Dançando com a Morte Brasileira

Autor(a): Dênis Vasconcelos


Volume 2 – Arco 6

Capítulo 167: Queimando os Céus e a Terra

33 dias atrás.

Um reino imenso se estendia na divisa entre uma mata e um deserto. Aproximadamente 80% do reino ficava na mata e 20% no deserto. A mata se encontrava à esquerda e o deserto à direita.

O reino tinha um formato circular — uma área de 345 km², raio de 10,5 km e um diâmetro de 21 km. Atravessar o reino de uma borda à outra levaria cerca de 4h12 minutos a pé —, cercado por grandes muralhas que pareciam ainda maiores, pois ao redor delas havia um fosso tão profundo que era difícil enxergar o fundo. A única entrada era um portão ao sul, acessível por uma ponte de pedras cinzas semelhantes às das ruas.

Ao entrar pelo portão, havia uma rua larga feita de pedrinhas cinzas que seguia reta por alguns quilômetros até o Palácio Real. Essa rua não servia apenas para oferecer uma vista do palácio à distância ou facilitar o fluxo de comerciantes, mas também dividia as classes sociais.

Ao leste, em direção ao deserto — e dentro do deserto —, ficava a área comum e a pobre. Quanto mais ao leste e próximo das muralhas, mais pobre. Ao oeste, encontrava-se a área rica, e quanto mais se avançava para o oeste, mais essa riqueza se intensificava.

Quanto mais para o noroeste, mais rico você era. Passando pelas áreas nobres, que começavam a mostrar as casas mais luxuosas do reino, nada se comparava ao extremo norte, onde nem mesmo os soldados tinham permissão para se aproximar sem uma ordem do rei.

Naquela parte, mansões ficavam um pouco distantes umas das outras, não por serem antissociais, mas por possuírem jardins imensos. Aquela área abrigava as famílias da Elite, as mais ricas do reino, como a do Rei, embora algumas pessoas da família real vivessem no Palácio Real.

Ao nordeste, ficavam diversas plantações, pertencentes às famílias da Elite do reino. O melhor de suas plantações ficavam para si; o que consideravam não ser digno para comerem — vegetais que não ficaram tão bonitos, lisos, frutas feias, com defeitos —, vendiam a mercadores humanos para revenderem no reino.

Alguns tinham hortas e vendiam os próprios cultivos, mas era raro alguém conseguir um espaço bom para fazer isso, mesmo que na própria residência. Precisaria expandir e criar um novo andar, fazer o jardim ou horta no telhado de sua casa, mas permissões para isso eram caras, e pessoas com pouca fé, pessoas com pouca visão, não conseguiam ver como um investimento a longo prazo; viam apenas o tempo que aquele prejuízo iria ficar pesando em suas cabeças.

Aquela imensa rua dividindo 2/4 do reino evidenciava as diferenças: de um lado, lojas com produtos bem trabalhados, roupas mais bonitas, cores mais marcantes, e comidas caras, importadas de cantos do continente; do outro, alimentos baratos, muitas vezes insetos fritos e carne de procedência duvidosa, roupas desbotadas, sem cor, e lojas simples, como fundos de quintais.

Na área comum, era normal ver crianças brincando em praças com árvores bonitas e bancos de pedra. Eram simples, mas era mais que o necessário para a garotada se divertir. As casinhas tinham um ou dois andares, dependendo do sucesso do negócio da pessoa, talvez três ou quatro. Era necessário ter isso tudo...? Não. Mas aquelas pessoas sentiam uma necessidade de mostrar para os outros que estavam melhores, que tinham dinheiro, mesmo que ainda estivessem vivendo todos no mesmo meio.

Comprar uma carruagem sem ter condições ainda de cuidar de cavalos... qual o sentido de ostentar algo somente no intuito de outra pessoa ver e dizer: "tá podendo, hein?" Viver pelo outro. Gastar dinheiro só para parecer ser o que ainda não alcançou. Perder tempo gastando um possível bom investimento futuro em bens materiais só para dizer que: "eu tenho". 

Na área nobre, era comum ver adolescentes e crianças nas ruas, mas sempre passeando de carruagens, visitando cafés, restaurantes caros ou joalherias. Gastar o dinheiro do pai era o passatempo preferido, mesmo que este não soubesse que seu filho estava gastando dinheiro para presentear uma menina na qual o pai não concordou que seria sua futura noiva.

Casamentos arranjados, os negócios eram mais importantes que um amor verdadeiro... Amor...? Aprenda a amá-lo(a) depois do casamento. Não importava se era uma adolescente com um velho, um menino com uma adulta. Entre a Elite, só o dinheiro falava... Não eram todos assim, mas todos que eram assim eram da Elite.

As praças, por sua vez, eram símbolos de pura elegância, frequentadas principalmente por mulheres adultas e idosas que se reuniam para tomar chá ou café, que estavam em alta naquela época. O friozinho que Jyte trazia com o início do ano combinava com um chá bem quente.

Não costumavam fazer nada que não envolvesse gastar dinheiro.

Na área comum, havia algumas coisas que não podiam ser encontradas na área nobre, como uma grande prisão, uma catedral dedicada à Deusa do Sol e a guilda do reino.

A prisão era bem visível, seu tamanho chamativo, grosseiro, não ficava tão longe do palácio, já que algumas pessoas pediam que o julgamento fosse feito pelo Rei... Pessoas? Os ricos... os ricos pediam.

A catedral se diferenciava bastante das construções ao seu redor; era grandiosa e rica em detalhes góticos. Antes eram brancos; com o tempo foi assumindo a cor preta, sujeira, mas os detalhes ficaram mais belos, imponentes. Localizava-se na segunda esquina, seguindo a grande rua, entrando na área comum, vindo do palácio. Era possível vê-la pela sua grandiosidade do jardim da mesma. A prisão ficava seis esquinas à frente, saindo do palácio.

A guilda ficava no centro da área comum, onde tinha um grande fluxo de caçadores, aventureiros, comprando armas, espadas, lanças e equipamentos com ferreiros. O som de martelos, marretas batendo em ferro quente. Bigornas incandescentes. Risos de homens em tavernas. Mulheres rindo enquanto serviam dezenas de copos imensos cheios de cerveja e hidromel ecoava em dias comuns.

Seguindo mais para o leste, as coisas começavam a piorar, chegando em ruas que não pareciam ruas, tomadas por comerciantes gritando, tentando chamar a atenção. Havia carnes extremamente baratas, de procedência ainda mais duvidosa, e casas que pareciam irmãos siameses grudados, sem cuidado nenhum.

As vielas eram repletas de demônios sem casa ou comida para se alimentarem.

A área pobre do reino era dominada por demônios de "todas" as linhagens, enquanto os humanos não moravam lá; apenas utilizavam os demônios como mão de obra barata. Escravos "modernos". Seres que aceitavam tudo para poder comer algo no final do dia. 

Dentre aquelas ruas, uma se destacava pelo movimento de dia e noite. Um mundo sem celular, televisão. O único entretenimento aos ditos "superiores" homens humanos era o sexo. Aquela rua era repleta de casas de prostituição. Temas. Estilos. Fantasias. Fetiches... mas nenhuma mulher presente era humana. Só demônios sendo usadas por pouquíssimas moedas de bronze, uma porcentagem ínfima, mas... entre passar fome e conseguir um pedaço de pão... Seria melhor morrer ou se submeter à prostituição?

Mesmo com a vantagem de possuírem magia, ainda eram fracas, e nem treinos tinham. A promessa de proteção em tempo integral dentro e fora de trabalho era algo melhor do que o próprio salário. O que faziam dentro das casas poderia acontecer forçadamente fora delas, então era melhor que recebessem algo... assim pensavam.

Aquela rua vivia lotada. Dia e noite, noite e dia, com um fluxo imparável de pessoas... humanos... e na maioria...? Ricos. Playboyzinhos, indo comprar drogas, pó mágico ou só para ter relações sexuais com demônios. Trair suas mulheres, namoradas. Isso era divertido, extremamente divertido em suas óticas.

Nenhum demônio homem passava por aquela rua. Eram pobres. Não tinham dinheiro. Raramente alguém gastava as economias trabalhando literalmente como um escravo dia e noite para conseguir ter uma relação, já que quase todas as mulheres demônios — presas naquele reino, impedidas de um dia sair daquele reino — eram prostitutas, e não iriam dar de graça para um demônio mais pobre que elas.

Muitos nunca tiveram uma mínima visão do Palácio Real. Passavam o dia trabalhando ou jogados na rua aceitando a morte que vinha junto da fome. Poucos viram aquela construção bela em branco, com a bandeira do reino balançando ao vento, e a fonte de água à sua frente, cercada por um jardim limitado nas extremidades por um muro de grades verticais em metal...

Entretanto, à normalidade que aquele reino diariamente "enfrentava", uma pequena coisa acontecia nesta nova tarde... Estavam sofrendo um ataque. 

Um homem pardo, muito grande, com seus 2,70 m de altura e extremamente forte, olhava para cima, com a mão esquerda acima dos olhos, tampando o sol. Com a mão direita, mantinha um grande e grosseiro porrete de metal escuro no ombro, quase maior que o próprio corpo.

Usava roupas simples, tons desbotados, como panos ou couro velho, um pouco gastas. Em ambos os braços, havia cicatrizes horrendas, bem grandes, de queimaduras. Seus olhos, preguiçosos, avistaram nove dragões estranhos, com escamas pretas e detalhes verdes em seus corpos, incluindo a boca.

Os dragões eram imensos, com mais de 30 metros de comprimento. Embora as muralhas fossem ainda mais altas, eles obviamente podiam voar. O homem não se importava tanto com o que acontecia próximo da ponte, da entrada no reino. Seu papel não era esse. Aposentara-se há muito tempo. Soldado? Não. Exterminador.

Aqueles dragões passando pelas mulheres do lado leste eram gigantescos... mas apenas em tamanho, pois para aquele homem, aqueles seres eram apenas pragas, ratos que deveriam ser exterminados.

Sem se importar com a destruição que causaria ao redor, das casas frágeis em meio às favelas daquela área pobre, Chroumn! saltou, tremendo algumas construções como se não houvesse paredes, sustento, um pilar ou fundação.

No céu, murmurou apenas uma palavra:

— Liza.

Aquele homem não estava sozinho, ao menos não mais. No instante em que passou a altura dos telhados, viu dois humanos acompanhando seu vulto de 2,70 m indo aos céus. Saltando de telhado em telhado, havia duas pessoas: um homem de pele clara, olhos verdes-azuis e cabelos loiros-acinzentados.

Vestia uma calça preta com detalhes em platina nos bolsos e uma blusa comprida de um tom vinho-escuro; em suas costas, carregava uma bainha com uma espada de madeira. Era alto, com 1,90 m e bem forte, embora seus músculos fossem normais, especialmente em comparação com o outro homem.

E uma mulher, Liza usava um short azul-escuro e uma blusa comprida branca, larga nos braços. Sua pele era escura, marrom como um bombom, olhos verdes, cabelo longo e preto. Era mais baixa que os dois, com 1,75 m.

Assim que escutou seu nome, Liza estendeu os braços para ele no céu e, com a mão direita, puxou rapidamente uma flecha para trás. Sabia magia, estudara na única escola humana de magia, em Dirpu. Assim como o outro humano, Liza era da Elite, não daquele reino, mas ainda era.

Um arco se formou em suas mãos. Bem longe do que Nino e Nina gostavam de usar, mas ainda era uma magia bem semelhante, com uma força um tanto inferior, mas ainda extremamente poderosa.

Tudo começou a brilhar em azul-escuro misturado com ciano. Vul! disparou as duas magias, que rodopiaram-se como duas bailarinas, e se fundiram no céu, uma espiral de dois azuis distintos, em direção ao homem que se aproximava dos dragões.

BA-Schuuuuup... O homem virou o corpo no ar e acertou um golpe com o porrete na magia disparada. Toda a magia foi absorvida pelo metal especial daquela arma forjada por um Anão Lendário. Um leve sorriso apareceu em seu rosto sonolento. Por um breve momento, lembrou-se que era divertido destruir aqueles seres.

Os dragões avançaram juntos com as bocas abertas, disparando sopros de fogo verde... inúteis. O homem usava o porrete para absorver ainda mais magia, deixando aquele porrete ainda mais poderoso para quando fosse liberá-la.

Subia no céu como se pudesse voar.

Seu impulso parecia que nunca iria parar.

Os dragões dançavam o ritmo imposto por ele. Rodopiavam-no tentando torrá-lo, mas um foi mais lúcido e percebeu que não era possível... voltou ao básico — tentou abocanhá-lo.

BUMM!

O primeiro dormiu sem sono. Mal chegou e perdeu o crânio, com uma só porretada no meio da mente... foi destruído instantaneamente. O porrete canalizou a magia de água e gelo que Liza enviara, junto do fogo verde dos dragões insistentes.

Com munição mais que suficiente, o homem decidiu brincar de verdade.

BUM-BUM-BUM!

Ao matar o primeiro, usou a explosão para se lançar no segundo, depois o terceiro, o quarto... ao céu. Era atacado, mas seus movimentos eram mais rápidos, seu sorriso de nostalgia era excitado... mas com um pingo de solitude e arrependimento do que se tornara em tempos tão sombrios que passara... Nenhum o tocava, todos continuaram o ritmo de sua dança, até que todos receberam seu julgamento — a pena de morte foi declarada.

Os corpos destruídos dos seres majestosos caíam em queda livre no céu de uma área tão miserável. O homem também descia, mas com precisão de onde iria aterrissar.

BAM!

Os dois humanos, esperando-o no chão, sofreram um pequeno salto involuntário com o pequeno terremoto que o homem causou. Olhavam-no. Vendo aquela pose. O olhar direcionado para eles. O porrete apoiado no ombro.

PAHM-PAHM...

As carcaças de dois dragões caíram ao seu lado; um deles ainda se mexia levemente, TLORCH! mas o homem pisou em sua cabeça, terminando de matá-lo imediatamente.

— Já fez melhor, nota 7 — brincou o outro homem, olhar provocador.

— Faz parte. Cadê o periquito? — relevou a provocação.

— Ele ainda está obedecendo o seu pedido.

Ah, ao menos não preciso olhar para aquele rosto feio.

O provocador olhou para o céu.

— Ué? Milagre não ter vindo brigar com você.

— O bebezinho está crescendo, aparentemente — zombou.

— ...Depois reclama que ele não gosta de você.

— ...Faz parte.

Liza entrou na conversa:

— Não faz sentido atacarem aqui — ponderou.

— Faz.

— "Faz"? — Liza olhou para o homem com o porrete.

— Reino mais fraco.

O homem com a espada de madeira olhou para o outro e disse:

Ah, é? Mas temos o ex...

BAAM!

O coitado levou um soco enquanto mantinha um sorrisinho debochado no rosto, voando tão longe que saiu da área pobre, passou pela comum e entrou na nobre, sem parar de capotar um único segundo.

Liza olhou para o homem com cicatrizes. Um olhar preguiçoso.

O homem percebeu e respondeu:

— Foi fraco.

Uhum.

— Ele já é acostumado.

— Eu sei.

— E o casamento? Nada ainda?

— Estamos meio ocup...

Harf... — bufou levemente, interrompendo-a, no tempo em que virava o rosto. — Parem de inventar desculpas. Agora vê se ele está bem e vai limpar a ponte. Eu limpo os céus.

— Tá!

Liza deu um passo saindo e escutou a voz do homem novamente:

— Esquece. Fala pro Jonas ir me ver depois.

Ela se virou, vendo o homem se afastar e caminhar lentamente.

— Oi?

Ainda caminhando, ele respondeu, sem olhar para ela:

— Olha pro céu, no sudeste.

Liza olhou e, nesse momento, todos os humanos do mundo souberam o que havia acontecido. Todos sentiram um conforto em suas almas; o Fogo Sagrado havia escolhido o novo herdeiro.

O novo Grande Herói surgia e, curiosamente, caía dos céus.

— ...Fazia tempo que não sentia isso.

Hum? — O homem virou levemente a cabeça para trás, não entendendo ao certo, mas continuou indo embora. "Quanto tempo esse novo vai durar?" 


Dos céus, Nathaly caía ainda inconsciente. 

Seu corpo começou a brilhar em chamas douradas e, com um sobressalto, despertou. O poder entrou em seu corpo, deixando seus olhos brilhando momentaneamente. Não compreendia, mas sentia um poder que nunca havia experimentado antes. Suas mechas, o poder do fogo em seu corpo circulando pelos cabelos, assumiram a cor dourada. Seus olhos âmbares foram alterados da mesma forma.

Seu corpo queimava em Fogo Sagrado.

Algo além do normal, além de mágico. Era palpável. Sentia do que era capaz. Sentia tudo que conseguia fazer. Sentia todo o poder que corria entre suas veias, entre sua alma, seus cabelos, seus olhos. Sentiu sua cicatriz se regenerar, mas não permitiu. Travou. Impediu. Aquilo não era algo no qual queria deixar de ter. Era a marca do seu poder, era a marca que Nino dissera ser linda, ser o que a tornava forte.

Vê-la através de um reflexo e lembrar-se daquele dia todas as vezes era especial.

Virou seu corpo no ar e de lá avistou. Abaixo de si, naquele imenso deserto, um exército de monstros estranhos marchavam, corriam, grunhiam e gritavam, na direção de um enorme reino cercado pelas enormes muralhas imponentes.

Aqueles seres eram completamente irregulares: raças diferentes, com corpos semelhantes mas de proporções e tamanhos variados, todos sofrendo mutações visíveis. A mesma cabeça em quatro, mas com quatro corpos diferentes, membros mais fortes ou afiados, quase um experimento científico do horror, mas real.

Muitos ignorariam a ponte.

Seus corpos eram grandes o suficiente para saltarem e escalarem as muralhas sem empecilho algum. Soldados com arcos e flechas. Envenenadas ou em chamas. Espadas comuns. Aventureiros achando que conseguiriam um dia ser fortes como um Herói... diante do desafio real, diante da morte, o medo entrava e a dúvida matava antes das bestas horrendas.

A lei do mais forte.

Sem magia, nem nessa equação entrava.

CR-R-R-R-R-UNCH!

Nathaly puxou sua espada da bainha... aterrissou com graça divina. Nenhum barulho, nenhuma poeira erguida. O corpo meio curvado, as pernas, os tênis quase que em posição de corrida. Assim que tocou o solo e o ar puro, embora quente daquele deserto, entrou em seu tímido nariz, BÁUUMM! explodiu em uma corrida, deixando um rastro de fogo dourado enquanto cortava cada um dos monstros ao meio, sem mais nem menos.

Um segundo. Milhares de carcaças. Um segundo. Um caos quase inteiramente controlado.

Os soldados convocados para lutarem na ponte, temendo não voltarem para suas famílias, tremiam, o corpo arrepiado ao extremo escutando os sons dos seres chegando. O líder escolhido em meio a eles tentando mantê-los centrados na luta, na garra de protegerem vosso reino.

Tudo acabou.

O segundo passou.

Os corpos caídos... um vulto dourado saltando da ponte em direção aos céus... os céus cheios de dragões voando. A paz que a Herança entregue a um novo Herói não durara muito. Não era como se este fosse onipotente, pudesse proteger todos os que sofriam diariamente ao redor do continente... mas ao ver aquele vulto, ao ver o exército cair, a paz veio em seus corações; o Grande Herói estava ali, chegara e combatia o mal que vos assolava.

Soldados tentavam evacuar todas as famílias próximas à muralha onde dragões se aproximavam. Alguns sacrificando suas vidas para proteger as famílias mais ricas da zona oeste. O valor da vida. Faria isso por um pobre? Poucos. Poucos se arriscariam para salvar um "ninguém". 

De cima das muralhas, outros disparavam flechas e gritavam, não para tentar matar ou espantar os dragões — o que era impossível —, mas para chamar a atenção enquanto os resgates aconteciam.

Nathaly, no ar, aterrissou no topo da muralha e continuou avançando.

O foco dos dragões foi roubado. Todos lhe voltaram a atenção como se algo lhes tivesse ordenado.

Um dos últimos dragões — carmesim —, com escamas brilhantes em um vermelho intenso, a atacou. FRURURURURR! O dragão assoprava fogo nela, mas ela continuou sua corrida, segurando a espada para trás com ambas as mãos.

PLOCH!

Um movimento rápido. Um salto gracioso. Jogou a espada para trás do corpo e voltou-a à frente, soltando-a como um disparo de arma, na direção da boca escancarada daquela coisa irritada com sua presença... varou-o completamente. Sua espada voando no céu, subindo como um foguete.

Seus pés aterrissaram novamente na muralha. Ao lado de soldados, ignorou-os e saltou na direção do dragão caindo com um ferimento interno tão grosseiro. Todos olharam-na, assustados a princípio, mas felizes ao perceberem que estavam a salvo.

BÁUM!

Nathaly aterrissou no dragão caindo em queda livre e, com uma explosão agressiva de Fogo Sagrado, se impulsionou na direção de sua espada pairando no céu... o dragão foi executado imediatamente; o Poder Sagrado lhe dilacerou.

Recuperou a espada... e mais dois dragões surgiram avançando em sua direção. Um cuspia fogo... inútil; desviou no ar como se fosse nada, avançando de frente, sem medo, sem nada. Tocou o pé direito sobre a pálpebra do olho esquerdo; sua espada descia com um brilho dourado, o branco imaculado se preparando para dilacerar.

SHKRUNCH!

Percorreu-o todo instantaneamente, passando seu corte que o dividiu em dois — da cabeça à ponta da cauda... precisão, graça. Saltou. Um trampolim. Virou-se; o novo dragão vinha para vingar o amigo... mas era burro, repetiu o erro; soprar fogo não era eficaz no ser que era puro Fogo Sagrado.

PLOCH!

Tentou carregar um ataque de fogo. O alvo sobre si. Nathaly voando, olhando o dragão subindo em sua direção. O pescoço, a boca entreaberta brilhando como um reator nuclear esquentando... não deu tempo.

Jogou a espada para trás, desceu-a arremessando para baixo, penetrando o crânio daquele ser, e só com o impacto, o peso daquela força, o impulsionou para baixo. Foi rápido. Uma queda livre bonita. Asas sem utilidade quando não se pode sentir mais o corpo.

PAHM! 

Um grande amassado. Rachaduras. Pedras lisas soltas na rua da área nobre azarada que aquilo fora cair por cima. Blch... Scschrrrt... Nathaly aterrissou sobre a carcaça. Girou a espada no crânio e a removeu. Cheia de sangue, Vul-vul-tcin... rodopiou-a como hélices de helicóptero sobre a cabeça, olhos fechados, movimentos suaves antes da lâmina voltar com precisão à bainha.


— Uma garota? É sério? — murmurou o general do exército, com um tom irritado, invejoso, ao longe da rua, comandando a evacuação dos nobres durante o ataque. 


Nathaly não viu mais nenhum monstro, dragão ou qualquer coisa que se parecesse com tudo que matara, mas ao olhar para cima, notou algo curioso: um morcego parado no ar, batendo asas, olhando diretamente para os olhos dela. 

"Um morcego à luz do dia...? Isso não é um morcego!" pensou, Vu! e saltou imediatamente na direção daquele animal. O vento sendo cortado pelo seu golpe de espada queimando em chamas douradas... Errou.

PHAAM!

O morcego desviou, voltou à sua forma humanoide e a acertou com um chute nas costas, lançando-a para muito longe, cruzando todo o reino, voando até o deserto, caindo no início de um desfiladeiro impiedoso.

Bum!

Nathaly usou uma explosão de chamas em seus pés para se impulsionar para cima, diminuindo e controlando sua queda.

Sccrrrchh...

Aterrissou de pé, arrasando a areia do deserto e, ao levantar o rosto, BAM! viu o humanoide surgindo diante dela. Não deu tempo de fazer nada: recebeu um soco no meio da cara.

Sccrrrchh...

Foi lançada bons metros para trás, caindo de pé, enquanto segurava o nariz quebrado e ensanguentado com a mão esquerda, e sua espada sendo firmemente segurada pela direita.

Seu sangue ainda era vermelho — humano — embora o sagrado fluísse por suas veias. Não havia se tornado a Heroína. Ainda não sabia quem era. Sabia do poder correndo dentro de si, mas não sua origem. O sangue só brilhava em dourado quando ela o usava intencionalmente.

Mas assim como o Sangue Sagrado iniciara anteriormente a cura para sua cicatriz no nariz, o sangue começou a reagir, curando na sua velocidade os ossos quebrados, a nova ferida rasgada na pele, e somente ela. No entanto, o cheiro era muito forte, o odor era muito apetitoso, doce, vulgar... para o vampiro à sua frente.

Aquele ser usava um terno elegante e justo, mesclando preto com vermelho carmesim extremamente intenso. Em suas mãos, belas luvas pretas com os dedos pontudos. Sua pele era escura, seus olhos vermelhos, e seu cabelo, rosa-claro.

2 m de altura, um porte físico magro, mas magreza em um mundo mágico não simbolizava fraqueza. Thales tinha mais músculos que Nino, mas era infinitamente mais fraco que o mesmo.

— Quem é você, garota? Seu cheiro é bem diferente — abriu um sorriso e desapareceu. — DEIXE-ME DEGUSTAR UM POUCO! — reapareceu atrás dela, gritando e tentando morder seu pescoço.

BUM!

Nathaly conseguiu virar o rosto a tempo e o explodiu em chamas. A explosão a empurrou para frente, afastando-a do local, já curada dos ferimentos no rosto. O vampiro notou o tom daquele brilho, percebeu que não podia ser atingido, seria fatal, mas era só uma garota, não lhe mostrava nenhum mal.

— O que você é? — murmurou, segurando a espada com as duas mãos, olhando na direção de onde desviara.

O vampiro surgiu da fumaça, andando com tranquilidade e classe.

— Sou um morceguinho.

Fush!

Avançou muito rápido, cambaleante, estranho, e Nathaly não conseguiu desviar. Uma velocidade um pouco maior que a sua, mas esse pouco era suficiente para uma desvantagem grande, absurda.

BAM-BAM-BAM!

Após cada golpe, o vampiro voltava à forma de morcego, reposicionava e voltava com um novo golpe, dificultando o contra-ataque contra algo tão pequeno.

BAM!

Um novo soco acertou o rosto dela, um impiedoso soco de direita, forçando o rosto da jovem a virar para o lado. Mesmo assim, tentou atacar com a espada na direção dele. Mas mesmo que conseguisse o ver, não acertaria.

O vampiro desviou em forma de morcego, voltou à sua forma humanoide, BAM! e acertou outro soco, agora no lado esquerdo do rosto, forçando-a novamente a virá-lo, com brutalidade... Atordoamento. Nathaly ficou extremamente tonta. Sangue, passos tortuosos para trás.

Feridas. 

Mais sangue... Mais sangue... Mais do cheiro... Mais do odor delicioso.

— O que foi? É muito difícil me acertar? — riu, saboreando cada momento como uma entradinha em um restaurante, esperando o prato principal.

Nathaly se irritou, os olhos levemente dourados se voltaram na direção, e o atacou mais uma vez... dessa vez, foi mais rápida, mais ágil, mais precisa com sua espada. Um ataque horizontal surgiu em um avanço, cortando o ar, cortando tudo na direção do pescoço, mas aquela lâmina não emanava nada; seu ódio não trabalhou com a justiça, sua raiva não trabalhou com o Sagrado.

Sh-...

O vampiro não se moveu, mas a lâmina parou quando travou na mão do sujeito.

— Era disso que eu estava desviando? — riu.

Crash!

Destruiu sua linda e adaptada espada alemã e a segurou pelo pescoço, levantando-a com muita força. O ar faltou, os olhos começaram a lacrimejar. Nathaly se debatia, ergueu os braços, CRECK! para tentar se libertar, mas o vampiro segurou o braço esquerdo, o estendeu para baixo e o quebrou ao meio.

AaaAAaArrRghh! — gritou de dor, chorando, enquanto ele ria, olhando para ela, sedento por seu sangue.

— Hora de experimentar! — debochou com ânimo.

BÁUUM!

Ao se aproximar com seus dentes afiados, crescendo, no pescoço, os olhos dela brilharam novamente, e Nathaly mais uma vez falhou. Liberou uma explosão forte, mas de fogo vermelho, fogo humano terráqueo... Conseguiu libertar-se das garras e presas do vampiro. Destruiu um braço inteiro, assim como parte do rosto, deixando a caveira exposta, mas não o matou.

Uma oportunidade desperdiçada, por não ter usado o que agora lhe pertencia.

Sccrrrchh...

Nathaly foi arremessada alguns metros para trás, e ele, surpreso, enfiou a mão na areia, puxou um animalzinho semelhante a uma lebre, Crunch! e o mordeu, Ssslliirrp... sugando seu sangue para regenerar o braço e rosto.

Após sugar todo o sangue, Pah... descartou o corpo seco do animal no chão.

— Seus olhos...

Nathaly tossia com a mão próxima à boca.

Seu braço voltou ao normal; o Poder, o Sangue Sagrado agindo internamente. Não era como a regeneração dos Primordiais, era dolorosa, lenta, muitas das vezes uma tortura, mas ainda era uma regeneração.

Sentia toda a dor do processo de recuperação, rangia com o rosto baixo, parecia mais um monstro que o próprio monstro à frente. Toda essa dor apenas a deixava cada vez mais enfurecida com o morcego.

— O que têm meus olhos, seu merda? — rosnou, erguendo os olhos com aquele tranquilo brilho dourado na direção dele.

— Agora entendi o seu cheiro, esse sangue suculento — deslizou a língua pelos dentes afiados e começou a rir alto. — O grande herói reencarnou e é uma menininha fraca! KAHAKA!

"O que esse doente tá falando?"

— Vou levar seu cadáver para Lycoris saborear; terei que te matar duas vezes... gado suculento! KAKAHAHA! — levou as mãos ao rosto, enlouquecido. Passos rápidos para lados estranhos, movimentos cambaleantes, mas muito precisos.

Nathaly não entendia, mas não avançou. A cada segundo a dor passava, ganhava cada segundo enquanto aquele louco rosnava em risadas estranhas... mas levou um susto. Aquela coisa surgiu diante de si, um sorriso feito um lunático diante do seu rosto... Nathaly fechou os olhos.

Lembrou-se de um jantar com Alissa, quando Alissa lhe perguntou o motivo de ainda usar sua gargantilha, já que sempre fora mentira que aquela peça era a responsável por conter o poder da garota... Naquele meio-tempo do vampiro erguendo um soco reto no rosto dela, um pensamento firme surgiu em sua mente:

"Eu não preciso de uma espada para usar meu poder... O fogo sou eu, não a espada..." Abriu os olhos... Silêncio. O mundo não gritava, não havia som. O vampiro viu o brilho, aqueles olhos queimando como se fosse fogo puro... mas não era dourado — era vermelho.

Sua mente o traiu.

O tom âmbar do olho sumira quando Nathaly Herdou o Poder. As íris assumiram a cor sagrada. O dourado que ficara criou uma ilusão na mente do enlouquecido vampiro, fazendo parecer que era Fogo Sagrado aquele brilho, aquele poder... Cancelou. Puxou o soco e desviou, saltando para trás, arrastando-se metros para trás de medo... mas não adiantou.

BAAM!

Nathaly que surgira diante de si, agora... um soco no meio da cara... trazendo a lucidez de volta àquele corpo. Não era Magia Sagrada. Não iria morrer com um mero golpe daqueles. O corpo foi para trás, o impacto foi forte, mas nem tanto.

Nathaly voltava com um novo soco, agora de esquerda. Seu rosto furioso, seus olhos cravados no do homem, erguido ao céu. BA-... o vampiro segurou seu segundo golpe. BÁUM! agiu com pressa, desferiu uma explosão e o forçou a soltá-la.

O impulso a mandou metros para trás, tocou o pé no chão, girou o corpo e criou uma espada semelhante ao design de uma katana, como os gêmeos usavam feitas de sangue, mas de puro fogo vermelho. Terminou o giro e logo surgiu diante da fumaça criada, diante do corpo daquele ser se voltando para frente, descendo, com a explosão lhe tirando o equilíbrio... falso.

SHK!

Um ataque direto no pescoço — um desvio preciso, brincalhão.

Jogou imediatamente a cabeça para trás, desviou do passar de espada com o rastro quente, vermelho inferno, sobre seus olhos e voltou o corpo ao normal, em uma velocidade avassaladora, descendo um soco vertical, BAAAM! na nuca da garota.

BUUM!

Nathaly quicou com brutalidade no chão, subiu, e o vampiro, PHOOM! a chutou longe com uma perna envolta em uma aura vermelha carmesim, usando uma magia do seu sangue.

Sccrrrchh...

Caída na areia quente, mesmo quase inconsciente, começou a se levantar lentamente enquanto escutava a voz daquele ser à sua frente ressoando em sua cabeça confusa, girando, atordoada:

— Seu ancestral morreu para um mero Primordial. Diferente dele, eu vou aproveitar bem o sangue do seu corpo... KAKAHAHA! — riu muito alto, alterado e cada vez mais enlouquecido pelo desejo do sangue dela, perdendo completamente a noção ou o controle de suas vontades. Cada ferida, cada machucado que permitia-o sentir um pouco mais do cheiro, fazia-o perder a lucidez, sua racionalidade. Cambaleava, babava, quase gemia de prazer somente pelo cheiro. — MORRA E ME DÊ SEU SANGUE!

Nathaly tentava se manter de pé. As informações, aquela risada, os gritos eram estranhos, ecoavam na sua mente; não era possível entender. Confusa, quase caindo inconsciente, o sangue mantinha-a acordada... mas por quê?

Agia no automático, basicamente, dormia, mesmo acordada, em pé.

Colocou as mãos de lado como se estivesse segurando uma espada longa e posicionou uma perna para trás, enquanto a outra avançava. Por um momento, a lucidez voltou com força. Saiu do estado de sono. Estava desperta, acordada como um viciado em pó. Levantou a cabeça, notou seu erro — não sabia o que era Fogo Sagrado, não entendia o que estava dentro de si, mas sabia que se não usasse tudo, iria morrer. Desde sempre, nunca usara todo o seu poder. Desde sempre, sempre tivera medo de uma nova explosão, como a que destruíra sua casa e matara seu "pai". 

Desde sempre, negou seu poder, toda a sua força, mas agora, sua força, seu poder crescera de forma abundante, incontável... e seus olhos brilhavam como o sol. Não sabia o porquê daquela pose, mas algo dentro de si falava que era o certo.

O vampiro se perdeu completamente. Virou um mero predador, um animal faminto. Se transformou em um morcego gigante, descontrolado e sedento por aquele sangue, Vush! disparou, correndo, batendo suas asas e pernas como se não soubesse voar, rindo e gritando em direção a ela.

Neste momento, Nathaly aceitou o sangue.

O sangue vermelho, seu sangue humano foi erradicado, completamente substituído pelo sagrado. Suas mechas, seus olhos brilhavam a ponto de causar cegueira. Era como olhar para o sol sem proteção alguma; um humano ficaria cego. Um demônio comum...? Com certeza.

Se tornou a Grande Heroína, mesmo que ainda nem soubesse que merda era essa.

Uma espada longa surgiu em suas mãos. Dourada. Branco imaculado. Um brilho divino. Uma palavra gravada na lâmina... Hero.

— Já que eu não consigo te acertar, queimarei os céus... e a terra — rosnou.

BUURRNNMM!!

A espada explodiu em um feixe de fogo dourado enorme, se espalhando pelo chão atrás da jovem como um mar de chamas, violento, perigoso. O medo sobressaiu o desejo. O morcego se desesperou ao ver aquele fogo. Sua truculência. Seu corpo enorme não conseguiria parar e desviar a tempo.

Não havia outra escolha — tentou acelerar, tentou ser mais rápido do que aquela espada sendo erguida. Tentou ser mais rápido do que aquele feixe rasgando o chão, subindo e rasgando as nuvens... e agora? Descendo, refletindo o fogo, o calor no brilho dos seus olhos arregalados de desespero e desejo, antes de também... dividi-lo ao meio.

BÁÁUUUURRMMM!!

Uma enorme explosão dourada ocorreu. Um cogumelo sagrado, uma reação semelhante a uma bomba nuclear, sem a radiação. Uma tempestade de areia foi enviada ao leste, norte e sul; uma pancada de ventos raivosos foram ao oeste, chegando nos soldados sobre as muralhas quase cegos pelo brilho como um soco no meio de suas caras, além do barulho infernal que demorou dois segundos para colidir com seus corpos.

Piiiiiiiiii...!

Via os amigos gritando, mas só um Pi ensurdecedor era ouvido. O resto? Abafado. Um cenário de guerra terráquea, algo que aqueles soldados nunca imaginariam a existência. As pessoas dentro das muralhas ouviram o estrondo, os ventos agitados, mas as muralhas seguraram tudo; só quem se encontrava nelas sofreu. 

Muitos foram salvos pelas muretas de segurança, feitas de pedras grosseiras, fortes. Se não fosse aquilo segurar seus corpos quando foram jogados para trás, se não fosse o desespero de outros amigos soldados segurando-os para não voarem, puxando-os para uma proteção melhor... morreriam instantaneamente ao cair daquela altura.

O morcego foi completamente incinerado. Não só o corpo, como o chão em centenas de metros em um raio absurdo. Uma areia rica em dióxido de silício; Nathaly criou dezenas de milhares de fragmentos de vidro em toda a área que seu fogo se espalhara, naquele deserto colossal.


Em uma floresta que, mesmo sob a luz do dia, permanecia extremamente escura e sombria, havia um castelo gótico no meio das altas montanhas e das árvores de madeira cinza. O castelo era inteiramente preto, contrastando com a vegetação verde do jardim ao seu redor. 

Pouca luz passava pelas montanhas para iluminá-lo, mas, ainda assim, ele se destacava na escuridão.

Dentro do castelo, corredores imensos eram adornados com tapetes e decorações em vermelho carmesim. Estátuas e armaduras vivas se moviam em seus postos, quadros onde os seres pintados conversavam, tinham vida, e servos vampiros caminhavam realizando suas tarefas com um semblante constante de medo.

No grande salão do trono, uma mulher estava sentada.

Sua aparência era de adolescente, 1,59 m de altura; seus cabelos eram rosa-claro, e seus olhos brilhavam com um vermelho intenso. Usava um vestido gótico exuberante, semelhante ao de uma princesa rebelde, porém curto, na cor vermelho carmesim com detalhes em preto.

O vestido tinha uma manga longa e larga, revelando parte do meio do seu braço adornado com delicadas rendas pretas, e uma espécie de capa em suas costas que não passava das coxas, onde sua meia-calça preta de renda floral começava a descer.

Enquanto mantinha as pernas cruzadas e a cabeça apoiada em seu braço no encosto do grande trono prateado, Lycoris ouviu a porta dupla, que se estendia até o teto da sala de dezenas de metros de altura, se abrir.

Thoom...

Andando sobre o tapete vermelho carmesim adornado com prata nas extremidades, seus três subordinados seguiram pelos pilares até se curvarem perante ela:

— Minha rainha... Você sentiu isso? — perguntou um deles, com a mão no coração.

— Gorgon foi morto pela Grande Heroína — rosnou Lycoris, sem demonstrar remorso.

— Aquele inútil per...

— Saíam!... Quero ficar a sós — ordenou imediatamente, voz agressiva.

Os três se viraram e saíram do salão, obedecendo à ordem com tamanha prontidão.

Depois que saíram, Lycoris deixou cair uma lágrima solitária, mas seu rosto não expressava tristeza; era puro ódio.

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