Volume 1 – Arco 2
Capítulo 61: Mensagem
— Hum! — murmurou Nathaly, após ver sua mãe desaparecer de sua visão.
Voltou para dentro do quarto, se localizando na escuridão, iluminada pela suave luz da lua. O clima da noite... incrível, a iluminação natural puxando para um tom cinza-azulado, que acalmava sua mente inquieta.
Subiu na cama, engatinhando até a cabeceira, e logo se cobriu, tentando relaxar... Mas não conseguia.
Sua mente continuava a reviver o dia, trazendo à tona todos os momentos felizes, os momentos quentes, as risadas e até os momentos com sua mãe dramática. A lembrança do que Alissa dissera fez Nathaly se sentar, perdida em seus próprios pensamentos.
— Meu celu...
Olhou para o criado-mudo ao seu lado e, de repente, lembrou que o celular havia ficado junto com o short, quando se despiu para colocar o pijama. Levantou-se, pegou o celular e se deitou novamente, ajeitando dois grandes travesseiros para apoiar as costas.
Agora, com a luz fraca do aparelho iluminando suavemente o cômodo, tentava... se acalmar... Acalmar um medo que começou a sentir do nada, mais uma vez.
Algo que jamais havia feito antes foi realizado naquela noite...
Abriu o aplicativo de mensagens, onde, depois do registro dos gêmeos, haviam sido adicionados ao grupo de todos os alunos da ADEDA SP, no qual recebiam atualizações gerais, como mudanças de horário, dias sem aula e outros recados importantes. No entanto, ninguém podia enviar mensagens, apenas receber as notificações de Louis.
Havia também o grupo da sala de Alissa, no qual, apesar de ser permitido conversar, o medo que tinham da exterminadora os fazia hesitar até para enviar um simples "oi". Isso deixava o grupo sem vida, um vazio que ninguém se atrevia a preencher.
O grupo, então, virou algo como o grupo geral, onde Alissa usava para notificar os dias em que não daria aula ou os horários que começariam. Era um lugar desértico, sem vida, mas agora, foi a ponte que ligou o celular de Nathaly com os gêmeos.
Nathaly abriu os contatos do grupo, descendo até encontrar a foto de perfil tirada por Lucas no apartamento, no dia em que foram oficializados no sistema da ADEDA. Seu dedo pairou sobre a foto de Nino por um instante, mas a incerteza a fez hesitar. Ainda tinha medo de ser ignorada.
Respirando fundo, optou por Nina primeiro. Assim que o chat se abriu, registrou o número com um nome carinhoso: Minha melhor amiga s2. Sua mão tremia levemente ao tocar a barra de digitação. Não era acostumada a mandar mensagens para ninguém além de sua mãe.
Encolheu-se sob a coberta, como se isso pudesse amenizar o frio na barriga. Depois de alguns segundos de hesitação, começou a digitar. Cada palavra era um salto para o desconhecido, e quanto mais rápido digitava, mais temia querer apagar tudo.
Mas então, antes que pudesse pensar demais, apertou enviar.
Ficou ali, imóvel, os olhos fixos na tela, o coração acelerado. Sentia-se como alguém em abstinência, segurando seu vício nas mãos, esperando ansiosamente por uma resposta que parecia nunca chegar.
Brr, Brr...
— Hum? — Nina sentiu uma vibração na parte de trás de seu short e logo se lembrou que havia colocado o celular no bolso antes de sair para o passeio. Sem tê-lo usado em nenhum momento do dia e nem vendo necessidade de usá-lo mais, achava que era inútil. — Hã? Um... carro bonito me mandou mensagem? — Olhou para o celular, desconfiada, sem saber o que esperar.
A mensagem só podia ser revelada com o desbloqueio, então Nina não fazia ideia de quem poderia ser.
Nathaly nem lembrava da foto que usava. Como sempre teve vergonha de sua aparência, especialmente da cicatriz no rosto, optava por usar fotos de carros esportivos, super e hypers, seus favoritos, devido ao amor por corridas, pelo barulho dos motores e o fascínio pelo mundo automobilístico.
Quando Nina olhou para o celular, o reconhecimento facial ativou rapidamente o desbloqueio, revelando a mensagem.
Assim que entrou na conversa, Thum! Thum! Thum! Nathaly sentiu seu coração bater mais rápido, quase como se tambores do carnaval estivessem soando em seu peito.
A ansiedade pela resposta — ou a dor de não receber uma — era quase insuportável. Cada milissegundo parecia uma eternidade, e o coração de Nathaly batia com mais força a cada segundo de espera.
Nina leu a mensagem em voz baixa:
— "Oi! Conversei com a minha mãe, e ela disse que quando eu fizer 15 anos, vai parar de me seguir... Desculpa, tentei fazer com que fosse amanhã, mas não consegui. Se não quiserem andar comigo, eu entendo. Minha mãe ficar me seguindo pode ser chato para vocês... Mas... Março que vem... Poderiam ser meus amigos de novo?"
Nina ficou encarando o celular por um tempo. A demora que se seguiu quase esmagava a sanidade de Nathaly, que esperava desesperadamente por qualquer tipo de resposta. Observava a tela com ansiedade, querendo ver qualquer sinal de que sua amiga começava a digitar.
"Pensei que já tinha entendido que não nos importamos..." Nina pensou, antes de abrir o teclado e começar a digitar. Assim que o balãozinho mostrou a Nathaly que Nina começara a escrever, a menina soltou o celular na cama e cobriu o rosto, sua ansiedade destruindo sua alma, o medo de que Nina a deixasse para lá, mesmo após o Março que vem.
Nina digitava com rapidez, mas isso não impedia que cada palavra pesasse mais que a anterior. Mas, finalmente, clicou em enviar.
Brr, Brr...
A menina do outro lado da conversa sentiu seu corpo inteiro tremer ao ver que alguém finalmente havia respondido a uma mensagem sua. Descobriu o rosto, olhando assustada para o celular, antes de pegá-lo. Logo criou coragem para ler bem baixinho o que lhe foi mandado:
— "Somos amigas, não me importo que sua mãe nos siga quando saímos por aí. Ela está preocupada, valorize ela, só quer o seu bem, assim como eu e meu irmão."
Uma lágrima escorreu pelo rosto da menina enquanto continuava a ler:
— "Garota, na escola, em casa, em qualquer lugar, quero você comigo, quero você com a gente. Somos amigos, não se esqueça, somos amigos... Você é muito linda, seu corpo é magnífico, sua cicatriz é perfeita e atrativa..."
Embora as palavras de Nina parecessem maliciosas, Nathaly as recebeu como elogios inocentes de sua amiga.
— "Amanhã eu quero tirar uma foto com você, para que troque a foto desse carro por uma do seu lindo rosto, para que todos vejam seu sorriso e seus lindos olhos âmbar..."
Nina se declarou de uma forma sutil, revelando seus sentimentos sem dizer diretamente, com medo de ir além da amizade.
Nathaly enxugou as lágrimas e, com o coração batendo forte, digitou uma resposta rápida.
Brr, Brr...
Quando Nina leu, sentiu seu coração aquecer, mas ao mesmo tempo doer, pois sabia que aquele simples "Eu te amo, minha melhor amiga" poderia nunca se transformar em um "Eu te amo, amor da minha vida".
A Primordial respondeu com a mesma frase, mas seu peito doía ao escrever "amiga", acreditando que esse amor nunca seria correspondido da mesma maneira.
Nina bloqueou a tela, deixando o celular de lado e se deitando, olhando pela janela. A pouca claridade que ainda entrava iluminava seu rosto e uma parte da cama, mas seus pensamentos estavam longe, imersos nos sentimentos que guardava.
— Eu te amo... minha namorada... — murmurou baixinho para si mesma, fechando os olhos. — Talvez Março que vem... Talvez... Março que vem...
Nathaly, com um sorriso radiante no rosto, criou coragem e abriu o contato de Nino. Salvou o nome com dois corações: um preto, representando a cor favorita do jovem, e um roxo, cor dos olhos dele.
Suas pernas balançavam, cheia de energia e euforia, enquanto segurava o celular com as mãos trêmulas, sem saber o que mandaria...
"O que eu falo?! O que eu falo?!" se perguntava, com o coração acelerado. A ansiedade a tomava, mas não de uma forma tão negativa como antes. Era uma euforia doce, um nervosismo que vinha do prazer de estar se comunicando com alguém especial.
Começou a digitar "Oii", mas, assim que o fez, travou. Não conseguia pressionar o botão de enviar.
— Nã-nã-nã-não! Depois, depois! — exclamou, sacudindo a cabeça freneticamente.
Fechou o aplicativo e olhou ao redor, tentando se acalmar, sem perceber que, quando subiu a aba para fechar o aplicativo, digitou "Oiiht" e enviou a mensagem sem querer.
Do outro lado, Nino continuava relaxado em seu sofá, assistindo à novela. O episódio chegava ao fim quando ouviu a música do jornal começar. Era um reflexo automático, nem mesmo lembrava mais que Marta já havia partido.
Pegou o controle remoto, prestes a desligar o aparelho para ir se deitar, mas algo o fez parar...
Brr, Brr...
Na bancada, o som da vibração do celular chamou sua atenção.
Virou rapidamente o rosto, desconfiado do que poderia ser, sem sequer perceber que ainda segurava o controle.
— Hãm? — murmurou baixinho, se levantando do sofá e indo até a bancada.
Quando pegou o celular, viu a foto de um carro esportivo e uma mensagem ainda censurada pela tela de bloqueio.
— ...Um carro me mandou mensagem? — Levantou uma sobrancelha, desconfiado. Com o rosto no campo de visão da câmera, o celular foi desbloqueado e Nino entrou na conversa da mensagem sem querer. — "Oiiht"? ...Deve ser difícil escrever com a roda, Tsc... — riu da piadinha, se sentindo levemente divertido, antes de bloquear o celular novamente, não se importando com aquilo.
Voltava para a sala quando uma reportagem interrompeu o calmo silêncio do ambiente, capturando sua atenção imediatamente.
— "Dois jovens, uma menina de 12 anos e seu namorado de 17, planejaram e executaram um assassinato... Um plano cruel contra a própria mãe."
O apresentador fez uma pausa dramática, suas palavras impregnadas de um tom sério, quase enigmático, enquanto andava pelo estúdio com um semblante grave.
— "Um crime premeditado, uma semana antes da morte da mãe da jovem, de forma brutal... Inúmeras facadas. No diário encontrado, a menina escreveu, abre aspas: 'Estou completamente apaixonada por um garoto. A gente namora. Ele é muito lindo. Amo muito ele e ele me ama muito. A gente vai até matar meus pais pra ficar juntinhos.' Fecha aspas."
Os olhos de Nino se fixaram na tela com uma intensidade que não se podia medir. Seu corpo permanecia imóvel, completamente absorvido pelas palavras.
— "O companheiro da vítima, um vendedor de 35 anos, relatou que, ao chegar em casa, encontrou a menina e o namorado e foi atacado pelos dois. Abre aspas: 'Quando eu botei a chave na porta, vi que tinha uma cadeira atrás. Achei estranho quando eu entrei, e agora eu sei que era pra alertar quando eu chegasse, pra fazer barulho. Entrei pela casa, vendo uma bagunça estranha e chamei, amor, amor, e não ouvi nada. Aí vi sangue no chão. De repente, fui atacado com uma pancada muito forte. Quase caí, e se eu tivesse caído, tenho certeza de que eles teriam me matado também.' Fecha aspas."
A tensão aumentava enquanto o apresentador fazia uma pausa, e Nino permanecia fixo na tela, estático, nada se movia, seus olhos nem ameaçavam piscar.
— "Palavras bem fortes... O homem está no hospital se recuperando, mas a história não acaba por aí. Ele continua, abre aspas: 'Eu consegui sair brigando, lutei com o que pude e cheguei ao portão para pedir socorro. Foi quando meus gritos atraíram muita gente. Mas o povo achou que eu era o criminoso, porque eram dois jovens contra um adulto. Começaram a dizer que iam me matar também. Fiquei apavorado, ninguém acreditava em mim. Eram tantas pessoas, talvez 100 ou mais. Pensei que realmente ia morrer.' Fecha aspas."
Com uma pausa prolongada, o apresentador continuou a relatar os detalhes sombrios do caso:
— "O garoto afirmou que a ideia do crime partiu da menina, motivada por um abuso que sofreu na infância, algo que, na época, ninguém fez nada quando revelou o ocorrido. Contudo, depoimentos anônimos indicam que a menina conheceu o rapaz há apenas dois ou três meses, e a mãe da jovem sempre foi contra o relacionamento, deixando claro seu desagrado."
O apresentador, agora sentado, Pac-pac organizava seus papéis antes de voltar à matéria:
— "Segundo o delegado, a menina não pode ser ouvida em sede de polícia pela idade que ela tem, e que na delegacia foi apenas uma conversa informal. A menina foi encaminhada ao Conselho Tutelar do município e, em seguida, poderá ser entregue a algum familiar. Conforme o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), menores de 12 anos são considerados crianças e são inimputáveis penalmente, ou seja, não podem sofrer nenhum tipo de penalidade."
Com uma pequena pausa, continuou:
— "Já o adolescente foi apreendido e levado para o Centro de Atendimento Socioeducativo ao Adolescente (CASA), onde vai responder por ato infracional análogo ao homicídio qualificado e tentativa de homicídio qualificado."
As pupilas de Nino se contraíram até se tornarem quase inexistentes. Um sorriso sinistro se estendeu em seu rosto, um sorriso que queria rasgar sua carne.
Sua marca se formou no pescoço, sangrando suavemente antes do sangue ser absorvido novamente, seu poder, sua essência.
A dor, a excitação e o controle fluíam juntos, formando um único ser.
"Se eu dizimar esses seres que ninguém se importa, acontecerá algo? Iriam atrás de explicações? Procurariam o que está acontecendo? Se importariam com assassinos executados, estupradores torturados, e bandidos mutilados? Iriam atrás dos corpos que irão deixar de existir após uma pequena brincadeirinha minha...?"
A voz em sua mente se tornava mais clara, mais exigente, um chamado para uma ação inevitável. Se permitiu um momento de prazer ao pensar nisso. O prazer da destruição, do controle total, da eliminação daqueles que, para ele, eram irrelevantes.
"Posso sumir com quantos desses insetos eu quiser?!"
A marca pulsava com magia escura. Um olho de íris preta surgiu sobre sua pele, ocultando o símbolo Primordial, se abrindo lentamente, observando o mundo ao seu redor com uma frieza assustadora. O olho respondia ao seu desejo, respondia ao comando do Primordial Preto:
"Mostre-me, mostre-me onde esses dois insetos estão."
A pupila do olho se dilatou, absorvendo o espaço ao redor, antes de se retrair agressivamente.
Com uma precisão sobrenatural, a visão de Nino se ajustou, e ele soube instantaneamente onde estavam os dois alvos.
Sua mente formou um retrato vívido de suas localizações... Os lugares onde deixariam de existir.
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