Dançando com a Morte Brasileira

Autor(a): Dênis Vasconcelos


Volume 2 – Arco 10

Capítulo 208: Nova Primordial

Após matar Branco, Nino continuava em seu estado de loucura.

Scrrrrechh!

Arranhava o próprio rosto enquanto as almas gritavam em sua mente. Instintivamente, detectou dois seres que queria para se entreter — os únicos cuja presença era inexistente naquele mundo.

O mais forte deles não se encontrava no continente Central... estava no Leste. Era uma elfa de pele clara, com olhos de um azul cristalino que beirava a perfeição.

Vestia um vestido com várias camadas de tecido branco, algumas delas translúcidas, sem revelar nada além dos braços. Os detalhes em verde-claro e dourado se mesclavam harmoniosamente com seus longos cabelos brancos.

Ao sentir alguém a observando, lentamente virou a cabeça na direção de Nino, esboçando um pequeno sorriso sedutor e despreocupado.

— Venha... Vou adorar brincar com sua alma.

Nino, no entanto, a ignorou.

Sua distância era maior do que a do segundo ser.

Olhando para o noroeste, dentro da Floresta do Desespero, viu Anna utilizando o Tesouro de Bruxa. Seu corpo se curvou para frente e, num instante, VRUUUSHH! disparou em uma corrida tão rápida que cortava o solo com sua passagem.

As vozes em sua mente não paravam:

"MATAR!" "MATAR!" "MAATAR!"

"MAIS RÁPIDO!" "MAIS RÁPIDO!"

Em meio ao caos, Nino começou a gritar junto das almas:

— Mais rápido... Mais rápido... MAAAIS!!... — CRUUMNNM!! — RÁÁÁPIDO!!

BOOOOOMM!!

Após o grito, seu próximo passo foi mais lento, e o chão afundou sob seus pés.

Uma explosão se seguiu, e Nino disparou a uma velocidade milhares de vezes maior, destruindo tudo em seu caminho: árvores, colinas, monstros, animais... Nada que cruzava sua rota permaneceu vivo. Tudo foi consumido pela Purgatório.


Mesmo a quilômetros de distância da floresta, todos começaram a sentir uma presença assustadora se aproximando com uma velocidade ainda maior. Mesmo que aqueles humanos e demônios não soubessem Detecção, a presença era forte demais para não ser sentida involuntariamente. 

Clarah passou mais de 28 horas acordada em sua busca por sua irmã. O caminho de ida foi complicado; perdeu-se várias vezes, sem saber ao certo a direção, muitas vezes achando que voltava e vice-versa.

Mas, sempre que olhava para o céu, via uma estrela brilhando, um ponto constante que a guiava, independentemente de ser dia ou noite.

Essa estrela mostrava o caminho que deveria trilhar. Anna a dizia, Anna a observava, zelava por ela da mesma forma que Lua zelava por Emília, sem dizer uma única palavra. Após perder muito tempo durante a ida, finalmente, no amanhecer seguinte, Clarah encontrou sua irmã.

Depois de um momento difícil, de dor e alegria, segurou Caroline em suas costas e correu com todas as forças novamente em direção à vila. A exaustão era nítida, continuava sendo apenas um demônio comum que havia treinado intensamente durante a infância. Essa resistência adquirida não lhe dava a força necessária para suportar mais de um dia sem descanso.

Enquanto corria de volta, sua velocidade era maior do que na ida. A força que aplicava era mais intensa, todavia completamente influenciada por Anna, sem que Clarah soubesse.

Anna poderia tê-la teletransportado de volta, porém preferia que Clarah voltasse com sua garra, com sua força renovada.

Assim, apenas a deu forças, zelando seu corpo pela luz da estrela a milhares de quilômetros de distância, que colidia contra aquele pequeno corpo vestido de branco, cruzando o continente Central.

Com a força que recebeu, chegou à vila ainda no meio da tarde, enquanto a tarde começava a dar lugar à noite. Ao entrarem na floresta, Clarah se sentiu mais aliviada... Bem... não por muito tempo.

Aproximavam-se da casa de Anna quando de repente sentiram uma presença reprimindo suas almas de medo.

Caroline se agitou e acabou escorregando das costas de Clarah. Esta tentou segurá-la, porém sua irmã ficou completamente aterrorizada. Pahf... Caiu no chão, tremendo, e Clarah se agachou à sua frente, vendo o pânico e desespero estampados em seu rostinho choroso, no tempo que Line começava a gritar:

— ELES ESTÃO ATRÁS DE MIM! DESCULPA, CLARAH! DESCULPA! — Visivelmente traumatizada, tremia como se sentisse muito frio.

— Calma... Eu estou aqui! Eu estou aqui! — Thumf! Clarah a abraçou, tentando acalmá-la.

Porém, ao fazer isso, sentiu uma dor em seu pescoço, dos dois lados, como se algo estivesse rasgando sua pele. Colocou a mão direita na área afetada, sentindo um molhado. Ao retirar a mão, olhou sua palma e viu sangue.

— Estou... machucada?

A Marca brilhou em branco vivo, e Clarah sentiu o poder Primordial tomando seu corpo. Uma onda percorreu suas veias, trazendo sensações únicas... se tornou "imortal". Conseguia sentir cada gota de sangue em seu ser, podendo controlar e usar qualquer magia da luz existente. 

— ...Ele está morto? — seu murmúrio saiu trêmulo, não acreditando, porém ao mesmo tempo o poder deixava claro o acontecimento.

Embora a sensação fosse boa, também era amedrontadora. Era impossível acessar as memórias do antigo Branco, mas ao sentir aquele poder e associá-lo a ele, sentia-se mal, sentia-se estranha.

Sua irmã, ao ver a Marca do Primordial Branco em seu pescoço, arregalou os olhos, e sua expressão se distorceu em horror — medo de Clarah se corromper, medo de não ser mais ela ali.

— C-Clarah... V-você está com a Marca do Primordial...!

Ao ouvir a confirmação do que sentiu pela boca de sua irmã, a ficha ainda não havia caído, todavia era reconfortante saber que talvez aquilo tivesse realmente acontecido.

Clarah olhou para o rosto de Caroline e esboçou um sorriso sincero entre os lábios, tentando acalmá-la, sabendo que sua dúvida era mínima diante do medo que sua irmã podia estar sentindo.

Caroline assumiu uma expressão de confusão e pavor. Nesse instante, Anna surgiu pela porta de casa, os olhos fixos na direção da presença que se aproximava, já que, pela lua, não conseguia identificar a fonte disso.

Clarah, próxima à porta, a viu e comentou, enquanto segurava Caroline nos braços:

— Anna... Tem algo muito forte vindo até aqui!

Anna, de relance, notou a Marca do Primordial Branco no pescoço de Clarah, porém decidiu não comentar nada.

Voltou sua atenção para a presença, agora mais próxima, e respondeu:

— Sim. Mas eu sou mais. Ragnarok.

GRRRRAAAHHH!

O Leviatã Lunar surgiu do chão com um estrondo ensurdecedor, materializando-se diante dos olhos dos moradores, que começaram a sair de suas casas em pânico.

Seu rugido ecoou por toda a floresta, fazendo milhares de aves se mandarem para o céu, assustadas.

Line, ainda no chão, observava a criatura com uma mistura de admiração e medo, vendo-a serpentear no ar, exibindo todo o seu corpo, até que ficou suspensa, relativamente próxima acima de Anna.

— Proteja todos. Eu cuido do prato principal.

Anna caminhou lentamente em direção à presença, criando uma foice de água em suas mãos. Vul-Vul... Girou a foice sobre a cabeça com graça e a segurou firmemente com apenas uma mão. Nesse momento, a presença apareceu.

VRRRUUUUSH!

Cortando as árvores em um movimento brutal, surgiu diante de Anna quase instantaneamente, no tempo que a lâmina do Purgatório gritava pela alma dela, visando seu pescoço.

Anna não se moveu; ao ver Nino, não o matou.

Só disse uma única palavra... em um tom de dúvida:

— Nino?

FUU!

Sua voz ecoou na mente dele, reprimindo todas as almas que o dominavam como um sopro, forçando-o a retornar a si. Os olhos do seu garotinho se arregalaram, e ele tremia como vara verde, mantendo a lâmina a poucos centímetros do pescoço de Anna.

Ao olhar para a lâmina, Anna reconheceu a palavra gravada:

— "Purgatório"?... Você achou a espada da Deu...

Paff...

Nino, tonto, caiu desacordado, com a cabeça apoiada na cintura dela.

— Tem gente aqui, seu safado! Agora não! — murmurou, envergonhada.

...Só então percebeu que ele havia desmaiado.


"...Como ela conseguiu trazê-lo de volta com uma única palavra?", pensou Morte, observando Nino desmaiado no chão do quarto branco, ao seu lado. 


— Volte.

O Ragnarok se desmaterializou.

Anna observou a área de árvores destruídas por Nino e, em seguida, se virou, levantando-o sobre o ombro enquanto caminhava em direção à sua casa.

Ao entrar, levou Nino até a cama, Paf. Deitou-o com cuidado, mas logo percebeu que, mesmo desacordado, ainda segurava a espada firmemente. Tentou puxá-la... ele não a soltava. Fez mais força... e a lâmina parecia fazer parte dele.

Receosa ao sentir a mensagem que o vestido lhe transmitiu subitamente, decidiu deixar a espada de lado para evitar se cortar na lâmina fina. Afinal, o Tesouro de Bruxa não conseguiria protegê-la daquela espada específica.

Irritada, se virou e desceu as escadas, onde Clarah mostrava a nova casa para Caroline.

Anna se aproximou, olhou para Caroline e disse com firmeza:

— Sente-se. Deixe-me ver seus pés.

Caroline obedeceu imediatamente, sentando-se numa cadeira de madeira.

Anna levantou um pouco o vestido de noiva da irmã mais velha para examinar os pés e parte das pernas. A pele, queimada pelas areias quentes do deserto, e a sapatilha, adornada com joias brancas, ficaram semiderretidas e grudadas à carne, expondo áreas profundamente machucadas.

Com delicadeza e extremo cuidado, a Primordial da Lua — e Azul — colocou as mãos sobre os pés da garota, emitindo uma luz suave que começou a curar os ferimentos sem dizer nada.

As queimaduras desapareceram, a sapatilha fundida foi separada da pele e, em instantes, os pés estavam completamente curados.

...Anna não parou por aí. Usando sua magia, aliviou toda a dor física — toda a dor carnal que Caroline sentia. Cada músculo do corpo da jovem mulher relaxou, e seus machucados internos, consequência de anos de abusos, desapareceram junto com os visíveis.

No entanto, Anna não tocou nos traumas mais profundos — os ferimentos da alma. Mesmo que o Tesouro de Bruxa a ensinasse como curá-los, não faria isso sem o consentimento da garota.

Caroline teria que decidir por si mesma. Afinal, isso significaria apagar suas memórias, voltando a ser uma criança de seis anos. Uma criança assumiria o corpo da jovem de vinte e um anos.

Os machucados de Clarah foram curados no momento em que herdou o poder.

Line olhou assustada para Anna, sua expressão misturando surpresa e curiosidade. Aquela magia, algo que nunca imaginou existir, despertou um fascínio profundo. Anna se levantou e voltou sua atenção para Clarah.

— Curou as queimaduras... mas por que não tirou as cicatrizes?

— Não quero me esquecer delas.

Anna deu um pequeno sorriso. Mesmo que as cicatrizes fossem quase imperceptíveis, ainda estavam lá...

— Leve sua irmã até a Leila. Ela deve ter roupas mais leves para ela usar. O vestido é bonito, mas imagino que você não queira mais vê-lo, certo? — perguntou em tom suave, olhando para Caroline.

Line não respondeu com palavras; porém fez um gesto afirmativo com a cabeça.

— Tá, vou fazer isso! — Clarah se levantou, estendendo as mãos para Line, que as agarrou e a seguiu para fora de casa.

Enquanto isso, Anna se virou ao ver Mirie entrando.

— Mirie, consegue preparar um quarto para ela? Vou cuidar de Nino no meu quarto.

— Claro! Só vou tirar os pães do forno antes e preparar as coisas.

— Obrigada.

Clarah, ainda perto da porta, escutou a conversa e voltou rapidamente.

— Mirie, não precisa! Ela vai dormir no meu quarto.

Caroline olhou para a irmã de perfil. Clarah era mais baixa do que ela.

Ah, sim, tudo bem — respondeu Mirie, com um sorriso.

Anna fez um gesto de concordância com a cabeça para Clarah, depois se virou e subiu as escadas em direção ao seu quarto.


HARF!

Nino, estirado no chão, despertou com um sobressalto, respirando rapidamente enquanto se apoiava nos braços para se sentar, assustado ao perceber que se encontrava novamente no quarto branco. Ao seu lado, Morte o observava em silêncio.

Sem entender nada, olhou para ela e perguntou:

— O que eu tô fazendo aqui?!

— Eu falei na sua língua burra, e mesmo assim você ainda me desobedeceu.

— "Língua"?

— Não aguentou o 1% que eu falei e perdeu o controle, seu imbecil. Não se lembra?

Ah, é verdade... Hããmm... Matei o Primordial Branco, mesmo? Ou tô alucinando?

— Matou. Só não entendi por que ele se teletransportou para aquele lugar. Isso é estranho. — Morte entrelaçou as mãos atrás das costas e começou a caminhar lentamente, pensativa.

— Eu morri?

— Não. Mas quase morreu. Depois de matar Branco, você resolveu tentar matar sua namorada.

— QUÊ?!

— Ela só precisou chamar seu nome para você voltar ao controle. Não consigo entender essa garota... — Morte soltou as mãos, levantou a mão direita próxima ao queixo e virou levemente o rosto na direção de Nino, completando: — Mas agora... suma daqui.

RAAAAHRRF!

Com um simples movimento de dedo, Nino despertou de repente em sua cama, respirando ofegante... Anna, sentada ao seu lado, o observava atentamente.

Ao ver a confusão e o medo nos olhos dele, a Primordial começou seu interrogatório:

— Como descobriu onde a espada estava?


— Olhe nos meus olhos... Olhe bem no meio dos meus olhos. Se descobrir algo sobre essa tal Morte, você vai contar pra mim, pra Nathaly ou pra Anna. Não faça nada sozinho... Você escutou? 


Lembrando da promessa que havia feito, Nino soube que não tinha escolha: teria que contar a verdade para Anna.

"Fudeu..." — Já disse o quão lind...

— Responda apenas o que eu te perguntei — o interrompeu friamente.

Glub... — Nino engoliu seco e respondeu: — ...A-a Deusa da Morte está dentro de mim e me contou...

Anna inclinou a cabeça levemente para o lado, intrigada.

— ...Você conversa com essa tal "Deusa da Morte" todos os dias?

— Não. Ela só me chamou naquele dia e mandou eu ir atrás da espada.

— ...E por que você não soltou a espada, nem mesmo dormindo?

Nino olhou para a direita e percebeu que ainda segurava o cabo da espada. Sem jeito, forçou um sorriso antes de voltar a encarar Anna. Esta o olhava com uma intensidade crescente, "como se estivesse pronta para estrangulá-lo".

Eeehh... Isso... isso eu não seeiii... Hehe... — tentou disfarçar com uma risada forçada.

Anna se levantou, sem desviar o olhar penetrante.

— ...Entendi. Vou avisar aos outros que você acordou — falou de forma seca... arrastadamente estranha, virou-se, saiu do quarto e logo começou a descer as escadas.

Nino se levantou, examinando a espada em suas mãos. A bainha permanecia cravada em suas costas; tentou removê-la... não conseguia. Com um suspiro, Tchin... guardou a Purgatório nela e foi até a sala de jantar.

Enquanto descia as escadas, avistou Clarah, Anna e uma moça que nunca havia visto sentadas à mesa.

Caroline havia trocado de roupa, vestindo um conjunto semelhante ao de Clarah, mas com uma blusa mais larga, estilo blusão, que ultrapassava a barra do short.

— Quem é ela? — perguntou, apontando levemente com o queixo para Caroline.

Caroline hesitou, um pouco receosa.

— Minha irmã!

— Que legal! — Nino sorriu. — Você foi buscar ela?

— Sim! — respondeu, orgulhosa.

— Qual o seu nome? — perguntou, agora olhando para Caroline, que manteve os olhos baixos.

— ...Ca-Caroline — respondeu ela, baixinho.

Mesmo com dificuldade, a mais velha tentava voltar a enxergar a vida de outra forma, tentando confiar nos amigos de sua irmã e no ambiente acolhedor ao seu redor.

Clarah abriu um pequeno sorriso ao ouvir a resposta, contente pelo esforço da irmã.

— O meu é Nino. Imagino que os outros já tenham se apresentado.

— ...Sim.

— A propósito — Nino se sentou à direita de Anna, de costas para a escada. — Eu matei o Primordial Branco.

Caroline começou a chorar, suas lágrimas caindo silenciosas e pesadas.

— F-falei algo errado? — Nino olhou para Caroline, visivelmente preocupado, e depois voltou seu olhar para Clarah, buscando uma explicação.

Enquanto chorava, Line respondeu, sua voz embargada pela emoção:

— Não... Não é isso... É que... estou muito feliz que ele está morto.

O alívio se misturou a todos os pesadelos passados de sua vida. Caroline sentia, pela primeira vez, a liberdade, a felicidade daquele momento. Suas lágrimas, carregadas de dor, se transformavam novamente em lágrimas de alegria.

O peso do passado parecia se dissolver ali, em meio àquele encontro com a verdade.

Clarah, ao ver a reação da irmã, Rrnn juntou sua cadeira à dela. Com a suavidade que só uma irmã poderia oferecer, fez carinho no ombro de Caroline, tentando transmitir um conforto silencioso.

— Eu... — Clarah travou por um breve momento, mas logo se recompôs. Tentando mudar seu comportamento de sempre esconder o que sentia, decidiu assumir o que todos já sabiam apenas de olhar para ela: — Eu acabei herdando o poder do Primordial Branco.

Anna lançou um olhar de canto para Clarah, antecipando aquele momento.

Já esperava por aquilo, então não hesitou em perguntar:

— E você gostou disso? — sua voz, embora suave, carregava firmeza.

— N-não... Eu não queria ter nem o mínimo de ligação com ele. — A voz de Clarah vacilou por um instante, mas ela logo tentou se firmar. A confusão ainda se refletia em seu tom. — Mas, já que ele está morto... é melhor eu ter o poder do que alguém mal-intencionado, né?

Anna não respondeu de imediato. Manteve seu olhar de canto, meio despreocupado, porém profundamente atento. Por fim, desviou o olhar para os pãezinhos doces que Mirie havia feito, buscando uma forma de suavizar a tensão do momento.

— Tem razão — respondeu com a voz tranquila, todavia o peso da situação ainda pairava no ar.

Não sabia o que elas sentiam, porém sabia que Clarah foi sincera. Não era algo que dava para recusar, teria que aprender a se virar, com um peso a mais a carregar.

Tentando aliviar a tensão do momento, Nhami-Nhami-Nhami! Anna pegou vários pãezinhos doces e os devorou quase instantaneamente, fazendo todos olharem para ela com surpresa.

Clarah piscou duas vezes e voltou o olhar para Nino.

— Mas... Por que você voltou atacando a Anna?

Nino colocou a mão atrás da cabeça, com um sorriso forçado no rosto, tentando disfarçar:

— Não me lembro muito... Lembro de matar alguns monstros e uma garot... — Travou, sentindo algo perfurando sua alma. Logo, olhou de canto para Anna, que o encarava com uma expressão nada agradável, segurando seu pãozinho com as duas mãos.

— E-e... E um guardião da espada! — Anna desviou o olhar de volta para os pães. — Depois que matei os monstros e ESSE ser, eu encostei na espada e perdi completamente o controle do meu corpo, vindo na direção da vila.

— ...Essa é a espada que você disse, Anna?

— Acho que sim. — Olhou para Nino novamente, e ele sentiu um calafrio muito forte. — A espada da Deusa selada... mas estou começando a achar que a Deusa não está na espada, nããoo...

Ué, por quê?

Huumm... Não seei... Mas sinto isso... — Anna o encarava intensamente, e Nino, suando frio, evitava olhar diretamente para o rosto dela.

Mirie chegou com mais comida, junto com suco natural de Momi para Anna.

— Aqui está, pessoal. Comam à vontade! — Com um sorriso no rosto, entregou o suco para Anna. — Aqui está, senhorita!

— Obrigada, Mirie.

— Disponha.

RRRROMM!

A barriga de Nino roncou alto.

Todos olharam para ele. 

— ...Acho que vou ter que fazer mais comida.

Anna deu uma risadinha, e Clarah e Mirie começaram a rir também.

Nino ficou constrangido ao ouvir as três rindo, no tempo que Caroline observava todos reunidos e felizes.

Olhou para Clarah e, com um sorriso voltando lentamente ao rosto, começou a rir junto com ela, assim como no passado.

Clarah ouviu a risada de sua irmã e se virou, vendo-a gargalhar feliz com os olhos fechados.

Admirando o momento, pensou:

"Não vou deixar mais ninguém te machucar... Eu prometo, Line!" 

Na mente de Nino, uma voz ecoou, mas desta vez... não era a da Morte:

"N-Nino?! Está aí?"

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