiam estar tendo enquanto estudavam.
A fachada era toda feita em ouro e pedras preciosas verdes, como esmeralda, turmalina verde e safira verde. Ali havia uma escada e, abaixo dela, uma estátua do Primordial Verde segurando uma lança feita com o poder do próprio, que brilhava em magia da natureza.
Abaixo dela, em seus pés, havia um recipiente com algumas instruções ao lado.
No cartaz flutuando no absoluto nada, dizia que em 14 dias haveria um torneio de magia e esgrima; qualquer um podia participar, mesmo que não fosse da escola, bastava deixar seu nome no recipiente do lado de fora.
— Agora que parei pra reparar. Vocês falam e escrevem em português aqui também.
Anna olhou para ele.
— O quê?
Nino olhou-a.
— Português. Tá escrito em português.
— Nunca ouvi falar nesse tal "português".
— ...E como você fala então?
— Eu tenho absoluta certeza que nunca ouvi falar nisso.
— ...Tão tá — respondeu meio confuso e virou-se para o recipiente novamente.
— O que está fazendo?
— Você disse que eu não estou pronto, mas isso é daqui a 14 dias. Até lá, vou treinar e voltar preparado.
Anna ficou um pouco preocupada, mas não disse nada.
Nino escreveu seu nome em uma folha ao lado do recipiente.
Ele era a única pessoa de fora que havia escrito seu nome até agora.
— Coisa estranha... por que ele teria logo uma escola? Isso é algum fetiche?
— O que é isso?
Nino olhou-a e estreitou os olhos.
— Outra hora te conto.
Anna estreitou de volta, desconfiada.
Decidiram voltar.
Ao chegarem na vila... Anna afastou-se de volta para casa sem dizer absolutamente nada para ele... Nino viu a frieza e sabia muito bem que havia feito merda... Mas para adiá-la, deixou sua atenção para Roberto coordenando e guiando as obras. Ficou surpreso com isso.
Se aproximou dele, que se encontrava de costas.
— Oi, Roberto, certo?
Roberto virou-se surpreso com um pequeno susto e abaixou a cabeça.
— Sim, meu senhor.
— Vejo que sabe muito bem o que está fazendo.
Ergueu o rosto.
— Ah, sim! Eu que guiava as obras que nos eram mandadas serem feitas. Acabei me acostumando com isso.
— Entendi. Bom, então vou deixar esse trabalho com você. Pode construir o que bem entender e achar que é necessário para a melhora e crescimento da nossa vila. Se precisar de material ou ferramentas, só me avisar que eu ajudo com isso.
— Si-sim, senhor. Pode confiar em mim, nossa vila irá ficar linda.
— Não precisa me chamar de senhor ou me tratar assim. Meu nome é Nino, me trate como um amigo normal — pediu e sorriu.
— Tudo bem, N-Nino.
— Assim é melhor. Não vou te atrapalhar mais, pode ir fazer suas coisas. Vou preparar um churrasco para comemorar o reencontro dos seus amigos.
— Muito obrigado, meNn-Nino!
— Isso.
Nino virou-se.
— Nino?
Virou-se de volta.
— Hum?
— Você também é um Primordial... Você é como os outros?
— ...Não.
Roberto sorriu.
— Você já teve contato com outros? — perguntou Nino.
— Cheguei a ver o Azul uma vez, mas ele não nos comprou.
— Quem os vendeu? Como se tornaram escravos?
— Eu nasci escravo. Sou fruto de um abuso — abaixou um pouco o olhar enquanto contava o pouco que sabia desse mercado. — Homens ricos...
— Humanos?
— Sim. Humanos ricos. Minha mãe era serva em uma mansão de uma família rica de um reino chamado Dirpu. O senhor da casa abusava dela e ela acabou engravidando. Pelo que entendi, ele vendeu minha mãe para contrabandistas fora do reino por não querer que a esposa dele soubesse que o mesmo abusava da serva de 12 anos. A mãe da minha mãe sabia de tudo e a mesma deixava que tudo acontecesse. Não sei se por medo. Prefiro pensar que sim, pois não consigo acreditar que uma mãe não se colocaria na frente da filha. Minha mãe morreu anos depois de eu nascer. Não sei bem como. Só me chegou a notícia enquanto eu carregava tijolos que eu mal aguentava o peso para construir casas pros demônios que nos compraram.
Nino escutava tranquilo, piscava de tempos em tempos mantendo o silêncio.
— Nasci e já passei por muitos lugares. Muitas viagens. Infelizmente é assim que funciona. Nossas mulheres para esses monstros são apenas uma máquina para gerarem mais escravos de seus abusos. Nós homens para servir de mão de obra e nossas crianças para serem brinquedos. Muita gente sofre. Vi muitos morrendo na minha frente por simplesmente não abaixar a cabeça quando o senhor da terra chegava.
— Sabe sua idade?
— Acredito que fica entre 35 e 39. Não tenho muita certeza.
— O que aconteceu com o seu braço?
Roberto olhou para a cicatriz, depois recolheu o braço.
— ...Um soldado de uma das caravanas que já fomos tentou abusar de Wime. Lutei contra ele e consegui derrubá-lo. Não o matei. Eu queria muito mas eu não podia. Wime estava grávida. Se eu o matasse, iriam me matar e eu não conseguiria mais protegê-la. Depois que o soldado acordou, outros capangas e demônios trabalhando com humanos me retiraram da jaula à força. Me espancaram na frente da minha mulher e todos os meus amigos. Quebraram o meu braço e o osso ficou exposto. Depois me jogaram de volta na jaula e ameaçaram dizendo que se eu não estivesse bem quando chegássemos no comprador, todos eles iriam abusar da minha mulher. Todos da jaula que eu fui jogado me ajudaram. Conseguiram tratar meu ferimento e felizmente, mesmo com muita dor, eu consegui ficar de pé e fingir estar tudo bem quando o comprador foi ver sua mercadoria.
Nino não mostrava nenhuma mudança de comportamento.
— Como se sente hoje?
— ...Feliz.
— "Feliz"?
— Acho que sim.
— Mesmo tendo passado por tudo isso?
— Estou vivo para poder abraçar minha mulher e escutar meu filho me chamando de pai... então sim, estou feliz. Desculpa por chamá-lo assim, é costume. Mas, senhor, estou feliz. Pensei que nunca mais iria ver minha mulher quando nos separaram dias atrás. Orei todos os dias, todas as horas para que ela estivesse bem... e felizmente estava — respondeu embargado. Lágrimas sendo formadas.
— Orou para quem?
— Para a nossa Deusa.
Nino olhou-o meio estranho.
— Não me inclua nisso.
— Perdão, meu senhor.
"Acha mesmo que essa coisa se importa com você? Olha tudo o que disse. Acha mesmo que o que fez sua família estar bem foi essa sua oração?" pensou... mas não vocalizou. Roberto estava fragilizado. Ainda não havia caído a ficha de realmente terem sido libertados e estarem vivendo livres de maus-tratos e medos... Mesmo irritado só de escutar aquela palavra, não descontou sua raiva em um ser que no desespero se apegara no que era mais fácil... a Fé.
— Você lembra um amigo meu.
— Oi?
— Não de cor. Meu amigo era mais escuro, mas você me lembra ele... Bom, vou ir fazer o churrasco. Você deve estar cansado. Descansa. Junta todo mundo e vai conversar, rir. Amanhã ou outro dia você continua os trabalhos.
— Claro... Muito obrigado, meu senhor.
Enquanto se afastava de costas com as mãos nos bolsos, ergueu a direita gesticulando e respondeu:
— E vai tentando aprender a me chamar pelo nome.
— Sim senhor! Pode deixar comigo!
— ...
Era curioso para Nino como aquelas pessoas funcionavam. Passados traumáticos. Vivências absurdamente terríveis, mas ainda sim, ainda em meio à desgraça, adaptarem-se e se acostumaram. Não deveria ser assim, mas o trauma se tornara algo natural. Nenhum humano do outro planeta conseguiria viver um único dia naquele mundo, ainda mais sem celular.
Um adolescente médio se suicidaria para não se tornar um escravo ali, mas aquelas pessoas, mesmo com todas as dores, queriam viver, pois a vida era uma bênção concedida pela Deusa que veneravam.
Não era muito diferente do outro mundo.
Pessoas cegas por qualquer coisa, ainda mais religião. Quanto mais pobre, mais fácil se apegar a uma promessa ou milagre. Quanto mais pobre, mais burro, quanto mais burro, mais fácil de passar para trás.
Nino preparou o churrasco e todos comeram até se fartarem... menos Anna, que nem mesmo aparecera momento algum desde que chegara na vila. Rindo e se divertindo, todos dançavam ao redor de uma grande fogueira que Nino fizera.
Com um cagaço absurdo de entrar naquela casa, ficou o dia inteiro fora, conversando com todos, escutando suas histórias e também tentando procurar por pistas de onde outros Primordiais poderiam estar... mas nada nesse sentido fora absorvido pelo seu sangue.
A noite caiu.
Os moradores ainda se divertiam como se tivessem armazenado energia todos os anos para quando chegasse aquele momento de liberdade... Nino entrou na casa de Anna. Subiu as escadas sentindo uma ameaça constante de morte... chegou no corredor e foi se aproximando da câmara fria que sentia vindo daquele último quarto do lado esquerdo.
Tentou abrir... estava trancado.
Toc, toc...
Nada.
— Anna... me desculpa por hoje cedo. Fui um babaca. Não devia ter gritado ou falado aquilo. Nem ter feito nada para parecer que eu iria corr — CrcPAH!-TAHN! — AHRG! — Nino gemeu de dor quando a porta abriu-se do nada e Anna acertou um soco no seu saco, fechando a porta imediatamente depois.
Parou o drama do nada.
A regeneração curou a dor não contínua e o menino deixou o corpo ereto novamente, mas com rosto de deboche, provocou no meio disso tudo:
— Nha, a dor já passou j — CrcPAH!! — ÁRRGH!
— REPETE! REPETE PRA TU VER! REPETE! FALA QUE NÃO DOEU! — acertou um soco ainda mais forte que os testículos quase foram dessa para melhor. Com um rosto raivoso e punho fechado, gritou olhando-o no rosto, enquanto Nino desesperado e curvado protegia o saco.
— DOEU! AI-AI! TÁ DOENDO!
Do lado de fora da casa, alguns moradores olharam na direção, e uma mulher brincou:
— Acho que gostam de algo mais agressivo — soltou um pequeno risinho.
— Como assim, tia?
— ...É-é... nada não!
O menino estreitou o olhar, vendo-a claramente escondendo algo.
— Olha pra mim! — rosnou em um tom mais baixo... Nino obedeceu. — Nunca mais faça isso, escutou?
Nino subiu e desceu o rosto aceleradamente diversas vezes.
Pá!
A mão de Anna foi tatuada na bochecha esquerda dele.
— Responda!
— S-sim!
— Você vai o quê?
— Fazer d...
Pá!
— V...
— Dá mais um!
Pá!
Anna nem havia entendido o pedido... sua mão só desceu e excitou ainda mais o Primordial.
Mwrrrah!
Nino agarrou-a pela cintura, avançando com um beijo na boca. Anna, com a mão erguida para mais um, perdeu-se completamente e voltou o beijo apressado e inexperiente... Paf... Caiu de costas na cama, Nino em cima, tocando-a com uma vontade quase diabólica.
Entretanto, abriu os olhos com a racionalidade de volta em sua mente tomada pelo desejo... empurrou-o saindo do beijo, e embora quisesse continuar aquilo e entender o que era o calor que sentia entre as pernas — o calor que o sangue tão frio começava a sentir —, ainda sim tinha uma mentalidade forte e controladora.
Entendeu o por que os dois humanos que vira conectados estavam gostando daquilo sem nem mesmo terem-se conectado ainda. Só aquela sensação era mágica e divina... mas olhou no fundo daquelas íris roxas, para aquele rosto bobo olhando-a de uma forma estranha e ternurenta, e falou:
— Eu estou xingando você. Não faça nunca mais isso.
— Ma...
Pá!
Nino olhou-a com ainda mais vontade... Anna aborreceu o olhar e percebeu que bater não era o caminho.
— Sai de cima de mim.
Nino desceu o rosto na direção do dela.
— Mas você quer...
Anna quase o deixou tocar seus lábios... mas sabia que seria impossível sair daquilo depois de sentir o gosto daquele garoto novamente. Empurrou-o para cima, suspendeu-o no ar. Paff... Rolou para o lado e Nino caiu de cara na cama macia.
Em pé, com os braços cruzados, rosto fechado e olhos imitando o rosto... falou:
— Você me desobedeceu. Estou chateada com você.
— Desculpa... Pode me bater se quiser — respondeu com um sorriso mais que safado.
Paf!
Levou uma travesseirada na cara.
— Não quero papo. Vai dormir.
— ...Tá bom.
— Não mandei responder!
— Tsi...
— E NEM RIR!
Nino manteve-se na mesma posição, fingindo que não era com ele.
Instantes depois, Anna apagou as lamparinas e se deitou da forma que sempre dormia... Frch... Nino de repente abraçou-a pela cintura, puxando o corpo dela para ser a concha menor.
— V...!
— Mwa... Assim é mais quentinho... — deu um beijinho atrás da orelha e sussurrou tão baixo que a menina calou a boca imediatamente segurando-se para não atacá-lo... não no sentido assassino...
Com as bochechas e rosto assumindo um tom mais azul-clarinho do sangue esquentando, colocou um braço entre as pernas, sentindo realmente que suas partes queimavam de desejo. Uma sensação jamais sentida. Um molhado que não era suor como pensava.
Manhã seguinte chegou, mas quando Nino acordou, percebeu que fora o segundo.
Procurou pela casa, pela vila... mas ninguém havia visto Anna. Sendo assim, sobrava apenas um local óbvio — onde Anna tentara matá-lo dizendo que era treino.
Chegando lá... de fato a encontrou.
Anna havia derrubado uma árvore para usar o tronco tombado de banco em frente a uma das repartições do rio... Nino parou em pé, olhando-a de lado. Anna não o olhava e fingia que não o escutara chegar. Nino olhava-a e criava coragem para falar:
— Anna... quer ser minha esposa? — perguntou, um pouco constrangido.
Anna virou o rosto lentamente para ele, e Nino desesperou:
— M-m-minha mulher? Nã-não! É-é namorada? Que tal a-amigona? — fechou os olhos com medo da resposta.
Anna ficou feliz.
Assim como para ele, era tudo muito novo. Sentimentos novos. O descobrimento do amor romântico e sexual. Mas ainda era um mix de inexperiências e receios. Anna estava muito preocupada com Nino querendo enfrentar o Primordial Verde. Mesmo o jovem sendo um Primordial, não sentia firmeza de que aquele bobão venceria um ser com mais de 100 anos de possíveis experiências de batalha.
— Aceito seu pedido, m...
— Qual?!! — abriu os olhos quase tremendo de felicidade.
Anna sorriu levemente vendo a reação animada.
— Todos...
Os olhos do Herdeiro se abriram como se gritassem para todos os cantos do mundo o quão felizes estavam... mas Anna completou:
— Aceito todos os pedidos, mas apenas se você ganhar de mim em um duelo. Pode me desafiar quantas vezes quiser.
— PERFEITO!
"Perfeito?"
— Então eu te desaf...
SHK!
De olhos fechados, sorrindo confiante enquanto desafiava, nem viu sua cabeça ser dividida em duas na horizontal.
...Foram 12 longos dias apanhando sem parar.
Apanhava de dia, de tarde e de noite. Durante esses 12 dias, mantinha um rosto desanimado enquanto ajudava Roberto nas obras, que não entendia o motivo de ele estar assim todos os dias.
SHK!
Na noite do décimo segundo dia, Nino a atacou com um corte na altura do peito.
Anna desviou, fazendo uma abertura no chão com as pernas, SHK! e atacou com sua foice as pernas dele... encontrou o nada, o rastro brilhante da magia cortando o vento.
Quando pulou para desviar...
BAAM!
Anna se ergueu do nada com um giro, voltando um chute no peito de Nino em meio ao desvio de pulo, afundando o "tênis" na carne, o arremessando para cima.
Em seguida, saltou, virando sua foice para a parte não cortante. Nino não conseguiu desviar quando aquilo desceu no meio da sua cara... BAAM!-PLAASH! acertando-o e arremessando-o na direção do rio.
Aterrissando ao lado da água, desfez sua foice.
Olhou-o, vendo só a cabeça para fora da água. Rosto cabisbaixo. Cabelos tampando os olhos frustrados... Virou-se e foi embora sem dizer absolutamente nada. Já Nino...? Ficou um tempo na água, desanimado, olhando para o nada.
Depois de um tempo, saiu, se secou com magia e foi para casa.
Chegando lá, uma empregada que começara a trabalhar na casa de Anna depois de pedir por algo que pudesse fazer para agradecê-los por tudo, já tinha deixado a comida pronta. Anna já estava jantando, e ele se sentou na cadeira ao lado para comer também.
— Obrigado.
— Obrigada vocês.
Os dois comeram em total silêncio.
Nino terminou primeiro e subiu sozinho até o quarto; Anna terminou de comer um pouco depois e subiu também.
Vendo-o deitado na beira todo desanimado, subiu na cama e se deitou ao seu lado, virada para a parede como sempre. Em nenhum dos outros dias Nino ficara voltado ao lado oposto dela. Mesmo sempre distante. Sempre na ponta por não se achar merecedor de poder tocá-la ainda.
Nino olhava para frente. Era o lado virado que Nina dormia, não ele. Não iria conseguir dormir nunca virado com o corpo para a esquerda... mas cada dia que passava se sentia mais mal. Não sentia vontade de ficar mais forte, embora sem perceber, estivesse ficando. Só sentia-se mais fraco, por nunca conseguir vencê-la.
— Ei... Está acordado? — Anna perguntou 10 minutos depois de se deitar, ainda virada para o seu lado.
— Estou.
— Hoje tá frio, né?
— Hãmm... Não sei, tô tranquilo.
— É que estou sentindo bastante frio, sabe...
— Sério? Quer que eu pegue outra cob...
Anna sentou-se furiosa na cama.
— DÁ PRA ME ABRAÇAR LOGO?! — Paff... deitou-se novamente.
Nino se sentou na cama meio atordoado, olhando para ela de costas, com um rosto surpreso, e a abraçou de conchinha. Chegando com o rosto próximo do dela, embora distante, um abraço amoroso, mas longe de luxurioso. O que mais queria era vencê-la para ela se tornar sua namorada, esposa, amigona... sua mulher.
— ...Tá com frio ainda?
— ...Só um pouquinho.
Nino apertou mais um pouquinho.
— E agora?
— ...Agora tá bom — respondeu de forma fofa... (Coisa rara.)
Na manhã seguinte.
Os dois já se encontravam duelando próximo do rio, e Nino, depois de apanhar por 12 dias, já havia entendido um pouco do estilo de luta dela. Anna gostava de usar foices e foices com correntes, aplicando golpes variados sempre com sequências diferentes, mas tinha um ponto fraco que ela "não sabia".
Nino se afastou de propósito, e ela o atacou com as correntes nas foices.
Pl-l-l-loch!
O Herdeiro segurou a corrente e puxou; Anna veio em sua direção, mas transformou as correntes em lâminas de água que perfuraram os braços dele.
Chegando próximo, ela percebeu algo: não havia presença no corpo de Nino.
O Primordial surgiu atrás dela e a imobilizou, segurando os braços em "X" para baixo na frente dela.
Nino usara um clone de sombra e entrara na dimensão escura, o usando como distração para conseguir imobilizá-la saindo por dentro da sombra da mesma.
Com Nino ainda segurando os braços dela, Anna virou o rosto para ele.
— Ven... — UhmnMwaah! Nino a beijou enquanto a segurava, e ela fechou os olhos continuando o beijo apressado como se fossem dois canibais tentando devorar um ao outro ainda vivos.
Nino tinha noção de como beijar das inúmeras memórias de Nina com Nathaly, mas ainda sim, sua mente ficava branca quando tocava naquela garota. Não conseguia ser racional quanto ao desejo. O que resultava em dois corpos virgens descobrindo como tudo funcionava.
Poucos minutos antes, o reservatório de madeira que Nino havia acumulado já tinha acabado. Roberto precisava de madeira para continuar a construção de um desvio de água da parte do rio mais próxima da vila até a mesma. Com essa necessidade, pediu ao filho para que chamasse por Nino.
O menino foi até onde sempre via o Primordial indo e o viu bem lá na frente... Não viu Anna, só viu as costas do líder.
— Nino! Papai precisa da sua ajuda!
(Ôô garoto... o rapaz tá ocupado...) O beijo foi interrompido. Olhou para trás, sem soltar os braços de Anna e respondeu com um leve sorriso:
— Pode voltar lá e avisar que já estou indo.
Nino a soltou quando viu o menino confirmar com a cabeça e sair correndo de volta... Cheio de vergonha, não olhou para ela. Começava a sair antes do rosto ruborizar inteiro, mas Anna não deixou, Mwaaoh! o puxou e lascou um beijão. Nino com os olhos arregalados.
Na ponta dos pés, desceu-os no tempo que parou o beijo, olhando-o sem reação e em completo silêncio em sua frente.
— Por que está com essa cara de bobo? Vai ajudar eles logo — ordenou com uma voz doce, e Nino saiu saltitante como uma gazela filhote até a obra, todo felizinho.
Na obra, Roberto pedia algumas coisas a ele, e Nino permanecia todo tonto, andando como um bêbado, com cara de bobo, ajudando com um enorme sorriso e soltando risinhos alegres sem falar absolutamente nada a respeito.
"Não faço ideia do que deu nele. Mas se está feliz, é o que importa." pensou Roberto, com um sorriso gentil no rosto.
Depois de deixar um novo estoque de madeira bruta, tábuas, pisos e tijolos de pedra, voltou para casa e já era noite. Subiu até o quarto. Luzes baixas, as chamas das lamparinas respeitavam o clima.
Entrou no quarto e presenciou Anna sentada na cama toda torta. Era nítido que sentia vergonha. Escondia sua boca atrás do braço, mas quando Nino entrou, mudou sua postura e se levantou, caminhando lentamente até o Herdeiro, parado, olhando-a.
Era engraçado. Mudara o tom... Nino já havia reparado. Cada vez mais o corpo da jovem assumia uma coloração avermelhada, semelhante à dele, embora este mantivesse a cor do sangue em preto. Cada vez mais Anna tentava se parecer com ele, pensando na mãe adotiva e na avó humanas. Talvez mudando, ao menos por fora, a coloração da pele para uma mais "humana" como a dele, este se sentiria mais "em casa".
Os demônios em geral tinham pele clara, pálida. Podia-se nascer com pele escura, mas só em uma junção de raças, como um humano negro ou outra raça de pele escura. Era raro. Embora a pele em si fosse bem clara, e o sangue, exceto na linhagem Vermelha e Sol, fosse extremamente frio, só era possível ver a coloração do sangue no corpo nas extremidades dos membros ou se o sangue de alguma forma se esquentasse para sobressair à pele.

Anna vestia sua roupa de dormir normal, mas fizera uma alteração na cor do shortinho. Mudara do seu azul-claro para preto, além de adicionar uma tira como um suspensório de perna. Lembrava que o humano traindo sua namorada com a amiga elogiara a traidora por usar algo parecido no dia. Achou que seria legal adicionar, além de mudar a cor daquilo para a favorita do menino.
Olhando-a nos olhos, disse:
— Posso considerar aquilo como um "sim"? — aproximou-se dela.
— Acho que sim — erguendo o rosto para olhá-lo nos olhos, respondeu em tom baixo.
Nino a segurou pela cintura, Pahff... e a colocou na cama, subindo em cima dela.
Chegou próximo ao ouvido esquerdo, e rosnou bem baixinho:
— Não vai sentir frio hoje...
Anna deu uma risadinha, Mwah!-Mua-Muah... e ele começou a beijar seu pescoço, descendo cada vez mais, sentindo o sabor de toda a pele exposta. Do outro lado, Anna sentia o sangue esquentando mais uma vez. A sensação inquietante. O "suor" molhando o short.
Sentindo a mesma vontade que sentira quando o mesmo a abraçara de conchinha, desceu a mão e a mesma foi parar dentro do short... Slic-lic-lic... começou a se tocar e dessa vez sentia o prazer que os humanos deviam ter sentido naquele dia.
Um sorriso tímido, mas cheio de malícia, sentindo os dedos úmidos e o pescoço recebendo beijos, mais ainda. Nino voltou a descer. Beijava por cima da blusa fina, aquilo ainda era pele. Ainda era sangue. Ainda era ela nua, mas sem expor o corpo em si.
O sabor era o mesmo, mesmo que o suor que sua língua absorvia viesse de trás da camada de "tecido" de sangue. Chegou nos seios modestos. Sua língua rodopiando no bico, deixando o biquinho azul-clarinho à mostra por baixo do sangue.
— Mwa-Mwa-Mwa...
Desceu pela barriga definida, passou pela virilha e encontrou a mão trabalhando sozinha... mordeu como um cachorro, retirou-a de lá. Os dedos úmidos não escaparam, Nino chupou um por um, olhando para Anna, que olhava-o de volta, embora com o corpo deitado para trás.
Aquele sorriso era maldoso.
Desceu o rosto, chegou no shortinho. Sua língua afinou, passou de ladinho e chegou na entrada. Lisk-Lisk... pequenas lambidas provocantes. Anna tremeu sentindo o friozinho contrastando o calor que seu corpo estava chegando... Mas Nino cresceu a língua do nada, e penetrou-a, indo nas profundezas da bucetinha azul-clara.
— Mrrrmnmn...
Anna rosnou. O rosto voou para cima... Paff... bateu a parte de trás da cabeça na cama, o rosto revirando de prazer. As coxas travaram no rosto do Herdeiro. As pernas o abraçaram, as mãos seguraram seu cabelo, puxando e forçando-o a ficar ali, penetrando toda a sua língua dentro dela.
A maciez daquelas coxas grossinhas, o sabor daquela garota em sua língua... Nino era esperto. Nina não tinha um pênis, mas criava e moldava o tamanho que bem entendesse. Querendo devorá-la, querendo sentir o gosto de cada parte do corpo de Anna, Nino também queria fazê-la delirar.
Sua língua brincava. Cosquinhas aqui, cosquinhas lá. Anna ria e o quadril vibrava de tanto que tremia sem parar. A cada instante mais molhada, e Nino a cada instante com mais sede. Mudava a textura de sua língua. Fazia Anna senti-la mais áspera, depois mais rugosa, molenga, grudenta... não parava... e a menina não parava de forçá-lo com as coxas parecendo que o esmagaria enquanto gargalhava de prazer.
Vu...
Nino abriu as pernas dela com imponência e ergueu-se. Sua boca molhada. O queixo mais ainda. Anna abriu os olhos, puxando as pernas como que iria procurar um apoio para o corpo... mas não deu tempo. Mrrrrwah... Nino avançou, beijando-a com garra, Paf... voltando com as costas dela para a cama.
Ergueu-se olhando-a com soberania... Anna rindo enquanto mordia o lábio encarando-o.
Rshh...
Puxou as pernas dela até a borda. Ergueu-as e depois abriu-as... abriu uma abertura na calça e seu pau saiu. Posicionou-o no cantinho que sua língua passara anteriormente. O membro passou igual uma cobra entrando em uma toca. Os pés dela agora estavam em seus ombros. Suas mãos seguravam firmemente o quadril, vendo o desenho do corpo molhado de suor embaixo da blusa — agora — transparente.
ShluurrrpPlap...
Penetrou-a lentamente... aproveitando toda a contorção daquele rostinho excitado, erguendo os braços acima da cabeça, apertando os lençóis com suas garras da cor do sangue quase alongando-se para cravar-se em algo.
O pau entrando e alargando aquela bucetinha inexperiente pela primeira vez. Nino entendendo o porquê Nina gostava tanto de comer Nathaly. Pela primeira vez, não sentiu nojo, só prazer, sentindo o pau ser espremido de tão apertado que era aquele lugarzinho.
Plap-Plap-Plap!
— Oh... aihmnnn...
Foi aumentando o ritmo. A lubrificação natural facilitando cada penetrada profunda do seu pau marcando com um forte relevo a pele da virilha por fora. Anna nem notou que gemia. Era involuntário. O prazer daquela coisa grosseira abrindo-a internamente era mágico. A cada penetrada queria aumentar mais, para chegar mais longe, para ouvi-la gemer mais alto... mais alto...
— Mwwaohn!
Desceu o corpo e a beijou com raiva... Plap-Plap-Plap! enquanto continuava a penetrá-la cada vez mais rápido. Era uma troca insana. Respirações entrecortadas em meio aos beijos e suas pausas safadas, sentindo o ar queimando em seus lábios luxuriosos.
A cada beijo, parecia que ficava mais apertadinha, parecia que apertava de propósito seu interior azul-claro no membro duro e claro, mas com um sangue mais escuro do que imaginava. Do outro lado, Anna sentia-se cada vez mais alargada, como se o pau dele ficasse mais duro além de maior... Era proposital dos dois lados?
Afastou-se dos beijos. O corpo ereto, metendo... as mãos subiram dos quadris até a cintura. Um deslize safado, erguendo a blusa "transparente", mostrando de fato a pele clarinha e molhada do suor erótico. Acariciava aquela cintura definida com carinho. Os dedos deslizando em um ritmo completamente diferente do impiedoso pau entrando.
Os olhos se perdendo na visão dos pequenos seios pulando com modéstia, sob a fina camada transparente, Plap!-Plap! Nino começou a fazer cócegas na cintura, provocando-a a contorcer o corpo e sentir um prazer estranho, mas similar ao da língua lhe explorando por dentro.
Notou a reação dela, sorriu de forma sádica... mas ao fazer uma pequena pausa na "tortura"... Anna, rapidamente, Paff... virou Nino de costas na cama. O pau não escapou, a posição só se inverteu... Mal perdeu tempo, saltava naquilo com quase raiva, descendo até bater as coxas no corpo dele, sentindo aquilo arrastar com força dentro de si, Floop!-Floop! Nino agarrou a cintura enquanto continuavam se movimentando.
Floop!-Floop!
Mãos livres ao lado do corpo ereto. Rosto voltado ao teto... um prazer imenso, seu rosto mostrava o relaxamento que se encontrava sentando gostosinho naquilo... Abriu os olhos com um brilho travesso e mágico.
Estendeu a mão para a porta, Frruuust... e a congelou completamente.
— Ninguém vai interromper hoje — rosnou quase como uma promessa de um crime a dois.
Nino sorriu, Vul-Paff... e fez uma manobra que quase implodiu a garota de êxtase. Girou-a na piroca — os olhos de Anna ficaram brancos, a íris sumiu em meio aos grandes olhos sempre tão irritadinhos. O corpo ficou mole, fraco. Cavalgava de frene, do nada sua visão era para o outro lado, com a bucetinha sentindo o giro com uma imensa riqueza de detalhes.
Depois de girá-la, virou na cama, obrigando-a a cair de quatro, com o rosto e braços moles no colchão... um gemido gostoso, baixo de quem se encontrava no estado mais prazeroso que já sentira na vida... Nino forçava o quadril dela a ficar erguido, afinal, o pau não parara de trabalhar um único segundinho.
— Ninguém vai estragar nossa noite — rosnou de volta.
Plap-Plap-Plap!
— OoOoOoOhmn... — um gemido contínuo e oscilante saía abafado com o rosto da jovem afundado na nuvem de penas caras... era só mais um incentivo para Nino aumentar o ritmo. Empurrando fundo, sem medo ou receio de machucá-la. Aquela dor era puro prazer. Aqueles sons deixavam bem claro.
Mas... sentindo Nino dominá-la por completo, Anna percebeu que a situação estava se tornando uma dança, uma dança que a menina gostava de comandar... Plap-Plap-Plap! as mãos cravadas no quadril enquanto fodia aquela bunda bem empinada, querendo um belo tapa...
Ergueu uma mão para entregar àquela poupa branquinha, contrastando com o fim do shortinho preto, um tapa de respeito... mas uma corda de água prendeu seu braço do nada. Quando olhou, o outro foi preso. Quando olhou para a bunda, e seu pau passando de ladinho com o shortinho em contato com sua pele... foi puxado.
ShurrrBlop!
Saiu como a rolha de uma garrafa de vinho... Anna tremeu absurdamente, foi muito repentino, embora a mesma tivesse feito aquilo. Imobilizou-o sem pena. Colocou Nino preso, sentado com as pernas abertas apoiando as costas na cabeceira da cama.
O Herdeiro olhou-a meio assustado. Sentia-se vulnerável. O pau reto igual uma viga, sujo dos líquidos da menina... Mas, olhando-a, viu aquele sorriso travesso no rosto que sempre era tão fechado e por um momento sentiu medo... medo do que aquela maluca iria fazer com seu meninão duraço.
Anna ajoelhou com as coxas juntas entre as pernas dele. As mãos pousaram nas coxas, o corpo foi descendo enquanto a mesma mantinha o sorriso e o olhar no fundo dos olhos dele... o cabelo meio úmido respeitando as leis da física e se colocando para frente... Abriu a boca com sensualidade e lentidão:
— AaaaaahGlup-Glu!
Agora era a vez do menino delirar com os olhos dando tiques nervosos de excitação... Cadê as íris roxas...? Sumiram. Nino parecia um morto-vivo, gemendo baixinho enquanto sentia aquela boca lasciva engolindo seu pau como se estivesse morrendo de fome.
Subia e descia... que garganta maligna. Engolia tudo, e os olhos fixos não saíam do rosto excitado do menino... Nino voltou por um momento. Olhando-a, era pura tortura. Anna não se ajoelhava mais, se encontrava de quatro. A bunda balançando de um lado para o outro enquanto mamava com sede.
Nino se perdeu nas íris azuis. O corpo tremeu, os olhos entraram no estado de êxtase mental novamente.
— Gurg-Glup-Ghumk-Grok-Glup!
Os sons dominando-o completamente. Sensação da nervosa sucção com os sons eram tão estimulantes que se encontrou hipnotizado, uma hipnose que não queria sair nunca mais... Mas Anna queria dar-lhe o que o mesmo a fizera sentir. Queria lhe entregar o mesmo prazer que quase a fizera implodir.
— Aaaaarrrhh...
Após bons segundos engolindo-o, Anna retirou-o de sua garganta... seu sorriso levado quando Nino voltou à vida olhando-a enquanto respirava ofegante, com sua regeneração não querendo trabalhar no tempo que se mantinha naquela "tortura" contínua.
Fwaaaap-Fwaaap... o sorriso sapeca se seguiu de masturbadas macias com ambas as mãos descendo juntinhas. Ria com euforia travessa, vendo aquele pau enorme pulsando sob suas mãos, Fwaaaap-Fwaaaap... desceeendo e subiiiindo lentamente, como sua boquinha segundos atrás, na farta lubrificação que ela mesma causara.
Anna abriu a boca ainda rindo e desceu o rosto, próximo da extensão, colocando a rola molhada em contato com sua pele macia. Mwaaah! Tlaki-Tlaki! bateu aquela coisa dura duas vezes em seus lábios... Nino tremeu como se um maremoto atingisse seu sangue.
Em um movimento fluido, a jovem adulta se virou e posicionou seu corpo de forma que, Shluurrrpp... o pau se encaixasse perfeitamente nela, afastando levemente o shortinho mais uma vez. Ploopf... Ploopf!... começou a cavalgar de costas, o prazer visível em seu rosto, o olhando por cima do ombro.
Nino, louco pelas sensações, não conseguiu se controlar. Crash! quebrou as correntes de água que o prendiam e a segurou de volta, mantendo-a de costas para ele. Com a mão esquerda, deslizou por baixo da blusa dela, apalpando o seio esquerdo, no tempo em que com a outra mão segurava a dobra da cintura, forçando-a para baixo enquanto ela continuava a se movimentar sobre ele.
Plopf!-Plopf!-Plopf!
— H-h-arff... Harrfff...
Ofegantes e rindo levemente entre os gemidos, Anna chegou no limite primeiro. A respiração completamente irregular. O corpo tremendo quase que sem controle, mesmo com as firmes mãos lhe dando firmeza... Plopf!-Plopf! Nino continuava avançando... Anna mordeu os lábios sentindo algo saindo de dentro dela.
Squiiirtt...!
Abaixou o rosto. Um gemido contido e arrastado saindo timidamente como um rugido de um gatinho... Nino sentiu o líquido banhar seu pau e parou os movimentos deixando tudo dentro, impedindo-os de saírem com facilidade.
Era como o tampão de uma torneira. Quando retirasse, iria espirrar água para todo lado.
Abraçando-a, apoiou as costas dela em seu peito e as próprias costas voltaram à cabeceira. Anna sentindo o calor do corpo dele queimando contra o seu. O prazer os fizera esquecer que podiam desfazer as roupas a qualquer instante... com roupa era mais excitante?
A blusinha de manga comprida grudada no corpo, seus seios suados assim como cada uma de suas saborosas curvas visíveis através do tecido fino, enquanto seu shortinho preto ficara cada vez mais molhado e deslocado, com o pau ainda lhe deixando de lado. Nino, por sua vez, ficara enxarcado, ligeiramente desarrumado. Seu cabelo grudado na testa, assim como a franja da menina.
— H-am-harf-ohnmrff...
Anna ainda tremia e gemia ofegante.
Era a primeira vez para ambos, mas eram dois demônios seguindo os instintos e o prazer de seus corpos. Um prazer animalesco. Um sentimento cultivado de forma tão rápida, mas tão intensa que não conseguiam se imaginar separados.
Nino mantinha a mão esquerda sobre o seio de Anna, enquanto a outra continuava firmemente posicionada em sua cintura, acariciando-a e alisando as coxas em idas e vindas.
— Ganhei — sussurrou no ouvido dela.
Enquanto Anna desfrutava da sensação com ele profundamente dentro dela, deu uma risada ofegante, e respondeu de forma provocante:
— Era uma competição?
— Se eu não ganho nos duelos, ao menos preciso ganhar na cama — rosnou cheio de marra.
Anna sorriu com um brilho de vingança, respirando pesado.
ShluurrrbBlop!
Se levantou com dificuldade — a piroca duraça deslizando para fora, fazendo seu corpo tremer de forma involuntária, junto com bastante Mls jorrando para fora, dos fluidos que não conseguiram sair antes.
Anna então se curvou à frente dele mais uma vez, segurando o meninão, com ambas as mãos.
— Vai ver na próxima — ameaçou.
Colocou o pau na boca, Slurp-Glup-Gurp... e limpou a sujeira que fizera, ansiosa por uma nova sujeira, uma que ele ainda iria proporcionar. Mm-Hm-Sslurp... continuou chupando-o, enquanto Nino apoiava a mão na cabeça dela da mesma forma que ela fizera com ele.
Segurando o longo cabelo branco como uma alça, a pressionou mais forte contra o pau.
— Glu!-Grk!-Hm...
Observando os olhos azuis com um olhar carregado de desejo, que parecia implorar para ele gozar... Não demorou muito e, sob a pressão do olhar e o ritmo constante, Glu!-Grk! Nino começou a gozar na garganta quente e latente, que se contraía intensamente ao redor de seu pau pulsante.
Sspluuurrtt!
Desfrutando mutuamente dos prazeres da vida. Manteve a mão na cabeça dela enquanto ela continuava a subir e descer com a boca, provocando-o absurdamente enquanto o mesmo se encontrava no momento mais frágil da vida. Gurg-Mm-Glup! seu corpo estremeceu, e ele deu uma suspirada ofegante, um leve gemido escapando dos seus lábios.
— Hunmmarrff...
— CafGlub!-Glub!-KfGlurp!
Anna engoliu tudinho, terminou o trabalho e Nino continuou com a mão fazendo uma alça no cabelo... que logo se desfez por fraqueza. A mão se manteve sobre, mas não tinha forças para agarrar.
Sua namorada o olhou com uma expressão satisfeita, e Nino deslizou a mão ao longo de seu rosto, até próximo da boca. Com um toque suave, acariciou seus lábios, Aaaaah... e ela abriu levemente a boca, revelando a língua um pouco suja de leite, com um fio deslizando pelo queixo e sua respiração pesada.
— Haff... Haff...
O Herdeiro abriu um sorriso e deu uma leve risada; ela também começou a rir suavemente, acompanhando suas respirações cansadas. Anna deitou-se ao lado dele, sentindo-o a abraçar naquela noite fria... que, embora estivesse muito fria, se se cobrissem, acabariam se queimando.
Manhã seguinte chegou.
Acordaram em meio ao cheiro, lembranças e à lambança que fizeram na noite passada... Anna virou-se ainda sob o abraço, sentindo os dedos dele rodopiando mechas do seu cabelo branco. Viu Nino de olhos abertos, olhando-a com carinho... sorriu.
Nino passou dois dedos da mão direita no rosto dela, com muita suavidade... não paravam de se olhar, mesmo em completo silêncio. Rostos felizes. Satisfeitos e com vontade de uma nova rodada... mas, Mwaahh! deixaram como uma promessa para mais tarde.
Após o beijo lento, Anna se afastou primeiro, e comentou em tom baixo:
— Hoje é o dia.
— ...Sim. Hoje é o dia.
Levantaram e os dois criaram suas roupas de sangue. Burn! Anna levou um pequeno susto quando Nino usou uma explosão de magia escura para limpá-los, assim como secar e tirar o odor dos seus atos libidinosos deixados como a cena de um crime naquela cama, agora não mais encharcada.
Olhos arregalados... mas Nino riu do susto dela e Anna voltou ao normal.
Desceram.
A empregada acabava de arrumar a mesa com o café da manhã quando os dois a cumprimentaram... Ela já fora casada, sabia muito bem que aqueles sorrisos e rostos animados não vieram de apenas uma noite de sono... mas não tinha como provar.
Depois de se alimentarem, Nino decidiu chamar Roberto para ajudar.
Ao chegar à casa dele, Toc, toc, toc... bateu à porta e, após alguns segundos, Roberto a abriu.
— Nino!? Precisa de mim?
— Sim. Vou resgatar hoje os escravos na escola do Primordial Verde. Quero que venha; meu plano é você ficar com uma carroça cheia de comida e água para dar às pessoas resgatadas, se estiverem com fome. Até chegarem aqui, andando, demora bastante.
— Entendi. Claro, ajudo sim. Vou avisar à Wim...
— Não precisa, eu já ouvi, amor. Aproveite que o Ron está dormindo e ajude nosso líder — Wime respondeu com carinho.
Roberto sorriu ao vê-la se aproximar da porta.
— Está bem. Mwah!
Beijou sua esposa e logo se encontrava no ponto que ficaria escondido... Nino não queria perder tempo. Anna levou o cavalo no braço e Nino a carroça. Depois o Primordial voltou e carregou Roberto em seu colo para economizar possíveis horas de caminhada.
...Roberto olhava para o nada como se tivesse visto coisas que não deveria. A velocidade mexera com sua noção, mas logo recobrou a consciência. Deixou Nino um pouco preocupado, mas quando o viu respirando normalmente, aliviou-se.
"Esqueci que era humano. Porra... ele poderia ter morrido com isso?" pensou, mas ignorou. Não havia motivo para se remoer com algo que nem havia acontecido. Criou um clone que entrou na sombra de Roberto... o mesmo não entendeu.
— O que é isso?
— Uma magia. Você vai ficar escondido aqui, mas caso alguma coisa aconteça com você. Algum monstro ou algo ache você e seja hostil, chame o meu nome uma vez que a sombra vai te defender. Caso seja muito perigo, chame duas vezes que eu vou conseguir escutar e eu juro que apareço imediatamente para te salvar. Entendeu? — perguntou olhando-o seriamente a todo momento.
— Sim. Entendi sim, senhor Nino.
— ...Até que assim não fica ruim não — brincou.
Instantes depois, Mwah! um último selinho foi dado, antes de Anna seguir por outro caminho, procurando outra entrada na escola, para localizar e resgatar os escravos enquanto Nino enfrentava sozinho o Primordial Verde.
Subiu as escadas depois de passar pela estátua do tio.
Entrou em um corredor que parecia um túnel feito dentro do tronco de uma imensa árvore... Enquanto via o clarão no fim do túnel, seu nome ecoou por ele. Andando com o rosto apático, mãos afundadas nos bolsos e muito concentrado, Nino saiu do clarão, respondendo com sua pontualidade, seu nome anunciado.
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