Volume 2 – Arco 12
Capítulo 216: Ilusões, Sentimentos e Memórias
Paralisada, Nina olhava fixamente para o rosto de Nathaly por vários segundos, sem sequer piscar. Observava-a com o medo consumindo sua alma. O tempo parecia distorcido, os segundos se arrastando feito anos, minutos que se assemelhavam a décadas, imersos no medo mais profundo que já sentira.
Permaneceu assim, como se o mundo tivesse parado, até que, em meio a esses anos imaginários, Nathaly moveu levemente os lábios, abrindo um sorriso suave para Nina. Seus olhos se encontraram diretamente, e então o corpo de Nathaly começou a se desfazer, derretendo sobre os braços da Primordial, dissolvendo-se em sangue rosa diante dela.
A poucos metros de distância, Rosa apareceu, erguida, e gargalhou da carinha de Nina:
— Oownn... Você tem sangue frio, hein? Matar a própria namoradinha com suas próprias mãos? — Rosa zombou, a risada ecoando pela sala. Nina continuava ajoelhada, mantendo a cabeça baixa, sem reação. — Sério que seu maior medo é perder essa garota horrorosa, com essa cicatriz grotesca?! — A mistura de vaidade e nojo na voz de Rosa se fez palpável.
TRRRRROOOHMMM!!
Nina se levantou em um estalo de fúria — violentos raios escuros emanando de seu corpo.
Encarava Rosa com o ódio mais profundo que já sentira. Sua pele, agora irreconhecível, desaparecia na escuridão que tomava conta de seu ser, tornando-a inteiramente preta como a raiva que queimava dentro de si.
— Oooownnnt! Tá báviiinhaa? Acha que vai fazer o que dentro da minha dimensão, garota? — Rosa a olhava mantendo um sorriso de superioridade, como se nada pudesse tocá-la.
Neste momento, Nightmare se materializou atrás da Primordial, suas longas mãos apoiadas nos ombros da tia. Seu corpo, semelhante ao do Rag, era uma massa flutuante de sangue e fumaça rosa, porém tendo um grande sorriso e dois braços em vez de apenas um grande olho.
Nina, mantendo sua garra direita erguida até a altura do nariz, sentiu sua pele se firmar, seus olhos roxos se abrindo intensamente, enquanto sua Marca sangrava sobre o preto absoluto. Rag lutava para substituir a Marca em seu pescoço — seu olho se reabrindo freneticamente, sendo reprimido pelo controle absoluto que Nina tinha sobre sua própria raiva.

Rag havia escutado o chamado da alma... queria sair... queria sair... queria sair...
Em um movimento firme, Nina o liberou:
— Ragnarok.
E, imediatamente, toda a dimensão de Rosa foi tomada pela escuridão.
O escritório branco desapareceu, dando lugar a uma sala preta e opressiva. A dimensão não pertencia mais ao Nightmare... Rosa não sabia. Meramente Azul e Sol sabiam como funcionava o poder do Ragnarok de Blacko... Deveria ser algo óbvio — em guerras de dimensões, quem entrasse primeiro entrava em desvantagem.
O Ragnarok de Rosa criava uma dimensão, de Lua e Sol, também... Rag era um ladrão. Não tinha nada então roubava para si. Posse... A Posse. Mostrou seu poder a ele e agora ele queria a Posse. Queria aquele poder para ele.
Rag abriu seu olho atrás de Nina... Rosa e Nightmare ficaram paralisados de terror sob a ordem de sua existência.
Imóveis, sentindo aquele olhar monstruoso encarando suas almas, Rag desapareceu.
RAAGRGRG!!
Ressurgindo ao lado de Rosa, Rag consumiu Nightmare feito um predador rasgando sua caça, que nada pôde fazer a não ser evitar ser dilacerado por milhares de cortes. Sua cor mudou para um preto absoluto em meio ao breu, e o sorriso branco da criatura virou-se para Rosa, observando-a em um ar de indiferença.

Neste momento, Rag, sob o comando absoluto de Nina... controlava tudo.
TRRRRROOOOOOHHHMMM!!
Nina avançou liberando uma onda de raios escuros que atingiram o estômago de Rosa ao concluir seu soco monstruoso.
BUM! BUM! BUM! BUM!
A força do impacto arremessou a tia através de dezenas de paredes criadas por Rag no Labirinto do Pesadelo. Rosa atravessou tudo sem controle, seu corpo sendo sacudido pela dor aguda na alma causada pela magia divina.
De repente, seu corpo parou no ar. Rag, usando o corpo de Nightmare, a segurou usando tentáculos pretos, mantendo suas pernas e braços esticados, suspensa no ar, virada de frente para o buraco na última parede.
Machucada e com a respiração dificultada, a regeneração dela falhava em curar as feridas causadas pela magia elétrica. Rosa não conseguia ver nada na escuridão profunda ao seu redor.
Nina avançava lentamente — seus passos ecoando na escuridão enquanto se aproximava do buraco. Desesperada, sentindo o sangue escorrendo por toda a sua barriga, tingindo o ambiente escuro com seu sangue rosa-vivo, Rosa lutava para se soltar, todavia a prisão era inescapável.
Tzzzt...
O som cortante das faíscas elétricas roxas surgiu na escuridão... um presságio da proximidade de Nina. Rosa levantou a cabeça, seus olhos se arregalando no tempo que encarava os profundos olhos roxos à sua frente... A boca se escancarou, tentando gritar, mas sua voz foi engolida pela força do trovão.
TRRROOOOHMM!!
Rag a soltou no ar...
...e Nina a acertou em cheio — o impacto atingindo o tórax... 12 costelas pulverizadas.
BUUM!!
Rosa colidiu violentamente contra uma parede ao longe e caiu no chão logo em seguida, seu corpo quebrado e frágil. Queimado... Enfeado.
Rag sentia exatamente o que Nina desejava e obedecia suas ordens de imediato, sem que ela precisasse dizer uma palavra diretamente a ele. Assim, manteve a parede indestrutível, evitando que Rosa fosse arremessada para muito mais longe.
Caída e incapaz de se regenerar, a Primordial mais alta sentia seu sangue se espalhando pelo chão, formando uma poça ao seu redor. A sala era envolta em uma escuridão densa, porém seu corpo não era afetado pela ausência de luz. Totalmente iluminada por Rag, era forçada a encarar seu próprio corpo destruído.
Agonizando no chão, Clok... ouviu uma porta se abrir à sua esquerda. Desesperada, ouviu os passos de Nina se aproximando pela direita. Feito uma criatura ferida, rastejou, deixando um rastro de sangue que tingia o chão enquanto tentava, usando todas as suas forças, alcançar a porta.
Nina caminhava feito um perseguidor em slasher... seguindo-a tendo todo o tempo do mundo em seus passos calmos.
Rosa, sem conseguir falar, só podia deixar que o sangue escorresse de sua boca enquanto se arrastava. Nina, no entanto, parou de caminhar e observou-a... Sentia um nojo absurdo daquele ser vestido de rosa. Sem pressa, assistia ao sofrimento da Primordial, feito uma espectadora de um espetáculo macabro e excitante.
Finalmente, após um esforço monumental, a tia conseguiu entrar na sala. Quando olhou à frente, viu Nina, mantendo o olhar fixo nela, sóóóóó... observando-a se rastejar. O pânico tomou conta de Rosa, e ela tentou se virar, rastejando de volta usando toda a sua garra... (Tsc...) Ao passar pela porta, Nina continuava lá, observando-a.
Foi então que Rosa entendeu... foi presa em um loop infinito.
Tremendo violentamente, se virou mais uma vez, rastejando desesperadamente em direção à porta. Porém, a cada movimento, a porta se afastava mais e mais... Mais e..? Mais. O terror tomou conta de seu coração, e as lágrimas desceram pelo seu rosto enquanto insistia, mesmo sabendo que era inútil.
Sabia... Sabia, e ainda assim continuava, em uma tentativa desesperada de escapar viva do seu pior pesadelo. Em sua visão, ela avançava... Mas seu sangue não deixava rastro, seu corpo não saía do mesmo ponto... Sua mente a traía, pregando-lhe peças.
A sala encolheu de forma absurda, e a porta desapareceu.
Ao seu lado, duas pernas surgiram, firmes e imponentes.
PLOCH!
Em um movimento rápido, Nina, usando sua mão esquerda imbuída em magia elétrica, cravou seus dedos nas costas dela e segurou sua coluna vertebral com força, SSSSKCRUNCH! arrancando-a brutalmente.
— AAaaaaaAaaargggHHH!
O som da carne sendo rasgada e o grito de Rosa ecoaram pelo ambiente quase infinito.
Sua forma mole, devastada, Plarcsch... caiu ao chão, convulsionando de dor em alma e carne.
Neste momento Rosa sentiu o verdadeiro terror.
— Aagghhnmmm...
Pha...
Nina acertou-a um leve chute, virando-a de barriga para cima, deixando a visão de sua agonia completamente exposta.
E então, usando de uma força descomunal, segurou a mandíbula da Primordial, forçando-a a abrir a boca. Seus olhos se encontraram por um breve instante... uma sentença de morte sendo proferida sem palavras.
Em seguida.
CRUUANNNCH!
O som seco e visceral do ataque ecoou.
Nina arrancou uma enorme porção do pescoço de Rosa, rasgando carne, pele e músculos sem clemência alguma. O sangue jorrou feito uma cachoeira, descendo em ondas violentas até atingir seus seios.
Os tendões se esticaram por um instante, antes de se partirem completamente, expondo o tecido muscular e a estrutura interna do pescoço até os seios como em um macabro espetáculo de destruição.
— MMnmnhhhrgg!!
Não conseguia mais gritar, só gemer — os olhos lacrimejando sangue rosa.
Sua dor era insuportável, e a sensação de impotência era absoluta.
Em pé, diante do que restava daquele inseto, Nina criou uma lâmina queimando em chamas escuras.
Shk-Shk!
Parada, Rosa sentia seu corpo ser fatiado lentamente, no tempo que o fogo escuro carbonizava sua carne aos poucos.
Ploch-Ploch!
Tentava desviar... só em mente, pois seu corpo não respondia, e a carne queimava de maneira cruel.
Chorava e chorava, mantendo os olhos fixos em Nina quase como uma ordem imposta.
— Que rosto é esse? — zombou, um tom soberbo reverberou... e logo se transformou em fúria. — QUE MEDO É EEESSE?!!
Perdendo o controle, Nina se levantou, e em um único movimento brutal...
BRRAANCH!
...Pisou no peito dela, esmagando o coração e matando-a instantaneamente.
Rosa começou a se transformar em fumaça... desvanecendo-se diante dela.
— Deixei você morrer?... HEEEINNN?!! — gritou, furiosa.
Estendeu a mão e derramou seu próprio sangue sobre o corpo dela, regenerando o coração antes de se tornar fumaça, forçando-a a permanecer viva. Rosa abriu os olhos, Cghggh! engasgando em seu próprio sangue, e os arregalou, fitando Nina com uma expressão repleta de medo e pavor.
O cenário mudou e em um espelho apareceu atrás de Nina, refletindo a sala escura, contudo o corpo de Rosa ainda se destacava em meio ao breu, permitindo que ela se visse claramente.
Brm...
Nina segurou a cabeça dela, os dedos rígidos adornando o crânio quase o esmagando, forçando-a a olhar para si mesma no espelho.
— Esse é o seu maior medo? ESSE É A PORRA DO SEU MAIOR MEDO, CARALHO?!! SUA ABERRAÇÃO!! — gritou cheia de ódio, a voz carregada de desprezo.
Virando a cabeça de Rosa para seu rosto, Nina a encarou diretamente:
— Foda-se a sua vaidade. Medo de ser feia? Essa é a porra da Primordial Rosa?!! — gritou, a fúria transbordando.
Rosa, tendo os olhos lacrimejando sangue novamente, somente a olhava, impotente diante da crueldade de Nina.
— Não importa se você renascer. Não importa se você reencarnar. Não importa onde você vai aparecer. Não importa se for neste mundo ou em outro. Se eu descobrir que você está viva, eu vou te destruir todas as vezes que isso acontecer — rosnou friamente, sua expressão intolerante enquanto apertava cada vez mais a cabeça da tia. — Vou fazer você sentir todo o medo que me causou, toda a dor que me causou. Não me interessa se o seu poder for herdado ou não. Eu vou caçar e matar cada uma que herdar o seu poder, vou caçar cada ser que se assemelhar a você.
A pressão em torno da cabeça de Rosa aumentou, e Nina se inclinou para frente, sua raiva consumindo a razão.
— Ninguém nunca mais vai brincar com meus sentimentos... Ninguém nunca mais vai brincar com minhas memórias.
Pahf...
Em um movimento abrupto, soltou Rosa no chão e, realizando um gesto rápido, puxou uma flecha feita de magia elétrica escura, concentrando toda a sua fúria nela.
— Sayonara... FILHA DA PUUTAA!!
BRRRAAUUUHHMMM!!
A magia de Nina varreu a existência de Rosa, apagando-a de uma vez por todas.
A fumaça de sua destruição se dissipou no ar, desaparecendo sem deixar vestígios. Nina permaneceu em pé, olhando, transbordando arrogância na direção — seu olhar frio fixo enquanto a fumaça rosa da Primordial evaporava, desvanecendo-se como se nunca tivesse existido.
— Volte.
Rag obedeceu prontamente, desfazendo a dimensão e retornando ao quarto branco onde tudo havia começado. Após vê-la em pé, ainda irritada, olhando na direção da fumaça, Rag voltou à sua alma, aguardando a próxima ordem da filha do seu melhor amigo.
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