Volume 1 – Arco 2
Capítulo 47: Provadores
— Tá com muita fome? — perguntou Nathaly, sem perceber a inocência burra da pergunta.
"Não, não, tô com fome não. Animal." Embora tivesse quase vocalizado sua ofensa, lembrou-se de que não era para Nina, então não teria graça. — Sim, mas consigo aguentar até você escolher suas peças — respondeu com um sorriso gentil. O sorriso era simples, mas tinha algo sedutor para Nathaly.
— Nã-não! Vou só experimentar pra ver se serve e já vamos comprar as coisas pro piquenique! — disse de forma apressada, querendo evitar fazê-lo esperar.
— Tem certeza? Podemos esperar tranquilamente.
"Arrhh, não inventa, inergúme." pensou Nina.
— Não! Vou lá rapidinho. Vocês não querem experimentar suas roupas não?
Nina olhou para o macaquinho e as outras duas peças com um leve sorriso.
"Deve ser dividido entre área masculina e feminina, talvez possamos ficar uma do lado da outra..." pensou, um pouco animada. — Vou querer sim... — Mas logo um pensamento a fez hesitar. "...Não, isso é errado. Não vou forçar ela a se colocar em uma situação assim. Ela... ela estaria na inocência e eu aproveitando disso."
— Eu tô de boa. Vou esperar vocês.
— Tá! — Nathaly se virou para Nina, com os olhos brilhando de entusiasmo. — Vem! Os provadores ficam pra cá! — Puxou o pulso da amiga, Tan-tan-tan-tan... guiando-a pela loja.
Nina abriu os olhos, permitindo ser levada, mas sem deixar de olhar para as costas da amiga, com o braço estendido para trás, tentando entender a empolgação dela.
Nino as seguiu, planejando esperar do lado de fora de onde for que fossem entrar.
Assim que chegaram, Nathaly olhou para trás, vendo Nino sentado em um banco do lado de fora e Nina ao seu lado, olhando-a com uma expressão confusa.
— Bom dia, garotas! — disse uma atendente alegremente.
As duas voltaram os olhares para a moça.
— Bom dia — disse Nina com um sorriso cortês.
— Bom dia — murmurou Nathaly. Dessa vez, não gaguejou ao falar com um estranho. Sua voz saiu muito baixa, e seu corpo se recuou como o padrão, ficando com uma postura tímida, mas a tentativa... foi boa.
— Vão entrar com quantas peças? Preciso anotar certinho.
— Vou entrar com três — disse Nina, de forma tranquila.
Nathaly, ao erguer o rosto para falar, sentiu-se um pouco engasgada. Nenhum som saia de sua garganta.
— Minha amiga vai experimentar apenas uma — Nina respondeu por ela, e Nathaly a olhou discretamente, sorrindo timidamente, feliz pela ajuda.
"Obrigada..."
— Tá bom. E os nomes de vocês?
— Nina e ela é Nathaly.
A atendente anotou em um caderno, registrando o valor, a marca das roupas e os nomes das duas.
— Prontinho, podem entrar. Está um pouco cheio hoje, então vou estar bem ocupada e, por isso, saindo várias vezes daqui. Quando acabarem de experimentar, não precisam se preocupar em me chamar ou me esperar. Se decidirem comprar, podem levar diretamente no caixa. Caso desistam, deixem as roupas no provador que eu recolho depois.
— Tudo bem. — Nina sorriu suavemente, com serenidade.
— Acabou de sair uma moça do primeiro provador, então tem uma vaga lá. O último também pode estar disponível. Se não estiver, é só aguardar um pouquinho que logo vão liberar.
— Claro, pode deixar — respondeu Nina, com a calma de sempre da sua bela atuação, mantendo a conversa fluida.
— Com licença.
As duas assentiram com a cabeça, enquanto a atendente passava apressada com uma cestinha cheia de roupas.
— Pode usar o primeiro, vou ver se o último está desocupado — disse Nina, já se dirigindo ao fundo do lugar.
— Tá... — a jovem respondeu, abaixando a cabeça em um agradecimento silencioso, antes de dar os primeiros passos indo até o cubículo.
Abriu a porta, Cleq! e a trancou, resultando em um leve estalo.
"Hum?" Dentro do provador, tinha uma blusa branca, que dava uma leve impressão de azul quando em sombra, caída no chão. Pegou-a rapidamente e pendurou-a em um dos apoios para roupas. "Deve ter caído quando a moça passou pra recolher as roupas."
Sem mais demora, sentou-se no banquinho, retirou os tênis e olhou seu reflexo no espelho à frente. Quando começou a tirar a calça, ficou envergonhada ao sentir o ar gelado do ar-condicionado tocar sua pele nua.
"Que frio..."
Com as mãos segurando o short...
— Arhf... — suspirou pesadamente. "Vou ficar mais bonita de azul!" pensou, convencida, e se levantou para colocar a peça.
Houve uma leve dificuldade ao ajustar o suspensório único na coxa direita, suas coxas eram um pouco grossas, mas um simples puxão resolveu. Olhou para baixo, observando suas pernas expostas, e sentiu uma estranha sensação de vulnerabilidade.
Olhou para o espelho, notando que, de fato, era curto. Se virou lentamente, olhando-se de costas... mas... ainda não tinha certeza do que via.
"Estou bonita? Isso combina comigo? E se ele não gostar?" Sua mente foi inundada por dúvidas, e logo soube que só havia uma forma de obter a resposta.
Cliq...
Abriu a porta do provador com cuidado, espiando para os dois lados.
"Não tem ninguém..."
O provador onde se trocara ficava ao lado da porta de entrada, e ao sair, Nathaly viu um braço coberto por uma blusa preta. Avançou cautelosamente, ainda com vergonha de ser vista naquela roupa, e, após alguns passos, se encontrou de corpo inteiro na direção de Nino.
— Ni... — sussurrou, mas sua voz foi interrompida abruptamente quando viu Nino virar o rosto para olhá-la.
O menino não demonstrou surpresa ou entusiasmo, apenas a observava normalmente, enquanto aguardava com as roupas pretas nas mãos.
"Hãm?"
— E-e-eu tô bonita? — gaguejou, travada diante do olhar dele. Sua voz saiu picotada e muito baixa, dificultando que Nino entendesse.
— Quê? — ele perguntou, levantando-se e andando até ela. Cada passo dele o deixava maior e mais próximo, deixando também Nathaly cada vez mais nervosa. Quando ele chegou perto, a jovem manteve o rosto erguido, encarando-o. — Não entendi, me chamou?
— E-e...
Tap... Tap... Tap...
Passos... Passos pesados, lentos, como se feitos de propósito para realçar o pavor, ecoaram pelo provador, e na mente da garota, quase que uma barra de vida surgiu em sua visão... mostrando que entrou na sala errada.
A Boss: "A Atendente", se aproximava.
Nino, com a visão ainda em direção a Nathaly, virou o rosto para onde os passos estavam vindo. A atendente ainda não os via, mas Nathaly sabia que não podia deixar que um menino fosse visto ali.
Sem pensar, puxou o pulso de Nino e o arrastou instintivamente para o provador feminino.
Cleq!
— Hum? — murmurou a atendente, voltando o olhar para o primeiro provador assim que entrou na porta do corredor que os dois escaparam.
Cliq...
Mas sua atenção foi roubada quando uma porta foi destravada e uma moça saiu, com uma cesta de roupas e outras soltas na mão. Sabendo que aquilo era mais roupas para guardar, a atendente manteve um rosto receptivo e se aproximou da moça para realizar o seu trabalho.
Dentro do provador, Nino permanecia de pé, despreocupado, com a cabeça levemente abaixada, o rosto da garota apoiado em seu peito, um abraço acidental. Mas Nathaly não compartilhava dessa calma e quase indiferença perante a situação.
Seus olhos se arregalaram, e ela ficou completamente travada, sem saber como reagir ao abraço involuntário, apesar de haver espaço suficiente no provador para ambos.
— Por q...
A voz de Nino quebrou o silêncio, deixando-a um pouco mais à vontade, embora seu nervosismo ainda fosse evidente. A garota lançou o rosto para cima, olhando-o enquanto o interrompia:
— Shii! Fala mais baixo! — sussurrou, apressada.
— Por que me puxou aqui? — ele questionou, confuso.
— A atendente não pode te ver aqui dentro! — respondeu rapidamente, sua voz embargada.
Nino olhou para ela, sem entender completamente, mas antes que pudesse perguntar mais, ela continuou:
— E-eu... queria saber se fiquei bonita com o short... — gaguejou, desviando o olhar e com o rosto corado.
"Arh! Que perda de tempo!" pensou, embora sua preguiça e indiferença ficassem apenas em sua mente. Por fora, ainda continuava calmo e tranquilo... e suas atitudes e gestos... entraram em cena.
Ergueu a mão esquerda, tocando suavemente o queixo dela e virando seu rosto para olhá-la diretamente nos olhos.
— Você é linda, não importa a roupa. Não entendeu isso ainda? — disse com calma.
Nathaly arregalou os olhos, sentindo o calmo e cuidadoso toque em seu rosto. Nino não se limitou a fazer carinho apenas na região do queixo, bochecha e quase lábios, mas subiu a mão ao nariz, tocando na ponta dos dedos e alisando a cicatriz, enquanto a garota nem mesmo conseguia piscar. Fez tudo com tamanha delicadeza que a fez perder o fôlego.
— Sua cicatriz é a coisa mais perfeita. Um detalhe que mostra sua força e beleza. Mas, claro, sei que você quer saber sobre a roupa. Deixe-me ver, pode dar um passo para trás? — pediu, com carinho, sua voz serena, ainda com a mão no rosto da menina.
Nathaly assentiu lentamente, sentindo o toque dele em seu rosto e não querendo que ele se afastasse. Mas, ao dar o passo, o contato físico se quebrou, e seus olhos se fixaram com uma intensidade que a fez corar ainda mais.
Colocou as mãos atrás de si, permitindo que ele a observasse. Nino se agachou diante dela, examinando o short com atenção. O olhar dele, tão próximo, a deixava completamente desconcertada.
— O que é isso? — Tc-Tc! perguntou ele, puxando o suspensório e o soltando, fazendo um leve estalo ao bater contra a pele.
— Aigh... — Nathaly gemeu baixinho, um som suave saindo de seus lábios úmidos, sentindo uma onda de vergonha tomar conta dela. Sua respiração ficou mais ofegante, e suas pernas tremeram.
Mal sabia ela... mas... no provador ao lado, uma pessoa mantinha o punho fechado, apertando-o com tanta força que seus ossos queriam se partir. Os cochichos vindos do lado da parede deixaram Alissa cada vez mais furiosa.
"TÁ GOSTANDO DESSE MENINO?!" pensava, se segurando com toda a força para não explodir de raiva.
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