Dançando com a Morte Brasileira

Autor(a): Dênis Vasconcelos


Volume 2 – Arco 5

Capítulo 164: Intervenção do Diretor

Totalmente desrespeitado, Verde agiu por impulso.

Seus dentes rangeram, seus olhos se enfureceram, seus braços se estenderam, e duas imensas raízes vivas voaram na direção dos irmãos. Vivas, se materializando sem padrão em meio ao ar, indo com uma ponta vulgar de tão afiada lhe querendo cortar.

Crrro-Crrroom!

Desvio tranquilo, acelerar intenso.

Avançaram correndo em meio ao caminho suspenso, ambos com uma espada de sangue agora materializada na mão direita. Voltas, curvas perfeitas, novos caminhos sendo criados na direção do tio planando no céu.

Shkrash!

Raízes novas saíam das velhas.

Ataques precisos, que Nina interceptou com felicidade.

Cortes em meio à corrida, só não imaginou que sairia mais por baixo dos próprios pés. Verde olhou-a com mais raiva do que para com Nino, cipós surgiram muito rápido e entrelaçaram seu calcanhar direito... parou-a em meio à corrida quase deslocando os ossos daquela perna.

Nina abriu bem os olhos, Vul! o efeito de gangorra veio logo em seguida.

Os cipós a puxaram para baixo, arremessando-a na direção do chão, onde Verde fez surgir uma bela cama de raízes pontiagudas preparadas para empalá-la... Nino desistiu do avanço no mesmo instante.

Nina era arremessada, e Nino se jogava para fora das raízes, criando uma corrente, onde arremessou na direção da irmã, Shk-Split! cortando a raiz e travando a corrente no lugar... Puxou. O efeito de gangorra voltou. Suas posições se inverteram. Nino girou-a entregando-lhe impulso. O destino saiu da cama pontiaguda para o Primordial, assistindo Nina girar no ar, usando o impulso do irmão, para criar uma marreta maior que aquele Esquisitão.

BOOOMM!

Verde foi arremessado para trás.

BAMCR-R-RASH!

Destruiu o topo na plateia da arena, entrando pela escola, capotando por um corredor lateral até vará-la por completo, voando com o corpo girando, se regenerando dos estragos do golpe, até parar bem distante no bosque que Nina tiltara noite passada.

No ar, segurando sua marreta na pose que ficara quando o acertou, olhando-o voar para longe... Vu! Nina viu seu irmão voando em um salto na direção de onde enviou o alvo em comum. Não perdeu tempo, aterrissou e o seguiu.

Com o vento batendo em seu corpo, agitando suas vestes pretas, Svrch-Svrch! Nino arremessou para baixo duas foices acopladas com correntes, cravando-as no chão e as puxando para acelerar sua descida. Bm... seus pés tocaram o solo, seu olhar subiu e Verde olhava-o de pé, ao longe em meio às árvores.

Um desafio óbvio.

Chamava-o em silêncio.

Vu!

Nino rasgou a floresta, chegando no Primordial quase que imediatamente. Verde criando uma lança com seu sangue, enquanto Nino, mais baixo, mais ágil, mais afrontoso, vinha com o corpo mais abaixado, criando uma espada naquele meio tempo do tempo quase parado, onde se encaravam feito doentes.

Tin-Shiirrrt!

Verde o atacou, mas Nino subiu um corte, rasgando com o fio de sua lâmina, da ponta ao cabo da lança até o braço tio. Duas tiras abertas. Um segundo e uma demonstração do sangue mais forte. Verde desviou. Sua lança sumiu. Nino voltou. Um novo corte descia. Uma nova lança surgia. Tin! ...Verde se adaptou.


No ar, Nina viu o bosque se movendo como um organismo vivo. Árvores surgindo. Uma densidade estranha... Não era mais um bosque, se tornara uma floresta. Um mar verde, árvores respirando como pessoas, andando como pessoas... 

Bm...

Aterrissou.

Em sua reta, via Nino saltando em piruetas, atacando Verde de ângulos e formas diferentes. Rápidos como um spam de vários fotógrafos no Oscar... Nenhum se acertava. Ataques precisos, mas mais com mais era menos.

Fu!

Avançou...

Entretanto a floresta se fechou.

Verde prendeu Nino consigo... Nina era para depois.

Shk!

Golpeou uma árvore que lhe atacou... dividiu-a em duas imediatamente, mas imediatamente aquilo se regenerou, e quando a parte cortada tocou o solo, outra árvore viva se ergueu, atacando-a ao mesmo tempo.

Foi cercada.

Todas as árvores lhe atacaram... Nina saltou, Shk-shk-shk-hkkrassh! girou no ar e cortou todos os ataques... mas eram incessantes. Desviava, tentava analisar com mais frieza enquanto continuava fazendo-as se multiplicarem, enquanto continuava fazendo o espaço se diminuir de forma indireta...

Se irritou.

Saltou mais uma vez. O corpo na horizontal em um giro sublime, uma segunda espada de sangue se formando na mão esquerda. Um rastro de magia escura saindo das duas lâminas como uma dança linda e macabra. Sua cabeça baixa, seus olhos fechados, seus dentes quase rangendo quando uma faísca de magia escura queimando saía com raiva na lateral da boca.


Nino fingiu errar. 

Passou um corte sem precisão, dando a entender que escorregou... e Verde não perdoou.

Uma estocada, lançou.

Ploch!

Penetrou a barriga... Shirrrk! e subiu, rasgando todo o corpo, até dividir a cabeça... não era Nino. Do corpo rasgado, uma fumaça surgiu... após Verde ver o sorriso dividido em meio ao rosto sangrando. Surpreendeu-se. Rosto confuso.

Fush!

Nino em uma abertura de pernas no chão, se revelou. Sua espada moldou-se a uma linda foice. Girando-a rapidamente, com o rastro de magia escura rasgando o ar, voltou-a na direção das pernas do Primordial... que conseguiu saltar.

BAAM!

Nino ergueu-se, girando um chute como Anna, acertando-o no meio do peito, afundando seu pé na carcaça centenária. Ossos quebrados, olhar assustado vendo o sobrinho se preparar.

Verde foi lançado.

O dano contínuo foi cessado.

Sua regeneração instantânea lhe curou... e Nino se atrasou.

BUUMM!!

Saltou na direção com a foice, pronto para dividi-lo ao meio, rasgando o coração que bombeava sangue verde, mas Verde girou no ar, voltando uma bola de energia que Nino não conseguiu desviar.

Seu peito foi devastado.

A foice foi solta quando o braço deixou de existir.

BARM!

Nino atingiu o chão com as costas... regenerou-se, mas no instante que conseguiu olhar para Verde, viu mais uma bola de energia vindo... e agora era no meio da sua cara. Centímetros. Pouquíssimos. Sentia o calor daquela coisa. Seus olhos refletiam o reflexo daquilo.

Desviar era impossível... Desviar?

FRASH!

Nina surgiu rasgando o ar... um rastro de chamas escuras queimando da direção que viera. Surgira de costas para Verde. Olhava para a bola de energia quase tocando o narizinho do irmão... Sua mão pousada sobre, Magia escura entrando e corrompendo o branco emaculado daquilo.

Desvie. Adicione. Volte.

Tomou posse.

Finalizou seu giro arremessando a magia intensificada com a sua, BUUMM! no meio do peito do tio... que não esperava algo tão rápido daquela forma. Todas as árvores se curvaram com o impacto — o vento subjugando-as. Um farfalhar forte, barulhento.

Verde foi lançado.

Seu corpo mais dilacerado do que sua magia causou em Nino.

Longe, Sccrrrchh... foi parar, raspando seus sapatos no solo, regenerado, irritado... agora assustado. Ouviu um zumbido. Olhou para o céu e Nina girava uma pirueta descendo como uma psicopata uma marretada no meio da sua cara.

BAAAOOOMM!!

Uma nova reação em cadeia foi lançada, árvores quase foram arrancadas do chão para aprender a voar... O fez de prego, mas Verde conseguiu se proteger antes do impacto. Desesperado, uma lança se formou em suas mãos, usando-a na horizontal, estendendo os braços para cima.

Uma espécie de terremoto.

O chão se afundou em bons metros ao redor do ponto G do impacto. Árvores nessa área caíram para dentro... distraindo-o.... Verde não viu que Nina desaparecera no instante que a marreta lhe atingiu...

BAAAM!

Nina surgira ao seu lado, saindo de uma deslizada no solo, subindo um chute lateral no meio das coxas daquele homem imenso. O golpe na região inferior do corpo fez com que Verde girasse no sentido horário, PAHM! mas com o buraco formado, deixando-o abaixo do nível padrão do solo, Verde colidiu de cara com a quina, fazendo-o continuar o arremesso, agora no sentido anti-horário.

Rsccrrrchh...

Regenerou-se e arrastou-se pelo solo por menos de um segundo, BAAM! quando Nina surgira diante dele, acertando-o um soco no meio do estômago, de baixo para cima, forçando-o a sair com o contato dos pés no chão.

Olhar fixo no seu. Um olhar impiedoso, enquanto ele abria a boca, para gritar com a nova dor recebida... não deu tempo. BACRHM! O corpo se curvou com o primeiro soco, o segundo veio no meio da cara, desfigurando-o por completo... uma tortura premeditada.

Regenerou-se... mas Nina não parou de espancá-lo.

BAM!-BAM!-BAM!

Seu corpo sendo destruído a cada soco, com seus órgãos e ossos se regenerando a cada golpe, sendo levemente levantado pelos impactos. Foram três alternados: esquerda, direita, esquerda... e mais um veio, mas veio com delay.

O corpo do Primordial se regenerou mais uma vez. A lucidez para controlar o próprio corpo voltou, conseguindo olhá-la e mover os braços estendidos, à mercê dos golpes infligidos no estômago... mas os pés não conseguiram tocar o solo, não antes de Nina avançar com o último, pisando no chão com firmeza, carregando aquele soco imbuído de magia escura com todo o ódio acumulado nas profundezas da sua alma na noite passada.

BAAAUUUUMM!!

O corpo do tio foi forçado a se curvar novamente, agora inteiramente sobre o braço... uma cratera se formou sobre os pés dela. O atrito que os tênis geraram causando um terremoto avassalador. Árvores caíram. Árvores foram carbonizadas em chamas escuras imediatamente... Uma nova reação em cadeia foi lançada — todo o bosque, a nova floresta criada queimava em chamas escuras... tudo assumiu o tom roxo e preto, o tom da magia escura, a magia da Linhagem Preta.

Nina não queria mais matá-lo... não tão rápido. Agora se tornou uma mera brincadeira. Um entretenimento. Notara que Verde não era capaz de derrotá-la, ainda mais ao lado do irmão... queria brincar, se divertir, sentir prazer nas custas da dor, do sofrimento daquele ser.

Verde foi lançado.

Aqueles restos rodando nem podiam ser considerados um corpo, mas foi regenerado... BAM! bateu a cabeça em um galho grosso, queimando. O corpo girou, descontrolado... Sccrrrchh... até que assumiu o controle, arrastando-se de pé, novamente, pelo solo... agora devastado, agora dominado pelas chamas escuras.

GRR...! — rugiu furioso.

PLOCH!

O rugido foi trocado para um gemido baixo de dor... sentiu algo atravessar o peito... olhou para baixo, lentamente, com medo... Era um braço: Thum!... Thum!... seu coração batia calmo... no meio da mão do seu adversário. Um aperto levemente forte. Cosquinhas. Aquelas unhas pontiagudas raspavam o órgão.

— Reaja, seu sofrimento me excita. Nos entretenha mais um pouco — Nino rosnou... e o tom usado levou Verde para outro plano... um plano inteiramente escuro. Um quarto inteiramente preto. Um quarto pequeno, mas que era feito de sangue, paredes, teto, não havia porta, só sangue escorrendo de cada lugar.

Diante de si... via Blacko, olhando-o como sempre olhou... de cima, com o rosto empinado, olhar enojado. Roupas simples. Nino quase acertou um cosplay perfeito. Mãos afundadas nos bolsos, quando um sorriso sádico começou a formar-se naquela boca.

Não havia Marcas no pescoço do irmão:

— Sempre soube que você era fraco. Não imaginava que seria mais que o Sol, mas agora, me vejo enganado. Como consegue ser tão patético? — desdenhou, voz arrastada, agressiva.

— Você nos separou, seu desgraçado. Você... Você matou ela, e...

Aaaah... nem começa. Você criou esse lugar antes disso. Não inventa desculpinha, seu merda. Tomaram uma coça pra aquela ladra. Apanhou pra uma criança. Traiu os outros e saiu daquele palácio achando que era alguém. Verde, Verde... Você sabe muito bem que o que eu mais queria era ter matado todos vocês... seus insetos, seus fracos... Mas ela não deixou. Ela os amava... mesmo vocês sendo aberrações, sendo um bando de vermes — rosnava, voz calma, mas agressiva, arrastada na medida do terror.

Verde escutava em silêncio... não conseguia retrucar verdades.

— Você sabe. Você sabe muito bem disso, se não não teria ido atrás da porra daquele livro, junto com a Rosa e o Branco. Se não se importasse com ela. Se não soubesse que ela que mantinha vocês todos vivos, você, covarde como é, um merda como é, nunca teria ido enfrentar aquela garota vestindo o Tesouro de Bruxa da minha irmã. Era suicídio, e mesmo assim você foi. Sabe o mais engraçado, além dela nunca ter pedido por nada disso...? Ela que entregou o livro.

Verde arregalou os olhos em choque.

— Ela que abriu as portas do palácio. Ela que renegou ser uma Bruxa. Ela que passou o poder para aquela menina. E sabe o que é mais engraçado ainda? Aquela criança não matou vocês três também por respeito à minha irmã... mas isso acabou. Sua sorte... acabou. Ela está morta. Não será por minhas mãos, mas serão os meus filhos que vão matar você hoje... seu inseto.

— Eu não vou morrer — respondeu, firme... Blacko sorriu, não aguentou tal resposta barata.

Hihihi... Hihi... AAHAHAHAHA!!

Hihihi... Hihi... AAHAHAHAHA!!

As vozes se alinharam... as risadas se alinharam.

Fora da cabeça de Verde, Nino acabava de provocá-lo, o que o fez iniciar uma gargalhada excitada, e dentro da mente de Verde, Blacko escancarou uma gargalhada... igual. Pai e filho rindo juntos, o mesmo tom, a mesma risada... Rag rasgou o pescoço de Blacko, abrindo seu olho, olhando no fundo dos olhos de Verde, que se assustou e acordou imediatamente.

Aquilo não era um dano, era puramente humilhação indolor.

Irritado, Verde se regenerou rapidamente, Crunch! cortando o braço de Nino com o peito e fazendo-o soltar seu coração. Verde o reabsorveu e girou, desferindo uma cotovelada no rosto do sobrinho, que apenas riu e a segurou.

Todos os golpes desesperados, que Verde tentava dar, Nino bloqueava enquanto ria, sua risada ecoando como a de Blacko. O rosto do irmão substituindo o do filho. Não era mais Nino e Nina, nos olhos de Verde, nos olhos daquele ser com a mente sendo bombardeada com aquela risada nostálgica, os rostos dos dois, o corpo dos dois se alteraram para o de Blacko.

Nino parou de apenas bloquear e, assim como Nina, BAM!-BAM!-BAM! avançou, começou a socá-lo, fazendo o chão tremer a cada impacto, e o corpo a subir, desencostando os pés do solo, ao som dos ossos quebrando.

Após vários golpes risonhos, se divertindo enquanto Verde gemia de dor, em um momento de lucidez do tio, este tentou contra-atacar com um soco direito. Mas Nino segurou o braço com a mão esquerda e, com a direita, encostou a palma no peito do traidor.

BRUUM!

Uma explosão de magia escura arremessou Verde de volta para Nina... Nino ficou com uma parte do braço dele, que se desintegrou em fumaça verde logo em seguida. O Primordial se regenerou rapidamente, virou-se no ar e aterrissou atacando Nina com um soco no meio da cara... uma lâmina verde rasgou a pele, saindo como um disparo... inútil.

CRECK!

Nina segurou o braço, o girou como se não fosse pesado, desviando o golpe, retirando todo o equilíbrio do corpo, o quebrou — Verde em suas costas, sendo girado como um nada — PHAH! e o arremessou contra uma árvore em chamas.

O Primordial bateu de costas, mas não a atravessou. No entanto, Nina apareceu diante dele novamente, antes mesmo que ele tocasse o chão, BAAM!! e o socou no meio da cara, fazendo-o, agora, atravessar aquele tronco.

Não adiantou tentar estender as mãos na direção, a cabeça explodiu, os braços foram como balões... Sccrrrchh... capotou pelo chão, regenerando-se enquanto se erguia. Pena que Nina não queria uma brincadeira sadia.

Verde olhou para frente, seus braços se formando novamente, quando viu um brilho intenso: uma flecha de magia escura vinha em sua direção, rasgando o ar, rugindo como um dragão, o formato de uma serpente viva, querendo sua comida. Desesperado, estendeu as mãos — acabando de se formarem — à frente, com a boca e os olhos arregalados.

BRRRAUUMM!!

Foi como o som de um agudo chicote.

Seus braços mais uma vez desapareceram, e seu corpo se despedaçou, mal parecendo um ser vivo. Sccrrrchh... Rolou várias vezes para trás até que seu corpo, reagindo ao cansaço, se regenerou instantaneamente... Sem tempo... Sem tempo.

Sem estratégia.

Sem ideia.

Sem tempo.

Sem tempo. 

Mal saiu do chão. Mal saiu da sua postura agachada, e Nina deslizava pelo solo, levantando poeira, atrás de si. Em sua frente, era Nino, da mesma forma, com o mesmo sorriso perturbador, o mesmo rosto, o mesmo Blacko. Seu corpo se enchia de medo. Sabia que não havia como vencer Blacko, não com Rag, era injusto.

Medroso.

Covarde. 

Criou uma lança e lançou-a em um ataque a Nino... que desviou jogando o rosto para o lado, vendo-a passar quase rasgando a pele. O olhar cravado em Verde, não piscava, só sorria... aquele olhar, aquela raiva. Verde vira por um segundo quando Blacko uma vez tentou matar Sol ainda criança... BAAM! mas quando levou um murro de Nino no meio da cara, sua memória foi deixada no passado, e este ficou no presente, sendo espancado por trás e pela frente, sem parar, pelos gêmeos.

B-BAM!-BAM!-BAM!

No meio dos dois, nem a boca aberta em agonia conseguia se fechar. O corpo sendo amassado, o sangue tentando regenerar-se sempre que um mísero intervalo dos golpes acontecia. Rosto quase voltado ao céu. Sangue saindo da boca como uma torneirinha mal fechada. Olhos brancos, cadê suas íris verdes?

Precisava sair.

Precisava sair e tentou com tudo.

CRRRNMMN!

Usou raízes reforçadas com seu sangue sob seus pés, transformando-as em lâminas grossas, mas afiadas, onde criou uma torre, impulsionando-o ao céu rapidamente... C-CRASH! assim que iniciou o plano de fuga, os gêmeos ao mesmo tempo jogaram as mãos para trás, criando uma espada de sangue, golpeando logo em seguida a base da torre... inútil.

O sangue das espadas foi inferior ao sangue que Verde reforçou, ao se adaptar quando Nino superou seu sangue no início de tudo.

"Mesma magia da lança." pensou Nina, observando sua espada se estilhaçar inteira, naquele pequeno segundo com tudo lento, lembrando-se que sua marreta também não fora capaz de quebrar a defesa quando atacara Verde.

Do alto da torre, o Primordial olhou para baixo, ainda subindo e subindo, aproveitando para regenerar-se o máximo que conseguia com o cansaço acumulado. Com sua bela visão da floresta queimando, mas não carbonizando além das árvores vivas, viu-os com aquele sorriso... mas o menino? Aproximava as mãos.

CLAP!

Nino, junto de Nina, se teletransportou para o céu... Verde se assustou quando ambos sumiram, e instintivamente olhou para cima. O que viu? BA-BAMM! Os dois irmãos descendo um chute de calcanhar no meio da beiça. Lançando-o para o chão.

BUM!

Desesperado, tentou se levantar e correr, mas o som de outro CLAP!... ecoou.

Nino aparecera na frente dele; Verde tentou desferir um soco com uma lâmina entre os dedos, mas o sobrinho desviou com facilidade e segurou o braço. O tio tentou chutá-lo lateralmente, mas Nino, enquanto o segurava, desviou do chute passando por baixo dele, esgueirando-se como uma serpente. Sem equilíbrio, Verde estava prestes a cair quando Nino girou seu corpo, lhe gerando impulso, e o arremessou na direção de Nina, que havia criado duas lâminas de pedra no caminho.

Cr-runch!

O Primordial passou por elas, perdendo ambos os braços, parte do torso e uma perna. Com o principal ainda no ar, Ploch! Nina criou uma terceira lâmina que ergueu-se penetrando por baixo e travando o corpo como carne em um espetinho — a lâmina sendo visível dentro da boca arreganhada daquele ser incapaz de se regenerar com o contínuo dano acontecendo.

BAAM!

Nina surgiu à sua frente, Vul-Vul! dois giros perfeitos com sua marreta gigantesca, antes de acertá-lo em cheio, como uma mísera bolinha de golfe. O corpo, tentando se regenerar, agora sem o dano contínuo no ar, ia na direção de Nino, que criou uma espada e o esperou, se movendo e agindo como um rebatedor de baseball.

Shkrruuunch! 

Nino recebeu-o com um movimento perfeito. Cortou-o ao meio, da cabeça aos pés, fatiando-o em dois, destruindo seu coração com maestria... Nos últimos momentos dentro da mente de Verde... Blacko ria.

Os restos do Primordial começaram a se desfazer em fumaça verde... Nina parou o "incêndio" das árvores comuns, mas as vivas, agora carbonizadas, sozinhas, se desfizeram da mesma forma que seu criador... a escola, foi enfraquecida. Morreu. Sem sustento. Sem força. Poderia cair a qualquer momento, soterrando todos os demônios.

Nino ergueu a palma, olhando-a — seus dedos curvados, o poder da Linhagem Verde sendo roubado. A Posse fazendo seu trabalho. Nino respirou, algumas veias rapidamente surgiram e sumiram, ao som do seu murmúrio:

— Vamos usar o seu poder melhor do que você, inseto.

Nina surgiu ao lado do irmão instantes depois. Olharam-se... um pequeno sorriso. Felizes por estarem unidos novamente.

Tap!

Deram um soquinho de mão.

Apoie a Novel Mania

Chega de anúncios irritantes, agora a Novel Mania será mantida exclusivamente pelos leitores, ou seja, sem anúncios ou assinaturas pagas. Para continuarmos online e sem interrupções, precisamos do seu apoio! Sua contribuição nos ajuda a manter a qualidade e incentivar a equipe a continuar trazendos mais conteúdos.

Novas traduções

Novels originais

Experiência sem anúncios

Doar agora