Volume 1 – Arco 2
Capítulo 45: Escada Rolante
Assim que passaram pelas portas do shopping, sentindo o ar gelado do ar-condicionado, Nathaly soltou um suspiro de alívio. Sua testa, úmida de suor, denunciava o calor do lado de fora.
Os gêmeos, claramente percebendo seu estado, a encararam. Não querendo preocupá-los, a jovem reagiu de forma abrupta e afobada:
— Não, não, não, não! Tô legal, tô legal.
Nino arqueou uma sobrancelha.
— Seria melhor comprar roupas leves, não? Andar todo dia com isso deve ser muito ruim — comentou, vendo-a tentar negar o inegável, estando ensopada de suor.
— E-eu tenho roupas! Só... não uso quando saio.
— E com "roupas", você quer dizer cobertores?
Nathaly semicerrou os olhos, indiferente à provocação.
— ...Tá. Vejo algo pra mim lá. Vamos. — E saiu andando em direção às escadas rolantes.
Os gêmeos a seguiram, mas, assim que se aproximaram, pararam, analisando o equipamento.
— Isso não se movia nas fotos... — ponderou Nino, observando os degraus subindo.
— Óbvio que não, né, seu animal. Foto é parada.
O menino lançou um olhar irritado para Nina e cruzou os braços.
— Vai lá então e me mostra como se usa.
— Tsi. Veja e aprenda, seu burro.
Enquanto discutiam, Nathaly já estava na metade da escada rolante, seguindo sem problemas. Os dois, no entanto, continuavam parados, observando.
"Deve ser só pisar, não tem segredo." pensou Nina. Avançou, confiante, e, antes de pisar, lançou um olhar de superioridade para Nino. — Aprenda, bobão.
Assim que pisou com os dois pés no degrau em movimento, sentiu o corpo puxar para trás. Seus olhos se arregalaram quando percebeu que estava perdendo o equilíbrio. Num reflexo rápido, jogou os braços para cima, caiu para trás e apoiou as mãos no chão, terminando a manobra em pé.
Ficou parada por um momento, encarando os degraus se movendo.
Nathaly, que já havia chegado ao segundo piso, olhou ao redor, estranhando a demora.
— Ué, cadê eles?
Curiosa, se aproximou da proteção de vidro e olhou para baixo, encontrando os dois… ainda lá.
— O que tão fazendo? — sussurrou para si, segurando o corrimão.
Lá embaixo, Nino cruzou os braços e balançou a cabeça.
— Humm... cadê? — Colocou a mão sobre os olhos, fingindo procurar algo. — Cadê a inteligentona que ia me ensinar como usar isso?
A Primordial estreitou os olhos.
— E você, por acaso, sabe usar?
— Tsah, óbvio, querida — zombou, soltando uma risada irônica e fazendo um gesto despreocupado com a mão.
— Me mostra então. — Nina cruzou os braços, encarando-o com desdém, em mais uma disputa de quem era o melhor. "Nem fodendo que ele sabe usar isso."
Nino se aproximou da escada rolante e, antes de pisar, lançou para Nina um olhar debochado e jogou a cabeça para o outro lado, um gesto de indiferença e repulsa para com ela. Nina assumiu um semblante de tédio, um olhar semicerrado misturando raiva e vontade de quebrá-lo na porrada.
Mas Nino... também não sabia como usar aquilo.
Colocou o primeiro pé, confiante, mas, assim que ergueu o outro... perdeu o equilíbrio.
— Ahg...
Seu pé esquerdo ficou no chão enquanto o direito subia sozinho. Tentou corrigir, mas foi tarde demais. As escadas rolantes não esperavam. Seu corpo foi forçado a fazer uma abertura de pernas absurda, enquanto continuava subindo.
Por trás da confusão momentânea, rapidamente reprimiu qualquer expressão de desespero, assumindo um semblante despreocupado e mordendo os lábios num deboche. Lançou um olhar casual para trás, vendo Nina ficando cada vez mais distante — e claramente irritada.
— Ganhei — sussurrou, apenas para provocar.
Sabia que ela não ouviria, mas a menina leu perfeitamente nos lábios dele.
"Ganhou o caralho. Nem sabe o que tá fazendo!" respondeu ela, olhando-o manter aquela feição despreocupada, um deboche forçadamente irritante.
Apesar da pose de vitorioso... o pânico crescia.
"Como para isso??!" Por trás do deboche, o desespero começou a se instalar. "COMO EU SAIO DISSO?!" Moveu a cabeça para frente, fingindo que tudo estava sob controle enquanto caçava uma solução. Foi então que viu Nathaly pelo vidro da escada. — Nathaly! Nathaly! Como eu saio disso?! — sussurrou, quase aos prantos, mas disfarçando o máximo que podia, para que sua irmã não escutasse.
— Hum? — Franziu a testa. — Não sab...
— EEIIHAHAAH!
Nino soltou uma risada alta e artificial, arregalando os olhos enquanto discretamente sinalizava para Nathaly olhar para trás. Quando ela fez isso, viu Nina parada no início da escada, de braços cruzados e olhos semicerrados, julgando toda a cena... desconfiada do que poderia estar acontecendo.
— Me ajuda... não sei usar isso...
Seus sussurros foram ouvidos. Mas não apenas por Nathaly.
— Declaro um empate — Nina surgiu ao lado dela, do nada.
— AAH! — Nathaly deu um pequeno salto, assustada.
— NÃO VALE! VOCÊ NÃO USOU ESSE NEGÓCIO! — berrou Nino, ainda com a perna escancarada num ângulo que desafiava todas as leis da física. Segurando-se com o pé no degrau em um ângulo impossível sem quebrar nenhum osso.
Nina, impassível, apenas manteve os braços cruzados.
— Você é burro? Eu disse empate, não que venci.
"Verdade..." Nino estreitou os olhos em desconfiança. — Perguntei? — rebateu, sarcástico.
Como resposta, Nina, sem paciência, apenas deu as costas e saiu andando.
— Ei! Ei! Me ajuda!
— Se vira.
O deixaria se virar sozinho, para morrer esmagado ao prender o pé por baixo no final do aparelho. A escada cada vez mais próxima do topo, mas Nathaly foi até ele, estendendo a mão.
— Segura!
Pa!
Suas palmas se juntaram, e Nathaly o puxou para cima no último segundo antes da tragédia.
Nino suspirou aliviado.
— Ufa... obrigado por salvar minha vida! — Sorriu para Nathaly... mas logo seu semblante mudou para puro ódio. — Já que aquela infeliz claramente não se importaria se eu morresse! — Seu rugido ecoou, mas Nina apenas deu de ombros sem sequer olhar para trás.
— De nada... — Nathaly sorriu.
— Tá cansada?
— O-oi?
— Sentindo calor, cansaço... Fala a verdade. Odeio mentiras — disse com um semblante mais sério, o que fez Nathaly sentir uma forte atração e, ao mesmo tempo, uma imposição de que deveria cumprir com o pedido, acatar como uma ordem sem desvios.
Desviou o olhar por um segundo, não queria gaguejar em um momento como esse e suspirou, relaxando o corpo do calor dentro daquela roupa.
— Um pouquinho... As sombras dos prédios correram da gente na vinda — brincou, soltando uma risada leve.
— Tá.
Nino, do nada, segurou Nathaly pela cintura, fazendo com que a menina ficasse vermelha como um tomate.
— UuU-u-o-o quê?! — ela quase gritou, totalmente surpresa com o gesto.
Sem hesitar, o menino a ergueu como se fosse uma boneca, colocando-a sentada em seu pescoço, com as pernas caindo para frente sobre seus ombros. A segurava com firmeza, ao mesmo tempo cuidadosa, e começou a caminhar em direção à loja de roupas onde Nina já chegava.
— Como agradecimento por me salvar, vou te carregar o dia todo pra você descansar — disse com um sorriso tranquilo, olhando para cima, sua cabeça para trás, tocando no corpo dela, sentindo o calor do corpo da menina sobre o seu.
Nathaly, ainda envergonhada, não conseguia esconder sua reação, os olhos fixos em Nino e o rosto avermelhado.
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