Volume 2 – Arco 6
Capítulo 169: Imaginação
Aquela corrida parecia um chamado — Nathaly acatou-o e seguiu-a correndo em brincadeirinha pelo corredor. Aquela garota permanecia saltitante, rindo alegre, pura... Thuff! Nathaly alcançou-a, segurou-a deixando-a deitada no tapete e a encheu de cócegas.
O riso ficou mais alto. Quase chorava de tanto gargalhar.
Abriu os olhos... olhos imensos.
Nathaly paralisou-se admirando as cores daqueles lindos olhos brilhantes, oscilantes — uma aurora boreal. O verde era predominante, mas quando o pouco azul oscilava era impressionante. Os cabelos longos prateados deixando todo o destaque aos olhos. Não usava franja, e sua testa era um pouco grande.
Clara como a neve, olhava Nathaly travada olhando-a de volta, sem palavras.
A Heroína completamente distraída, piscou, e duas pernas surgiram paradas diante das duas.
— Princesa Aurora! O que está fazendo?! — reclamou a serva, erguendo a princesa para colocá-la de pé, no chão.
Nathaly levou um susto. Olhou-a espantada, sem reação.
"Não tinha ninguém aqui!" exclamou em pensamentos.
— Só estou brincando... — reclamou Aurora, em murmúrio.
— Não incomode a Grande Heroína! — ordenou, segurando a mão da princesa e puxando-a pelo corredor. — Vamos, preciso vesti-la para o banquete.
— Estávamos apenas brincando. Ela não me incomodou em nada — Nathaly ergueu-se, olhando-as caminhando.
— Tudo bem, mas peço desculpas mesmo assim — parou e respondeu, abaixando a cabeça em sinal de respeito. Aurora imitou o gesto, mesmo que seu rosto mostrasse que não queria.
Saíram de mãos dadas... mas dois segundos após se virarem, Aurora olhou para trás, triste, sua boneca sendo abraçada pelo outro braço. Desconfiada, Nathaly fixou o olhar nas duas enquanto saíam e por assim ficou 20 segundos.
Quando finalmente piscou, via a princesa caminhando sozinha, com a mão erguida sendo segurada pelo nada.
— PRIN... — assustou-se e fora iniciar um grito... mas ao piscar novamente, a serva reapareceu, segurando a mão da princesa, como estava anteriormente. "O que tá acontecendo comigo?" Nathaly colocou a mão na cabeça.
Tli-thon...
Uma porta se abriu ao seu lado... Uma porta?
Akli surgiu dela, olhando para Nathaly:
— Grande... — Nathaly olhou para o lado... seu rosto cansado, olhar arregalado, achando estar louca. — Sra. Nathaly... Sua roupa está pronta.
"Como? Como? Que porra é essa? Calma... Calma. É só minha cabeça. Você tá com fome e com sono, é apenas isso!" Olhou para o corredor onde Aurora foi levada... nada, sumiram. Olhou novamente para Akli... normal, lhe olhava receosa dos eventos passados.
Respirando fundo, entrou na sala.
Logo se deparou com três manequins.
Um deles vestia o pedido: um short igual ao seu short jeans azul, mas em preto, e sem os fiapos, e uma blusa preta de manga comprida, muito semelhante à de Nina, embora o dela fosse muito mais escuro por causa do sangue.
No shortinho, Akli adicionou suspensórios literalmente iguais aos azuis, mas alterou a cor para dourado, criando um contraste com a roupa inteiramente preta. Akli até fez uma réplica da pistola e coldre, porém em tecido; não entendera o que aquilo representava e achou que fosse apenas um detalhe da roupa.
Além disso, criou uma nova gargantilha, e por cima de tudo, havia um sobretudo preto com pelagem dourada nos ombros. Não fazia parte do pedido; era um adicional que achou que a jovem poderia gostar. O tênis também era igual, mas adicionou detalhes em dourado, como na sola.
O segundo manequim era a mesma coisa, mas sem nenhum detalhe dourado e com o shortinho ainda com fiapos, caso a jovem desistisse de fazer essa alteração no visual.
O terceiro manequim exibia uma calcinha e um sutiã preto em renda, para substituir as peças antigas que usava.
Nathaly se aproximou para analisar as roupas. Ignorou o segundo manequim, foi direto no primeiro.
— Caso não tenha gostado, posso alterar ou refazer completamente. Basta me dizer o que prefere — abaixou a cabeça e permaneceu assim, mesmo que a jovem estivesse de costas para ela.
Nathaly olhou para o coldre que Akli havia feito e apontou com o indicador:
— Pode manter o suspensório, achei bonito, mas essa espécie de bolsinha, pode remover. É inútil — ordenou.
Akli caminhou até o manequim e removeu o coldre instantaneamente. Nathaly ficou impressionada com a rapidez, mas não comentou nada. Viu-a se afastar um pouco, desfazendo os fios extremamente rápido com os finos dedos e voltando-os aos rolos de onde saíram.
— Tá, vou experimentar — anunciou, animada.
Começou a se despir.
— Espere.
— Oi? — Nathaly a observou enquanto ela se dirigia até a cortina dividindo a sala.
Fush!
Puxou-a, revelando uma banheira de pedras que simulava uma fonte de água termal.
— Por favor, tome um banho antes. Você deve estar cansada. Relaxe um pouco antes de se vestir — pediu em tom baixo, rosto imitando o tom.
— Ah, tudo bem.
Nathaly tirou toda a roupa e caminhou sobre as pedras até a banheira.
Flish-lbs-ssshl...
Entrou lentamente, sentindo a água morna subir pelo seu corpo conforme se acomodava. Passos calmos, ondinhas mais fortes sendo jogadas para os lados. Sentou-se, Haarrff... e suspirou, cansada, pensando na serva e na princesa...
Poucos segundos passaram. Seu corpo cansado agradecia aquele cuidado. Águas mornas, deliciosas em contato com sua pele exposta. Os olhos começaram a pesar; sonolenta, a cabeça também queria cair. Pequenos sustinhos tentando não dormir...
Fechou os olhos.
Uma presença estranha, algo lhe acompanhava naquela banheira.
Abriu os olhos assustada. Era como se alguém a observasse de muito perto. Olhou para trás; Akli fechara as cortinas assim que a jovem entrou no ambiente de banho... Corpo oscilando em respirações — precisava descansar, repor tudo que gastou de uma única vez.
Ficou tranquila novamente. Sentada na água, o corpo relaxando novamente, o sono retornando com força, o peso das pálpebras se intensificando. Suas respirações tranquilas quase como micro gemidos de prazer... fechou.
Era quase como se soubesse que entraria em uma paralisia do sono e lutava contra o corpo exausto para não dormir, fechar os olhos, pois sabia que travaria. Sabia que não iria conseguir se mover durante um tempo assustador.
Assim que as pálpebras selaram a luz para o lado de fora, a imagem do rosto da serva surgiu em sua mente como um pesadelo. Abriu-os assustados. Um vulto foi visto; alguém vestindo branco estava de pé, sobre as águas, olhando-a sentada, mas desaparecera instantaneamente com o sobressalto, Frshuasshua... agitando com força as águas.
Akli ouviu.
— Está tudo bem? — do outro lado da cortina, perguntou.
— M-me dê uma toalha — respondeu, meio ofegante.
— Sim, Sra. Nathaly.
Akli entregou uma toalha, e Nathaly se secou, vestindo suas novas roupas íntimas antes de colocar o restante da roupa. Quando viu a nova gargantilha, recusou-a, lembrando-se da de Alissa. Também ignorou o sobretudo; não o queria nem se fosse inteiramente de ouro.
Foi até onde havia deixado as roupas antes do banho e pegou a gargantilha antiga, mesmo que estivesse um pouco fedida e precisando de uma lavagem. Ao olhar para suas roupas antigas, avistou sua pistola.
Crash!
Segurou-a firmemente e a esmagou para evitar qualquer acidente, deixando-a ali. Frush-frh... burn... passou a gargantilha na água quentinha. Depois secou-a com uma micro explosão de chamas, deixando-a seca e sem o fedor de suor acumulado desde que saiu do deserto, desde que chegara a este mundo.
Voltando para os manequins, colocou os novos tênis e se olhou no espelho com o novo visual. Cruzou os braços, tentou sorrir, mas não conseguiu mostrar os dentes. Seu rosto ficou agradável aos olhos de Akli. Era melhor ver o sorriso sem dentes do que o olhar sério anterior.

— A senhorita quer que eu altere mais alguma coisa?
— Não... Está muito linda assim. Obrigada... — respondeu no tempo em que virava-se para se ver de lado e costas, depois continuou, agora olhando a híbrida diretamente: — Eu gostei bastante. Mas não quero o segundo conjunto e nem quero o sobretudo. Usei muito na minha vida e dei uma enjoada, mas ele é lindo.
— Ah, sim... Eu que agradeço por essas palavras tão gentis vindas de você, senhorita — Akli segurou as peças e desfez tudo em menos de dois segundos, voltando os fios de alta qualidade aos seus devidos lugares.
Nathaly admirou-se novamente com aquela rapidez. Akli ficou um pouco nervosa com os olhares. Permaneceu de cabeça baixa, mãos juntas para frente. Vendo o que causou, Nathaly deixou-a em paz. Se dirigiu à porta, mas antes de sair, observou Akli mais uma vez. Continuava parada, estática em obediência. Era estranho. Sabia que aquilo não era uma reação normal.
Tli-thon...
Abriu a porta com calma. Só sua cabeça apareceu no corredor. Olhou para um lado. Para o outro. Para um lado. Para o outro. Não havia ninguém. Saiu e fechou a porta de olhos fechados, suspirando cansada; queria dormir, descansar. Virou-se e no primeiro passo, ao abrir os olhos, a mesma serva de antes surgira diante de si.
Arregalou-os, fixos na serva de olhos fechados, sorriso sem dentes.
— O banquete já está pronto... Por favor, minha senhora, siga-me! — pediu a serva com um sorriso estranhamente forçado, virando-se para conduzi-la ao salão do banquete... Nathaly permaneceu travada, em silêncio, olhando-a se afastar.
"Como...? Como já está pronto?"
A serva parou de andar, permanecendo inteiramente de costas, como se tivesse escutado sua pergunta... virou-se lentamente, o rosto sendo mais rápido que o corpo, a boca se entreabrindo com uma voz arrastada saindo:
— Heroooííínaa?!
Era como raspar um garfo em um quadro de escola. Rasgar as unhas em paredes até sangrarem, serem arrancadas das pontas dos dedos. Uma voz grave, aterrorizante vinha daquela serva, entrando em sua mente, fazendo aquele som colidir de um canto ao outro, roubando toda a sua atenção.
Instintivamente deu um passo à frente, lançando as mãos para o lado; a Hero se materializou imediatamente, Tli-thon... mas a porta da sala de Akli se abriu outra vez, ao seu lado.
— Sra. Nathaly... Você esqueceu isso!
A voz da híbrida lhe distraiu. Olhou-a rapidamente, mas quando olhou na direção da serva, esta havia desaparecido. Akli trouxera o colar que Nina presenteou-a no primeiro encontro em público. Cansada, esqueceu de tirá-lo do montinho das roupas antigas quando fora pegar a gargantilha... OuuU será que não?
Paranoica, pegou o colar com pressa, quase um tapa, e questionou Akli:
— Quem é a serva de branco?
— ...As servas não usam uniformes brancos.
— NÃO BRINQUE COMIGO! — berrou. A Hero queimando com mais intensidade sendo segurada somente pela mão direita... mas ao perceber o medo nos olhos de Akli, suavizou sua expressão, desmaterializou a espada e: — Me desculpa... Estou exausta, preciso dormir logo — pediu e balançou o rosto, olhando para os lados, sem cara para olhá-la após agir de forma tão agressiva.
— Não precisa se desculpar, Gran... Sra. Nathaly. M-me desculpe por não perceber seu momento delicado — assumiu toda a culpa, assim como sempre fora obrigada.
Nathaly passou os dedos pelos olhos, apertando-os como sempre vira Alissa, estressada.
— Poderia me levar até o salão onde vai acontecer o banquete?
— Posso sim. Mas apenas até a porta; não fui convidada.
Uma sobrancelha subiu e a outra desceu. Não entendeu o motivo, mas preferiu guardar saliva do que escutar mais vozes na sua cabeça cada vez mais dolorida.
— Por favor, venha comigo — pediu Akli, abaixando a cabeça. Tomou a liderança e conduziu Nathaly até o local.
Chegaram em mais uma grande porta dupla; Akli se despediu e foi embora. Nathaly, então, Thoon... colocou uma mão em cada e abriu-a como se fosse sua casa.
Ao cruzar a entrada, tornou-se imediatamente o centro das atenções.
A família real, membros da elite, oficiais do exército e muitas outras figuras importantes de Alberg voltaram seus olhares para ela. Nathaly sorriu, sem saber como agir em meio a tanta gente bem vestida, em uma sala tão luxuosa.
Embora tudo ao redor estivesse ensanguentado e destruído, a comida era real, diferente de algumas pessoas presentes... olhares vazios, risadas estranhas olhando em sua direção. Ignorou. Tentou seguir até a comida, mas um casal interrompeu seus petiscos.
Casal esse que não se importou em colocar roupas que o evento luxuoso exigia. Vestindo suas roupas de sempre, Jonas e Liza se apresentaram:
— Boa tarde, Grande Heroína. Sou o homem que a chamou na cidade — voz calma, um sorriso gentil.
— Por favor, pare de me chamar assim — rosnou Nathaly em voz baixa, visivelmente estressada.
Jonas mudou o olhar e a encarou com firmeza.
— Acho que você percebeu que há algo estranho aqui. Finja naturalidade; nem todos são reais — sussurrou o mais baixo que conseguiu, voltando ao sorriso gentil anterior. Não era falso. Não conseguia ser falso. Aquele sorriso era verdadeiro, embora as coisas não estivessem como gostaria.
— O quê? — Nathaly se assustou com o que ele disse. — Ma...
O general do exército vinha na direção, e Jonas iniciou uma conversa, tentando parecer natural:
— Meu nome é Jonas Sirveri, e esta é minha noiva, Liza Dirpan.
— Prazer — respondeu Liza, quando Jonas lhe apresentou.
Nathaly, com um sorriso visivelmente forçado, respondeu:
— Prazer, meu nome é Nathaly Kubitschek. Sou adotada. Embora minha mãe não goste desse sobrenome por algum motivo, eu ainda o acho bonitinho.
— ...Um sobrenome diferente. Não faço ideia de que reino seja, mas... Muito obrigado pelo que fez contra o exército de monstros mais cedo. Estaríamos em apuros se você não tivesse chegado a tempo. "Claro que não estaríamos. Sai daqui logo, Grimore!" — Mas não vou tomar muito do seu tempo; imagino que o rei tenha algo a dizer — O general do exército, Grimore, se afastou junto de seus soldados próximos.
Jonas ficou intrigado, pois apenas a elite dos reinos possuía sobrenomes... mas não entrou em assunto. Deu um passo ficando ao lado da menina e murmurou baixinho no ouvido da mesma:
— Por favor, tenha cuidado. Não confie em ninguém. Em breve lhe darei minhas informações, que infelizmente não são muitas.
— Ok.
Jonas se afastou com Liza, continuando sua atuação naquele ambiente e fingindo naturalidade ao interagir com outros "amigos" da elite. Entretanto, aquela palavra ficou em sua mente.
"O que é 'ok'?"
Com muita fome, finalmente se via livre para destruir qualquer coisa comestível que aparecesse em sua frente. Olhou para os lados... avistou uma mesa colossal repleta de comida e doces.
Os olhos brilharam quase na mesma intensidade que matara Gorgon.
Ao ver uma moça pegando uma taça de vinho e um pratinho de cristal com doce, atacou.
Avançou... comeu e se deliciava, passando a mão em tudo, mas não como um animal selvagem. Sempre que notava que ninguém estava olhando, um prato desaparecia, e a comida já sumia goela abaixo. Uma assassina alimentícia de alto escalão. Alguém olhava? A espiã agia com naturalidade, aguardando o momento certo... Piscou? Sumiu com a comida. Um arroto interno, um sorriso de disfarce se afastando da cena do crime.
Ainda comendo como se não tivesse fundo em seu estômago, ao longe, em um cantinho, viu a princesa Aurora brincando de chá com sua boneca, em uma pequena mesa acompanhada com cadeiras de cristais azuis.
Sozinha, com um semblante meio abatido; naquele dia, não havia nenhuma outra criança para brincar com ela. Sua única companhia era sua boneca, mais ninguém.
Nathaly se lembrou de como costumava ser solitária e se isolava das outras crianças. Não querendo que a princesa se sentisse da mesma forma, decidiu ir até ela para lhe fazer companhia. Mas antes, GLUB! devorou um bolo inteiro enquanto ninguém via, simplesmente um bolo de quase um metro, e, olhando ao redor como uma onça caçando um jacaré vacilando no lago, Vsh! pegou um grande pedaço de outro, e saiu comendo, como se nada estivesse acontecendo.
— O qE eSá fEEznd? — perguntou com dificuldade, a boca cheia, bochechas de castor... mas seu olhar era amigável, corpo meio curvado, mãos nas coxas para se aproximar da altura que a princesa se encontrava naquela pequena cadeira.
Mesmo um pouco triste, Aurora colocou um sorriso no rosto e, com seus enormes olhos, encarou-a antes de responder:
— Estou tomando chá com a minha melhor amiga... Quer participar?! — chamou, olhos cheios de expectativa.
— GLUB! — terminou de engolir sua vítima e respondeu, sorrindo: — Sim, o cheiro está ótimo!
Aurora se alegrou, ficou de pé na pequena mesinha e serviu chá para Nathaly, após a mesma, mesmo com dificuldade, se sentar. Beberam e brincaram juntas; Aurora não tinha permissão para se alimentar com o cardápio dos adultos, então ficou em biscoitos crocantes e chá.
Nathaly não reclamou... mandou para dentro sem rodeio algum.
Suas reações, suas brincadeiras alegraram a tarde da menininha, que em mais um dia passaria solitária, sozinha... mas nem tudo era flores. Um tempo depois, o rei se ergueu na mesa central e pediu a atenção de todos os convidados.
Nathaly se despediu de Aurora com um cafuné na cabeça e se aproximou mais da mesa que o rei se encontrava.
— O dia de hoje só está terminando em festa graças à nossa Grande Heroína! Gostaria de pedir a todos uma salva de palmas para agradecê-la por nos proteger com tamanha coragem e força! Viva!
— VIVA!
Todos aplaudiram Nathaly, que pegou um cálice da mesa e bebeu. Grimore também aplaudiu, mas apenas por obrigação, sentindo ódio por ela ter sido escolhida pelo Fogo Sagrado. Não se preocupava mais em esconder seu desprezo, que era evidente em seu rosto fechado.
Enquanto bebia seu cálice de vinho, Nathaly notou algo estranho na rainha.
"É como se algo estivesse saindo dela e indo em direção ao rei..." Confusa, se perguntava se o que via era real. Já era sua sexta taça de vinho. "Deve ser minha imaginação." Lembrou-se do conselho de Jonas para ter cuidado. "...Ou não?"
Depois de comer e beber bastante, ficou um pouco embriagada e decidiu sair do salão.
Como mágica, no corredor uma serva se prestava de pé. Pediu-a para que esta lhe guiasse até os aposentos que o rei lhe prometera, e foi o que a serva fizera. Meio tonta pelo álcool, o Sangue Sagrado começava a combater o efeito deste "veneno".
Durante todo o caminho, observava atentamente a serva, tentando notar algo anormal, mas não havia nada de estranho, somente sua desconfiança excessiva. Chegaram. Nem quis olhar para trás, para confirmar se a serva sumira ou não. Cansada como se encontrava. Com o sono acumulado ainda mais após encher a pança como enchera, só queria cair de cara em uma cama e dormir.
Tli-thon...
Assim que entrou, notou que havia uma chave na porta dupla.
Tra-clak!
Trancou a porta até o limite, e ainda bloqueou as maçanetas prateadas com um pedaço de metal grosso de uma decoração do quarto.
Segurança dupla.
Sem prestar atenção na decoração, nem apagou as luzes baixas das lamparinas acesas. Se aproximou da grande cama dossel, Paff! e deixou-se cair de barriga para baixo, com a cabeça voltada para a direita.
— Só tô cansada... Não tem nada de estranho aqui — murmurou sonolenta, voz meio rouca, fofa, enquanto caía no sono.
Ao lado direito dela, na cama, havia o corpo de uma mulher em decomposição.
Moscas e larvas disputavam espaço em seu corpo, e o dossel azul-escuro, semidestruído, junto com o suporte da cama, compunham o cenário de um assassinato brutal. Uma poça de sangue manchada na cama. Sons das larvas devorando o que restava, sons fortes das moscas batendo suas asas.
Seu quarto tinha uma janela à esquerda, com visão direta para um grande jardim aberto no meio do palácio, embora esta estivesse coberta pelas cortinas brancas... um vulto olhava-a de fora. O sol nasceu. Seus raios iluminando parte do quarto, colidindo na pele da menina deitada de costas para ele, que começara a despertar.
Olhos lentos se abrindo... um som confuso, entrando em seus ouvidos.
Uma serva deitada, com o rosto virado na direção do seu.
— HARF!
Levou um susto. Acordou imediatamente. Surgiu de pé, ao lado da cama, com a Hero queimando, materializada em suas mãos... mas não havia ninguém ali. O quarto impecável, lindo, bem mobiliado se apresentava diante da luz baixa. Pontos escuros, mas não pontos que geravam-lhe medo.
Toc, toc, toc...
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