Dançando com a Morte Brasileira

Autor(a): Dênis Vasconcelos


Volume 2 – Arco 7

Capítulo 182: Pesadelo do Passado

Acompanhado de dois subordinados, o Primordial Vermelho se teletransportou para o mais próximo que imaginou com a informação dada por Jaan... acertou em cheio. Sobre o céu da vila, surgiu para no ar — suas vestes ricas, extremamente detalhadas em cada detalhe, sua Marca brilhando em vermelho observando aquelas construções em meio ao mar de árvores.

Todos os moradores que estavam fora de casa sentiram um medo profundo, olharam para cima e tiveram a mesma reação: correr desesperados, gritando, BRUM-BRUM-BRUM! enquanto uma chuva de fogo caía dos céus, destruindo tudo que tocavam.

Anna terminava seu suco quando ouviu os gritos.

Pahc.

Bateu a grande caneca na mesa, Trak! e abriu a porta de casa.

Assim que avistou as vestes vermelhas longas balançando ao vento no céu, suas pupilas se contraíram, seu coração foi tomado pelo ódio, e a memória da última vez que vira sua mãe gritou em sua mente.


[ Ano 105.

Anna dormia profundamente quando sua mãe a sacudiu para acordá-la:

— Anna, Anna, acorda!

Ainda deitada e sonolenta, a criança murmurou:

— Hum... Oi?

Crash!

Nesse momento, destruindo o telhado, uma subordinada de Vermelho entrou — não havia detectado nenhum ser vivo naquele ambiente, mas entrou destruindo o telhado com a mesma grosseria que destruíra e matara as pessoas da vila. Quando o corpo entrou, seu olhar era reto na mãe, e ao vê-la, desceu um golpe com sua espada certeira.

A mãe desviou a espada com a mão, PHAM! acertou um chute nas costas dela, destruindo a coluna, BRUM! o corpo da subordinada foi lançado na direção da porta da casa, mas antes, passara ao lado de uma Porta Mágica, erguida no meio da casa, dando em lugar algum. Não havia parede ou sustento — só uma linda porta branca, brilhante, no centro.

A subordinada destruiu a entrada, e seu corpo capotou por dezenas de metros sem parar, indo parar dentro da mata densa ao redor da vila que Anna fora criada. Com o estrondo, Anna acordou de vez, e sua mãe segurou seu rostinho com ambas as mãos, olhando bem nos olhos da menina, enquanto ordenava:

— Minha Lua, corra e não olhe para trás, apenas corra o mais longe que conseguir e não pare para olhar para trás.

— Mas mãe...

A Bruxa dos Demônios, Muah! beijou a cabeça de Anna, Vush! e a empurrou pela janela atrás da cama, usando uma correnteza de água para levá-la... Com um sorriso triste, a mãe se virou e criou uma foice de água. Anna, chorando, obedeceu às ordens de sua mãe, correndo sem olhar para trás... Correndo o mais longe que conseguiu sem olhar para trás.

Quando a chuva começou a cair, suas lágrimas se misturaram com a água enquanto corria, sem parar... sabia, sabia quem havia criado aquela linda lua. ]


Anna, consumida pelo ódio, criou uma foice de água, Vul! e saltou na direção de Vermelho, que não sentia nem seu olhar direcionado a ele. Um ataque silencioso, seu olhar cravado, o corte da lâmina rasgando o ar na direção do homem... Vermelho não sentia-a — a presença da menina era extremamente forte, mas imperceptível. 

Ouviu um som fino, baixo, da lâmina vindo e quando olhou na direção, ficou surpreso... desviou com o corpo para trás, Anna errou o corte certeiro, e seu corpo ficou de lado, diante do Primordial pensando, enquanto olhava-a passando:

"Ela não tem presença nenhuma?!"

PHUMM!

Com a perna envolta em chamas, Vermelho desferiu um chute nas costas dela, provocando uma explosão que a lançou para muito longe da vila, até uma repartição do grande rio bem distante, morros e montanhas em volta — sua luta fora isolada dos demais.

Vermelho avançou rapidamente, enquanto Anna, Srscrsc... ao cair, rolou no chão, Vul-Vul! e lançou duas foices de água presas a correntes em sua direção. Vermelho, ao ver as correntes, lembrou-se de uma jovem — Emília... a Bruxa dos Demônios — uma jovem que nunca disse seu próprio nome.

"Quem é você?... Por que luta como ela?" pensou, curioso, um tanto animado. 

Os ataques chegaram. Sem preocupação, lançou as mãos para segurá-los como se não fossem nada... mas as foices se transformaram em líquido, atravessaram as mãos e braços do Primordial e voltaram a ser lâminas de água sólidas.

P-Ploch! Rrraraassgg...

Que se cravaram em suas costas quando Anna as puxou com força, rasgando a carne do homem enquanto a regeneração achava brechas para agir... Crunch! a melhor saída foi imitar um lagarto. Explodiu os próprios membros presos pelo ataque e os regenerou instantaneamente com um recuo para trás... mas Anna esperava exatamente aquilo.

Avançou, fingindo um ataque no coração, que Vermelho bloqueou... deixando o rosto inteiramente exposto para um soco no meio da cara quando ela no final da corrida... saltou.

BLAMCH!

O rosto ficou dilacerado, um buraco em cortes que logo se regenerou como se não fosse nada... Arremessado para trás, o corpo capotou violentamente e Anna avançou destinada a por um fim em tudo, com um único movimento de foice no coração do ser voando sem controle.

Mas Vermelho virou-se no ar... parando de capotar, Srrcscssrs... e de pé, arrastou-se de costas, pela grama... mas Anna não parou, continuou o avanço e quando chegou... Vermelho criou uma espada de sangue queimando, abaixou-se e a arremessou por baixo das pernas.

PLOCH!

Atingindo Anna na barriga.

Sccrrrchh...

A jovem foi arremessada para trás com muita violência, Pahf-pah... Caiu de joelhos, enquanto sangrava absurdamente pela boca, deixando o chão inteiro na cor do seu sangue azul-claro.

— Achou mesmo que eu ficaria de costas para um inimigo? — Vermelho sorriu, mas sua expressão mudou ao se lembrar de Emília. — Garota idiota. Quem é você? Tudo em você me lembra uma ladra de merda.

Com as mãos na lâmina espada, sentia uma dor intensa enquanto tentava removê-la, gemendo de agonia.

— Arggh! Arfg...

— Você é filha da adolescente que roubou o livro? 

— ...Aaagth... — Anna tentava ganhar tempo, buscando uma estratégia para remover a espada e atacar Vermelho sem prolongar a luta, querendo matá-lo de uma vez... mas não via uma chance, uma oportunidade plausível.

— Responda, inseto! — Vermelho a olhava com desprezo.

Com muito ódio, Anna ergueu os olhos para ele. 

— Essa ladra era minha mãe, seu DESGRAÇADO!

O rosto daquele ser se abriu animado. 

— Oowt... Que carinha é essa? Que peninha... — abriu um sorriso sádico, respondendo com crueldade: — Minhas criações adoraram brincar com ela.


[ Ano 105.

Emília dormia tranquilamente abraçada a Anna na cama, quando despertou ouvindo gritos e barulhos muito altos. Estranhou. Levantou-se da cama e passou ao lado da porta mágica no centro da casa, indo em direção à porta de entrada. Abriu-a sem pressa e ao olhar para cima do pequeno morro que precisava subir para chegar à vila, notara a mesma sendo destruída.

— Onde está o livro?! — um subordinado de Vermelho segurava um demônio da linhagem azul pelo pescoço.

— Não se... 

Fruuuaaarrr! 

O subordinado, uma das três criações de Vermelho incinerou o morador após não receber a resposta que queria.

Emília fechou a porta e correu de volta para o fim do cômodo — sua casa possuía apenas dois. Chegou em Anna deitada e começou a sacudi-la para acordá-la.

— Anna, Anna, acorda!

Ainda deitada e sonolenta, a criança murmurou:

— Hum... Oi? 

Crash!

Nesse momento, destruindo o telhado, uma subordinada de Vermelho entrou — não havia detectado nenhum ser vivo naquele ambiente, mas entrou destruindo o telhado com a mesma grosseria que destruíra e matara as pessoas da vila. Quando o corpo entrou, seu olhar era reto na mãe, e ao vê-la, desceu um golpe com sua espada certeira.

A mãe desviou a espada com a mão, PHAM! acertou um chute nas costas dela, destruindo a coluna, BRUM! o corpo da subordinada foi lançado na direção da porta da casa, mas antes, passara ao lado de uma Porta Mágica, erguida no meio da casa, dando em lugar algum. Não havia parede ou sustento — só uma linda porta branca, brilhante, no centro.

A subordinada destruiu a entrada, e seu corpo capotou por dezenas de metros sem parar, indo parar dentro da mata densa ao redor da vila que Anna fora criada. Com o estrondo, Anna acordou de vez, e sua mãe segurou seu rostinho com ambas as mãos, olhando bem nos olhos da menina, enquanto ordenava:

— Minha Lua, corra e não olhe para trás, apenas corra o mais longe que conseguir e não pare para olhar para trás.

— Mas mãe...

Emília, Muah! beijou a cabeça de Anna, Vush! e a empurrou pela janela atrás da cama, usando uma correnteza de água para levá-la... Com um sorriso triste, a mãe se virou e criou uma foice de água.

A subordinada regenerou a coluna, erguendo-se em meio à destruição que seu impacto causou. Olhou de volta para casa e viu uma garota sendo levada por uma onda estranha de água flutuando, antes da menina começar a correr para longe.

— Aquela garo...

Ploch!

Sentiu seu coração sendo perfurado... seus olhos arregalados sentindo a mórbida dor de tê-lo perdido. À sua frente, seus olhos revelaram Emília, com a foice fria e impiedosa cravada em seu corpo.

Phah!

Emília ergueu a perna direita, afundando o pé no corpo daquela coisa, retirando-a de sua lâmina com um empurrão desdenhoso. O corpo caiu no solo, com um baque esquisito, um furo grosseiro e ao mesmo tempo fino, no peito.

— Um já foi — murmurou, olhando de volta à vila. Deu um passo à frente e o corpo da subordinada se levantou como um zumbi. No meio do escuro da mata, e naquela noite, aquele cabelo vermelho queimava ainda vivo.

— Não estou morta... — ela rosnou, com a cabeça baixa e rindo. — Tenho mais de um núcleo, sua idiota.

Emília olhou de canto para ela e percebeu a chegada de mais dois subordinados: Ezze e Lezze.

Seres humanoides que lembravam seu criador, mas claramente mais fracos. A única diferença eram as marcas em seus pescoços, símbolos mágicos, que eram a única coisa que os tornavam relevantes para Emília.

Notou o símbolo no pescoço de Ezze.

"Absorção de magia. Que merda..." reclamou internamente, não demonstrando fraqueza para os seres que a cercavam... mas os três atacaram ao mesmo tempo, e Emília esperou com paciência, até que chegassem na distância que queria. 

PH-PHAM!

Quando atacaram, ignorou Ezze e contra-atacou Lezze e Dezze, chutando-os para longe, após um salto abrindo as pernas em perfeita horizontal. Em seguida, ainda no ar, envolveu a mão com uma magia da lua brilhante em tom azul, tocou o solo e avançou em direção a Ezze... que tentou recuar ao errar o primeiro avanço e ficar "sozinho" com ela.

Era um blefe.

Assim que o soco chegou... desfez a magia.

BAAMM!!

Ezze fez um selo de mão — encostando a ponta do dedo anelar no polegar para formar um círculo, com o indicador e o médio estendidos e juntos, e o mindinho também reto, alinhado com os outros dedos — para absorver a magia, mas, Emília sendo astuta, o atacou com a mais pura e força bruta.

Ezze recebeu um soco no meio do peito, Emília não queria perder tempo, queria matá-los o mais rápido possível, mas mesmo que o soco tivesse sido impiedoso, não varou-o ou conseguiu causar danos diretos no coração.

O humanoide foi empurrado bons metros para trás, sem equilíbrio, com a perna direita para frente, tentando não cair para trás... Conseguiu. Lançou o corpo para frente e viu, SHK! Emília passar com um corte de foice vertical, de baixo para cima, cortando-o ao meio.

No entanto, Ezze conseguiu lançar o corpo para trás, desviando na medida que a foice subia, e conseguiu se salvar... mas a ponta da foice atingiu seu queixo, e sua face se tornou duas, com sua cabeça dividida, seus órgãos quase caindo naquele pequeno período que o tempo parecia não passar.

"Preciso matar esse o mais rápido possível!" Emília exclamava internamente, preparando o próximo movimento no ser sem equilíbrio, depois de tentar se desviar da forma que conseguiu... 

O corpo de Ezze caía para trás. Os subordinados eram como uma mínima extensão de Vermelho, mas não clones. Vermelho lhes entregava poder e vida, e por entregar uma pequena porcentagem de si para que conseguissem viver e pensar sozinhos como seres vivos, também tinham acesso à regeneração do Primordial, mas assim como o pouco do poder que era fornecido, a regeneração também era pouca.

Com o corpo dele ainda quase na vertical, mesmo que caísse sem nenhuma forma desviar para trás, Emília deu um giro, após cortar a face da criatura e deu um corte horizontal na altura do coração.

Shk-Tinn!

Lezze interveio com a espada em posição vertical na frente, usando todo o corpo para desviar a lâmina enquanto Ezze caía no chão. Pahf... Assim que a espada bateu no cabo da foice, Emília fez a foice se tornar líquida e passar pela espada, voltando a ser sólida.

Shkrunch!

Embora a velocidade tenha diminuído drasticamente, a barriga de Lezze foi aberta sem piedade. Os órgãos cortados voando do corpo. O olhar frio da jovem olhando nos olhos assustados de Lezze. E sem enrolação, a foice desapareceu, e Emília avançou com a mão pontuda como uma lança, direto no peito para perfurar o coração, BUM! mas Lezze usou uma explosão de magia de fogo para tentar se salvar antes daquele ataque tocar suas roupas.

Vul-Scrscssc...

Emília se manteve parada no mesmo lugar, Lezze não conseguiu machucá-la, mas fez um pouco de fumaça à sua frente, conseguindo uma distração para pegar Ezze, que segurava as partes da cabeça juntas no chão, e sair, mesmo que seus órgãos se espalhassem pela terra, virando fumaça vermelha no tempo que a regeneração começava a criar novos... Quando a fumaça atrapalhou Emília, foi momento em que Dezze a atacou pelas costas.

Blublubob!

Uma bolha de água surgiu à frente da humanoide, prendendo-a por desleixo. Irritada, lançava sua espada nas paredes, mas a bolha não estourava. Sem ar, continuava se debatendo tentando se libertar, mas Emília manipulou a água, lançando-a ao céu em poucos segundos.

Blo...

A bolha estourou, libertando-a muitos metros ao alto em meio àquela noite fria... mas antes que pudesse pensar no que fazer, Ploch! Emília surgiu com os pés em suas costas, cravando uma foice de água no peito daquela coisa... Sentindo-a agachada atrás de si — era quase uma certeza, o frio que sentia mesmo com um corpo tão quente, queimando em chamas, que morreria.

No instante que fora empalada, Emília aproximou o rosto atrás da cabeça de Dezze e murmurou, no tempo que o corpo girava em um mortal frontal, em um perfeito vertical de 360°, cortando todo o corpo daquela criação:

— Lua D'Água.

BOOOOMMMM!!

Uma enorme Lua Azul se formou no céu, transformando a noite em um azul profundo com uma chuva incessante de tão fria.


Vermelho sentia algo dentro de uma casa e entrou na residência de Emília.

Caminhando com as tábuas rangendo sob seus pés, passou ao lado da porta mágica brilhante, sem nem mesmo se dar conta de sua presença.

Chegou até uma cama de solteiro e, ao lado dela, encontrou o Livro Sagrado que havia vindo buscar.

— Por que estão demorando tanto? — murmurou para si.

Vermelho pegou o livro, saiu da casa e ao longe, viu uma jovem no meio de Ezze e Lezze, encarando-a um pouco distante, visivelmente com medo de avançarem.

"Quê? Ela não tem presença?!" Vermelho se assustou. Espantado, ficou observando-a com curiosidade. 


"O único que viu Anna está morto. Faltam três." Com a cabeça baixa enquanto as gotas de chuva caíam ao chão, criou duas foices ligadas por correntes em suas mãos. Fria, calma. Esperava. Esperava. Não tinha pressa. Tinha um plano, e esse plano precisava funcionar a qualquer custo. 

Poc!

Vermelho piscou quando uma gota sutil caiu em seus olhos. Quando abriu, Emília surgiu em sua frente, olhando-o com seriedade, cortando o ar com o golpe de foices — uma no pescoço, e a outra direcionada ao seu coração.

...Mas não adiantou.

Screkshs...

Vermelho segurou as foices e puxou as correntes. Emília não esperava e foi puxada com força na direção daquele homem enorme, PHAAM! Vermelho acertou-a com um chute no meio do peito, lançando-a para trás sentindo dor física pela primeira vez.

Após o chute, criou uma espada com seu sangue queimando, e no ar... passou-a com dois cortes, enviando dois rastros de fogo incandescente, Tssss-Tssss... na direção da jovem voando após o impacto...

SHR-RUNCH!

Os cortes se propagaram pelo ar evaporando toda a chuva que colidia contra si, usando-as quase como combustível para se fortalecerem... Emília não conseguiu desviar a tempo. Encolheu o corpo para não ser acertada na cabeça ou peito... mas perdeu ambos os braços de uma só vez.

Pah-pahrf...

— AAAAAAAAARGH!

Aquela dor era algo que ela nunca havia sentido antes, e todo aquele sofrimento a fizera lembrar de uma coisa extremamente importante: naquele exato momento, ela não vestia seu Tesouro de Bruxa.

"O vestido... Não estou com a porra do vestido... EU VOU MATAR TODOS VOCÊS!" Com um sorriso forçado de ódio no rosto, viu Vermelho avançar em sua direção... algo que queria, não gritava verbalmente exatamente por isso. 

Se colocou de pé, seus dentes rangendo vendo-o com arrogância se aproximar descendo um golpe de espada. Assim que Vermelho chegou na distância que a jovem queria, os braços se regeneraram instantaneamente, e em um avanço, Vermelho se assustou quando Emília surgiu vindo com um soco, com uma adaga escondida em meio aos dedos, no meio da sua cara.

Distraiu-se completamente. O golpe de espada ficou frouxo, não acertaria aquele nem se quisesse. Olhando-a nos olhos, suas íris vermelhas brilhavam menos do que aquelas azuis.

"Como ela regenerou?!"

BLRAAMSGH! 

Com os olhos bem abertos, recebeu o soco entre eles.

Vermelho foi arremessado para trás, uma cratera dividindo os olhos. No instante em que o buraco se regenerou, viu Emília sangrando um pouco pela boca enquanto criava uma enorme lança de água.

Vul!

Emília a arremessou, Bm! e ele a segurou, tentando virá-la, mas esse era o plano dela. Fazendo a lança se tornar líquida novamente, a enrolou no pescoço do Primordial como um cachecol e solidificou, o enforcando.

A jovem avançou na direção, TSSSSSS! e Vermelho conseguiu evaporar a água.

Shk!

Chegou cortando com a foice, mas Vermelho se jogou para o lado, desviando. Criou uma espada e tentou cortá-la, mas ela desviou, fazendo uma abertura com as pernas, CRECK! Chutou fortemente as pernas dele, quebrando-as ao contato.

Sem apoio, o Primordial começou a cair.

A Bruxa se levantou após o chute e, com a foice vindo para cortá-lo ao meio, Ploch! acertou o braço esquerdo de Vermelho, Raarrrrrsg... continuando pelo peito, rasgando como manteiga até o coração, BAM! nesse momento, com o rosto de Vermelho longe do anterior, agora com medo real, Lezze apareceu, acertando um soco na barriga dela, fazendo a foice mudar sua rota e arrancar a parte superior esquerda do corpo do Primordial Vermelho.

Sccrrrchh...

Quando Emília caiu no chão, fez um rolamento, mas Vermelho se regenerou e se levantou mais rápido do que ela, Vul-Vul! lançando dois cortes com o passar da espada indo e voltando... Emília viu os cortes próximos demais para conseguir se desviar por completo. Os olhos arregalados com o calor colidindo com sua pele, tostando as gotas d’água.

Teve que escolher.

Escolher entre ser cortada fatalmente no coração e morrer, ou desviar da única forma possível e perder alguns membros... decidiu se destruir para regenerar-se, CR-RUNCH! encaixou-se no meio dos cortes, tentando juntar o corpo, mas ainda sim perdeu novamente os dois braços e agora recebeu um profundo corte na perna esquerda.

— AAAAAAAAAAAARRRRGHH! — rangendo como um monstro, lançou um olhar fixo para Vermelho, desejando no mais profundo de sua alma, matá-lo.

O Primordial olhou para o próprio corpo e percebeu que seu corpo se regenerou, mas não por completo; parecia que apenas uma casca de pele havia se formado, enquanto sua carne e órgãos internos ainda doíam e a regeneração permanecia incompleta.

"Por isso aqueles idiotas perderam? O livro... Ela tem conhecimentos da Deusa..." pensou, agora olhando na direção da jovem caída de joelhos, gemendo e rugindo de dor... Vermelho não avançou, sentia que era uma armadilha, mas suas criações não pensaram como o criador.

Lezze e Ezze aproveitaram ela curvada no chão e atacaram. Antes que chegassem, Emília se regenerou instantaneamente, mas agora, com muito sangue escorrendo da boca.

Vermelho percebeu isso e viu Emília se regenerar com um soco brilhante em magia azul, indo em direção a Ezze... e a criação caiu novamente no blefe, mas desta vez, foi diferente.

Emília avançou com o soco, e, ao invés de acertar, errou de propósito, girando o corpo em uma velocidade quase divina de tão rápida. Ezze fez o selo, mas ela voltou o soco logo após ele errar e acertou o meio da cara.

BRAAUMM!

Ezze foi arremessado, com a parte do peito para cima desintegrada, Sccrrrchh... e caiu no chão, mole. Mas Vermelho continuava vivo, e seu coração ainda batia — o lento processo de regeneração novamente começou.

Lezze veio pelas costas de Emília, e ela percebeu, virando ligeiramente o corpo para o lado e fazendo-a errar o ataque. Ao levantar a cabeça para olhar Emília, Lezze só conseguiu ver um borrão.

BAAM!-BAAM!

Emília a socou, esmagando os olhos com dois socos seguidos. Em seguida, deu uma rasteira, criando uma foice de cabeça para baixo enquanto Lezze caía. A jovem levantou a perna direita para pisar na criação de Vermelho, empurrando-a em direção à lâmina. Tsss-Tsss! nesse instante, viu dois cortes passando enquanto evaporavam as gotas da chuva.

SHK-SHK!

O som amedrontador raspou próximo de seu rosto.

Desviou-se para trás, e Lezze conseguiu se salvar. No entanto, Vermelho não errou completamente; os cortes atingiram o corpo incompleto de Ezze, que absorveu com seu selo e devolveu, do chão, o poder duas vezes mais forte em Emília.

A Bruxa não conseguiu desviar daquela velocidade amplificada. Tentou juntar seu corpo, mas foi lenta demais.

SHKRUNCH!

Enquanto seu corpo pairava no ar após desviar do primeiro ataque, o segundo cortou seu braço esquerdo pela metade, seu braço direito inteiro e sua perna direita quase inteira.

— AAAAAAAAAAAAAAAARRRGGHH!! — Pahrff... gritou intensamente antes mesmo de cair no chão, sentindo uma dor agonizante, rangendo os dentes a ponto de quase se estilhaçarem.

Vermelho se aproximou mais confiante. Havia entendido o que Emília estava fazendo. Sabia que a jovem estava bem mais fraca de quando quase o matou minutos antes. Enrolou a mão no cabelo dela e puxou para cima, erguendo-a para vê-la mais de perto. Rosto no rosto.

— Já entendi você... Trocando sua vitalidade por energia para se regenerar. Você é uma índio...

— Ptu!

PÁ!

Emília cuspiu no rosto de Vermelho, que voltou um forte tapa. Tsss... estressado, o cuspe evaporou do seu rosto.

— Fez tudo isso para proteger o seu livro roubado, ladra de merda? Se divertiu fingindo ser uma Bruxa? — rosnou visivelmente alterado, depois de soltá-la de volta no chão. Seu olhar arrogante voltara ao rosto, vendo-a caída de lado no chão.

— Você nem deve conseguir ler o que está escrito — provocou.

Vermelho fechou os olhos e se virou enquanto respondia:

— Um presente da minha Deusa à Primordial da Lua... Como eu não saberia ler? — tentou se provar... exatamente o que a jovem ganhando um tempo para descansar queria. Aproveitando-o distraído tentando provar algo que não era, se regenerou instantaneamente, avançando rapidamente em Vermelho.

Shkrunch!

O passo.

O forte passo que tocou o solo. Vermelho sentiu um arrepio na espinha. Acreditou que a garota estava vencida, e deixou-se vulnerável. Virou-se rapidamente, e conseguiu evitar ser cortado em perfeito vertical de baixo para cima, mas perdeu o braço direito, cuja carne ainda não havia se regenerado completamente devido aos danos do Poder da Lua.

Vermelho regenerou novamente, mas apenas o suficiente para conseguir mover o braço.

Com a regeneração debilitada, não se importou e, usando o mesmo braço, criou uma espada, Shk! lançando um corte no mesmo movimento inicial... Emília desviou com exatidão. Criou duas foices com correntes em meio à esquiva quase felina e atacou.

P-PLOCH!

Arremessou as foices, errando de propósito o alvo inicialmente, passando com ambas as correntes ao lado do homem de olhos arregalados, mas depois as puxou, cravando-as nas costas de Vermelho, foi penetrado com violência e ela o puxou, enquanto pulava e criava duas lâminas sob suas sandálias de sangue da lua.

PHAAM!

Com essas lâminas, acertou uma voadora de dois pés no rosto dele.

Ezze e Lezze avançaram tentando ajudar Vermelho.

ZLOOU!

Emília disparou uma magia da lua, brilhando como se fosse o universo, em direção a Ezze...

O humanoide se desesperou com a magnitude e fez o selo de mão ao contato... conseguindo absorver toda a magia, e logo a devolveu em direção a Emília, que sorriu ao encará-lo com certa malícia.

Lezze não havia parado de avançar depois que viu Emília errar.

Chegou perto, mas Emília, extremamente rápida, imobilizou Lezze e a usou como escudo... Ezze desesperou-se ainda mais ao ver o que fez, BOOOOMMM!! Lezze teve o corpo quase completamente desintegrado, restando apenas parte da perna direita e pé esquerdo.

— Menos dois — em meio à fumaça, rosnou baixo.

— LEZZE!!!

— Presta atenção, imbecil — rosnou em deboche.

PLOCRUUUNNCH!!

Emília cravou uma espada de sangue da lua no pescoço e o rasgou de cima para baixo, dividindo o coração, deixando-o caído no chão sem conseguir se regenerar.

— Menos três.

Vermelho permanecera diante dela; os dois se encararam a uma distância de 10 metros.

"Essa chuva tá começando a me irritar..." reclamou em pensamentos. — Mesmo que saiba muitas coisas por ler as palavras da Deusa, você não tem poder suficiente. E ainda mais usando sua vitalidade para se regenerar. Não vai demorar muito para cair no chão morta — tentou provocar. 

— Está preocupado comigo agora? — Emília o encarava bem no fundo dos olhos, enquanto começava a caminhar lentamente na direção dele, criando uma foice de água, lentamente. — Eu tenho tempo de sobra para dar a surra que o genocida deixou de dar em vocês.

— Uuh... Conheceu o Preto, é? — Vermelho a encarava de volta, um sorriso irritado no rosto, enquanto criava uma espada e começava a caminhar também.

— Não sou do tipo que gosta de conversar. Ele não soube escutar um "não". Não deveria ter deixado ele vivo também. 

— Ganhando tempo para descansar, é?

— Tsc... Não me compare com você.

Os dois deram mais um passo simultaneamente... Fu-Fu! e correram, cortando o chão com um rastro de fogo e água enquanto trocavam golpes de lâminas.

Tinn-Tinn-Tinn!

Emília pulou e executou três giros perfeitos com golpes de foice. Vermelho bloqueou todos os ataques e, ao descer, Emília fez uma abertura de pernas e continuou com um corte adicional.

Bum!

Vermelho usou uma pequena explosão nos pés para desviar e se afastou de costas no ar.

Estendendo a mão para Emília, BURNMNMN! lançou uma onda imensa de fogo em sua direção, TSSSSSSSS! o som das gotas evaporando ensurdeceria qualquer pessoa.

Fu!

Emília saltou e, no ar, realizando um mortal, passou a foice pelo fogo, dizendo:

— Lua Nova.

ShkBUUUMM!!

Um corte completamente diferente de tudo que Vermelho já havia visto atravessou o fogo e o atingiu, causando-lhe uma dor nunca antes sentida.

CRUNCH!

Do ombro esquerdo para baixo, foi cortado em dois. Assustado. Regenerou-se novamente, mas agora, com metade do corpo internamente incompleta. Tinha tudo lá, mas de forma superficial.

Após o leve alívio da dor, Vermelho viu uma enorme onda de água se aproximando de seu corpo, mais um blefe de Emília.

TSSSSSS!

Com os olhos arregalados, lançou uma parede de fogo rápido, evaporando a água.

PLOOCHH!!

Emília surgiu em sua frente e avançou com a mão reta como a ponta de uma lança, no peito dele, tentando atingir o coração.

Vermelho não conseguiu se mover, mas deslocou o coração por dentro do corpo para desviar do ataque... Inútil. Emília sabia exatamente onde ele estava, entretanto, antes que cada golpe na sequência que ela continuava fazendo atingisse o coração, ele conseguia desviar para não morrer.

BLAMCH!-BAMTCH!

A Bruxa não parava de perfurá-lo, e ele, com o corpo precisando de tempo para regenerar, não conseguia revidar — usava todas as energias para movê-lo internamente o mais rápido que conseguia.

Desesperado, vendo-a com um olhar doentio e uma expressão de desdém, golpeando-o sem descanso, e indo além — o mesmo olhar que ela possuía quando tinha 13 anos — o Primordial gritou cheio de medo:

— RAGNAROOOK!

ROOAARRRR!!

À sua frente, uma enorme boca se fechou, CRUNCH! mordendo-a.

Um Dragão Colossal de cor vermelha surgiu. O Ragnarok de Vermelho levou Emília para o céu enquanto a mantinha queimando em sua boca... A jovem já esperava, já sabia: Emília era o counter perfeito de todos os Primordiais.

CRUNCH!

A boca do Ragnarok foi dilacerada e, com um salto, Emília voou mais alto que o ser Primordial. Olhando para baixo, uma foice se formou em sua mão e, com um mortal, lançou um golpe na direção do Dragão:

— Lua Nova.

Ssshhkk...

O corte atravessou o Dragão ao meio, que morreu e se desmaterializou instantaneamente... sem nenhum som ser ouvido pelo Primordial olhando-os do solo... mas, BAAUUUMM!! o corte atingiu o chão, ecoando como um chicote quilométrico.

Vermelho fugiu de lá; se escondeu em um galho de uma árvore densa, diminuindo a intensidade do vermelho da própria roupa e cabelo para se camuflar, com o rabinho entre as pernas.

Quando seu Ragnarok fora destruído, Vermelho segurou com todas as forças que lhe restavam para não vomitar sangue e fazer barulho devido à dor de perder um poder tão grande ligado diretamente ao seu ser.

Pm...

Emília aterrissou de pé ao lado do buraco deixado pelo corte.

Manteve a cabeça baixa enquanto a chuva caía sobre ela, tentando dar-lhe energia.

Não tinha sua foice em mãos, apenas ficou parada, sem regenerar os machucados da mordida em seu corpo. Sabia que não podia gastar vitalidade para regenerar aqueles buracos em suas costas. Continuar sangrando era mais viável.

— Covarde — rosnou em tom baixo.

Vermelho, na árvore e molhado pela chuva, tentava respirar o mais calmamente possível, sem fazer nenhum ruído. Tentava ganhar tempo; seu corpo fraco, a regeneração ainda não conseguia reagir aos cortes feitos pelo poder da lua. Precisava descansar, precisava de ajuda e fugir de lá.

— Vocês não passam de covardes. Tsc... — deu uma risada leve irônica. — Ela sempre cuidava de mim, me observando através da lua no céu. Mesmo sem dizer uma palavra, mesmo não estando ao meu lado, ela sempre estava lá, observando como eu estava. Cuidou de mim quando eu nasci. Cuidou de mim mais que minha mãe de sangue. Cuidou de mim em todos os dias até sua morte... Da mesma forma que o genocida do Blacko, queria matá-los, mas nunca fez isso por ela. Eu não matei seus irmãos por respeito à minha Imperatriz. Vocês são repugnantes, não passam de covardes assustados.

Emília continuou com a cabeça baixa, sentindo a chuva molhar seus cabelos brancos e limpar suas feridas. Suas duas mechas em ciano brilhando em poder, querendo destruir, eliminar aquele ser.

— Eu posso morrer hoje, mas eu te juro, Vermelho — uma foice de água começou a se formar lentamente em sua mão direita. — Eu te juro que você vai morrer com uma foice de água cravada em seu peito.

Vermelho olhou para ela entre as folhas... mas Emília havia sumido.

Suas pupilas se contraíram em profundo medo e, virando o rosto para trás, viu Emília passando a foice, chegando no meio da sua cara. TIIIIMMM!! Vermelho criou rapidamente uma espada, mas a foice acertou-a, arremessando-o com muita força ao chão fora da árvore.

BUUMMM!!

O corpo quicou e Vermelho se levantou.

Armado com uma espada em cada mão, Vul-Vul! cortou o ar em um padrão de hashtag (#), disparando um ataque contra Emília... que, furiosa, não piscava. O olhar predador. O olhar daquela garota não desviava de seu alvo.

O Primordial Vermelho sentia medo... muito medo — medo daquele ser que não possuía presença alguma.

A Bruxa juntou o corpo no ar, como uma raposa caçando, mergulhando na neve, mergulhando no buraco central da hashtag que se criara próxima demais de si... SHK! passou com tranquilidade pelo meio do corte. Mesmo que o ataque tenha passado de raspão em um de seus braços, continuou avançando com a foice em direção ao coração de Vermelho.

PLOOCHH!!

Vermelho mudou o coração de lugar, RAAAARRRSGG! mas sentiu a foice de Emília crescendo dentro de seu peito, caçando seu coração em um jogo, em uma corrida mortal interna.

— ARRRRGGHH!

Enquanto gritava em agonia, o coração tentava desviar da lâmina até que não havia mais espaço. Plorchh! projetou seu órgão vital para fora do corpo; enquanto o coração voava, um novo corpo se formou dos tendões em volta.

Ainda no ar, assim que os olhos foram criados, viu duas foices acopladas a correntes cortando o vento em sua direção.

PL-PLOOCCHH!!

As foices perfuraram novamente seu peito.

Desesperado, Vermelho tentou desviar o coração para fora do corpo mais uma vez, que ficou conectado apenas por linhas de sangue, e tentou segurar as correntes para quebrá-las... mas não conseguiu.

Não eram correntes de água, mas correntes feitas do Sangue Mais Forte.

CRUUNNCCHH!!

Suas mãos foram dilaceradas, e Emília puxou seu corpo para perto dela. Com seu olhar mostrando todo o seu medo, todo o seu pavor exalando em cada centímetro da sua face, enquanto o corpo chegava próximo de Emília pronta para desintegrá-lo da existência, Vermelho berrou mais uma vez sem nem pensar:

— RAGNAROOOK!!!

ROOAARRRR!!

CRUNCHH!

Emília foi abocanhada pelo Dragão que novamente ela não conseguiu ver quando este se materializou à sua frente... Vermelho conseguiu se salvar do sangue dela e, ainda no ar, dentro da boca do Dragão, Emília recriou sua foice. Desta vez, a foice não era azul... era preta.

BRRUUMM!!

A boca do Dragão explodiu e, com um corte sendo passado sobre a criatura, a jovem rosnou em meio ao véu de uma magia emanando como uma galáxia, um rastro, uma aura, naquela foice, como o espaço, como o universo:

— Lua Negra.

SSSSSSHHHKK... BAAAAUUUUMMMMM!!!

Seu corte apagou o novo Ragnarok da existência, descendo até colidir com o chão, onde criou uma fenda dimensional semelhante a um buraco negro, puxando tudo para dentro. Sem piedade, sem o horizonte de eventos.

Em sete décimos de segundo, a fenda se fechou; sem seu Tesouro de Bruxa, que lhe fornecia energia mágica ilimitada, não conseguiria mantê-la aberta por mais tempo, ainda mais fragilizada após trocar tanta vitalidade no duelo.

Vermelho abaixou a cabeça, vomitando profusamente, incapaz de conter a dor de perder novamente seu Ragnarok.

Parte de seu corpo foi sugada pela fenda, e sua regeneração não conseguiu reconstituir, nem mesmo superficialmente, a parte direita de seu corpo que foi puxada para dentro devido à perda de um poder tão grande quanto o Ragnarok ao mesmo tempo dos danos... Precisava de mais. Precisava de mais tempo.

Olhou para frente, só restava metade da face esticada como uma mola, e o olho esquerdo naquele rosto. Sua regeneração naquele momento parecia a de um demônio comum. Mais segundos. Mais alguns segundos. Quase orava por mais míseros segundos de vida.

Seu olho tremia enquanto sentia um profundo desespero... Emília à sua frente, rasgando o ar e cada gota que entrasse na frente com um golpe horizontal da direita para a esquerda, na altura do seu coração pulsando, um pouco exposto pela metade do corpo esticada pela fenda dimensional.

A lâmina, agora azul, Shirrr... tocou sua carne, e Vermelho, olhando aquele rosto sério, concentrado, viu-a começar a dividi-lo ao meio. ]

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