Dançando com a Morte Brasileira

Autor(a): Dênis Vasconcelos


Volume 2 – Arco 7

Capítulo 184: RAGNAROK

— CALA A PORRA DA BOCA! — Anna berrou para Vermelho.

Shirrk!

Arrancou a espada cravada na barriga de uma só vez — nem mesmo gemeu ou rugiu de dor. Sua ferida simplesmente se curou com magia de cura, e Vermelho se surpreendeu. Seu rosto espantado pela semelhança da cura de Emília, mas ainda diferente, parecendo outra magia.

Movido pela curiosidade e pela raiva, Fush! Vermelho avançou rapidamente com uma corrida para atacá-la. Shk! Anna desviou do golpe de espada, aparecendo imediatamente, com uma deslizada, nas costas do sujeito.

Vul!

Vermelho girou muito rápido, Shk! lançando um corte queimando o ar na direção de Anna... que saltou desviando com precisão o golpe acelerado. No ar, a foice de água se formou, e virando um mortal, passou-a ao vento:

— Lua Nova!

ShkBUMM!

Vermelho conseguiu desviar parcialmente, mas teve a lateral esquerda do corpo cortada. Se regenerou instantaneamente, mas, sem equilíbrio, deu um passo para trás, Splash e pisou em uma poça de água.

Pl-Ploch!!

Lanças de água se formaram, penetrando a carne do Primordial e o explorando por dentro como vermes. Seu coração foi projetado para frente, saindo do corpo para aterrissar na palma da mão estendida do homem, Ploch! no mesmo instante que uma lança iria acertá-lo, errou e atravessou o pescoço, passando pela boca aberta e varando o cérebro.

Anna arregalou os olhos vendo o órgão exposto... não deu sorte ao azar. Avançou imediatamente, e ao mesmo tempo, fez com que cada lança rasgando o corpo do homem se curvasse e voltasse na direção... Diante do coração, sua foice vinha rasgando na horizontal, a lança que saíra do cérebro vinha com imponência e todas as outras fechavam o cerco... mas um brilho estridente foi emitido do órgão pulsante.

BOOMMTSSSS!

As lanças foram evaporadas, e a grande parede de fumaça... não cegou Anna.

No céu, já regenerado, Vermelho olhou para baixo, procurando a menina sem presença, mas assim que os olhos desceram na direção de onde explodira... Vul-Vul! duas foices acopladas com correntes rasgavam o ar chegando com pressa na direção de seu coração.

Agiu rápido, mas quase sem tempo.

Bloqueou segurando as correntes, e contra-atacou de imediato — a água queimava de tão quente e fogo sólido se estendeu por toda a extensão, pingando como magma, tomando o controle do ataque de Anna... que não conseguia soltar o aperto de Vermelho.

— Arrggh! — um forte e contido rosnado de dor.

Vermelho puxou as correntes, e Anna veio junto. No ar, Vul! girou-a, enquanto queimava as mãos em tortura, antes de arremessá-la aos céus, bem longe, para acabar com a luta de uma vez. O corpo da menina girando no vento, as mãos queimadas curadas de um segundo para o outro.

Vush!

Vermelho, com um sorriso animado, voava atrás do corpo da jovem... que aproveitou a oportunidade. Rodando no ar, criou outra foice. Com um giro proposital, parou as cambalhotas aéreas e cortou o ar na direção do ser chegando rápido como um cometa:

— LUA NOVA!

Não havia como desviar. O Primordial tentou criar uma espada de sangue para bloquear... mas não foi suficiente, TIINN!! a espada segurou o poder do corte, mas o arremessou para baixo quase que na mesma intensidade de quando Anna atacara Clarah e Minty na escola, BUUM! fazendo-o cair sobre uma montanha estreita, pontiaguda.

Anna não perdeu tempo e avançou, descendo como uma mergulhadora profissional, preparando o golpe de foice no Primordial caído. SHKRUNCH! Cortou-o ao meio, assim como parte da montanha para baixo... o coração dividido, nutritivo, uma ótima refeição para Blacko se fosse vivo... e se o irmão não virasse fumaça ao morrer... claro.

Porém... quando sua foice passara, Anna percebera que não cortara carne... nem a montanha fora tão suave. O clone se desfez em fumaça queimando como uma churrasqueira bem alimentada. Seu olhar se arregalando no tempo que o corpo acabava o movimento do golpe... e se arrepiava, sentindo algo surgir sobre si, vindo com uma presença forte, assombrosa.

BAAM! 

Anna recebeu um soco no topo da cabeça, mandando-a instantaneamente de cara no chão... Atordoada. Vermelho segurou a cabeça dela por trás, ergueu-a e desceu-a rindo euforicamente como quem transbordava graça.

CRRRAASH!

Empurrou-a e destruiu a pequena e pontiaguda montanha com o rosto e corpo da menina. Caída no chão ao pé do que fora uma montanha um dia, Vermelho continuava rindo. Olhá-la trazia Emília à sua mente, mas vê-la sendo tão fraca era hilário.

BURN!

Lançou uma explosão na menina caída... mas Anna desviou se erguendo de volta ao combate. Uma deslizada à esquerda — um sorriso, com um passar de espada queimando em sua direção.

Skrunch!

Anna não conseguiu desviar completamente e perdeu metade do seu braço esquerdo, PLOCH!! ...Mas Vermelho nem deu tempo dela se regenerar. Apareceu na frente, o sorriso estampado, e uma espada novamente fora cravada na barriga... PLOCH!! mais uma.

Não conseguia reagir.

Levantou a cabeça lentamente, enquanto sangue escorria de sua boca e feridas.

BAM!

Vermelho deu uma cabeçada na testa dela, fazendo-a recuar, Shir-Shirrrp e arrancou as espadas, PHAM! puxando-as no tempo que acertava um chute que a jogou, sangrando muito, para o lado de uma das repartições do grande rio.


Quando os gritos começaram, Clarah cochilava tranquilamente em seu quarto. Acordara desesperada e sem entender, mas assim que saíra da casa de Anna, percebera o que acontecia e se colocara no papel de líder. Guiando grande parte das pessoas da vila, mais próximas da casa de Anna, tentara levá-los para longe. 

Com Minty não fora diferente — ainda em seu treinamento intenso, vira quando o céu se tornara vermelho, e o fogo começara a cair. Assim como Clarah, correu na direção de moradores e começou a evacuá-los. Entrou em uma casa e se deparou com algumas crianças demônios e humanas, que brincavam no momento que o ataque começara e se esconderam com medo.

Vendo o pavor em seus rostinhos, imediatamente deu sua ordem:

— Me sigam!

Escondidos e encolhidos em cantinhos atrás de móveis, as crianças balançaram a cabeça em concordância e começaram a seguir Minty. THAM! No entanto, nesse exato momento que se aproximavam da porta, Lezze entrou ao arrombá-la com um chute.

Minty esticou o braço para o lado, dando uma ordem silenciosa para que parassem de andar... O medo aumentou... mas, agindo rápido, notou a janela à esquerda de uma mesa, e ordenou:

— FUJAM POR LÁ!

Todos correram. Rroon arredaram uma cadeira, subiram e saltaram, um ajudando o outro, e quando saíram da "zona de perigo", viram Clarah com outros moradores não muito longe, se afastando de lá. Clarah ergueu os braços, balançando, chamando-os, e as crianças correram sem pensar na direção.

Minty olhava atentamente para Lezze, que o encarava com a cabeça ligeiramente inclinada, estudando-o com um olhar debochado, um pequeno sorriso contido... Minty sentia-se apreensivo. Criou as garras nas mãos enquanto encarava aquela coisa nos olhos e Lezze ergueu o rosto, rindo alto.

Fu!

Só o vento.

Lezze passou tão rápido que Minty não conseguiu espaço para contra-ataque. Foi limitado a apenas se defender e bloquear os cortes... se quisesse viver mais um dia... TINN!-TINN!-TINN! Suas garras raspando e colidindo contra a lâmina pareciam metal bruto. Um som alto, fino, irritante.

O ambiente perfeito para seu inimigo — um cômodo, quatro paredes, apertado. Aproveitando ao máximo, Lezze usou toda a sua velocidade, atacando de cima, baixo, de lado... de todos os ângulos, utilizando as paredes para saltar e se impulsionar na direção de Minty desesperado tentando não errar.

"Preciso sair daqui!" exclamou em pensamentos, escutando os risos em meio aos ataques ecoando em sua mente, entrando e começando a dominá-lo de medo... o que de fato facilitaria sua morte. 

Depois de momentos de intensa concentração, tentando se defender de uma série de cortes rápidos... decidiu que não dava mais e aguardou uma nova investida de Lezze. Assim... Lezze avançou instantaneamente ao tocar os pés na parede. O golpe veio em vertical, mas Minty não bloqueou como todos os outros: arriscou desviar para o lado, e avançou quando o ser passou, Bm conseguindo segurar firmemente o calcanhar, Vul! antes de puxá-la, arremessando no ar, contra uma parede.

BOM!

Destruiu-a e um buraco ficou.

Lezze girou no ar, Sccrrrchh... e aterrissou de pé, com deboche no olhar, assistindo Minty através do buraco na parede.

— Minha vez — murmurou ele, encarando-a de volta enquanto atravessava os destroços caminhando com tranquilidade.


Vermelho riu bem alto: 

— ...É só isso? Toda essa fúria para isso? Você é uma inútil. Sua mãe deveria sentir vergonha de você. Estava escondida onde? Em um buraco, assistindo ela morrer? Agora entendi. Ela não lutou pelo livro. Ela deu a vida para que você vivesse e agora você vai morrer dessa forma?! — continuou rindo, provocando, enquanto observava Anna ajoelhada, olhando para baixo.

Uma lembrança surgiu na mente dela:


[ Ano 103.

— Eu quero um, mamãe — pediu Anna, sentada no colo de Emília, que se mantinha apoiada com as costas na parede, sobre sua cama de solteiro. Anna olhava-a com olhos grandes, brilhantes, enquanto a jovem lia do Livro Sagrado, contando algumas coisas para a menina que conseguia ler das escrituras, mas Emília ainda não sabia.

— Sim. Um dia você terá um — respondeu com um sorriso suave.

— Você tem um?! — Anna perguntou bem animada, olhos ainda mais curiosos, quase se levantou para olhar a mãe em uma perspectiva mais alta.

— Você será mais forte que a mamãe — sussurrou e novamente sorriu. Desceu o rosto até Anna, que fechou os olhinhos. Emília encostou seu nariz no dela, balançando para os lados rapidinho, antes de se afastar vendo aquele sorriso genuíno — Só você será capaz de ter.

— O que eu preciso fazer?

— ...Existem apenas três maneiras de chamá-lo. A primeira é pelo nome, mas apenas os Primordiais podem fazer isso. A segunda é com uma oração diferente para cada elemento. E a terceira é através de um contrato que envolve um preço.

— ...E qual é o preço, mamãe? ]


Anna ergueu a cabeça para o céu. As feridas ainda sangrando — não se curara, toda sua mente se voltara ao passado, à Emília, a todas as promessas enigmáticas do que a menina teria e seria um dia. 

— Por que você tá rindo? — sussurrou com tom cansado. — Vou morrer hoje... Mas não será você que irá me matar. A ti eu entrego minha alma; me empreste o seu poder uma única e última vez...

Duas mechas cianas surgiram em seu cabelo branco. A Marca da Linhagem Primordial da Lua se formou em ambos os lados do seu pescoço, e sobre essa Marca, apareceu a Marca da Linhagem Primordial da Água, mesclando-se... uma nova Marca surgiu.

Herdando o poder de duas Linhagens, lançou a cabeça para baixo e gritou com toda a garra:

— RAGNAROK!!

GRRRRAAAHHH!!

SPLAAAASHR!

Do rio ao seu lado, uma criatura colossal emergiu agitando o líquido como um tsunami ensurdecedor, subindo até o céu e rugindo com a boca arreganhada, presas, seus dentes maiores que Vermelho. Era o Ragnarok da Água misturado com a Lua; ali nascera o Leviatã Lunar.

— QUE PIADA! CHAMOU UMA COMPANHIA PARA NÃO MORRER SOZINHA?! — provocou Vermelho, visivelmente irritado, mas receoso. Tentando não demonstrar medo, gritou em tom mais grave do que sempre gritara: — RAGNAROK!!

ROOAARRRR!!

Atrás de Vermelho, voando, surgiu seu Ragnarok.

Anna abriu os olhos e encarou o Primordial — seu olho esquerdo brilhava em azul-escuro, como uma noite estrelada, enquanto o seu olho direito brilhava em azul-claro, como o céu de um dia ensolarado em uma praia.

Assim que o Ragnarok de Vermelho se materializou, o Leviatã se adaptou ao seu tamanho, ficando ainda maior... Ragnarok contra Ragnarok. Primordial contra Primordial. Com cada um encarando os olhos fervorosos de seu alvo... Anna ergueu-se do chão, e no momento que lançou um passo, antes de tocar com os pés no chão, sua regeneração curou seu corpo.

E assim que tocou... Fu-Fu! rasgou o solo, avançando na direção de Vermelho, que como ela, avançou na mesma intensidade. Atrás, no cenário da floresta colossal e densa, um mar de árvores belas de tão assustadoras, FRRROUNNNN!! o Dragão disparou um rastro como um laser, um raio grosseiro de plasma cilíndrico e oscilante na direção do Leviatã, que desviou quase em deboche, fazendo uma espiral com o enorme corpo em torno do ataque... o Dragão não fora rápido o suficiente para subir o laser e acertado, CRUNCHH! o Leviatã chegou e o mordera no meio da face.

Com o poder da lua brilhando como um universo saindo de sua boca, queimava a cabeça do seu adversário se debatendo, tentando desprender do ataque... Tudo se alinhou. Os desafiantes se acertaram ao mesmo tempo, com o plano de fundo perfeito de suas imagens. Vul-Vul! Anna criou e girou duas foices com correntes. Vermelho tentou bloquear, mas as foices se tornaram líquidas, passaram pelo corpo de Vermelho e o homem arregalou os olhos sabendo o que viria após isso... mas mesmo sabendo, não deu tempo.

Seu Ragnarok, duelando no céu atrás, recebera um ataque, e além da mordida, o poder contínuo rasgando a armadura de pele da criatura enfraquecia Vermelho. Sua velocidade foi levemente comprometida, e naquele instante, isso criava um abismo colossal.

Shkrunch

As armas voltaram a ser sólidas, mas Anna não cravou-as nas costas. Puxou-as... aquilo se tornou uma única grande foice e a cabeça do homem se desgrudou do pescoço, Ploch, facilitando a precisão da entrada, quando aquela água voltou novamente a ser líquido e invadiu o pescoço exposto do alto homem... o desespero em meio ao interior sendo dilacerado.

Não via nada. Sua regeneração comprometida pelo dano contínuo. O coração sendo perseguido pelas lâminas internas enquanto Vermelho mudava a posição cada vez com menos espaço dentro do próprio corpo.

Não conseguia aliviar a dor. Não havia como gritar sem uma boca... e sua dor enfraqueceu seu Ragnarok. O Leviatã, CRUNCH! arrancou parte da cabeça do ser colossal, forçando-o a se diminuir de tamanho para regenerar os danos e sair da prisão que fora colocado... mas assim como Vermelho, sua velocidade fora afetada, e o Leviatã envolveu o Dragão com todo o corpo, enrolando-o, comprimindo-o como uma sucuri abraçando um jacaré, só que parados, flutuando no céu. A cabeça subiu abrindo a boca em um rugido que faria qualquer ser tremer, antes de descer, CRUNCHH!! mordendo a boca do alvo, travando-a fechada e impedindo de atacar... só de sofrer.

Enquanto era mastigado lentamente e sofria com a magia da lua, Vermelho começou a enfraquecer ainda mais pela dor que o Dragão sentia. Virou uma bola de neve... Se seu Ragnarok fosse destruído de uma vez seria um dano menor do que ser enfraquecido continuamente, mas não pensara, só chamou uma companhia ao entrar em desespero percebendo que não conseguiria sozinho... Nunca conseguira sozinho.

TSSSSS...

Com muito ódio, Vermelho esquentou o sangue quase em uma explosão. Os danos no próprio corpo se cessaram e assim, conseguiu regenerar a cabeça, dando a Anna o prazer de ver seu rosto furioso, indignado com a garota.

A Marca da Linhagem Primordial Vermelha queimava e sangrava no absoluto.

Quando olhou para Anna, que também tinha suas Marcas brilhando em um azul-escuro absoluto, mesclando a cor para ciano, as partículas de água evaporadas se tornaram água novamente, antes de se solidificarem como lâminas.

CRUNCHH!

Penetraram sem aviso os olhos do Primordial — rasgando o corpo mais uma vez atrás do coração. O Dragão sentiu com força, e o Leviatã Lunar agora tinha o corpo do Dragão Colossal quase inteiro dentro de sua boca, que destruía-o lentamente com o poder da lua... Os Ragnaroks eram inteligentes, assim como Rag.

Rag era o mais, seguido pelo Ragnarok da Linhagem Primordial Rosa. Os sentimentos, pensamentos. Tudo era conectado entre Ragnarok e Primordial, mas diferente de todos os outros, Blacko tinha uma amizade com Rag. Não eram Mestre e Ferramenta como os outros Primordiais usavam-nos.

Eram Melhores Amigos.

Blacko sempre entregara uma liberdade muito grande para Rag. Obedecer Blacko, ser fiel não era só questão de ordem, de ser sua obrigação. Era feita com carinho, amor e respeito... mesmo que essas coisas esses dois não soubessem bem como funcionavam.

O Leviatã não queria matar o Dragão.

Naquele momento, Vermelho se encontrava muito enfraquecido só com os ataques de Anna. Matar o Ragnarok o deixaria extremamente debilitado por alguns segundos, e isso iria destruir o que sentia que Anna desejava. Anna queria matá-lo. Matá-lo com as próprias mãos. Não seria nenhum pouco reconfortante matar o assassino de sua mãe, se isso viesse a partir de uma quebra de poder tão grande.

TSSSSSS!

O Primordial evaporou a água mais uma vez e, quando seus olhos se regeneraram, uma Lua Nova se aproximava, SHHHKK! no desespero completo, deslocou seu coração e seu corpo foi cortado em dois.

PHAAMM!

Quando se regenerou novamente, Anna surgiu e deu um chute em sua cabeça, BUUUMM!! mandando-o para o chão a uma velocidade imensa. Com a mesma idade que sua mãe tinha quando morrera, desceu sobre ele e passou a foice mais uma vez no ar:

— Lua Nova.

Plhorrr!

Vermelho impulsionou o coração para o céu com toda a força.

SHHKK... BAAUUUMM!!

Seu corpo foi dilacerado ao atingir o chão, e a partir do coração, regenerou um novo corpo completamente alterado em sua feição de chupar limão azedo. Era raiva ou vontade de chorar? Lutar sozinho era difícil? As palavras de Emília nunca saíram de sua mente, sempre doeram pois sabia que era verdade.

Do céu, extremamente irritado, Vermelho encarou Anna com os braços estendidos para cima. As vestes longas sambavam com violência ao vento, e ao poder que emanava subindo aos céus, tingindo-o de marrom-escuro, preto, vermelho... inferno.

Anna, do chão, o observava em silêncio, com as mãos desarmadas... olhar mais que frio, calmo.

— Estou cansado de você. Escória — resmungou quase que para si. — INFERNO CARMESIM!

Um meteoro se formou nos céus. Absurdo. Imenso. Queimando em fogo sólido, maciço como aço. Descendo na direção de Anna... a menina não se moveu; só esperou receber o impacto como quem desafiava a morte.

BRAAOOOMMM!!

Uma cratera se formou no chão, FLUOSHH! desviando a água do rio que começou a enchê-lo rapidamente.

Com a fumaça, Vermelho não conseguia vê-la.

PLOCH!!

Uma foice de água cravou-se em seu peito. Anna, agachada em suas costas, aproximou o rosto do dele de costas, e sussurrou em seus ouvidos:

— Minha mãe se orgulha de mim, inseto.

No tempo que o corpo girava em um mortal frontal, em um perfeito vertical de 360°, cortando todo o corpo daquele Primordial, murmurou calmamente:

— Lua Azul.

BOOOOOOMMMM!!

Uma explosão ensurdecedora desencadeou uma reação em cadeia que transformou aquela manhã em uma noite iluminada por uma imensa lua azul. O vento dobrando as árvores, afastando nuvens próximas do céu daquela imensidão florestal, dando o destaque total à bola azul brilhante.

Com a morte de Vermelho, o Leviatã finalizou de devorar o Dragão... e ao ver Anna caindo com as Marcas fracas no pescoço, Voush! voou rapidamente em sua direção.

— Desculpa, Nino... não vou conseguir voltar para casa... hoje — lembrou-se do rosto dele enquanto caía. O sorriso. As brincadeiras. As cantadas. Todas as encheções de saco para chamar a atenção dela... até que tudo aquilo se tornou impossível de ficar sem. Até que a presença insuportável se tornava insuportável mesmo quando este não estava próximo. Uma lágrima solitária escorreu do olho esquerdo... se perdeu em meio ar e ela desmaiou.

Thumf...

O Leviatã Lunar a pegou no ar — equilibrando-a nas costas de seu longo corpo. Pousou com cuidado. Girou um pouco o corpo para que caísse sentada de costas apoiada em si e diminuiu o próprio corpo drasticamente, se tornando um pequeno Leviatã.

Enquanto dormia, teve um sonho:

Anna despertou em pé sobre águas calmas de um mar infinito, sob uma Lua Azul em uma noite extremamente estrelada. Milhares de brilhos. Milhares de galáxias sendo vistas a olho nu. A água refletia a lua, criando um tom azul perfeito. O Ragnarok sobrevoava o céu e, ao se aproximar dela, desceu e se deitou diante de Anna.

O ser não moveu a boca, mas o som que emitiu dizia claramente na mente dela:

"Ordene-me e eu apenas a servirei sem questionar, minha Imperatriz."

Anna olhou para ele e estendeu a mão direita... colocando-a sobre a cabeça do Ragnarok, que se mantinha de olhos fechados, sentindo-a acariciá-lo. Quando despertou, encontrou sua mão sobre o Ragnarok deitado ao seu lado, protegendo-a.

A Marca fora gravada em seu pescoço, com a cor ciana e azul-escuro.

Abriu um sincero e pequeno sorriso, aliviada.

"Ele me aceitou... Assim como você disse... Mamãe."

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