Dançando com a Morte Brasileira

Autor(a): Dênis Vasconcelos


Volume 1 – Arco 2

Capítulo 30: ADEDA

Levemente assustados, se levantaram assim que a porta se abriu.

Louis hesitou.

Seu rosto e postura denunciavam o nervosismo que tentava esconder.

Ao cruzar os olhos com aquele rosto indesejado, Alissa o encarou com o tédio habitual que carregava nas aulas, lançando-lhe um olhar carregado de desdém.

— O que você quer? — perguntou, seca.

— V-vou deixar esses irmãos gêmeos com você por enquanto. Preciso que ensine sobre as anomalias e a ADEDA. Depois dos testes dos recém-admitidos no Allianz, vou mandar um funcionário do governo levá-los ao apartamento que será disponibilizado para eles — começou a gaguejar, mas logo recuperou a postura.

— Assim, do nada? — Alissa arqueou uma sobrancelha, o rosto sonolento desde que se tornou professora.

— Sim, depois explico o motivo. Se chamam Nino e Nina.

— Uhum.

— Tá. Tchau.

Clap!

Louis bateu as palmas de forma abrupta e desapareceu.

"Chatice." pensou Alissa.

Virando-se para os gêmeos, indicou a entrada com um gesto desleixado:

— Podem entrar.

Os dois obedeceram sem dizer nada, parando de pé diante da sala, sem saber como reagir. Diversas crianças da mesma idade os observavam, as expressões uniformes, quase mecânicas.

Alissa caminhou preguiçosamente até sua mesa, encostando-se nela, meio sentada, antes de se dirigir à turma:

— Pessoal, esses são Nino e Nina. São gêmeos e agora fazem parte da nossa sala.

— Sejam bem-vindos! — respondeu a turma em uníssono, com vozes que soaram ensaiadas, quase robóticas.

"Estão com medo?" pensou Nino, intrigado. Sentia algo fora do comum.

— Podem se sentar. Tem cadeiras vazias lá no fundo — acrescentou Alissa, sua voz carregada de uma autoridade fria que parecia uma ameaça disfarçada de instrução... e os gêmeos... sentiram.

Os dois trocaram um olhar rápido antes de seguir para as mesas. Nina tocou a mão esquerda do irmão, que deixou-se misturar por um breve momento.

"Pensei que apenas eu tinha sentido isso."

"Eu também... Ela parece devorar almas."

"Nem brinca!"

A conexão foi cortada quando Nina retirou a ponta de seu dedo e enfim chegaram no fundo da sala.

Eram seis fileiras, com seis mesas. Havia apenas três lugares vazios. No fundo, nas duas fileiras do meio, os três lugares formavam um "L", e Nino sentou na vaga à esquerda, no fim, com Nina à direita, deixando o acento vazio na frente do irmão.

Mas... duas coisas aconteceram ao mesmo tempo.

Nino se sentou direcionando o olhar à Alissa, algo nela chamava sua atenção. Sua postura e autoridade lembravam, de certo modo... Marta. Já Nina, quando fez o movimento de se virar para se sentar, seu olhar se perdeu em uma garota sentada na fileira da direita, à parede.

Dois acentos à frente de sua posição, Nina tinha visão clara. Diferentemente dos outros alunos, que demonstravam uma disciplina rígida e quase opressiva, sofrendo de uma ditadura, essa garota destacava-se por sua postura "relaxada". Escorada à parede, mantinha o rosto baixo, alheia ao resto.

Nina a olhava com os olhos fixos e bem abertos. Sua cabeça se inclinou instintivamente, tentando entendê-la.

"Que... linda."

Os olhos da jovem lembravam âmbares, mesclando harmoniosamente com seus cabelos castanho-escuros. Deles, mechas entrelaçadas quase brilhavam em laranja, fazendo com que seu poder fluísse por todo o corpo, retornando com graça ao seu ser.

Usava um conjunto de moletom cinza que cobria quase todo o corpo, exceto o rosto e parte do cabelo.

Nina travou o olhar em seu rosto de lado e não desviava. Uma coisa chamou mais sua atenção do que tudo: era possível ver uma gargantilha preta e uma grande cicatriz em seu rosto, que se estendia do nariz até abaixo do olho direito.

Thum. Thum. Thum.

"Por que meu coração está batendo tão rápido?"

Após alguns segundos imersa, a Primordial endireitou-se, mas o olhar permanecia fixo. Algo na presença daquela garota transcendia sua compreensão — e isso a deixava sem ar.

Perdida em sua admiração, seus olhos roxos, brilhando ao observá-la, mostravam toda a curiosidade sendo enraizada naquele instante. Mas o silêncio da sala foi quebrado pela voz de Alissa, trazendo-a de volta à realidade:

— Seguinte, como os gêmeos não sabem muito sobre a escola, vou usar essa aula para explicá-los. Se alguém tiver dúvidas, pode perguntar nas pausas, entendido?

— Siiim... — responderam os alunos em uníssono, quase como máquinas programadas.

Os gêmeos, simultaneamente, olharam para todos os alunos, vendo as reações iguais. Mas, diferente de Nino, Nina notou que a menina que admirava não havia respondido com os outros, embora ainda assim se sentisse estranha naquele ambiente.

Seus olhares terminaram no mesmo ponto, mirando diretamente Alissa.

"Esses insetos estão vivos?" pensou Nino, os olhos arregalados diante da estranheza do ambiente.

"Por favor, não descubra o que somos..." rogou Nina em pensamento, ainda perturbada pela presença de Alissa.

A professora prosseguiu, não se importando com os olhares ansiosos que reparou nos dois:

— Nossa escola funciona assim: quando você entra, seja por alistamento voluntário, proposta de contrato recebida pessoalmente ou enviado de outro estado para a ADEDA principal, que é aqui, passa por um teste para receber sua classificação: A, B ou C.

Fez uma pausa breve, observando a sala antes de continuar:

— No teste, você escolhe qual classe tentará entrar. Se optar pela classe A, por exemplo, enfrentará o teste mais difícil, duelando para provar seu valor. Se não conseguir nenhuma dessas classificações, ainda assim será obrigado a estudar, por conta do contrato. Contudo, mesmo sem uma classificação oficial, terão permissão para exterminar anomalias, seja caçando-as ou encontrando-as por acaso. Mas isso não será considerado profissional...

Uma aluna ergueu a mão para perguntar, mas Alissa não havia chegado à sua pausa. Quando notou o olhar que a professora direcionou a si, abaixou a mão imediatamente, embora de forma lenta, com os olhos abertos.

Gulp... — O som seco de sua garganta denunciava o medo.

Alissa continuou, ignorando o gesto da aluna:

— Você não receberá missões de extermínio, mas quem não é classificado ainda pode ganhar reconhecimento. Se matar uma anomalia, poderá ligar para o diretor e reportar. O status será atualizado continuamente, e talvez você suba de classificação no futuro.

Os gêmeos ouviam atentamente, mas nem precisavam. Nino processava cada palavra com desconfiança, enquanto Nina já havia se desconectado, novamente presa na visão daquela garota à frente.

— Agora, os que entram na Classificação A formam esquadrões oficiais depois de dois a quatro anos, dependendo da idade. No caso de vocês, será nesse intervalo. Esses esquadrões recebem missões de extermínio. Quanto maior a classificação da anomalia eliminada, maior o pagamento.

A sala continuava em silêncio absoluto, esperando para terem certeza de que Alissa finalizou sua explicação antes de pensarem em perguntar algo.

— Existe uma classificação especial: S. Ela só é concedida a exterminadores que derrotaram sozinhos uma anomalia da Classificação Calamidade.

Ao concluir, fez uma pausa calculada, e seu olhar pousou novamente sobre a garota que havia tentado perguntar antes. Dessa vez, mais suave. A aluna, sem escolha, sentiu-se obrigada a falar:

"Não lembro o que eu ia perguntar..." pensou, em pânico. — O-o diretor é de classe S?

— Não — respondeu Alissa, com uma ponta de orgulho na voz. — Apenas eu sou S.

Não houve reação alguma por parte da turma, e, mesmo hesitando, a aluna insistiu:

— Então por que no uniforme do diretor está escrito "S"? Pensei que ele também tivesse matado uma calamidade.

Alissa suspirou, não pela pergunta, mas por ter que apenas escutar qualquer coisa relacionada a Louis, e apontou para os detalhes bordados na altura do peito de seu próprio sobretudo.

— Funciona assim: no uniforme oficial, o primeiro detalhe é o nome e a idade, como no meu caso: Alissa, 23 anos. Depois vem o esquadrão ao qual pertenço, 2. Em seguida, a classificação pessoal, S. Por último, a classificação do esquadrão, que também é S.

Os olhos dos alunos brilhavam com admiração e medo enquanto a professora continuava:

— O diretor derrotou uma calamidade, mas não sozinho. Quando uma calamidade é derrotada em grupo, apenas o esquadrão recebe a classificação S, não os indivíduos.

— Entendi. Obrigada pela resposta — respondeu a aluna, curvando a cabeça em um gesto quase reverente.

Nino observava a cena, incrédulo.

"Que que é isso?" pensou, sua mente finalmente compreendendo o peso daquela sala.

Enquanto isso, Nina permanecia alheia à explicação, o rosto apoiado nos braços sobre a mesa. Seu olhar era metálico, e a garota, um ímã forte demais para conseguir se libertar.

Embora não "prestasse" atenção na aula, nenhum dos dois precisava. Sua mente, assim como a de Nino, era uma máquina perfeita. Cada gota daquele sangue preto que não só corria em suas veias, como formava todo o seu corpo, toda a forma de seu ser, possuía uma inteligência intrínseca e implacável.

Uma única informação dita ficava gravada em seu ser, como se fosse esculpida em uma rocha. Não era necessário mais do que uma aula para que ambos aprendessem e executassem algo com precisão absoluta.

Não era necessário mais do que apenas escutar de relance ou olhar algo, mesmo que preguiçosamente, uma única vez.

— Mais alguma perguntaaAWOOAAH? — Alissa bocejou, o som ecoando pela sala silenciosa. — Hum...? Não? Então vou continuar. Agora falarei sobre as anomalias, começando pelas mais fracas até as mais fortes que catalogamos como Filos. Podem existir outras espécies, mas são extremamente raras... Huhum...

Limpou a garganta rapidamente antes de prosseguir:

— Anomalias "Errante" são geralmente fracas e muitas vezes se assemelham a humanos. São fáceis de eliminar. Nem sempre são humanoides, porém. Algumas são pequenas criaturas que se escondem por medo e só reagem com agressividade quando ameaçadas.

A sala manteve-se atenta, as palavras prendiam os alunos em um transe disciplinado.

— Anomalias "Massacre" são anomalias que preferem atacar em bandos, tentando matar o máximo possível. Às vezes, estão sozinhas, mas quando estão sozinhas, há um motivo... canibalismo.

A sala congelou.

— Anomalias Massacre sempre estarão em bandos. Mas, quando são encontradas sozinhas, a última é uma "traidora", digamos assim. Aproveita o momento em que seu bando está dormindo e os devora, aumentando de tamanho e, consequentemente, ficando imóvel no mesmo lugar devido à digestão e a uma espécie de obesidade desenvolvida no ato. O que estou dizendo não são dados, nem algo oficial, apenas experiência. Para ser sincera, é a primeira vez que digo isso.

Nino ergueu a mão, interrompendo a aula.

Alissa lançou-lhe um olhar curioso, permitindo a pergunta antes de completar o raciocínio, chegando em outra pausa:

— Pode perguntar.

Nino abriu a boca lentamente, seus olhos fixos, seus movimentos propositalmente demorados. Quando seus lábios começaram a se mover em uma sílaba...

— ...Nada não — provocou-a com uma brincadeira "suicida".

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