Dançando com a Morte Brasileira

Autor(a): Dênis Vasconcelos


Volume 1 – Arco 2

Capítulo 42: Significado Oculto

Nino retirou os dedos de Nathaly com um gesto suave, mantendo um semblante tranquilo, sem grandes preocupações. Mas, em meio ao silêncio, uma dúvida pairava, e ele decidiu buscar uma confirmação com uma pergunta sutil:

— Veio ficar com a gente hoje?

Nathaly, meio hesitante, respondeu com um tom baixo:

— S-sim... Vocês disseram ontem que eu podia ficar...

— Por que não bateu antes? — perguntou Nino de forma descontraída, mas com um leve toque de curiosidade.

— Quando subi as escadas, vi um agente da ADEDA na porta de vocês. Fiquei escondida esperando ele sair. Quando ele foi embora, depois que o elevador dele fechou, eu vim.

Nino franziu a testa, a pergunta mais séria agora. Ainda queria uma certeza, uma pequena confirmação:

— Como ele estava?

— C-como assim?

— Estava sorrindo... preocupado, nervoso... Estava como? Escutou ele falar algo?

Nathaly piscou duas vezes, tentando juntar as lembranças do que viu. Ficou um tempo em silêncio antes de responder:

— Ah... sim. Saiu sorrindo, dizendo que precisava parar de beber café enquanto assistia a filme de terror à noite.

Nino e Nina se entreolharam, piscando duas vezes em sincronia, e então ambos tombaram a cabeça para a direita, deixando Nathaly sem entender o que estava acontecendo.

— Eeehh...?

"Filme? Terror?"

"O que é filme...?" Com um pingo de lucidez, enquanto seus olhos curiosos olhavam Nathaly, vendo-a meio desconcertada, Nina endireitou o corpo primeiro. "Vou perguntar pri..."

— O que é filme?

A Primordial virou seu rosto lentamente na direção de seu irmão, seu semblante era a representação mais certeira do que era um "filme de terror".

— Filme, éé... — Nathaly abaixou a cabeça, tentando achar uma explicação simples, mas que fizesse sentido. "Como explico isso? Nunca fui ao cinema, não sei como dar uma referência... Aah!" — Já assistiram televisão?

— J...

— Já! — Nina cortou Nino, que a olhou de lado, sem entender o pequeno grito de resposta dela.

— Ééé... Nunca viu passar um filme na televisão?

— N...

— Não!

— E novela?

— J...

— Já!

— ...Filme é tipo uma novela, mas muito mais curto. Novelas são passadas em vários dias, episódios e coisas assim. Filmes são de duas a três horas, no máximo.

— Ah... Ata, que legal!

Nino olhou para Nina novamente, uma expressão de confusão no rosto.

"Isso é o agir como um humano?"

— O que aquele agente queria?

Nina ficou um momento pensativa, a dúvida ainda se instaurando em sua mente.

"O que eu fa..."

— Entra aí, vou mostrar — disse Nino, com um sorriso tranquilo, dando passagem para Nathaly, tentando esconder sua preocupação se dissipando sobre deixar viver ou não o agente que os visitaram.

Nathaly hesitou um pouco, corando levemente, mas finalmente deu o primeiro passo para entrar.

— Tá bom...

Ao entrar, se direcionou para a bancada, observando as coisas espalhadas por ali. Nino deu um passo para dentro do apartamento também, enquanto Nina empurrava a porta. No momento em que ela a fechou, Prac! Bam! o som da tranca abafou o som do chute que Nina deu na canela do irmão.

O menino ergueu a perna com um pulo desajeitado, começando a dar pulinhos rápidos, com a dor visível no rosto.

— Cê é retardada?! — Nino gritou em um murmúrio, lançando um olhar irritado para ela.

— Cal...!

Nathaly chegou até os objetos na bancada. Quando tocou na caixa de um dos celulares, entendeu:

— Ele veio... — Começou a virar o rosto para os gêmeos, mas, assim que os encarou, ambos estavam com expressões normais, aproximando-se dela como se nada tivesse acontecido.

No entanto, internamente:

"Cala a boca, inferno!"

"Menina esquisita do cacete!"

— ...entregar seus celulares — terminou a menina, piscando duas vezes com os dois chegando.

Como o ferimento não era contínuo, a dor da canelada passou rapidamente e ele decidiu, por ora, deixar para lá o segundo ataque surpresa do dia. Mas...

"Vai tomar só uma... Deixa essa menina sair de perto, que eu te meto uma bicuda, sua retardada..." Nino lançou um olhar rápido para Nina, quando a ofendeu em pensamentos, e o olhar foi um golpe mais cruel do que a vingança que preparava.

"Isso... Isso... Não, não foi isso não..." O estômago de Nina revirou. A sensação foi tão forte que chegou a gelar seus dedos. Por um instante, acreditou que aquele olhar carregava um significado oculto...

Que Nino sabia que ela gostava de Nathaly. 

O olhar quase falava por si, todas essas palavras e que, ainda assim, mesmo sabendo de tudo, ainda ia ficar com a garota para si.

Nino simplesmente se voltou para Nathaly e perguntou:

— O que é um celular? — o que fomentou ainda mais a mente de Nina.

"É só uma pergunta... Não é como se estivesse se atirando pra cima dela..." refletiu, tentando se manter controlada.

— Nunca tiveram um? — a jovem perguntou, confusa.

— Não.

— Não. Além disso aí, deixou um cartão pra nós dois — disse Nina.

Nathaly olhou para ela antes de responder:

— Hum... Talvez a explicação dele tenha sido ruim. Mas o cartão é para comprar comida e coisas do dia a dia. Vou ensinar como usar mais tarde... Se quiserem, é claro... Eee... Todo mês, a ADEDA deposita um valor nele, para que possamos ter uma vida tranquila enquanto estudamos.

Nina abaixou a cabeça, pensativa.

— Depositar um valor no cartão... — murmurou. — Tem dinheiro dentro dele?

— Olha... Meeeio que isso — respondeu, hesitante, deixando a dúvida no ar.

A resposta incerta causou ainda mais dúvidas.

— Esse "meio que isso" é um sim ou um não? — Nino perguntou. — O cartão funciona como dinheiro? É isso que quis dizer?

Nathaly o encarou por um momento antes de responder:

— Isso, funciona como dinheiro!

— E o tal do celular?

— O celular é trocado todo ano. A ADEDA cria um novo modelo, melhor a cada ano, e troca o celular de todos os alunos. Ele já vem logado com suas informações, e a senha para desbloquear é o seu CPF.

— Que isso?

Nathaly ficou um tempo em silêncio, apenas olhando para os dois.

"Moravam numa caverna?" — Estão com suas identidades?

— Isso aqui? — Nina mostrou o papel plastificado com sua foto.

— Isso. Liga o celular e coloca o número que aparece depois da sigla "CPF" no documento, quando pedirem na tela.

— Uhum.

Enquanto os dois seguiam as instruções, Nathaly foi explicando algumas funções do aparelho, mostrando o próprio celular como exemplo.

— O celular tem tudo. Dá para conversar com alguém do outro lado do mundo, ver vídeos, aprender coisas, estudar, jogar uns joguinhos, infinitas opções de coisas para fazer.

— Como assim? — Nina ergueu o olhar, curiosa.

Nathaly abriu o aplicativo de vídeos e o mesmo iniciou na aba de vídeos curtos. O som não estava ligado, mas quando virou o celular para os dois verem o gatinho do vídeo que apareceu, aumentou o volume, tirando do mudo:

"Miau!"

— Aqu...

O miado gerou uma reação abrupta de susto nos dois. Seus joelhos deram uma dobrada sincronizada, junto de suas cabeças dando uma recuada mínima e instantânea, voltando para o lugar logo em seguida.

A reação foi tão inesperada que Nathaly levou um susto e ficou completamente sem palavras.

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