Volume 2 – Arco 7
Capítulo 180: Acorda
Mais de uma hora e meia aguardando sentado sobre a montanha sob o sol do deserto, olhando para o portão de Alberg, até que finalmente Azul apareceu, sobre um cavalo maior, mais belo e forte, de cor azul. Atrás, subordinados guiando as cinco carroças com as oferendas virgens.
De pernas cruzadas, Nino observava preguiçosamente a direção em que seguiam — logo percebeu que era para o leste, e os demônios entraram no deserto. Muitos cristais de vidro ainda espalhados por todo o local.
O cavalo do Primordial fora criado do próprio sangue. Azul se encontrava visivelmente entediado com aquilo. Algo que qualquer contrabandista ou subordinado poderia fazer sozinho. Mas fora escolhido, e não havia como transportar os humanos de forma segura sem ser daquela forma lenta e cansada.
— Nhe... Parece com o Verde, deve ser fraco. Sniiff... Harrf... — Nino suspirou, levantando-se com preguiça. — Vou ser breve.
Azul sentiu uma pontada forte, algo estranho lhe mirando. Lançou o rosto à direita, e sobre uma montanha no deserto, viu uma silhueta. Piscou... a silhueta desapareceu.
— Hã?
Cr-r-runch!
Nino rasgou o deserto em instantes, surgindo na caravana como um raio, cortando o pescoço de um a um em sequência, uma linha roxa em rastro desenhando as retas conectadas pelas vítimas — as cabeças voando, o sangue azul jorrando no ar lentamente, quando chegou em seu último alvo e saltou, indo com uma estocada precisa no coração de Azul... Bm que segurou seu braço, impedindo a lâmina de atingi-lo.
Rostos no mesmo nível.
"Preto?" Azul notou aquela Marca.
Olhos preguiçosos encarando-se no meio-tempo daquele salto falho. CRECK! o agarrão de Azul quebrou os ossos do braço de Nino, antes de virá-lo para frente, CRUNCH! arrancando seu braço ao arremessá-lo sem pena.
Bm-B-Scrsch-Bm...
Nino colidiu com o chão e seu corpo capotou e rolou por muitos metros. O braço se regenerou, e em cada intervalo do corpo não sendo rasgado pelos fragmentos de vidro, continuava regenerando-se sem muito ânimo.
Vush!
O cavalo de Azul desapareceu e o Primordial rasgou a distância criada ao arremessar o sobrinho, quase de imediato. Uma foice de sangue azul se formou em sua mão, um rastro de água era deixado quando desceu-a em um ataque único e preciso, na direção do coração daquele menino.
Mas no tempo que o ataque descia, a cambalhota de Nino virava-o, e quando viu aquele rosto desinteressado, percebeu que caíra em uma armadilha:
— Idiota — rosnou.
PL-L-LOCHH!
Cada vidro, cada gota de seu sangue que caíra no chão lhe acompanhou pelo solo, e naquele momento perfeito onde Azul se afastou das carroças, dando a Nino segurança para matá-lo sem o risco de ferir as crianças, o sangue se projetou do chão, criando espinhos pontudos que perfuraram e travaram o corpo daquele grande homem no solo...
Sua cabeça descendo com força, tanto pelo impacto quanto pela vontade de vomitar o sangue que subiu pela garganta imediatamente, B-BAAM! no mesmo instante em que caíra na armadilha, Nino parara as cambalhotas propositais.
Bateu o pé direito no chão e saltou, virando um mortal de frente, descendo um chute de calcanhar direito, na nuca de Azul preso. CRAAASHH! Os espinhos foram destruídos com o corpo sendo forçado a descer nos mesmos, entretanto, embaixo do sangue, Nino havia criado a dimensão escura dos homens-sombras.
Azul se encontrava submerso na escuridão daquele lugar. Não conseguia respirar. Era como estar embaixo da água, mas sem água, sem nada além de um vazio e seu corpo caindo e caindo, em um abismo infinito e completamente preto.
Sh-Sh-Shk!
Clones de Nino se camuflavam naquele breu. O Primordial não conseguia vê-los, só sentia o corpo ser mutilado diversas vezes ao mesmo tempo. Regenerava-se em todos os intervalos que conseguia, mas sentia algo estranho além da dor aguda — nenhum corte ia diretamente no seu coração, nenhum daqueles cortes pareciam querer matá-lo.
Shk-Shk-Shkr-r-runch!
Buscava uma saída lógica. Blacko não tinha algo como aquela dimensão, mas tinha Rag, e isso o deixava em extrema desvantagem indo sozinho. Enquanto seus membros eram dilacerados e regenerados, olhou para cima, no único ponto que vinha luz — o lugar que Nino o jogou... mas cada segundo lá dentro, seu corpo afundava mais no abismo e o ponto de saída ficava menor.
Na luz, viu uma silhueta... e não era Nino. Nino caminhava lentamente, com as mãos afundadas nos bolsos, em direção às carroças. Um sorrisinho de prazer era visível, sentindo e ouvindo os gemidos contidos e ranger de Azul sofrendo em sua prolongada morte lá dentro.
...Azul via Blacko. Azul via o sorriso de Blacko... olhando-o como sempre o olhou, desprezando-o como sempre desprezou... isso o irritou. Seus olhos se encheram de fúria. Seu sangue se agitou e sua Marca brilhou em azul absoluto... mas esquecera de um detalhe, quando abriu sua boca berrando:
— RAGN...
Sua garganta travou, sua voz se perdeu no vazio... quando um olho gigante se abriu na escuridão à sua frente, paralisando-o com sua ordem existencial, deixando o Primordial em estado de choque e medo.
Ploch!
Nino não queria perder tempo com fracos, Rag não permitiu que aquela luta se prolongasse... Não fora Rag quem o matara. Azul não se moveu quando Rag o ordenou que parasse. Nino o finalizou, com um clone perfurando o coração.
Anna havia colhido algumas frutas que apelidara de "Momi". Como era a fruta preferida de sua mãe, e também era uma fruta sem nome, decidiu batizá-la com algo que lembrasse ela. Com ajuda de moradoras, criou uma área onde trouxe árvores inteiras da fruta Momi, para serem cultivadas na vila.
Sentada à mesa de casa, deitada com o rosto de lado na madeira, PlakiPlakiPlaki! batia as mãos com ansiedade feito uma criança mimada, até que a empregada lhe entregou o suco pronto. Seus olhos brilharam, agradeceu à mulher e nesse momento Clarah entrou na sala de jantar:
— Anna, você viu a Nina por aí?
Anna olhou-a, dando um golão com os olhos bem abertos sobre o copo na direção da menina, antes de responder:
— ...Eu também estava procurando por ela. Fui até o Roberto mais cedo, ver se ela estava ajudando por lá, mas ele disse que não. No entanto, a viu saindo bem cedinho com o Jaan em direção ao noroeste da floresta. Disse que ela parecia animada; Jaan comentou que encontrou frutas gigantes e pediu a ajuda dela para trazê-las para a vila — comentou, e deu mais um gole.
— Ah, beleza.
Clarah se espreguiçou e começou a subir as escadas.
— Vou dormir mais um pouquinho.
— Boa dormida.
Clarah riu, parando na escada para olhar Anna sentada de costas na cadeira.
— Nunca ouvi isso antes.
— Não sei como se diz... "Boa noite" não é. "Bom descanso", talvez?
— Deve ser — Clarah riu novamente e, enquanto continuava a subir as escadas, respondeu: — Boa noite.
— Boa noite.
Passos preguiçosos em cada degrau. Depois que Anna escutou o som da porta da menina se fechando, sentiu uma leve coceira em seu pescoço de ambos os lados ao mesmo tempo. Apoiou o copo na mesa e coçou, seu semblante confuso... uma Marca muito fraca, assim como os gêmeos tinham antes de Blacko morrer, havia surgido.
Nino continuava caminhando preguiçosamente em direção às carroças.
Depois que seu clone matou Azul, desfez a dimensão, e a fumaça azul começou a desaparecer no ar... no tempo que suas veias saltavam em sua pele clara, como se estivesse enfurecido... mas era prazer. Seu rosto subiu um pouco, quase como se olhasse para o céu, excitado, de olhos fechados e um pequeno gemido de boca entreaberta.
O Poder de mais um Primordial fora roubado.
Suas veias brilhavam em azul, mesmo que o roxo da magia escura e o preto de seu sangue vencessem no fim.
Um sorriso de deboche se seguiu naquele rosto.
Mais uma Posse fora concluída.
Chegou até as jaulas, Vush! e puxou todos os tecidos cobrindo-as do sol... Por um momento Nino viu Anna. Todas aquelas crianças lhe olhavam como filhotes de corujas. Olhos gigantescos arregalados. Pupilas dilatadas, que sentiram dor, e a dor sobressaiu à curiosidade. Fecharam os olhos como se tivessem sofrido uma concussão.
Nesse tempo, Cr-Cr-Cr-Cr-Crash... Nino quebrou as trancas de todas as jaulas, abrindo as portas. Depois que os olhos dos pequenos se adaptaram ao sol, viram-se livres... mas continuaram olhando-o paradas, sem fazerem nada.
"As pernas são de enfeite?" reclamou em pensamentos. Olhou de jaula para jaula, criança para criança, até que notou uma jaula só de meninas, as que pareciam ser mais velhas, mas só de olho, chutava que tinham no máximo 11 anos.
— Já que não querem voltar andando, preciso de quatro voluntárias para guiar cada cavalo até o reino — falou em tom de comando, mas tentando não ser assustador. Seu objetivo era salvá-las, não traumatizá-las.
As quatro mais altas se entreolharam e saíram sozinhas da jaula; três delas pareciam apavoradas, mas obedeceram. O sentimento estranho de pressão sobre os corpos que Azul estabelecia era mais fraco do que o de Nino, mas olhando para Nino, essa pressão diminuía pois não parecia que aquele jovem adulto tinha a intenção de fazer algum mal a elas.
Nino as ajudou a subir nos cavalos, uma por uma.
— É bem fácil, é só...
— Eu sei andar a cavalo — chegou na última e tomou um fecho... era o preço. Se ele fosse o Azul, aquela menina teria coragem de abrir a boca?
Nino a olhou com uma careta de desdém. Por um momento viu-a como criminosa e pensou em usar isso de desculpa para matá-la... Mas isso não era crime de verdade, e não queria desrespeitar Alissa e Anna, a confiança, a promessa... Emburrado, resmungou em sua mente:
"eU sEi AnDaR a cAvaLo, mimimi. Não perguntei nada, sua praga..."
Enquanto o Primordial Preto voltava com as crianças, o palácio se encontrava bem agitado, assim como o reino. As pessoas tinham medo. Nenhum alerta. Nada foi dito nos jornais. Ninguém sabia o que estava acontecendo e todos queriam explicações do rei do porquê suas crianças foram levadas por um Primordial.
Algumas pessoas se acumulavam à frente do palácio, gritando e exigindo uma resposta do rei. A cada instante, mais pessoas se juntavam ao grupo que se tornava grande... mas entre eles, nenhuma pessoa do lado oeste estava presente. Nenhuma criança rica fora levada. Suas vidas continuaram normais, era quase uma outra economia do lado esquerdo daquela imensa rua.
Dentro do palácio, Matilda continuava agindo... não mais com a responsabilidade que lhe fora imposta na troca pelo poder, pelo sangue que a tornaria mais jovem, mais bela. Ia atrás do seu plano de muitos anos atrás.
Grimore chegou ao quarto real, Thom... e entrou sem cerimônia.
— Majestade? — murmurou... permanecendo de pé, mãos juntas para frente, em respeito e submissão.
Matilda o esperava meio sentada na borda da cama, linda, suas curvas cada vez mais joviais. Sua coxa direita exposta pelo novo vestido com fenda alta que Akli produzira, e sua pose sugestiva, sensual inclinada na cama. Seu corpo, seu rosto cada vez mais rejuvenescido. Ainda tinha 55 anos, mas o sangue lhe trazia a juventude estética. Parecia estar com 23, e isso a deixava cada vez mais animada. No auge de sua beleza, via-se imparável. Irresistível... para Jonas recusá-la mais uma vez.
Matilda se levantou, e caminhou olhando-o de uma forma mais que carnal, mais que sensual. Grimore ainda sentia-se mal. Noite passada não conseguira fazer nada além de olhá-la delirar com outros dois homens, homens esses que Grimore considerava amigos... ao menos até aquela noite.
Os dois sabiam que Grimore gostava da rainha, mas estando junto do general sempre nas resenhas em prostíbulos, muitas vezes dividindo a mesma prostituta demônio, não achavam que o homem realmente amava-a como dizia. Foderam-na sem pena ou receio. Entregaram-na o que a mulher queria e isso deixou Grimore muito mal.
Sentia-se traído pela namorada de tantos anos. Matilda dissera que era só para aumentar o controle sobre o rei, e que não gostava de fazer com outro a não ser ele... a não ser Grimore... mas aquele sorriso, aquele olhar e aqueles gemidos diziam o oposto... e o homem não conseguira sentir-se excitado tocando a pele da mulher que jurou casar-se na adolescência.
Mesmo com um misto de sentimentos estranhos vendo-a se aproximar com aquele olhar predatório, aquela linda "jovem" ainda o tinha em suas mãos. Olhou para baixo, Matilda quase colada em seu corpo, erguendo o rosto. Mwah... Grimore desceu o dele, e beijou aquela boca na qual vira-a cheia de leite dos amigos, sem nem pensar duas vezes.
Matilda apalpou-o com calma. O relevo se mostrou presente. O sangue esquentava e bombeava o pênis... sorriu em meio ao beijo, os olhos fechados, as respirações sendo trilha sonora para os dois tentando devorar a língua um do outro.
Grimore começou a acariciá-la e diferente dos amigos, não era com fome, era com carinho, com calma, com amor... com respeito. Apalpou a nádega... e Matilda parou o beijo, olhando aquele olhar bobo na sua direção, com malícia, com desejo manipulador.
— Faça uma coisa por mim — pediu ela quase gemendo, com um pequeno beiço.
— Qualquer coisa — ele balbuciou, perdido, olhando-a.
— Engravide Aurora para que ela seja impura e não possa herdar o trono — sua ordem foi fria, cruel.
Morf permanecia ajoelhado ao lado da cama desde a noite anterior. Ao ouvir aquela ordem, gritou desesperado com toda a sua força, mas seu corpo não reagiu; permaneceu imóvel, enquanto sua alma, presa dentro daquela prisão, chorava de angústia... cada vez menor, cada vez mais sob o controle daquela mulher.
— Eu convoquei todos para o salão. Você vai ter tempo de sobra... E depois, eu faço o que você quiser — sussurrou baixinho quase em gemido, erguendo uma mão dele e colocando em seu rosto. Se esfregando como um gatinho, olhando-o bem nos olhos.
Grimore continuava olhando-a inteiramente perdido, até que começou a acariciar aquelas bochechas, vendo aquela jovem que precisou ver de longe por tantos anos ao casar-se com o rei. Quando o dedo dele passou pelos lábios, Matilda começou a chupá-lo, em contato visual constante... Grimore não aguentou ao estímulo visual:
— Precisa de mais alguma coisa, meu amor?
— Só de você, neste quarto, sozinho, mais tarde — sussurrou cheia de malícia.
Grimore engoliu toda a saliva que se acumulou dentro de sua boca entreaberta e confirmou repetidas vezes com o rosto, antes de sair quase tropeçando nos móveis luxuosos daquele quarto real.
Momentos depois, Morf e Matilda se encontravam sentados nos tronos, diante de vários oficiais do reino, junto com soldados próximos de cada um.
— O que está acontecendo? Por que estão entregando crianças para um Primordial? — protestou Jonas, visivelmente furioso. Olhava para Matilda. Era notório que estava mais jovem, mas seu rejuvenescimento fora cadenciado. De pouquinho em pouquinho, então não trazia um choque de estar com um rosto muito mais novo.
Quando olhava-a, a mulher se sentia excitada, quase fechava as pernas involuntariamente. Segurava para não morder o lábio inferior gemendo só com uma mera olhada.
— Esse era o tratado. O que você prefere: ter o reino dizimado ou entregar crianças para eles quando mandarem? — retrucou Matilda, friamente, buscando atenção, buscando o olhar dele voltado a si.
Jonas se irritou ainda mais.
— Vo...
THOOM!
Nathaly entrou no salão, abrindo as duas portas com brutalidade. Jonas, ao vê-la, foi ao seu encontro.
— Você já sabe o que está acontecendo?!
Nathaly respondeu em voz baixa:
— Sim... Relaxa, tá tudo sob controle. Só ganha tempo — seu olhar sério, não piscava um instante.
— O que vocês estão conversando? — questionou Morf.
— Nada de mais — respondeu Jonas, virando-se para o trono, ainda com um semblante irritado.
— Qual o motivo dessa reunião? "Não tô vendo o general..." Nathaly olhava para cada um dos presentes.
— Avisar sobre o Tratado de Paz — respondeu Matilda.
— Avisar depois de simplesmente implementar? Que piada — desdenhou Nathaly.
A rainha se levantou, furiosa.
— MAIS RESPEITO, SUA BASTARDA!
— Abaixe o tom de voz pra falar comigo, ou acha que me importo de queimar você até a morte? — Nathaly a encarou com um olhar ameaçador, sua voz ainda mais, e Matilda se sentou, recuando.
— Majestade... Olhe o que ela está dizendo!... — reclamou, tentando se defender.
"Ele nem reage mais. Já deve ter virado um boneco." Nathaly pensou, observando Morf.
— Por favor, vamos nos acalmar! Eu deveria ter avisado sobre o tratado antes... A culpa deste mal-entendido é minha. Eu decidi tudo. Eu fiz tudo. Peço desculpas pelo transtorno. Era a única forma de termos paz — assumiu Morf.
"Fala isso sem expressar literalmente nenhuma reação, obrigando ele a assumir a culpa? Essa é a tua? Qual o seu plano? A revolta do reino? Tirar o rei e assumir o trono? O que você quer?" pensava Nathaly.
— "Paz"? Os Primordiais nunca nos ameaçaram em nada. Nunca pisaram neste lugar até esse tratado surgir — Jonas rosnou.
— Fomos ameaçados, Jonas. Exigiram crianças virgens em troca de não nos aniquilarem — retrucou Morf.
— Claro... Claro... Pagar para não morrer... Mas, por que nos matariam se querem crianças virgens, majestade? Não há coerência. Se precisam de humanos puros e virgens, nos matar seria burrice. Então me responda: qual é a razão para eu acordar e ver esse caos no reino? Realmente nos ameaçaram ou você foi atrás de algo, vossa majestade? — Olhou no fundo dos olhos do rei, mesmo que suas palavras fossem para Matilda. Todos os soldados e oficiais presentes, que olhavam Jonas alterado, também voltaram suas atenções ao rei... que permaneceu em silêncio... estático.
Enquanto todos continuavam distraídos no salão real, Grimore aproveitou para cumprir o pedido da rainha. Sabendo onde ficava o quarto de Aurora, foi até lá e entrou silenciosamente, já que tanto o quarto real quanto o da princesa haviam deixado de ter guardas há muito tempo — caprichos de Matilda.
Aurora não trancava a porta, pois as servas constantemente iam até lá para cuidar dela. Grimore fechou a porta e a trancou com muito cuidado. Observando o quarto infantil, repleto de pelúcias e travesseiros enormes, viu Aurora entre as cortinas brancas de sua grande cama com dossel.
Tlec!
Enquanto caminhava lentamente em direção a ela, acabou pisando em um pequeno pente de prata que não notou no tapete.
O estalo fez Aurora despertar lentamente.
A luz do sol entrava pelas grandes janelas, iluminando todo o quarto, mas, mesmo com aquela luz, o ambiente parecia envolto em escuridão. Quando a menina coçou os olhinhos, viu Grimore subindo na cama, engatinhando em sua direção.
Pahf.
Assustada, nem conseguiu gritar.
Recuou até cair da cama, continuando a se arrastar até o limite do quarto.
— Calma, princesa... Prometo que será rapidinho, nem vai doer muito — ele murmurou, abrindo um sorriso estranho, amedrontador. — Pode confiar em mim.
Aurora se encolheu no cantinho embaixo das janelas, abraçava algo invisível no corpo, imaginava Sra. Pompom... mas ela não estava lá para lhe proteger do mau. O medo. Aquele homem imenso se levantando da cama em passos lentos, como se quisesse prolongar o terror, o medo naqueles grandes olhos tão lindos agora cheios de lágrimas.
Tremendo, chorava e chorava olhando-o chegar... Abaixou o rosto, e quando viu a própria sombra projetada no chão, reuniu toda a coragem que tinha ao se lembrar de algumas palavras. Juntou ar rapidamente e desceu o rosto em um grito estridente:
— NIIINO, SOCOOOORRO!!
BAM!
Da sombra, surgiu a silhueta de Nino, acertando um soco na barriga de Grimore, arremessando-o ao outro lado do quarto, com uma força descomunal. BUM O homem colidiu contra a grossa parede e explodiu-a, PAH-PAH! Colidiu contra a parede do corredor, quicando de um lado ao outro, ainda voando extremamente rápido pela extensão.
PHAM!-PAM!...
O clone surgira por baixo, quando o corpo começou a descer e o chutou duas vezes, controlando-o no ar como uma bola em embaixadinhas... PAAM! mas no terceiro chute, o clone parou de correr e deu um microsalto, acompanhando a viagem do corpo no ar, e levou a perna direita para trás como se chutasse um penalty com toda a força, um voleio direto ao gol.
BRUUMM!
A "bola" foi enviada violentamente contra a porta do salão real... os dois guardas que a vigiavam foram esmagados sem chance de desviar. Só morreram. Só deixaram de existir de um segundo para o outro... Já Grimore? Com o corpo dilacerado, cuspindo sangue todo quebrado, caíra embaixo da escada dos tronos.
— Bleargh... — vomitou muito sangue, seu corpo tremendo de fraqueza e raiva. Sua adrenalina mantendo-o vivo depois de tantos danos absurdos para um humano resistir. O coração a milhão. O sistema nervoso quase em colapso.
A sombra de Nino surgiu em pé, no meio do tapete e no meio de todos, olhando para baixo.
— O QUE ESTÁ ACONTECENDO AQUI?! — Matilda se levantou novamente com um berro, vendo Grimore gravemente ferido a menos de um metro e meio à sua frente.
Aurora apareceu caminhando com as mãos próximas do rosto, assustada, em meio ao buraco deixado da porta destruída, espalhada pelo chão real. A princesa abaixou a cabeça, soluçando e chorando. Os braços fizeram o mesmo, punhos cerrados, trêmulos, mas ainda assim foi forte e gritou:
— P-papai... E-e-ele... T-tentou... Me ABUSAR!
Nathaly lançou um olhar mortal para Grimore. A Hero se materializou em suas mãos, queimando como nunca, acompanhando o Fogo Sagrado que brilhava em seus olhos.
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