Volume 2 – Arco 6
Capítulo 174: Cachecolzinho
O som das rodas de madeira passando sobre pedrinhas, folhas e galhos secos. Uma madrugada longa de viagem, até que enfim os contrabandistas chegaram em um pequeno vilarejo, o mesmo que os guardas avisaram Nathaly que o vendedor fora na direção.
Pequenas casas simples seguindo a extensão da estrada. Uma festa ali rolava. Uma faixa conectando uma casa à outra, atravessando a rua — uma moradora comemorava seu aniversário. Os quatro ficaram abismados, observaram algumas mulheres caminhando juntas com baldes de água e pararam.
Um antigo morador percebeu a visita e se aproximou logo em seguida:
— Bom dia! Como posso ajudá-los? — Um sorriso gentil em seu rosto velho.
O chefe desceu do cavalo. Os outros três fizeram o mesmo.
— Estamos com fome. Vocês têm comida aí? — o chefe perguntou, arrumando o cinto, sua espada na bainha.
Apesar da aparência estranha e da forma rude como falavam, o morador era muito calmo e ingênuo. Não via maldade, não via perigo, só quatro homens famintos. Um pouco de preconceito e não colocaria sua vida em risco desse jeito.
Eram acostumados a receberem vendedores de Alberg, e também costumavam vender coisas para comerciantes de Alberg. Só não viviam dentro das muralhas porque uma casa era cara, e do lado de fora, as terras não tinham dono.
— Estamos organizando o almoço da vila agora. Se quiserem esperar um pouco antes de seguir viagem, vocês podem comer conosco — com um sorriso no rosto, o morador os convidou.
— Fariam essa gentileza? — riu o chefe.
— Sim. Gostamos sempre de ajudar o próximo, assim como já fomos ajudados outras vezes. Decidimos passar a bondade adiante sempre! — comentou contente.
— Que gentil da sua parte — o segundo deu um sorriso estranho, seus dentes sujos combinando com um hálito horrível.
Sem julgar, o morador pediu licença e voltou a ajudar na preparação do grande almoço... deixou-os livres... à vontade pelo lugar. Sussurros estranhos entre eles, olhares que incomodavam algumas mulheres. Continuavam encarando-as mesmo depois de serem flagrados pelas mesmas.
Nenhum respeito.
Os homens continuavam decorando as casas, passando mais faixas conectadas sobre a estrada. Algumas mulheres murmuraram para o antigo morador que recebera os visitantes, mas o homem não achou que era tão grave assim. Era só olhares. Olhares machucam?
Sentiram-se sem voz... e isso levou ao verdadeiro silêncio.
— AAAAAH!!
...Pouco tempo depois um grito alto veio da estrada. Uma moradora carregava um cesto com cenouras que acabara de colher do próprio jardim, quando passou ao lado das carroças e ouvira um som estranho sob aquela carroça tampada.
Erguera o pano... e se assustou imediatamente ao ver o que tinha embaixo.
Aterrorizada. Seu rosto não escondia nada.
Fush...
Puxara o pano logo em seguida, e, alarmados, todos olharam e presenciaram a revelação da jaula cheia de crianças... Os planos mudaram. Os pensamentos em se divertirem com algumas antes de voltar à viagem ficaram de lado.
Tchin...
Imediatamente puxaram suas espadas. Gritos e sangue. Um massacre no vilarejo começara. Risos. Perseguiram e mataram todos que viram. Pré-adolescentes, adolescentes e adultos. Todos os humanos morreram um a um.
O segundo contrabandista estendeu a mão e abriu diversos círculos mágicos, disparando fogo por toda parte... Era só uma comemoração contente. Os homens bons que deviam ser fortes nunca estiveram presentes.
Desesperado, um morador que não estava no centro do acontecimento correu o mais rápido que suas pernas aguentaram até sua casa, que diferente de muitas, era inteiramente de pedras largas... menos a porta. Cresh... derrubou todos os móveis que conseguiu empurrar para barrar a entrada...
Bum!
Não fora suficiente.
Fumaça em meio ao escuro. Uma pequena lareira queimando em fogo baixo no fundo. Uma mulher sentada no chão. Tremendo, abraçava sua filha, com medo das quatro sombras entrando.
Tic...
Ploch!
— NÃOOOO, POR FAVOR! — berrou... a mãe.
Um ataque silencioso... inútil.
O pai, com um facão que usava para cortar carne, tentou atacar os invasores pelas costas, mas o chefe vira uma sombra se aproximando no chão — virou-se, desviou e fora mais rápido. No estômago, o homem fora empalado.
Pahf... Tink-tinc...
Caiu sem muitas forças. Seu facão quicando no chão.
Dor. Culpa. Medo. Fraqueza... Sangrando sobre o piso de sua própria casa, seu rosto em contato com o chão olhava na direção da sua mulher aos prantos, segurando sua filha com o rostinho virado para o outro lado.
"Levanta..."
Tudo em câmera lenta. Piscava. Sua mulher chorando. Um homem se aproximando dela.
"Levanta..."
Piscou. Era como um tique de relógio, e uma nova cena se moldava.
"Levanta..."
Dos braços da mãe, o chefe retirou a criança.
"Levanta..." O pai procurava forças... mas só encontrava fraqueza, lágrimas... e o frio, que rosnava querendo devorar sua alma.
Aos prantos, a mãe curvou-se de rosto no chão perante o homem:
— Por favor, por favor, não façam nada... por favor, por favor...
Erguendo a criança puxando somente um braço, sem cuidado algum, olhou para o rostinho. Aquela menininha usava um cachecolzinho vermelho... costurado pela própria mãe. Não era uma criança comum. Era especial. Era diferente das outras. Nascera com uma deficiência. Sua cabeça era um pouco deformada, além dos olhos não serem alinhados.
Era pura como um pássaro cantarolando. Não via o mundo como os outros. Não entendia o que estava acontecendo. Seu rosto sempre exibia a mesma expressão serena, um tantinho curiosa, meiga. Ouvia o choro da mãe, via seu pai morrendo, mas ela era apenas um pequeno ser puro e vulnerável, que deveria ser cuidada... amada.
"Levanta..."
— Essa criança é feia demais; não dá nem para vender como brinquedo — rosnou friamente.
Ploch...
Nem pensou duas vezes... retirou uma adaga do cinto e rasgou o pescoço da menina.
Pahf...
Soltou o corpo morto, sangrando diante da mãe... o sangue manchando o cachecolzinho com um tom mais escuro de vermelho... O choque de ver sua filha daquele jeito... Travou. Engasgou em lágrimas. Engasgou na dor. Era como morrer. Não sentia-se mais viva.
Soluçava. Arfava aceleradamente como se o corpo estivesse em um colapso.
— Alguém aí quer brincar com essa coisa? — zombou o chefe, entreolhando os comparsas. Um deu um passo na direção, desafivelando o cinto, e o homem caído começou a chorar... mas o terceiro contrabandista interviu com um aviso:
— Melhor não, chefe. Perdemos muito tempo aqui. O comprador vai ficar puto se não chegarmos em nove meses. Se o porto estiver cheio de filhas da puta, vai ser difícil chegar no continente nesse tempo.
O chefe olhou-o com um pequeno desprezo, mas soube ver o valor da informação:
— Finalmente algo de útil saiu dessa sua boca. Queime-a e vamos embora.
O segundo contrabandista deu um passo enquanto ria... estendeu a mão e um círculo mágico se formou à frente da mulher. Um segundo de silêncio. Um segundo onde nada aconteceu. Os olhos dela desceram ao marido caído em meio ao próprio sangue... seus olhos refletiram o rosto um do outro.
"Levanta... Levanta, merda... Levanta..." Não adiantava. Seu corpo não reagia. Não adiantava aquelas lágrimas. Não adiantava o arrependimento. Nada. Nada adiantava.
Brruucfh!
— AaaaAAaaAHRRgGgHh!
Não se despediram... não houve tempo.
Os gritos de agonia destruindo todas as camadas de sanidade daquele homem caído.
— Deixe esse idiota sangrar até a morte. Talvez ele bata uma sentindo o cheiro da mulher queimando. Hakarakaka! — zombou e gargalhou alto, antes de virar-se e ser seguido pelos comparsas para fora da casa.
Sem pena. Sem remorso. Sem humanidade. Aqueles homens maus roubaram o que conseguiram do que tinha de comida pronta, pegaram todas as cargas que roubaram além dos sequestros e seguiram viagem até outro continente.
Cerca de uma hora depois, o terceiro contrabandista decidiu dar uma olhada no mapa:
— Chefe, se seguirmos por aqui, vamos parar em uma floresta conhecida como Floresta do Desespero... Esse lugar não é perigoso? — perguntou, sua voz saiu um pouco mais fina.
— Tá com medinho? Nós somos o perigo aqui! Hakarakaka! — O chefe começou a rir, e quando o terceiro viu todos rindo, acabou se deixando influenciar e começou a rir também.
— Tem razão, chefinho.
Clopity-Clopity-Clopity...
Nathaly passou a madrugada e o início da manhã seguindo a estrada. Teve somente duas paradas — para alimentar e deixar seu aliado de quatro cascos beber água... Passaram-se muitas horas. Começava a pensar se estava certa em ir atrás do comerciante. Não teve sorte. Pássaros carniceiros levaram o corpo do homem embora, e a boneca de Aurora fora inteiramente carbonizada.
Era quase fim de tarde e uma fumaça branca era vista ao longe. O cavalo parecia entender o que Nathaly queria, apertou o passo e instantes depois os dois passavam tranquilos, lentamente entre as casas destruídas.
"O que aconteceu aqui?" Corpos pelo chão. Pássaros carniceiros sobrevoando a área, prontos para irem se alimentar. Seus grunhidos roucos enviando um mórbido prelúdio ao vento.
Passando por uma casa de pedra, olhou-a meio estranho e o cavalo parou de andar imediatamente. Ouviu algo, bem baixo, mas ouviu. Nathaly desceu, a Hero se materializou em sua mão e a menina entrou.
Dentro, viu um homem abraçando uma criança morta e uma mulher completamente carbonizada. Sangue em abundância no colo, sangue em abundância no visível corte no estômago.
Um olhar destruído, que ergueu-se lentamente ao ouvir um passo.
"Heroína?" Era um humano; qualquer humano reconheceria Nathaly ao vê-la... mas ainda assim, isso não lhe trouxe nada em meio à sua dor física e emocional. — O que você quer aqui, garota? — com dificuldade para falar, perguntou cabisbaixo, pálido, olheiras extremamente escuras.
— O que aconteceu aqui?
O homem deu uma leve risada, mas isso lhe gerou muita dor. Curvou o corpo. Tentou pressionar a ferida sem soltar sua família, mas era difícil. Apertava-os como se o pouco calor que restava em seu corpo fosse capaz de ressuscitá-los.
— ...Estávamos em festa quando chegaram quatro homens em cavalos com carroças... Como sempre, recebemos as visitas de braços abertos e oferecemos nossa comida a eles, pois estavam com fome. Depois disso, eu saí para ajudar as mulheres na cozinha, cortando as carnes para elas prepararem. Um tempo depois, ouvi um grito de uma amiga e, quando olhei, vi uma jaula cheia de crianças...
"Devem estar com a Aurora." Nathaly abriu um pouco mais os olhos, finalmente tendo alguma pista.
— Foi quando eles começaram a matar todos os meus amigos. Tinham espadas, facas... Um deles sabia magia e ateou fogo em tudo. Eu... Tsc... — deu uma leve risada nervosa, com um sorriso de dor — Eu... eu, com medo, corri pra cá... não pensei direito, só queria proteger minha família — a frustração bateu mais forte e começou a lacrimejar — mas eles explodiram minha porta. Tentei atacá-los com um facão que uso para esfolar animais, mas não sei lutar. Eles me esfaquearam e depois — começou a chorar muito, tentando ser forte — e depois... pegaram minha filhinha. Ela tinha uma deficiência. Não era culpa dela; ela era minha menininha. Minha... Minha menininha... P-p-por... Por que esses covardes fizeram isso...? A seguraram como se fosse um objeto, uma mercadoria, e depois, ao verem que ela não era como as outras, a mataram — com raiva, enquanto chorava, continuou: — Eles queriam abusar da minha mulher... eu não conseguia fazer nada além de olhar... mas... mas um dos monstros disse que precisavam seguir viagem logo... Falou que precisavam chegar em nove meses a um tal continente e depois atearam fogo nela! — no fim, gritou um pouco, em meio à fraqueza, e sua ferida se abriu por completo novamente, voltando a sentir uma intensa dor pontiaguda.
Nathaly ficou perdida. Não sabia o que dizer. Era difícil pensar em palavras. Pensar em como poderia ajudá-lo. Precisava pisar em ovos, mas ignorou tudo e deixou sua sinceridade assumir:
— Eu... Eu realmente não sei o que você está passando, toda a dor que você está sentindo. Eu seria uma hipócrita se falasse que entendo ou sinto muito. Mas posso lhe prometer uma coisa: me diga para onde foram, e eu os destruirei com minhas próprias mãos — prometeu, seu olhar firme, seu punho direito erguido um pouco emanando Fogo Sagrado.
— Eu não sei ao certo. Vieram do leste, talvez de Alberg, então o mais provável é que estão indo para algum lugar no oeste. Talvez você conheça a Floresta do Desespero; isso já dá pra ajudar a se localizar. Mas... mesmo que você os alcance, eles vão enfrentar a morte se chegarem perto daquele lugar amaldiçoado.
— É perigoso lá?
— Muito... Ai! — mexeu-se e soltou um gemido, a dor cortando como faca. — A... a única coisa que quero... é vê-los sofrer. Muito. Antes de morrerem.
O coração pesava, se enchendo de ódio e rancor, cada batida alimentando a promessa silenciosa de vingança... Que vingança? Fraco. Deixou que tudo acontecesse.
— Isso deve doer um pouco.
— Ahn?
Segurou o corpo da menininha e o colocou ao lado; o homem ainda segurava sua esposa com o braço direito. Nathaly ergueu a camisa ensanguentada. Sua mão começou a emanar fogo, Tsssss... e ele, a gritar:
— AaAAarRrrh...
Pegou um pedaço de pano e o homem mordeu-o assim que ela colocou próximo à boca dele. Enquanto os gemidos e gritos altos se abafavam, cicatrizou a ferida, dando-lhe uma segunda oportunidade de viver.
— Harff... Arhff...
Terminou.
Molhado de suor, o homem ficou.
— Vou até eles. Tem um cavalo lá fora; vou deixá-lo pra você. O pegue e vá até Alberg. Quando chegar lá, diga que a Grande Heroína o enviou. Depois procure por Jonas ou Liza; eles vão te ajudar — instruiu com uma feição motivada. Sua mão direita apoiada no ombro do homem.
— E como você vai chegar até eles sem cavalo? — perguntou arfadamente.
— Eu não preciso de um cavalo. Só estava com um porque estou procurando a princesa de Alberg que desapareceu do nada. Provavelmente foi sequestrada por esses monstros que você disse — Ergueu-se em direção à porta e lá, se virou, olhando por cima do ombro esquerdo. — Espero que consiga recomeçar sua vida.
O homem, com um olhar desanimado, desviou o olhar para sua mulher, sobre seu braço queimado, depois de ter segurado-a por tanto tempo enquanto queimava. Não conseguiu responder e nem mais olhar a Heroína.
Nathaly saiu de lá.
Olhou o cavalo; a noite quase à porta — o animal comia algumas frutas caídas no chão.
— Espera ele, tá? — pediu.
O animal olhou-a enquanto mastigava. Desceu a cabeça ao chão novamente. Nathaly entendeu que aquilo era um "sim"... Fu! e então... disparou em corrida, rasgando o chão da estrada em um rastro de Fogo Sagrado.
"Espero que você consiga recomeçar sua vida..." As palavras ecoaram na mente do homem, que momentos depois, não conseguiu segurar e voltou a chorar abraçando sua família morta.
Seu queixo apoiado no topo da cabeça da filha. Suas lágrimas molhando o cabelo da menina.
Abriu os olhos. A distorção da visão devido ao acúmulo de lágrimas demorando a focar o item no chão olhando-o de volta... Viu seu facão. O corpo das duas foi colocado com pressa e cuidado no chão. Tirou-o do chão. No seu pescoço, posicionou-o.
Um turbilhão de pensamentos gritando no tempo que o metal frio arrepiava sua pele.
"Você é um inútil! É incapaz de proteger quem ama! Vai ficar com medo agora?! Acha que merece viver?! ELAS MORRERAM POR SUA CULPA! SUA CULPA! SUA CULPA!" — AAAAAAAAAAARRGHH! — berrou desesperado, chorando intensamente.
...De repente, parou de berrar.
Tink-tink...
O som do facão quicando no chão ecoou pela casa.
Ajoelhado, entre lágrimas, murmurou:
— E-e-eu... eu não consigo... M-me... me desculpa... me desculpa... me desculpa... — Pahf... caiu para frente, apoiando a cabeça no chão, Pha-Pha-Pham! dando socos contra o piso. — Por que... Por que não me mataram também?
"...Tem um cavalo lá fora... ...O pegue e vá até Alberg... ...Jonas e Liza, eles vão te ajudar... ...Espero que consiga recomeçar sua vida..." Nathaly de costas para si, antes de virar e sair pela porta. — Harf!
Acordou de um pesadelo.
Olhou para o lado e percebeu que o verdadeiro era acordado... tudo escuro, um pouco de brasa da lareira acesa de dia iluminava o piso. Ergueu-se e pegou o cachecol da menina todo ensanguentado. Olhou-o em suas mãos. Colocou-o no pescoço amarrado.
Seu olhar era cansado, mas ainda havia uma pequena fagulha de brilho.
Saiu da casa mancando — mão na barriga.
Viu o cavalo preto, em meio ao escuro. Aquele lindo animal o olhou e se aproximou. O homem ergueu a mão e o tocou. Fez carinho e se afastou. Caminhou até o local que comeriam o grande almoço; nem tudo tinha estragado, pegou algumas coisas sujas do chão e comeu.
Não só para si, também estendeu uma para seu novo amigo — este... recebeu.
— E aí, amigão?... Vai ter que me ajudar, né? Não sei como fazer isso... — murmurou enquanto o animal comia.
O animal se virou na direção de Alberg e desceu um pouco o corpo. O humano ficou espantado com tamanha inteligência daquele ser. Com dor, conseguiu montar. Meio inclinado para a frente... Clopity-Clopity-Clopity... seguiu viagem.
Uma parede de árvores à frente.
— Se contornarmos a floresta, vamos levar muito mais dias para chegar. Se continuarmos por dentro, talvez possamos reduzir o tempo de viagem.
— Então vamos seguir por dentro — decidiu o chefe, descendo do cavalo. — Verifiquem tudo; não quero perder nada no meio do mato. Acendam todas as lamparinas e fiquem atentos com suas espadas.
Todos desceram e começaram a conferir o carregamento.
Em um morro não tão distante, Nathaly vinha brilhando como uma estrela caída... viu-os e intensificou sua corrida.
— Está tudo certo aqui... — comentou um dos contrabandistas.
— Aqui também... — confirmou outro.
Mas então, uma terceira voz, não reconhecida, interrompeu:
— O que é isso aqui?
Nino surgiu ao lado do chefe e levantou um pouco o pano da jaula.
Todos ficaram paralisados com a presença do Primordial, incapazes de mover um músculo sequer. Como qualquer ser fraco, não era necessário saber detecção quando se estava diante de um ser poderoso.
...Encontrou crianças assustadas.
Seus olhos exalavam um ódio profundo. Seu rosto se virou lentamente, olhando o chefe, ao seu lado, tremendo de medo, de costas para si. Tn... O chefe tentou desembainhar a espada, mas já estava morto. Todos haviam sido cortados no instante em que Nino chegara.
Pah-pa-pah-pah...
Os cortes foram tão precisos que os corpos só se dividiram quando estes se moveram um pouco.
"Magia diferente essa..." pensou Nino, ao ver um círculo mágico se formando à sua frente antes do segundo contrabandista morrer de fato.
Nina apareceu no lugar, olhando para o interior de outra carroça.
— Aqui tem comida e tecidos. Bora levar tudo isso pra vila — comentou.
— E aqui tem... crianças — resmungou, enquanto olhava os pequeninos humanos e demônios sequestrados.
— Hã? — Nina surgiu ao lado de Nino e viu as crianças na jaula.
Nesse momento, ouviram um grito feliz ao longe:
— EIIII!! GENTEEE!! — Nathaly gritava, um sorriso imenso no rosto.
Nina virou-se rapidamente ao reconhecer a voz e, ao avistá-la, abriu um sorriso ainda mais radiante. THUNFF! correu ainda mais rápido do que a menina que vinha e saltou em um abraço, apertando Nathaly com extrema euforia.
Os olhos, o semblante de Nino sorria, mesmo sem dentes, vendo-as se abraçarem. Depois de dois segundinhos, olhou novamente para as crianças e murmurou em voz suave, tentando não parecer um monstro ou alguém ruim para aqueles pequenos seres assustados:
— Vou levar vocês para um lugar seguro e depois soltá-los, tudo bem?
As crianças, ainda com medo, não responderam... mas Nino não forçou nada. Criou cordas de sangue em cada guia dos cavalos e começou a conduzi-los à vila, guiando-os em meio às árvores sombrias de uma noite bem escura... que a lua mostrava sua beleza divina.
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