Volume 2 – Arco 6
Capítulo 173: Onde Você Está?
Assim que entrou, tanto o rei quanto a rainha olharam-na se aproximar. Os tronos eram posicionados em uma espécie de altar. Alguns degraus de escada para chegar, e no início desta, à direita, Grimore conversava com Morf. Uma bandagem reforçada presente em seu nariz. Estava acompanhado de quatro soldados pessoais e alguns amigos oficiais responsáveis pela segurança das áreas mais nobres, além das patrulhas realizadas pelo próprio exército.
À esquerda, Jonas e Liza acompanhavam a reunião.
Quando seus passos se tornaram mais próximos, todos olharam em sua direção. Mas Nathaly, desde que entrou no recinto, encarava fixamente a rainha, que, desconfortável desde o início, evitava contato visual.
"Essa mulher com certeza está envolvida..." — Mandou me chamar?
— Sim, Grande Heroína. Minha filha, Aurora, desapareceu. Gostaria de pedir sua ajuda nas buscas — respondeu... mas de uma forma muito diferente das outras vezes que o escutara. Passara mais de 30 dias desde sua chegada ao mundo. O rei era mais energético, embora velho.
Suas expressões travadas. Quase sem movimento. Sua boca mexeu de uma forma estranha, quase como se estivesse morto. Um boneco. Até mesmo o som fora diferente... Nathaly estranhou:
— Eu já estava indo fazer isso — respondeu, e voltou os olhos à rainha, que imediatamente desviou os dela. Em seguida, voltou um olhar sério para o rei, e este continuava piscando e agindo da mesma forma.
— Compreendo perfeitamente — respondeu Morf, abaixando bastante a cabeça. — Por favor... encontre-a.
"Ele abaixou a cabeça para essa desgraçada?!" Grimore não aceitava isso, mas decidiu não reagir. Permaneceu em completo silêncio, olhando as lindas escadas forradas.
Nathaly não disse mais nada. Desceu o olhar. Passou-os nos olhos de Jonas, depois Liza, virou-se e saiu andando daquele ambiente. O casal entendeu o chamado. Depois de alguns segundos, saíram da mesma forma.
Nos corredores, a alcançaram.
— Quando nos falamos pela última vez? — Nathaly murmurou.
— Ontem à noite, na fonte.
— Então eu só dormi por uma noite — murmurou extremamente aliviada, suspirando fundo.
— As empregadas voltaram. O que você fez?
— Vamos até a fonte. Ainda não confio neste lugar.
Chegaram.
Nathaly sentou-se na borda da fonte, enquanto Liza e Jonas ficaram em pé à sua frente naquela linda manhã de céu azulado.
— Ontem matei a serva de branco.
— Descobriu algo?
— Mais ou menos. Eu pensei que ela seria um Primordial, mas ela disse "minha mestra precisa de você viva", então descartei essa possibilidade. Agora, não sei quem pode ser essa "mestra".
— A rainha, talvez? — sugeriu Liza.
— Não sei. O poder dela era rosa, e quando cravei a espada nela, essa foi a cor que sangrou. Existe um Primordial Rosa, então acho mais provável que seja ele — respondeu olhando na direção da mulher.
— Ela pode estar em contato com ele.
— Sim.
— Eu não entendo... Com o desaparecimento da princesa, eu só consigo pensar: O que eles querem com ela? — comentou Nathaly, olhando para o céu e apoiando as mãos com os braços estendidos para trás, no apoio de cristal branco da fonte.
— Não sei. Mas precisamos descobrir logo e impedir — respondeu Jonas.
— Minha vontade é de simplesmente matar a rainha e acabar com isso — confessou Nathaly, abaixando a cabeça e olhando para eles novamente.
— Bem-vinda ao clube; estou querendo isso desde que fiz 18 anos — confessou Liza.
Jonas deu uma leve risada com o comentário dela.
— Quantos anos você tem? — perguntou Nathaly, muito curiosa.
— 40.
O olhar curioso se tornou tedioso.
— Você não parece nem ter 30, 25... para de mentir — retrucou.
— ...Oh, obrigada — Liza respondeu com um sorriso ao elogio, mas mal sabia que Nathaly realmente acreditava que era mentira e a achava muito jovem.
Jonas olhou para elas e voltou ao assunto principal:
— O problema é que ela está apenas agindo de forma estranha; nós não temos provas concretas. Como eu alertei ontem. Matar uma rainha não é tão simples; o reino ficaria contra você. Como você explicaria que a pessoa mais importante do reino foi morta? Você até pode salvá-los, mas como eles saberiam que foram realmente salvos? Só causaria uma confusão. Matá-la é a forma mais fácil e prática de resolver... mas é a certa? — ponderou Jonas.
— Que saco... deixa isso pra depois — resmungou levantando-se. — Vamos nos dividir e caçar a menina. Alguma ideia de onde ela pode ter ido?
— Nenhuma. Sugiro que eu vá para o norte, Jonas para o oeste, e você para o sul do reino em busca dela.
— Isso deixa um buraco. Quem vai para o leste?
— Grimore e seus soldados foram para lá. Antes de você entrar no salão, disseram que, como é uma área pobre e constantemente fazem patrulhas por lá, eles eram mais eficazes nas buscas.
— Quem é esse?
— O general do exército.
— Como assim "Pobre"?
— ...São ruas sujas, sem cuidados e muitas cheias de casas de prostituição, um lugar onde não há humanos morando, como no oeste, sul e norte. Lá vivem demônios de diferentes descendências que não têm onde viver. É muito comum chegar caravanas pedindo para entrar, para se protegerem do exterior de uma muralha. E quando isso acontece, são mandados para lá, tornando-se o lugar mais perigoso do reino. São condições de trabalho insalubres, o que ocasiona muitos crimes como roubos. Espero que Aurora não esteja lá.
"Por que aquele cara iria querer ir logo pra lá? Ele realmente quer procurar a princesa?" — Não confio no general — assumiu.
— Eu também não — respondeu Jonas, imediatamente com um olhar meio preguiçoso, um ressentimento do passado.
— Você comanda alguns soldados?
— Não. Não sou nenhum tipo de oficial. Apenas ele e alguns líderes de patrulhas possuem. Mas a maioria dos soldados foi mandada para a zona leste; o restante está trabalhando normalmente, patrulhando ruas ou guardando entradas dos lugares mais ricos.
— Como vou ficar com o sul, primeiro vou até o portão das muralhas ver se alguém saiu de ontem para hoje.
— Entendido... Mas, não é trabalho para apenas um dia. Olhar cada casa suspeita, cada canto ou beco é coisa para mais de uma semana. Quando suspeitar de alguma reação, vasculhe atrás de um subsolo ou porão, principalmente em casas mais ricas. Muitos ricos são meio... eeeh, estranhos, e gostam de instrumentos de tortura. Tanto para punir servas ou escravos. Isso obviamente é ilegal, mas como que a vítima vai denunciar se talvez viva presa lá...? Enfim. Ao anoitecer, nós três nos encontramos bem aqui.
— ...Isso é sério?
— ...É.
— Ok, então. De noite eu apareço.
— Beleza.
Saíram um para cada lado.
Aurora dormia tranquila enquanto a carroça viajava, mas acordou lentamente, ainda sonolenta, Sccrrrchh... quando a carroça derrapou e parou bruscamente. Logo, começou a escutar gritos, tanto do cavalo quanto do homem que guiava a carroça.
Com muito medo, abraçou a Sra. Pompom com força, abaixando a cabeça, encolhendo-se no cantinho do fundo do veículo... O comerciante...? Foi assassinado. Um grupo de quatro contrabandistas o cercaram, obrigando-o a parar bruscamente.
O corpo perfurado estirado no chão... morto a sangue frio um homem que não teve perdão.
Foram direto ver o que havia naquela carroça tampada — abriram a porta e se depararam com muitas caixas. As abertas os revelaram que o conteúdo era vários tecidos variados.
— Tirem as coisas e olhem no fundo; as coisas mais caras sempre ficam lá — ordenou o chefe, rindo, enquanto caminhava até o cavalo do homem assassinado.
Ao passar pelo cadáver, Phah... o chutou, soltando uma risada estranha.
Começaram a retirar as caixas, e Aurora ficava cada vez mais assustada, em cada gemido dos homens fazendo força para retirar as mais pesadas, até que um dos contrabandistas... a encontrou. Encolhida no cantinho, abriu os olhos e se deparou com um sorriso horrível, fedorento.
— CHEFE! Achei algo interessante aqui!
Aurora começou a tremer com muita força e fechou os olhos ao ser presenteada com um berro alto no ouvido.
O chefe, que examinava os dentes do cavalo rebelde, ouviu e se dirigiu à parte de trás da carroça coberta. Ao chegar lá, viu Aurora encolhida em um canto, bem no fundo, segurando sua boneca.
— Hakarakaka! A roupa dela parece ser de burguesa — ponderou alegremente, sorriso imenso, mãos na pança.
— Ela se parece com a princesa de Alberg... Será que é ela? — perguntou o terceiro contrabandista.
— Não sei; nunca entrei naquele lugar nojento.
Aurora começou a chorar quando o chefe subiu na carroça e se aproximou. A agarrou pelo braço, Sccrrrchh... e a arrastou para fora como se ela fosse um objeto qualquer. Segurando-a no alto com a mão apertando o bracinho direito da criança, levantou seu rosto com a outra para examiná-la.
— Roupinha de princesinha, rostinho bonito, pele clara e dentes saudáveis... Olha esses olhos — Aurora tentava mantê-los fechados, mas o homem puxava a pele. — Alguém deve querer esses olhos... Vou arrancá-los com uma faca — ameaçou em tom assustador, arrastado. O choro da menina se intensificou e o homem começou a rir mais alto.
— Ela vai valer uma fortuna. Que sorte, chefe.
O segundo contrabandista começou a olhar para ela de maneira perturbadora.
— Deixa eu tirar a roupa dela, chefe?! — Começou a tocá-la na cintura, o que fez Aurora chorar ainda mais alto.
Pá!
— Para com isso, idiota! Virgens valem mais. Coloca ela junto com as outras — resmungou, depois de acertar um tapa no rosto do funcionário.
— Pensei que ia arrancar os olhos dela, chefinho. Só queria me divertir um pouco. Faz tempo que não faço — respondeu, mantendo o respeito, cabeça baixa sem olhá-lo diretamente.
— Óbvio que não vou fazer isso. Só queria assustá-la. Anda logo e abre a jaula — ordenou.
O segundo obedeceu e levantou o pano que cobria uma jaula cheia de crianças humanas e demônios sequestradas. Segurando Aurora de forma brusca, Pahft...-tuf a jogou dentro da jaula. Aurora deixou a Sra. Pompom cair e, abrindo os olhos, percebeu várias outras crianças igualmente assustadas ao seu redor.
— Não quero ouvir um pio vindo daqui... escutaram? — Trin-tnn-tn... rosnou o chefe, arrastando sua espada nas grades da jaula e fazendo uma expressão ameaçadora — ou querem virar janta? Hakarakaka! — Abaixou o pano e saiu rindo com os outros contrabandistas.
Recolocaram todas as caixas dentro da carroça, repletas de sedas e tecidos de boa qualidade.
Ao saírem de trás da carroça, viram a Sra. Pompom no chão e pisaram nela enquanto riam. O segundo contrabandista estendeu a mão, Burn e criou um círculo mágico vermelho que disparou fogo na boneca, carbonizando-a.
Os outros o observaram curiosos, mas logo ajustaram a carroça e a roubaram junto com o cavalo... Um silêncio gritante em meio à viagem. Todos curiosos com aquela magia, mas nenhum queria ter a iniciativa de perguntar... entretanto o chefe se virou para o segundo e perguntou:
— Estudou no castelo de Dirpu?
— ...Nunca fui nesse lugar.
— Como sabe magia?
— Aprendi no leste — murmurou sem ânimo, não gostava de relembrar.
O chefe e os outros dois olharam para ele de forma estranha.
— Você é humano?
— Sou.
— Como conseguiu ir lá?
O segundo olhou para frente, enquanto respondia em tom baixo, sem ânimo:
— ...Não fui porque quis; fui vendido como escravo. Fui colocado em um navio junto com outras crianças humanas e fomos abusados até chegarmos naquele continente. Queriam nos deixar submissos e experientes para os compradores. Sempre gritavam mandando fazermos as coisas direito. Falavam que obedecer era mais rápido e menos doloroso, enfim... Depois, cada criança humana foi vendida para pessoas de raças diferentes em leilões subterrâneos em uma cidade lá. Quem me comprou não me maltratava... ao menos, dizia que não, enquanto enfiava seu pau no meu rabo falando que era amor e pedia para chamá-lo de salvador.
Os outros riram muito alto da história... o segundo não reagiu às risadas, só manteve-se olhando para frente, sem muito ânimo.
— Você foi vendido e agora vende crianças? — provocou o chefe.
— Dá muito dinheiro... e é mais fácil que trabalhar anos em um reino pra comprar uma casa de merda — resmungou visivelmente irritado com aquela ideia.
O primeiro perguntou:
— Mas como aprendeu magia? O pau na sua bunda te ensinou? — brincou e os outros riram eufóricos.
O segundo não aguentou e abriu um leve sorriso, achou engraçado o comentário, e depois respondeu:
— Óbvio que não foi assim... Eu só comecei a fazer o que aquele velho esquisito gostava, e me tornei extremamente obediente até ele confiar em mim. Depois disso, eu me coloquei em perigo de propósito, fui atacado por alguns animais e fiquei todo fodido. Quando esse merda me viu ensanguentado, com medo de que eu morresse, decidiu me ensinar magia para que eu pudesse me defender no campo que me colocava para trabalhar. Ele tinha um livro humano, mas a escrita era no idioma deles. Ele me ensinou um círculo mágico, e assim que consegui criá-lo, na segunda tentativa já usei para carbonizar aquele velho filha da puta.
Os outros continuaram rindo enquanto as crianças escutavam em silêncio na carroça coberta mais atrás.
— Como você saiu do leste?
— Saí escondido nas tralhas de um navio. Lá é bizarro; como o ouro lá pode valer merda? Custa uma moeda de platina para ir até lá, e uma moeda de platina equivale a mil moedas de ouro. Além que essa de platina só gente da elite pode conseguir... Esses caras que me mandaram para lá são muito perigosos. Devem ter contato com a elite de algum lugar para arrumar essas moedas.
— É... por isso fiquei surpreso quando você disse que veio de lá — respondeu ponderando o que escutara. Não tinha nem perto todo esse poder de contrabando. — Sofreram algum ataque pirata enquanto vinham?
— Não, mas a movimentação no mar é muito maior do que no oeste. Pela fresta que eu olhava para fora, dava para ver nitidamente a bandeira do Rei Pirata constantemente nos navios.
— ...Ele existe? — perguntou o chefe, meio apreensivo.
— ...Não quero pagar pra ver.
Nathaly chegou ao portão da muralha. Era visível os dois guardas presentes meio nervosos com sua presença. Olhavam-na bastante, enquanto a jovem começara suas perguntas:
— Alguém saiu ontem à noite ou hoje?
— A...
Um soldado interrompeu o outro.
— A última pessoa que saiu por aqui foi um comerciante de tecidos. No relatório, diz que foi ontem à noite. Ele foi vender roupas para as vilas próximas.
— Para onde ele foi?
O outro soldado apontou primeiro, para a direção oeste.
— Ele seguiu reto por ali. Deve chegar de manhã cedo em uma vila que fica para lá — respondeu, e seu amigo ficou meio incomodado com ele interromper sua conversa com uma jovem tão bonita.
— Apenas ele saiu?
— Sim.
— Ele estava agindo de forma estranha?
— N...
O outro soldado tapou com a mão a boca do amigo.
— É sobre a princesa, certo?
O amigo se soltou, encarando irritado o soldado, que ignorou-o e continuou conversando com Nathaly. A menina ignorando tudo que não fosse informações.
— Sim.
— Não é a primeira viagem noturna dele. Ele já foi outras vezes para o norte e o sul, querendo vender suas coisas em uma tentativa de escapar dos impostos. Desta vez, ele foi vender as roupas e tecidos que sua mulher produz, seguindo para o oeste.
— Sim, seu amigo disse.
Bm...
— Otário — o amigo acertou um chute na perna do outro e murmurou extremamente baixo, pensando que Nathaly não conseguira ouvir. O soldado ficou meio irritado e queria descontar, mas manteve um sorriso e continuou escutando Nathaly.
— Bom, vou voltar às minhas buscas. À noite, são vocês que ficam aqui?
— S...
O amigo tapou a boca do outro e assumiu a conversa:
— Geralmente ficamos só de dia, mas os soldados que revezam conosco, que são os que anotaram o relatório de ontem à noite, estão de cama. Foram atacados durante a madrugada por um verme do deserto. Não faz muito sentido virem até aqui, mas o monstro já foi morto e eles estão bem, apenas de cama mesmo. Devido a isso, vamos ficar até de noite e trocar só amanhã com outros soldados.
— Ah. Melhoras para eles... Tenham um bom dia de trabalho.
— Muito obrigado, Grande Heroína. Desejamos o mesmo para você — um dos guardas abaixou a cabeça.
— Agradeço por se preocupar com nossos amigos... Boa sorte na busca — o segundo guarda também abaixou, mas foi mais baixo que o outro. O outro viu e abaixou mais. Isso se tornou uma disputa... mas Nathaly ignorou completamente, virou-se e foi trabalhar.
Os dois olharam-na de costas, saindo de lá e logo começaram a discutir:
— Deixa eu falar com ela, cara! Ela é uma gracinha — reclamou com o amigo.
— Você é casado — repreendeu-o.
— Na minha casa cabe mais uma — argumentou.
O amigo olhou-o em silêncio, movendo a cabeça lentamente em negação, com um semblante exalando desdém. O soldado ignorou e continuou viajando na garota de costas, agora conversando com alguns comerciantes abastecendo uma carroça.
Enquanto Jonas, Liza e Nathaly procuravam em cada beco e buraco pela princesa, Grimore e diversos soldados se divertiam nas casas de prostituição, fazendo o que queriam com aquelas demônios que não tinham outra forma de conseguir sobreviver.
À noite chegou.
Os três se encontraram na fonte, como combinado.
— Nada — iniciou Nathaly, se sentando na borda da fonte.
— Nada também.
— Nem sequer uma pista.
— O general disse algo?
— Não o vi hoje, além de mais cedo lá dentro. De qualquer forma, amanhã teremos que continuar as buscas. São muitas casas... Aurora pode estar presa em qualquer uma.
— Está proibida a saída do reino, então só precisamos olhar literalmente tudo — respondeu Liza, se sentando na fonte e apoiando os braços, com a cabeça baixa, cheia de preguiça do que dissera. — De qualquer forma, é melhor irmos dormir. No escuro, não há muito o que fazer. Vamos — Liza se levantou, deixando a preguiça ou cansaço para trás.
— Continuamos amanhã, então — Jonas concordou.
— Tudo bem... Boa noite, então — Nathaly se despediu e se levantou, caminhando em direção ao palácio.
— Boa noite.
— Tchau, Nathaly.
Caminhada lenta, como quem aproveitava o frescor da noite... mas depois que os dois se afastaram do palácio, Fu! a Heroína disparou, pulando de telhado em telhado até chegar ao portão.
Fush...
Aterrissou de pé em meio aos guardas sentados, que se assustaram e pularam para o lado como gatos ao ver um pepino.
— G-Grande Heroína... Desculpe — um abaixou a cabeça, e o segundo o imitou — pela nossa falta de educação.
Nathaly os ignorou completamente enquanto olhava para dois cavalos, presos, do lado do grande portão.
— Aqueles cavalos são seus?
— S...
— Sim! — Se olharam e começaram uma discussão baixa: — deixa eu falar com ela!
— Já falou demais — resmungou.
A jovem olhava os cavalos comendo grama, quando se virou para os guardas, reclamando:
— É ou não? Não escutei.
— É.
— Sim.
Se encararam novamente, fazendo caretas. Um parou a infantilidade e ponderou para Nathaly:
— Eles estão disponíveis para nós usarmos, já que somos do exército.
— Vou pegar um emprestado, ok? — Caminhou até os cavalos, e os soldados começaram a discutir mais uma vez.
— Leva o meu!
— Não! O meu é mais rápido!
— Vou com esse aqui — decidiu e subiu em um cavalo completamente preto que combinava com sua nova roupa. Seu colar de diamantes brilhou com o reflexo da luz da lua. — Não sei quanto custa um cavalo, ma...
— Não se preocupe, minha dama... Pode ficar com ele. Será uma honra ajudá-la com isso.
"Só gente estranha nesse lugar, credo..." rosnou em pensamentos. Olhos um pouco fechados e sobrancelhas levantadas. Era nítido seu tédio. Se deparou com os dois ajoelhados perante ela sobre o cavalo. — Toma aí! — Tirou de seu bolso uma moeda de ouro e jogou para um dos guardas.
— Pela Deusa! Muito obrigado, Heroína. Isso vai ajudar muito meus pais!
— Aham. Tranquilo.
Clopity-Clopity-Clopity...
Saiu galopando com o cavalo pela ponte, indo rapidamente em direção ao oeste, como o soldado havia apontado anteriormente. Os dois olharam-na se afastar cada vez mais, ainda de joelhos, bocas entreabertas.
— E aí?!... Vai dividir essa moeda aí? — O soldado com a moeda virou o rosto lentamente para o amigo. Piscou uma vez e se ergueu. O outro fez o mesmo. Continuavam se olhando em silêncio. Os olhos descendo para a moeda dourada na mão.
— Vou pensar no seu caso — respondeu em provocação.
— Ela entregou para nós dividirmos — tentou argumentar.
— O cavalo era meu, nem vem — respondeu, guardando a moeda no bolso e virou-se de costas, indo se sentar.
— Tá vendo. Por isso fodo sua irmã todo dia — protestou meio irritado... mas quando viu o olhar irritado do amigo, abriu um sorrisinho.
— Não sei o que ela viu em você — respondeu, desviou o rosto e se sentou.
O outro se sentou na cadeira ao lado, contente por ao menos vencer nos argumentos.
— Han... Nem te conto — zombou, rindo da expressão irritada de seu cunhado... querendo quebrá-lo na porrada.
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