Dançando com a Morte Brasileira

Autor(a): Dênis Vasconcelos


Volume 2 – Arco 10

Capítulo 201: Espada do Purgatório

HARF!...

Caído de bruços, todo estirado no chão, Nino acordou assustado outra vez em um lugar que se tornava cada vez mais familiar. Espantado, arregalou o olhar, respirando com força. Ao notar que seus olhos não conseguiam captar mais que o infinito branco à sua frente, entediou-se imediatamente.

— Esse lugar de novo? — murmurou enquanto se levantava.

Todas as direções pareciam iguais... Olhava para cada canto e era como se nem se movesse de verdade... Tap... ouviu um leve passo atrás de si. Seu sangue se arrepiou todo e seu rosto se jogou na direção. Morte rodopiava em uma dança sozinha... embora os passos mostrassem que deveria ser acompanhada.

Girava conduzindo uma valsa... os braços no corpo invisível, imaginário à sua frente.

Olhos fechados... abriu-os lentamente, encarando Nino. Thum! Thum! Thum! Thum! O brilho das íris roxas mal havia se revelado e o coração do jovem Primordial quase implodia de pressão... Os olhos reagiram sem pensar e piscaram. Morte desapareceu.

Thum! Thum! Thum! Thum!

O garoto assustado girou o corpo para todos os lados, todavia nada via e somente ouvia os próprios batimentos cardíacos. O som ritmado acelerava e não queria tirar o pé do acelerador, enquanto o branco absoluto do ambiente consumia sua alma agressiva que agora aprendia o que era agressividade de verdade.

Hsss-hrrr-sss...

Murm-pshh-mrrrn...

Suss-shhh-shhh...

Vozes começaram a sussurrar em seus ouvidos, porém nada era compreensível. Os sons transmitiam angústia, sofrimento e dor, o que lhe causava uma extrema excitação, embora o medo fosse mais forte e prevalecesse sobre todas as sensações.

Nino girava a cabeça rapidamente a cada sussurro mais próximo, que ficava cada vez mais alto, cercando-o de todos os lados. Continuou virando-se, desorientado, até que, de repente, parou. Virou-se para a esquerda e travou.

Morte o encarava, rosto no rosto, íris roxas nas íris roxas.

— Levanta.


RAAAHNRRFF!...

Nino despertou respirando como um pirata desesperado lutando ao cair no mar em meio a uma tempestade abissal para não se afogar, levantando-se rapidamente e sentando-se na borda da cama, com os pés em contato com o piso frio.

Ofegava fortemente, o suor cobrindo seu corpo — não apenas o da madrugada passada. Ergueu as palmas diante de si, observando-as tremerem sem sequer sentir os movimentos.

Hãm...?

Em sua mente, Morte começou a falar:

"Saia da casa."

Hãm? Quem é você?

"Já te disse quem sou. Saia da casa e eu te guiarei até minha espada."

— Você é a minha mãe?

"Faça o que estou mandando e, no caminho, responderei às suas perguntas."

— É? Você é?

"Faça o que estou mand..."

— Você sabe algo sobre meu pai? Sabe?

Morte se irritou logo cedo e não respondeu. 

Nino mantinha um semblante animado... no entanto o silêncio era torturante e depois de alguns segundos, Vush! se levantou com pressa. Burn Limpou o suor com uma pequena explosão de magia escura e surgiu com suas roupas de sangue formadas. Correu até a porta, abriu-a, Bm atravessou o corredor e pulou escada abaixo feito um louco, disparando até a entrada da sala.

— Onde você está indo? — Nino congelou com a mão na maçaneta. — Não me viu aqui, não?

— Milagre seria eu sentir sua presença. — Nino se virou para Anna, que estava à mesa tomando café da manhã de costas para a escada.

— Realmente... Mas ainda não respondeu à minha pergunta. — Anna pegou o copo de suco, Glub... e tomou um gole, olhando-o nos olhos.

— Vou procurar uma espada; pode ser a chave para saber mais sobre meu pai.

— "Espada"? Quer que eu vá com você?

— Melhor não. Com minha irmã fora, se você vier junto, a vila iria ficar completamente desprotegida.

— É... "Ele tem razão." — Mas... Cadê meu beijo?

Nino soltou a porta e se aproximou dela com um sorriso brincalhão. Caminhou fingindo estar extremamente tímido, olhando para os lados, Mwah! e a beijou. BM Anna o segurou com força pelo pescoço, mantendo o rosto dele próximo ao dela. 

Com um olhar que lembrava o da própria Morte, sussurrou... no tempo que Nino olhava-a com os olhos arregalados de medo:

— Se demorar mais que sete dias, eu vou atrás de você e te desço um cacete. — Pm Em seguida, o soltou com um "leve empurrãozinho", fazendo uma expressão fofa e sorrindo. 

"...Não vou concordar que ela lembra a Alissa, eu me recuso!" — Não vou demorar, hehe... Te amo. — Com uma risada e um sorriso forçado, começou a andar de costas até a porta, bem lentamente.

Anna pegou o copo novamente, Glub... e tomou um gole. Nino abriu a porta de tal modo que nem rangeu e saiu da casa. Sua namorada o observava de canto — levantou-se sem que ele percebesse e foi até a porta.

"Corra reto nessa direção."

— Tá bom.

Fu!

Nino saiu correndo na direção que Morte indicou, enquanto Anna o observava da porta, com um olhar mais que desconfiado.

— Ele disse "Tá bom"...?

Ignorou a princípio e voltou à mesa. Assim que se sentou, Clarah desceu as escadas.

— Bom dia!

— Bom dia.

— Bom dia.

Sentando à mesa, enquanto a empregada colocava mais comida, Clarah comentou:

— A comida parece estar uma delícia! — Sorriu gentilmente.

— Obrigada, senhorita. Pode se servir.

— Eu que agradeço.

Pegou um pão doce, Nhaami! e começou a comer. No tempo que mastigava, olhou para a esquerda, onde Anna estava sentada. Gulp! Engoliu um pequeno pedaço e logo puxou assunto:

— E o Nino, Anna?

— O que tem ele?

— Ainda não acordou?

Anna se apoiou na cadeira, olhando para cima.

— Acordou e saiu em uma viagem. Disse que vai atrás de uma espada para tentar descobrir mais sobre o seu pai. Se for a espada da Deusa, duvido que ele a encontre, já que está em uma Dimensão Invisível. Como ele vai achar o lugar onde ela está se não pode ver?

— ...Não sabia dessa espada. Que triste... — Clarah abaixou o olhar.

— O que foi? — Ainda olhando para cima, Anna olhou-a de canto.

— Eu ia sair hoje para ir atrás do Palácio do Sol e tentar salvar minha irmã... Acha que ele vai demorar?

Anna abaixou a cabeça, olhando-a normalmente.

— Dei a ele sete dias para voltar, senão, eu iria caçar ele. Vai que, por algum milagre, ele encontre a espada e volte antes... — Anna suspirou, meio desanimada e receosa. — Meu medo é que todos que foram atrás dessa espada morreram. Receio que ele morra também... Espero que ele não a encontre, só para eu descer o cacete naquele garoto! — Fez uma expressão brava e gesticulou com o punho direito fechado.

— Irá atrás dele em sete dias?

— Pretendo... Você não quer esperar ele voltar? Ir sozinha até lá é arriscado. Assim que ele voltar, eu vou com você.

Clarah desviou o olhar de Anna e olhou para baixo.

— A cada minuto que passa, minha irmã pode estar sofrendo nas mãos daqueles Primordiais nojentos. Não aguento mais ficar parada sem fazer nada... — Olhou para suas mãos, as fechou e então olhou para Anna com um rosto confiante, porém ao mesmo tempo cheio de inseguranças e dúvidas. — Se ele não voltar em três dias... E-eu vou até lá... Tá bom?

"Com essa incerteza toda, vai acabar morta", pensou, olhando para ela e a lendo como um livro. — Bom... — Anna desviou o olhar de Clarah e pegou um docinho na mesa para comer. — Você que sabe. — Jogou na boca, Nhami-Nhami... mastigou, Gulp... e engoliu. — Mas se você perceber que não vai conseguir sozinha, volte, tudo bem? Não é para ir e se matar.

— Tá bom...

Anna olhou profundamente nos olhos de Clarah... esta se sentiu intimidada.

— Me prometa.

— P-prometo que vou voltar se não conseguir sozinha... "Que medo..."

Anna parou de encará-la.

— Agora sim. — Fechando os olhos enquanto comia mais docinhos, pensou: "Virei mãe agora, é? Ter que cuidar de duas crianças."


Nino corria por uma planície onde a grama era marrom e milhares de flores azuis cobriam o chão. Havia poucas árvores na planície, cujas folhas tinham a mesma tonalidade das flores. 

Parou de correr de repente, visivelmente entediado, e começou a andar com as mãos nos bolsos, empurrando as flores ao seu redor com seus passos.

— Ei... Você é uma Deusa, certo?

"Sim. Por que parou de correr?"

— Faz um bom tempo que estou correndo, desgraça, deixa eu descansar um pouco.

"Blá-blá-blá, só continue nessa reta."

— Como é lá no céu?

"...'Como é lá no céu?' Tenho cara de anjo?", desdenhou.

— Você disse que iria responder minhas perguntas.

"Garoto chato."

— Como é o céu?

"...Harrff... O céu é para os filhos da Deusa da Vida, todos os Deuses e alguns subordinados que os Deuses têm como preferidos. Os Deuses não são bonzinhos ou algo assim; um Deus cria um mundo e pede à Deusa da Vida permissão para criar vida nesse mundo. A vida gerada não passa de entretenimento; entregam o livre arbítrio e criam problemas para que os seres do mundo passem por dificuldades, enquanto eles se divertem assistindo. Alguns Deuses gostam de ajudar seu mundo, outros gostam apenas de ser adorados... É mais ou menos isso."

— ...Então, Deuses não são bons?

"Tá surdo?"

— ...Tá... Entendi um pouco. Ee... E você é a minha mãe?

"Felizmente, não."

— ...Precisava?

"Ahãm..."

— Eee... E você sabe por que chamam a Nathaly de Grande Heroína?

"Talvez porque ela é a Grande Heroína? Oouu talvez porque ela herdou o poder do antigo Herói, mas... só talvez, né? Nunca se sabe. Meio óbvio, não acha?"

"Só paulada, credo, bicho ignorante." Nino entediou o olhar.

"Pergunta burra."

— ...Qual era o poder do antigo Herói?

"Basicamente, Fogo Sagrado e uma espada com a mesma propriedade da 'Celeste'. A Hero também consegue cortar almas."

— Corte na alma? Como assim?

"Se ela cortar seu braço com a espada, ela corta sua alma, e você não consegue se regenerar no local cortado. Por ser pura, ela corta a alma de monstros, humanos, demônios e qualquer raça que exista nesse mundo, porém a espada do Herói é incapaz de cortar a alma de um Anjo, Semi-Deus ou de um Deus."

Ah... Se ela souber como usar, acho que pode causar um bom estrago.

"Tem mais uma coisa. O Grande Herói tem uma maldição: caso morra, ele perde o controle total de seu corpo. É como se fosse controlado pelo seu próprio poder..."

Nino ficou em silêncio, só escutando enquanto andava, olhando ao redor meio inquieto... desconfiado:

"Tem alguém me olhando?"

"...Sua vida vira apenas vagar pelo mundo, matando o mau que encontra pelo caminho. Ele não vive mais, sua alma é completamente consumida."

— Tem certeza?

"Sim. E é bem provável que o primeiro alvo dela seja você ou sua irmã."

— Por quê?

"O antigo Herói morreu pelas mãos do seu pai, então acho que o poder a controlaria para ir matar vocês primeiro, já que o poder é Herdado."

"...Meu pai?"

"Após matar o Herói, ele disse: 'Viver sem poder tomar suas próprias escolhas deve ser pior do que a própria morte'."

— E como você sabe disso?

"Eu estava lá."


Ano 99, cinco dias antes da virada do ano.

Blacko parou diante do Herói... uma espada de sangue se encontrava cravada no coração do humano. Observava o corpo do Herói morto — este exibia um sorriso aliviado ao morrer... de novo.

— Viver sem poder tomar suas próprias escolhas deve ser pior do que a própria morte.

Atrás dele, Morte o observava sentada em cima de uma pilha de corpos humanos, rindo muito enquanto apontava seu indicador para o demônio.

AAAHAHAHAHAHA!! Que fresco! — Morte dava gargalhadas do Primordial, e este olhou para trás, alegre ao vê-la rindo.


— Me conta mais sobre ele, por favor.

"Não quero falar sobre isso. O único ser que amei me esqueceu tão rápido que teve um filho com outra qualquer", seu tom mostrava sua raiva mesclada ao desapontamento... mesclada à decepção.

— Dois. Eu tenho uma irmã.

"Vocês são um, imbecil. Se você morrer, a não ser que seja ferido na alma, bem no coração, você não vai morrer se ela não morrer junto. Vocês dois são um."

— Que nós somos um eu já sabia... "Foi por isso que ela não morreu?" — ...Mas eu acho que meu pai a amava sim.

"...Vocês dois existirem é a prova que não."

— É que... Você é idêntica à minha mãe na foto que eu tenho dos dois.

"O que é 'foto'?"

O Primordial colocou a mão no peito e tirou a foto do sangue.

— É isso aqui... Hãm...? — Nino surgiu no quarto branco, Páf! e Morte tirou a foto de sua mão.

Olhou para a imagem... e Nino correu atrás dela.

— Devol... — Morte moveu um dedo e ele acordou deitado com a cara na grama da planície. — SUA SEM EDUCAÇÃO! — gritou indignado, olhando para frente.

"Calado. Continue seguindo."

Nino se levantou bravo, bufando... todavia obedeceu calado.

No quarto branco, Morte olhava feliz para a foto de Alice com Blacko e a guardou.

— Vocês eram namorados? — Nino quebrou o silêncio, queria porque queria saber mais do passado, saber mais sobre quem era seu pai.

"...Nunca houve um pedido, porém ele cozinhava para mim. Qualquer coisa que fosse viva, ele matava e fazia espetos com as mais variadas carnes para me dar enquanto eu apenas observava ele dizimar uma raça inteira. Torturar humanos também é bem divertido; qualquer coisa, gritam e choram. Antes de preparar a carne do Grande Herói, aquele adolescente chorou e gritou, implorando à Deusa para salvá-lo, mas ela não veio. Medinho de mim? Não tenho dúvidas...", terminou com um tom de soberba.

— Nossa, então esse é o tal "meta" para um "date"? — Nino brincou com um sorrisinho de canto de boca.

"Eu consigo ver esse seu sorriso. Está me zoando?"

O garoto desfez o sorriso no momento em que ela comentou e começou a assobiar disfarçadamente:

Fiu, fiiiuu... Não, não... Nunca... Mas então... Como você foi selada e como meu pai foi parar no mundo em que eu nasci?

"Não faço ideia. E como fui selada é muito vergonhoso. Um dia eu te conto."

"Vai contar porra nenhuma."

"Eu escuto cada pensamento seu, seu imbecil."

Nino travou inteiro, surpreso com aquilo.

"Fudeu!"

"'Fudeu!'"

— Isso é invasão de privacidade.

"Blá-blá-blá... Só que o motivo do meu selamento é previsível. Eu não posso ter um mundo, então eu ia de mundo em mundo matando o que eu queria. Mas, quando vim para este, a Deusa daqui não gostou e foi chorar para minha irmã, a Deusa da Vida. Aí acabou que fui selada com a ajuda da minha irmã."

"...Que irmã legal."

"Sim."

— PARA DE LER MEUS PENSAMENTOS!

"É só parar de pensar, ué."

— Como se fosse simples.

"Anna conseguiria."

— O que isso tem a ver com ela?

"Tem algo que me deixa curiosa sobre sua namorada."

— O quê?

"O poder dela. Não existe ser algum neste mundo capaz de vencê-la. Imagino que ela mataria facilmente diversos Deuses juntos..." Morte abriu um sorriso animado. "Queria enfrentá-la, ver quanto tempo ela conseguiria me entreter."

— Ela mataria vários Deuses juntos?

"Bom... Se ela usasse o vestido e eles não usassem uma Ordem Divina, sim."

— Tô entendendo nada. Que porra é essa Ordem Divina e o que Anna tem a ver com isso?

"Sua namorada não tem nada a ver, seu imbecil. Usa sua cabeça para pensar um pouco."

Nino fez um biquinho enquanto andava bravo.

"Deuses e Semi-Deuses podem ordenar outros seres. Deuses podem ordenar tudo, e Semi-Deuses podem ordenar tudo, menos Deuses. Digamos que eu mande você morrer; você simplesmente morre. No entanto, só eu posso fazer isso porque sou a Morte. Posso fazer tudo, exceto conceder a vida, e a Deusa da Vida pode tudo, exceto conceder a morte. Se um Deus mandasse Anna se ajoelhar, por exemplo, ela poderia resistir e até mesmo conseguir desfazer a Ordem Divina, mas ela ficaria imóvel por algum tempo. Mesmo que seja só por alguns segundos ou milissegundos, já é o suficiente para ela ser morta. Isso, em duelos de Deuses contra Deuses, não é muito utilizado, a menos que quem use a ordem tenha certeza de que o outro é inferior. Se um Deus mais fraco der uma ordem a um Deus mais forte, a ordem volta para ele, causando danos graves e, dependendo da força da ordem, pode até matá-lo instantaneamente."

Ah... Mas por que você quer lutar contra a Anna? O que ela fez pra você?

"Nunca vi alguém com um poder tão grande em milhares de mundos pelos quais já passei."

— E eu?

"AAAAAAAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA!!!"

Morte caiu na gargalhada dentro do quarto branco, e Nino escutou aquela risada extremamente alta ecoando em sua mente.

"AAAAAAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA!! VOCÊ É FRACO DEMAIS!!", continuou rindo. "TEMHAHA! TEM SORTE DE TER HERDADO A 'POSSE' DO SEU PAI!", riu mais um pouco e se acalmou, parando de gritar. "...Qualquer criatura que você mate, você fica mais forte. Se não fosse por isso, nem estaria vivo para chegar até aqui."

— ...Não precisava disso. — Nino ficou olhando para frente, desanimado, enquanto continuava andando com suas mãos afundadas nos bolsos.

"'E eu?'", Paff caiu na gargalhada novamente. "...Essa foi a melhor piada que já ouvi em toda a eternidade que já vivi."

— "Eternidade"? Você passava de mundo em mundo e nunca foi em um onde existisse foto?

"Os mundos que eu visitava eram porque tinham alguma presença interessante para eu torturar. É chato ser imortal. Depois de milhares de anos, tudo fica chato e repetitivo. Viver para sempre deve ser a minha maldição. Viver caçando algo para me distrair e entreter por um tempo. Talvez eu nunca tenha ido a um mundo parecido com o que você nasceu porque não tinha um ser forte o bastante para despertar meu interesse."

"Alissa não seria forte o bastante?"

"Sei lá, não conheço essa."

— Cara... Apenas finja que não escuta meus pensamentos, ok?... Quantos mundos você já visitou?

"Não os conto, mas na minha espada estão as almas dos seres que matei com ela. Deve ter uns trilhões de almas ali, talvez."

— "Trilhões"? Isso é mais do que bilhões, não é?

"Sua irmã ficou com toda a inteligência?"

Nino respirou fundo e soltou um suspiro desanimado:

— Isso são muitas almas... Você realmente passou por muitos mundos.

"Quase todo dia é criado um mundo novo. Às vezes, um Deus se cansa do seu e pede à Vida para criar outro, tentando uma nova abordagem para a criação e blá-blá-blá... Não entendo muito disso. Não tenho um mundo. Mesmo que eu criasse um universo inteiro, nele não haveria vida, apenas um silêncio ensurdecedor de puro vazio."

"Que otária... Não tem um mundinho", Pahf... Nino riu de canto de boca e logo caiu de cara no chão, com o rosto na grama. — Quer que eu ache a espada ou não? — Sua voz saiu abafada por estar comendo o solo, travado, porém Morte o soltou, permitindo que ele se levantasse e continuasse andando. — Afinal... Você tá dentro de mim?

"Não sei dizer. Fui selada na espada, mas consigo puxá-lo para dentro do meu selamento. A única relação entre nós dois seria seu pai, então não sei o que está acontecendo."

— E tem como você sair?

"Acho que de três formas... Uma é a Vida quebrar o selo que ela criou."

— E as outras duas?

Morte sorriu.

"Um dia eu te conto."

Nino respirou fundo novamente.

— Assim fica difícil, viu... — Nesse momento, sentiu novamente que alguém o observava. "Detecção!" Avistou quatro pássaros diferentes olhando para ele e encarou um deles.

— ELE NOS VI... — Buurrnn! Um círculo mágico surgiu na frente dos quatro pássaros e lançou fogo, incinerando-os.

"Até que essa magia humana é interessante, mas... O que eram essas coisas?" Nino, ainda desconfiado, olhou para o céu com seriedade. — Tanto faz... De qualquer forma, estão mortos agora. — Fechou os olhos com uma expressão de soberba e apenas continuou com as mãos nos bolsos, caminhando sem nem imaginar que seu pai andava da mesma forma.

Esses pássaros eram a patrulha que o Primordial do Sol havia mandado para vigiá-lo; eram cinco, todavia o Herdeiro só encontrou quatro. O quinto os observava de muito longe, mantendo-se seguro.

Após a morte de seus companheiros, voou de volta em direção ao Palácio do Sol, enquanto Nino continuava a seguir o caminho que Morte trilhava para ele.

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