Volume 2 – Arco 11
Capítulo 209: País dos Anões
Com Nino de volta à vila, agora, nesta nova manhã, a viagem de Jonas e os outros chegava ao sexto dia.
Passavam por um lugar conhecido... ao menos para o casal e a Harpia.
Mantendo a mão direita cobrindo os olhos do sol, Jonas observava o deserto de areias esverdeadas no qual viajavam.
O clima se encontrava ameno — época de chuvas na região, e embora as areias não estivessem molhadas, o frescor que a vegetação formada por cactos roliços deixava era incrível.
Armazenavam água de forma mais eficiente que esponjas, e soltavam um ar fresco por aberturas em seus corpos que mais parecia um ar-condicionado, possibilitando que pequenas plantas e vidas vivessem ao seu redor... Jonas guiava a todos em meio a eles.
Ainda era um deserto. Ainda era muito quente... porém sua experiência e inteligência faziam a viagem tão perigosa ser mais fácil que provocar seu mestre.
Tariki, Frederica e Silvia olhavam para os seres de forma estranha... com um certo nojinho. (Aceitável...) Os cactos eram seres vivos. Cheio de água = feliz. Sem água = furioso.
Naquele momento, estavam fartos e dançavam felizes. Seus corpos indo para um lado e para o outro, sem desgrudar do chão.
Seus rostos... uma expressão contente que embrulhava o estômago dos três amigos aventureiros...
Frederica olhava de canto. Logo desviou o olhar ainda mantendo uma expressão de repulsa. Silvia e Tariki não conseguiam. Olhavam de forma hipnótica para aquelas coisas estranhas se movendo.
Ao menos não estavam raivosos... pois se estivessem, iriam atacá-los. Sua coloração e forma seriam mais apagadas, murchas, desidratadas. Ao passar em sua frente, disparariam espinhos, não por mal, mas por medo de serem devorados ou colhidos.
Suas propriedades enquanto mortos eram boas para produzirem jarros de água e líquidos usados em viagens. Matá-los ainda hidratados não funcionava. Precisavam matá-los enquanto estavam desidratados. Precisavam deixar o sol fazer este "pequeno" trabalho.
Matá-los hidratados os faria derramar toda a água acumulada e seus corpos se tornariam geleia... barro no chão. Desidratados, podiam ser moldados e polidos sem que se desmanchassem. Entregando ao seu colhedor uma fonte quase térmica para água gelada.
Reconhecendo o ambiente se tornando mais remoto, Jonas avisou em voz alta:
— Estamos próximos ao País dos Anões! A propósito... — Shsch... começou a procurar algo em suas roupas — Liza, lembra onde deixei aquela carta?
— No saco?
Akli olhou à frente e viu um saco com um papel embaixo do "sofá". A híbrida porco e cachorro cinza guiou o próprio olhar através do dela.
Lançaram as cabeças para baixo, sem cair do sofá, e viram o saco com uma carta. A porca pegou-a, desceu do assento e estendeu para Akli.
— Tem um papel aqui, é esse? — Akli recebeu e mostrou o papel para Jonas.
— Esse mesmo! — O homem se levantou no cavalo, entrou parcialmente na carruagem, recebeu o papel e... — Obrigado — agradeceu com um sorriso gentil. Frc... além de fazer um carinho rápido no cabelo da híbrida porco que aceitou sem medo.
Voltou ao cavalo... e sem vergonha na cara, começou a abrir a carta.
— Ele te disse para não ler... — Liza lançou-lhe um olhar sério.
— Aah... Eu nem sabia que ele conhecia o Orne. O que há de mal nisso? Você vai contar pra ele? — questionou com olhos grandes e uma cara de coitado.
Liza o encarou por alguns segundos... revirou os olhos e desviou o olhar.
Jonas abriu um sorrisinho junto da carta e começou a ler em voz alta:
— "Eu te disse para não ler... Sabia que ia me desobedecer, então escrevi a carta na língua dos anões, seu OTÁRIO! Hahaha!" — enquanto lia, sua voz foi diminuindo, ficando cada vez mais baixa e desanimada.
— EHAHEAHAEHE!
Todos gargalharam... Silvia mostrando a todos o poder de suas cordas vocais. Até a família rica da escolta não perdoou. Viajavam na carruagem ao lado e não conseguiram segurar o riso, cobrindo a boca cheios de classe.
"Deve estar morrendo de rir só de pensar em mim abrindo isso", pensou o desobediente, enquanto se deitava para trás. — Eu só queria saber o que era... — murmurou, triste, olhando para o céu, onde seu amigo voava alto.
— Podia ter ido dormir sem essa — zombou Liza, debochando.
Da carruagem ao lado, Frederica perguntou:
— Quem escreveu essa carta?
— Meu mestre.
— Seu treinador? — perguntou Tariki.
Jonas se sentou e voltou-se para Tariki guiando outra carruagem.
— Sim. O nome dele é Drevien.
Os aventureiros se arrepiaram inteiros... Tariki arregalando os olhos todo animado:
— O Exterminador de Dragões?!
Ao perceber a reação do garoto, levou a mão à nuca, fechou um dos olhos e esboçou um sorrisinho sem jeito.
— Sim... Mas ele não gosta de ser chamado assim.
— Se você o chamar assim, ele vai te dar um socão! — comentou Liza, fechando o punho.
— Como você o conheceu?!
— ...Quando o encontrei, vi ele segurando um dragão deitado no chão. Era imenso, talvez porque eu era criança, mas, enfim. O dragão se debatia todo, porém não conseguia escapar do meu mestre. Então, meu mestre aproximou o rosto da boca do bicho, forçou-a a abri-la e o dragão soprou o fogo que ele queria para acender seu charuto esperando preso entre os dentes. Depois de começar a fumar, soltou o dragão...
Um sorriso se formou enquanto viajava em suas lembranças:
— Ele não quis matá-lo. Meses depois, me explicou por que não o matou: disse que não valia mais a pena... Bem... Depois de soltá-lo, ele se virou e então me viu atrás dele, olhando-o fazer tudo aquilo. Ele segurando um porrete gigante no ombro, eu olhando e achando o máximo.
Tariki escutava tudo atentamente... Frederica até estranhava um silêncio tão longo assim:
— Depois de muita insistência, ele aceitou e me treinou por oito anos. Eu tinha dez anos quando o conheci e vivi com ele até os dezoito. Após esse tempo, continuei treinando, mas não com a mesma intensidade de antes. O foco do treino mudou; passou a ser mais relacionado ao reino. Como no primeiro dia, que busquei Liza em Dirpu, e, quando voltamos, Drevien me mandou escoltar o rei até o País dos Híbridos... nosso destino final nessa "pequena" viagem.
Liza lançou um olhar dramático a Jonas.
— Pensei até que você iria me abandonar quando saiu da escola para ir até Alberg.
Jonas se voltou para ela, com uma expressão ligeiramente surpresa.
— Mas nós conversávamos por carta.
— Não é a mesma coisa que tê-lo lá.
Frederica, curiosa, interrompeu:
— Escola de Dirpu?
— Sim. — Jonas se voltou para Frederica. — Só lá há uma escola de magia, ao menos para humanos. O mundo é grande, vai saber se existe outra por aí.
— Eu também estudei em Dirpu...
Silvia lançou um olhar curioso para Frederica.
— Vocês são ricos?
— Devem ser. Já ouvi minha mãe falando sobre isso com meu irmão. — Tariki abaixou o olhar, perdido em suas lembranças. — ...É muito caro estudar lá.
— Não sou rica, mas minha família vive bem — respondeu Frederica, cruzando os braços e fechando os olhos, tentando mudar de assunto.
"Família da elite e não é rica?... Ah, sei lá. Pode estar mentindo por segurança", pensou Jonas.
Tariki e Silvia a encararam com curiosidade antes de perguntar em uníssono:
— Por que está arriscando sua vida, então?
— Viver naquela mansão é um tédio.
— Te entendo — disse Akli, curvando levemente a cabeça.
— General, você estudou lá, certo? — perguntou Tariki.
— Sim.
— Por que saiu?
— ...Não consegui aprender magia. Não sei o motivo, mas deve ser algo muito complexo para mim. Mesmo me esforçando muito, e fazendo igualzinho aos outros, eu não conseguia aprender, então decidi aprender a lutar mesmo.
— Entendi... — Tariki abaixou o olhar, observando a palma de sua mão direita marcada por calos do treino realizado com sua espada velha e destruída.
— Estamos próximos à entrada, pessoal. Preparem-se — avisou Liza, interrompendo o momento.
Jonas olhou para frente.
— Entrada? — Frederica franziu o cenho. — Mas não tem nada aqu...i...
Naquele instante, enquanto falava, o grupo atravessou a Dimensão Invisível.
A entrada e saída terrestre era única, localizada em um ponto específico do deserto de areias esverdeadas.
Só era possível acessá-la vindo diretamente do Leste. Se alguém tentasse atravessar o mesmo local vindo de outra direção, simplesmente passaria reto, sem jamais perceber a existência daquele lugar.
Essa era uma das características da Dimensão Invisível, criada pela Bruxa dos Anões.
Assim que o grupo adentrou a dimensão, uma estrada reta os conduziu às primeiras construções.
O lugar em si era uma imensa caverna, com um grande buraco no teto que permitia a entrada da luz do sol, iluminando tudo de forma uniforme, embora fosse possível ver alguns raios mais fortes e definidos.
O teto da caverna era feito de pedra, entrelaçado por uma vegetação exuberante. Plantas imensas e cipós pendiam, cobrindo partes da rocha e atribuindo ao espaço uma harmonia selvagem.
Sobrevoando a entrada aérea, Warp observava o grupo, atento aos movimentos de Jonas e dos outros.
Frederica, assim como o resto do seu trio, ficou encantada ao ver as casinhas, que, apesar de grandes, pareciam menores do que o normal.
As construções eram feitas de madeira bruta, com troncos de cor escura e pedras cinzentas, que, apesar de simples, exalavam robustez.
Algumas possuíam dois andares, e pequenos comércios rústicos se espalhavam pelo lugar.
Ao olhar mais ao fundo da caverna, em níveis mais baixos, era possível ver ainda mais edificações e cenários variados.
Não eram apenas os anões que habitavam ali.
Uma sensação de cuidado emanava do lugar, como se a própria Bruxa zelasse por todos.
Não havia fome, sede, cansaço ou dor.
Embora essas necessidades ainda existissem, a sensação de ser protegido por alguém poderoso penetrava suas almas, trazendo conforto.
Uma lágrima escorreu pelo rosto de Frederica, emocionada com a harmonia do ambiente.
A combinação da luz natural com a beleza da caverna poderia facilmente prender qualquer visitante, hipnotizando-o por horas.
— Que lugar lindo... — murmurou ela, seus olhos fixos em Warp, que parecia complementar a beleza do cenário.
As carruagens chegaram perto dos primeiros comércios, FRUSH! e Warp desceu rapidamente... pousando com graciosidade à frente de todos... e todos se voltaram para o Rei das Feras Lendárias, o único harpia macho existente. Com seus imponentes quatro metros de altura e uma envergadura de oito metros quando abria as asas, Warp era magnífico.
Sua plumagem branca, das penas ao bico, contrastava com as íris pretas, que transmitiam uma intensidade única, quase hipnótica.
O casal desceu da carruagem.
Jonas logo subiu na parte de trás, vendo as crianças e Akli. A híbrida aranha se mantinha tranquila, aproveitando a sensação transmitida pela Bruxa para relaxar um pouco.
As crianças, por outro lado, se mostravam curiosas olhando pela janela — todas menos a elfa, que mesmo sentindo os cuidados, sentia-se um pouco ansiosa em relação a voltar para casa.
Jonas segurou firme a alça do saco e tentava com tudo puxá-lo para fora. Parecia um louco fazendo força e quando Liza se aproximou, este lançou a mão deixando-a próxima da altura do peito da noiva, como quem não queria ajuda.
Liza deu um sorrisinho e se afastou, deixando o cabeça dura executar a missão de Drevien sozinho... todavia, fora da carruagem, Tariki olhava para Warp e não era só o seu corpo tremendo:
— P-p-posso t-tocar n-nele?
Antes que alguém pudesse responder, Warp girou a cabeça e o encarou diretamente.
O jovem ficou pálido, paralisado pelo medo, sentindo o olhar penetrante da harpia.
Quase tropeçando para trás, murmurou, aterrorizado:
— M-m-melhor não...
— Hã? — Jonas arrastou o saco por três centímetros, e em uma pausa para não cair duro, reparou no trio. — O nome dele é Warp. Se ele não se mover, isso quer dizer que ele permite. Mas se ele se mexer... é melhor vocês correrem! — o general brincou mantendo uma expressão amedrontadora, gritando levemente, o que assustou ainda mais o trio.
— E depois sou eu que os assusto, né? O Warp é tranquilo. Ele não liga — Liza interveio, dedurando Jonas.
O trio olhou para Liza e todos assentiram várias vezes em sincronia. Logo depois, se viraram e se aproximaram de Warp, indo com as mãos para tocá-lo, quase em câmera lenta... cheios de receio.
Warp piscou, entediado com a demora dramática, até que, finalmente, tocaram.
— Que pena fofa! — comentou Frederica, no tempo que o trio admirava o rei.
Jonas deu um sorrisinho debochado para Warp que o olhou com tédio... logo virou-se para continuar puxando o saco cheio de minério bruto... PÁH! depois de alguns segundos, finalmente o tirou da carruagem.
Igual a um caranguejo, se posicionou com as duas mãos e saiu lentamente de lado, quase se borrando cheio de veias saltando em seu rosto claro.
Pelo menos não era tão longe seu primeiro destino na viagem. Embora parecesse a cada passo minúsculo.
Foi indo na velocidade que conseguia até finalmente chegar à oficina de Orne — esta se erguia na rua principal onde estavam.
Ao se aproximar da entrada, Orne, que já sabia que eles viriam após a Bruxa o avisar, dirigiu-se a Jonas, Tufh! e tomou o saco de suas mãos com extrema facilidade.
Orne era grandinho... tinha 1,28 m. Bem alto para eles, já que era difícil um anão chegar a 1,30 m e uma anã a 1,25 m. Como todo anão, fortinho e achatado, seu corpo era robusto, chegando a ser fofinho — engraçado ver a anatomia daqueles seres.
Seus cabelos tinham uma peculiaridade: eram verde musgo, bem escuro, porém quando sentia-se envergonhado ou algum sentimento forte no sentido amoroso tomava o seu ser, seu cabelo e barba longas o deduravam, assumindo um belo ruivo, contrastando com sua pele parda, e suas poucas sardas nas bochechas.
Orne vestia roupas de couro, exibindo pequenos metais, como fivelas espalhadas por todos os cantos.
Não metais comuns... só metais caros, encantados com magia anã. Como era um ferreiro, precisava mostrar seu trabalho em si, embora não precisasse — todos sabiam quem ele era e o respeitavam. Nem mesmo precisava ser um anão para conhecê-lo e ter respeito por ele.
Poderiam não saber seu nome, mas nunca desrespeitariam seu legado.
A oficina era bem organizada, exceto pelo posicionamento das máquinas, pois todas possuíam algum tipo de círculo mágico criado por Orne para executar funções específicas.
O local era inteiramente feito de pedra, e no centro havia uma fornalha mágica. Nas paredes, estavam moldes de espadas e armas lendárias que usava com mais frequência.
Entre eles, havia um molde de uma arma especial que forjou apenas uma vez para um amigo, há bons anos atrás: o porrete mágico de Drevien. Só o peso daquele molde era maior do que o saco que Jonas trouxe.
Jonas olhou para Orne... assustado.
"Sou tão fraco assim?", pensou, vendo-o manipular o objeto usando só uma mão enquanto examinava o conteúdo com a outra.
— O que é isso, garoto?
— Drevien mandou entregar isso para você... — disse, tirando a carta do bolso — E também essa carta.
— Drevien?!
— Sim.
— Faz bastante tempo que não o vejo... Lembro dele pequeno, querendo uma arma mágica... NÃO QUE EU SEJA GRANDE, NÉ?! AHAHAHAHAHAHA!! — Orne gargalhou alto, MUITO ALTO por alguns segundos. — Uff... E como ele está hoje em dia? Já se passaram muitos anos desde que ele veio... — Uma sombra de melancolia passou por sua expressão ao relembrar o passado. — Veio todo destruído mentalmente até aqui, procurando uma arma... Espero que eu tenha conseguido ajudá-lo, não só forjando o que queria.
Ao perceber o olhar melancólico de Orne, o general ficou curioso, todavia sabia que não podia perguntar sobre o passado — se Drevien descobrisse, ia cacetá-lo de porrada.
— ...Ele está bem. Muito mais calmo também.
— Que bom... — Orne inclinou o pescoço, curto a ponto de quase não ser notado, para olhar o rosto de Jonas. Com um largo sorriso que exibia seus dentes de ouro, abaixou o olhar para a carta.
Jonas, muito curioso, questionou:
— Mas e aí... O que está escrito na carta?
— ...É uma ferramenta que ele pediu. Vou criá-la e já chamo você.
— Tá b...
— E aí?! — Um gnomo entrou na oficina.
Jonas observou o ser minúsculo que surgiu do nada.
Vestia um gorro vermelho exageradamente grande e roupas verdes que contrastavam com sua pele clara. Suas bochechas eram tão cheias que Jonas sentiu um leve formigamento nas mãos, resistindo à vontade de apertá-las.
O gnomo media 1,24 m e caminhava de maneira peculiar, inclinando o corpo para os lados, como se carecesse de joelhos.
No entanto, os gnomos só adotavam aquele jeito desengonçado quando estavam relaxados. Em caso de perigo ou diante de um monstro, moviam-se com a agilidade típica dos anões, embora precisassem de quatro passos para igualar um de Jonas.
Este gnomo em particular tinha cabelos e barba de um laranja vibrante... embora o tom mais comum entre eles fosse o branco.
Alguns gnomos pintavam para pagarem de diferentões, no entanto isso era algo mais frequente entre as garotas, que adoravam chamar atenção.
— E aí, cunhado. Aproveita que tá aí e puxa essa máquina pra mim!
Tumb!
O gnomo empurrou a máquina, e esta flutuou até Orne.
— O que te traz aqui?
— Sua irmã é chata de ma...
— AHAHAHAHAHAHAHAHAAHAHA!! — Orne gargalhou muito na cara do cunhado. — ESCUTOU ISSO, YOTR?!
— SIM! AHAHAHAHAHAHAHAHAHA!!
Vários outros anões da oficina e da rua pararam para rir junto, apontando o indicador para o gnomo... Silvia viu aquilo e se sentiu em casa, apontando o indicador também e gargalhando feito uma louca, embora sua risada fosse consumida pelo barulho das outras... Tariki e Frederica olhando-a com desânimo.
— EHAHEAHAEHE!
— AHAHAHAHAHAHAHAHAHA!!
— AHAHAHAHAHA!!
— AHAHAHAHAHAHAHAHA!!
O general, completamente perdido, permaneceu olhando para aquele grupo de seres minúsculos ao seu redor, rindo euforicamente — suas bocas escancaradas, maiores que a própria cara. As mãozinhas posicionadas na barriga e outros apontando sem vergonha na cara.
— ACHOU MESMO QUE OS AVISOS ERAM PORQUE EU NÃO QUERIA VOCÊ COM ELA?! AHAHAHAHAHAHAHAHA!! EU QUERIA ELA LONGE DE CASA, MENINA CHATA PRA CACETE!! EU SÓ NÃO QUERIA PASSAR AQUELA PESTE PARA UM AMIGO! AGORA, AGUENTE TUDO QUIETINHO, TÁ, BEBEZÃO??!!
Todos continuaram a gargalhar muito da cara do cunhado... e este, mantendo um rosto desanimado, olhou para Orne, se virou em silêncio e saiu da oficina todo tristinho.
Caminhando lentamente pela rua de pedras claras, ouvia as zombarias dos anões que continuavam lá, gargalhando e apontando para ele.
Ao virar a esquina para descer até a área onde viviam os gnomos, duas garotas anãs passaram por ele.
— Olha o louco aí.
— O cara que tá com a irmã do Orne?
— SIM! AHAHAHAHAHA!!
— AHAHAHAHAHAHAHAHA!!
— Grr! — O gnomo, muito irritado por tamanha humilhação, retirou seu gorro vermelho e, Vufh! o jogou no chão, Pufpufpuf... dando pulinhos fofos várias vezes em cima dele, frustrado.
Jonas observava aquilo sem entender nada, no tempo que Orne continuava chorando de tanto gargalhar, olhando para seu cunhado naquela cena ridícula na rua.
Mas logo:
— HAAAAARRRRFFFF!!
O ferreiro respirou tão fundo que fez as roupas do "filho" de seu amigo sacudirem devido ao ar puxado pela sua boca enorme... e como se nada tivesse acontecido, parou de rir, assim como todos os anões... Bem, ainda era possível escutar as gargalhadas ao fundo, baixas, vindo das ruas que o gnomo tentava descer em paz.
— Uff... Eu gosto muito daquele cara, puta merda... Mas é isso, garoto. Assim que a ferramenta estiver pronta, eu te chamo!
— Tudo bem.
Voltando para as carruagens, o nobre da escolta se aproximou do general:
— Só me diga o valor dos reparos que eu entrego o dinheiro, general.
— Liza está cuidando disso, por favor, vá até ela.
— Claro. Com sua licença — pediu curvando a cabeça.
Jonas curvou a cabeça em resposta e o homem saiu... deixando uma visão magnífica para o general. Próximo da carruagem que veio, viu Warp sendo escalado por várias crianças anãs e gnomos.
— Que otário! — deu uma risadinha ao ver Warp, que, HRRR! suspirou desanimado, soltando fumaça pelas narinas em seu grande bico em formato de gancho enquanto olhava para seu amigo humano.
Observando os arredores, Jonas encontrou o trio em uma loja de armas mágicas e foi até eles... Não eram de Orne.
As armas de Orne eram exclusivas e não era ouro, prata ou qualquer metal valioso que pudessem comprá-las... Orne escolhia. Orne tinha que querer entregar algo ao pedinte.
Todavia o anão tinha discípulos que fabricavam armas e vendiam — não eram lendárias como as do Lendário Ferreiro, porém eram armas boas e de qualidade.
Esta loja era uma delas. Uma loja que aventureiros de todo o continente sonhavam e ouviam lendas desse lugar. Lendas e histórias que os motivavam a partir para encontrá-la algum dia.
Jonas chegou por trás deles e, notando o grupo admirando as armas de longe, com receio visível de tocá-las — pois não tinham dinheiro para pagar nem pela mais barata —, decidiu fazer uma coisinha:
— Cada um de vocês pode escolher uma. Vou dar de presente.
Os três olharam ao mesmo tempo para trás, exibindo um brilho nos olhos na direção dele e logo dispararam para dentro da loja, que, graças à magia aplicada, era muito maior por dentro do que parecia por fora.
Uma Dimensão Invisível.
Os anões não possuíam tamanha magia, porém sua Bruxa lhes concedia essas regalias. Bastava pedirem, e ela atendia aos seus filhos.
Externamente, parecia uma pequena loja, contudo, ao entrar, revelava-se uma vasta área de armas expostas, organizadas de forma impecável.
Um espaço infinito, limitado apenas pela necessidade de manter tudo bonito e em seu devido lugar.
Os três correram entre a imensa variedade de armas, com cores e formatos diversos. Algumas exibiam pedras elementais, outras possuíam círculos mágicos, e havia até combinações de ambos.
Cada um seguiu instintivamente até a arma que parecia chamá-lo, ignorando todas as outras opções no caminho, como se aquela escolha fosse predestinada — tamanha era a beleza e a conexão que sentiam ao vê-las.
Jonas sorria ao vê-los agindo feito crianças, lembrando-se de quando ele próprio era visto assim por Drevien, mesmo que Drevien o quebrasse na porrada todos os dias... e ainda o visse assim, mesmo estando na casa dos 40.
— Eu quero esse cajado! — exclamou Frederica, pegando um cajado de madeira que tinha uma cor semelhante ao seu antigo.
A pedra mágica falsa em seu cajado se destacou em comparação com a pedra do novo... era muito, muito falsa.
Quando tocou o novo cajado, a madeira mudou para um tom roxo-escuro, semelhante ao seu cabelo, e a pedra, que antes era branca, brilhou em lilás... conectou-se diretamente à sua magia.
— Eu quero essas manoplas! — Silvia colocou as manoplas nas mãos, e elas se tornaram invisíveis.
Assustada, Sfch... Sfch... passou as mãos uma na outra... porém não sentia as manoplas.
Mantendo um olhar curioso, fechou os punhos e, de repente, as manoplas se ativaram.
Ao olhar novamente e movê-las, apareceram garras afiadas — o fio das lâminas era verde e emitia uma fumaça da mesma cor, mesclada à cor preta.
— O-o que é isso?
— Essas garras possuem magia de paralisação — explicou a dona da loja, que surgiu ao lado dela.
Silvia não se assustou... Somente olhou para o lado e não viu ninguém. Porém, ao olhar para o chão, viu uma anã com um rosto gentil, olhando-a lá de baixo.
— SÉRIO?! EU QUERO ESSAS MESMO!
A anã curvou a cabeça, feliz pela escolha.
— Se liga na espadona do PAI! — Tariki exclamou, segurando uma espada longa, inteiramente prateada. Uma lâmina extremamente afiada e brilhante... Silvia e Frederica olharam para ele por exatos dois segundos mantendo uma expressão indiferente, depois viraram-se ignorando-o... e Tariki quase chorou pelo gelo.
Enquanto isso, na carruagem, as crianças híbridas sentiam medo das crianças anãs tentando subir para vê-las de perto.
Eram muito curiosos e nunca haviam visto híbridos.
Chamavam para brincar, mas eram tantos que deixavam as crianças acuadas.
— Não precisam ter medo... Os anões são nossos amigos! — exclamou Akli.
— Ô GAROTO!
Jonas pagava pelas armas do trio quando ouviu a voz de Orne e se virou para ele.
Após terminar o pagamento, deixou o trio na rua, extremamente feliz com suas novas armas, e foi até Orne.
— Já está pronta?
— Sim! — Fush! Orne retirou um tecido que cobria a arma sobre a mesa. — Aqui está... Só falta você tocá-la.
Jonas olhou e viu um cabo bem pequeno... Não entendeu muito bem, porém lançou a mão na direção.
Ao tocá-lo, um círculo mágico rasgou sua mão. Não doeu e muito menos incomodou. Uma tatuagem instantânea, uma marca foi feita, e então a magia se ativou, transformando o cabo em um grande porrete, bem maior que Jonas.
O porrete tinha 2,20 m, exatamente o tamanho do de Drevien, todavia... era extremamente leve.
— Rezeríta é muito rara e pesada, mas polida, é extremamente leve e mais resistente que a amalíta.
Jonas ficou impressionado com a arma.
— A amalíta é muito pesada, mesmo polida. Se você já tentou levantar o porrete que fiz para Drevien, sabe do que estou falando.
— Já... Já sim...
Jonas se emocionou ao relembrar um momento de seu passado:
Ano 90
Aos seus 10 anos, sempre que Drevien vacilava e deixava o porrete parado, Jonas ia e tentava levantá-lo do chão, esforçando-se ao máximo, para nem conseguir movê-lo um único milímetro para o lado.
O tempo de suas tentativas era sempre curto... e não foi diferente naquela vez.
Drevien chegou e levantou o porrete junto do menino, que se recusava a soltá-lo.
Vuvuvuvuvu...
Depois que seu mestre sacudiu o porrete para que ele soltasse, a criança aceitou a derrota momentânea.
Paf... Desceu, Crec rapidamente pegou um galho do chão e o colocou sobre o ombro direito, imitando a pose que Drevien fazia, mesmo sem perceber.
Drevien olhou para ele e viu aquele sorrisão largo, alegre e inocente.
Apesar de sua expressão normalmente séria, um leve relaxamento surgiu em seu rosto, um sorriso sutil que, embora não fosse exatamente um sorriso completo, foi um dos sorrisos mais sinceros que já havia mostrado a alguém.
Jonas, apenas por ser Jonas, aos poucos começou a amolecer o coração de Drevien, que havia se petrificado com o tempo... Com o passar dos anos não conseguindo dormir acreditando que sua família morrera por um erro... seu.
— Na carta, Drevien pediu para eu forjar essa arma e colocar um círculo mágico para que apenas você pudesse empunhá-la. Ele disse que você sempre quis ter uma... Agora você tem.
— M-muito obrigado... — Jonas ficou surpreso e muito feliz.
— Também me disse que você usa a mesma espada de madeira feita por ele na sua infância, até hoje. Mandou deixá-la comigo.
— Ah, claro! — Chc... Jonas tirou sua espada de madeira, completamente manchada de sangue de várias cores, junto com a bainha, e entregou para Orne. — Não queria me gabar, mas tem uma gota do sangue dele nesta espada... — disse em tom orgulhoso, enquanto esboçava uma careta alegre.
— O quêê?! Sério?! AHAHAHA!! — Orne olhou para a espada longa, que tinha quase o seu tamanho. — Bom, vou guardá-la. Você não vai mais precisar dela, no entanto ela sempre estará aqui, em exposição, assim como o molde do porrete de Drevien que foi usado para forjar o seu.
— S-sim, muito obrigado por forjar algo tão significativo para mim...
Drevien não era muito de demonstrar seus sentimentos, pelo menos depois da perda de sua mulher e filha"s", porém Jonas sabia que ele sempre fazia o máximo que podia. Esse gesto tornou o dia do general muito mais feliz.
Após guardar a espada, Orne voltou e entregou uma espécie de bainha para o porrete, no intuito de que Jonas pudesse carregá-lo nas costas, facilitando a puxada. Assim como usava a velha espada.
Jonas recebeu o presente e a vestiu, enquanto Orne respondia seu agradecimento:
— Agradeça a ele quando voltar, não a mim. Mande um abraço para ele e diga que, quando ele quiser tomar uma, é só vir, que o receberemos de braços abertos... MESMO QUE NÃO DÊ PRA ABRAÇAR AQUELE CARA IMENSO!! AHAHAHAHAHAHAHA!!
Jonas riu levemente ao ver Orne gargalhar.
— Claro... Pode deixar, vou avisar meu mestre!
Orne acalmou a gargalhada e levantou seu pequeno braço direito... Não alcançava a cabeça de Jonas. (Obviamente.)
— Poderia se ajoelhar?
— Ah, claro! Desculpe.
Jonas se ajoelhou.
— ...Poderia curvar a cabeça?
— Ah, claro!
Curvando a cabeça, o humano sentiu os dedos grossos de Orne em sua testa — o anão o abençoou com sua magia.
— Vá em paz, garoto... Boa viagem!
— Obrigado, tenha um bom dia de trabalho!
Orne abriu um sorrisão. Seus dentes de ouro refletindo o rosto do "pequeno menino" sendo cuidado pelo seu "pai".
Os olhos fechados do anão. Uma "pequena" risada contagiante como de costume, de uma raça alegre, piadista e divertida.
Depois de se despedir quase em choro, o humano voltou às carruagens.
— Já está tudo pago... Que cara é essa?
— Drevien é um bobão.
— O que ele fez?
— Isso. — Bm o general segurou o cabo e, ao puxá-lo, o porrete se materializou, reagindo à magia de Orne. Em seguida, colocou o enorme porrete mágico no ombro, exatamente como seu mestre fazia.
— QUE FODA! — gritou Tariki, surgindo quase como uma cobra se rastejando no chão.
— Que lindo... Mas pensei que gostasse de usar espada — comentou Silvia, recatada... (Milagre.)
— Como meu mestre diz: "Não preciso de uma lâmina se o crânio estiver destruído".
— Seu mestre é muito legal!
— Então... aquele minério era um presente para você?
— Sim...
— Ele consegue ser fofo às vezes.
— Vou contar para ele que o chamou de fofo — disse com um sorriso debochado.
— Ele vai brigar comigo, faz isso nãão... — Liza abaixou a cabeça, quase chorando, segurando-o pela gola da blusa, no tempo que o balançava e imaginava a tamanha bronca que receberia.
Por um minuto, até poderia se dizer que eram adolescentes, porém a idade não mentia. Podiam ser preservados, afinal, dinheiro para cuidados não faltava para as famílias da elite, mas ainda assim, não eram tão jovenzinhos.
— Tô brincando... — Jonas deu uma risadinha. — As coisas já estão prontas, né?
— Sim — Liza o soltou, parando com seu draminha brincalhão.
Jonas olhou na direção onde lembrava de ter visto Warp mais cedo.
— Cadê o Warp?
— Saiu voando para fora da dimensão assim que as crianças desceram dele.
Era isso... o que Liza achava...
Warp não havia saído; havia sido chamado pela Bruxa dos Anões e então foi até lá, para conversar com ela.
— A cara dele fazer isso mesmo... — Jonas olhou para todos na viagem. — Já estamos partindo, galera!
— Entendido, senhor! — Tariki prestou continência, enquanto Frederica o olhava mantendo uma expressão indiferente.
Após organizar os mantimentos e verificar os reparos das carruagens, retomaram a viagem, saindo pelo único caminho por onde haviam entrado no País dos Anões.
Ao sair, Jonas levou um pequeno susto; não estavam no deserto de areias esverdeadas, mas sim em um desfiladeiro com cascatas de areia líquida cinza.
Havia alguns seres lá... não havia com o que se preocupar... não eram agressivos.
Pedras vivas — cujos corpos eram formados por três pedras circulares — usavam magia de vento para manter suas partes unidas e se movimentar, enquanto se banhavam e se alimentavam das areias.
Alguns tinham mais pedras, formando corpos longos, semelhantes a serpentes.
Não possuíam boca nem carne; sua alimentação consistia em manter suas pedras sempre novas e não ressecadas, mesmo após muitos dias expostas ao sol.
— General... Onde estamos?
Warp, nesse momento desceu em um rasante, surgindo ao lado da carruagem de Jonas, sem alterar o vento, empurrar um grão de areia e muito menos uma pedrinha... uma aterrissagem mais que perfeita. Uma precisão incrível.
— Gmrrr...
— Ah... Por que você tem esses segredinhos?
Warp o encarou com um olhar desanimado, FRUSH! e bateu suas asas, desaparecendo de lá, agora, fazendo um barulho bem rebelde.
O amigo humano olhou para o céu e viu seu amigo fera sobre as nuvens, protegendo a escolta.
— O que ele disse?
— Disse que estava conversando com a Bruxa dos Anões e que ela reduziu a viagem. Não saímos no mesmo lugar onde entramos porque, tecnicamente, fomos teletransportados para alguns dias à frente na viagem.
— ...Teletransporte não era letal?
Frederica olhou de canto para Liza e desviou o olhar como se escondesse algo... embora seu rosto não escondesse nada.
— Ele disse "tecnicamente". O que a Bruxa fez foi aumentar a Dimensão Invisível, comprimindo a distância em poucos centímetros, para assim permitir que saíssemos mais à frente.
— ...Entendi nada.
— Também não. Mas foi o que ele disse... — Jonas, um pouco bolado, deixou seu ciúme falar mais alto: — Harrff... Esse rabugento namora e nunca me mostrou sua namorada... Conhece algumas Bruxas, mas nunca me diz nada sobre elas! Muitos segredos para o meu gosto... Por isso prefiro o DREVIEN!
— GMMRRRR!!...
Mesmo de longe, o resmungo irritado de Warp foi ouvido por todos. Jonas, ao ouvir o que Warp disse, se levantou sobre seu cavalo, respondendo à altura:
— ERA PRA ESCUTAR MESMO, SEU SAFADO!!
Apoie a Novel Mania
Chega de anúncios irritantes, agora a Novel Mania será mantida exclusivamente pelos leitores, ou seja, sem anúncios ou assinaturas pagas. Para continuarmos online e sem interrupções, precisamos do seu apoio! Sua contribuição nos ajuda a manter a qualidade e incentivar a equipe a continuar trazendos mais conteúdos.
Novas traduções
Novels originais
Experiência sem anúncios