Dançando com a Morte Brasileira

Autor(a): Dênis Vasconcelos


Volume 1 – Arco 2

Capítulo 57: Cavalinho

As horas voaram. A tarde acabava, e a noite já batia na porta querendo assumir seu posto.

Os gêmeos, acordados, mantinham os olhos fechados, aguardando que Nathaly demonstrasse algum sinal de querer ir embora. Foi nesse momento... que a menina despertou.

Abriu os olhos lentamente, e a primeira coisa que viu foi o perfil de Nino, deitado ao seu lado.

Suas bochechas coraram, e as lembranças do dia retornaram rapidamente.

Envergonhada, se levantou imediatamente, dando o sinal de que os dois queriam que ela se apressasse. Ambos simularam acordar com sono, com os olhos fechadinhos enquanto se sentavam no chão.

— Hãm? O quê? — murmurou Nino. — Tá tarde, né? HuuummOOOOHH! — se espreguiçou, soltando um gemido de bocejo levemente alto. — Vamos embora — finalizou, olhando para a menina, que o encarava sem jeito.

Se ergueu, junto de Nina.

— Separa as coisas — disse Nina, enquanto seu irmão pegava as sacolas para dividir o que restava, como as roupas compradas. Mas, Schsrshc... ao abrir uma delas, Nino lembrou dos tênis de Nathaly.

— Nathaly, senta aqui rapidinho — disse ele, olhando-a confirmar com a cabeça e se sentar no chão.

Nino retirou os tênis da menina com cuidado, retirando as meias usadas no dia. Logo a vestiu novamente, seus dedos trabalhando com carinho, ajustando as meias que vinham com o kit promocional do tênis.

Com os pés já protegidos pela roupinha, encaixou o tênis com perfeição e delicadeza. Por último, tentou amarrar os cadarços novamente. Mas agora, dois olhares o encaravam, e Nino, continuava todo confuso com a forma como aquilo funcionava. A tensão de amarrar os cadarços ficou mais forte.

— Quer que eu a...?

— Sim — respondeu rapidamente, interrompendo a pergunta de Nathaly e tirando seus pés de seu colo. Se virou para Nina, enquanto Nathaly terminava de amarrar e se levantava. — Separou as coisas?

— Sim. Uma sacola com a comida dela, outra com as roupas. Essa aqui é minha e essa aqui é sua.

— Vamos então, vai escurecer já j...

— Vai cumprir o que prometeu?

— Hãm? — Nino se virou para Nathaly, ao escutar aquela voz pidona, cheia de manha.

— Você disse que ia me carregar! Me leva de cavalinho!

"Puta merda, é mesmo..."

"..."

O menino se virou para Nina, que permanecia em silêncio.

— Leva as coisas até lá?

Shschcih...

Nina ergueu as sacolas e as apoiou no ombro.

— Levo.

— Valeu.

— ...Vou ir andando, não sei se o parque já fechou ou algo assim. Tem um portão na Rua Dona Ana Pimentel. Se estiver fechado, pulamos por lá mesmo. Tanto faz.

— Sim.

— Vejo você lá.

Nina se virou e deu um passo, desaparecendo rapidamente, assustando levemente a jovem com sua velocidade. Mas ao ver Nino se voltar para ela, a menina rapidamente esqueceu o que tinha presenciado.

— Gostou do tênis?

— G-gostei...

— Legal.

O Primordial caminhou até Nathaly, que já esperava com os braços erguidos e um semblante tentando esconder a alegria, mas sem conseguir disfarçar. Nino segurou a cintura da garota com uma firmeza quase obsessiva, passou-a por sua cabeça e a colocou com cuidado atrás do pescoço, pronto para dar início à sua promessa de carregá-la.

A jovem apoiou as mãos na cabeça dele, segurando levemente os fios de cabelo, enquanto Nino subia as mãos pelas pernas. Seus dedos deslizaram pelas coxas, pressionando suavemente até alcançar o início do shortinho.

Com um movimento sutil, passou o dedo por baixo do tecido, sentindo o calor transbordando da pele. Então segurou suas coxas com rigor, amassando-as de forma controlada, mas intensa, mantendo-a segura, bem presa para que não caísse.

— A-arhf...

A jovem tremeu, suas pernas vacilaram, um suspiro tremido escapou de seus lábios. Nino, sentindo a provocação que acabara de causar, ergueu a cabeça, roçando a cintura dela, e a olhou de baixo para cima, com um sorriso malicioso.

— Tá tudo bem? Quer que eu segure mais forte? Você tremia tanto que achei que ia cair.

— T-t... — Não conseguiu nem começar a frase, o corpo ainda reagindo à sensação que ele causava.

— Oi? Não escutei... — Sua voz saiu rouca. Nino apertou-a um pouco mais, provocando-a com um leve deslizar de dedo, sem mover a mão. Mas de maneira indireta... Notou que a pressão de Alissa sobre seu corpo aumentava a cada toque, desde que segurou Nathaly de cavalinho, então, sem pensar direito, começou a usar a menina para obter e prender mais a atenção de Alissa, como desejava. — O que foi que você disse?


Alissa os observava de longe, escondida entre as árvores. Seu semblante mostrava clara indignação ao ver a cena que se desenrolava diante dela.


— Fa-f... faz carinho... — murmurou Nathaly, completamente envergonhada.

— Vou te comer! Nhac! — Nino, sem conseguir se conter pelo desejo de atenção, mordeu a coxa da menina, fazendo-a agarrar seus cabelos com mais força, fechando as pernas involuntariamente.

No entanto, Mwamnmsslisck... a pressão das coxas não era o suficiente para fazê-lo parar de chupá-la, com beijos molhados e mordidas calculadas, pois ela não conseguia resistir ao prazer gerado pela provocação.

Tentava fechar as pernas, mas o fato de não conseguir, resultando em contrações e tremeliques, apenas afofando a cabeça dele com as coxas ao invés de, de fato, tentar sair, a provocava ainda mais, deixando-a ainda mais louca, firmando os dedos com força no couro cabeludo do jovem.

Mas a atitude de Nino fez a pressão ao redor de seu corpo se intensificar. Entretanto, foi além do esperado, uma pressão que fez Nino parar o beijo de língua babado, sentindo que iria morrer com a dor e o aperto que se envolveu ao redor de seu coração...

THUM! THUM! THUM!

O som do seu coração batendo forte era ensurdecedor, e o menino não conseguiu mais se concentrar na cena que provocava, sua mente agora ocupada com o que acontecia dentro de seu corpo.

Seus olhos se abriram, e o jovem se forçou a manter a calma, tentando caminhar até o local onde sua irmã havia indicado, mas sentindo uma tensão que o prendia.

Concentrava todo o seu sangue para que, caso sangrasse pela boca, ou algum membro fosse explodido, saísse vermelho. Entretanto, como provocou a menina, ao menos deu o que ela queria.

Ficou afofando e deslizando suavemente a coxa, sua mão firme, cheia de intensidade e malícia, obedecendo o pedido de carinho, embora da forma mais discreta possível, agora com um pequeno receio novamente, de que Alissa poderia sim... matá-lo.

Mesmo que sentisse os leves tremeliques que a menina dava, além dos fofos suspirinhos entrecortados, reagindo ao atiçamento, mantinha-se centrado em chegar onde sua irmã esperava.

Quando dobrou uma esquina, vendo pessoas, parou o ato, parando também as reações e afagos de Nathaly.

A menina sentiu um alívio instantâneo em seu rosto e corpo, embora suas pernas estivessem cruzadas, seus tênis novinhos, nunca usados para um único passo, se tocando no ar.

Ao ver Nina próxima ao portão aberto e muitos carros estacionados, Nino decidiu brincar com a situação, depois de já ter se recuperado da dor, queria mais, queria sentir mais da atenção viciante.

Ergueu a cabeça para olhar Nathaly enquanto passava ao lado de casinhas brancas na praça. Ao tocar a cintura da jovem, a mesma o olhou, e os lábios de Nino se moveram suavemente:

— Você é muito calorenta. Molhou meu pescoço todo de suor...

Tssssssiii...

A menina quase explodiu, ficando vermelha como um pimentão. Sem dizer uma palavra, apenas soltava fumaça pela cabeça.

Vendo os três novamente reunidos, caminhando pela rua e voltando para casa, Nathaly continuava tonta de vergonha, enquanto Nino a carregava com cuidado para que ela não caísse durante o trajeto.

Nina, agora ao lado deles, caminhava tranquilamente, com o olhar baixo e o rosto sério. Observava as sombras no chão começarem a sumir, à medida que a noite se aproximava mais e mais.

O caminho foi tranquilo. Nino, por outro lado, já sentia novamente a presença de Alissa, como antes, no início do dia, mas agora, com a dor e o medo se adaptando dentro de si. A necessidade de atenção falava mais alto, mas não queria mexer com a menina em suas mãos.

Não sentia nada romântico por ela e, acima de tudo, não achava certo usar alguém daquela forma, ainda mais mexendo com sentimentos inocentes de uma paixão recente, apenas para conseguir o que queria da rígida professora que o atraía completamente.

Apoie a Novel Mania

Chega de anúncios irritantes, agora a Novel Mania será mantida exclusivamente pelos leitores, ou seja, sem anúncios ou assinaturas pagas. Para continuarmos online e sem interrupções, precisamos do seu apoio! Sua contribuição nos ajuda a manter a qualidade e incentivar a equipe a continuar trazendos mais conteúdos.

Novas traduções

Novels originais

Experiência sem anúncios

Doar agora