Volume 1 – Arco 2
Capítulo 32: Classificação A
— Harrff... — Alissa suspirou pesadamente. Seu corpo inclinou-se levemente para frente, a cabeça baixa e os olhos fechados por um momento. — Continuando. Anomalias classificadas como "Ruína" são extremamente fortes e resistentes. Todas possuem regeneração e uma pele bastante resistente a lâminas. A regeneração instantânea é o que as define como "Ruína". Então, se estiver sozinho e cruzar com uma, decepou um membro e regenerou, fuja. Não tente bancar o herói; muitos morrem assim.
Ainda não havia chegado à sua pausa, mas ao ver a menina de cinza erguer o braço, Alissa parou, surpresa e ligeiramente animada, dando espaço para a interação:
— Pode perguntar!
— N-não é uma pergunta.
A sala inteira virou os olhos para ela, o que a fez encolher, constrangida. Nina, ao ouvir a voz, ergueu a cabeça, inclinando-a ligeiramente para o lado direito, a curiosidade estampada no rosto a ponto de nem notar sua boca entreabrindo.
— É que... acho que você se esqueceu de falar dos números, do um ao quatro...
— Ah, sim. Obrigada por me lembrar. — Alissa abriu um sorriso sincero e alegre, algo raro, seu ser atrás da máscara imponente, um gesto que apenas duas pessoas conseguiam receber dela: Mirlim e aquela garota. "Interagiu mesmo com receio... Está tentando."
Os olhares retornaram para Alissa, enquanto Nina observava a garota mais alguns segundos antes de focar novamente na professora, que continuou as explicações:
— Existem a classificação e a numeração. Uma "Ruína 1" é mais fraca que uma "Ruína 2". Uma "Errante 3" é mais fraca que uma "Errante 4"... Acho que vocês já entenderam. Continuando de onde parei: o recomendado para Ruínas é imbuir magia em lâminas para atravessar sua carne resistente. Isso, claro, é exclusivo dos esquadrões oficiais, pois apenas estes recebem o direito de possuírem lâminas oficiais. Exterminadores de classificação A podem ter esse direito, mesmo sem possuir um esquadrão, mas é preciso vencer o diretor em um teste prático. Mesmo assim, Ruínas só devem ser enfrentadas em grupo.
Alissa respirou fundo, fazendo uma pausa antes de prosseguir:
— Por fim, temos as anomalias de classificação "Calamidade". Vou dar um exemplo recente, bom, ao menos as últimas que surgiram. As duas últimas Calamidades exterminadas, uma era um conjunto de três agindo juntas em São Paulo e a outra foi a que dizimou mais da metade da população de Belo Horizonte, em Minas Gerais.
As palavras dela fizeram Nino e Nina trocarem um olhar rápido. Mesmo Nino indignado pela imobilização, ergueu um olhar para Nina. Ambos sabiam de quem Alissa estava falando: Blacko.
— ...Essa foi eliminada pelo antigo Esquadrão 1, mas não antes de matar oito dos seus membros. As outras três Calamidades agindo juntas dizimaram centenas de pessoas e quatro exterminadores de classe A, que buscaram reconhecimento. Como eu disse antes: "deram uma de herói". Eu cheguei depois e eliminei duas delas, mas a terceira fugiu. Até hoje, não foi encontrada.
Alissa fez uma pausa, bocejando.
— Imagino que não preciso explicar o quão fortes essas anomalias são. Acho que só isso é o suficiente.
Olhou para a sala, onde os alunos pareciam confusos com o encerramento repentino da explicação.
— Entenderam tudo?
— Simmm... — Responderam em coro.
"Será que sou de fato uma professora ruim?" Balançou a cabeça, incomodada com o pensamento. As palavras de Nino alugaram um triplex em sua mente. — Tá bom. Agora é só esperar o dire...
Uma voz ecoou pelos alto-falantes, cortando sua fala:
— Os testes começarão em breve. Dirijam-se ao Allianz. Obrigado.
Alissa endireitou-se, olhando para os alunos antes de caminhar em direção à porta.
— Escutaram? Me sigam.
Com mais um bocejo, pensou:
"Queria um cafezinho..."
Enquanto todos se levantavam, Nina finalmente saiu de cima de Nino, que continuava com seu olhar indiferente, esfregando o ombro.
— Traíra.
Nina o ignorou, mas seu tom logo mudou:
— O que deu em você? Tu é chato, mas foi muito de graça.
— ...Não sei. Só deu vontade. Deixa isso pra lá. Bora, nem conhecemos esse lugar, o povo vai sumir na nossa frente.
Nino tentou passar por Nina, Thumf... mas ela colocou a mão firme em seu ombro direito, impedindo-o de seguir.
— Tente não fazer merda lá, tá bom?
O irmão a encarou com desinteresse.
— Nem sabemos o que tem lá.
— Exatamente por isso. Fique quieto e não faça merda.
— Arrhhh... — resmungou, afastando-se. — Eu é que pergunto. O que deu em você? Ficou toda certinha do nada.
— Não te interessa — respondeu, começando a andar e o acompanhando pela direita.
— Chatona.
— ...Burrão.
Alissa guiou a turma até o campo de futebol da escola. Lá, indicou que se sentassem nas arquibancadas, permitindo que escolhessem livremente seus lugares. Diferente dos alunos, os professores tinham posições predefinidas no centro do campo, em uma área elevada com uma visão privilegiada e estrategicamente afastada dos alunos, facilitando a análise dos testes.
Com seu habitual ar de preguiça, caminhou até a escadaria destinada aos professores. Subiu os degraus sem pressa e escolheu o primeiro assento que viu, Pahf... largando-se nele de forma desleixada e apoiando o braço no corrimão.
— Harrff... Que saco — murmurou para si mesma, claramente entediada.
No centro do campo, um professor, com um sobretudo diferente, assim como todos os outros sentados próximos de Alissa — exceto Katherine — chamava os nomes dos alunos pelo alto-falante. Todos os docentes usavam sobretudos verdes-escuros, com apenas nome e idade como identificação.
Não eram ou foram exterminadores como Alissa ou Louis, eram apenas professores.
Este professor se destacava. De pele negra e dreads longos, trazia um ar de autoridade. Em suas inscrições, lia-se: "Natanael" "27".
Sob o braço, carregava uma prancheta com uma lista de nomes, enquanto segurava um radinho para anunciar os chamados. Entretanto, à medida que os testes avançavam, a monotonia se instalava. Todos os alunos que iam ao centro escolhiam os testes C ou B, evitando o teste A por medo de falhar e acabar sem classificação inicial em suas carreiras.
Após quatro rodadas de apresentações tediosas, os gêmeos quase derretiam em seus assentos.
— É sério que vamos ter que ficar horas assistindo esses fracos?! Que merda — Nino resmungou, apoiando o rosto na mão, com uma expressão aborrecida.
— É... Vou ter que concordar com você.
O menino lançou um olhar provocativo para a irmã, que respondeu com um de puro desdém.
Louis finalmente terminou suas obrigações no escritório e surgiu no campo de maneira súbita, teletransportando-se diretamente para o local. Ao chegar, caminhou até a área reservada aos professores, observando de relance a luta que ocorria no centro.
"Meu Deus... Precisamos de gente forte, não de exterminadores passivos atrás de uma aposentadoria fácil." pensou, desanimado com o que via.
Enquanto se aproximava dos assentos reservados, Katherine, que já o aguardava, retirou cuidadosamente os livros que havia deixado ao lado dela, sinalizando o espaço livre para ele. Mas Louis sequer olhou para ela. Ignorando-a completamente, seguiu direto até Alissa.
Sentou-se ao lado dela, que continuava apoiada no corrimão, quase adormecendo de tédio enquanto assistia às lutas.
Katherine, inicialmente surpresa, ficou visivelmente abalada. Sua expressão permaneceu neutra, mas por dentro, um turbilhão de emoções tomava conta dela.
"Eu fiz algo de errado?" perguntou-se, o coração apertado. "Por que ele mudou tanto comigo? Eu não sou suficiente? Você não me ama mais... Só pensa nela. Faz tudo por ela!"
Uma lágrima escorreu discretamente pelo canto de seu olho esquerdo.
Secou-a rapidamente, tentando manter a compostura, mas a tristeza deu lugar à raiva.
"Essa desgraçada maldita...! Deveria estar morta! Eu te odeio! Odeio! Odeio! Odeio!"
Sentada três assentos acima, observava os dois. O rosto de Louis inclinava-se levemente em direção da mais forte, enquanto conversavam. Era impossível ignorar a interação, e cada gesto parecia um golpe em seu estômago. Katherine queria ter coragem para intervir... mas não tinha.
— Por que trouxe aqueles irmãos do nada? — Alissa perguntou, sua voz séria e monótona, sem desviar o olhar do campo.
— ...Hoje mais cedo, recebi uma denúncia de anomalia em Minas Gerais. Depois de eliminá-la, decidi dar uma volta pelas ruas, observar um pouco. Tudo parecia normal, tranquilo, até que tive uma visão de poucos segundos no futuro. Se não fosse por isso, aquele garoto teria me roubado sem que eu percebesse...
— Aprendeu a controlar a previsão? — Alissa o cortou, o tédio evidente no tom.
— Não. Ainda é involuntária.
— Tá, tá. Continua.
Louis desviou o olhar, deixando o campo capturar sua atenção.
"Não quer me escutar... Melhor ir direto ao ponto. Não quero aborrecê-la." pensou, resignado. — Basicamente, tentaram me roubar, e quando falharam, me atacaram. Mas não eram ladrões comuns, que apenas sabem magia básica e tentam o caminho mais fácil e vergonhoso de ganhar dinheiro. Esses dois poderiam ter me matado se eu não tivesse visto o futuro tantas vezes. Os dois têm um potencial enorme, mas precisam de orientação para se tornarem exterminadores de verdade... Preciso de alguém para fazê-los virarem Exterminadores Fortes.
Louis direcionou o olhar ao rosto dela, ainda apoiada no corrimão, um olhar carinhoso, quase suplicante, tentando passar a ideia de que Alissa deveria treiná-los. Mas ela não o olhou e nem percebeu o olhar, apenas cagou para ele e respondeu com a voz arrastada de preguiça, ainda olhando para o campo:
— Vamos ver. Mande o Natanael chamar um deles. Estou quase dormindo aquoOOoOaaaAh... — Um bocejo escapou antes de terminar a frase. Seus olhos lacrimejaram de sono enquanto ajustava as costas para tentar se manter acordada.
Clap!
Louis acatou o pedido sem hesitar, instantaneamente, como sempre.
"Faz tudo que ela manda sem pestanejar... Cachorrinho..." Katherine rangeu os dentes, o olhar repleto de ódio voltado para Alissa, que, por sua vez, cheia de sono, via o dia escurecer com suas pálpebras pesando e fechando seus olhos involuntariamente. "Desgraçada... Tire os olhos do meu homem... Miserável..."
Alheia à tensão no ar, Alissa escutou de relance o chamado:
— Por favor, Nino, se apresente — chamou Natanael pelo alto-falante.
— Tava na hora já! — Nino exclamou, levantando-se num salto e descendo para o campo.
Sccrrrchh...
Posicionou-se a dois metros de Natanael, um sorrisinho desafiador iluminando o rosto.
— Qual classificação você pretende tentar?
— A mais forte aí. — Sua voz ecoou pelo sistema de som, reverberando na arquibancada e chamando a atenção de todos.
Alissa abriu os olhos. Apesar do cansaço, sua curiosidade foi despertada. Pela primeira vez, seus
olhos ganharam força o suficiente para permanecerem abertos por mais alguns segundos.
— O quê? Então... seria a classificação A? — Natanael perguntou, incrédulo.
A notícia correu como eletricidade por toda a arquibancada. Cochichos nervosos começaram a preencher o silêncio:
— O que esse menino tá fazendo?
— Pode ser isso aí — Nino respondeu, desdenhando.
— Por favor, Daniel, pode vir — anunciou Natanael, com um gesto tranquilo.
Daniel se levantou do grupo dos outros dois aprendizes, as classificações dos testes C e B. Não eram exterminadores de verdade, mas estavam presos à estrutura da hierarquia, estudando e treinando até serem enviados para outros estados. Em poucos meses, nenhum deles estaria mais em São Paulo.
O jovem era uma figura marcada por sua simplicidade e por um toque de pretensão. Vestia roupas de tons neutros e carregava um sobretudo que imitava os modelos usados por exterminadores oficiais, algo que havia comprado para tentar transmitir poder. Não tinha o brilho dourado ou prateado de um traje real — era apenas um adereço civil.
Seu cabelo loiro era bem alinhado, e seus olhos vermelho-claros lançavam olhares confiantes. Sem permissão para portar armas, como um exterminador oficial, Daniel confiava apenas em seus punhos e sua magia.
Caminhou calmamente até o centro do campo. Agora, a distância entre ele e Nino era de dez metros.
A diferença de altura era evidente: Daniel tinha 19 anos e era mais alto e robusto que o jovem Primordial de apenas 14. Mas a expressão de Nino não demonstrava qualquer intimidação.
Natanael analisou os dois.
Daniel, confiante, começou a mover os ombros em círculos, alongando-se de maneira deliberadamente provocativa. Por outro lado, Nino permanecia completamente imóvel, literalmente entediado.
Então, com um gesto casual, colocou as mãos nos bolsos, sem pressa alguma. Esse ato simples ressoou como um desafio muito mais audacioso do que os alongamentos de Daniel.
— Eeeh, está pronto? — Natanael perguntou a Nino, intrigado pela total falta de entusiasmo.
Sem dizer uma palavra, Nino assentiu com um movimento quase imperceptível de cabeça.
— Eeeh... Então tá.
O professor recuou do centro, movendo-se para uma distância segura. Ergueu o braço direito para o céu e, com uma expressão séria, o abaixou em um gesto firme enquanto gritava:
— Comecem!
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