Dançando com a Morte Brasileira

Autor(a): Dênis Vasconcelos


Volume 2 – Arco 5

Capítulo 165: Namorada?

Quando o caos se instalou, Rose recebeu um chamado interno de sua mãe. Seu corpo obedeceu imediatamente, saindo do camarote e indo para dentro da escola, com destino ao subsolo. Uma caminhada tranquila, sem pressa, só angústia.

Ao entrar no corredor com a porta de acesso aos escravos enjaulados, presenciou algo que nunca imaginou — os guardas mutilados, pedaços do que restou dos corpos no chão. Em pé, em meio ao sangue verde, Anna abria a porta com tranquilidade... mas notou que alguém a observava.

Olhou de canto, despreocupada.

O corpo de Rose reagiu conforme o grau de ameaça. Contorceu-se como uma possuída. Dobrou-se como um animal quadrúpede e avançou correndo, diminuindo a distância rapidamente... Anna permanecia desinteressada. Uma foice de água surgiu em sua mão direita.

Sh...

Passou-a na horizontal, direcionada a Rose.

— Lua Nova — sussurrou calmamente, SHIRRRRRP! e um rastro cortou na horizontal um buraco contínuo nas paredes em direção a Rose, Fush! que se desviou, jogando-se no chão ainda como um animal selvagem.

O corte se alastrou.

Nada parecia pará-lo.

Dividiu tudo que encontrou em dois... centenas de alunos fugindo do caos morreram imediatamente todos naquele nivelamento.

Do chão, conseguiu um impulso quase irreal. Rose lançou-se em Anna, atacando-a com suas garras. Anna deu um passo para trás, observando-a sem entender a falta de racionalidade. Toda aquela fúria, uma raiva animalesca de quem sentia a necessidade de se defender de um predador.

Rose aterrissou no chão, virou-se e saltou na direção da garota novamente... o tempo pareceu se congelar. Anna olhando para o rosto dela, com preguiça, sem se importar. Tap-Creck! Tap-Creck! mãos vindo em um abraço fatal.

A menina deu um tapinha fraco de mão direita em cada mão, mas a força foi descomunal, fazendo com que os braços se voltassem para trás, quebrando-se como gravetos, em uma velocidade triplicada com o tempo quase parado, mas não para si.

Com a mesma mão, tocou a barriga dela:

— Lua Nova.

Shkrunch!... pah... pah... Crarrshchshesm...

Mesmo sem uma lâmina, era possível disparar seus ataques de corte, que, apesar de menos eficientes, ainda assim eram muito fortes.

Rose caiu no chão, ajoelhada a alguns metros, sem seus dois braços e com cortes profundos em várias partes do corpo. Atrás, o teto desabou. O corte não foi horizontal, foi irregular, quase um quadrado (□), mas a partir do seu corpo. Toda a frente atingida desabou, soterrando os corredores e impossibilitando completamente a passagem.

Sem tempo a perder, Anna avançou com uma foice em direção ao pescoço dela. Nesse momento, Verde morreu, e Rose voltou ao controle de seu corpo.

Feliz por perceber que Nina havia cumprido o seu pedido, não se importou com a dor física dos membros perdidos... aquilo era insignificante comparada ao que já havia passado. Seu rosto se iluminou, o olhar recebeu cor, cor da esperança, cor da liberdade, de finalmente... partir.

Olhou para Anna se aproximando e murmurou:

— Obrigada... — com um sorriso genuíno, uma lágrima escorria.

Anna arregalou os olhos... mas não parou seu ataque; Shk...! pah... pah... cortou o pescoço de Rose, a cabeça quicou duas vezes no chão. Um som abafado. Era acostumada, mas o som que os guardas fizeram, não tinha o mesmo peso de matar alguém que não era mau.

— ...O que estava acontecendo com você? — Anna se virou, indo até a porta, e começou a descer as escadas. "Eu realmente vi verdade em um demônio do sentimento? Mãe... Ela realmente estava sendo verdadeira?"

Descendo as escadas, o som do choro de uma mulher aumentava. Gritos de medo, de pavor, de uma criança, ecoava. Anna chegou no último degrau. Tinha visão do que acontecia — a mãe de Rose por cima de um menininho, sobre uma mesa de tortura, amarrado dos pés aos braços.

O ódio dominou seus sentidos.

Sua presença sempre inteiramente escondida: era como se fosse invisível, a não ser que quisesse ser vista... mas naquele instante, deixou uma gota dela sair, uma gota ficar perceptível. Aquele porco gorduroso não sabia detecção de presença, mas não era necessário para sentir o pavor que Anna trouxe a todos.

BUUUMMMM!

A demônio se virou, assustada ao sentir aquela sensação, e não teve tempo de reagir; foi atingida por um corte que desintegrou 80% de seu corpo, deixando apenas suas pernas para não acertar a criança.

A parede atrás da mesa de tortura se abriu em um buraco imenso, passou pelo cômodo vazio e o quarto de Rose foi finalmente limpo... sem restar nada, absolutamente nada para trás. Um caminho em meio à terra das paredes do subsolo que parecia não ter fim; o único sangue derramado foi das pernas da demônio; todo o resto simplesmente deixou de existir.


Minty e Clarah finalmente chegaram no corredor da porta que procuravam. Quando chegaram viram o imenso estrago deixado para trás. Os corpos, todo o sangue, os entulhos... e a porta aberta — quase um sentimento assombrado. 

— É a professora? — Clarah perguntou, assustada.

— S-sim — Minty gaguejou, com medo do que fez aquilo.

— O que está lá embaixo? — Clarah olhou para as escadas, e Minty desceu na frente... criando suas garras de sangue.


Anna terminava de soltar os escravos. 

— Vou levar vocês à minha vila. Um lugar seguro. — Observava os olhares sem esperança, as reações quase robóticas. A obedeciam por medo, não por sentirem segurança. Tap... foi quando ouviu algo descendo as escadas.

Ainda muito alterada pelo que havia presenciado, só não atacaria antes de perguntar quem era se visse Nino.

Minty surgiu, olhando para Anna, e a garota gritou:

— LUA NOVA!

...Um ataque colossal foi lançado na direção de Minty, extremamente assustado. A boca se escancarando, os olhos seguindo pelo mesmo caminho. Clarah se jogou na frente, empurrando-o para trás, no tempo que criava um escudo com magia de luz, com o mesmo desespero de Minty.

BUUUUUMMM!!

O escudo era fraco perante Anna... não foi suficiente para barrar o ataque, mas fora suficiente para que não morressem imediatamente. O corte se alastrou como um terremoto na ruína deixada após Verde morrer. A construção já havia morrido, ficado fraca, com aquele ataque, toda a metade oeste caíra.

Minty e Clarah foram lançados para longe da superfície, mas ainda no território da construção, que ainda terminava de cair, virar pó e entulho.

Clarah se feriu muito, não parava de perder sangue. Minty, devido à força do impacto, teve a tinta de seu cabelo removida, assim como as "lentes" verdes que se perderam no meio do caminho. Diferente de Clarah, seu corpo ficou quase inteiramente soterrado. Uma pequena parte do busto e sua cabeça eram visíveis. Muito ferido, não conseguia reagir, mal-mal se mover. 


Os gêmeos ouviram o barulho ensurdecedor, seguido da escola se fragmentando e foram rumo ao oeste. Os ex-escravos saíram do subsolo com a proteção de Anna e viram centenas de demônios jovens mortos. Sangue de todas as linhagens espalhados. Muitos que não tinham absolutamente nada a ver. Muitos bons, que só queriam adquirir força para ajudar suas famílias foram mortos. 

Muitos conseguiram fugir, correr daquela construção.

Os demônios traumatizados da vila em frente ao lugar saíram de suas casas amedrontados, fugindo mais uma vez do que imaginaram ser outra ira de um Primordial... Aquelas ruínas, aquele cenário deixado da destruição era uma pintura macabra.

Não havia como saber quem era errado ou certo.

Anna só tinha dois objetivos: salvar os escravos e voltar com Nino.

Caminhou calmamente. Sua foice se formando sem pressa na mão direita. Foi até Clarah, que permanecia no chão, sangrando pela boca, olhos arregalados, não respirava, não conseguia, estava morrendo... completamente sem ar.

Anna olhou para a direita.

"Cabelo preto?" — ...Tanto faz — murmurou.

Levantou sua foice — o golpe de misericórdia vendo aquela menina sofrer. Entretanto, quando sua lâmina curvada começou a descer, Minty juntou todas as forças que ainda tinha em seu corpo e berrou o mais alto que conseguiu:

— SOMOS AMIGOS DA NINA!!

Anna hesitou... a lâmina no pescoço de Clarah, quase cortando-a somente com o reflexo na água. Lembrou-se do nome da irmã do namorado... mas ainda sim era uma pessoa bem desconfiada com tudo.

"Quem garante que é verdade...? Mas e se for?" Sendo presas fáceis, decidiu confiar. Não havia perigo. Confirmando ser verdade, ok. Não confirmando, tchau-tchau. Agachou. Tocou a cabeça de Clarah com a mão direita e usou uma magia de cura... Magia essa que Anna era a única pessoa viva que possuía.

— O-o... O-ooo-o-o-o-... q-que é isso? "Isso existe? O que é essa menina?" Clarah travou completamente. Não entendia absolutamente nada do que aconteceu. Como simplesmente voltou a respirar. Como o sangramento simplesmente parou. Observou Anna se afastando, viu-a retirar os escombros de cima de Minty e "curá-lo" também.

Clarah tentou se levantar, Paf... mas caiu novamente.

— Calma, garota. Só parei a hemorragia. Só vou curar vocês quando Nino confirmar a história — respondeu, voz fria, assustadora com seu rosto fechado, assassino.

"Por favor, cheguem logo..." Enquanto sentia curiosidade sobre o que estava acontecendo, também tinha medo de Anna. Algo nela era diferente; seu poder não era normal. Seu olhar não era normal. A estranheza de olhá-la... não era normal.

— Anna!! — Nino gritou, e Anna olhou em sua direção.

Clarah ficou visivelmente aliviada ao ver Nina ao lado de um garoto extremamente parecido com ela.

— Sabe quem são esses dois? — perguntou Anna, com um rosto apático.

"Alissa?" Nina bugou por um minuto. — Sim, são meus amigos — respondeu e olhou de canto para Nino... Nino notou, mas fingiu-se de otário.

Ah.

Anna olhou para Nina, piscou duas vezes. Olhou para um, depois para o outro. Para um, depois para o outro.

"São iguais..." resmungou em pensamento e virou-se, para curar suas duas quase fatais vítimas... que correram imediatamente quando sentiram as pernas, os braços, o corpo voltar a funcionar, agora sem nenhuma dor.

Correu até Nina, Thunff! Clarah abraçou-a, mas caída no chão, como quem rastejava e pedia por ajuda.

— Obrigada por nos salvar! — agradeceu, em lágrimas, ainda cheia de medo pelo jeito de Anna.

— Eu achei que ia morrer! — lamentou Minty, também chorando... mas Nino impediu o abraço, puxando-o como um gatinho filhote sendo retirado dos peitos de sua mãe. Olhava-o meio irritado. Segurava-o por trás do pescoço, suspenso, mesmo sendo mais alto, quando Minty olhou-o nos olhos... Nino parecia querer matá-lo, Minty ficou em silêncio, somente travado.

— Você é a irmã do Nino? — Anna perguntou, ao se aproximar.

— Sim... "Parece uma coruja." pensou, reparando nos olhos grandes, observadores daquela menina que tinha uma familiaridade bem alta com Alissa em muitos quesitos.

— Prazer, sou a namorada dele — revelou.

Nina sorriu debochadamente, virando-se para Nino... que semicerrou os olhos, Vup! e arremessou Minty longe como se fosse nada, logo em seguida aterrissou as mãos nos bolsos.

— Olha só...

— Em casa a gente conversa. E nem começa.

Nina deu uma risadinha.

— Em casa?

— Sim, temos uma vila. Vamos levar todos pra lá — respondeu, olhando para os escravos ainda assustados. Os homens fazendo a frente. As crianças em meio às pernas das mães.


Jaan apareceu de onde os gêmeos vieram. 

— Pessoal, o que aconteceu — viu a Marca em Nino e Nina, ficou um pouco receoso, mas logo superou o receio — com a escola?

— Quem é esse? — perguntou Nino, olhando sério para Nina.

— Amigo nosso.

— Como assim "nosso"?

Minty surgiu, respondendo o amigo:

— Jaan, estamos indo embora daqui. Quer vir?

— Como assim "estamos"? — reclamou o olhando, mas Nina tocou seu ombro. 

— Para de ser chato — repreendeu-o, mas por dentro ria. "Sabia que iria reagir assim."


Observando aquele cenário devastado, pensou por um momento se era realmente seguro, mas logo ignorou seus pensamentos e respondeu: 

— A escola está destruída, e eu nem tenho dinheiro para chegar à minha cidade natal... — Colocando a mão atrás da cabeça, com um leve sorriso e os olhos fechados, continuou: — Acho que vou, sim. — Em seguida, Schshc... deslizou pelo montinho de terra e pó acumulado, chegando em Minty, que o abraçou pelo pescoço, e começaram a andar juntos.

Depois que Minty perdeu a tinta verde do cabelo, mesmo que já tivesse revelado esse segredo para Clarah, ela nunca havia o visto assim. Depois de vê-lo com o cabelo original, foi até ele, que seguia os gêmeos e Anna.

— Por que escondia seu cabelo? Você ficou bem mais bonito assim.

Minty percebeu que era uma cantada, mas fingiu que era uma brincadeira:

— Eu acho que eu iria ser morto, né? Talvez... Mas obrigado.

Ainda no abraço, Jaan observou-os meio de canto, entretanto, desviou o olhar. Olhava agora para os vários mortos. Todos os corpos. Todos os demônios que não tiveram a sorte que Minty teve de Clarah saber uma magia de escudo. Era devastador aquilo tudo. Era realmente seguro ir com os Primordiais que fizeram tudo aquilo?


Chegando no início da Floresta do Desespero. Roberto não teve nenhum contratempo. Quando escutou passos, olhou de onde se escondia sem fazer barulho, e viu amigos antigos, e também recentes, dos últimos "trabalhos", das últimas mãos que passaram. 

— Pela Deusa... Pessoal!

— Roberto?

— Roberto! Meu amigo!

Aquele momento foi o divisor de águas.

Tudo se acalmou. Os ex-escravos se sentiram mais tranquilos quanto aos demônios que os guiavam para o desconhecido. Roberto distribuiu comida e água para os novos integrantes da vila e, depois de esvaziar a carroça, as pessoas machucadas se sentaram. Anna usou magia de cura nelas, e mesmo aquelas com membros faltando foram curadas imediatamente, embora um preço precisasse ser pago — vitalidade.

A maioria gravemente mutilada eram crianças, com braço ou perna faltando. Os adultos eram mais dedos, orelhas, olhos e até nariz. Suas torturas eram diferentes. Verde não queria ninguém após o limite da sua idade preferida, então retirava o que achava bonito nelas e devorava.

Estes perderam cerca de 2-5 anos de vida. As crianças sem braços ou pernas, cerca de 10-15. Embora em aparência, não houvesse mudança, somente na estimativa de vida. Estimativa? Aquilo não era nada, era escravos, morreriam muito antes disso, assim como os cadáveres nas celas do subsolo.

Anna não disse o preço, mas mesmo que dissesse, aqueles sorrisos de gratidão não iriam desaparecer. A felicidade de ter um membro de volta não iria sair. Perder alguns anos, mas ter de volta aquilo que lhe pertencia era um acordo muito melhor do que viver sem um braço ou perna por todo esse tempo.

— Moça, você é uma Deusa? — perguntou uma mulher, impressionada com aquela magia.

— Que nada — respondeu Anna, tranquila.

Uma ex-escrava se aproximou de Nina.

— Obrigada, senhorita. V-v-você realmente nos salvou... — gaguejou, mas conseguiu falar. Cabeça baixa, respeitando-a como autoridade naquele lugar. Nina sorriu levemente para ela, mas seu rosto se alterou, ao lembrar-se de Rose.

— Pera.

Hãm? — Nino a questionou.

— Minha professora. Eu não a salvei ainda — respondeu-o, meio afobada em palavras.

— Nina... Rose está morta — Clarah revelou.

— O quê?

— Antes de descermos as escadas, vimos o corpo dela no chão.

— Ma-mas como?

— Eu a matei — Anna respondeu, olhando para Nina com seriedade.

Nina olhou-a irritada... caminhando na direção.

Com o tempo, a Marca não era mais reprimida. Nino já não a escondia, virou normal deixá-la. Nina ainda escondia, pelo plano da escola, mas assim como ele, não via mais razão para fazer isso. Sua Marca sangrou, sangue preto escorrendo pelo pescoço, enquanto olhava nos frios olhos de Anna.

— Ela estava sofrendo... Eu prometi que iria salvá-la... Por que a matou? O que ela te fez?

Nino somente observou, escutando tranquilo, sem preocupação alguma.

— Ela me atacou. Parecia um animal selvagem. Mas... por que salvar alguém que não queria ser salvo?

Os olhos agressivos de Nina travaram em dúvida. Silêncio... não conseguia encontrar uma resposta para a pergunta que a desestabilizou inteira.

— Não sei se ela era sua amiga, mas antes de eu a matar, suas últimas palavras foram: "obrigada", seguidas de um sorriso. Ela não me parecia querer ser salva. Só parecia querer a morte. Pensando bem, talvez isso fosse a salvação que ela queria — respondeu tranquilamente, seu tom típico frio.

Nina se lembrou de Rose pedindo para ser morta depois da morte de Verde... o que queria para Rose não era o que Rose queria para si.

— E-ela está melhor agora... — murmurou para dentro.

Hum...? — Anna não escutou.

— Ela estava sendo controlada. O pedido dela era que eu matasse o Primordial Verde e depois ela — revelou sem sua braveza, sua raiva anterior.

Ah... desculpa por ter matado ela, então. Eu não sabia — desculpou-se, e Nino olhou-a meio indignado.

"Comigo eu sempre sou o errado, né?" questionou... mas não ousou verbalizar.

— Não tinha como saber também. Eu queria conseguir salvá-la, mas como você disse... Por que salvar alguém que não quer ser salvo, né...? Pensei que seria possível curá-la, fazê-la esquecer tudo e continuar. Erro meu. Não faço ideia de toda a dor que ela passou, e julguei que isso não fosse nada a ponto de simplesmente esquecer de uma hora para a outra.

Nina ficou triste, abaixou a cabeça visivelmente abalada... e Minty foi abraçá-la. Nino se colocou na frente, olhando para cima, no rosto do descendente com um olhar furioso, profundo... Minty se afastou com cautela.

Nino então a abraçou, seguindo caminhada ao lado da irmã, enquanto sua cabeça parecia de uma coruja, encarando Minty chegando com o rosto agora nas costas, sem piscar, sem desviar dele em momento algum.

Minty constrangido... mas seguiu como se nada estivesse acontecendo por todas as longas horas, floresta a dentro, que aquilo durou. Chegaram na vila. Os moradores reconheceram familiares e amigos. A alegria atingiu mais uma vez aquela vila. Ainda era fim de tarde, e Nino decidiu dar um aviso aos novos moradores:

— Pessoal, atenção! — Todos se reuniram ao redor do "altar" que construíra para o aviso. — Sobre tudo relacionado à vila, é só perguntar ao meu amigo Roberto — todos gritaram felizes. — Ele vai ajudar a construir suas casas e a resolver o que precisarem!

— Sim, senhor! — gritaram.

— Sem me chamarem de senhor!

— Desculpe, senhor! — mais uma vez.

— ...


Passou um tempinho.

Roberto, junto com os novos moradores, criou túmulos e colocou plaquinhas com os nomes de cada amigo que morreu antes de chegarem ali, finalmente oferecendo-lhes um lugar para chamar de lar.

Em respeito, todos da vila ficaram em silêncio por um tempo diante dos túmulos.

Voltando para casa, a empregada havia terminado o jantar. Não esperava por mais integrantes na casa, então correu para a cozinha para preparar mais comida.

Nino caminhava do lado de fora da casa quando Nina se aproximou com um sorrisinho, enquanto ele a observava com um olhar de desdém.

— Achou seu amorzinho então, é? — Nina riu.

— Uma coisa que achei ser impossível — brincou.

— Mas também, a cara da Alissa.

— Seu cu!

— Vai mentir? Você tinha uma queda pela Alissa? — provocou.

— Nem fodendo!

— Ela é igual à Alissa, só muda que é mais baixa e os cabelos são compridos. Deve ser mais jovem também. Safado! — exclamou com um sorriso de deboche.

— Alissa é minha mãe — afirmou.

— Mas você se espelhou nela para encontrar sua namorada — continuou provocando.

— Tá chata, hein? E cadê a Nathaly?

— Não a encontrei...

— Só eu estava em contato com Louis, e você também veio. Talvez ela esteja por aí em algum lugar.

— Espero que sim...

— Precisamos achar seu amorzinho, né? — provocou de volta.

Haha... Sei lá, estava desmaiada, mas me lembro de ter ouvido o som de uma palma antes de realmente desmaiar naquele dia. Se ela estiver por aí, só espero que esteja bem...

...Uhum. Vou ir procurar umas espécies de boi que têm nesse mundo. Roberto me pediu para começarmos uma pecuária aqui na vila. Quero aproveitar que ainda tem um pouco de sol, hoje.

— O céu tá literalmente quase azul-escuro — reclamou.

— Não perguntei nada — retrucou.

— Calado... Vou ver se precisam da ajuda com as construções que vi inacabadas — deixou o assunto passado de lado.

— Vai lá, retardada. — Porém, Nino não.

— Tchau, seu fodido.

Se distanciaram rapidamente, mas com tudo, dando risadinhas felizes por se reencontrarem.

Minty viu Nino indo para dentro da floresta e decidiu segui-lo "sem que ele o visse".

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