Volume 2 – Arco 10
Capítulo 205: Dimensão Invisível
Caminhando sem muita paciência, mantendo um rosto mais que emburrado, Nino atravessava uma selva rosa, onde estruturas de terra flutuavam ao céu, criando ilhas com árvores e vegetações rosas. A terra era pálida, e os troncos das árvores um marrom bem escuro.
Pétalas voavam ao seu lado, e mesmo assim o jovem Herdeiro não se deixava apreciar tal beleza. Passando ao lado de uma cascata de água mágica, que iniciava-se em uma ilha flutuante e terminava antes de tocar o chão ao seu lado, Nino viu um pequeno ser voando — não era uma fada, mas era uma prima não tão distante.
Vendo aquela bolinha brilhante se movendo, conseguia reparar que era um ser pensante... um ser curioso com o visitante. Puro. Meigo. Gentil. Olhava Nino e não via o perigo que a alma e o sangue daquele ser transmitia.
Nino ignorou, e com suas mãos afundadas nos bolsos... reclamou:
— É aqui?
"Continue seguindo."
Atravessavam um pântano onde o jovem adulto sentiu-se em casa... Terra escura, vegetação preta. Árvores com raízes grosseiras e também finas, longas em meio ao lago imenso e também quebradiças... Um lugar que ninguém normal gostaria de pisar.
A água era limpinha... embora sua coloração avermelhada parecesse um cenário de sacrifício religioso. As árvores se moviam minimamente como se respirassem. As folhas pretas voando suaves ao vento gélido de um lugar tão macabro.
Os seres que atacariam qualquer um fugindo da presença do "Primordial" por onde fosse que este passasse... Pegadas maiores que de Drevien. Rastros de corpos arrastados com violência excessiva. Nino olhava com um interesse curioso.
Seu rosto não se movia, suas mãos não saíam dos bolsos, mas os olhos alimentavam-se de sua curiosidade despertada... Flores de caule branco com pétalas pretas. Juntas parecendo uma grama perfeita. Belas como a morte, cheirosas como o caos de sua mente perversa.
— É aqui?
"Continue seguindo."
RRRRRRRRRRRRRCHH!
Andando sem motivação alguma, mantendo sua cara de cu e seus olhos preguiçosos, Nino moldou duas montanhas gêmeas com metade de seu corpo em cada. Ao atravessar uma pequena mata onde suas folhas eram vermelhas como sangue da Linhagem Vermelha, deparou-se com uma área montanhosa.
Olhou para cima, no topo... via neve. Desceu o rosto tedioso, à sua frente havia uma fresta onde precisaria se esgueirar... sem muita paciência, não retirou as mãos dos bolsos e seguiu andando de frente. Cada ombro colidiu com uma montanha, seu rosto via o brilho no fim do túnel e suas pernas continuaram a andar.
Rasgou a montanha com o corpo — ao menos facilitou a passagem para viajantes e aventureiros que um dia poderiam precisar passar por tal área... Todavia, era só pular. Soltar tais montanhas. Aproveitar um pouco da riqueza que este lugar poderia lhe proporcionar.
Chegou do outro lado depois de bons minutos destruindo rochas com o corpo... Via uma selva amarela. Literalmente... amarela. Parou por um momento, era estranho ver aquelas... "árvores".
Eram como algas... mas na superfície. Todavia não tinham aspecto de folhas — eram lisas. Pareciam um dedo em pé, saindo do solo. O chão era uma tonalidade de amarelo quase igual, porém um tantinho mais clara.
Nino voltou a andar olhando com tamanha preguiça para frente...
Entrou.
Caminhava passando por elas e quando o fazia, Sch... escutava um som. Atrás dele, as "árvores" se moviam com curiosidade, movendo seus corpos como cobras em pé, assistindo-o passar.
Nino virou o rosto imediatamente ao escutar tal movimento... imediatamente as que se moviam pararam, e as que agora se encontravam atrás de seu olhar se moveram, olhando-o... O mesmo som. Voltou o rosto e tudo se inverteu.
Fu!
Saltou ao céu, olhando para a selva amarela... nada se movia.
Gravou a imagem e piscou... ao abrir notou: aqueles seres estranhos se moviam quando não eram vistos... Não apresentavam perigo ao menino, porém um arrepio conseguiram lhe gerar com sucesso.
Bm...
Aterrissou no outro lado, no fim da selva na direção em que seguia.
Olhando os seres brincando de estátua, resmungou:
— É aqui?
"Continue seguindo", Morte o respondeu da mesma forma de sempre, e entediado, o Primordial se virou, Schcss... escutando os seres se movendo, escutando a selva viva lhe assistindo com curiosidade enquanto este saía aborrecido caminhando.
— Uhum...
Fush...
Nino subiu em uma grande montanha no intuito de olhar ao redor, tentar entender onde estava e achar algum canto que poderia se parecer com o "lugar que a espada o esperava". Morte mal falava algo. Via-se perdido em um mundo imenso sem saber para onde ir. "Continue seguindo... Continue seguindo..." Isso não era lá uma boa ajuda.
Com os tênis afundados em uma neve fresquinha, lançou o olhar à direita e lá viu uma vila em chamas. Não escutava, no entanto era possível ver através de sua visão impecável, humanos gritando por socorro enquanto sua vila era atacada por um grupo de bandidos humanos. Mulheres eram cercadas, enquanto alguns homens lutavam para proteger a todos.
Alguns corpos em poças de sangue, não só dos moradores — aquela guerra estava no mesmo nível, embora o número de bandidos fosse maior que o de homens.
Nino olhou e desviou o olhar, observando o "Continue seguindo"... antes de continuar seguindo.
"Hum...? Não vai fazer nada?", Morte quebrou o longo silêncio, curiosa com aquilo.
— Por que eu deveria fazer algo? — murmurou entediado.
"Irá deixá-los morrer?"
— Não me importo. Estão longe. Não é problema meu — rosnou... e Morte sorriu contente.
"Gostei de você..."
Nino não olhou, só lançou o braço direito na direção e uma explosão quase como suas flechas de magia escura foi disparada na direção da vila, BAAUMMM!! chegando como uma porrada, explodindo o lugar... mas sem destruir nada.
Sua explosão consumiu e evaporou cada um dos bandidos, deixando somente suas armas e roupas para que os moradores salvos pudessem usá-las para algo mais útil algum dia. Além de roubar o fogo espalhado pelas casas e apagá-los, fechou os machucados de alguns homens feridos no meio da batalha.
Nino salvou a todos, e todos, assustados, olharam na direção da montanha com olhos apavorados... Não o viam... mas olhar para aquele lugar trazia uma sensação estranha. Não era boa, era amarga, horripilante, todavia, ainda assim, agradeceram sem saber quem poderia ter salvado suas vidas.
Morte se aborreceu e levou uma mão ao rosto, afundando os olhos, antes de reclamar:
"Por que não matou todos?"
— Só minha mulher pode dizer que gosta de mim — respondeu com um carão... rosto empinado.
"V..." Morte não teve tempo de desmenti-lo:
— Cala a boquinha, cala. Para de falar na minha cabeç... — PAF! — Desmnnnculmnpa... — resmungou com sua boca cheia de neve, enquanto o corpo se encontrava estático igual a alguém congelado vivo.
Morte o soltou. Nino se ergueu e resmungou:
— É aqui?
"Continue seguindo."
— Haarrf... Claro, claro.
Perdido, parecia um peregrino trilhando uma "estrada" perigosa no meio da tarde. Atravessava uma planície coberta por grama branca — eram raras as árvores que podiam ser vistas no horizonte.
— UoooOooOOOAAH! — com um forte bocejo, arreganhou a boca e, à esquerda, muito, muito, muito longe dele, viu o início de um deserto de areia clarinha... Seu rosto não era nada satisfeito.
Voltou-o e olhou para a direita. Lá, avistou, de muito mais longe, montanhas cristalinas como gelo, embora escuras como vidro tingido, que cruzavam as nuvens de um belo céu tingido de roxo e azul.
Próximo às montanhas, dois dragões longos, sem asas, feito cobras, de cor branca e a barriga lilás, serpenteavam pelo céu, voando entrelaçados em uma dança graciosa. Uma era mais longa que a outra — esta era a fêmea. O macho, embora menor, era mais ágil e rodeava-a com mais velocidade e beleza...
"Tão fudendo?", pensou o Primordial... cheio de desdém.
Voltou a olhar na direção do "Continue seguindo", e depois de mais alguns minutinhos caminhando... não aguentando mais andar, não aguentando mais respostas vazias, irritado, tiltou:
— Já devo estar andando há QUAAAATRO DIIAAS!... Rrrggg... Onde está esse MALDITO LUGAAAAAAAAARRR? — berrou aos ventos... sem tirar as mãos afundadas do bolso.
"Está bem ali", Morte o respondeu em tom monótono.
— NÃO TEM NAAAAADA ALI!! — continuou completamente indignado.
"Tem sim, imbecil."
— NÃO TEM NÃ...o...
Assim que deu mais um passo, o ar fresco da planície, o ambiente calmo e o céu limpo desapareceram, sendo substituídos por um fedor de corpos em decomposição, queimadas em meio ao caos.
Entrou na Dimensão Invisível, que escondia a espada da Deusa da Morte.
— Q-que lugar é esse? — seu tom mudou, e ele murmurou olhando o lugar... Tentou voltar, porém esta Dimensão fora criada para permitir somente a entrada... não permitia a saída.
Virou-se...
Milhares de espadas, lanças e escudos se encontravam espalhados — era óbvio que uma guerra acontecera naquele lugar... Uma guerra? Todos os corpos não eram só de aventureiros atrás da espada... Não... Não eram.
Carroças e carruagens destruídas, roupas rasgadas e os corpos de pessoas comuns, comerciantes e ladrões que, por azar, haviam entrado naquele lugar sem saber, estavam espalhados pelo terreno.
Sem poder sair, lutaram por suas vidas... Tudo fora em vão.
O céu era amarelado, mesclado com tons de vermelho e laranja. O chão estava morto, escuro e estéril; a vegetação permanecia, porém consumida pela Purgatório, sem nenhum vestígio de vida.
Ao seu redor, avistava monstros que nunca havia visto antes: gigantes selvagens e aberrações o espreitavam, observando-o de longe — criaturas de tamanhos e formas variadas.
Rrraiaiaiairr...
Olhando para um monstro que lembrava um lobo sarnento magrelo, com as costelas expostas e rugindo enquanto recuava, Morte o respondeu:
"Não importa. Ache a espada."
— Onde ela tá? — perguntou, sem muito interesse.
"Em algum lugar por aqui."
— AVA! Sabia não, minina — zombou, cheio de sarcasmo.
"Preste atenção ao seu redor... imbecil."
BAAAM!
Um gigante atacou.
Nino tirou a mão direita do bolso e segurou o punho do monstro. Crruumn! O impacto fez o chão ao redor afundar, criando rachaduras imensas que facilmente engoliriam ônibus escolares.
O gigante tentou puxar o braço de volta... Nino o segurava firme.
Com um leve movimento, preguiçoso, afastou a mão do monstro, olhou diretamente para o rosto da criatura de 40 metros e, com um puxão, BAAAAM! bateu o punho dele no chão, forçando-o a se curvar perante o Imperador Preto.
Vush!
Nino subiu pelo braço peludo do gigante, coberto de sujeira e sangue seco. Criou uma espada de sangue e começou a subir rapidamente, girando ao redor do braço da criatura, SHKKRRRRUNCH! cortando-o em espiral... não para arrancá-lo... não era esse o jogo.
Queria expor a carne... queria causar uma dor maior do que só perder o membro.
— GRRRAAAARGHH!'
O gigante rugia intensamente enquanto Nino subia.
Quando o jovem adulto chegou perto da cabeça do monstro, criou uma segunda espada na mão esquerda, acoplada a correntes, PL-PLOCHH! e cravou as espadas no queixo do gigante, prendendo seu sangue dentro do corpo da sua, literal, maior vítima.
A cabeça do monstro foi lançada para trás com o impacto impiedoso, e ele perdeu o equilíbrio de todo o seu corpo, PHAAMM! colocando uma perna de apoio atrás... evitando uma queda dramática de tão lenta.
Nino pulou muito alto, e, enquanto as correntes se esticavam, o gigante tentou atingi-lo com um golpe. Assistindo o punho vir, quase bocejou de sono; desviou no ar realizando um giro, e passou pelas costas do monstro, firmando as correntes como se fossem um balanço enorme.
Passando rapidamente entre as pernas, SHKRUNCCHH! Nino afiou as correntes como lâminas e cortou o monstro ao meio, BU-BUUUHMM... as duas metades caindo em lados opostos, em meio ao chão morto, sendo enriquecido com mais um mar de sangue espesso.
O chão tremeu com o impacto, e Nino aterrissou suavemente, dando dois pequenos pulinhos antes de lançar um olhar indiferente para a carcaça do monstro horroroso:
— Quanto maior é a altura, maior é a queda — rosnou, cheio de soberba.
"AAAAHAHAHAHAHAHAHA!! CABAÇÃO! AAAHAHAHAHA!" Morte ficou alguns segundos gargalhando, eufórica, na mente do Primordial que aborreceu o rosto devido ao tamanho barulho. "Uff... Cala a boca e acha logo a espada. Puxou isso do seu pai, foi?"
Nino fechou parcialmente os olhos, ainda mais desanimado:
— ...Insuportável.
"Você soltou uma frase de efeito, seu estranho."
— Eu vi em um filme que passou na TV.
"O que é 'filme'?"
— ...Tsi... E eu que sou o burro aqui?
Voltou a andar enquanto os monstros ao redor o observavam à distância, espreitando-o... mas somente isso.
— Por que não me atacam?
"Porque eles conseguem me ver."
— Não é porque eu sou foda?
"Você só ganhou da Anna porque ela deixou, e vem me dizer que é foda?"
— Ela realmente deixou?
"Óbvio."
— ...Vou provar minha força.
"AAAAAAHAHAHAHAHAHAHAHAHA!!"
— Caralho, você é chata demais! Acha a maldita espada logo e me fala, inferno! — reclamou, bravinho, de olhos fechados e cabeça baixa. Quando os abriu, percebeu que algo havia mudado. — Hãm...? Cadê os bichos?
— Cof-cof...
Ao ouvir uma tosse forçada, olhou para a direita e viu uma garota sentada em uma cadeira de madeira.
Vestida de palhaço, com roupas cheias de detalhes dourados, porém em um tom de ouro acinzentado, metade de sua roupa era marrom e a outra metade, verde. Os detalhes dourados iam dos botões no centro da roupa até as ombreiras e a touca.
As outras cores se mesclavam em seu short e nas mangas bufantes. Seus olhos eram de um tom azul que puxava para lilás e roxo, como um céu noturno em um lugar congelado.
Seu cabelo era longo e prateado. Ao vê-la de frente, era possível notar que, por fora, o cabelo era prateado, enquanto o interior apresentava as cores de seus olhos, criando uma linda mescla em tons de lilás, azul e roxo, igual a uma paisagem noturna.
Sua pele era clara, coberta de maquiagem branca, com destaque para o marrom nas bochechas e no nariz. Um delineado preto realçava seus lindos olhos.
Era baixa e usava luvas chamativas de tom marrom, combinando com suas botas da mesma cor, além de uma meia verde que subia pelas canelas.
Quando Nino a olhou, esta abriu um sorriso alegre e animado.
— Você conseguiu chegar até aqui!? — perguntou, fazendo uma expressão surpresa, com a boca aberta. — Quem é vo...
Não conseguiu terminar... Nino avançou com a espada, mirando em seu coração. Todavia, a garota foi mais rápida, estendeu a mão e apontou apenas o indicador para o chão.
Ziiiihh...
Uma aura lilás envolveu Nino... e seu sangue se amassou.
BAAMM!
Não suportou a pressão e foi jogado ao chão, esmagado pela gravidade.
— Caaaalma! Nem me apresentei ainda...
O Herdeiro forçava o corpo cada vez mais, tentando se levantar, e estava conseguindo, embora apenas alguns centímetros. O corpo se rasgando pelo esforço — sangue saindo do rosto enquanto tentava se erguer.
"Esse poder me lembra a Alissa...", pensou, com ainda mais sangue escorrendo pela boca, enquanto esboçava um sorriso animado. — Poder legal! DÁ ELE PRA MIM!! — rosnou seu grito, se levantando e tentando atacá-la novamente.
Todavia... seu braço ficou extremamente pesado.
BAAM!
Foi pressionado no chão outra vez...
No tempo que Nino lutava contra o poder de gravidade...
— Fuu! Fuu! Fuuuuuushh!
A garota encheu um balão, que logo se transformou em um porrete em suas mãos.
— Hinhinhehe!
Com um sorriso e uma pose boba e bem divertida, se aproximou dele como se estivesse prestes a receber uma bola de beisebol. Nino mal teve tempo de reagir antes que o balão se chocasse contra sua cabeça... explodindo-a.
POOFT!
— POOOOONTO! — gritou alegremente, deixando uma mão tampando o sol em seus olhos enquanto via o corpo dele voar sem cabeça, espalhando sangue para todos os lados.
No ar, se regenerou instantaneamente e, Sccrrrchh... aterrissou de pé, passando o braço direito no nariz. Suas unhas pretas começaram a se alongar e afiar no tempo que uma espada surgia em sua mão.
Todavia... antes que pudesse fazer qualquer coisa, um buraco colossal se abriu sob seus pés, e uma aura lilás envolveu novamente seu corpo. Ziiihh... Nino foi arremessado para baixo, acelerando, BAAUUMM!! até colidir com o fundo.
No chão... outro buraco se formou, este assumindo o formato do seu corpo, todo estirado pela colisão.
Se regenerou mais uma vez e se levantou, irritado, no fundo da cratera criada do nada.
"Esse poder já é apelação... Só que... não é como o da Alissa... Essa garota não consegue me controlar da mesma forma que ela." — Harff...
Não conseguia enxergar nada para nenhum dos lados... só via o mais profundo preto. Olhou para cima, e lá não conseguia ver o céu, só um pontinho de luz pelo qual fora jogado feito lixo em um depósito profundo. O pontinho se tornou escuro.
Saiu... andando de lá.
Adentrou a escuridão com as mãos nos bolsos, preguiçoso e desanimado como sempre se encontrava. Era estranho e logo notou, não havia nada além de escuro, escuro e escuro, mas sobre sua cabeça, era como se uma luz de show o iluminasse, dando destaque somente para ele.
Puf... Puf-puf-pupuf!
Barulhos repentinos ecoaram pelo ambiente sombrio.
Cada vez que escutava um som, algo novo era iluminado. Nino logo percebeu estar em um parque de diversões... porém... algo estava estranho... Muito estranho. Brinquedos começaram a se mover sozinhos: carrosséis, cavalinhos de madeira correndo e girando.
Brinquedos e mais brinquedos, todos de madeira.
"Quê? Essa porra é da Terra?"
Continuou a olhar, sem entender, até que todas as luzes se apagaram...
Logo, Zzzzpuf! todas as luzes se acenderam ao mesmo tempo, e em todos os brinquedos, corpos de madeira se formaram. Pessoas de todas as idades, com expressões fixas e sem vida, olhavam diretamente para ele.
Ao seu redor, o ambiente parecia misturar um parque de diversões com um circo surreal. Em um estande próximo, bailarinas de madeira dançavam graciosamente com bambolês, porém seus movimentos eram rígidos, quase mecânicos. (Ué...? Não eram bonecos?)
Palhaços sorridentes e assustadores se moviam freneticamente para cima e para baixo, como se estivessem presos em um loop interminável, seus rostos pintados com sorrisos bizarros.
— Huelkhehoue...
— Hihaihhehanana...
— Uhihahie...
O som de risadas e assobios distorcidos ecoava pelo ar.
Mais e mais brinquedos, todos de madeira, todos com olhos fixos, observando-o sem parar.
Nino permaneceu desanimado e sem reação alguma, caminhando em direção a uma única luz que se destacava em meio ao nada, ouvindo as risadas dos bonecos ecoando ao seu redor. Todavia, ao olhar para a direita, seu corpo se congelou.
Viu um desenho de uma aranha pintado em um dos brinquedos. Sua pele se arrepiou, e seu sangue vibrou com um leve pulsar, voltando ao normal junto com o receio imediato. Porém a sensação gelada em seus ossos não foi embora tão fácil.
Arregalou os olhos, imaginando que a aranha se mexeria e viria atrás dele.
"Tu fica aí, e eu fico aqui, irmão...", pensou, achando que havia falado e intimidado a criatura, no entanto apenas balançou a cabeça enquanto movia a boca sem coragem alguma.
Depois de vê-la, Nino não tirou os olhos dela nem por um segundo, seu olhar fixo e tenso. A aranha era apenas uma pintura, mas, na cabeça da lenda, parecia estar se mexendo — pura invenção da cabeça do cagão.
Não piscava, seu foco era absoluto... Distraído, foi caminhando e, finalmente, após o que parecia uma eternidade, alcançou a luz... e foi presenteado com uma sensação de alívio imediata.
Mas... antes que pudesse relaxar completamente, as luzes se apagaram. Nino arregalou os olhos novamente e, no instante seguinte, PUFFF! elas se acenderam, acompanhadas de risos eufóricos que ecoavam por todos os lados, reverberando em sua mente.
Quando a visão se clareou, Nino se viu no centro de uma plateia de circo meio diferente. Todos os espectadores eram piratas de madeira, suas feições fixas e vazias, os olhos completamente inexpressivos... e mesmo assim suas bocas se abriam e fechavam, gargalhando sem som.
As vozes não vinham deles; vinham de todo o ambiente, embora estes fingissem ser a fonte. Balançavam suas espadas e aplaudiam de maneiras estranhas, criando um som desconfortante, como se tudo fosse feito em uma sincronia distorcida — uma performance grotesca de seres sem... vida?
Ainda era tudo preto; a única coisa visível era a plateia e o centro onde Nino permanecia imóvel. Acima de tudo aquilo, não havia nada além de escuridão. Irritado com os sons, olhou ao redor e provocou em berro:
— APAREÇA LOGO! NÃO SE GARANTE NA MÃO?!
Acima da plateia, surgiu uma grande parede circular que a envolvia. Caminhos ao redor começaram a aparecer, seguidos de grandes buracos que surgiam como passagens, semelhantes às paredes de um coliseu.
Não era possível ver o que havia atrás dessas aberturas, pois era escuro demais.
Na direção de Nino, surgiu um pequeno caminho suspenso.
O Primordial olhou para a plataforma escura e, de repente, PUF! uma luz iluminou a garota que apareceu sobre ela, com os braços esticados para cima e os olhos fechados em uma pose.
Com um giro bem animado, abriu os olhos e olhou diretamente para ele, a bons metros abaixo de si.
— Você é um palhaço e tanto. A plateia não para de rir... maaassss... não é das suas palhaçadas nenhuma delas... É de você acreditar que sairá vivo daqui! — A garota levantou a mão próxima ao rosto enquanto falava.
Com o indicador apontado para baixo, Ziiiihh... pressionou Nino contra o chão.
Bramnmnmn!
Mesmo com seu corpo inteiro sendo forçado, o Primordial não caiu. Resistiu e começou a andar lentamente, Crash-Crrash... encarando-a nos olhos. Cada passo criando rachaduras no chão.
A palhaça abriu um pequeno sorriso e o libertou... Nino forçava tanto que surgiu à frente dela instantaneamente, chegando com um soco direto no meio do rosto. Esta...? Desviou facilmente.
BAAAMM!
Seu punho encontrou a parede... não perdeu tempo e girou o corpo para a direita, criando uma espada de sangue na mão direita em meio à rotação, voltando um golpe na altura do pescoço da menina ao seu lado... TIN!
Errou.
— Hinhinhehe!
Deixou um corte fino quando sua espada penetrou a parede e foi presenteado com risos divertidos zombando de sua cara... Pistolou. SHK!-SHK!-SHK! Avançou lançando cortes sem descanso, mas a garota continuava zombando dele em meio aos desvios tranquilos em tamanha velocidade.
A palhaça realizava pequenos passos e saltinhos para trás, sempre retrocedendo pelo caminho em meio às investidas incessantes... até que passou por um dos buracos do "coliseu".
Nino avançou, e no momento que o garoto pisou em frente ao buraco escuro... BOOINNG! uma luva gigante de cor marrom acoplada em uma mola saiu da escuridão e o acertou com uma porrada dura, violenta, amassando seu corpo como um pão em uma sanduicheira.
O coitado foi arremessado para o meio do palco, regenerando-se.
Ouvia as risadas altas dos piratas, enquanto seu corpo rodopiava no ar. Indignado, lançou um olhar e percebeu a garota avançando em um salto atrás dele. Bm! Assim que tocou os pés no chão, Srrchch... fez um rolamento e rapidamente se virou, acabando de puxar sua flecha enquanto a encarava nos olhos.
Sill!
A flecha disparou, a magia escura cortando o ar em direção ao peito da garota.
...O sorriso não saiu daquele rostinho. As mãos se moveram e a magia de Nino o traiu. Controlando-a, envolveu uma aura lilás no entorno da magia roxa e preta. Um nariz de palhaço se materializou em seu rosto, Fon! Fon! — ela o apertou com uma risada serelepe antes de redirecionar a magia diretamente contra Nino.
A velocidade foi impressionante... tão rápida que o Herdeiro não teve tempo de reagir.
Em um reflexo desesperado, levantou os braços, tentando bloquear o contra-ataque.
BAAAUMMM!!
Seus dois braços explodiram com sua própria magia, amplificada pela dela, resultando em uma dor agonizante que ele engoliu, ignorando-a.
Nino se regenerou instantaneamente, porém a explosão gerou uma fumaça preta e roxa muito intensa.
Shksssh!
Sem ver nada, após a fumaça se dissipar com um golpe de espada.
Foin! Foin! Foin! Foin!
Se viu cercado por narizes de palhaço marrons no chão, saltando sem parar como brinquedos energizados. Ao vê-la se aproximando, Nino se distraiu e deu um passo para trás.
Fon! Fon!
Escorregou, tentando se equilibrar.
Os narizes sumiram, e Nino se viu novamente envolto pela magia de gravidade.
Ziiihh...BAAM!
Ficou preso no chão de barriga para cima, observando a aura lilás ao seu redor — o que começou a irritá-lo profundamente.
Sem conseguir mover os braços, sua espada se desfez e, olhando parcialmente para frente, viu a garota saltando em sua direção.
BAAAMM!
A palhaça tentou esmagar sua cabeça com um soco, todavia ele conseguiu desviar, fazendo-a errar... Um buraco se formou ao lado de sua cabeça, seguido por um ainda maior.
BUUMMM!
Nino liberou magia escura do chão, saindo de baixo dela.
Com a impulsão, encostou o pé no chão e avançou, girando seu corpo para uma rasteira, seguido por um chute com uma lâmina de sangue em sua perna, mirando a lateral direita dela.
CRECKK!
A palhaça bloqueou com uma espada de balão... e a perna de Nino se quebrou como um graveto velho.
— Arrrgg...
A dor foi intensa e inesperada — não era como se estivesse quebrando seus ossos de propósito durante uma luta.
Rangeu os dentes, irritado com a dor. Se regenerou, mas antes que pudesse reagir, BAAMM!! a palhaça acertou um soco vertical no topo de sua cabeça. BUM! O corpo do garoto quicou no chão no instante em que sua cabeça colidiu com a superfície.
Semi-inconsciente, com os olhos entreabertos, começou a retomar os sentidos e pensou:
"Como vou ganhar se ela está em sua dimensão...?"
Enquanto seu corpo ainda caía após o quique, ela segurou sua perna, saltou, girou-o verticalmente e o arremessou contra o chão novamente. BUUMMM! Nino colidiu violentamente, no entanto seu corpo não se feriu, e muito menos o chão cedeu. Somente quicou levemente com o impacto.
Olhando para cima, com os olhos semicerrados, viu a garota descendo, fazendo piruetas enquanto segurava uma enorme marreta de balão prestes a esmagá-lo.
"...A levando até a minha", respondeu a si mesmo.
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