Dançando com a Morte Brasileira

Autor(a): Dênis Vasconcelos


Volume 2 – Arco 4

Capítulo 155: Noite Fria

Depois de segui-la de volta para a casa, Anna entrou e foi verificar se ainda havia comida... embora o motivo da saída fosse exatamente procurar por comida. Olhou para o cubículo de gelo maciço; ainda havia duas unidades da sua fruta preferida, junto de um pedaço um pouco generoso de uma carne extremamente cara e nobre... bem, ao menos nos reinos onde era comercializada raramente por pouquíssimos aventureiros que tinham coragem de pisar naquela floresta tão temida.

Como não estava com disposição para preparar a carne, pegou algumas carnes secas que fizera dias atrás da mesma carne congelada para comerem no café da manhã. Rrch... O gelo se moldou, abrindo caminho para a delicada mão branca como a neve atravessar.

Pegou uma das frutas e o gelo se moldou novamente, fechando-se com obediência na ordem silenciosa... O silêncio... Foram anos assim. Acostumara-se com isso... O absoluto silêncio de sua mente e arredores. Só ela e mais ninguém.

Caminhou até a mesa e sentou-se no chão... em silêncio.

— O qu...

— Pega aquele copo à sua direita e traga água do rio para mim — ordenou, sem olhá-lo.

— Por qu...

— Só obedece — interrompeu-o com voz firme.

— ...Onde fica? — pediu informação, vendo-a de costas para si, olhando na direção da cama individual.

— Se seguir reto após sair da porta, você chega a um. Caso queira ir por outro lado, também deve encontrar outras partes onde ele se divide.

Uhum.

Nino pegou o copo de madeira, que estava sustentado no ar por um gancho na parede, e saiu.

Não demorou para encontrar o rio e, depois de pegar a água, voltou para a casa de Anna. Puc... Colocou-o sobre a mesa. Anna olhou para ele e, enquanto Nino se sentava à sua frente, apoiando as costas na cama, Flshsh... usou magia de água na água.

Hãm? — Nino ficou confuso.

Hum?

— Se você ia usar magia de água, por que não bebeu magia de água?

A jovem adulta olhou fixamente por alguns segundos antes de separar a magia de água da água real.

— Não vou beber magia de água; isso não supre a sede, apenas disfarça. Eu só usei para purificar a água — explicou.

Ah.

Blump!

Anna segurou a fruta roxa em sua mão esquerda e, sem que ela se movesse ou fizesse qualquer esforço, a fruta explodiu. No entanto, o líquido não se espalhou para fora da área da palma; permaneceu suspenso sobre sua mão. Anna o colocou no copo, misturando-o com a água para fazer seu suco.

Depois de terminar, ergueu-se com Nino acompanhando-a apenas com os olhos. Pegou as carnes secas e o segundo copo de madeira que confeccionara muitos anos atrás, quando construíra sua casa de barro. Colocou o restante da carne seca sobre a mesa para que ambos pudessem comer e, sentando-se, dividiu seu suco para que Nino também pudesse beber.

O Primordial olhou para o copo, pensando que era suco de uva, mas ao provar percebeu que era algo ainda melhor. Gulp... Tomou um gole, olhou para o copo surpreso e então bebeu tudo de uma vez.

— Qual o nome disso?! — perguntou com muito entusiasmo.

— Não sei.

— É muito bom!

Anna ficou satisfeita ao ouvir isso, não por sair de Nino, mas pelo reconhecimento da fruta que sua mãe tanto gostava. Não demonstrou sua alegria, e sua expressão permaneceu inalterada... mas ao menos respondeu sem uma frieza ou seriedade acima do ponto:

— É minha fruta preferida.

Pegou um pedaço de carne seca e começou a comer.

Nino queria puxar assunto, mas estava difícil encontrar o que dizer:

— A floresta é bonita, né?

Uhum — murmurou e continuou mastigando em silêncio.

— ...

— ...

— ...

Anna percebeu que ele queria conversar... e isso trazia alguns sentimentos estranhos. Aquilo na sua frente ainda era um Primordial... e a fama desses seres não era lá algo muito legal. Mas ainda assim o permitia estar ali por ver Nino como um ser fraco, um ser que ela conseguiria vencer sem dificuldade alguma.

Não confiava de fato nele, só o mantinha ali até então porque, mesmo ele se mostrando irritante, era melhor uma companhia irritante do que não ter ninguém com quem interagir. Sua visão das pessoas era muito limitada: iam de ensinamentos de sua mãe e o pouco que vira de grupos de aventureiros humanos entrando naquela floresta.

O mesmo procedimento sempre: assisti-los até que algo os matasse.

Mas como via Nino como um ser fraco, isso facilitou para que se abrisse para tentar conversar um pouco:

— Sim. É uma mistura de beleza, perigo e solidão — uma resposta bem enigmática.

— ...Você mora sozinha?

— Sim.

— Por que tem duas unidades de cada coisa aqui dentro... menos a cama?

— Como assim?

— Dois talheres, dois copos, dois pratos. Essas coisas.

Anna levantou o olhar e o encarou profundamente... aquele olhar adentrava suas íris tanto quanto o olhar de Alissa. Sabia muito bem que aquela garota na sua frente era forte, e forte com força. Uma incógnita.

— Eu espero o dia em que minha mãe vai entrar por essa porta e voltar para mim — murmurou.

Nino baixou o olhar, sem saber como reagir.

— Por que essa pergunta?

— Você disse algo sobre ver alguém que trai morrer. Sei lá, não pensei direito. Achei que você namorava — tentou ver se o caminho estava limpo ou teria que limpá-lo.

— Gulp...

Anna tomou um gole de seu suco, aproveitando o momento, ao contrário de Nino, que devorara o suco em um instante.

— Você é a segunda pessoa com quem troco palavras em toda a minha vida.

Hãm?

Levou o copo novamente à boca, tomou um pequeno e saboroso gole e afastou-o.

— Uma vez minha mãe me contou sobre como as pessoas funcionam. Como o interesse funciona. Como todos tentam se aproveitar a todo momento de uma fraqueza para sobressair-se sobre os outros. Mesmo que eu tenha plena certeza de que o que ela passou eu talvez nunca vá passar, ainda levo o que ela disse como regra.

— O que ela passou?

Anna o olhava, não respondeu, mas continuou piscando tranquilamente.

— Desculpa. Eu não pensei. Sei que não deve se sentir bem em falar sobre ela em si, mas poderia ao menos me contar o que ela te contou?

— ...Disse para que eu nunca confiasse completamente em humanos e que nunca abaixasse a guarda se eu estivesse na presença de um demônio da linhagem rosa. Me disse que a linhagem rosa são demônios que não pensam duas vezes em trair você se isso for ter um benefício próprio, mesmo que mínimo. São seres que mentem sem nem ver ou sentir. Algo que é basicamente enraizado em sua essência... a mentira. Já os humanos não são um problema em si. São pouquíssimos os que sabem magia; logo, mesmo que eu confie em um e ele me traia, eu não correria risco real de vida. Mas ele... sim.

Nino a olhava, mas desviou o olhar por um curto período, até que ela voltasse a falar:

— Eu odeio do fundo da minha alma o Primordial Vermelho. Ele me separou da minha mãe. Ele que fez com que eu, com cinco anos, viesse parar aqui, fugindo e me escondendo a pedido da minha mãe. Enfrentei várias coisas aqui, monstros e seres que não ousam me encher a paciência com medo de morrer. Eu tenho 20 anos; sei porque contei cada aniversário meu. Cada ano que eu aguardava ela entrar por aquela porta e me abraçar, dizendo que nunca mais iria me deixar... Mas ano após ano passou e isso nunca aconteceu.

Nino olhava-a e via a tristeza naquele olhar baixo, embora nenhuma lágrima saísse. Aquelas palavras eram dor, e assim como tudo na vida, Anna se acostumara e não chorava mais.

— Dez anos depois que eu já havia me estabelecido aqui aconteceu isso que eu contei de pessoas que traem merecem morrer. Eu estava andando pela floresta, conhecendo novos lugares, procurando por fontes de comida, árvores frutíferas e coisas assim. Andei tanto que cheguei no início dela do lado leste; foi onde vi um grupo de humanos entrando nela. Falavam sobre conseguirem derrotar algum monstro daqui e levar de carroça para vender ao reino mais próximo.

Anna permitiu-se dar mais um gole do suco que já estava acabando e continuou:

— Segui-os por muitas horas daquela manhã até começar a anoitecer. Eu estava com vergonha de aparecer. Não sabia como iriam reagir e tal. Estavam alegres. Animados com a aventura que estavam fazendo. Se achavam grandes demais. Andavam e não achavam monstros nem sequer animais, o que os fez entrar cada vez mais na floresta. Um tempo depois, um cara e uma menina se separaram do grupo de fininho. Fiquei curiosa e decidi continuar seguindo apenas os dois.

Nino escutava tudo com muita atenção.

— Foi quando vi a menina meio curvada, com o short de couro nas pernas e o cara atrás dela. Seus corpos estavam conectados. Ela produzia gemidos, mas não eram de dor. Mas entre eles ela conversava com o cara, dizendo que fazer aquilo ali era arriscado, pois a namorada do cara poderia encontrá-los e acabar descobrindo que os dois a traíam.

Nino ergueu uma sobrancelha, rosto levemente tombado.

— Aquela menina era amiga da namorada dele, mas ainda assim estava traindo-a. Assisti por um tempo. Não entendi o porquê estavam gostando tanto daquilo. Ficavam se mexendo, grunhindo como animais, só que baixo, com um nítido medo de serem pegos fazendo aquilo. Decidi ir embora. Minha curiosidade havia mudado. Quando cheguei, me deitei e tentei imitar o que estavam fazendo, mas não senti nada e parei.

— Você se masturbou? — Nino ergueu a segunda sobrancelha.

— O que é isso?

Nino a encarou meio sério.

— Nada. Continue.

— Naquela mesma noite ouvi gritos. Fui até lá e vi que eles estavam sendo devorados vivos pelos homens-sombra. Era um grupo de cinco homens e três mulheres; uma delas devia ser a namorada do cara. Se eu os salvasse, não conseguiria confiar neles, e nem queria tentar confiar em pessoas que traem, então os deixei morrer. Quando isso aconteceu, houve uma grande movimentação dos homens-sombra. Uma espécie de ritual: estavam dançando sobre os restos mortais do grupo. Saí de onde me escondia e tentei exterminá-los. Como disse, pensei que tinha conseguido, mas parece que, das muitas centenas que matei naquele dia, alguns sobreviveram ou não haviam sido convidados para aquela festa.

— Entendi.

— Você já traiu alguém? — perguntou quase que por cima de Nino respondendo.

— Não.

Anna o observava com um rosto sério e frio.

— Por que eu deveria deixá-lo vivo? — sua voz era como a morte, mas uma morte que vestia azul.

Nino mal piscou, e quando abriu os olhos Anna não estava mais à sua frente. Agora ela estava sentada na borda da cama atrás dele, com o Herdeiro entre suas pernas. Nino não percebera a mudança, mas sentiu algo frio em seu pescoço. Anna segurava uma foice de água pelo cabo, apenas com dois dedos, de forma aparentemente descuidada.

A lâmina, no entanto, ficava próxima demais de seu pescoço, e Nino sabia que qualquer movimento errado poderia custar sua cabeça. Lentamente ergueu a cabeça, vendo-a de baixo para cima, fixando seu olhar naqueles olhos familiares.

— Você também é um Primordial. O que me garante que você não é como eles?

— Apenas me diga o que quer que eu faça para provar que não sou como essas pessoas, e eu faço.

A observava sem se mover, mas piscou novamente e Anna desapareceu de sua visão. Quando abaixou a cabeça, viu que ela havia sentado à mesa, comendo normalmente. Ergueu uma mão e tocou o pescoço. Sentiu o corte, mas regenerou o que o mísero encostar daquela lâmina fria fizera consigo.

— Quebre minha confiança e eu te mato.

"Ela tem trauma com algo que nunca aconteceu com ela...? 'Pré-fire' de trauma?" Nino deu uma leve risada de canto com seus próprios pensamentos e, ao olhar para frente, encontrou um rosto não muito amigável.

— Qual é a graça?

— Imaginei que você perguntaria... — Nino se segurou para não rir; saiu no automático e ele não estava aguentando.

— O quê?

— Você disse que sou a segunda pessoa com quem você interage, então por que tem tanto medo de algo que nunca sofreu?

— Porque senti a dor que aquela menina sentiria se visse aquilo. Se eu senti dor por algo que nem me diz respeito, não sei como reagiria se algo parecido acontecesse comigo... confiar em alguém e ter minha confiança quebrada. Confiar em um amigo e ele conspirar contra você... nem faz sentido — terminou abaixando um pouco o rosto para morder mais um pedaço da carne seca.

— Você me vê como amigo?

— Como um animal.

— Nossa... — tentou fazer draminha.

Anna se levantou, espreguiçando-se.

— Vou dormir, não me incomode ou te mato — ameaçou-o, encarando-o profundamente.

Hãm? Olha o sol lá fora.

— Essa conversa me cansou. Até amanhã.

— O quê? Mas ainda não é de manhã?

— ...

— ...Vou dormir no chão?

— Só tem uma cama, se vire aí. — Anna passou por ele e se deitou, virada para a parede... Nino a observou completamente confuso.

"Sério??" Olhou para o lado e sentou-se apoiado na parede como um cachorrinho obediente em sua caminha... mas os dias nesse mundo possuíam mais horas. Algo que percebeu, já que não se moveu durante toda a manhã e tarde daquela posição sentada... junto com a cara de tédio.


Na manhã seguinte, Anna acordou. 

Mesmo com uma pequena cama de solteiro, dormia na beira direita da cama, voltada com o corpo para a janela em cima daquele pequeno vão. Enquanto dormia, virou-se para trás e, quando acordou e abriu lentamente seus olhos, deparou-se com Nino deitado, também dormindo, com o rosto próximo do seu.

Foi um segundo de sonolência e falta de entendimento... mas quando o raciocínio chegou no corpo...

— AAAHH!

Pah!

Assustada, deu um pulo como um gato e caiu no chão do pequeno vão entre a cama e a janela, gritando. Nino acordou com o grito, pulando de susto e assumindo várias poses de luta em cima da cama.

— O QUE VOCÊ TÁ FAZENDO AQUI?! — gritou, extremamente irritada, surgindo com os braços na cama, subindo como um monstro do mar atacando uma embarcação pirata.

— Tava frio, sua cama é quentinha — respondeu imediatamente.

Anna ficou ainda mais irritada, saiu de trás da cama e passou pela porta da casa. THAAM! Quase destruindo-a com um único bater de porta.

Depois de um tempo, voltou mais calma.

Assim que abriu a porta, viu uma cena que nunca imaginara ver: Nino sentado à mesa, com dois pratos de comida à sua frente. Duas velas, uma iluminação sofisticada, assim como a carne e vegetais naqueles pratos de pedra moldados pela magia do mesmo.

Nino vestia uma roupa diferente, embora ainda sempre mantendo a cor preta. Levantou-se ao vê-la e curvou-se levemente, como um mordomo, apontando para a mesa. Em sua boca, uma flor que encontrara e que parecia muito com uma rosa... azul-clara. Anna o encarou seriamente, mas caminhou até a mesa e sentou-se.

A jovem passou o garfo de pedra polida sobre a carne e, sem esforço, viu a carne se desmanchar de tão macia que estava. Além de ser uma iguaria bem cara encontrada apenas na Floresta do Desespero, Nino fizera um bom trabalho ao prepará-la.

Nhac...

Anna deu uma mordida e, ao olhar para o lado, viu um copo com suco da fruta roxa que ele também havia preparado. O copo era de pedra, mas Nino fizera um trabalho tão preciso que aquilo era transparente como vidro... atiçou a curiosidade de Anna, mas Anna era muito boa em esconder sentimentos. 

Enquanto comia, Nino colocou com cuidado a rosa atrás da orelha dela — quase uma missão impossível, diante daquele olhar assassino, pronto para fulminá-lo ante qualquer erro —, passando-a suavemente pelo cabelo... Sorria feliz enquanto fazia aquilo... terminou, e o olhar que o perseguia não desviou um instantinho... Nino não ligou nem um pouquinho, e Anna continuou comendo e saboreando um sabor que nunca imaginara experimentar. 

Só fazia carne seca ou cozinhava a carne sem tempero ou nada. Comer e matar a fome era o que importava. O suco que mais amava já trazia todo o sabor que precisava... mas Nino era um chef experiente. Gostava de cozinhar... olha só... puxara o pai.

Nino nem tocou na própria comida, apenas a observava, feliz por perceber que ela gostara. Cotovelos apoiados à mesa, mãos sustentando a cabeça. Uma pose quase infantil. Um olhar visivelmente apaixonado.

— Está boa, né? — Não conseguiu disfarçar um sorrisinho.

— Está comestível. — O encarou, e ele ainda mantinha uma expressão boba. — Que cara é essa? Parece um primata.

— Existem primatas aqui!?

Anna terminou de comer a carne; agora juntava alguns vegetais no garfo.

— Claro. Olha você na minha frente. Aliás, você usou o resto da carne que eu tinha guardado?

— Sim...

Anna suspirou.

— Imaginei. Vamos sair para caçar. Talvez a gente ache um primata, e eu te mostro.

— Tá! — Nino se levantou da mesa instantaneamente, quase prestando continência. Sua roupa típica de volta ao corpo.

— Coma primeiro — disse, sem nem olhar para ele.

— Não quero... — A menina agora olhou diretamente para ele. — Mas você parece querer. — Nino se aproximou, colocando o rosto perto do dela. — Se me pedir, até coloco na sua boquinha...

Phafh...

Anna o empurrou, e Nino manteve um sorrisinho nos lábios... usando das artimanhas das memórias de Nina com Nathaly... (Sem vergonha.)

— Calma... Só tô brincando... Pode comer.

Anna o encarou visivelmente séria, mas suas mãos se moveram sozinhas, pegando o prato e o suco dele.

Comeu enquanto o observava; não piscou, manteve-se vigilante para que o mesmo não se aproximasse... Nino se manteve parado, com um sorriso sem jeito e, depois, ela se levantou.

— Vamos.


Caminharam por um tempo, conversando no processo: 

— Você parece ter gostado da flor, né? Aind...

Shir-pá-pá...

— ...

Viu-a arrancar a flor da orelha, jogar no chão e esmagar com o "tênis de cano alto" duas vezes... ficou em choque. A menina olhou-o seriamente e voltou a olhar para frente. Com um sorriso sem jeito, mudou o assunto:

— Como ele é?

— Grande, branco e barulhento. Ele se alimenta de árvores, então, se escutar uma caindo, provavelmente é um deles. Tipo ali, ó. — Apontou para uma árvore grande caindo mais à frente... beeeeem à frente.

Prum!

A colisão fez outras árvores chacoalharem.

Quando chegaram ao local, o Herdeiro esperava encontrar um macaco, um chimpanzé, mas o que viu foi uma larva gigante e horrenda. Era como o bicho de goiaba ou laranja, mas enorme... enorme.

— Estou me sentindo ofendido — murmurou com os olhos tediosos.

— Não te perguntei nada — respondeu rapidamente.

— Lapada sinistra do cacete... — resmungou baixinho.

— Vai lá matar ele — ordenou.

— Vai você — retrucou.

Sccrrrchh...

Instantes depois Nino estava preso em uma corda de água sólida, sendo arrastado sentado no chão pela garota que o levava em direção ao primata devorando o tronco da árvore.

— Por que eu? — reclamou.

— Porque você é fraco e precisa aprender sobre os animais daqui.

— Para sua informação, eu sou o segundo mais forte do meu mundo.

— Não ligo. E, além disso, nem é o primeiro.

Sccrrrchh...

Nino fez cara de choro e choramingou baixinho enquanto era arrastado.

Anna o soltou na frente do primata, que continuava se alimentando da árvore sem medo ou receio de nada ao redor. O que comeram era a carne daquele animal. Um animal que não possuía defesa e muito menos instinto de sobrevivência algum. Quase 800 quilos da mais deliciosa carne que alguém já tivera o prazer de experimentar, se rastejando pelo chão e derrubando árvores para se alimentar.

O local onde estavam era mais aberto ao céu, pois a criatura já devorara várias árvores naquela área, mas ainda estavam rodeados por milhares de outras, e nem sequer estavam perto do centro da floresta.

— Espera aí! — Anna saiu correndo e se escondeu atrás de uma árvore.

— O que ela tá fazendo? — murmurou.

A jovem fez um sinal de positivo para ele.

Com preguiça, Nino criou uma espada em sua mão, Shi... e enfiou-a na criatura.

BOOOM!

Que explodiu, espalhando carne e sangue vermelho por todos os lados.

Nino ficou encharcado, enquanto Anna saía de trás da árvore, rindo muito enquanto se aproximava, apontando o indicador para ele no tempo em que o corpo tremia em gargalhadas.

— Com os outros é mais engraçado — continuou rindo.

Nino não se importou com a sujeira; aquela risada compensava tudo.

— Pelo menos consegui um risinho desse rostinho lindo — disse, sorrindo para ela... 0-0-12 colocou até o técnico do time no ataque.

SSSSHHUA!

Anna lançou um jato de água no rosto dele, parando de rir e ficando séria na mesma hora. Nino quase saiu voando ou sua pele cedendo à pressão da rajada de água... mas se manteve estático, só seus olhos arregalados sendo visíveis naquele ato.

— Você tá fedendo, toma esse banho aí.

CRÁ-CRÁ!!... CRÁ-CRÁ!!...

De repente, vindos do leste, pássaros imensos ficaram muito agitados e começaram a gritar.

— O que é isso? — perguntou Nino.

— Periquitos.

— Periquitos desse tamanho? — Olhou para ela, incrédulo.

Hum?

Ah, deixa. Por que eles estão gritando?

— Geralmente, aquela espécie fica agitada quando há pessoas por perto. Eles já se acostumaram comigo, então deve estar acontecendo algo lá. — Anna começou a andar na direção dos pássaros.

Nino distraiu-se e seus olhos acompanharam-na se afastar... Ficou completamente hipnotizado na garota andando mais uma vez.

— ANDA LOGO!

Acordou de seu transe e foi até ela como um cachorrinho obediente.

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