Volume 2 – Arco 5
Capítulo 163: Barulhos
Tudo estranho.
Nenhuma abertura.
Saía de sala e desaparecia.
Seu sorriso.
Sua vida.
Se apagava.
A cada dia.
Rose.
Rose.
Fora poupada por alguns dias. Jaan indiretamente ajudou-a. Mas ainda era uma prisioneira dentro do próprio corpo. Semanas sentindo os olhos do pai em si. As paredes escutando cada palavra que falara em suas aulas. Nina continuava tentando entender, mas sentia um misto de "tome cuidado e me ajuda".
O olhar, o cabelo, a pele, o cheiro, cada vez mostrava-se mais descuidada com sua saúde. Os olhos antes marrons com tons de verde, pareciam cinzas, sem vida... mas só Nina via? Perguntava Jaan, perguntava Clarah, perguntava Minty... ninguém via nada estranho.
Somente ela.
No vigésimo terceiro dia desde que chegara a esse mundo, durante o primeiro intervalo, Nina ignorou o "não chame atenção" de Minty e sumiu de sala. Assim que Rose saiu, a Primordial a seguiu de longe, tentando se esquivar de qualquer aluno no meio do caminho.
Rose foi até uma das portas guardadas pelos subordinados do Primordial. A porta que descia até onde os escravos eram presos. Lá, viu-a entrando sem dizer nada. Os guardas desceram as lanças e abriram caminho com os escudos, para que a mulher passasse.
Observava tudo de canto de rosto, em uma esquina distante para não correr riscos, mas...
— O que voc... — Se assustou ao escutar uma voz e empurrou a fonte dela na parede, tampando a boca com brutalidade na curva do corredor.
Quando percebeu que era Minty, puxou-o pelo braço até a biblioteca, que estava vazia.
Ao chegarem lá, o soltou, deixando-o confuso.
— O que você tava fazendo? E POR QUE ME PUXOU ATÉ AQUI?!
— Para de gritar! — ordenou irritada.
— Desculpa. — Abaixou a cabeça, obediente.
— Faz semanas que a professora está agindo de forma estranha, mas vocês ficam me colocando como louca.
— Eu ainda acho que ela tá normal.
— Quantos dedos tem aqui? — Nina mostrou a palma direita com os dedos abertos, ligeiramente afastados.
— Cinco. Pra que isso?
— Errou, são seis. — Virou a mão e havia um dedo a mais atrás. Seu olhar entediado, olhando-o. Minty olhava-a da mesma forma.
— Isso não vale.
— Tá, tá. O que importa é que ela entrou naquela porta. Só essa e aquela porta perto da sala que fui matriculada tem guardas. Não acha estranho? Eu tava longe, você viu. Quando aquela porta abriu, eu escutei barulhos estranhos saindo de lá.
— Eu não escutei nada.
Nina o olhou meio irritada.
— Você tá comigo ou contra, caralho? Quer me ajudar ou a porra do Esquisitão Verde?
— V-você, óbvio — gaguejou vendo-a irritada, aquele olhar quase de rejeição.
Continuou encarando-o.
— Qu-que tipos de barulhos?
Desviou o olhar, balançando a cabeça.
— Senti prazer de forma involuntária. Parecia um gemido de dor, algo como tortura. — Arregalou os olhos ao ter uma ideia — ESPERA!
— Hum?
"Detecção... Atômica!" Como na primeira vez falou as palavras separadamente, fizera da mesma forma, exclamando em seus pensamentos... Quase conseguiu detectar onde encontrava-se cada demônio na escola devido ao seu tamanho exuberante, mas não conseguiu ver nada abaixo dela, abaixo do chão de seus pés, especialmente atrás da porta. — Não consegui ver nada — murmurou frustrada.
— Garota, você usou algum pó mágico? — provocou.
— Não, idiota. Tem algo bloqueando minha detecção; eu não consigo saber o que tem atrás daquela porta.
— Eu sei que o diretor é estranho, mas acho que você tá maluca.
— Haaarrfff... — bufou... extremamente irritada, olhos fechados antes de abri-los mostrando a agressividade do inferno roxo dentro dos mesmos: — Fale mais alguma coisa que não seja referente a "vou ajudar você, Nina. Vamos descobrir o que é esses barulhos", e eu mato você.
Minty ficou sério, meio receoso, o tom era doloroso, ameaçador, imponente. Colocava dentro dele uma responsabilidade de ajoelhar-se e obedecer o que estava sendo cobrado, falado, ordenado. Era seu papel servir. Nina que permitiu que fizesse papel de "amigo", mas na hierarquia do sangue, era "sim, senhora", "não, senhora".
— Não ache que somos amigos. Você só tá vivo ainda porque preciso de você, mais nada que isso. Se a porra do seu plano falhar, eu mato o Verde e depois que eu encontrar o meu irmão, eu mato você. Mas se calar a porra da boca e colocar-se no seu lugar de merda e me obedecer, eu o permito viver depois que eu resolver minhas pendências com o filha da puta com a porra da cara do meu pai caminhando por esses corredores patéticos.
— O-o que você precisa? — abaixou a cabeça quase em lacrimejo da dor que aquelas palavras lhe causaram.
— Não temos muito tempo, o torneio tá logo aí. Amanhã, vou seguir a professora o dia todo. Enquanto eu faço isso, quero que você observe quem entra e sai daquela sala, principalmente a troca de guardas. Não é possível que sejam os mesmos 24 horas por dia.
— Um dia tem 24 horas?
Nina o olhou com desdém, querendo quebrar a cara dele.
— ...Tá. Como desejar.
No dia seguinte Nina colocou sua ideia formalizada de noite em prática. Colocou Minty no telhado da escola, em um ponto que conseguia vê-la com clareza. O problema era ficar o dia inteiro deitado, sem comida ou água, olhando de tempos em tempos na direção para não ser visto naquele ponto.
Dentro de sala, Jaan e Clarah estranharam, Nina fingiu o mesmo sentimento e continuou com seu plano. Chegou o primeiro horário. Seguiu-a e Rose entrou na mesma sala com guardas. Acabou o horário, estranhou, Rose não saiu, mas quando voltou para sala, lá estava ela.
"Voltou pela outra porta? Dão no mesmo lugar?" pensou, sentou-se, observou, analisou e, Ding... Dong... o segundo horário apitou. Rose saíra de sala, Nina seguiu. Rose entrou novamente na mesma sala guardada, e nunca mais saiu.
Ding... Dong...
Voltou para sala, entrou e Rose lhe olhava, com um sorriso... com mais um pedido de ajuda.
"O que tá acontecendo com você?"
— Onde você tava?
Minty entrou no quarto depois de Nina lhe retirar do telhado. Ainda não haviam trocado as informações, não queria fazer isso de noite, pareceria estranho. Voltou para o quarto bem depois que Jaan havia passado pelas cláusulas do contrato. Varado de fome, comeu algo antes.
— Eu... eu. Eu tava ajudando a Nina — revelou.
— ...Posso saber como? — Jaan mostrava-se para baixo, tom triste.
— O negócio da professora. Ela acha que Rose está estranha, e ficou irritada que não concordamos com ela.
— Ah... vai ajudá-la amanhã, com o que for que seja isso?
— Não. Amanhã não. Era só hoje. Vou na aula normalmente.
— Entendi... — Balançou a cabeça em concordância, bem lento, parecia desapontado com algo. — Boa noite, então. — Deitou-se e se cobriu de costas para o amigo.
— Eeh, Jaan... — chamou-o sem conseguir olhá-lo.
Jaan ergueu-se e o olhou.
— Desculpa por ontem, desculpa de novo. E-e-eu não sabia o que dizer, de novo... de novo. Mas, sei lá. Eu saí da cama de novo, eu, eu fiquei calado. Desculpa, tá? Isso tá me torturando, é muito estranho. Não é preconceito com você gostar disso e tal, é só... é... é só que eu, eu não sei. Eu queria conseguir conversar mais sobre isso, mas me sinto desconfortável, sei lá. Desculpa. Desculpa mesmo. Foi muito bom, de novo, foi gostoso, mas não sei como é pra você isso, então me sinto esquisito de olhar para você depois que fazemos — tentou dizer como se sentia, mas se embolou inteiro, não conseguia formular algo certeiro, só rodava e rodava tentando não parecer um otário.
— Tranquilo. Relaxa. Eu não ligo pra isso. Foi bom... Eu tô aqui, sempre estou aqui. Se quiser conversar sobre isso. Entender isso que pode estar sentindo. É só perguntar, tá? Às vezes você só não quer se aceitar... Vou dormir, tô meio cansado. A aula foi bem prática, usei bastante magia, tô quebrado, saca?
— Tá bom, boa noite — desejou com um pequeno sorriso.
...Não imaginou isso.
Pensou que Minty iria perguntar, se interessar, tentar entender o que era que o amigo sentia e o que o mesmo poderia estar começando a ser. Jaan acreditava que no fundo Minty poderia começar a gostar dele da mesma forma que ele gostava de Minty. Conversar sobre gostar de garotos, seria mágico conseguir fazê-lo gostar de si...
— ...Boa noite — respondeu meio frustrado, novamente criou expectativas, e mais uma vez a frustração revelou-se imponente. Deitou-se. Olhar perdido, fechou, trancou-o dentro das pálpebras, forçou-o a se encontrar de novo no mar de dor e dúvidas que sentia diariamente.
Ding... Dong...
No primeiro intervalo do dia seguinte, Nina encontrou-se com Minty, na biblioteca.
Noite passada, Nina procurou por livros, e encontrou um que o próprio Primordial escrevera. Era contando como fizera a escola, como foi projetada, como cada cômodo, sala, escritório, móvel era... Egocêntrico. Queria mostrar sua criação, receber elogios pelo que fizera.
Não estavam sozinhos naquele lugar.
Minty pegou um segundo livro aleatório e seguiu Nina mais para os fundos, escondendo-se entre duas altas prateleiras de livros, no chão, sentados e conversando em tom baixo:
— Olhei toda a biblioteca, e a única planta da construção da escola, é essa. Mostra com detalhes cada coisa, pinturas de cada sala, cada móvel ou objeto que temos aqui. Tudo perfeitinho, mas nada mostra as portas, nada mostra o que pode ter atrás delas — comentava e passava algumas páginas, mostrando além das pinturas de como era tudo, uma planta direta, bem crua, de cada parte da escola.
— Isso realmente é estranho... Quanto à porta, a professora entra lá todos os intervalos, mas nunca sai. Entra e quando o outro intervalo toca, volta pelo corredor. Nunca sai por lá. Só ela entra durante as aulas.
Nina olhou para a planta, enquanto Minty continuava:
— Depois do último sino, o diretor demora cerca de uma hora para ir até lá e entrar. Só que, no último sino, os guardas trocam cerca de vinte, trinta minutos depois dele, gerando um intervalo pequeno, cerca de cinco minutos até os novos guardas chegarem. Simplesmente saem e os outros chegam depois, deixando a porta desprotegida. Só que... Nina, ele olhou para mim.
— Como assim?
— Quando eu olhei para ele de costas entrando, ele virou o corpo. Eu me escondi, não sei se me viu, mas ele é estranho. Sinto que está brincando com você.
— Acha que ele sabe quem sou eu?
— ...Não... Quer dizer... Talvez?
— Você contou para alguém?
— ...Sim — não conseguiu mentir.
— Para quem?
— ...Pro Jaan.
Nina mostrou-se furiosa.
— V...
— E-e-eu confio nele, tá legal? Eu confio. Você pode me matar se der errado, mas eu confio nele. Ele é o meu melhor amigo e eu confio minha vida à ele. Eu confio plenamente que ele não contaria nada pro diretor. Acredite em mim, por favor — clamou desesperado, visivelmente preocupado, suado com o sangue esquentando de receio e levemente pavor. As íris dela brilhavam no pouco escuro daquele lugar meio apertado. Pareciam almas gritando, gritando que em pouco tempo o mesmo estaria em meio a elas.
Nina desviou o rosto, enquanto balançava a cabeça em negação.
— Foi só impressão sua. Se fosse eu, se eu sentisse alguém me olhando escondido da mesma forma que você estava, o mataria sem pensar duas vezes. Não acho que o Verde faria diferente. Ou talvez o que ele sentiu foi tão fraco que nem deu a mínima.
— ...Doeu.
— Era pra doer, seu merda — rosnou.
— Desculpa.
— Harrff... Vou entrar lá nesse meio-tempo que você disse.
Minty arregalou os olhos, era explícito o pânico que sentiu:
— V-v-v-você tem certeza?! — Parecia um disco arranhado.
— É a maneira mais fácil. Vou usar a aparência dele, entrar com os guardas antigos, dessa forma conseguindo mais tempo lá dentro, e sair no meio-tempo dos próximos guardas chegando, para que não percebam que o Primordial saiu e voltou em seguida.
— Po-po-po-poo-por favor, tenha cuidado — gaguejou tudo.
Nina não aguentou e caiu em gargalhada. Aquela expressão de preocupação, medo, pânico, foi demais para ela. Segurou a barriga, caindo um pouco para trás, quase chorando de rir... Do outro lado, Minty a observou, admirando sua beleza. Seus olhos se fixaram nas coxas da Imperatriz, que estavam destacadas pela meia-calça marrom-escuro, o que despertou uma excitação que ele rapidamente tentou reprimir.
— Tá preocupado, é? Se ele me ver, eu o mato. Sei que venço — ponderou com confiança no rosto.
— ...Tá bom.
Ding... Dong...
Chegou o momento.
Seguiu Rose.
Viu-a entrar.
Aguardou os corredores ficarem vazios com os alunos voltando para os dormitórios e assumiu a aparência do tio. Perfeitamente igual. Só não sabia como era a voz, e isso era um problema... não podia abrir a boca.
Caminhou até a porta... e os guardas simplesmente saíram da frente, abrindo-a para seu mestre.
Não era um cômodo como Nina imaginou ser, era uma escada horripilante, suja. Não era como o restante da escola, e isso deixou-a meio atordoada, enquanto começava a descer. Os guardas fecharam a porta atrás de si, e agora o que iluminava tudo era as tochas no final da escadaria sendo observada pelas paredes de pedras cheias de musgos, naquele ambiente úmido e sombrio.
Não sentia medo, descia só com curiosidade.
Poc!... Poc!...
Gotas caíam sobre as pedras. Sons mórbidos, arrepiantes.
O ar era estranho, sufocante.
Chegou nos últimos.
Sua visão era direta para maquinários de torturas, macas, mesas, algumas lâminas enferrujadas. Desceu mais... no último, deparou-se com uma cela à sua esquerda... Seus olhos se arregalaram, quando viu-a cheia de crianças e mulheres sentadas no chão úmido, tentando economizar energia.
Mulheres e crianças feridas, mutiladas, com cortes profundos, outros mais leves e outras com membros faltando. Corpos de mortos empilhados no canto da cela, úmidos igualmente a todo o lugar, exalando o terrível odor de carne podre — devorada por larvas, que muitas vezes era a única coisa que eles tinham para comer ali.
Quando as mulheres viram Nina se aproximando espantada, rapidamente colocaram suas crianças atrás de si, numa tentativa desesperada de protegê-las. Ergueram-se, frágeis, famintas, fracas, mas ainda se colocaram na frente de seus filhos com muita garra.
Assim como Nino, Nina não se importava tanto.
Nino mudou o pensamento, se importar com Anna o fez mudar... Nina ainda não havia se misturado, muito menos trocado um papo para entender como estavam funcionando as coisas. Era mais cabeça que ele, não tinha o mesmo ódio, sentia, mas se controlava, mas uma coisa os dois tinham em comum...
Saudade, vontade, vontade de ter o pai, a mãe. Blacko... Alice.
Quando viam uma criança sendo negligenciada, sentiam muita raiva... muita.
Era imediato, se colocavam no lugar da criança sofrendo, independente de sua raça... e quando as crianças assustadas, machucadas, começaram a chorar... Nina travou, mas em meio ao choro, uma mulher soltou um murmúrio trêmulo:
— Por favor... Não me importo com o que faça ao meu corpo, mas não toque no meu filho, senhor. Por favor, poupe-o, eu só tenho ele meu senhor, por favor... — A mulher abaixou a cabeça, começando a chorar, tremendo de fraqueza.
Gritos vieram de trás de Nina. Virou-se e viu outra cela, desta vez cheia de homens feridos. Estes não se importavam com suas próprias vidas, apenas gritavam, implorando para que Verde não machucasse suas famílias:
— COVARDE! SEU DESGRAÇADO!
— Não diga isso, ele vai torturá-lo — murmurou.
Um homem que já não tinha mais nada, tentou convencer outro, que ainda tinha algo a perder:
— Antes eu do que meu filho — respondeu-o, bem alterado.
Nina desfez a aparência de Verde, voltando à sua forma original, usando agora uma blusa comprida e short pretos, revelando sua Marca, mostrando seu cabelo, mostrando quem era.
— E-eu vou tirar vocês daqui! Eu prometo! Por favor, aguentem mais um pouco, vou encontrar um jeito — prometeu, e era misto. Olhava para as mães e filhos, não para os homens. Só se importava de verdade com as crianças, queria elas seguras, somente isso.
Dor... sofrimento... tortura... era música, mas não vindo daqueles cabeçudinhos sem esperança de vida.
— Ela... ela é o Primordial Preto?!
Crrrriiisssh.
Um som estranho invadiu seus ouvidos.
Arrepiou seu sangue.
Roubou sua atenção e Nina virou-se na direção.
Era uma porta entreaberta.
Caminhou, enquanto escutava as lamentações dos escravos, sem saber se ela era uma boa pessoa ou apenas mais um monstro para usá-los como brinquedos.
Entrou.
Dava para um cômodo vazio com outra porta entreaberta em sua frente, e à direita, um acesso a outra escadaria.
Caminhou... lentamente.
Chegou à porta e entrou, vendo aquele lugar destruído.
O quarto, agora, não tinha apenas algumas centenas de arranhões nas paredes; agora eram milhares, incontáveis riscos, acompanhados de manchas de sangue rosa. Toda a destruição se intensificou. O cheiro, o odor piorou.
A sujeira e a escuridão do ambiente eram predominantes.
Nina, horrorizada, continuou olhando... parecia um recinto de um monstro.
Crrrriiisssh.
Nesse momento, olhou para a esquerda e viu, no cantinho do quarto, sua professora parada, de pé, olhando fixamente para a parede enquanto arranhava-a de tempos em tempos.
A observou de costas; seus olhos se arregalaram.
Não era Rose, não a da sala.
— P-professora?
— Eu ouvi, Nina... E-eu já sabia... mas agora tenho certeza, eu sei que você é o Primordial Preto. — Rose se virou na direção de Nina, que se encontrava devastada, olhando-a sem entender nada. — Nina... Por favor. Mate meu pai!
— ...Verde... Verde é seu pai? — O ódio começou a dominar o corpo da Herdeira.
Suas veias pulsavam, mesmo que seu rosto mostrasse apenas choque.
Rose começou a se mover de forma estranha, como se o sistema nervoso se dobrasse involuntariamente. Dando ordens de movimentos aleatórios, sem controle. Rose não controlava-o mais.
— Mate meu pai, Nina... M-m-marrararrte. Errrr de-depois, me mate — sua boca parou de funcionar por um momento, palavras arrastadas, feição travada em um sorriso esquisito, olhar devastado.
— O que ele fez?! — rosnou... o sangue fervendo, o olhar tremendo de raiva, o brilho macabro que Rose via como salvação.
Rose travou, o pescoço jogou-se para o lado em um tique extremamente rápido. A voz voltou, o sorriso se mantinha e o olhar não saía:
— Eu não controlo mais meu corpo, Nina. Ele nunca me pertenceu. Ele está me controlando, e eu nem sei se existe uma forma de sair desse controle. — começou a chorar enquanto sorria, o ápice do extremo de cada uma das emoções. — Por favor, Nina. Faça o que es... — Phart-Phart-Phart! um tique sinistro, virou-se do nada e começou a bater a cabeça na parede.
Nina foi até ela.
— PROFESSORA, PROFESSORA! — gritou, enquanto tentava segurar o corpo dela se debatendo com fervor.
— SAIA DAQUI! — começou a tremer violentamente, se machucando ainda mais. — ELE TÁ VINDO, NINA, FUJA DAQUI, AGORA! — gritava, sangue escorrendo do machucado que abrira na testa, forçando ao máximo seu corpo, para conseguir empurrá-la. Nina obedeceu e correu até a escada que descera, mudando sua aparência para a de Verde em meio aos degraus.
Quando saiu pela porta, os guardas já haviam saído e os novos ainda não haviam chegado.
Ao virar no primeiro corredor, não havia mais ninguém por perto. Nina desfez a aparência de Verde, voltando ao seu disfarce com cabelos verdes. Ao entrar no segundo corredor, tentando sair de lá, deparou-se com Verde à sua frente.
Travou e forçou um sorriso imediatamente, contendo todo o ódio do seu sangue querendo fazer um mar de sangue Verde.
Queria matá-lo ali mesmo, mas não conseguia deixar de pensar no depois:
"Como salvaria os escravos?" "Pra onde os levaria?" sua cabeça se encheu de dúvidas, misturadas ao ódio pelo Primordial... que sorriu de forma estranha ao vê-la, e ainda decidiu conversar um pouco:
— Você é a garota que se inscreveu no torneio, não é?
— Sim, sou eu. — A voz dele despertava um desejo de torturá-lo, uma excitação de querer escutá-lo gritar, implorar para ser morto logo, mas a Primordial controlou suas emoções ao máximo.
— Se você conseguir ganhar — Verde se aproximou dela e inclinou-se bastante, equiparando as alturas, para falar próximo aos seus ouvidos: — eu vou te dar uma surpresa bem especial. — Rindo, voltou o corpo e continuou andando, seguindo até seu próximo endereço.
Nina acelerou o passo, não conseguia mais olhar para a natureza do ambiente, não queria mais respirar aquele ar, não conseguia mais olhar e ver mato, ver flor, ver tronco, ver o ambiente "artificial" criado pelo tio.
Correu e saiu da escola o mais rápido possível.
Minty a esperava desde que ela entrou... mas não conseguiu segui-la.
Nina desaparecera, e o que restou foi usar a cabeça.
Correu até a porta de entrada, entreaberta se encontrava e Minty passou.
Nina se afastou bastante, mas Minty sentia o ódio que aquela menina sentia ao vento. Olhou à esquerda, bem distante em meio às árvores de um bosque, Nina se revelava, sentada no chão, costas apoiadas em uma pequena árvore.
Correu até lá, o ar ficando mais pesado a cada centímetro, o som que ela produzia, o ódio dominando-a por completo.
A Marca se revelou, seus cabelos e roupas voltaram a ser pretos; Rag abriu seu olho sobre a Marca, e veias em seus braços e rosto começaram a ficar extremamente visíveis. RRrrRRRaarrhhg... Rangia os dentes como um animal, agora olhando para suas mãos abertas, garras sinistras.
Suas unhas cresceram, fio de navalha, enquanto seus dedos rígidos se curvavam sozinhos.
A alguns metros ao redor dela... tudo morreu.
Todas as plantas, a árvore, tudo ficou seco, tudo murchou e começou a queimar em chamas escuras.
— AAAHHRRrrRRRRRAArr...
Nina deu um grito interno tão forte tentando descarregar seu ódio, que começou a escorrer sangue de sua boca. Dentes rangendo, não era um sorriso, rugidos grotescos, Rag tentava sair para resolver o problema, mas Nina não queria resolver isso agora.
Minty chegou e a viu. Observando-a enquanto as chamas roxas que consumiram a vegetação morta sumiam lentamente, ele, apesar do receio e do medo, engoliu seco e abriu a boca:
— Desculpa, e-e-ele veio mais rápido hoje, eu juro — murmurou quase em choro, vê-la naquela situação doía, e não era apenas pela pressão que o ar estava exercendo sobre seu corpo frágil.
...Nenhuma resposta.
— Nina... O que foi que você viu? — tremeu a voz, seu olhar cada vez mais pesado, cada vez mais difícil olhá-la naquele estado.
Ainda alterada, colocou a mão com os dedos dobrados próximo ao nariz. Seus olhos estavam arregalados, com a pupila minúscula, fixos à frente, perdida em pensamentos assassinos, torturosos.
Minty, sem ter uma resposta, decidiu deixá-la em paz. Nina, fazendo o máximo para se controlar, fez o olho desaparecer, deixando apenas sua Marca no lugar. De canto viu Minty se afastar... não permitiu. O respondeu:
— A professora e várias crianças estão sendo abusadas e torturadas lá embaixo — rosnou.
Minty arregalou os olhos, assustado, e voltou-se para trás.
— O quê?
— Há várias ferramentas de tortura e pilhas de cadáveres de humanos e crianças. Precisamos tirá-los de lá — rosnava, sua voz mais grossa, quase de outro ser.
— O Torneio é amanhã. Podemos usar isso de distração e tentar tirá-los de lá! — cogitou com ânimo, tentando ser útil, tentando ajudá-la.
— E DE QUE ADIANTA, PORRA?! DE QUE ADIANTA?! — O olho reapareceu. — VAMOS LEVÁ-LOS PRA ONDE?! RESPONDE, SEU IMBECIL! — Nina colocou as mãos na cabeça, Phahrscrrrrechh! e começou a se bater enquanto cortava sua carne com as unhas.
Seu sangue caía em suas pernas e voltava para seu corpo, se regenerando.
Phahrscrrrrechh!
— ONDE, ONDE!? PENSA, PORRA! PENSA! — repetiu várias vezes histericamente, tentando controlar sua raiva.
Scrrrrechh!
— ...Desculpa.
Sua Marca reprimiu Rag novamente.
— M-me desculpa... Me deixe sozinha. Preciso pensar com calma. — Ao ver que não era mais ela. Ao ver que o tratara tão mal por nada, sentiu as desculpas com força, e conseguiu assim, voltar do estado de raiva, controlando seus sentimentos ao extremo como sempre fizera.
Sua cabeça caiu para frente, ficando assim, queixo tocando o peitoral. Garras voltaram a ser unhas levemente afiadas, mas normais. No chão, as mãos, como um boneco de pano, ficaram posicionadas. Sentada de costas para a árvore morta, permanecera em silêncio.
Minty a obedeceu.
Fora embora. Fechou a porta, e seguiu para o quarto.
Passou-se algumas horas, a madrugada querendo roubar o posto da noite.
Clarah abraçava um travesseiro muito preocupada por Nina ainda não ter chegado.
Olhando para a cama dela vazia, cansou, levantou-se e saiu para procurá-la.
Andou por quase toda a escola sem encontrá-la, procurou no banheiro e também não a achou. Nenhuma alma passeando pelos corredores. Somente ela, no escuro, para também não chamar atenção de ninguém.
Toc-toc... toc!
Só restava um lugar: o dormitório masculino.
Na porta de Minty... bateu, e não demorou muito para vê-la se abrir.
Ainda com semblante de sono, sem camisa, só com calça e bastante suado, Minty apareceu.
— Voc...
Ph... lançou a mão esquerda no rosto dela, tampando a boca sem machucá-la, Paf... a arremessou de costas contra a parede, encostando-a com cuidado, mas com pressa. Seu corpo quase em cima dela, Clarah olhando para cima com os olhos arregalados, sentindo-se domada, enquanto com a outra mão, Minty fechava a porta, olhando também na direção da mesma.
O joelho quase tocando suas partes. Sua visão privilegiada do peitoral molhado, exalando o cheiro do homem que tinha toda sua atenção.
— Jaan não pode saber! — cochichou com alarme, e logo continuou: — Nina não tá no quarto?
— N-não.... A última vez que a vi foi depois das aulas — cochichou, depois que o mesmo liberou sua boca.
— Tá, vamos.
Minty segurou o pulso dela e a puxou para fora da escola, levando-a até o bosque que Nina se enfiou. Clarah sentiu-se animada, mesmo sendo só um segurar de pulso, sentia-se importante, querida.
— Clarah, eu confio muito em você, então vou te contar. Por favor, não conte pra ninguém... A Nina é a...
— Primordial Preto.
Com um rosto estranho e confuso, Minty olhava para ela.
— Ela te disse?
— Sim.
Piscou duas vezes.
— Ah.
— ...
— ...
— Cadê ela?
— É mais pra frente. — Continuaram andando, mas em um ritmo mais lento, enquanto continuava a explicar: — É que... ela não tá bem. Entrou em uma daquelas portas com guardas e descobriu que há crianças sendo torturadas e violadas embaixo da escola. Pilhas de humanos mortos, e a professora Rose também sofre.
Clarah ficou sem reação. Espantada.
— Isso é uma brincadeira?
— Não. Foi o que ela me disse. Isso deixou ela muito estressada, e precisou vir pra cá respirar, digamos assim — respondeu e parou de andar, chegando no local, embora olhasse para a amiga.
— Entendi... mas cadê ela?
— Ali — virou-se, apontando... mas nem o mato morto se encontrava mais lá.
Com as aulas de Rose, mesmo que Nina não tivesse prestado atenção alguma em nada, o sangue absorveu tudo, e com o que escutara, conseguiu replicar magia da natureza, embora infinitas vezes mais fraca que a do Primordial. Ao menos voltou a vida às plantas que matou, retirando as "provas do crime" de tentar incendiar um bosque.
— Quê...? On...
Nina surgiu em pé, no meio dos dois e ambos se assustaram, dando um pulo para o lado.
— Desculpa por deixar você preocupada, Clarah... Vamos pra cama — murmurou e saiu andando normalmente, embora de uma forma quase fantasmagórica. A roupa preta junto do cabelo voltaram ao disfarce.
Observaram-na assustados.
Se entreolharam e soltaram um pequeno risinho concordando com a cabeça.
Seguiu Nina para o quarto e Minty tomou o sentido contrário.
Chegou.
Entrou no quarto.
Luzes baixas, o fogo queimando bem tímido.
Deitou-se.
— Nina vai salv...
— Chega.
— ...O quê?
Em meio aos cobertores em sua própria cama, Jaan ergueu-se um pouco. Sem roupas. Suado. Olhava-o no tempo que falava, mas ao ser interrompido, ficou sem reação, vendo-o do outro lado, mais uma vez sem conseguir olhá-lo, virado para a parede, enquanto falava coisas que não queria ouvir:
— Chega... Apenas chega. Ela quase nos pegou. Ela poderia ter entrado como já fez várias vezes, ao invés de bater. Chega. Cara, apenas chega. Eu quero meu amigo de volta. Não me importo se você gosta de homens ou de mim, apenas quero o Jaan de volta.
— ...
— Fazer sexo com você pensando nela está me enojando. Não estou falando de você. Não estou dizendo que não é bom. Mas sinto como se estivesse desrespeitando-a. Ela deveria ser a pessoa a quem eu mais devo obediência e respeito. Ela é a Imperatriz da minha Linhagem. Não quero olhar para ela e me sentir sujo por fazer isso. Não quero mais olhar para ela com desejo, Jaan. Nossas relações estão destruindo minha mente — murmurava em tom perfeito para que o amigo escutasse claramente sua oratória.
— ...
— Por favor, apenas esqueça tudo e volte a ser o meu amigo. Já é difícil olhar pra Clarah e tentar fingir que não sei de nada. Já é difícil ver que ela me olha como eu olho pra Nina. Já é difícil sentir medo dela se declarar e eu acabar quebrando o coração dela. Não quero deixar de ser amigo de vocês, mas me dói perceber que tudo pode simplesmente acabar do nada, principalmente porque eu seria o culpado de tudo.
Jaan ficou cabisbaixo... longos segundos em silêncio. Pff... o som de seu corpo voltando a se deitar ecoou pelo quarto. Não era o que queria, mas engoliu a nova frustração, tentando ser o que Minty queria. Respondeu quase em sussurro:
— ...Tudo bem. Desculpa. Não vou mais fazer ou dizer nada em relação a isso.
Jaan se virou na cama, agora também olhava para a parede.
— ...Sim. Não sei se ela vai salvar esses humanos amanhã. Mas amanhã é o dia... Amanhã é o dia em que a Primordial Preto vai matar o Primordial Verde.
Jaan abriu um leve sorriso tímido.
— ...Se precisar de mim para ajudar, como sempre, pode contar comigo.
Minty não estava com um rosto muito agradável, mas respondeu ao seu melhor amigo:
— Pode deixar.
Nina chegou em seu quarto e se deitou na cama.
Segundos depois, Clarah entrou no quarto. Olhando para Nina, vendo-a de barriga para baixo, reta, com a cara afundada na cama, se deitou em sua própria cama, preocupada... Ficou pensando sozinha, sem dizer nada, mas quando resolveu dar voz aos pensamentos:
— Clarah.
— O-oi, Nina...?
— Amanhã, eu vou matar o Verde... Se eu não voltar, caso encontre...
— VOCÊ VAI CONSEGUIR!
Após o grito, Nina, ainda sonolenta, trocando o ódio pelo sono, se sentou na cama e olhou na direção dela.
— Eu sei que vou. Só queria dizer que, se eu não voltar depois de sair para procurar meu irmão, se você o encontrar, diga a ele que estou procurando esse imbecil. Mas, se quiser vir junto, será bem-vinda.
Clarah fez uma expressão confusa.
— Imagino que Minty e Jaan também vão querer ir, então você terá bastante tempo para se preparar e se declarar. Embora eu esteja começando a achar que ele gosta de rapazes — brincou, se ergueu, caminhou e deitou-se na cama de Clarah, atrás da menina sentada na borda.
— C-como assim? — perguntou meio sem jeito. O olhar de Nina sonolenta na sua direção era puro charme.
— Eu vi seu rosto olhando pra ele enquanto ele seguraaAAhH...va seu pulso — bocejou um pouco, voz baixa.
— O-o-oOOoh... que isso tem a ver?! — bocejou involuntariamente.
— Uma garota bonita como você, vestindo roupas finas desse jeito, perfeitas para levantar e por pra dentro. Desculpa, mas se eu sou ele e sei que tá na minha, não te perdoava não. Ia ficar sem andar por três dias.
Clarah ficou mais rosa que o normal, assumiu um rosa-choque em corpo inteiro.
Nina riu um pouco, cansada, mas o sorriso era encantador, tranquilo.
— Tô brincando. Ele deve ser um pouco lerdo, só — tentou dar-lhe esperanças. "Porra nenhuma..." mas sabia que Minty só não queria, era óbvio. — Me conta um pouco: como você tá se sentindo? Seu sorriso enquanto ele te puxava era bem fofo.
Paf-Paf...
— Deita aqui — ordenou após bater duas vezes na cama com um rostinho malicioso, olhar fino, quase safado. — Não vou morder, eu juro — soltou uma pequena risada que soou como um "vou sim", mas Clarah confiou e deitou-se olhando para o teto, sem medo. Nina só queria se divertir, brincar um pouco. Perdoou todas as brincadeiras de Nino para com Nathaly, fazer alguém ficar embaraçado, tímido com provocações calientes era mais divertido do que imaginara quando o via fazer com ela.
— Eu... eu senti algo confuso dentro de mim. Uma sensação gostosa, mas era engraçada também, parecia cocegas por dentro da minha barriga. Pensei em me declarar ali, mas ele estava sem camisa e eu...
Olhou para Nina e percebeu que ela estava dormindo. Olhos fechados.
— Boa noite, Nina — sussurrou, com um sorriso no rosto.
Cobriu-a com uma coberta e saiu de sua própria cama para dormir na cama dela. Olhou para a Herdeira por alguns segundos, piscadas lentas, olhar no rosto, antes de fechar os olhos para tentar dormir também.
Ding... Dong...
O grande dia do torneio chegou.
Divididos em cores, a plateia foi.
Nina ao lado de vários descendentes de Verde... seu ódio por ele só aumentando.
No meio da escola, como um coração batendo, todos na plateia vibravam ansiosos para verem sangue e possíveis mortes... Tudo era liberado, a vitória das rodadas só vinha quando alguém desistia ou morria. Era assim que Verde queria. Rir, se entreter com "suas propriedades" se gladiando por uma recompensa especial... quase lambia os lábios, vendo os jovens adultos homens com, ou com quase a idade que este julgava ser o ideal.
Sentado em um trono, numa espécie de camarote suspenso, Verde se encontrava, com Rose em pé ao seu lado e outras "funcionárias" em pé, logo atrás. Todas iguais, todas foram com o mesmo tom de vestido naquele dia tão especial.
Logo de início, o narrador — um subordinado, soldado de Verde — chamou Minty, e ele desceu de seu assento, recebendo aplausos de toda a plateia. Nesse momento, Nina olhou para Verde e viu Rose, com um sorriso no rosto... o mesmo sorriso que para todos era normal, mas para Nina, era a mais pura feição da dor, da angústia.
"Vou salvar você." jurou.
Nesse momento, o narrador anunciou:
— Seu desafiante serááá... Humm... Olha só, pela primeira vez em mais de 20 anos... temos uma inscrição de fora da escola. Senhor Niiiiiino... POOOOODE... EENNNN...TRÁÁ-AAARR! — exclamou, erguendo o braço na direção do corredor, que ligava a entrada da escola até a arena no meio dela.
Nino, que havia se separado de Anna para executar seu plano, escutou seu nome no mesmo momento que chegava na luz no final daquele túnel.
"NINO?!" Nina arregalou os olhos ao ver seu irmão ser iluminado pelo sol. Mesma cara de cu de sempre. Mesma postura. Sempre com as mãos nos bolsos, arrogante, soberbo.
"NINO?! O-O IRMÃO DA NINA?!" Minty ficou espantado... o irmão dela realmente tinha cara de cu, embora fosse igual a dela.
Toda a plateia estranhou a cor de seu cabelo... ninguém aplaudiu. Um desconforto, cochichos, murmúrios, sons de nojo, reprovação e julgamento. Nino continuava caminhando normalmente... e o narrador sem entender nada, só continuou seu trabalho:
— ATENÇÃO... SE MATEM!
Minty nem piscou. Seu corpo somente voou, dividido em dois... seu coração destruído imediatamente... Naah. Sua mente não entendeu o que acontecera. Pensando que havia morrido, seus olhos viram-no ser morto... mas não foi.
TINNBRROOMM!!
Nino apareceu em sua frente, com uma espada de sangue se formando "lentamente", exatamente no momento em que o duelo começou. Só estava seguindo ordens. O narrador pediu para se matarem... foi fazer exatamente isso, entretanto, Nina aparecera à sua frente, no mesmo instante, também com uma espada de sangue.
Minty acordou caído no chão... sem machucados, mas com duas rachaduras grosseiras de cada lado do corpo. O som ainda ecoando em sua mente como um pesadelo acordado. Tudo aquilo somente com o impacto das lâminas dos gêmeos.
Olhou para frente. Nina de costas diante dele, com o cabelo preto e agora de macaquinho. Não precisava mais usar aquele conjunto que considerava feio... mas se fosse preto, sua opinião seria diferente, certeiramente.
— NINA?! — Nino desfez a espada, Tumphff! e a abraçou com muita força. — Porra, finalmente!
— Tava com saudade de você também, cabeça de vento — respondeu, abraçando-o de volta. Se abraçaram com tanta força que poderiam ter quebrado as costelas se ambos fossem humanos.
— Que surpresa... o Pri...
Verde no céu, voando parado, com as roupas longas, exuberantes balançando ao vento, olhava na direção dos gêmeos, enquanto discursava sozinho... ninguém deu-lhe atenção. No momento da explosão, as rachaduras invadiram a plateia e a escola. Alguns se feriram e o restante saiu correndo para não serem os próximos.
— ...mordial Preto.
Os irmãos soltaram o abraço, ainda segurando no ombro um do outro, se olhando com carinho... Verde, lá de cima ainda falando sozinho. Nina virou-se para trás, Minty ainda no chão, levemente atordoado. Ordenou:
— Salve as crianças.
Minty jogou o rosto para baixo, confirmando e ergueu-se correndo:
— Agora mesmo!
Correu até o corredor lateral e encontrou Clarah perdida, indo contra a maré de adolescentes e jovens adultos fugindo da arena... Em meio a isso, Verde continuava:
— Seus inf...
— AAEE?! DÁ PRA CALAR A BOCA, SEU MERDA?! TÔ CONVERSANDO COM A MINHA IRMÃ, SEU ESQUISITO! TÁ CEGO?!
— GRR! CAL...
Nino deu um passo, apontou para o chão, irritado e ficou dobrando o joelho. O corpo subindo e descendo reto, parecendo uma criança birrenta, enchendo o saco com algo:
— DESCE AQUI PRA TU VÊ SE NÃO ARREBENTO ESSA TUA CARA NO TAPA, SEU FUDIDO!
— GRRR!
Verde enfureceu-se completamente.
Coitado.
Só queria se apresentar, falar um pouco... mas os filhos de Blacko eram como o pai... não gostavam de blá-blá-blá.... Só de matar-tar-tar. (Desculpa...)
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