Volume 2 – Arco 10
Capítulo 206: Garota Palhaço
BUUMOIINNGG!
Toda a plateia foi arremessada para cima, P-p-p-pahft! e caíram de volta em seus assentos como se nada tivesse acontecido.
Gritavam o mais belo nada, aplaudindo com as mãos de madeira se chocando, rindo e torcendo enquanto balançavam suas espadas como nunca — caricaturas grotescas, bonecos sem "vida".
A garota ergueu sua marreta, observando o estrago causado. Em seguida, o buraco desapareceu enquanto ela ajustava a dimensão, deixando o palco plano novamente ao notar que ele não estava mais ali.
— Ué? Virou fumacinha preta já? Primordiais são tão fracos assim? — pensou alto, PFFFT! enquanto se virava, estourando a marreta de balão com as unhas.
Mantendo os olhos fechados e estando completamente despreocupada, não percebeu o chão sob seus pés se transformando em um mar preto... de onde Nino emergiu das sombras.
PHAAMM!
Acertando um chute no meio de suas costas. CREEEECK! Sua coluna quebrou sobre a perna do "morto". A palhaça virou um "C", dobrada, olhando-o nos olhos no processo de ser arremessada para frente.
Antes de aterrissar, Srccrs... regenerou-se instantaneamente e parou em pé, assumindo uma pose boba enquanto encarava o clone.
As águas ao redor não tinham peso, textura ou cheiro — eram apenas sombras refletidas, uma fumaça viva que pulsava como se tivesse vida. Embora fossem apenas uma brisa, ao menor comando de Nino, podiam se tornar uma armadilha precisa... e mortal.
Nino não perdeu tempo. Com uma sombra falsa projetada na visão da garota, emergiu das sombras novamente, por trás, tentando cortá-la ao meio de forma definitiva com um golpe vertical.
Mas era isso... que ela queria.
CR-R-RECK!
Girou o pescoço em 180°, quebrando-o como se fosse feito de madeira. Com o pescoço girado, a cabeça apontava para trás, encarando Nino diretamente.
No instante seguinte, o corpo dela torceu-se para acompanhar o movimento. No último segundo, o golpe veio — a espada de balão avançou com precisão, acertando... o clone em cheio.
PHAAMM!
Nino apareceu atrás dela no mesmo instante e acertou mais um chute, mandando-a para a esquerda.
Fuuuuushh!
Capotou, dissipando e espalhando ondas de sombras pelas águas pretas.
O Primordial surgiu em seu caminho, como um pesadelo, tentando cortá-la ao meio com um golpe horizontal. Vendo a espada chegando, cortando as ondas à sua frente, Vush a menina se jogou para baixo, desviando com uma rasteira sobre as águas.
SHK!
O jovem cortou... somente a touca e parte do seu cabelo.
O que a deixou com muita raiva... e um "Short bob".
Apoiou uma mão nas águas, com o corpo todo erguido, e lançou um olhar fixo para trás, direto nos olhos dele. Jogou o corpo para baixo e, Bm! ao tocar os pés no mar preto, Fush! disparou enquanto Nino descia para a dimensão escura.
Uma linha reta de fumaça se dissipou com sua investida, Vufhh! e quase o atingiu com a espada de balão.
Sua irritação a fez esquecer de seu poder momentaneamente.
"Ela não deve conseguir me ver nem usar seu poder em mim aqui dentro..."
Na dimensão escura, não havia som, nem cheiro, apenas o peso de uma ausência absoluta. Nino movimentava-se como uma sombra na água — invisível e intocável, ou pelo menos assim acreditava.
A palhaça ficou observando o chão se movendo sob seus pés, seus olhos quase estalando de ódio pelo cabelo que considerava sagrado... assim como sua irmã.
Mantendo um olhar atento, controlava cada milímetro daquele lugar. Nino então emergiu, seguido por quatro de seus clones. Ela nem olhou, somente sentiu a presença deles e se esquivou para a direita, CRUNCH! agarrando o braço do primeiro.
PLOCH!
Usou-o como escudo, e o segundo clone matou o primeiro.
CRECK!
Segurou o braço do segundo, quebrou-o, arrancou-o e, utilizando a gravidade, transformou-o novamente em sangue preto, criando uma espada envolta de sua aura lilás.
SHKRUNCH!
Com essa espada, cortou o segundo clone ao meio e saltou para desviar do terceiro.
Ainda no ar, de cabeça para baixo na pirueta, SHKRUNCH! cortou a cabeça do terceiro fora.
O quarto apareceu pelas costas... CR-R-RECK! Nenhum problema. Girou a cabeça em 180°, encarando-o nos olhos enquanto contra-atacava.
O quinto veio pela frente, porém Nino aproveitou a distração e surgiu atrás dela no mesmo instante, tentando perfurar seu coração com uma espada.
PLOCH!
A lâmina foi cravada em suas costas.
PHA-PHAAM!
Ela deu um leve salto, abriu as pernas e chutou os dois ao mesmo tempo.
Nino foi lançado para frente, Fush! e ela avançou logo atrás. Bm! O Herdeiro colocou a mão nas sombras, se firmou, girou, Fush! e correu na direção dela... quando outro Nino surgiu...
BAAM!
Acertando um soco na lateral da cabeça dela.
A palhaça foi lançada para a esquerda, Pa-pafrrsshcc... capotou e se levantou rapidamente, olhando para frente.
PLOCH!
Nino surgiu atrás dela, cravando a espada em seu coração.
Mas... assim que o fez, percebeu que era uma armadilha: um fantoche de madeira, com a mesma roupa e silhueta da garota.
Desfez a espada, tentando se afundar novamente em "sua" dimensão, porém ela apareceu à sua frente com uma rasteira rápida, PLOCHH!! afundando o pé em seu peito.
O chute atravessou seu corpo... e a garota o arremessou para cima.
Com o ódio visível no rosto, ela, deitada no chão, cruzou os braços em "X" e, usando sua magia de gravidade, puxou as espadas dos piratas na plateia, perfurando o corpo de Nino de todos os lados.
Schk! Schk! Schk! Schk! Schk! Schk!
Do escuro do céu, desceu uma lança conectada a uma corrente metálica, PLOCH! e perfurou-o no coração, fazendo seu corpo descer até próximo ao chão, Cricnckak! onde ficou pendurado, balançando lentamente de forma mórbida.
A dimensão dos homens-sombra começou a se desfazer, revelando o sangue escorrendo por cada furo no corpo de Nino, tingindo o chão do circo de preto absoluto.
— Você é muito irritante.
Com o pescoço mole, a cabeça de Nino permanecia abaixada.
A garota se aproximou lentamente, segurando-o pelos cabelos e erguendo sua cabeça para encarar seu rosto.
— É divertido, não é? — Olhava para o Primordial com superioridade, enquanto passava a mão acariciando-o com um carinho quase perverso. — Queria colocar você em um barril e brincar de pula-pirata, mas você não aguentou algumas es...
Nino sorriu.
— Huh...?!
Schk! Schk! Schk! Schk! Schk! Schk!
A palhaça arregalou os olhos, apavorada. Atrás dela, o verdadeiro Nino a encarava com frieza, enquanto diversas espadas de sangue perfuravam seu corpo de todos os lados.
Pahrrcss...
Desabou com as espadas cravadas profundamente em seu corpo.
Nino desfez seu clone, Tlec-trek-tec... e as espadas de madeira quicaram no chão ao lado da garota incapacitada.
Caminhou lentamente, mantendo as mãos nos bolsos, até ela, vendo-a agonizar. Usava o sangue das espadas para controlá-la por dentro, impedindo-a de se mover... e mesmo assim, receoso, manipulou pontas ao redor do coração — não queria arriscar demais mantendo-a viva apenas para zombar dela.
— É divertido, não é?
— Bleergh! — vomitou sangue branco, com um brilho dourado de Poder Sagrado.
Olhando para ele se aproximar, começou a lamentar:
— E-ela não vai... Ela não vai me perdoar... Não va...
BOOOOMMM!!
Enquanto chorava, as espadas de Nino brilharam com magia escura e a explodiu inteiramente.
— Ahahehahe!
Risadinhas ecoaram no tempo que a dimensão desaparecia. Nino viu uma fumaça azul, vermelha e dourada se misturando, subindo junto com as risadas, até que, de repente, Fon! Fon! escutou o mesmo som de quando pisou no nariz de palhaço.
De volta à Dimensão Invisível, Nino continuou olhando para onde a fumaça havia se dissipado.
— Não me interessa se vão te perdoar ou não. Apenas morra — rosnou mantendo um rosto sério.
"Você tem que parar com essas frases."
— AAAAAH! ME DÁ UM TEMPO! Foi difícil, ok?! — Bm Nino pisou no chão todo bravinho, tirando as mãos dos bolsos.
"Anna a mataria no segundo que ela olhasse para essa garota."
Nino não respondeu... só ficou desanimado, com o corpo todo molengo.
Se virou e viu uma bainha fincada no chão com uma espada dentro, ao longe, próximo de onde estava a cadeira da garota.
— Aquela é a espada?
"Sim."
Caminhou, percebendo que os monstros haviam desaparecido. Não se importou com isso e se aproximou da espada. Esticou a mão para pegá-la e travou ao escutar uma voz:
"Não toque nela."
Afastou a mão sem entender.
— Hãm?... Por quê?
"Você não vai aguentar."
...Ficou indignado, BmBmBm pisando no chão e gesticulando como um maluco mimado.
— EU VIM AQUI PRA QUÊ ENTÃO, Ô DIIIISGRAÇAA???!... EU QUASE MORRI ENFRENTANDO UMA GAROTA PALHAÇO PRA VOCÊ VIR E ME DIZER PRA NÃO PEGAR A MALDITA ESPADA QUE EU VIM AQUI LITERALMENTE PRA PEGAR?!!
"Use o poder de gravidade que você tomou da garota para levantar a espada. Falando de forma burra, uma forma que você talvez entenda. Já que é um burro. Um imbecil burro e fraco. Você não consegue suportar nem 1% do poder dela."
— Não suporto nem 1% do poder? Tá me tirando? Vai se fuder!
Morte abriu um pequeno sorriso.
Nino a ignorou e pegou no cabo da espada. Tch... Assim que puxou um milímetro da lâmina para fora da bainha, ouviu gritos de milhares de almas ao mesmo tempo.
Infinitos Monstros, Infinitos humanos, Infinitos humanoides, Anjos, Semi-Deuses e Deuses gritavam com a dor agonizante do sofrimento que passavam dentro da Espada do Purgatório.
Vultos de almas e fantasmas começaram a sair da espada, chorando nos ouvidos de Nino.
O prazer que ele sentiu foi absoluto, e, com ele, a espada tomou posse de sua mente.
Nino perdeu completamente o controle de seu corpo. Sua roupa de sangue se alterou, tornando-se maior e com mais camadas de tecido, simulando as diversas camadas rasgadas do vestido de Morte.
Sua expressão facial mudou. Seus olhos se abriram intensamente, com veias visíveis, e suas pupilas se contraíram ao extremo.
Um sorriso estranho, que ele nunca havia feito, se formou em seu rosto. As vozes consumiram sua alma, reprimindo-o dentro de si. Seu sangue puxou a bainha da espada para suas costas, travando-a no seu corpo.
Nino levantou a Purgatório próximo à cabeça, e Morte pensou consigo mesma:
"Vamos ver o preço que vai pagar por ser tão irresponsável... Imbecil."
Ainda presa no selamento, Morte exibia um pequeno sorriso, interessada no que aconteceria a partir daquele momento.
As infinitas vozes na cabeça de Nino começaram a gritar juntas:
"MATAR!" "MATAR!" "MATAR!" "MATAR!" "MATAR!" "MATAR!"
A Dimensão Invisível foi desfeita, e, à sua frente, na planície, apareceu uma pessoa vestida de branco.
Nino avançou com a Purgatório... berrando por mais almas em sua mente.
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