Volume 2 – Arco 6
Capítulo 172: Desejo
Caminhando pelos corredores do palácio com um semblante entediado, Jonas se deparou com uma porta dupla chamativa. Diferente de todas as outras, além de ser azul-escura com bordas em ouro, esta era cravejada de joias preciosas indicando ser um quarto real.
Nem fizera nada e parecia exausto... Sniiifff... Harrf... respirou fundo, Plc... abriu-a e entrou, Tclk... fechando a porta atrás de si.
— Mandou me chamar, majestade?
O quarto havia sido alterado naquele dia para ficar o mais erótico possível.
Tudo o que antes ostentava as cores da bandeira fora substituído por ouro e um vermelho sensual. O ambiente era imenso e luxuosamente decorado. As paredes estavam revestidas com tapeçarias de seda, bordadas com cenas mitológicas eróticas.
O chão era coberto por um tapete espesso e macio, que se estendia por todo o espaço.
No centro do quarto, havia uma cama de dossel com colunas esculpidas em madeira escura. A colcha, em cetim vermelho, era bordada com fios de ouro, e os travesseiros, grandes e numerosos, eram feitos de penas finas de periquitos, buscados da Floresta do Desespero. Esse detalhe, por si só, aumentava drasticamente o valor do quarto, dada a raridade da matéria-prima.
As fronhas de seda contrastavam com o brilho suave das velas aromáticas espalhadas pelo ambiente.
Um grande espelho de corpo inteiro, com moldura dourada ornamentada, ficava estrategicamente posicionado ao lado da cama, refletindo a imagem da rainha enquanto ela se movia. Ao lado do espelho, uma penteadeira luxuosa repleta de frascos de perfumes exóticos, pentes de ouro e joias caras.
Havia também um grande guarda-roupa de madeira escura, cujas portas eram decoradas com entalhes do Glifo revestidos de ouro. Dentro dele, estavam penduradas as vestes reais, desde vestidos formais até lingeries requintadas, cada peça escolhida para impressionar ou seduzir.
Matilda encontrava-se deitada em sua cama, usando um conjunto de lingerie erótica que destacava suas curvas. Vestia um sutiã de renda preta com detalhes dourados, combinado com uma calcinha de renda e cetim. Sobre isso, havia um vestido de seda preta com um decote profundo e alças finas de renda que deixavam suas costas expostas.
A saia, feita de seda e tule, era transparente na parte inferior, revelando a lingerie por baixo.
Também usava um cinto de cetim com um laço na cintura e meias de renda presas por ligas. As sandálias de tiras finas completavam o visual com um toque de brilho discreto.
Antes de se levantar, passou as mãos pelas pernas, ajustando as meias de renda nas coxas, que a refletiam perfeitamente de costas no espelho.
Se ergueu cheia de sensualidade e, ao se aproximar dele, um sussurro malicioso:
— Você sabe que eu te quero. Por que me trata tão mal? Não sou suficiente para você?
— Rainha, por favor, se afaste. Eu tenho noiva — Jonas permaneceu firme, olhando para frente, longe até mesmo do rosto daquela mulher.
Se aproximou ainda mais, colocando os braços em volta do pescoço dele.
— Ei... Olhe para mim. É só uma noite — se aproximou da boca de Jonas, o olhar doce, com sede, a boca entreabrindo, sedenta. — Eu faço o que você quiser...
— Com licença, senhora — Jonas se afastou, indo em direção à porta. Os braços da mulher encontraram o nada; sentiu-se frustrada, irritada. Olhava para ele de costas, com pressa, se dirigindo à saída.
— Saia por essa porta e eu conto a todos no reino que você abusou de mim — ameaçou... e Jonas travou. Sua mão parada na maçaneta, seu rosto virou. Olhando-a, viu um sorriso vitorioso naquela feição luxuriosa... mas não se abalou.
— Primeiro: se tentarem me matar, eu mato todos vocês. Segundo: minha mulher acreditando em mim já é o bastante — rosnou em ameaça, sua resposta fria, malvada. Virou-se novamente, Trc... Thón! e saiu pela porta, batendo-a sem remorso.
Matilda ficou arrasada... sentia-se menos mulher, feia, indesejada. Subiu na cama com raiva, Paf-paf-paf! e começou a socar os travesseiros descontrolada. Lágrimas manchando a maquiagem que preparara para o homem que roubava seu sono todas as noites.
— Esse... E-e-esse... Esse desgraçado está brincando comigo... Está... Está brincando. E-ele ainda vai ceder! Ele vai... ELE VAI CEDER! — transtornada, gritava histérica, descontando sua frustração na decoração cara.
Passos apressados, ainda irritado, Jonas cortava todos os corredores para sair logo daquele palácio. Foi então que virou uma esquina e viu uma porta dupla se abrindo... Nathaly saía, fechando a porta da biblioteca atrás de si.
Ao escutar passos no corredor, a Heroína lançou um olhar de repulsa, imaginando ser uma serva, mas ao perceber que era Jonas e notar seu semblante irritado, mudou a expressão e perguntou:
— Aconteceu alguma coisa?
O homem olhou para trás, verificando se não havia ninguém.
— Aqui não é um bom lugar para falar. Me siga — pediu e assumiu a caminhada.
— Ok — respondeu, mas notava uma escuridão a mais no corredor... ficou com dúvidas; as lamparinas iluminavam menos. As sombras estavam maiores, mais nítidas... não era mais dia?
Após ser rejeitada mais uma vez, Matilda vestiu um roupão rosa sobre o conjunto sexy e seguiu até a sala de Akli. Seus passos eram altos, agressivos, brutos — pareciam de uma besta, um monstro. Corredores sendo ultrapassados, até mesmo as decorações, quadros ou armaduras inanimadas pareciam sentir medo.
Furiosa, chegou rapidamente à porta, Thranct! e a abriu como se não tivesse recebido educação.
Akli levou um susto. Olhou na direção. Seu corpo se encheu de pavor, tremia e tremia. Cabeça abaixada. Olhando para baixo, escutava os passos cada vez mais altos, se aproximando em larga escala.
— Você me disse que nenhum homem iria resistir a mim com essa roupa, MAS JONAS ME NEGOU! — berrou, chegando cada vez mais próxima da híbrida.
— M-me desculpe, majes...!
Pá!-Pahf...
Akli caiu no chão — seu rosto queimando de dor —, e Matilda criou uma adaga de sangue rosa, posicionando-a no pescoço da híbrida. Akli tentava não se mover. O fio da adaga tocava-a; sentia que iria morrer, sentia que não receberia mais uma chance... mas recebeu:
— Faça uma nova roupa, e é melhor que ele não resista a mim novamente. Caso contrário, eu vou matar você, sua aranha nojenta! — Akli engolia em seco, escutando aquela voz arrastada, cheia de nojo sobre seus ouvidos. — Você tem sete dias para isso. Somente sete. Use toda essa sua capacidade inferior de pensar, se for preciso, se machuque, não durma, se for preciso, mas eu quero uma roupa e quero que aquele homem me deseje, escutou, sua aranha horrorosa?
— S-s-sim, majestade, me perdoe, me perdoe, por favor, por favor, eu juro, juro que ele vai desejar a senhora, eu juro... — sussurrava com medo de gritar, mas o desespero era audível e visível em seu rosto soando frio.
— Ptu!
Matilda cuspiu no rosto de Akli. Saiu de cima da híbrida, vendo-a caída no chão, sem se mover — não havia permissão. O nojo estampando em sua feição. O sangue da adaga voltou ao corpo da humana. Fsh... Fechou o roupão que abrira exibindo seu corpo e virou-se, saindo daquela sala com o nariz empinado.
Akli, arrasada, começou a chorar...
"Eu vou morrer... Desculpa, mãe... mas eu nunca mais vou te ver..." Em meio às lágrimas e tomada pelo pavor... nem mesmo conseguia se levantar sobre o silêncio desolador.
Jonas e Nathaly saíram do palácio.
"...Quanto tempo eu demorei lá dentro?" se questionou, olhando para o céu escuro, de mais uma noite estrelada. Continuou caminhando ao lado do humano, e foram até a fonte de água cercada pelo jardim principal na entrada.
— Estou exausto. Há mais de 20 anos ela sempre me importuna com insinuações, mas agora algo aconteceu com a rainha. Ela não se preocupa mais em esconder seu interesse por mim. Nem perto do rei; não sei se o rei gosta disso, sei lá — revelou sem paciência, andando de um lado para o outro tentando esfriar a cabeça.
— O que ela tá fazendo?
— Quase sempre me ordena que vá até seu quarto em fim de tarde ou início de noite, onde tenta me seduzir. Isso começou depois de uma reunião que o rei fez com o general do exército e os principais oficiais do reino.
— O que disseram nessa reunião?
— Disseram que conseguiram um tratado de paz com os Primordiais. Mas não explicaram nada, só mencionaram isso e nos mandaram embora, dizendo que não tinha com o que se preocupar. Mas o rei estava estranho; não sei dizer. Só sei que estava.
— "Tratado de paz"? Mas então por que teve um ataque ontem?
— Ontem? — Jonas parou sua inquietação e a olhou de forma estranha, confuso. — Nathaly... Já faz muito tempo que fomos atacados.
— Quê?! — assumiu um olhar assustado, meio irritado sem entender. — Que merda cê tá falando?! — sua voz saiu meio grosseira, embora não fosse proposital.
— Faz pelo menos uns 30 dias desde que nos vimos no banquete. Pensei que você tinha saído de Alberg e esquecido de conversar comigo sobre o que comentei lá dentro.
"Que porra esse cara tá falando?" pensou visivelmente irritada, com os olhos arregalados, enquanto olhava-o.
— Há algo estranho no palácio. Acredito que a rainha seja a culpada — comentou, olhar baixo, distante.
— As servas deste lugar conseguem se teletransportar? — ainda o encarando, Nathaly ficou visivelmente irritada.
— Humanos que conseguem usar magia só aprendem isso em uma escola de elite no reino de Dirpu, mas nunca vi alguém aprender teletransporte; todos que tentaram morreram no processo, provavelmente por fazerem algo errado, ou sei lá — respondeu em tom tranquilo.
— As servas deste lugar se teletransportam — rosnou.
— Servas...? Do que você está falando?
— Das servas, porra! Elas sempre me impedem de chegar até a princesa! — exclamou, seu nervosismo saindo sem rodeio.
Jonas não se sentiu atacado; já fora adolescente, passara pelos 18 anos, já passara por coisas que testaram sua sanidade ao limite e entendia, mesmo sem entender perfeitamente, que aquela garota estava passando por algum desafio atual.
— Não há servas neste palácio... Espera, não há... servas? — Jonas se assustou ao lembrar. Era como uma memória apagada, algo retirado de sua cabeça que voltava após escutar uma palavra-chave. — As servas usam uniformes nas cores da bandeira de Alberg: azul-escuro, preto, dourado e branco... Qual era a cor das roupas dessas servas que você viu?
— Totalmente brancas.
— ...Eu nunca as vi, Nathaly — respondeu com um leve tom sombrio.
Os olhos da garota começaram a brilhar de raiva.
— Mas eu... sim — rosnava quase de dentes cerrados.
— O que você vai fazer?
— ...Recuperar meu tempo perdido.
Jonas olhou-a, vendo toda aquela braveza e desviou o olhar — não era um assunto que deveria se meter:
— ...Sobre a sua pergunta, os ataques não têm nada a ver com os Primordiais. O ataque não veio deles.
— De quem veio, então?
— Da Vampira Anciã que fica no Reino dos Monstros.
[ — Vou levar seu cadáver para Lycoris saborear... ]
Nathaly se lembrou do morcego mencionando uma vampira.
— Entendi. "Vou matar essa desgraçada também." jurou para si.
— Aquilo que comentei sobre nem todos serem reais... realmente não tenho certeza, mas, olhando para a maioria das pessoas que andam nesse palácio, parece que não há vida em seus corpos. Não é como eu os conheci muitos anos atrás. Estão vazias, estão mortas? Não sei dizer. Já passei por tanta coisa na minha vida que não duvidaria disso. Talvez eu seja um covarde. Não gosto de ir por caminhos divergentes da lei e isso acaba dificultando as coisas. Só ir e matar a rainha resolveria o meu problema, mas e o resto? O povo? Como seria?
— A rainha é a sua principal suspeita?
— Sim... O comportamento dela, principalmente em relação ao rei, é muito estranho. Mesmo que ele esteja bem velho, não parece que ela está mais solta só porque ele já está para morrer, digamos assim. Não tem a ver com assumir o trono; tenho certeza de que está relacionado a esse tratado de paz. Bom, preciso encontrar minha mulher. Se eu descobrir algo sobre esse tratado, aviso você. Até logo.
— Até...
Os dois viraram-se para seguirem seus rumos, mas Jonas a chamou novamente:
— Ei!? — Nathaly se virou de volta. — Não passe muito tempo dentro do palácio. Alugue uma casa na cidade; dormir nesse lugar não está sendo seguro.
— Aham. Vou providenciar isso — Jonas se virou para ir em direção à cidade, e ela se preparou para voltar ao palácio, completando sua fala em pensamento: "Mas preciso resolver uma coisinha antes."
Thoom...
Nathaly entrou no palácio, empurrando a grande porta sem muita paciência.
Acelerou o passo e nem precisou ir tão longe. Virou uma esquina e quem diria... avistou a serva caminhando lentamente, passando do lado direito para o esquerdo, no final do corredor... A Hero se materializou.
Vu!
Um rastro de fogo ficou quando Nathaly rasgou a distância, chegando no final onde vira... mas ao olhar para a esquerda... a serva havia desaparecido. No final, surgira mais uma vez, em uma caminhada tranquila, indo do lado direito até o esquerdo.
Vu!
Novamente o que restava eram corredores imensos, uma iluminação falha, escura, nenhuma porta, janela ou vida... só as duas. Vu! tentou mais uma vez... e mais uma vez, falhou; entretanto, nesta nova curva, via uma porta aberta para fora, no corredor.
Não havia luz; a única luz que iluminava aquele extenso lugar era o que saía de dentro daquela porta aberta ao contrário... Um braço claro, fino e delicado, com uma luva branca protegendo os dedos saiu de dentro, indo até a maçaneta... Ghhhhh...Tlc. um rangido irritante, terminando com o selamento da luz.
Foi até lá.
Era seu quarto... nada dizia isso, mas ela sabia que era.
Segurou a maçaneta contrária e nem reparou que abrira a porta para fora... o interior não era ele... não era nada. Um brilho branco, agressivo. Nada além de uma imensidão branca. Estreitou os olhos, mas ainda assim, entrou.
Um passo no nada.
Olhava para os lados... era infinito?
Tlc...
Não houve ranger; a porta fechara sozinha. Olhou para trás... nada mais tinha. Fu! Tudo se inverteu. Caiu para cima e, no ar, se virou. O corpo reto em queda livre, Vush... até que aterrissou. Sobre uma torre de pedra branca se criando, agachou. Levantou. Ao seu redor, novas milhares de torres cilíndricas cresciam. Ângulos diferentes; não via o início, só o fim aumentando e seu corpo de ponta-cabeça.
Diante de si, embora longe, a serva surgira sobre uma das torres. Em pé, não invertida; suas cabeças se encontravam no mesmo nível. Cada uma enxergando a outra de cabeça para baixo, embora a serva se mantivesse os olhos fechados e seu sorriso esquisito sem dentes estampado.
Nathaly quebrou o silêncio:
— Por que não me matou? Teve tempo de sobra.
— Minha mestra não permitiu... Digamos que você seja essencial para o plano dela — falou debochadamente.
"'Minha mestra'? Então você não é um Primordial?"
— Mas ela não gosta de desobediência... E não era para você estar acordada — a serva abriu os olhos, e as torres de pedra começaram a sangrar sangue rosa. — Hora da sua sonequinha, Pequena Heroína — zombou.
BRRARNMM!
As torres, agora de pedra rosa e sangrando intensamente, voaram em direção a Nathaly, prendendo-a de todos os lados. Todos os ângulos. Todas as dimensões... SHBRÁUMM!! no entanto, todas as torres foram cortadas seguidas por uma explosão dourada.
Entre a fumaça e os destroços de pedras rosas voando para todos os lados, FU-PLOCH! a Hero foi lançada, rasgando o ar na direção da serva — acertando-a em cheio, no meio do peito. Empalada, sangrando pelo corte e boca, tocou as mãos no cabo. Tsssss... queimava sua carne e alma.
Seu rosto de desespero, seu olhar trêmulo, fraco... corpo curvado.
Nathaly correu em meio aos corpos das torres vivas e saltou na direção da serva... que ergueu o rosto e sorriu para ela... BRARAMM! Torres lhe interceptaram no ar, arremessando-a presa na superfície para os lados.
Nathaly realmente matou uma serva, mas só uma das várias aparências que aquele ser havia roubado... Várias outras servas vestidas de branco surgiram sobre outras centenas de torres... Todas esticando o braço direito, com o indicador guiando manualmente diversas torres sangrando ao mesmo tempo.
BUM!
Soltou uma pequena explosão, destruindo a torre que lhe prendia e logo vira mais centenas de torres chegando de formas distintas... tanto elas quanto Nathaly desafiaram as leis da física terráquea. Correndo pelas laterais, ia de cima a baixo, esquerda e direita, em qualquer ângulo, em qualquer dimensão criada.
Acelerando ao extremo, tentando compensar a expansão daquela matéria inanimada, uma torre surgira vindo bem em sua cara... Scrcscsrc... deslizou, braços para o lado, Hero se materializando, SHccrRRRSHKKrchh... parecia um corte infinito; a espada dividindo aquela coisa em fatias perfeitas.
CR-R-R-RASH!
Cortando e fatiando todas as torres que vinham em sua direção, continuou a correr, conseguindo alcançar o topo de cada torre que ocupava uma serva, SHK-SHK-SHRUNCH! matando uma a uma, com os olhos brilhando cada vez mais em dourado.
"Minha vida não importa... Não, óbvio que não... Eu... eu só preciso ganhar tempo para orgulhar minha Deusa!" Uma das servas, com um sorriso excitado no rosto, começou a soltar uma fumaça rosa por todo o lugar. Seu olhar orgulhoso, contente por ter uma utilidade importante no plano do que considerava ser sua Deusa.
Nathaly parou em pé no fim de uma das torres que não desistia e continuava a expansão. Conseguia se manter de pé com extremo equilíbrio, mesmo aquilo tentando derrubá-la. Cof-C-Caf-caf! começou a tossir e colocou a mão direita no nariz. Tontura. Aquela fumaça estava roubando seus sentidos.
Aproveitando-se disso, a serva usou todas as cópias para atacá-la de uma só vez... a torre do alvo se voltou para elas. As delas? Voaram ao encontro da Heroína de ponta-cabeça no "teto" daquela dimensão infinita... um grande erro que apenas a ajudou.
Com o Sangue Sagrado lutando para purificar o ar e mantê-la sã, sua mão esquerda segurando firmemente o cabo da Hero ergueu-se em ação. A mão direita juntou-se ao firme aperto, e vendo todas aquelas servas vindo ao seu encontro... curvou o corpo, agachando-se em um golpe, fincando a ponta da espada na torre... soltando uma explosão nefasta.
BRRÁÁÁUUUMMM!!
Uma bola colossal dourada queimou as retinas de cada uma das servas, antes destas serem desintegradas da existência... O Fogo Sagrado mudou as propriedades da dimensão criada. As torres se tornaram pedras sagradas, queimando. O sangue jorrando de cada uma? Fogo vivo, Fogo Sagrado se arrastando como magma incandescente.
Seu salto.
Seu avanço pelo ar queimando os pulmões da última serva a cada respirada foi preciso... cirurgicamente lindo... Olhando para cima, aquela última garota lhe via chegar de ponta-cabeça, girando no ar para ignorar a inversão, jogando um golpe reto de espada, que não erraria por nada.
Ergueu os braços como em um abraço... uma lágrima contente descendo dos olhos. Era fatal, era sua morte, mas era lindo, aquele elegante dourado chegando, aquele poder divino lhe presenteando...
PLOCH!
Naquele pequeno e lento segundo... A espada varava o corpo, enfiando tudo até ficar somente o cabo em contato com o peito daquela garota de branco... sorrindo em meio à dor, chorando de felicidade enquanto sussurrava suas últimas palavras:
— Bons sonhos... Heroína — um sorriso sádico surgiu após o arrastar daquelas palavras amedrontadoras pelos lábios pálidos, sem vida, da serva obediente. Criou uma fina agulha envenenada e, aproveitando a proximidade manipulada desde o início, Sirr... a enfiou no braço de Nathaly, causando um furo que ela não conseguiu desviar a tempo.
BRÁUUMM!
Quando conseguiu reagir, soltou uma explosão da lâmina. A última serva fora desintegrada, e com sua morte, a dimensão foi desfeita. Nathaly se via dentro do próprio quarto. Tudo escuro. Pouca luz vindo das janelas tampadas iluminando um pouco o leito com cores frias... sua cabeça girava.
Pha-Crash-Paft...
Cambaleando, batia o corpo nos móveis e paredes — uma luta intensa para se manter de pé.
— Não. Não. Não, não. Aguenta. AGUENTA!
As verdadeiras servas em seus sonhos infinitos não haviam acordado desde que a usurpadora assumira seus lugares. Sem nenhuma serva prendendo a Princesa Aurora de atrapalhar as coisas, principalmente tendo contato com Nathaly... a menininha fugira do quarto, para ir até o de Nathaly.
A Heroína prometeu que brincaria com ela em outro momento; muito ansiosa, queria que fosse naquele exato momento. Com sua boneca, caminhou pelos corredores meio escuros e finalmente chegou no seu destino.
Toc, toc...
Bateu em uma área, com um metal especial da porta, que ajudava o som a se propagar para o outro lado. Bater e falar enviava sua voz. As paredes eram grossas — não era possível escutar de fora o que acontecia dentro se as portas estivessem fechadas. Assim, deixava quem estivesse dentro com privacidade e com garantia que não iria perder algum chamado importante.
Lutando com o próprio peso, Nathaly abriu a porta... mas ao ver Aurora, ficou com medo. Se a menina achasse algo estranho, poderia falar com o pai ou a mãe, assim dificultando as coisas.
"Não posso deixá-la preocupada..." O Sangue Sagrado reagia ao veneno, mas não conseguia curá-la naquele momento.
— Vamos brincar de boneca! — Aurora exclamou, muito feliz, com um sorriso adorável.
Nathaly apoiou os braços na porta, por dentro.
— Princesa, estou muito cansada agora... Vamos brincar amanhã, tá bom? — Rosto suado. Olhar cada vez mais cansado.
Aurora ficou imediatamente desapontada.
— Mas você disse...
— Eu... Eu sei o que eu disse. Mas... M-mas... Agora... Não... Dáhf...
CleckPahf...
Usou suas últimas forças para fechar a porta e logo caiu no chão, desmaiada. O corpo dando pequenos sobressaltos, o sangue lutando contra o veneno. O suor molhando toda a roupa, uma poça fervente.
Muito chateada, a menina se virou e começou a andar pelo palácio acompanhada de sua melhor amiga. Rosto visivelmente aborrecido... mas abriu um sorriso, erguendo a boneca para cima, quando disse:
— É só eu e você, Sra. Pompom! — Saiu rindo pelos corredores naquela noite escura, iluminada apenas pelas fracas luzes dos frios corredores extensos.
Brincando de exploradora, corria feito uma maratonista mirim e, com um pouco de fominha, se dirigiu a uma das cozinhas do palácio... atrás de uma escada, onde era a entrada para uma adega, acabou encontrando uma passagem que nunca vira antes.
Uma prateleira ficava naquela parede e esta se encontrava arrastada para frente. Curiosa, se aproximou e viu que era uma escada de pedras feias, escuras. Aquele caminho levava ao subsolo do palácio.
Puxou a melhor amiga para próximo do rosto e sussurrou:
— Devemos descer, Sra. Pompom?...
Com sua voz, simulou a resposta da Sra. Pompom:
— Simm, Aurora.
— Ebaa! — comemorou baixinho.
Começou a descer e era uma escada em caracol. No entanto, a cada degrau percorrido, ouvia duas vozes ficando cada vez mais altas: uma era de sua mãe e a outra ela não reconheceu. Descendo sem fazer barulho, chegou próxima a uma porta aberta e, espiando, viu sua mãe conversando com um homem muito alto de cabelo e olhos azuis, vestido com exuberantes vestes longas, completamente azuis.
O local era repleto de caixas que continham ouro, joias, colares, pinturas, tecidos e várias carruagens diferentes. Um armazém onde eram armazenadas todas as compras por capricho da rainha: coisas que ela nem chegava a usar, apenas comprava por achar bonito e depois deixava ali.
— Já estou acabando de selecionar as crianças. Não se preocupe, você vai se divertir muito — Matilda começou a se aproximar do Primordial Azul, desamarrando seu roupão, Fruush... e deixando-o cair no chão, revelando a roupa erótica que usara para tentar seduzir Jonas.
Deu alguns passos e começou a se agachar na frente dele... péssimo erro.
Bmrr..
Azul a segurou com brutalidade pelo pescoço e a ergueu, enforcando-a enquanto ela agonizava e lutava por ar, agarrando o firme e duro braço que lhe aprisionava.
— Rosa te ensinou a ser uma vadia barata, é? Apenas prepare as virgens. Se não cumprir o acordo, você já sabe o que vai acontecer.
Pharf...
Azul a soltou no chão, Cof!-c!-caf!... e Matilda tentou respirar enquanto tossia muito.
Aurora ficou com medo, e isso era evidente em seus olhos.
— Nem adianta fugir do reino e deixar seu povo à escravidão. Você sabe que Rosa pode te controlar com o sangue dela, né? — zombou.
Matilda, ainda no chão, com a mão no pescoço e sentindo dor, respondeu:
— São muitas crianças, mas eu consigo. Não se preocupe... — Abriu um sorriso estranho, olhando para cima, no rosto do Primordial. — Se eu colocar minha filha entre as virgens para vocês abusarem, você iria gostar?
Aurora ouviu as palavras de sua mãe e, com muito mais medo, colocou a mão na boca para não fazer barulho. Logo se virou com os olhos cheios de lágrimas e saiu correndo de lá, segurando sua melhor amiga com firmeza. Passos apressados; quase caiu na escada.
— Não me interessa quem eu leve. "Abusarem"? Acha que eu perderia todo esse meu tempo para essa finalidade? Haha... Que piada... Só prepare esses brinquedos. Já não basta eu ter que levá-los em uma jaula... Essa sua raça nojenta não aguenta teletransporte.
Matilda abaixou a cabeça.
— Sim, senhor. Estará tudo pronto. Só mais alguns dias e encontrarei o restante das crianças.
Ajoelhada, se curvou com a cabeça encostada no chão, diante dele. Seu corpo quase inteiramente exposto pelo conjunto sexy.
— Ptu!
Azul cuspiu à sua frente.
— Lamba.
Matilda levantou um pouco o rosto e olhou para ele. Azul a observava com desdém, como se estivesse olhando para um inseto, Slick-lick... enquanto ela lambia o cuspe dele do chão. O Primordial continuou a encará-la com nojo e desprezo durante alguns segundos.
Em seguida, quando o molhado que permanecera no chão empoeirado foi o que ela fizera com a língua, um círculo mágico, traçado com seu sangue azul, se formou no chão, e oito símbolos se conectaram. Com isso, ele se teletransportou de lá.
O olhar de Matilda mudou de obediência para raiva após tamanha humilhação imediatamente... mas ela não se importava, pois agora ela tinha poder em seu corpo, mesmo que não fosse dela.
Aurora saiu correndo assustada pelo palácio — não havia ninguém para impedi-la. Passou pela porta principal e correu para as ruas. Uma noite muito escura, com poucos pontos iluminados por postes com lamparinas, e na rua não havia nenhuma pessoa.
O leste era menos iluminado que o oeste.
Olhando ao redor, seu medo aumentava até que avistou uma carroça bem iluminada, adornada com várias lamparinas brilhantes, em uma rua da área nobre, ao lado de uma casa de dois andares.
Correndo até lá, se enfiou na carroça e se escondeu atrás de caixas no fundo. Abraçada à Sra. Pompom, com o rostinho demonstrando seu medo, Aurora acabou pegando no sono enquanto a madrugada se aproximava.
A distância trouxe segurança; a iluminação afastou o medo em meio àquela escuridão do palácio.
Pouco tempo depois, um homem despediu-se de sua família — uma jovem moça e seus dois filhos — na porta de casa. Subiu no cavalo que puxaria a carroça tampada e iniciou sua jornada para vender tecidos nas vilas próximas ao reino.
Depois de bons minutos seguindo a grande rua, chegou finalmente aos portões da muralha.
Dois soldados liberaram a passagem, e ele, gentilmente, agradeceu, retirando o chapéu enquanto atravessava a ponte e pegava a estrada seguindo rumo ao oeste.
Toc, toc, toc...
— Grande Heroína?!
BRROOMM!
A voz doce de uma moça sussurrou no fundo dos ouvidos de Nathaly, que levantou-se instantaneamente destruindo a porta com um soco, despedaçando-a em uma explosão ensurdecedora. Em meio à fumaça e caos, segurava a serva pelo pescoço, erguendo-a do chão, apertando com muita força... mas quando a fumaça deu uma trégua, o sol iluminava os corredores pelas janelas; percebeu:
"Roupa: azul-escuro, branco, dourado e preto?" Pahf... soltou a serva imediatamente.
— Cuf-caf... — que caiu tossindo, sentindo dor no pescoço e quadril.
— M-me desculpa... Não sei o que deu em mim... — implorou, com um semblante de culpa explícito.
— Não se preocupe, Heroína. Por favor, vá até o salão do trono... — pediu com um pouco de dificuldade, sentindo ainda falta de ar.
Nathaly ajudou a serva a se levantar.
— O que aconteceu?
— A-a princesa... Ela sumiu — revelou.
— O quê?! Ela não está na cidade ou algo assim?
— Ela não tem permissão para sair do palácio. Só pode ir se estiver acompanhada.
— Entendi... "Aurora, onde você foi?"
— Por favor... Encontre-a e traga-a de volta ao palácio. Estamos muito preocupadas — uma lágrima se formou nos olhos da serva, que passou a luva para secar.
"Sentimentos reais? A serva do capeta realmente morreu então?"
Uma segunda serva se aproximou por trás de Nathaly.
— Grande Heroína! — chamou. Seu semblante sério e maduro, diferente do mais infantil da primeira serva.
Olhou-a e respondeu:
— Diga.
— O rei solicita sua presença — informou, mantendo a cabeça baixa.
— Sim. Estava indo lá nesse exato momento.
— Obrigada. Com sua licença — A serva se virou e saiu.
Nathaly então se dirigiu ao salão do trono em passos apressados.
"Se eu tivesse tomado mais cuidado, teria brincado com ela, e nada disso teria acontecido... Que merda!"
Apoie a Novel Mania
Chega de anúncios irritantes, agora a Novel Mania será mantida exclusivamente pelos leitores, ou seja, sem anúncios ou assinaturas pagas. Para continuarmos online e sem interrupções, precisamos do seu apoio! Sua contribuição nos ajuda a manter a qualidade e incentivar a equipe a continuar trazendos mais conteúdos.
Novas traduções
Novels originais
Experiência sem anúncios