Volume 1 – Arco 2
Capítulo 51: Óbvio
Enquanto isso, Nathaly se encontrava prestes a ser chamada, e seu coração batia descompassado. Dentro de sua mente, o desespero era um grito constante: E agora?! E agora?!
— Próóóximo! — anunciou uma das atendentes, fazendo a menina se mover quase sem pensar. — Bom dia... Hum? Essas roupas são da loja? — perguntou a atendente, olhando de maneira confusa para o conjunto cinza que Nathaly usava anteriormente.
— A-a... — Nathaly tentou explicar, mas a tensão a fez travar, e nem havia se dado conta de que não havia nada em suas mãos. E que, na verdade, a atendente se referia ao conjunto cinza, usado dela, nas mãos de Nino.
Os gêmeos surgiram atrás da menina, sem Nathaly nem reparar. Nino assumiu a conversa, não por ser um bom samaritano ou querer ajudá-la por pura vontade ao vê-la travando, mas sim para que saíssem de lá logo.
— Bom dia. — Nathaly se assustou com a voz dele e olhou para trás. — Essas roupas não são daqui. É que minha amiga trocou de roupa e está usando as peças que decidiu comprar: essa blusa branca e esse short azul. É possível fazer isso? Aqui estão os papéis com os valores de cada uma.
Colocou os papéis sobre o balcão enquanto a atendente observava, confusa.
— Fora essas duas peças, também vamos levar essas quatro, esse tênis... — Colocando as roupas no balcão, exceto as cinzas da menina, e virando-se para Nina, segurou as peças que ela escolheu. — E essas três.
A atendente olhou para as roupas e então falou:
— Bom... Preciso tirar uma travinha que colocam na roupa. É um ímã, igual a este — Trks! mostrou o mecanismo de travamento branco da roupa de Nino, e depois o local que tira — Mas eu preciso que coloque as peças aqui para poder removê-las. Poderia voltar nos pro...
Shirrk!
Antes que ela terminasse, Nino passou o dedo em volta do mecanismo da superfície e cortou-a, pegando aquilo em suas mãos.
Tirou as travas da roupa de Nathaly, Tuc-tcsh! e soltou sobre o balcão.
Já o mecanismo, precisava ser colado, então usou magia de pedra e fixou-o novamente na superfície, com um mínimo e quase invisível detalhe de pedra.
— Precisa ainda? — perguntou com um tom um pouco mais agressivo, seus olhos fixos na atendente.
A moça, visivelmente intimidada, deu um sorriso nervoso e respondeu:
— N-não, agora tá certo, hihihi... — riu de maneira forçada, tentando manter a leveza da situação.
Nino soltou uma risadinha irônica em resposta, como se nada tivesse ocorrido.
"Imbecil, para de chamar atenção!" Nina o repreendeu mentalmente, irritada, mas se misturar com Nino escondido, para poder dizer aquilo diretamente, era o que menos queria na vida, desde que chegou na escola. "Não quero que descubra tudo o que tô sentindo, mas que raiva de não poder xingá-lo tranquilamente!"
A atendente, agora um pouco desconcertada, escaneou as peças e olhou para o monitor.
— O total dá 1.169,99 reais. Qual será a forma de pagamento? Vocês têm o cartão da loja?
— N-não tenho o cartão da loja. Vou pagar no crédito, por favor — Nathaly respondeu, assumindo a conversa com mais confiança. "Fazer os pagamentos certinhos e continuar aumentando meu cre-di-tuuu!" O nervosismo diminuiu um pouco, agora que sentia a proteção dos gêmeos ao seu lado.
Começava a se sentir mais segura.
— Crédito, mocinha?
— Isso, vai ser aproximação.
— Ok, pode colocar o cartão na maquininha.
Nathaly virou-se para os dois, sorrindo com um ar de confiança.
— Lembra que eu disse que ia mostrar como usar?
— Sim.
— Sim.
Pegou o cartão e mostrou, com paciência, como usá-lo.
— É só usar esse lado do cartão e colocar aqui, e pronto!
A compra não foi aprovada. Phin. A maquininha apitou.
— Mocinha, o valor é alto. Vai precisar aprovar no aplicativo do banco.
— Ah, verdade! — Nathaly foi com a mão no bolso traseiro, mas não encontrou seu aparelho, então lembrou da roupa. Deu um passo até Nino e pegou o celular no bolso de trás da calça moletom.
Sem enrolar, abriu o banco.
A carteira dela tinha tanto dinheiro que, ao olhar por cima, Nino não conseguiu nem identificar o número da conta.
"Nove dígitos?" pensou ele, surpreso com o saldo exorbitante.
Apesar da quantia impressionante, mais de 120 milhões acumulados por sua mãe em mesadas mensais, o limite de crédito era de 40 mil reais. Todo mês, Nathaly tentava gastar esse valor e só pagava na última data do vencimento do cartão, o último dia após a semana de vencimento se iniciar, para tentar aumentar o limite.
Acreditava que, parecendo ser uma pessoa propensa a se endividar, o banco lhe daria cada vez mais créditos, induzindo-a a gastar mais e mais, para se endividar, e o banco começar a cobrar juros e mais juros sobre a burrice de um ser humano sem educação financeira.
Após aprovar o pagamento, a maquininha começou a imprimir o comprovante.
— Muito fácil, não é? — disse alegremente, guardando o celular de volta no bolso direito de trás de seu short.
"Era só isso? Sério? Pelo menos é rápido." pensou Nino, entediado, vendo pelo em ovo em tudo.
— Bem prático — respondeu Nina, gentilmente.
Scshchsrshc...
A atendente colocou as roupas em uma grande sacola e as posicionou no balcão.
Nino pegou a sacola, guardando as roupas usadas de Nathaly antes de começar a andar.
— Tudo certinho, voltem sempre!
"Vai te fuder!" pensou Nino, irritado, com fome, querendo sair dali o mais rápido possível.
— Obrigada, tenha um bom dia — respondeu Nina, seguindo seu irmão.
Nathaly apenas assentiu com a cabeça, dando um aceno de despedida antes de acelerar o passo para acompanhá-los.
— Espera! — gritou ela, vendo os dois saindo da loja.
— Nathaly, como você desce as escadas? — perguntou Nina, olhando-a se aproximar.
— Urff... — suspirou em brincadeira a garota, com as mãos nos joelhos após a corridinha. — Vocês realmente não sabem? — perguntou, com um sorriso travesso, ereta, tranquila e sem cansaço visível.
— Não.
— Tem uma forma mais rápida — disse Nino, antes de se jogar, Vuf! e aterrissar no primeiro andar com um salto leve, como se fosse a coisa mais natural do mundo, assustando algumas pessoas ao redor pelo movimento inesperado.
"Para de chamar atenção, inferno!" pensou Nina, irritada, mas manteve a expressão tranquila.
— Ele é doido? — perguntou a menina, chocada com o feito.
— Você aguenta essa altura? — Nina lançou um olhar de canto para ela.
— Não sou fraca! Já pulei de alturas maiores — respondeu, com confiança. Mas então fez uma pausa. — Mas a questão não é essa. Estamos em área civil, e se alguém se machucasse por causa disso, daria um problemão pra ADEDA. Então, eu uso as escadas ao invés de poderes.
— ...Só dá problema se alguém se machucar?
— IssAiAH!
Antes que Nathaly pudesse terminar a frase, Nina a pegou no colo e saltou, Vuf... aterrissando suavemente no chão e assustando mais civis com o novo movimento atípico.
Soltou a menina com gentileza e, rapidamente, começaram a andar na direção de Nino, que já as aguardava na frente de um supermercado.
— Vocês são doidos! — exclamou, ainda assustada com a velocidade da ação.
Nino se mantinha parado, com a grande sacola de roupas apoiada no ombro esquerdo, parecendo calmo... apenas parecendo...
— Nathaly, compra as coisas lá rapidinho. Vou esperar aqui fora com a Nina. Tô com muita fome, não quero acabar tratando outra atendente mal — disse ele, com a voz mais séria. Nathaly ficou um pouco sem reação, notando realmente um tom diferente desta vez.
"Brincou comigo mesmo estando irritado? Vou ser rápida!" Com um olhar confiante, respondeu: — Tá! Já volto! — e correu para dentro do estabelecimento.
Nino caminhou até uma área um pouco mais escura, sob a escada rolante, e Nina seguiu em seu encalço.
— Dá pr...
Nino segurou o pulso da irmã, tentando se misturar, mas Nina rapidamente negou com um gesto, não permitindo. O Primordial a soltou, olhando-a com os olhos arregalados.
— Quem é você?! — murmurou, claramente irritado, e com um tom agressivo, pronto para atacá-la.
— Como assim quem sou EU, seu imbeeeeciiiil?!! — Nina rugiu baixinho, os dentes cerrados, claramente enfurecida.
— Você é a Nina mesmo... — A desconfiança ainda brilhava em seus olhos, mas acreditava que realmente era ela ali.
— Óòòòobvio que eu sou eu, né, seu animaaarrll! — Nina ainda furiosa, continuava a rosnar baixinho, tentando controlar-se para não gritar, xingando-o todo. Seus punhos estavam cerrados a ponto de os dedos tremerem, prestes a explodir de raiva.
— Por que não deixou eu me misturar?!
— Pra não escutar as centenas de xingamentos que estou fazendo pra você nesse exato segundo! Para de faZZerr MERda! — Rangia os dentes, quase completamente fora de controle. Queria socá-lo, mas mantinha as mãos firmemente fechadas.
Nino, por sua vez, se encontrava perdido, os olhos ainda arregalados.
— Eu não tô mentindo! Acredita em mim! — insistiu, com um tom de desespero.
— Eu acredito, acredito em você, mas acha que pular da porra do segundo andar vai ajudar em alguma coisa?! Para de ser burro! — explodiu em um momento controlado, a raiva ainda consumindo sua voz.
Nino deu um passo à frente, peitando a irmã.
— Eu não sei o que é, mas sei que está lá em cima! Por isso pulei logo, merda! Acha que ia chamar a atenção do andar inteiro por nada? Acha que sou tão burro assim? — respondeu com mais brutalidade, tentando se impor, acreditando que isso faria Nina se acalmar.
"Óbvio que eu acho..." Por um momento, pensou em zombar da cara dele, mas o momento exigia seriedade. Ignorou a provocação, controlando-se. Olhou para ele com um olhar penetrante. — O que você viu?
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