Volume 1 – Arco 2
Capítulo 63: Ninfomaníaca
— Me escutou? Deixa a menina em paz um pouco, credo. Você é sempre assim. Não consegue viver sabendo que existe algo fora do seu controle. Não consegue viver sem controlar absolutamente tudo como quer. Capaz que, se um dia o sol atrasar um minuto para nascer, e isso te irritar, você moveria ele, ou destruiria, para colocar outro, um que já está sob seu controle.
"Mas você que me mostrava as coisas assim..."
— Sinceramente, você nem precisaria falar o que aconteceu pra me ligar. Mas quero que fale, só para perceber que o que está acontecendo agora era totalmente previsível... Certeza que ela te pediu para parar de segui-la, e você fez o seu drama... não ligo, eu até ria bastante com seus draminhas exagerados. Mas... Agora que está vendo o controle sobre sua filha se esvaindo rapidamente de suas mãos, ficou maluca, querendo de alguma forma mantê-la, ou pelo menos ter um pouco mais de tempo com ela.
— ...
— Você a ama, e entende que o que ela quer é normal. Mas na sua cabeça, sem a sua proteção, ela corre perigo, porque a única pessoa em quem você confia de verdade é em você mesma... e talvez em mim. Você tem medo dela acabar como Katherine... não tem? Aposto que, além de tudo, na sua busca para manter o controle, sugeriu que em algum aniversário futuro, a deixaria livre... Mas, Alissa, sejamos sinceras. Ela vai completar 18, você vai falar "24", ela vai chegar lá e você vai aumentar para "32". É isso que quer pra vida dela? É isso que quer fazer para conseguir mantê-la segura?
— Eu...
— Eu não acabei.
— ...Desculpa.
— Entenda uma coisa, já deve estar pensando na resposta: "Ain, mAs VOcê quE Me cRioU asSIm, oCê que me mOstRAvA que eu pODia mandar e coNTOlar tudo" — falou debochadamente, zombando dela. — ...Tínhamos pouco tempo pra treinar o que restou dos professores, depois do massacre e da desistência em massa dos medrosos dessa escola... Até hoje não entendo como ninguém... Como ninguém do sistema pensou em fazer todos assinar um contrato proibindo a saída... proibindo a desistência por medinho de morrer.
— ...
— Depois que você me viu e começou a imitar meu jeito de treiná-los, ficou meio "lélé da cuca". Quando viu como eu destratava o Louis, você começou a fazer o mesmo com ele. Você virou uma cópia minha, e isso é um problema. Te criei mal... peço desculpas.
Alissa continuava em silêncio, absorvendo as palavras.
— Te criei mostrando o que você queria mostrar para Nathaly, que só você no mundo a ama... Mesmo que eu tenha feito isso sem querer. Você criou uma confiança em mim que não consegue ter com outra pessoa. Você ri, brinca, mas apenas comigo e com Nathaly. Com as outras pessoas, é cara fechada, ameaças e desdém... Minhas atitudes fizeram isso com você.
Mirlim se acomodou na cadeira e levantou a cabeça, olhando preguiçosamente para o teto.
— Mesmo que minha briga com o Louis seja bem diferente da sua, que é pessoal, e a minha seja pelo fato de o pão-duro até hoje não me pagar o que deve, a forma como eu o tratava e você presenciou enquanto esteve ao meu lado fez com que você agisse da mesma maneira com todos, e não só com ele. Falhei com você, e infelizmente não tenho como te entregar a solução. Só posso te dizer: tente ficar mais tranquila, sem precisar controlar tudo. Tente ser mais de boa, sei lá.
A moça respirou fundo e soltou dramaticamente.
— Permitir conversas em sala, quando você não estiver dando aula ou passando mais nada, já é um bom exemplo. Não precisa olhá-los como se fossem os professores que torturamos. Era outro tempo, outra necessidade. Não precisa criar máquinas de obediência e disciplina, são crianças. Apenas ensine sobre magia como foi instruído nas planilhas. Se um sabe magia tal, matéria de magia tal... Simples.
— ...
Mirlim ficou em silêncio por um momento, seu semblante frustrado, sabendo que tudo era culpa sua... Mas o silêncio se estendeu e então se lembrou:
— Permissão para voltar a conversar.
— ...Você colocou uma escuta no meu corpo? Um chip?
Mirlim riu baixinho, inclinando a cabeça, enquanto olhava para o celular.
— Óbvio que não, idiota.
— ...O acordo foi que, quando ela fizer 15 anos, a deixaria livre.
— Vai cumprir com isso?
— ...Sim. Só quero ter certeza de que esse menino é alguém decente, e não alguém que pode machucá-la. Só quero protegê-la.
— Você me disse que essa menina tem poder pra fazer um segundo sol na Terra. Não acho que ela precise da sua proteção 24 horas por dia. Se esse moleque tentasse forçá-la a algo, ou a machucasse, imagino que seria o mesmo cenário passado. Ela o mataria.
— ...
— Qual a idade dele?
— 14 também.
— Aaaaaaah, Alissa! Pelo amor, né? Eu achando que era algo problemático, e ainda problemático pensando em um 17. Sei que é traumatizada com isso da Katherine, mas porra, mesma idade, um namoro jovial, inocente de escola. É bonitinho.
— ...Ela puxou ele para o provador do shopping e disse: "Pode me comer."
— Tcs... — Mirlim não conseguiu segurar a reação e soltou uma risada surpresa, assoprando.
— Não é engraçado.
— Aaaaah! Você foi falando e falando, e do nada me solta essa. Não esperava, foi mal. Mas o que deu? Imagino que nada, né? Se não o rapaz estaria abaixo da terra e Nathaly sem querer falar com você.
— ...Não sei ao certo o que aconteceu. Ela disse que ele brincou de canibal, e ficou mordendo o corpo DA MINHA FILHA!
— Tcs...
— PARA DE RIR!
— Foi mal! Foi mal!
— ...
— ...
— ...
— ...Filha, tipo... — Alissa abriu bem os olhos ao escutar Mirlim a chamar de "filha", sentindo uma felicidade que a fez parar de andar, prestando atenção nas palavras. — É difícil. Com certeza, é difícil, mas esse dia vai chegar. O seutscutscsc... — Alissa aborreceu o olhar, percebendo a provocação eminente. — O seu ainda não chegou, mas um dia sua filha perderá a virgindade. É normal. Você só precisa conversar, instruir sobre responsabilidade, coisas assim, mas sem experiência... éééé um pouco complicado...
— Haha.
— Quer que eu converse com ela?
— Não é uma boa ideia. Você não é, nem perto, uma boa influência para ela, nesse sentido.
— ...Não vou negar... mas eu sei viver... — disse com um sorrisinho malicioso, e tão comum e previsível que, mesmo Alissa não vendo, imaginou-a com ele apenas pelo tom de voz.
— Vou ir buscar o rastr... — A exterminadora se assustou e arregalou os olhos ao perceber que falou demais.
— Ahrf... Ainda finge que eu não conheço você inteira? Darrh, eU sOu a AALIIssa, voU FINgir quI nÃO fiz nADa, e dePOOOIs faLAr QUe tava bIIIncanDUU... Manda a foto quando remover de lá. Deixe a menina livre um pouco. Não precisa ter medo dela lhe abandonar ou sei lá, não querer mais conversar com você.
— Não é simples.
— ...Olha você de exemplo. Acha que, da mesma forma que me liga quando não está conseguindo pensar sozinha, quando precisa de ajuda, ou quando apenas quer ouvir a minha voz, ela deixaria de ligar para você quando sentisse saudade? Precisasse escutar um conselho? Eu sou a sua mãe, eu te amo e vou atender sempre que me ligar, não importa se v...
— Liguei semana passada e você desligou na minha cara falando que estava em um ménage.
— ...
— ...
— V-Você tem que entender a mamãe também, né...? — respondeu de forma dengosa, com um tom doce, mas venenoso.
— Ah, vai cagar! Continue, finja que eu não disse nada... Sua, sua mãe solteira safada.
— ...Huhum! Fique amanhã, o dia todo sem segui-la ou mandar mensagem. Na escola você pode interagir, mas fora dela, não faça nada. Eu duvido que, de noite, ela não vai ligar para você. Você não precisa exigir nada, ela fará isso sozinha, porque ela quer escutar você, porque ela te ama, independente de como você seja. Você é a mãe dela, e ponto final.
— Arhf...
— Deixe que a menina passe por dificuldades, não financeiras; isso é impossível. Mas dificuldades de vida mesmo, problemas nos quais ela irá criar e, sozinha, irá sair. Esses dois amigos serão bons para ela, mas não quer dizer que agora você será substituída, eu em.
— Ah, sei lá. O short tem até suspensório.
— Isso aí já é coisa de puta, nem eu uso — disse muito rápido, em um tom cotidiano.
— MIRLIM!
— Desse jeito aí, em uma semana tá fazendo dancinha pra rede social.
— ...Assim você não me ajuda.
A mãe riu.
— Tô brincando. Uso sim, mas isso não quer dizer nada. O contexto é que quer dizer algo. Uso de vez em quando, bem raramente, não acho bonito em mim, mas sempre recebo muitos elogios...
"Muitos? Esses muitos são quantas pessoas diferentes?" pensou em perguntar, mas, não querendo ficar envergonhada com uma resposta explícita, como Mirlim sempre lhe entregava, ficou em silêncio.
— Ou na mina que vou comer. Prefiro por nelas, vesti-las inteiras com roupas bem... bem provocantes, sabe? Ainda mais amarradas em cordas no teto, presas no meu domínio, me olhando e vendo a quem elas servem e quem irá fodê-las.
Os olhos de Alissa iam se arregalando, junto com a sua vergonha tão forte que nem mesmo conseguia falar para parar.
— Chego por trás, vou tocando, forçando-as a olharem no meu olho, enquanto seus corpos se contorcem em minhas teias, seus olhares inocentes se quebram, suas bocas tampadas, babando e me pedindo uma punição forte, sem pena. Eu, como uma boa senhora das minhas servas, entrego o que almejam. Afasto a calcinha e não perco tempo, enfio o cintaralho e as faço gritar em êxtas...
— MIRLIM! — Alissa, branca que nem o inverno, virou um pimentão em instantes.
— Ah... Foi mal, esqueci que não gosta de mulher... Quer uma história com homem? Já amarrei alguns e meti também. Teve um semana passada que veio todo machão, falando que fazia academia, negão de 1,90, levantava sei lá quantos quilos, que ia me quebrar no meio, mas metia igual uma princesa e então eu mostrei quem mandava. Comi com o meu maior consolo, gritou, gemeu... Um gemido gostoso, menina, nossa... Gulp... Arhf... Até babei.
— ...
— Huhum...! Dei tapa na cara, fiz me chamar de senhora e ainda pediu mais, curvado, lambendo meu pé, igual um cachorrinho. Deixei me lambendo. Chamei outro do meu harém, o outro veio, me comeu igual um selvagem e esse ficou só olhando, na punheta. Passou um bom tempo e outro gozou nos meus peitos, depois de socar aquela piroca com raiva na minha boca. Mandei o que comi limpar com a língua. Ele obedeceu caladinho e, de recompensa, deixei participar. O outro deitou, eu subi encaixando lentamente... Ain... Deslizei sendo alargada. Apoiei a mão no peitoral e só senti o puxão nos meus braços, com o que puni se vingando, encaixando por trás. Quando começaram a se mover, foi mágico... Meus braços continuaram presos, meu corpo sendo possuído e esqueceram o que era a palavra "dó"... Mas aí tu me ligou poucos segundos depois e esperava que eu ia atender? Sério mesmo?
— ...Por favor, fique longe da minha filha.
— ...Você fala como se eu fosse uma ninfo.
— Tá quase.
— Arraaaaaaaaahhrrrrfff... — resmungou, extremamente entediada. — Vou ter que ir pra casa e chamar alguém agora.
— Quê? Você não está em casa?
— Naaaah, preguiça. Só volto quando quero transar. Dormir no escritório é mais prático. Já acordo, trabalho e volto a dormir.
— ...Você é a personificação da preguiça.
— Nha... Faz parte... Bem... Filha, olha... desculpa, tá? Não sei até onde acertei no que disse, mas o meu pedido de desculpa é genuíno. Tente fazer o que eu sugeri sobre a sala. Dá mais liberdade pra Nathaly, e você vai ver: vai melhorar seu relacionamento com ela e deixá-la mais responsável, alegre e independente. Às vezes, é bom deixar ela quebrar a cara. Não é sempre que o teórico, as histórias ou palavras funcionam. A prática, a decepção, a frustração, são necessárias para criar pessoas sábias e fortes.
— ...A frustração são necessárias para criar pessoas sábias e fortes.
Alissa concluiu a frase em uníssono com a preguiçosa.
— ...Aaaaah, assim eu vô chorar, paroow!
A mais forte riu levemente.
— Te amo, seu lado ninfo é problemático, mas eu te amo, mãe.
— Aaah, também te amo, ser mais controlador do mundo.
— Ha...-ha.
— Bom, vou chamar um contato aleatório que tenha carro aqui e ir pra casa. Se até amanhã à noite você não me mandar a foto do rastreador na sua mão, vou garantir que sua coluna se desloque por bons minutos.
— Tsc... Relaxa. Estará no seu celular antes de você acordar amanhã.
— Ne...
— NÃO PRECISA FALAR QUE NÃO VAI DORMIR! SEJA NORMAL, PELO MENOS UM POUCO, CACETE!
— Tcss... Tá bom, tá bom... tchau, filha.
— Hum... Tchau, mãe.
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