Dançando com a Morte Brasileira

Autor(a): Dênis Vasconcelos


Volume 1 – Arco 2

Capítulo 64: Coração

Enquanto Alissa e Mirlim conversavam, uma garota acordava de um pequeno cochilo. Nina abriu os olhos, e logo se deu conta de que não encontrava o que tanto queria, além de Nathaly dormindo ao seu lado.

— ...Tá de noite ainda... que saco... — murmurou, sentando-se na cama, frustrada, observando a luz suave da lua caindo sobre o leito. Mas quando o fez, notou o celular. O tocou, mas as mensagens que imaginava que teria eram apenas um reflexo do pequeno sonho que acabara de ter. — Arhf... — suspirou, frustrada.

Levantou-se, caminhou até a sacola com suas roupas novas, Schsrshc... puxou o macaquinho e, com um pouco de sono, bocejou.

Saiu em direção ao banheiro, no entanto, ao passar pelo corredor, notou a televisão ligada, mas não havia ninguém no sofá.

— Hã? Nino? — chamou, mas não obteve resposta. Caminhou até a cozinha. — Ué? Cadê? — Não entendia. Seu irmão havia simplesmente sumido. Mas quando passou em frente à bancada, o celular brilhou em sua tela, e, por reflexo, Nina se aproximou, o que fez o dispositivo se desbloquear. Ao olhar, viu a conversa com Nathaly. — ...Ela mandou um "Oiiht"? Ah, deve ser um Oi... Porra... ele não respondeu.

Nina ignorou a princípio, voltando a andar em direção ao corredor. Mas então, seus olhos se abriram um pouco mais, uma ideia brotou em sua mente. Voltou até o celular, segurou-o novamente e digitou: "Oi, e aí? Gostou da brincadeirinha secreta?" Seu dedo foi até o botão de enviar, mas, ao chegar lá, hesitou... Logo desistiu.

— Não... Não posso... — tentava se convencer de que não deveria, de que seria errado. — Arrrff... — apagou as mensagens rapidamente e bloqueou o celular, deixando-o como antes. "Eu dou o meu jeito... Tenho que dar. Só preciso conhecê-la mais, saber sobre tudo o que ela gosta..."

Em busca de uma estratégia, decidiu tomar seu banho. Entrou no banheiro, Pli! ligou todas as luzes, Fusch... e se despiu. Não se importou nem um pouco com sua roupa velha, apenas segurou-a com a mão direita, e, Bunrrn... a destruiu com chamas escuras, restando apenas um pouco de fumaça preta e roxa que logo se dissipou no ar.

— Onde ele foi? — murmurou, enquanto entrava no box. 90% de sua mente focava em encontrar uma estratégia para conquistar Nathaly, tê-la ao seu lado, tomar para si a paixão que ela sentia por Nino e transferi-la para ela.

Os 9%, dos 10% restantes, desfrutavam da sensação prazerosa da água quente caindo sobre seu corpo, relaxando suas tensões, cada gota de seu sangue vivo, enquanto o 1% era dedicado à preocupação, mas não com seu irmão.

Ele não lhe importava tanto assim.

O que realmente a preocupava era se Nino, em sua impetuosidade, havia feito alguma merda, ou saiu para fazer uma.

— Arhhf... — sussurrou para si mesma, enquanto a água deslizava por seus longos cabelos. — Sentiria ódio por mim, da mesma forma que sente pelo nosso pai, se eu dissesse que quero um relacionamento com uma humana? Seu desprezo por essa raça é tão grande que não aceitaria isso, irmão?

A dúvida ainda persistia em sua mente. Nina não queria acreditar no que sussurrou, mas, mesmo assim, preferia esperar. Queria que Nino se acostumasse, ficasse mais tranquilo, menos consumido pela raiva existencial e o nojo por qualquer raça considerada desprezível, uma raça que, aos olhos dele, nunca mereceria sua aceitação.


A ligação chegou ao fim...

Alissa desligou o celular com uma expressão calma, embora um pouco envergonhada pela safadeza de sua antiga supervisora e responsável no segundo esquadrão oficial. Colocou o celular de volta no bolso direito frontal e olhou para trás, em silêncio, enquanto voltava a caminhar na direção de onde havia vindo.

— Fazer isso hoje... Será que ela já está dormindo...? Nha... Disse que ia, né? Deve estar — murmurou para si mesma.

O apreço que Nathaly tinha pela gargantilha era imenso. Era o primeiro presente que Alissa lhe dera, mas para a menina, não era apenas um presente, era quase parte de seu corpo. Nunca a tirava, exceto para tomar banho, quando deixava a gargantilha lavando e, ao terminar, a pegava limpinha e cheirosa, assim como ela mesma.

Por conta disso, Alissa sabia que teria que removê-la enquanto Nathaly dormia, sem acordá-la. Algo simples, ao menos para a mais forte.

No entanto, naquele momento, deitada na cama, Nathaly não conseguia parar quieta.

Girava de um lado para o outro, abraçava um dos travesseiros, colocava outro entre suas pernas e o apertava com força, mas nada parecia ajudar a acalmá-la. A ansiedade e a insônia tomavam conta naquela noite, e seus olhos simplesmente não conseguiam se fechar.

Sua mente em estado de ebulição, seu corpo se movia sem parar, buscando algo, querendo algo. Algo faltava, e a inquietude não cessava. Até que, de repente, suas bochechas coraram, seus olhos brilharam na escuridão e as lembranças do toque em suas pernas voltaram, acompanhadas por uma torrente de sensações intensas.

— AAARRHH! — Enfiou o rosto no travesseiro e gritou... A lembrança de mostrar a ele sua calcinha branca surgiu com força, e o constrangimento atrasado a atingiu como uma pancada sem escapatória. — Sssnifffff! — Com uma respirada forte e descontrolada, ergueu o rosto e virou-se na cama, criando um montinho de travesseiros para apoiar as costas.

Pegou o celular.

Como sempre dormia com o Wi-Fi desligado para evitar notificações de algum aplicativo aleatório ou o próprio sistema, que despertavam sua ansiedade, acreditando ser alguém querendo conversar, a menina rapidamente ligou a internet e entrou em um aplicativo de vídeos...

A pesquisa era clara: digitou rapidamente e, ao clicar no vídeo, girou o celular para a horizontal.

Alissa surgiu na sacada, de pé na mureta, olhando-a pelo vidro.

"Não foi dormir?"

Ao ver sua filha ainda acordada, logo escutou o início do vídeo que Nathaly havia escolhido:

— "Oi gente, como é que vocês estão? O vídeo de hoje é de um tema muito polêmico, mas vamos direto ao ponto, é sobre a minha primeira vez, minh..."

"Primeira-primeira-primeira-vez-vez-vez-vez..."

A cabeça da exterminadora girou, atordoada pelas duas palavras proibidas que ressoaram em sua mente, ecoando em todos os cantos de seu cérebro.

O equilíbrio se foi, e seu corpo, atordoado, perdeu a força.

Caiu para trás, despencando do terceiro andar.

Crashcsks... Shaaarrr! Rrrr... Miaurrrrhh!

Caiu sobre sacos de lixo, mas havia gatos na região, que, assustados, saíram correndo ou começaram a rosnar para ela.

Enquanto seus olhos giravam, e seu rosto demonstrava a confusão absoluta, um vulto passou voando no céu, entrando em um apartamento pela sacada. Estando caída de barriga para cima, Alissa viu perfeitamente a passagem da silhueta preta.

"Hã...? Tinha algo... na mão daquilo?"


Nino entrou rapidamente no apartamento, acreditando que sua irmã ainda estivesse dormindo. Quando viu que a Primordial havia saído da cama, ouviu o chuveiro ligado e, embora estivesse em alerta devido ao que segurava em mãos, Thum... Thum... pulsando, relaxou e se dirigiu para o sofá.

Em sua mão, o coração da menina da reportagem. O garoto já havia sido executado e devorado, mas a menina... Nino havia deixado a parte principal, o órgão mais importante, incapaz de parar de bater, com seu sangue preto dentro dele, forçando-o a continuar "vivo".

Após chegar com sua "sobremesa", que planejava devorar no sofá, abriu um sorriso sádico, com um semblante de puro ódio. Ergueu a mão, soltando o coração no ar, que foi direto para sua boca, que se expandiu para dizimá-lo de uma só vez.

Nhacrunch! Nhami-Nhami! — Mastigou como se fosse um bolo, o sangue vermelho escorrendo da mão para o braço e sendo absorvido pelo sangue preto, enviando-o diretamente para o estômago. — Haaarrff... Hihi-he...

Com a respiração profunda e uma risada baixa, Nina o escutou, pois já havia desligado o chuveiro. Assim que se secou, Brumrn... Não com uma toalha, mas com uma rápida explosão de chamas escuras, vestiu o macaquinho, e depois de dar uma olhada no espelho, verificando a parte de cima com as mangas compridas, e como era a visão de costas, saiu do banheiro e foi até o sofá.

— Onde você foi? — perguntou sem rodeios.

Nino virou o rosto para ela, mas antes mesmo de responder, um pequeno sorriso — que não conseguia esconder — apareceu. Porém, demorou um pouco mais do que o normal para perceber o que de fato acontecia...

Alissa o segurava pelo braço direito, erguendo-o no ar, com o rosto do garoto na altura do seu, seu olhar quase rasgando o dele.

Nina travou quando seus olhos se atualizaram para a cena, revelando a exterminadora ali, a ponto de não conseguir nem pensar em defender seu irmão com um ataque. Seu corpo hesitava, sem saber como reagir... E assim como Nino, Nina apenas escutou a voz dura, arrastada e ameaçadora da jovem adulta:

— O que era aquilo na sua mão?

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