Dançando com a Morte Brasileira

Autor(a): Dênis Vasconcelos


Volume 2 – Arco 12

Capítulo 215: Estalo

Ao ver o corpo inerte de sua namorada, algo dentro de Nina quebrou.

Tzz

Faíscas de magia elétrica, escuras e violentas, piscaram ao redor de seus olhos e eles arregalaram-se, fixos na cena à sua frente antes de, BRRRAUUMM!! ...Nina explodir os tentáculos que a prendiam, erguendo-se em uma velocidade maior que os raios criados, avançando na direção de Rosa.

Do outro lado, Rosa sorriu excitada. Seus olhos brilhando com intensidade, saboreando à medida que o medo de Nina aumentava. PAH! Nina correu em direção à porta aberta, todavia a dimensão fechou-a violentamente antes que pudesse alcançá-la.

PRARCHH!

Sem hesitar, a Primordial mais jovem se lançou contra a porta, atravessando-a com uma força brutal.

No entanto, ao adentrar o espaço, percebeu que o quarto havia desaparecido. Em seu lugar, um longo corredor estreito se estendia, suas paredes e o teto cobertos por espelhos que refletiam sua imagem de forma distorcida. No centro, um tapete rosa vibrante a guiava até uma nova porta aberta no final.

Lá dentro, avistou Rosa, e esta segurava Nathaly com tentáculos rosas, envolvendo todo o corpo da jovem adulta. A Primordial mais velha lambia o rosto dela, mantendo seus olhos fixos em Nina, e um sorriso sádico, ainda mais grotesco, se espalhava por seu rosto.

Sem pensar, Vrush! Nina disparou pelo corredor. Mas, quanto mais corria, maior parecia ser a distância que a separava da porta. Nina foi presa... em um "loop infinito". O medo tomava conta de seu ser enquanto as paredes, os espelhos e o corredor pareciam se esticar, se distorcendo ainda mais à medida que ela tentava alcançar o fim.

Desesperada em meio às lágrimas escorrendo por seu rosto, Nina gritou, o pavor transbordando em sua voz:

— PARA! PARA! PARA, PORRA!!

Sua mente começava a se perder, a cabeça rodopiando em um turbilhão de desespero. Sem controle, criou sua enorme marreta e saltou, as lágrimas voando junto de seu corpo, em um salto mais que assustado.

BAAMM!!

O impacto foi devastador.

O chão do corredor se desfez feito borracha, e as paredes se racharam, distorcendo ainda mais a realidade. O "loop" foi rompido, e a porta, PAH! se fechou novamente na frente da jovem.

Agora livre, acelerou pelo corredor, sentindo-o desmoronar por trás de si.

O vazio engolia as paredes... mas Nina não hesitou. Sentindo sua força levemente renovada, saltou em direção à porta, PAHH! arrombando-a com o corpo e um alto som estrondoso.

Mais uma vez... o quarto havia desaparecido.

Atrás dela, não havia mais porta.

No novo espaço, não havia nada além de enormes quadros que não exibiam... "nada", todos eram inteiramente tingidos pelo tom vibrante do sangue da Primordial Rosa. As molduras eram adornadas de joias rosas, espalhando brilho nas extremidades de cada quadro.

Os quadros estavam espalhados por todos os cantos: no chão, no teto, cobrindo quase toda a parede de espelhos inteiramente sem bordas e perfeitos. Esses espelhos, no entanto, não refletiam apenas o ambiente. Refletiam partes do rosto de Nina, refletiam seus olhos dilatados e o medo estampado em sua expressão, como se o seu próprio pavor estivesse gritando de volta para ela.

Com a mente em frangalhos, Nina já não conseguia mais se controlar. Sua respiração acelerada, seus olhos tremiam, e se sentia como se estivesse à beira de um colapso total. Nem sequer tinha a Detecção ativa. Paralisada por alguns segundos, apenas fitava os espelhos, vendo um reflexo distorcido de si mesma, como se fosse outra. Como se fosse uma cópia.

— Nathaly... — sussurrou, a voz quebrada, incapaz de conter as lágrimas que ainda escorriam de seus olhos trêmulos. O medo tomava conta de seu ser.

Em todos os quadros, simultaneamente, a imagem da cama de Rosa junto de Nathaly foi projetada. Mesmo olhando para baixo, Nina não conseguiu escapar daquela visão.

Sua percepção era uma sobreposição angustiante: enquanto via Rosa acariciar o corpo de Nathaly, e sua risada sádica ecoando no ambiente, também via seu próprio olhar refletido nos espelhos, nas frestas entre os quadros retangulares.

Aihn Nathaly, seu corpo é tão macio... Ohnm... Sua boquinha... — Rosa se divertia, sentindo o forte odor do medo de Nina exalado em sua dimensão.

Desconcertada, a Primordial mais baixa juntou todo o ódio que sentia e, entre o medo e a fragmentação de sua mente, encontrou um momento de "lucidez".

Fechou os olhos rapidamente, forçando-se a se controlar, e, em voz rouca, rosnou:

Detecção... Atômica!

Seu controle mental foi restaurado, ainda que momentaneamente.

Em um instante, toda a dimensão foi mapeada em sua mente: todas as salas, incluindo aquelas criadas e as novas que surgiam constantemente, eram agora visíveis para Nina. Seguindo uma linha reta, atravessando nove paredes, localizou a presença de dois seres.

Nina criou novamente sua marreta e avançou, acertando diretamente a parede à frente... na imagem de Rosa.

BUM! BUM! BUM! BUUUM!!

Correndo e destruindo cada nova parede que surgia, Nina destruiu a nona barreira e entrou no quarto onde sua mulher precisava de sua ajuda.

Ao ver Rosa ainda segurando Nathaly, a mineira não perdeu tempo. Vrush! Avançou em direção à cama, desfez a marreta e criou uma espada para ser mais precisa ao matar o inseto, que continuava deitado tão perto de sua mulher.

Todavia, antes que pudesse agir, BMM! um monstro a agarrou por trás.

Era o Ragnarok de Rosa...

Com uma força arrasadora, segurou o pé de Nina e a puxou para trás. No entanto, Nina usou esse movimento a seu favor, impulsionando-se para trás e desferindo um corte na criatura.

Shk!

Antes que o golpe o atingisse, o Ragnarok soltou seu pé, e o corte o atravessou... mas passou através do vazio, sem tocar no corpo da criatura. Nina, como um foguete, passou por ele, indo diretamente em direção à parede.

PAAAHF!

O impacto foi brutal.

Se chocou contra a parede, porém não teve tempo de se recuperar. Após um leve quique, os tentáculos viscosos do Ragnarok saíram da parede e a envolveram novamente, prendendo-a à parede daquela dimensão distorcida...

Rag queria intervir, todavia o medo de Morte o excluir da existência era absurdo. Não tinha coragem para ir contra a autoridade da Deusa. Por mais que se coçasse querendo peitar Nightmare — o Ragnarok de Rosa — e proteger Nina, não podia fazer nada se Nina não lhe ordenasse.

Aquele Ragnarok era intocável a qualquer momento, no entanto, se entrasse em contato com alguém, esse alguém poderia tocá-lo naquele curto intervalo de tempo.

Presa, vendo a cama ao longe, Nina assistiu Rosa beijando Nathaly na boca, enquanto tentáculos começavam a rastejar e se infiltrar no short de sua mulher.

BRRRAUUMM!!

Nina explodiu em raios escuros, destruindo as cordas que a aprisionavam.

VRUSH!

Avançou novamente na direção da Primordial mais alta, desesperada para impedir o abuso de sua amada. No entanto, BMM! Nightmare a agarrou pelo pé outra vez... Mas, dessa vez... Nina sorriu.

PL-PL-PLOCH!

Seu sangue, afiado feito lâminas, penetrou no braço mágico da criatura, causando-lhe uma dor insuportável.

Em um grito silencioso de raiva, Nina se prendeu ao Ragnarok e, VUL! com a força de um furacão, girou seu corpo, preparando-se para o golpe final.

BRRAUMM!

Desferiu um soco no centro do corpo da criatura, liberando uma descarga de magia elétrica tão poderosa que destruiu quase toda a alma do ser, enviando-o em direção à parede onde antes permanecia presa.

O Ragnarok não teve chance.

Antes de colidir na parede, desapareceu completamente — suas energias vitais aniquiladas.

Nina girou o corpo com agilidade, esticando um braço e puxando o outro para trás em uma flecha. Um feixe insano de magia elétrica escura foi criado, iluminando o ambiente de um brilho mais que letal.

SIL...!

Rosa olhou-a de canto no tempo que lambia os lábios de Nathaly... logo percebeu que o quarto não era mais rosa, agora era preto e roxo, tendo o núcleo da coloração sendo uma flecha gritando feito um dragão, abrindo a boca feito um Leviatã indo em sua direção.

BRRAUUUHMMM!

Nina controlou seu poder com extrema precisão, destruindo metade da cama e os tentáculos, deixando Nathaly livre, ainda inconsciente, mas agora fora do alcance de Rosa. Do outro lado, Rosa desviou facilmente, se desvencilhando do corpo e cama, surgindo de pé um pouco distante, sorrindo de forma excitante e encarando Nina nos olhos, desafiando-a subitamente.

Um braço meio abraçado ao corpo, apoiando o cotovelo para sua mão desleixada próxima do rosto:

— Que magia é essa, garota? Como você aprendeu isso? — Sua voz doce e sedutora fazia Nina se revirar de nojo, alimentando ainda mais sua raiva, desejando aniquilar aquela mulher da face da existência.

Todavia... isso fez Nina... se distrair.

O ódio era evidente em seus olhos, fixos profundamente no rosto daquela alta e bela mulher, vestida de rosa. Seu foco estava completamente em sua tia, VRUSH! e Nina avançou, criando uma espada de sangue, pronta para cortá-la ao meio, na intenção de terminar tudo de uma vez — um único golpe no coração.

Mas, ao se concentrar demais em Rosa, não se atentou ao seu redor.

Fuu!

Foi como um sopro... que Nina não ouviu.

Consumida pela fúria que dominava sua mente, o chão se abriu sob seus pés.

Avançando em alta velocidade, seu corpo começou a cair.

PÁÁÁHH!

Colidiu contra a borda de uma parede profunda, batendo os seios. O impacto foi tão forte que sentiu suas costelas estremecerem. Aproveitando os braços esticados, tentou se segurar na borda, mas, antes que pudesse reagir, Rosa surgiu diante dela, erguida e imponente — as fendas do vestido mais evidentes.

PHAM!

Um chute certeiro atingiu o centro de seu rosto, lançando-a no abismo escuro.

FUuuUuuUuuUuuUU...

Nina girou no ar, caindo em queda livre. O ambiente ao redor era completamente rosa-escuro, quase preto. Não conseguia ver nada enquanto despencava, Plahschh... até que seu corpo finalmente colidiu em algo macio e elástico.

Tentou se levantar... não conseguiu. Seu corpo estava preso. Havia caído em uma imensa teia de aranha, esticada naquele lugar sinistro e aparentemente infinito. Olhou para a direita... só via a teia infinita disputando com o escuro interminável. Olhou para a esquerda... não mudou absolutamente nada.

Nina continuava tentando se soltar... Quanto mais força, mais aquilo parecia lhe agarrar. De repente um puxão forçou-a a olhar para cima. E foi então que viu: uma aranha gigante e peluda descendo em sua direção. Suas patas monstruosas dando tremeliques.

Não era tão ruim.

Nas costas do ser, revelava-se o tórax de Rosa, imaculada e vaidosa como sempre. Mesmo tentando causar pavor, não conseguia se colocar inferior. Não conseguia deixar de apenas se preocupar com sua aparência em qualquer ocasião.

Desceu até tocar a teia, e começou a caminhar em passos lentos e ameaçadores, tentando aterrorizar sua sobrinha.

— Queria protegê-la assim? — Sua voz doce ecoava, enquanto Nina, mantendo o rosto aterrorizado, só podia esperar que ela se aproximasse mais. — Uma garotinha fraca e cheia de medos... Vou devorar você!

— Para... Por favor, para... — sussurrou, a voz trêmula, "desesperada".

— Vou devorar seu corpo lentamente... e a sua namoradinha também. — Rosa se aproximou ainda mais, pisando bem perto de Nina, como ela desejava.

— Você errou. Meu irmão tem medo de aranha... não eu.

BRRUUNRRNN!!

Outra vez a dimensão assumiu outra cor. Cada canto de teia começou a queimar após Nina explodir a área ao redor de seu corpo em chamas escuras. Foi quase instantâneo. Soltou-se e se ergueu criando uma espada no tempo que avançava em meio ao cenário oscilando de preto e roxo.

Rosa saltou para trás tentando desviar do golpe fatal se direcionando ao coração... Conseguiu. Desviou, mas a espada passou, SHKKR-R-RUNCHH! rasgando três pernas da aranha que se colocaram à frente.

Instabilidade.

Desestabilizada, perdeu o controle da forma monstruosa assumida e retornou à sua forma verdadeira, fazendo com que também a dimensão oscilasse... desmoronasse ao seu redor.

Tudo se distorceu, e a sala branca, onde Nina havia desmaiado, apareceu.

Vendo o corpo de Nathaly caído à sua direita, a fúria de Nina se intensificou. Sangue escorreu das palmas e se formaram linhas grossas, imbuídas de magia elétrica escura. FRUSH! Avançou extremamente rápido, Sccrrrchh... e apareceu ao lado de Rosa, atacando-a em uma investida certeira.

Rosa se assustou ao ver os olhos de Nina, agora cheios de uma determinação selvagem... Parecia Blacko... Parecia seu irmão rabugento. Perdeu-se um pouco em memórias e antes que pudesse reagir, Nina contornou seu corpo na velocidade de um relâmpago escuro, prendendo-a completamente em uma aura roxa e preta.

AAAAAAARRGHHH! — Rosa gritou de dor, sua alma dilacerada enquanto permanecia completamente imobilizada pela magia divina corrompida.

Sccrrrchh...

Nina deslizou no chão, girando seu corpo em direção a ela.

SHKR-R-R-RUNCH!

As linhas de sangue se tornaram finas feito lâminas e cortaram toda a carne de Rosa, no tempo que a magia divina cortava toda a alma.

No meio disso tudo, Vush! Nina avançou mais uma vez, criando uma espada de sangue.

Shkrunch!

Em um único movimento, fatiou a cabeça da Primordial ao meio.

Pla-pla-pla-pah...

O corpo foi despedaçado, e a carne ficou empilhada no chão, enquanto sua forma se desintegrava em uma fumaça rosa, se dissipando junto das linhas pretas do sangue sombrio. Thumpf... Nina não perdeu tempo e se virou rapidamente para Nathaly... Foi correndo até ela.

Agarrou o pulso da amada e verificou seus batimentos cardíacos... O alívio percorreu cada fio de seu corpo ao perceber que ela ainda estava viva... somente inconsciente.

Nina se acalmou um pouco, colocando de forma suave a mão no rosto dela, cheia de carinho para sentir o calor, antes de começar a sacudi-la lentamente. Seu coração ainda disparava em preocupação.

Porém, a cada segundo que passava, enquanto sacudia Nathaly sem obter resposta, o desespero de Nina aumentava. Suas lágrimas começaram a escorrer incontrolavelmente, sua cabeça novamente à beira do colapso — a dúvida gritando sem trégua.

— Nathaly. Nathaly, acorda! — dizia, a voz embargada pela aflição.

Depois de mais alguns segundos de agonia, Nathaly começou a se mexer, ainda sonolenta.

Hnmmn...? — murmurou baixinho, o som quase inaudível.

— Acorda! — exclamou, Paff parando de sacudi-la e sentando-se um pouco para trás.

Passou os braços nos olhos, limpando as lágrimas que não cessavam.

O chão era bem desconfortável... era notório saber isso vendo a carinha de Nathaly abrindo lentamente os olhos e se esgueirando na velocidade de um jabuti... Olhou ao redor bem confusa. O branco do ambiente claro parecia reprimi-la.

Notou um segundinho depois Nina ao seu lado. Seus olhos se encheram de preocupação ao perceber o estado de sua mulher com cara de choro:

— A-aconteceu alguma coisa? Por que está chorando? — perguntou, sua voz suave, preocupada.

Nina hesitou.

"Não posso contar o que aconteceu... É melhor assim. É... É pro bem dela..." — Eu... Eu entrei e te vi no chão. Fiquei com medo de que você estivesse machucada... — respondeu, a voz falhando, o coração apertado.

Ahh... — Nathaly soltou uma leve risada ao ver a expressão preocupada de Nina. — Relaxa, estou bem. Não sei o que aconteceu, estava andando e uma espécie de fumaça rosa entrou na sala, e agora estou aqui.

— Deve ser algo venenoso ou coisa do tipo... Você tá se sentindo bem mesmo? — insistiu, ainda tensa, seus olhos não deixando de analisar cada movimento de Nathaly.

— Estou normal, eu acho... Perdemos muito tempo? — perguntou, levantando-se. — Vamos continuar procurando juntas, ok? — Tentou mudar o clima, mantendo um sorriso, tentando dissipar a tensão no ar.

— ...Sim. Você tem razão. — Nina só aceitou, um pouco aliviada, mas ainda sem coragem para contar a verdade.

Achava que seria melhor não falar sobre tudo o que havia acontecido, especialmente considerando o passado de Nathaly, quando ela havia mencionado o "pai" meses atrás.

Nathaly esticou os braços em um bocejo descontraído, subindo um pouco a blusa, revelando levemente a barriga. Nina se levantou e passou as mãos nos olhos outra vez, limpando as últimas lágrimas que restavam, enquanto seu corpo ainda vibrava levemente devido ao que havia acabado de acontecer.

De volta ao ponto zero, Nina olhou para a porta dupla à sua frente. Como já havia passado por ela, virou-se e seguiu acompanhada de Nathaly na busca por mais pistas sobre os mapas de Alberg, avançando agora pela outra porta dupla lhes aguardando.

Caminharam por vários e longos corredores inteiramente brancos até chegarem a um que era mais largo que os anteriores. No fim desse corredor, uma porta mágica dupla as aguardava.

Tusss...

Chegaram a poucos metros e a porta se abriu diante delas.

Ao entrarem na sala, a visão que se revelou diante delas lembrava um misto de escritório e laboratório. Como em Alberg, a sala, repleta de papéis espalhados e livros empilhados, refletia o caos do lugar. Sobre algumas mesas, experimentos com resíduos de líquidos e seringas sujas denunciavam que o lugar não havia sido abandonado há muito tempo.

Continuaram a caminhada, passando por uma poça de líquido metálico, cujos reflexos distorciam suas imagens.

Avançaram até o escritório.

Nathaly, à frente, se dirigiu até uma estante de livros. Nina, por sua vez, olhou para o pescoço dela e percebeu algo que a fez parar de andar abruptamente.

"Ela tava com o colar mais cedo?"

A mente de Nina, já desgastada, quis ignorar a dúvida. Pensar sobre isso a levaria de volta ao estado mental caótico de antes, e ela não queria se perder novamente.

Decidida, entrou no escritório e pegou alguns papéis que estavam sobre a mesa. Embora tentasse se concentrar, sua atenção permanecia dividida. Seus olhos se fixavam em Nathaly o tempo todo. Toda hora, olhava-a e não conseguia parar.

...Não queria ver aquilo... Não queria ter visto o que viu.

Quando viu Nathaly se curvando para pegar algo no chão, TUHMRK!-TUHMRK! seu coração disparou violentamente a ponto de um fio de sangue preto escorrer por seus lábios. Seus olhos arregalados quase rasgando a carne.

Os papéis deslizaram de seus dedos.

Fraaash...

...O som do papel caindo ecoou no ambiente.

Nathaly se virou, e Nina a viu passar as mãos pelos cabelos, jogando-os para trás, como sempre fazia.

Ela a olhou com um leve sorriso.

— Achou algo? — e murmurou como sempre fizera.

Nina a encarava, paralisada, sem conseguir pronunciar uma única palavra... Seus olhos fixos nos dela, até que uma lágrima escorreu pelo seu rosto... uma lágrima que quase se juntou ao sangue pela dor que sentia ao tentar negar e aceitar. Devido à dor que sentia por não saber o que fazer ou pensar.

— Nina... O que foi? — O sorriso de Nathaly se desfez, dando lugar a um semblante preocupado, repleto de afeto.

Ainda em silêncio... Nina avançou.

BM!

Agarrou Nathaly pelo pescoço.

PÁH!

Derrubou-a no chão e continuou... queria matá-la, mas também não queria. Fazia força, todavia também não fazia... e isso só gerava em uma prolongação de sofrimento. Nathaly lutando para respirar. Seus olhos inchados pela falta de ar... As mãos de sua mulher em seus braços rígidos não faziam força... só pediam para Nina parar.

Entrecortadamente, Nathaly tentou sussurrar:

— Amor... o que... es...tá... fazendo?

— SEI QUE NÃO É VOCÊ! CALA A BOCA!!

— A...mor...

— CALA A PORRA DA BOCA, MERDA!!

— P...or qu...

Creck...

O som do estalo, algo se partindo, cortou o ar, abafando todos os pensamentos de Nina em um único instante... Ouviu o som de ossos sendo quebrados e logo, Pla-pl... viu os braços de Nathaly caindo sem vida sobre o chão.

— Cala... Cala a boca... — murmurou, suas palavras tremendo, sem nem entender mais o que dizia.

Se ajoelhou diante do corpo sem vida de sua menina, as lágrimas escorrendo por seu rosto. Seus olhos estavam fixos em suas palmas abertas. O choro era incontrolável, e sua visão, turva. O silêncio dentro de sua mente era como um grito contínuo — o eco de sua própria culpa.

Nada acontecia.

O tempo parecia parado, e a dimensão onde Nina acreditava estar presa não se desfez... Nathaly... não se levantava. Permanecia ali, imóvel, sem vida, com o pescoço marcado pelas mãos da mulher que mais confiava.

A mente de Nina começava a perder a noção. Seus olhos estavam arregalados, o corpo tremendo como se estivesse sentindo o frio mais absoluto possível.

As lágrimas escorriam, caindo sobre suas palmas trêmulas, enquanto olhava fixamente para o corpo da mulher que amava — a mulher que agora havia matado usando suas próprias garras.

O peso da culpa esmagava seu peito, o horror de sua ação consumindo-a por inteiro, enquanto permanecia paralisada... incapaz de se mover... por simplesmente não conseguir saber o que fazer.

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