Volume 2 – Arco 7
Capítulo 179: Por ordem do rei, senhora
Nathaly parou, erguendo poeira quando viu-o parar de correr.
— O que foi?
A cabeça da criança girava igual aos olhos.
— Leva ela. Enquanto vocês entram, eu vou procurar um lugar pra ficar fora do reino — ordenou e esticou a menina como um sacrifício humano.
Nathaly olhou-a, segurou-a em um abraço ao corpo e confirmou com a cabeça.
— Ok.
Vu!
Viu-a sair correndo e olhou para a mata próxima do reino. Vu! disparou, ultrapassou a menina correndo e se enfiou na mata, procurando um bom lugar para se acomodar, além de estratégico para ver a ponte do portão com facilidade.
Nathaly resmungou palavras incompreensíveis ao ser ultrapassada de forma tão humilhante... mas enfim, chegaram. Não queria perder tempo com os guardas no portão, Vul! então saltou sobre as muralhas, planando no ar com graça. Aterrissou sobre o telhado de uma casa na área oeste e foi saltando de casa em casa, ouvindo o gemido contínuo de atordoamento da menina, enquanto avançavam até o palácio.
Em seu colo, ficou tocando o rostinho dela:
— Aurora? Princesa, acorda — chamava, mas Aurora continuava mole, quase babando com a boca entreaberta.
Entrou no palácio, indo direto até o salão real, enquanto, no caminho, continuava tentando acordar a criança. No salão, Grimore se apresentava junto de diversos responsáveis da segurança da área nobre, que seus soldados não encontraram a princesa em lugar algum da zona leste. Os soldados da área nobre também relataram não encontrá-la e muito menos qualquer pista na zona oeste.
Um sorriso contido, mas perceptível, era presente no rosto de Matilda, sentada em seu trono inferior.
Apesar do possível sequestro anunciado por Salazar, as buscas continuaram... mesmo que negligenciadas por Grimore. Não se importavam com Aurora, era só uma peça que tinha que ser eliminada do jogo.
Thóom...
Nathaly abriu as portas com presença, o som ecoando e sendo seguido de Aurora correndo, feliz, na direção de seu pai sentado no trono.
— Papai!!
Thumpf!
Saltou no colo do pai, abraçando-o. Morf abraçou-a, mas era visível como seus movimentos estavam travados, estranhos.
"Que expressão é essa?" Nathaly pensou, notando o comportamento estranho do rei. Não houve lágrima e muito menos uma contorção mínima no rosto. Então olhou nos olhos da rainha, que, assustada, desviou o olhar.
— Oi, minha filha! — respondeu o rei, acariciando a cabeça de Aurora, que sorria de olhos fechados recebendo carinho... mas vindo de si, nada parecia uma emoção ou reação humana, muito menos verdadeira. Nathaly sentia algo muito errado, algo muito artificial... mas o rei de fato estava muito, muito feliz.
Grimore irritou-se com a situação, evitando olhar para trás, escutando os passos de Nathaly se aproximando dos tronos.
— Obrigado, Grande Heroína, por trazer minha filha de volta...
Aurora permaneceu no colo do seu pai, muito feliz, abraçando-o com força.
— Tenho um pedido a fazer.
"O que essa mulherzinha quer agora?" Matilda pensou, tentando evitar olhar para Nathaly como se só olhar aquelas íris douradas queimassem seu ser.
— Diga — respondeu o rei.
— Quero ser a guarda-costas da princesa por um tempo.
— Nã...
— Sim! — com toda a força de sua alma, Morf lutou contra o controle de Matilda e aceitou o pedido de Nathaly.
A rainha lançou um olhar furioso ao rei... não escondeu nada, seu rosto exaltado.
"Como ele conseguiu sair do controle?... Desgraçado!" pensou, agora tentando disfarçar sua irritação... mas Nathaly e muitos outros ali presentes estranharam como aquela mulher reagiu. Oficiais se entreolharam, mas não podiam fazer nada, ainda mais nem sabendo o que estava acontecendo.
— Obrigada — Nathaly agradeceu, fingindo normalidade, mas olhou para Matilda, que continuava desviando o olhar de sua direção. Sua encarada era um aviso, uma ameaça, que mesmo sem aquela mulher ver, captou e sentia-se acuada.
Thoom...
Nesse momento, uma serva entrou no salão e notou a princesa.
— Princesa, você está toda suja! Venha, vou levá-la para tomar um banho — chamou, preocupada com o estado da garotinha.
— Tá bom! — Aurora respondeu, levantando-se e indo até a serva. — Tchau, mamãe! Tchau, papai!
Matilda controlou o rei de tal forma que ele nem pôde se despedir da própria filha... que por um momento perdeu o sorriso do rosto, olhando para seu pai, que permanecia em silêncio e sem olhá-la, enquanto se afastava. Saíram do salão. Nathaly saiu junto delas. Queria encontrar-se com Jonas e Liza. Mas era noite, e não sabia onde exatamente os dois poderiam morar, naquele imenso reino.
Naquela noite escura, Morf foi obrigado a ficar ajoelhado ao lado da cama no quarto real.
À sua frente, Matilda vestia a última roupa erótica que Jonas havia recusado. Egocêntrica. Carente. Precisava receber atenção, ser desejada. Precisava se sentir assim. Precisava se sentir mais jovem, mais mulher, mais feminina. Permaneceu sentada de forma sedutora, mas seu semblante mostrava claramente o desprezo que sentia pelo rei.
— Quem mandou desrespeitar o meu controle, seu desgraçado? — rosnou de forma vilanesca, olhando-o de cima como se fosse um rato, algo sujo, impuro.
Toc, toc, toc...
O som amplificado das batidas ressoou pelo quarto.
— Podem entrar — rosnou em gemido, com um leve sorriso sádico nos lábios.
Não havia como escutar de fora o leve gemido que escapava dela, mas Grimore bateu na porta como ordenado, anunciou a chegada e entrou.
Junto ao general, vieram os dois soldados escolhidos por Matilda.
O olhar dela era puro veneno doce — sedução escancarada, sorriso carregado de luxúria enquanto observava os três homens atravessarem o tapete exuberante, passando pela decoração que ela mesma preparara dias antes para Jonas.
Precisava de validação. Olhares em seu corpo... algo que Jonas nunca lhe dera, e isso destruía a cabeça da mulher que se achava irresistível, perfeita e única. Uma obsessão no homem que não lhe entregava o que queria. Uma obsessão em conquistar um homem que não se importava com quem era ou sua beleza. Sua obsessão era na conquista, no se sentir vitoriosa, e não nele em si. A obsessão sumiria e Jonas se tornaria um qualquer no minuto em que cedesse, mas como isso não acontecia, qualquer coisa exigida por aquele homem... aquela mulher faria.
Sentada de forma provocante na borda esquerda da grande cama dossel, ela ficava exatamente de frente para o rei. Morf, imóvel, preso em sua própria carne. Não conseguia mexer um músculo além dos olhos, obrigados a mirar na direção que ela escolhera: a mulher com quem se casara há quarenta anos. E agora, via-a lhe trair, via-a ser tocada, usada por três homens, bem na sua frente.
O sorriso dela enquanto mãos estranhas exploravam seu corpo era perverso. A boca entreaberta, quase babando, esperando algo quente e cilíndrico invadi-la. As mãos dela apalpando os volumes nas calças. Risos baixos. Os três homens em pé, cinturas ligeiramente abaixo do nível do rosto safado, do olhar brilhante e erguido para eles.
Os três começaram a se despir. Matilda, submissa e ávida, ajoelhou-se no chão, esperando seus brinquedos a usarem. Eles se aproximaram, cercando-a com corpos nus. Ela ria em euforia pura. Fruash-Fricsh... Os três esfregando os paus no rosto dela, que mantinha a língua de fora, animada, molhada. Baba acumulando na ponta. De vez em quando fechava um olho, com uma careta divertida quando as glândes quentes roçavam as pálpebras.
Olhando para cima, implorando com olhos excitados por piroca. Tlik-Tliki! Um deles bateu duas vezes na língua babada. Glup-Gurp! Ela engoliu-o inteiro, Fap-Fap-Fwap! mãos trabalhando nos outros dois com habilidade. Grimore, porém, não endurecia. Não conseguia se sentir excitado, e Matilda, tentando masturbá-lo, sentia o membro molenga, sem vida, na mão esquerda.
Seu objetivo era destruir o rei... mas ainda assim, aquela noite era mais para suprir a carência que Jonas despertava nela do que aquilo em si. Juntou o útil ao agradável, e chamou três homens para uma suruba, usando seu corpo de todas as formas como queria, desejava e esperava vindo de três homens pardos e peludos, fortes soldados, famintos.
Entre os corpos, a cabeça dela indo e voltando, o pau arrastando na garganta dilatada, joelhos no chão, buceta encharcando a calcinha, sucção lasciva, risadas dela e deles... o olhar de Matilda permanecia fixo de lado, cravado no rei estático.
Morf chorava, mas não em carne. Em seus olhos, bem no fundo, era possível vê-lo; era possível ver as lágrimas de sua alma atrás das grades da prisão em que ela o colocara. Seu rosto destruído, o coração dilacerado em ver a mulher que amava sendo usada com brutalidade. Mas era exatamente o que a mulher queria.
Os soldados não se importavam com Matilda. Se deram bem. Foram os escolhidos da vez. Transar com prostitutas não era tão divertido. Saber que estavam gemendo só pelo dinheiro era desanimador. Aquele chamado era quase como um teste, teste de que se fizessem bem, seriam chamados mais uma vez. Queriam usar seu corpo, aproveitar cada pedaço, desfrutar do corpo da mulher mais importante de Alberg, e começaram a forçá-la com brutalidade, sem qualquer cuidado, em seus paus veiúdos.
— Grk!-rk!-glu!-grok!-glup!
A intensidade foi súbita, violenta. Matilda engasgava, o pau socado fundo na garganta. O olhar saiu de Morf e subiu para o soldado. Mãos largaram os outros paus e se apoiaram nas coxas dele.
Grimore sentiu o ciúme queimar.
Tap...
Agarrou com raiva visível o braço do soldado emocionado pelo babado que a mulher deixava em seu pau, a forma que o massageava com a língua, e esquentava com a baba quente escorrendo pelo queixo. Sentiu-se ameaçado e soltou a cabeça da rainha.
— Haff... Haff... — Matilda riu ofegante, olhando para cima, queixo brilhando de baba. Fap-Fap! — Aaaaahnmgl... — deu uma chupada leve no pau dele, masturbando devagar, antes de engolir tudo de novo. Olhos se fechando, quase lacrimejando quando o nariz encostou na pele. — Grk!-ARhhff... Harrff... — e retirou.
O soldado ousou voltar a mão à cabeça dela, mesmo que Grimore o olhasse com certo incômodo. O homem olhava-a sorrindo, balançando a cabeça, esfregando o rosto no pau todo babado, antes de sussurrar com malícia:
— Haff... Huff... Deixa, amor. É gostoso — voz ofegante, mas doce, quase carinhosa, em meio à safadeza.
Instantes depois, Matilda se levantou. Grimore continuava mole — tentava se masturbar, mas não conseguia sentir prazer vendo-a com outros homens. O ciúme matava qualquer excitação.
Os dois soldados, porém, eram exatamente o que ela queria: animais famintos. Tocavam-na como se fosse o primeiro pedaço de carne suculenta após estes ficarem meses de jejum.
Pá!
— Ohmn...
— Mwah!
O forte tapa na sua bunda branquela, movendo-a como uma gelatina, tatuando-a e queimando-a, forçando-a a soltar um gemido lascivo de tão safada. Um beijo sedento abafando suas gargalhadas, sentindo aquelas mãos rígidas explorarem seu corpo ereto, mais baixo que aqueles homens grosseiros, alisando cada parte sob aquelas roupas provocantes.
O que a beijava segurou suas pernas, ergueu-a e colocou-a no colo. Matilda continuou gargalhando divertidamente, olhando aquele rosto bruto encará-la. Permaneceu segurando-a só com a mão esquerda. De ladinho, puxou a calcinha molhada, revelando a bucetinha babando, animada. ShuurrPlop-Plop... encaixou o pau e voltou a segurá-la firme com ambas as mãos, vendo-a morder o lábio inferior, olhando-o bem safada.
— Ptu! — Fap-Fap... o segundo soldado cuspiu no amigão de baixo, lubrificando-o e se aproximou por trás da mulher. Puxou um pouco mais a calcinha e achou seu destino lhe aguardando.
Shuurr...
— Ah-a-a-immnmmn...
Matilda gemia entrecortado, sentindo o cuzinho ser aberto centímetro por centímetro lentamente. O soldado parou na metade, recuou, voltou, recuou e voltou, cada vez mais rápido, no buraquinho da realeza safada.
Não era apertadinha como imaginara — as prostitutas demônios que tivera relações eram bem mais —, mas ainda era o cuzinho da rainha. Ainda era uma honra fodê-la, e como animais, Plop-Plop-Plop... aceleraram as penetradas.
Matilda gemia e ria em êxtase. Grimore sentia náusea.
O da frente parou um instante, ainda dentro. Guiou o amigo até a borda da cama, sentou-se, depois deitou-se horizontalmente. Matilda não parava de rebolar nos dois paus que a preenchiam.
O de trás subiu junto, agarrou o cabelo dela com força e puxou, fazendo a bunda bater alto contra sua virilha. Cada impacto irritava Grimore até o osso.
PlaPlop-plaPlop!
— AI-Ai! Vai! Vaai! É só isso?! — Matilda gritava alto, alto o bastante para ecoar no palácio inteiro... era o que queria, mas as paredes não a respeitavam.
PÁ!
— Aiinn!
Deitaram-se alinhados na direção norte da cama. Morf obrigado a ver tudo. O tapa ecoou como trovão na mente do rei, que chorava em silêncio. Matilda ria eufórica o tempo todo, sentindo o corpo ser devorado por dois predadores... até perceber que Grimore não estava gostando.
— Veemm, amorr — gemeu chamando-o, corpo balançando sem parar, olhar provocante.
Grimore não recusou.
Se aproximou da borda, e Matilda, Surp-Sglup... começou a chupá-lo, mesmo que o pau do namorado estivesse extremamente flácido. Seu rosto, indo para frente e para trás, sua boca sugando aquela coisa mole se via incapaz de fazê-lo se excitar em ver quem amava fodendo com dois outros caras.
Os dois soldados não paravam. O de baixo segurava as coxas dela com força, empurrando para cima em estocadas cadenciadas, fazendo a buceta dela engolir o pau inteiro a cada descida lasciva. O de trás puxava o cabelo com mais brutalidade agora, batendo a virilha contra a bunda dela em palmadas altas e ritmadas. PlaPlop-plaPlop-plaPlop! A carne tremia, a calcinha puxada de lado estava encharcada e deslocada, o tecido roçando na pele sensível a cada movimento imposto.
Grimore não conseguia esconder a dor que sentia. Tremia. Não de tesão — de raiva, de humilhação, de um vazio que crescia no peito como uma ferida aberta que ninguém via. As mãos cerradas ao lado do corpo, unhas cravando fundo nas palmas até pingar sangue quente, gotas vermelhas caindo silenciosas no tapete luxuoso. Ele via tudo, cada detalhe insensível:
A forma como a bunda dela quicava no colo do soldado de baixo, carne branca tremendo a cada estocada profunda, pequena saia de tule transparente e calcinha puxadas de lado como trapos esquecidos.
PlaPlop-plaPlop-plaPlop!
O jeito que o corpo inteiro balançava quando o de trás puxava o cabelo com força bruta, enfiado até o talo no cuzinho dilatado, pulsando ao redor da carne grossa que entrava e saía sem piedade. A meia-calça preta da lingerie apertadas nas coxas se movendo como ondas aos choques. O suor escorrendo pela testa dela, colando fios de cabelo no rosto corado. O queixo babado brilhando à luz das velas — aquelas luzes baixas, quentes, que ele acreditara serem para ele... Acreditara na mentirosa.
Matilda percebeu o tremor dele... Sentiu prazer em ver quem jurou amar para sempre sofrendo? As promessas na adolescência foram da boca para fora? Realmente não tinha como recusar quando o rei lhe escolhera, dentre tantas nobres, logo uma plebeia? Ou só não queria viver na pobreza ao lado de quem jurava dar-lhe o mundo?
Excitou-se com aquilo.
Apertou os músculos internos ao redor dos dois paus que a preenchiam com grosseria, fazendo os soldados grunhirem de prazer... Excitou-se ainda mais. PlaPlop-plaPlop-plaPlop! O som rápido das peles se chocando, um pau entrando fundo enquanto o outro se afastava. Matilda rebolando como uma vadia, cavalgando cheia de energia.
A namorada continuou chupando-o com uma dedicação quase patética, como se pudesse forçar o pau mole a endurecer só com a força da vontade. Surp... Sglup... A boca dela ia e voltava devagar, língua rodando na cabeça flácida, sugando com barulho molhado, tentando despertar algo que o ciúme já tinha matado. Os olhos dela, porém, nunca deixavam Morf por completo — um olhar de canto, rápido, cruel, vendo o controle crescer cada vez mais.
Foda-se Grimore... Seu egoísmo crescia e seu amor por ele morrera há anos.
Tudo fora demais para o coração de Morf... O controle. A magia do sentimento da Linhagem Rosa. O controle que Matilda estabelecera sobre o rei dependia disso: sentimentos. Quanto mais dúvida, medo, tristeza... quanto mais conseguisse despertar em Morf, mais fraco aquele homem ficaria.
O desaparecimento de Aurora contribuiu absurdamente para o controle se estabelecer fortemente bem mais rápido do que o planejado. O medo do rei com a notícia. O medo do rei de perder sua filha... Seu estado sentimental se deteriorou, sua fraqueza cresceu e Matilda o consumiu.
Cada segundo daquela noite, assistindo, cada segundo daquela noite, escutando os sons, os gemidos, as risadas daqueles homens... o controle de Matilda crescia sobre o rei. Uma dor tão grande no coração que uma lágrima escorreu pelo rosto físico de Morf, em meio à sua expressão inerte, travada. Dentro da prisão, ficava cada vez menor... cada vez mais inexistente. Cada vez mais... ninguém.
Na manhã seguinte, Matilda ordenou a Grimore que enviasse oficiais para buscar todas as crianças virgens, meninos e meninas, que ela havia selecionado e colocá-las em carroças com jaulas para a coleta do Primordial Azul.
Após a ordem, todos os soldados começaram a procurá-las.
— Por ordem do rei, senhora — anunciou, e o soldado arrancou uma criança dos braços da mãe, que chorava, enquanto seu marido a abraçava no chão, impotente diante do exército armado.
Soldados foram até um orfanato e ordenaram à cuidadora das crianças que trouxesse todas elas. Ela, ao ver as jaulas, já sabia o que estava acontecendo e tentou não chorar ao se aproximar de todos:
— Meus lindos... Vocês estão indo para um novo... — não conseguiu continuar e começou a chorar.
— Fomos adotados?! — As crianças e pré-adolescentes, meninos e meninas do orfanato ficaram felizes e empolgados.
— Sim — ela disse, com um sorriso misturado de medo e culpa.
— Você está chorando porque a gente vai embora? — uma menina perguntou, quase acompanhando-a no choro.
— Sim...
Fingiu ser o que dissera. Mandou que pegassem os brinquedos que ganharam através de doações ao lugar. Cada um pegou o seu, e a mulher levou as crianças até os soldados. Seu rosto dolorido, suas lágrimas manchadas na pele com vitiligo.
Os soldados as seguraram e as colocaram dentro da jaula com outras crianças.
Os órfãos olharam para sua cuidadora chorando enquanto um soldado fechava a jaula com um pano. Neste momento, Pahf!... a mulher caiu no chão, chorando desesperada ao ver a carroça partir... e todos dentro daquele veículo não entendiam nada, mal se viam, era pouca a luz que atravessava o pano denso.
Quase tudo estava pronto quando o Primordial Azul apareceu nas ruas, sem se preocupar em disfarçar sua presença... Todos os humanos em um largo raio sentiram uma coisa estranha e forte pressionando seus corpos para o chão. Quem o viu em pé, próximo ao Palácio Real, entrou em choque.
Os que não travaram de medo correram para dentro de casa e se trancaram... e aquela presença atingiu Aurora dormindo em sua cama, dentro do seu quarto entupido de brinquedos e pelúcias gigantes, maiores que ela em si e pequenas.
Naquele início de manhã, abriu seus olhos sentindo um pouco de medo. Algo que não sentiu diante de Nino e nem de Nina, que também não escondiam suas presenças, mas visivelmente não sentia medo ao vê-los, conseguia ver bondade naqueles corações voltados ao desejo do caos.
A menina se levantou coçando os olhinhos. Vestindo um pijama, caminhou até uma janela, onde a cortina branca voava em uma forte dança com o vento. Olhou e se assustou. Se escondeu e levou a mão à boca, com medo de que aquele ser bem longe na rua pudesse lhe escutar.
— O homem mau! — murmurou para si com garra, coragem.
Fechou os olhos e juntou os braços dobrados, com os punhos cerrados próximo ao rosto... tentando chamar Nino... mas Nino se encontrava distante... preso em um sonho, naquele exato momento.
Deitado no quarto branco, surgiu. Olhos abertos, sentou-se. Olhou para o lado direito — lá, viu Morte dançando sozinha, movimentos fluidos, uma mescla de graça e desgraça. Beleza e pavor. O medo só de olhá-la. O coração acelerando, por não senti-la. Não havia presença, e isso era aterrorizante.
— Como você... — Nino, sem perceber, surgiu de mãos dadas enquanto dançavam. "O quê?" — C-como conhece meu pai?!
Mesmo sem entender como foi parar ali, criou coragem e a questionou. Porém, Morte riu e abriu seus olhos, olhando-o profundamente em meio aos movimentos.
— Ainda não chegou a hora de você saber sobre isso — aproximou seu rosto do dele, fazendo-o tremer de medo cada vez mais. A semelhança. O estranho gritante de ver sua irmã, ao mesmo tempo de ver sua mãe, e ao mesmo tempo não vê-las naquela mulher quase chegando em um beijo era pavoroso. — Acorda — sussurrou baixinho, e Nino acordou subitamente, assustado, sentindo aquele leve suspiro em sussurro como um soco profundo no meio da sua cara, no acampamento provisório onde passou a noite anterior.
Dor de cabeça... logo passara com a regeneração instantânea. Mas se encontrava encharcado de suor mais uma vez. Seu sangue sentia dor, seu sangue chorava a cada sílaba que saía da boca daquela mulher tão familiar.
Ao acordar, ouviu a voz de Aurora na sua cabeça:
"Niiiiinoo?!!"
Aborreceu o olhar, mas não destratou a criança:
"Acordei agora... O que foi?" porém seu tom não era lá dos mais agradáveis.
"O homem mau de azul está na rua em frente ao palácio!"
"Tá, tá. O resto deixa comigo."
"Tá bom. Tchau!"
Nino não respondeu. Em silêncio, se levantou e espreguiçou-se, Burn retirando o suor do corpo com uma pequena explosão de chamas escuras... andando, afundou as mãos nos bolsos e entediou o olhar em mais um dia longe de quem podia ver seu sorriso, de quem ele amava.
Olhando para o deserto além do reino, viu uma montanha, Fush! e subiu nela para ter uma visão ampla da saída daquele lugar. Sentado meio escondido, permaneceu, esperando o momento certo de atacar.
Aurora esfregou os olhos sonolentos e voltou para a cama. Deitou-se abraçando um pequeno travesseiro, tentando suprir a falta da Sra. Pompom... mas era impossível. Em meio a um quarto repleto de bonecas, a única que queria, ela nunca teria de volta.
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