Dançando com a Morte Brasileira

Autor(a): Dênis Vasconcelos


Volume 1 – Arco 2

Capítulo 33: Única Classe S

Nino e Daniel não se moveram, e a plateia ficou inquieta, sem entender a demora. Daniel fitava seu oponente com um olhar fulminante, observando a soberba e a falta de respeito na postura desleixada de Nino, que sequer se dignava a se posicionar adequadamente para o duelo.

Nino, por sua vez, continuava sem reação. Simplesmente olhava, entediado, aguardando que o humano fraco à sua frente tivesse algo digno de seu tempo. Seu olhar se desviou para os lados, vendo os alunos ao redor, confusos, murmurando sobre o que estava acontecendo no campo.

Essa hesitação de Nino fez a raiva de Daniel ferver. O jovem não poderia deixar que o desdém de seu oponente passasse impune.

— Já que você não vai começar, eu começo! — gritou, irritado, sua voz cortando o silêncio.

Ao ouvir o grito de desafio, Nino voltou a olhar para ele, agora com um leve sorriso de desprezo.

"Quem é o imbecil que avisa antes de atacar? Sua raça de merda não consegue pensar?"

Ainda com as mãos nos bolsos, Nino observou com indiferença o showzinho enrolado de Daniel. O jovem juntou as mãos, separando-as com um gesto dramático, Buurrnm... criando um feixe de chamas vermelhas que tomou a forma de uma lança flamejante.

O fogo tingiu seus cabelos loiros de um tom ruivo, e seus olhos brilharam de um vermelho intenso. Mas Nino continuou a observá-lo, sem sequer mudar a expressão.

Com um grito feroz, Daniel girou o corpo e agarrou com força o cabo da lança incandescente.

— Aarrr! — rugiu, lançando a lança em direção a Nino com um movimento rápido e decidido.

No entanto, mesmo enfraquecidos neste mundo, os gêmeos tinham uma percepção diferente do tempo, assim como o pai. O mundo à sua volta fluía de forma mais lenta, e o que todos viam como rápido, para eles era uma sequência de eventos que podiam analisar com mais clareza e agir com mais facilidade. Nem sempre, claro... Nem todos os humanos... eram fracos.

Nino encarou a lança, distorcendo o ar com as chamas em sua direção.

"Se eu o matar, será considerado um acidente ou serei executado por isso?"

Ainda com as mãos nos bolsos, ponderava, com seus olhos entediados, se queria realmente derramar sangue humano ou não. A morte de Marta ainda pairava sobre os gêmeos, mas muito abafada. O instinto de sobrevivência, de encontrar uma forma de continuar vivos, os mantinha em alerta, ignorando, de maneira fria, a morte de sua avó.

Mas a frustração por não terem feito nada, por não poderem fazer nada, deixava, especialmente Nino, irritado, querendo descontar esse ódio em algo ou alguém. E, naquele instante...

"Eu vou matar você."

Com um movimento fluido, Nino retirou as mãos dos bolsos e se esquivou para a direita, seu corpo se movendo com uma graça que deixava a plateia maravilhada. A lança se aproximou rapidamente, mas o Primordial estendeu a mão direita sobre a extensão da arma... e não se preocupou em roubar a magia de imediato, apenas a agarrou.

Segurando o feixe de fogo como se fosse algo trivial. A chama ardente que se espalhava pela lança não era nada perto do calor que emanava de sua própria mão.

O movimento de Nino foi um giro anti-horário, e enquanto girava a lança com facilidade, as chamas aumentavam gradualmente em brilho. A plateia assistia, boquiaberta, tudo acontecendo em câmera lenta. Cada movimento de Nino era uma demonstração de poder absoluto, seu corpo girando 360° no seu eixo.

No meio do movimento, a plateia ficou assustada, muitos se ergueram nas cadeiras, observando a cena com olhos arregalados, incapazes de entender o que estava acontecendo.

Nina, entediada, apoiava o braço no encosto da cadeira, de maneira semelhante à postura de Alissa. Olhou rapidamente para os lados, notando a surpresa nos rostos dos espectadores, que reagiam com um tempo reduzido. Voltou o olhar para seu irmão, observando-o enquanto ele finalizava o giro.

"Não irá passar do ponto, né?" ela se questionou... antes do movimento subsequente de Nino.

BRUURMNM!

Nino explodiu em chamas vermelhas, seus olhos brilhando com uma intensidade aterradora enquanto girava o corpo, fazendo a lança se intensificar de maneira impressionante. O tamanho da arma aumentou e o feixe de fogo deixou um rastro luminoso e incandescente no ar, a própria natureza do fogo se curvou à vontade do Primordial.

O som da explosão ecoou pelo campo, e a plateia sentiu uma forte vibração no corpo — o ar sendo distorcido pela força do ataque.

Pa-p-pah...

Alguns caíram sentados em suas cadeiras, outros ficaram imóveis, ainda tentando processar o que haviam acabado de ver.

Daniel, com os olhos arregalados, sentiu o abismo de diferença entre o seu fogo e a força aterradora de Nino. Alissa, não mais caindo no sono, permaneceu na mesma posição, mas algo havia mudado em seu olhar. O tédio anterior havia desaparecido, substituído por uma ligeira curiosidade. Ao menos agora poderia assistir sem seus olhos se fecharem involuntariamente.

O movimento de Nino ainda não havia terminado.

A explosão e o aumento de poder não eram apenas um espetáculo de fogo, mas uma agressiva demonstração de roubo de magia, um sinal de superioridade. O ataque inicial roubado foi apenas o prelúdio, o verdadeiro poder viria assim que o último dedo de Nino deixasse de tocar a lança.

BRUURMNM!!

Outra explosão de chamas tomou o campo, uma tão intensa que queimaria diversos alunos mais próximos ao lado esquerdo do Allianz, assim como toda a grama recém-cuidada. Algo que Alissa... evitou.

Com um leve movimento preguiçoso de seu mindinho, envolveu com uma camada invisível de gravidade toda a plateia e a grama, impedindo os estragos de uma magia muito forte... Que em seus olhos... eram medíocres.

Não permitiu nem mesmo que o calor atravessasse. Nenhum dos presentes percebeu a onda de calor; apenas viram o clarão e o fogo parar abruptamente à frente das primeiras fileiras.

Daniel, assustado, se jogou para o lado, sentindo o vento do ataque passar por seu corpo. No entanto, a lança nunca teve a intenção de acertá-lo. Sua verdadeira intenção era matar o máximo de alunos possível, atingindo o maior número de estudantes que conseguisse, usando a desculpa de um "acidente horrível".

Para o descontentamento de Nino.

BUUMM!

A lança se chocou contra a parede invisível criada por Alissa, parando o ataque de forma abrupta e evitando a tragédia iminente.

Alissa, no entanto, não percebeu que fora um erro proposital. Desde o momento em que Nino atacou Daniel diretamente, ela nem se deu ao luxo de pensar. Simplesmente continuou com a cabeça vazia, observando os dois alunos se gladiando.

Daniel, caindo para a esquerda, usou seu treinamento excepcional para rolar rapidamente e se levantar, pronto para continuar o duelo. Porém, seu oponente não estava mais onde ele o havia visto. Antes que pudesse reagir, Nino apareceu diante dele, de ponta cabeça, com uma velocidade macabra.

O movimento foi instantâneo.

Uma mão no chão, o corpo girando com a precisão de um ataque fatal, um chute certeiro direcionado ao coração de Daniel. O impacto seria imensurável, uma pressão capaz de destruir qualquer um que estivesse em seu caminho. Mas, no último segundo, algo fez Nino hesitar.

A voz de sua irmã, mas as palavras... não eram dela.

[ — "...Entenda, quando se tem alguém para proteger, não se trata mais de você. Se trata da pessoa que você precisa proteger. Não deixe de usar isso por mim ou por você; não use por causa da sua avó. Você quer mesmo que ela sofra por algo que você causou?..." ]

Com essa lembrança veio um cochicho em sua mente:

"Você não se importa de morrer, mas se procurar por sua morte, encontrará também para sua irmã."

Nino hesitou. Seu pé abaixou. O movimento acabou.

BAMCRECK!

O chute ainda foi devastador, forçando Daniel a se dobrar ao meio, quatro costelas esmagadas sob o impacto brutal. Mas, para a surpresa de sua vítima, sua vida não foi ceifada. A dor era insuportável, mas continuava vivo. Algo que nunca imaginou que estivesse em jogo quando pisou naquele campo.

O chute, que não perfurou diretamente a carne do jovem, causou uma onda de dano interno, afundando profundamente no seu abdômen. Daniel foi arremessado para longe com um barulho surdo, nem mesmo teve tempo de gritar até seu corpo colidir contra uma parede de assentos — o único lugar onde Alissa não havia colocado sua proteção.

No meio do caos, uma garota caminhava calmamente por um corredor, tentando fechar sua garrafa de água, que tinha acabado de encher no bebedouro. Se frustrava com a tampa, que não queria fechar direito.

— Estragou? Feeeeecha! — murmurou irritada, tentando encaixar a tampa da garrafinha rosa.

BOOM!

O som de um estrondo gigantesco interrompeu sua tentativa.

— Ahh!

Splash!

A menina caiu para trás com o susto, a garrafinha escorregando de suas mãos e se despedaçando no chão, espalhando água por toda a área.

Daniel atravessou a parede, caindo entre os escombros.

— Ai-ai... Aii-...

Completamente machucado, suas lágrimas e gemidos de dor eram os únicos sinais de que ainda estava vivo. Deitado, mal conseguia se mover, completamente incapaz de reagir ao que acontecia ao seu redor. Mas sua agonia não durou muito, ao menos não naquele momento.

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