Dançando com a Morte Brasileira

Autor(a): Dênis Vasconcelos


Volume 1 – Arco 2

Capítulo 34: Silêncio

— Harrff...

Alissa suspirou pesadamente, visivelmente mais cansada, mas sua exaustão não a impediu de tomar uma ação rápida. Endireitou-se no assento e, com um simples movimento de dedo, desmaiou Daniel, poupando-o da dor intensa enquanto a equipe médica da escola começava a preparar os primeiros tratamentos e anestesias.

— Vá até lá e o leve para a enfermaria — disse ela preguiçosamente, sua voz monótona.

Louis, sem hesitar, levantou-se e respondeu:

— Agora mesmo.

Como um cão obediente, Clap! teletransportou-se com o corpo de Daniel, seguindo as ordens de Alissa sem questionar, e desapareceu com o jovem machucado.

A forma fina e envergonhada da resposta, a ordem sendo acatada sem mais nem menos, alimentou o ciúme e a obsessão de Katherine. Agora adulta, sabia que não adiantaria inventar histórias dizendo que, no passado, ele a abusava. Isso não resolveria nada, e ela se via cada vez mais paranoica, convencida de que seria trocada.

"Para de falar com meu homem... Saia de perto dele, sua assanhada... Fica se rastejando atrás dele, ele é MEU! Para de puxar assun..." Sua mente fervia com esses pensamentos, mas, ao mesmo tempo, sabia que não tinha o poder de controlar nem a própria vida, quem dirá a situação ao redor.

Enquanto Katherine alimentava seu ódio, disparando todo o rancor e sentimentos reprimidos contra sua prima, Natanael se aproximava de Nino para proclamar o vencedor do duelo, e, consequentemente, a classificação A do jovem.

Mas, antes que pudesse sequer dizer algo, Nino, ainda com sua vontade irritante, usou a aproximação do professor com o rádio para gritar com um tom desafiador que todos escutaram através dos alto-falantes:

— Ei! Você é a professora, né?!

Alissa, sem muita expressão, olhou para ele. Seu olhar indiferente foi tudo o que Nino precisava, a atenção que tanto desejava, que sentia o impulso de provocar para obter.

— Você disse que é a única Classe S. Desça aqui pra eu...

Tlec!

Pah...

Antes que o menino pudesse terminar sua provocação, Alissa, com um estalo de dedos, o fez desmaiar instantaneamente.

BOOMM!!

Do nada, Nina apareceu acima da exterminadora, desferindo um chute vertical com toda a sua força. Mas Alissa, com um simples movimento de dedo, parou o ataque, não se importando com a pressão que Nina exercia.

O olhar da jovem adulta continuava indiferente, e o ataque de Nina não passava de uma pequena distração, fraca e sem significado.

A garota permaneceu equilibrada no dedo de Alissa, incapaz de fazer qualquer movimento, suspensa no ar como uma bola de basquete.

A força do impacto rachou a estrutura das cadeiras ao redor, espalhando estilhaços e causando um alvoroço. Katherine, Eric e alguns outros professores ao fundo se afastaram rapidamente, observando a destruição que se espalhava pela área.

— NÃO MACHUQUE MEU IRM...!

Tlec!

Pah...

Com um estalo ainda mais preguiçoso, agora com a mão esquerda, Alissa neutralizou o ataque, enquanto seu indicador da mão direita apenas fingia bloquear a força de Nina.

Nina caiu desmaiada, assim como seu irmão.

Os dois, há muito tempo aperfeiçoando a ocultação da marca com sangue, sempre disfarçavam suas verdadeiras intenções durante os passeios até o rio com Marta, alterando a cor preta do sangue por um vermelho similar ao humano, para não correrem nenhum tipo de risco fora de casa. Mesmo desmaiados, a marca continuava oculta, mas o sangue... esse sempre os traía.

Por sorte, seus corpos permaneceram intactos. Alissa, embora tivesse os desmaiado, não os feriu. Sua intenção nunca foi machucá-los, apenas neutralizá-los temporariamente.

Enquanto observava os dois caídos no chão, sentiu uma leve indiferença. O olhar preguiçoso se alternava entre um e outro, até que uma ideia lhe ocorreu. A expressão dos outros alunos, que estavam visivelmente chocados com o que havia ocorrido, a divertia. E, aproveitando que Louis ainda não havia retornado, decidiu tirar proveito da situação, dando uma desculpa vazia:

Huhum... Vou levá-los para minha sala... Hihi! Não posso deixar alunos desmaiados por aí, não é? — Seu tom, embora brincalhão, para alguns soava como uma ameaça mascarada de diversão.

Lançou um olhar aos professores mais afastados do ataque, mas nenhum tinha culhão para intervir em sua decisão. Todos sabiam que sua posição era incontestável, e ninguém ousava questioná-la sobre a obrigação que tinha, assim como todos os professores, de continuar avaliando os embates, observando possíveis potenciais em alunos, podendo ter ideias de treinamentos personalizados para cada um na ADEDA.

— Espero que aproveitem as belas lutas desta tarde! TchaaAAuu! — Com um sorriso travesso, se virou e começou a andar, deixando os outros atrás, se preparando para enfrentar o restante entediante do evento.

Os gêmeos, sem escolha, começaram a flutuar e seguiram-na, ainda desmaiados.


Huhum... Continuando, Deisy, por favor, se apresente — Natanael tentou retomar a normalidade da situação, buscando dar seguimento ao evento principal.


Três horas depois, Alissa permanecia confortavelmente instalada em sua poltrona, lendo um livro enquanto saboreava um café pelando, quando os gêmeos começaram a acordar.

— Onde... eu tô? — Nino perguntou, sua voz ainda embargada pela confusão. Seus olhos estavam semicerrados enquanto tentava entender o ambiente ao seu redor.

Era uma pequena sala simples, mas muuuito aconchegante, com um ar de tranquilidade que contrastava com a tensão do ambiente exterior. O espaço era pequeno, mas bem organizado, com um banheiro e uma minicozinha que indicavam a funcionalidade do local... uma minicasa.

O carpete azul-escuro cobria o chão, proporcionando uma sensação de conforto. Alissa costumava ficar em uma poltrona, posicionada estrategicamente em frente a uma mesinha de vidro azul circular, criando um cantinho acolhedor.

Ao lado da poltrona, separando a cozinha do restante do cômodo, havia uma estante cheia de livros, que ela lia diariamente quando não estava anotando algum relatório em seu notebook.

A cozinha era simples, mas funcional. Armários que guardavam sacos de café, pipocas de micro-ondas e outros lanches práticos. Havia uma pia com um cooktop, e também uma cafeteira para os dias em que a preguiça reinava, mas ainda queria fazer seu café.

Sendo uma amante do controle, não deixava nada ao acaso. Por isso, o ambiente possuía tanto um aquecedor quanto um ar-condicionado, garantindo que a temperatura estivesse sempre perfeita de acordo com seus caprichos.

Na parede próxima à única porta, um suporte pendurava seu sobretudo. A exterminadora preferia roupas em tons neutros, optando por roupas simples, mas elegantes. Seu guarda-roupa era composto por uma paleta que incluía branco, cinza, creme, azul bem clarinho, azul-escuro, preto e tudo o que fosse parecido.

Costumava usar um pequeno short azul, muito escuro, de cintura bem alta, que combinava perfeitamente com uma regata cinza — a camiseta sempre colocada por dentro do short. Seu tênis, de cano alto, sempre era na mesma cor do short, completando o visual discreto, mas eficiente.

Além disso, uma pequena gola cinza-escuro, uma espécie de gravata borboleta, adornava seu pescoço, e suas luvas brancas ou cinzas eram seu toque final, pois não gostava nem um pouco de se sujar ao manipular objetos, como seus livros, com as mãos tocando em poeira ou superfícies sujas, quando deixava de usar seu poder.

À frente da mesinha de vidro, uma estante de livros cobria toda a parede. Os livros que Alissa já havia lido estavam ali, criando uma atmosfera de biblioteca pessoal. O escritório não era apenas um lugar de trabalho, mas um refúgio, uma sala de leitura particular onde Alissa se sentia em paz... mas apenas quando tinha silêncio.

Com 1,79m de altura, Alissa possuía uma presença imponente, mas ao mesmo tempo elegante. Tudo dentro de sua sala refletia seu gosto pelo controle, pela organização... mostrava o controle absoluto sobre tudo em sua vida. Nada podia impedi-la ou pará-la. Tudo o que queria, tinha, e se não tinha, conquistava.

Enquanto olhava ao redor, Nino levou um susto repentino. Seu corpo estremeceu levemente, traindo a calma que tentava manter. O som de uma voz o fez desviar o olhar, cortando o silêncio que até então reinava na sala:

— Depois de gritar para todos que queria me desafiar, eu te nocauteei — Alissa falou, sem sequer olhar para ele, seus olhos fixos em seu livro de capa vermelha espessa, tentando se manter concentrada e ignorando a interrupção abrupta de seu precioso silêncio.

O susto fez Nino virar o rosto rapidamente para a esquerda. Seus olhos seguiram o contorno das pernas cruzadas da mulher, virada para a mesa. Atravessando lentamente sua linha de visão, subiu até o perfil de seu rosto, sua expressão indiferente, imersa nas páginas do livro.

— Mentirosa, não me lembro disso! — ele protestou, com uma leve expressão de incredulidade.

— É?!... Mas aconteceu. — A resposta dela foi monótona, sem nenhum entusiasmo, enquanto virava a página do livro de maneira quase automática, mantendo-se absorta na leitura.

— O que estamos fazendo aqui? — perguntou Nina, visivelmente mais confusa, seus olhos buscando respostas que não pareciam chegar.

Alissa permaneceu em silêncio por um momento, suas mãos ainda firmemente segurando o livro, mas sua atenção começava a ser atraída pela insistência dos olhares dos gêmeos, mesmo que não produzissem um único ruído sequer.

A encaravam com intensidade, o que, apesar da calma exterior, começava a irritá-la e afetar sua concentração.

Suspirando levemente, finalmente respondeu, olhando-os sem muito entusiasmo:

— Usei vocês como desculpa para sair daqueles testes. Quase dormi de tédio naquele lugar... — Fez uma pausa, avaliando se os dois haviam entendido. — Estão com fome? — O sorriso que se formou em seus lábios era estranho, largo, mas com uma sombra de algo mais ameaçador por trás. Sua voz, agora mais suave, parecia um doce veneno. — Já é hora da merenda, antes da escola liberar os alunos!

Alissa se levantou lentamente, seus passos graciosos e suaves, e se aproximou dos dois, que ainda estavam sentados no chão, atônitos.

Scrrchh...

Sem dizer uma palavra, começou a empurrá-los com uma leve força, guiando-os em direção à porta, que se abriu sozinha, obedecendo a um comando não verbal. Nino e Nina trocaram olhares, mas permaneceram em silêncio, aceitando o que quer que fosse o próximo passo.

— TchaaAuu!

Prac!

Alissa se despediu, com um tom sarcástico, fechando a porta abruptamente de forma seca, sem mais explicações.

E... finalmente... a sala se silenciou.

— Harf... — suspirou de alívio. — Finalmente, silêncio.

Voltando à sua mesa, se acomodou confortavelmente em sua poltrona, cruzou as pernas com a graciosidade de quem executa um movimento estudado e, com uma suavidade quase teatral, retomou sua leitura.

Com o ambiente novamente em paz, agora mais tranquila, voltou a se perder nas palavras de seu livro.

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