Volume 1 – Arco 2
Capítulo 44: Pombo
O desvio de olhar de Nathaly, mesmo que tenha sido extremamente rápido, fez com que os gêmeos seguissem sua linha de visão. Mas tudo o que encontraram foi a pequena fresta na cortina, por onde a luz do sol entrava. No fundo, o topo de um prédio mais baixo era visível.
"Ela viu algo ali?" pensou Nino, estreitando os olhos.
"O que foi isso?" refletiu Nina, atenta à expressão ligeiramente hesitante de Nathaly.
Vrr, vrr...
— Ahrr... — Alissa resmungou baixinho, quase como um rosnado, sentindo seu celular vibrar no bolso de seu short. Ao pegar o aparelho em mãos, percebeu quem estava ligando pela foto, já que o contato nunca havia sido registrado no celular.
Atendeu de má vontade:
— O que você quer?
No canto do box do banheiro, falando baixo para que ninguém o ouvisse, Louis respondeu:
— Surgiu uma possível Ruína lá em Pernambuco. Consegue ir l...
— Tô ocupada, tchau.
— Não, não, não! Não desliga! — A afobação na voz dele fez com que falasse um pouco alto demais.
Alissa suspirou, revirando os olhos.
— Fala logo. O que você quer?
— Pessoas estão feridas, morr...
— Resolva. Eu já disse, estou ocupada. Não é uma Calamidade, não encha o meu saco — respondeu, grosseria evidente, e, sem esperar mais, desligou, guardando o celular de volta no bolso.
Louis olhou para o celular meio cabisbaixo, vendo a conversa cheia de mensagens de dias e dias sobre o surgimento de anomalias que Alissa simplesmente ignorava... Mas o momento foi exato para que um problema maior não surgisse.
Crash... Pan-pan-pan!
Batidas violentas ecoaram pela porta do banheiro.
— Por que essa porta tá trancada?! — gritou Katherine, impaciente.
Flrrhhush!
Louis deu descarga para disfarçar.
— Já vai, calma!
Destrancou a porta, e assim que abriu, deu de cara com Katherine. Seu rosto tomava um misto de raiva e desespero.
— Você dis...
— Surgiu uma Ruína lá em Pernambuco. Vai se trocar! Precisamos ir!
Vendo a urgência no olhar dele, o fogo no rosto da moça se apagou instantaneamente. A exterminadora abaixou a cabeça, mudando completamente de atitude, e acatou o pedido:
— Ok. Cinco minutos no máximo.
Saiu apressada para se trocar. Louis a observou desaparecer pelo corredor e soltou um longo suspiro:
— Aarff...
Estava aliviado. Mas também exausto.
Os gêmeos voltaram o olhar para Nathaly, vendo-a meio sem jeito.
— Você viu algo ali?
A menina hesitou por um segundo.
— Um pombo passou e eu me assustei.
— ...
— ...
— ...
— Você se assustou com um pombo?
— Você não estava co...
ROOOOMNM!
O ronco de fome veio tão forte que o silêncio foi imediato.
— ...
— ...
— ...
Nathaly pigarreou.
— É... Querem comer fora?
— Onde? — perguntou Nina, empolgada.
— Pensei em um piquenique! Podemos passar no shopping aqui perto, comprar coisas pra sanduíches, e aproveito pra ensinar na prática como usar o cartão que eu falei.
— Pode ser.
— Qual dos dois que tem aqui perto? — perguntou Nina.
...Nem percebeu o erro. Mas Nathaly percebeu.
A jovem assumiu um olhar semicerrado, demonstrando sua desconfiança, mas os dois nem chegaram a ver. Nino, no entanto, comentou por cima da pergunta da irmã, um segundo após ela parar de falar:
— O da esquina, na Avenida Antártica. Fica mais perto de uma praça — disse casualmente. Depois, virou-se para Nathaly. — Ou prefere fazer o piquenique em algum lugar mais urbano?
O silêncio pairou por um momento.
— ...Vocês realmente memorizaram o mapa?
Os dois paralisaram...
Suas cabeças começaram a se virar lentamente uma para a outra.
Nathaly, sem paciência, estreitou ainda mais os olhos e esticou os braços para baixo, claramente irritada.
— Parem com isso!
— ...
— ...
— Vocês vão assim?
— Não temos outras roupas...
— Ah... Vamos passar em uma loja de roupas lá, então, e voc...
— Fica no segundo piso — Nino respondeu automaticamente, cortando-a no meio da frase.
Nathaly parou por um instante, semicerrando os olhos, fazendo beicinho, visivelmente irritada. Nina, por sua vez, apenas lançou um olhar desinteressado para o irmão.
"ANIMAL! FICA CALADO UM POUCO, BURRO!"
— Haarrff! — a jovem bufou alto, virando-se para a porta do apartamento. — Vamos então. Não precisam levar o cartão, eu pago as coisas.
— Não, ma...
— Não precisa levar. — Se virou de novo, cruzando os braços. — Eu não uso o cartão da escola, minha mãe fez um pra mim e deposita muito dinheiro. Muito, muito mesmo. Então relaxem, eu pago tudo. Vamos... Me guiem... já que SABEEEMM tão bem o caminho...
Seu tom de provocação veio acompanhado de um olhar fino, fazendo um beicinho que realçava sua cicatriz.
— Quer ir trocar de roupa? — perguntou Nino, olhando-a enquanto ele e Nina começavam a caminhar.
— P-por quê?! "E-Estou muito feia?" pensou, sentindo uma onda de insegurança crescer.
— Andar no sol com essa roupa não vai ser ruim?
— ...O shopping tem ar-condicionado, e a praça é perto... A-acho que é tranquilo.
Nino passou por ela sem olhá-la, seguindo direto para a porta, com Nina logo atrás.
Diferente dele, a garota deu uma olhada em Nathaly enquanto escutava as palavras que o irmão soltou casualmente:
— Tudo bem, vamos então. — Suas mãos estavam nos bolsos, sua expressão despreocupada.
— M-Mas se eu estiver feia, posso ir trocar! — A ansiedade fez a menina soltar um leve grito, sentindo a pressão do momento a obrigar a oferecer uma alternativa.
Os gêmeos pararam e se viraram para ela.
— Não precisa, só irmos pela sombra — disse Nino, um leve sorriso nos lábios.
Então, sem dizer mais nada, se virou e saiu para o corredor.
— A última que sair, apaga a luz e fecha a porta.
"O que eu vou fazer se ela gosta dele?" Nina se perguntava, absorvendo cada nuance da forma como Nathaly reagia a Nino. Seu rosto permaneceu neutro, mas seu sorriso era levemente enigmático.
Antes de sair, Plu! apagou as luzes e, com um olhar rápido, lançou uma piscada sorridente para Nathaly.
A garota sorriu em resposta, um sorriso genuíno... Mas Nina já havia saído rápido demais para notar.
Prac...
Assim que Nathaly fechou a porta e olhou para o corredor, os gêmeos haviam sumido.
Mas um dos elevadores estava aberto.
"Devem estar lá!"
Caminhou até ele e, ao entrar, encontrou os dois parados um ao lado do outro, esperando por ela.
Nino, tranquilo como sempre o viu desde o dia de ontem, mantinha as mãos nos bolsos. Nina, por outro lado, ainda carregava um leve sorriso gentil no rosto.
Sentindo-se um pouco deslocada, Nathaly se posicionou entre eles, de frente para a porta e de costas para eles.
O elevador se fechou e começou a descer.
Pouco tempo depois, os três já haviam saído do condomínio pela entrada do Bloco Um, na Rua Airosa Galvão.
Os gêmeos olharam em volta, absorvendo cada detalhe.
Mesmo que já soubessem exatamente como era aquela rua, cada prédio, cada esquina do Brasil... pisar ali, sentir o vento, o calor do sol no rosto, ouvir os sons da cidade ao vivo...
Era completamente diferente.
"Vamos ver se sabem mesmo!" Com esse pensamento, Nathaly observou os gêmeos analisando o ambiente ao redor e decidiu fazer uma pequena prova silenciosa. Sem dizer nada, começou a caminhar pela rua, descendo para a esquerda.
Quando os gêmeos perceberam...
"Tá indo pra onde, doido?" Nino pensou, seu olhar assumindo um tom tedioso, mais próximo do seu comum. Ainda assim, manteve a tranquilidade enquanto sentia o vento e o ar poluído batendo contra sua roupa.
— Nathaly!
"Não perceb..." Ao ouvir o chamado de Nina, a garota se virou, respondendo com falsa inocência: — Oi?! Não vão vir?
— ...É pra lá — sussurrou, apontando discretamente para o outro lado.
"Não consigo acreditar... Não mesmo." — O que vão querer comer? — perguntou, voltando para o caminho correto enquanto os dois finalmente começavam a acompanhá-la.
— Você não disse sanduíche? — questionou Nino.
— Sim, mas se quiserem outra coisa, é só pedir.
— Naaah, tanto faz. Só quero que você prepare. Tô com muita fome — respondeu Nino, olhando para frente, sem muita atenção na conversa.
Diferente dele, Nathaly o observava de soslaio, encarando o perfil do Primordial.
— Tá bom! Vou fazer sanduíches no piquenique. Tem algo que vocês não comem?
— Não.
— Não.
— ...Nada?! Alface, tomate, verdura, vegetal, nada? Comem de tudo?
— ...Não seria melhor algo mais fácil? Vai precisar de uma faca pra cortar tudo isso — ponderou Nino.
— Lá vende essas coisas já picadas, aí é só juntar.
Por um instante, Nino desviou o olhar para ela, fazendo-a sentir um leve desconforto.
"Não tinha essas informações..." — Não sabia disso. — Voltou a encarar a frente, pensativo. "Na real, só sei das lojas… tudo que tem dentro, eu não faço ideia." — Vai preparar pra gente então?
— Sim! Mas antes, vamos comprar roupas pra vocês. Melhor do que ficar carregando sacolas com comida por aí.
— Roupa não é muito caro não? — perguntou Nina, curvando levemente o corpo para a frente para enxergar Nathaly do outro lado de Nino, à esquerda.
Nathaly fez o mesmo movimento, inclinando-se levemente para responder, enquanto mantinha o passo:
— Não, tá tudo bem, relaxa! — Finalizou com um sorriso de olhos fechados.
Nina piscou duas vezes e endireitou o corpo, meio frustrada.
"Ok..."
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