Dançando com a Morte Brasileira

Autor(a): Dênis Vasconcelos


Volume 2 – Arco 10

Capítulo 207: Lembranças

Sentado na borda da cama, Papapapapa... sua perna direita saltava em um ritmo frenético quase descontrolado. Branco mantinha a cabeça inclinada para frente. Os braços apoiados nos joelhos ansiosos.

Todo o seu corpo refletia o desespero se manifestando através da crise de ansiedade criada após se arrepender mais uma vez de uma decisão referente a Caroline... As horas avançavam, arrastando-se como uma tortura.

Desde que a Besta seguiu suas ordens e saiu atrás da mulher para assassiná-la, seu coração começava a apertar a cada instante que seus pensamentos a idealizavam ao seu lado, casando-se com um belo sorriso.

Quando o meio da tarde chegou, o desespero o dominou. O arrependimento era sufocante. Branco não desejava mais a morte de Caroline.

Precisava encontrá-la e pedir perdão. Queria abraçá-la, "protegê-la"... Certificar-se de que ela voltaria ao palácio, ao seu harém, para ficar "em segurança". 

Os olhos arregalados fixavam o vazio entre as pernas, enquanto as mãos cerradas tremiam de tensão. O silêncio da espera tornou-se insuportável. De repente, levantou-se, decidido a procurar por ela em outros lugares do palácio.

Mesmo sabendo que a Besta havia saído de lá, não queria aceitar que Caroline realmente tivesse fugido.

"Foi ele?" A imagem de Sol surgiu em sua mente, trazendo uma ira crescente. "Ajudou por causa daquela vadia meia-humana?" Não tinha dúvidas de que Sol havia facilitado a fuga de Caroline como retaliação pela morte de Jane, que Branco ordenou sem consultar o irmão. 

Consumido pela raiva, saiu do quarto, marchando em direção ao aposento de Sol.

Sol sabia de tudo.

A reação de Branco era exatamente o que ele desejava e havia meticulosamente planejado.

Agora, sentado em seu trono, mantendo seu semblante habitual — uma mistura de irritação e tédio —, aguardava o último passo. O ser à sua frente só precisava dizer as palavras que ele tanto ansiava ouvir.

A criatura, que antes era um mero pássaro, agora assumia uma forma humanoide, ajoelhada diante de seu criador. Era o sobrevivente que Nino havia deixado escapar sem perceber.

Seu corpo irradiava a magia do sol, com penas brilhantes parecendo ouro líquido.

O silêncio foi quebrado quando, finalmente, o pássaro reuniu coragem diante de seu Imperador:

— O Primordial Preto está indo em direção à espada onde a Deusa está selada.

— E os outros? — perguntou, sem emoção.

— Mortos...

— Entendido. Descanse. 

Com um simples movimento de mão, o ser desapareceu, deixando para trás uma leve fumaça amarela que se dissipava, cintilando em raios solares.


Desde o momento em que ajudou Caroline a fugir e Sol ordenou que as mulheres fossem preparadas no quarto, Jeane passou o dia cumprindo suas instruções com uma precisão quase mecânica. 

Sol era exigente. Não aceitava nada fora do lugar. Cada detalhe precisava ser exatamente como ele desejava: impecável, perfeito.

Era como seguir um roteiro meticulosamente planejado. Cada peça tinha um papel, e cada movimento precisava ser executado com precisão absoluta.

Jeane passou o início da manhã até o meio da tarde organizando as mulheres no quarto. Colocou em cada uma as roupas que cobriam exatamente o quanto Sol desejava, ajustando cada milímetro de tecido.

Arrumou o quarto com um cuidado quase obsessivo: a intensidade das luzes nos candelabros e lustres, as sombras que caíam delicadamente sobre os espelhos estrategicamente posicionados para refletir ângulos específicos — do lado direito, de cima da cama e na diagonal esquerda.

Cada almofada, cada móvel, cada objeto no seu lugar exato.

Tudo precisava estar como Sol exigia, em perfeita harmonia. O menor deslize poderia custar-lhe caro. O sofrimento de Jane não foi nada perto do que ele poderia fazer — receber a morte era uma dádiva, sair daquele lugar nesse estado era libertador.

Após horas de concentração e exaustão, Jeane posicionou as mulheres nas poses finais sobre a cama. Logo preparou-as com as últimas instruções para executar cada passo no momento certo, conforme o que o corpo dele indicasse. Cada movimento deveria ser atendido imediatamente.

Desde se humilharem até as posições, nada poderia falhar. O tom dos gemidos, o suor, cada nuance de comportamento. Elas só podiam torcer para que ele estivesse de bem com a vida; talvez, assim, nada de ruim aconteceria.

Com tudo pronto, a mulher fez uma última verificação rápida nos detalhes antes de se dirigir ao salão do trono.

Ao chegar, cansada e com o suor brotando em seu rosto, caminhou até o Imperador. Assim que se aproximou, curvou a cabeça em sinal de respeito, aguardando a ordem para falar.

— Acabou?

— ...As três estão prontas no quarto, majestade.

Sol se levantou cheio de classe e arrogância em um nível quase teatral, descendo lentamente as escadas à frente do trono, no tempo que as vestes escolhidas para aquele dia arrastavam-se pelos degraus.

Caminhou até Jeane e, com delicadeza, colocou a mão em seu rosto, virando-o suavemente.

— Não saia do lado do trono até que eu lhe dê uma nova ordem.

— Sim, majestade.

Sol retirou a mão do rosto e saiu do salão. Jeane se posicionou e permaneceu parada, ao lado do trono... como sempre fizera.

No corredor, em frente ao seu quarto, Sol encontrou Branco transtornado.

— Irmão?!

Branco, ansioso ao vê-lo, caminhou até ele.

— Caroline sumiu. Você tem algo a ver com isso?!

Sol ignorou a irritação de Branco e passou por ele, indo até a porta do quarto. Thon... Abriu-a, revelando as três mulheres deitadas na cama, quase imóveis, esperando que Sol chegasse para dar início às danças e seguir o "script" previamente fornecido.

O Primordial mais claro observou a cena e então olhou para o rosto de seu irmão, quando este lhe deu a resposta:

— Estou ocupado com minhas mulheres. Não vi Caroline.

— Então, por que não estava lá dentro se divertindo?! 

— Senti a presença da reencarnação do poder de nossos irmãos. Estava procurando por você para ir buscá-los. Não quero deixar minhas mulheres esperando. — Olhou novamente para o interior do quarto, manipulando a reação de Branco.

Branco observou as belas moças, todavia voltou o olhar a Sol.

— O quê? Onde eles estão?!

— Em uma vila mista, nossas novas irmãs: Vermelha, Azul e Verde.

— São... São três mulheres?! — Um sorriso se formou no rosto de Branco.

— Que cara é essa? — Sol sorriu de canto. — Quer se divertir com elas antes de usá-las como iscas?

— Com certeza.

Ha-ha... Sabia que ouviria isso... 

Sol ergueu a mão, estendendo-a para o lado, Shiirs... deixando seu sangue escorrer de sua palma para o tapete. Lá, controlou o sangue, formando um círculo mágico de teletransporte.

As Oito Marcas Primordiais se completaram, e Sol colocou as mãos nos ombros de Branco, dizendo:

— Traga-as e divirta-se... irmão.

Branco foi teletransportado... e Sol entrou em seu quarto, Tlec! fechando a porta atrás de si.


No momento em que Branco foi teletransportado, a dimensão que prendia Nino desapareceu, revelando, naquela planície de gramas branquinhas, uma área colossal, circular, de pura vegetação morta.

A mais pura destruição enfeitava o ambiente belo, naquela tarde que começava a se despedir, com o céu limpo feito as águas do mar. Branco surgiu de frente para Nino, todavia a centenas de metros de distância.

Nino travou seu olhar, e naquele único segundinho... o Primordial Branco viu o olhar mais profundo do Primordial Preto, com a cabeça inclinada para o lado e um sorriso doentio, excitado pelas vozes e gritos de seres sendo torturados.

Seu corpo se arrepiou ao ver a espada que Nino empunhava. Branco não conseguiu fazer nada... Nino desapareceu, e no exato momento que viu-o sumir... o Primordial berrou suas últimas palavras:

— SOL, SEU FILHO DA P...!

PHCRECK!

Assim que o Herdeiro o viu, avançou na direção de Branco, desferindo uma voadora que quebrou o joelho dele no impacto. Não teve tempo para gemer. Imediatamente, Nino girou o corpo, criando uma lâmina no tênis, PLOCH! e chutou o queixo do Primordial, travando a lâmina internamente e lançando-o ao céu.

Uma corrente foi formada, conectando-se ao pé do mineirinho.

Branco subiu aos céus... Nino recuou um pé.

Cricplochak!

A corrente foi travada com força, quase arrancando a cabeça do Primordial.

Naquele instante, Branco não tinha mais vida.

Nino manipulou o sangue internamente, travando cada sistema, cada parte do corpo de Branco, espalhando-se como uma doença. Uma doença feita de lâminas ultrafinas, rasgando-o lentamente por dentro, enquanto ele perdia o controle sobre seu próprio corpo.

Branco só conseguia emitir um som de agonia extremamente baixo, incapaz de reagir. Nino escutava esse som como a melodia de uma música clássica, um esplêndido violino que tocava a morte de mais um inseto asqueroso.

O corpo do Primordial começou a descer em direção ao chão, e Nino girou em um mortal de costas, acelerando a queda, puxando a corrente com o pé.

No meio do movimento, Vu lançou a Purgatório para o alto.

Quando Branco se aproximou, Nino finalizava o mortal, criando uma espada.

SHKRUNCH!

Cortou-o ao meio.

Após o corte, agachou-se entre as duas partes que caíam lentamente ao seu lado. Com um sorriso prazeroso, o Herdeiro cruzou os braços em "X", criando duas espadas com correntes... PL-PLOCH! Arremessou-as.

As lâminas penetraram o corpo de Branco, lançando as duas metades para o alto.

Mesmo com o coração intacto, Nino bloqueava o corpo dele de se regenerar.

Cri-Cricplochak!

Travou as correntes e puxou as partes do corpo daquele homem de volta.

Desfazendo as correntes... Pl! a Purgatório pousou em sua mão.

Fu

Nino saltou, girando no ar em horizontal, criando uma segunda espada.

SH-SHKRUNCH!

As partes chegaram em meio ao giro, e o Primordial Preto fatiou o Branco várias e várias vezes antes de acabar seu lindo salto olímpico... Carne moída e bifes. Não só de carne, toda a alma de Branco fora triturada, e todo o seu ser foi parar na Espada do Purgatório para sofrer eternamente.


No tempo em que tudo isso acontecia... Plap!-Plap! Sol se divertia em seu quarto. 

Ajoelhado na cama, mantinha as mãos soltas, deixando-se aproveitar uma de suas mulheres, que, de quatro à sua frente, movimentava-se para trás e para frente, sendo preenchida em um ritmo sincronizado.

Plap-Plap!

Os corpos se chocavam, o som ecoando pelo ambiente.

Outra mulher o abraçava por trás, as mãos deslizando suavemente pelo tórax até o peitoral, acariciando-o de forma meticulosa, enquanto seus seios, sob as vestes eróticas, roçavam contra ele, massageando-o delicadamente, como Jeane havia instruído.

Plap-Plap!

A terceira permanecia ajoelhada ao lado direito de Sol, beijando-o com intensidade. Suas cabeças balançavam em uma dança contínua.

Muuah! Mwaah!

A cada beijo, a cada breve afastar das bocas para se olharem, travavam uma disputa de línguas, um balé perfeitamente coreografado.

Plap-Plap!

De repente, Sol riu. Foi nesse instante que sentiu a morte do irmão.

Ainda no meio do beijo, deixou escapar a risada. A mulher que o beijava congelou por um instante, incerta. Não sabia se aquilo era algo bom ou ruim.

Jeane não havia instruído sobre aquilo.

"O que eu faço?!"

Mesmo tomada pelo receio, não ousou parar. Continuou o beijo, a dança de cabeças e o toque delicado de suas mãos na pele dele, evitando qualquer deslize que pudesse desagradar o Imperador.

Plap-Plap!

Oh... Ohwn...

Gemidos baixos escapavam dos lábios da mulher à sua frente, ao sentir o toque firme de Sol em sua bunda empinada. A movia em sua direção, Plap!-Plap! penetrando-a por entre a delicada abertura rendada de sua lingerie azul-clara.

Plap!-Plap!

"Desculpe, irmãozinho, mas agora só faltam dois..."

O pensamento zombeteiro sobre a morte de Branco despertou uma memória distante:


Ano 99: noite da virada do ano.

Sol caminhava pelos corredores do Palácio das Cores, o entusiasmo evidente no ritmo de seus passos. Seu destino era o Jardim de Cristais.

A magia daquela noite refletia-se em cada canto do palácio, enquanto a lua, prestes a se dividir em duas e iluminar o mundo com um brilho azul, ainda não havia cumprido seu destino.

Porém, ao chegar à entrada, tudo mudou.

De repente, deixou de sentir seu corpo, seu coração. Deixou de sentir que possuía vida.

"Lua..."

Seus olhos travaram. Não entendia o que via, não conseguia acreditar...

À sua frente, Blacko permanecia de pé, de lado, e, diante dele, estava Lua, com uma espada de sangue preto cravada em seu coração.

Lua deslizou pela lâmina, o rosto marcado por lágrimas, estendendo os braços trêmulos para Blacko em um abraço.

Assim que suas mãos tocaram o tecido de sangue da roupa dele, o corpo de Lua se desfez em fumaça. Uma mescla de azul-claro e azul-escuro, pontilhada de estrelas brilhantes como um cosmos particular — um belo universo.

Blacko então virou lentamente o rosto para encará-lo. Sol não conseguia enxergar seu rosto; era apenas uma sombra esfumaçada em sua visão. A única coisa visível era o sorriso doentio estampado em seus lábios, criando uma marca eterna na mente do Primordial do Sol.

— O-o... O que você fez?! — gaguejou, a voz oscilando em meio ao seu desespero.

Blacko permaneceu em silêncio.

— O QUE VOCÊ FEEEZZ?!! — gritou... e então... avançou.


A lembrança o atingiu como a lâmina que matou sua irmã, trazendo de volta uma das razões do ódio enraizado em relação ao irmão. Sol despertou do passado, reacendendo a fúria que queimava como o próprio sol. 

"Vou trazê-la de volta..."

PLÁP!-PLÁP!

Num surto de ira, Scrrer! cravou as unhas na pele da mulher de quatro à sua frente. Ela tentou conter o movimento brusco ao sentir a dor... todavia não conseguiu evitar. O erro foi visível, e Sol percebeu.

PÁHH!

Agarrou-a e a arremessou para o lado, descartando-a como um objeto inútil.

O corpo da mulher caiu no chão com um som abafado. Não morreu, nem sofreu ferimentos graves, no entanto entendeu aquilo como um sinal de misericórdia.

Imóvel, lutou para conter até mesmo os tremores involuntários do corpo. Não ousou levantar os olhos para ele, temendo que um gesto errado pudesse provocar algo pior.

Sol, por sua vez, ignorou-a completamente. Bm Segurou a mulher ao seu lado, que ainda o beijava. Com brutalidade controlada, PAF! forçou-a a se posicionar de quatro à sua frente, retomando o ato. 

PLÁP!-PLÁP!

Oh... Ohwn...

A nova mulher assumiu o papel que lhe foi dado, enquanto aquela que o acariciava tomou o lugar da beijadora. A mulher descartada, ainda sentindo dores na cintura, lutou contra o medo e a culpa.

Com esforço, levantou-se e subiu novamente na cama, determinada a buscar o perdão do Imperador.

PLÁP!-PLÁP!

 Oh... Ohwn... Ohhwmn...

Posicionou-se atrás dele, acariciando o tórax e abraçando-o em seu novo papel. Seus movimentos eram suaves, reverentes. Seus seios, que mal encostavam nele, tinham a intenção de reconfortá-lo.

Sol direcionou sua atenção ao reflexo nos espelhos espalhados pelo quarto. Cada ângulo revelava sua figura no centro de um espetáculo meticulosamente planejado.

PLÁP!-PLÁP!

Voltando a beijar a nova moça... prometeu a si mesmo:

"Vou trazê-la de volta... eu prometo."

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