Dançando com a Morte Brasileira

Autor(a): Dênis Vasconcelos


Volume 1 – Arco 1

Capítulo 29: Toc, toc, toc...

Sem nem pensar, Nino tocou o chão com os pés e saltou, girando o corpo enquanto puxava o braço. Louis não o soltou, mas o puxão o fez dar um passo à frente, indo em direção ao golpe que vinha com uma velocidade surpreendente.

BAM!

O impacto ressoou pela cidade, um estrondo abafado que Louis bloqueou com um braço.

O exterminador foi empurrado para trás, dando apenas um único passo para se firmar. Já Nino, com o impacto de sua ação, aproveitou para se lançar a alguns metros, agora livre da mão do homem. Nem se importava mais com o dinheiro e soltou a carteira no mesmo instante que a mão firme foi obrigada a largá-lo.

Seus olhos fixaram-se em Louis.

No instante em que Nino aterrissou de seu lançamento, Nina entrou em cena.

Vendo que aquele homem era estranho, moveu os braços, fechando as mãos em um gesto controlado. Crunm-Crmnmn! Paredes de pedra surgiram ao lado do corpo de Louis, se fechando rapidamente para esmagá-lo.

Louis, no entanto, enquanto olhava para Nino, tentando entender a grandiosidade da força que sentiu do garoto, viu o mundo parar mais uma vez.

E, novamente, uma nova previsão lhe mostrou o caminho, permitindo que antecipasse seu movimento. Antes que as paredes avançassem metade do caminho desde a criação...

Clap!

BOOM!

O barulho foi alto. Uma cortina de fumaça maciça se formou, e Nina avançou para a rua, aproximando-se da luta. Mas, quando Nino lançou um olhar a ela, notou Nina abrindo os olhos, assustada. Um aviso silencioso. Nino se jogou de imediato, ao perceber uma sombra atrás de si.

Louis havia se teletransportado para suas costas. Embora tivesse tempo suficiente para desferir um golpe preciso de espada, não fez nada. Apenas o olhou de cima, observando o movimento de recuo do garoto.

Sccrrrchh...

Nino arrastou os tênis no chão, parando próximo a Nina e se estabilizando, sem desviar o olhar do homem de dourado.

— Por que tentaram...

Enquanto Louis falava, Nino colocou a mão esquerda para trás. A Primordial percebeu o chamado e encostou sua mão na dele, se misturando.

Nesse instante, Nina ouviu a mensagem em sua mente:

"Vou pela frente."

— Me...

Antes que Louis pudesse reagir e continuar sua pergunta, o mundo parou, presenteando-o com dois segundos do futuro. Assim que voltou, com um breve piscar de olhos, a brecha foi dada.

Nino surgiu à sua frente com um movimento explosivo, saltando para desferir um soco direto em seu rosto. Ao mesmo tempo, Nina apareceu por trás de Louis, mirando um golpe preciso em sua coluna.

Mas Louis, como sempre, já sabia do ataque. Com uma velocidade sobrenatural, Clap! antecipou os movimentos dos dois e reagiu com a mesma precisão, embora com uma velocidade superior.

Clap!

BAM!

Nino errou o soco, atingindo o vazio, enquanto Nina, em um movimento imprudente, sem conseguir notar a tempo o teletransporte, atingiu Nino com um golpe abaixo da cintura... Bem no seu bilau.

Pahf!

— AaAAaghH!

Seu irmão caiu no chão, um gemido de dor escapando de seus lábios, enquanto rolava para todos os lados em uma cena extremamente exagerada. Nina o observava com as mãos apontadas para ele, buscando o perdão.

— Foi mal! Foi mal! Foi mal! — disse rapidamente, tentando corrigir o erro.

Louis, porém, não se moveu após o teletransporte. Em vez disso, observava os dois com um olhar de admiração, mesclando curiosidade e desconcerto. O impacto do golpe de Nino ainda ecoava em sua mente, fazendo surgir um riso sutil em seu rosto.

"São vocês?" questionou-se, animado por finalmente vê-los. — Onde estão seus pais?

Nino parou de fazer drama e se levantou. A regeneração já havia dissipado a dor, mas ele reagiu com um tom mais agressivo:

— Por que quer saber?! — gritou, com os punhos fechados com força.

Louis, por sua vez, não se incomodou com o tom, achando peculiar a raiva e a rebeldia. Ficou ainda mais interessado nas respostas que conseguiria. Sorriu suavemente, uma frieza calculada assumindo seus olhos.

— Vocês usam magia muito bem. Fiquei interessado em levá-los para minha escola — disse, com um tom quase convincente, tentando suavemente induzi-los a aceitar sua proposta.

Nina franziu a testa, os olhos curiosos.

— Como assim, escola? — perguntou, ainda sem entender completamente as intenções de Louis. "Quer nos matar ou não?"

Louis deu de ombros, com um sorriso simpático.

— Sou diretor da Escola de Extermínio de Anomalias em São Paulo — explicou ele, dando uma pausa. — Respondi à sua pergunta, agora me digam: onde estão seus pais?

A resposta de Nina veio rápida, sem hesitação:

— Nossos pais morreram quando éramos mais jovens, e nossa avó, que cuidou de nós, morreu de velhice — disse, sem emoção, mas com um toque de seriedade na voz.

Louis, surpreso com a notícia, franziu levemente a testa, embora atuasse mais que demonstrasse preocupação.

"São eles." — Vocês não têm ninguém?

Os gêmeos se entreolharam, suas expressões mudando para uma intensidade compartilhada. Com um movimento sincronizado, fecharam os punhos, apontando para Louis.

— Nós nos temos.

— Nós nos temos.

Disseram em uníssono, com a resposta carregada de determinação.

"Ai, que fofo, nossa, uau!" pensou ele, zombando internamente da postura dos dois antes de lançar uma provocação. — Querem brigar?

Nino, sem hesitar, deu um passo à frente.

— Se vier pra cima — disse ele, os olhos brilhando com desafio.

Louis, um tanto irritado agora, reagiu com sarcasmo, exagerando suas reações:

— Vocês que vieram pra cima! Abaixem as mãos logo! Que coisa feia! Olha o tamanho de vocês, agindo como crianças!

Com um gesto desdenhoso, os dois abaixaram as mãos. Seus rostos estavam sem expressão, mas um olhar apático e profundo era direcionado ao homem. Não queriam atacar. Após falharem em todos os avanços, apenas queriam sair daquela situação sem correr riscos. O tom de brincadeira de Louis não os afetou, mas a tensão no ar continuava.

— Quantos anos vocês têm?

— ...14 — respondeu Nina, visivelmente entediada, apenas tentando cooperar para suavizar o momento de merda que Nino havia criado com a tentativa frustrada de roubo.

Louis ficou muito surpreso, mas não deixou sua curiosidade e estranheza escaparem.

"14...? Quantos anos tinham quando mataram a Ruína...?!" — São gêmeos? — continuou ele, não deixando o silêncio reinar.

— Sim — confirmou Nino, assumindo a conversa. Sua voz estava baixa, e seus olhos observavam o foco do homem, que não parecia diminuir.

— Estão roubando há quanto tempo? — perguntou o homem, ignorando se parecia um interrogatório chato. Apenas queria respostas, agora que Marta não poderia impedir decisões baseadas nos jovens.

— Dois anos — respondeu Nino rapidamente.

Aproveitando a proximidade, suas mãos se tocavam, com um dedo misturado o tempo todo, após abaixá-las.

"Assim ele não vai achar estranho... sei lá... falar que tudo aconteceu ontem é meio complicado."

"Sim."

Olhando-os, uma dúvida veio à mente do exterminador:

"Estranho... Apesar disso ser coisa da polícia mineira ainda. Não é meu setor." — Entendi... Tenho uma proposta. Que tal estudarem na minha escola? Posso oferecer um lugar para dormir e comida. Vejo potencial em vocês.

Os gêmeos se olharam, buscando certezas um no rosto do outro, além das sensações compartilhadas pela conexão.

"Se eles descobrirem o que somos, será nosso fim." pensou Nina, receosa.

"Se não formos com ele, também será nosso fim." respondeu Nino, acreditando que essa era a melhor escolha.

Nina ficou encarando Nino por alguns segundos antes de responder:

"Tem razão... Comida e um lugar para viver. Mas prometa que não vai usar a magia que nosso pai proibiu."

Nina olhou fundo nos olhos roxos do irmão, enquanto Louis os observava em silêncio, curioso:

"O que estão fazendo?"

"...Prometo."

Nina não acreditou na resposta hesitante.

"Estou falando sério. Prometa de verdade."

"Prometo que não vou usar."

Após a confirmação, vendo o olhar sério de Nina, Nino virou o rosto para Louis e perguntou:

— Moço, qual é o seu nome?

— Louis — respondeu ele com gentileza, um leve sorriso estampado.

— Sou Nino, e ela é Nina. Vamos com você.

Louis ampliou o sorriso, erguendo as mãos como se selasse o acordo.

— Ótimo!

Clap!

Nem deu tempo para os jovens se prepararem.

Pa-pah...

A sensação de um vórtice de ar passou por eles, e os dois foram teletransportados instantaneamente para a escola da ADEDA de São Paulo.

Os gêmeos, caídos no chão, olhavam ao redor, atônitos, tentando processar o que acabara de acontecer.

"Quê?!"

"Quê?!"

Dividiram o mesmo pensamento.

Louis, mantendo o olhar tranquilo, Toc, toc, toc... deu leves batidas na porta de uma sala à frente no corredor onde se encontravam. Com um sorriso caloroso, aguardou uma resposta, tentando conter o nervosismo crescente.

Os gêmeos não conseguiam desviar o olhar das costas de Louis, sentindo uma mistura de temor e preocupação ao observar a demonstração de poder do exterminador.

Enquanto o viam bater na porta, uma certeza surgiu em suas mentes:

"Esse cara..."

"...Consegue nos matar."

Apoie a Novel Mania

Chega de anúncios irritantes, agora a Novel Mania será mantida exclusivamente pelos leitores, ou seja, sem anúncios ou assinaturas pagas. Para continuarmos online e sem interrupções, precisamos do seu apoio! Sua contribuição nos ajuda a manter a qualidade e incentivar a equipe a continuar trazendos mais conteúdos.

Novas traduções

Novels originais

Experiência sem anúncios

Doar agora