Volume 1 – Arco 2
Capítulo 39: Foto 3x4
Toc, toc, toc...
O som de batidas na porta ecoou pelo apartamento, despertando os gêmeos naquela manhã.
Deitados no quarto, os rostos próximos, dividindo a respiração tranquila e o calor sob as cobertas, abriram os olhos devagar, ainda sonolentos. Os olhares se encontraram brevemente, piscando em sincronia, tentando entender se realmente tinham ouvido algo ou se ainda estavam sonhando.
Toc, toc, toc...
O som se repetiu, firme, vindo da porta da frente.
— Hãm...? — murmurou Nino, a voz rouca pelo sono.
— Hm? — Nina respondeu no mesmo tom, franzindo a testa.
Ainda encolhidos sob os lençóis, olharam para a porta do quarto. Por um momento, imaginaram que Marta entraria para acordá-los. Mas o que realmente os despertou foi a brisa fria da manhã, deslizando pela sacada aberta e fazendo as cortinas balançarem suavemente.
Seus olhares se voltaram para o lado, observando a paisagem iluminada pelo sol nascente. O céu exibia tons dourados e azulados, e o vento fresco acariciava seus rostos, despertando-os por completo.
— Será que é a gar — Nino começou a perguntar, ainda com a voz preguiçosa, e Nina, agora bem desperta, virou-se para ele num movimento ágil, seus olhos ganhando um brilho de alerta — ota que tá batendo na porta?
Ao ver a reação da irmã, virou o rosto para olhá-la.
— Hãm?
— Vamo lá! — disse ela, saindo rapidamente da cama. Ainda vestia seu short e sua blusa comprida preta, surrada pelo tempo, mas, entre usar suas únicas roupas pretas e usar as brancas fornecidas pelo apartamento, preferia sua cor favorita, assim como seu irmão.
Nino, por outro lado, ainda se espreguiçava, hesitando em se levantar. Mas não teve escolha. Nina agarrou seu pulso e o puxou.
Tan-tan-tan-tan...
Fez com que ele tropeçasse para fora da cama, obrigando-o a acompanhar o passo, todo desengonçado, se não quisesse ser arrastado até a porta de entrada.
— Argh! Pra que isso?! — reclamou, tentando soltar o braço enquanto tropeçava atrás dela.
Agora de pé na entrada, desprendeu-se da irmã com um movimento brusco e coçou os olhos, ainda grogue. Nina, impaciente, com um leve sorriso, não perdeu tempo e girou a maçaneta, Prac... destravando a porta.
Mas seu sorriso logo se desfez.
Em vez de Nathaly, como esperava, um homem alto e bem-vestido, de terno impecável e postura formal, encontrava-se parado à sua frente. Seu semblante era sério, mas não hostil. Tinha pele negra e olhos verdes marcantes, avaliando os gêmeos com atenção, tendo de referência apenas relatórios escritos.
O brilho de animação de Nina sumiu no mesmo instante, dando lugar a um olhar tedioso.
Nino olhou para o homem; seu semblante demonstrava desdém pela raça à sua frente e desinteresse sobre a razão da visita. Mas, sabendo que teriam que viver um teatro bem ensaiado, desde manipular até manter o sangue de seus corpos sempre vermelho, apenas fez o mínimo, quebrando o silêncio:
— Algum problema?
O homem, tranquilo à porta, manteve a compostura e respondeu com um tom calmo e respeitoso:
— Bom dia, jovens. Desculpem pelo horário. Imagino que gostariam de dormir mais um pouco, mas estou aqui para passar algumas informações importantes sobre a escola, os horários e também sobre sua moradia.
Nina e Nino trocaram um olhar tedioso, sem nenhuma palavra. Não precisavam para entender a preguiça que o outro sentia naquele instante. Em outro momento, voltaram os rostos para o homem.
Nino saiu andando para dentro do apartamento, enquanto Nina suspirou e abriu mais a porta, dizendo:
— Pode entrar, só seja breve. — Saiu da porta sem mais nem menos, sem nem olhá-lo, enquanto dizia sua ordem de forma seca. "Queria que fosse ela, não você..." pensou, cabisbaixa, com o rosto de Nathaly estampado em sua mente.
O homem hesitou por um breve momento diante da recepção fria dos gêmeos. Mesmo assim, manteve a postura profissional e entrou no apartamento.
"Forma de falar esquisita... Nem parecem crianças. Credo... Secos e sem paciência assim? Quando chegarem à adolescência, qualquer professor que tiver que lidar com esses dois vai sofrer."
Ainda sentindo um desconforto pela forma abrupta e fria com que foi tratado, o homem entrou no apartamento. Seu olhar vagou pelo ambiente, encontrando Nina sentada em um dos bancos da cozinha, apoiando o rosto sobre a bancada, a expressão oculta pelo cabelo.
Já Nino, afundado no sofá, controlava a televisão recém-ligada, sem dar qualquer atenção ao visitante.
— Com licença — murmurou o homem, fechando a porta atrás de si.
— Não feche — a voz de Nino cortou o silêncio.
— O quê? — O homem parou o movimento, olhando para os dois mais uma vez, vendo que continuavam da mesma forma.
— Não feche — repetiu, ainda sem olhá-lo, sua voz carregada de frieza. — Não ouviu a ordem da minha irmã?
O agente ficou imóvel por um instante, um arrepio desconcertante formigando sob o peito.
"Essas crianças... Tudo bem, mataram uma Ruína, mas se são tão assustadoras assim... Não quero nunca ser mandado para um trabalho que seja próximo de um lugar onde a exterminadora Alissa esteja..."
Respirou fundo, tentando afastar aquela sensação incômoda.
— Seja breve. Deixe a porta aberta, faça seu trabalho e suma — completou Nino, sem demonstrar emoção.
O agente soltou a maçaneta devagar, mantendo a porta entreaberta. Suas mãos levemente trêmulas quando voltou a se mover, segurando a maleta robusta que trazia consigo.
— Harf... — suspirou, tentando conter a ansiedade que lhe esmagava o peito. — Meu nome é...
Antes que pudesse terminar, Nina ergueu a cabeça da bancada, e o movimento, mesmo sem nem ao menos olhá-lo, fez o homem parar de falar. Seu rosto suava frio, seus movimentos enrijeceram ao lembrar dos detalhes do que restou da anomalia Ruína, da brutalidade com que fora exterminada.
Nina, em seguida, direcionou o olhar para ele. O peso do tédio forçava sua cabeça para baixo até então. Seus olhos roxos enxergaram o homem gritando em tortura, sendo queimado e dilacerado em um inferno roxo e preto, produzindo os sons mais excitantes do universo. Mas ela piscou, e a realidade voltou, vendo apenas o agente paralisado com receio dos dois.
Suava frio, a mandíbula tensionada.
Um silêncio gritante se instalou, sendo quebrado apenas pelo zumbido bem baixo vindo do comercial que passava na televisão. Entretanto, Nino, incomodado com a demora após uma pausa repentina e inesperada, virou um pouco o rosto em direção ao homem, que encarava Nina sem saber como reagir.
Sua voz carregada de irritação contida:
— Terei que desenhar a ordem para que entenda?
Saindo da prisão em que se via enjaulado, o agente engoliu em seco e, forçando-se a agir, caminhou até a bancada, colocando a maleta sobre a superfície.
— Louis me enviou para criar suas identidades e informá-los sobre algumas questões que, possivelmente, seu professor não mencionou — disse, começando a preparar os itens dentro da maleta. A câmera fotográfica já posicionada, enquanto o homem manuseava a tinta para as digitais.
— Que tipo de questões? — perguntou Nina, sua voz arranhando os ouvidos do homem como unhas afiadas deslizando sobre um quadro de giz.
Vendo-se em um jogo onde a demora de uma resposta poderia custar-lhe caro, respondeu de forma automática e afobada:
— O horário da escola! Agora são dez e pouca...
"Dez horas? Dormimos tanto assim?" Nina piscou, incrédula. Sempre despertavam cedo, quase junto com o nascer do sol.
"Essa cama é um perigo..." pensou Nino, os olhos fechados, sentindo o abraço confortável do colchão. Entendia bem o que os fizera dormir tanto.
— Imagino que não estão acostumados a acordar nesse horário, mas as aulas começam às seis da manhã. Pode variar... às vezes sete, oito, nove, até dez... depende do professor, do dia ou até da preguiça dele. Mas, no geral, sempre às seis, porque assim liberam mais cedo, no horário padrão, que é no almoço, por volta das 13h. No entanto, ultimamente, as aulas têm se estendido até as 15h. Peço encarecidamente que se adequem a isso.
Os gêmeos não responderam, apenas o observaram em silêncio enquanto ele retirava alguns documentos da maleta e os dispunha sobre a bancada. Identidades sem foto, apenas com CPF, alistamento na ADEDA e um espaço vazio para assinatura. Logo encontrou o que buscava: dois cartões.
— Sabem usar cartão de crédito? — perguntou, erguendo-os. Eram azul-escuro, com a sigla ADEDA reluzindo sob a luz no acabamento liso e brilhante.
Os gêmeos tombaram a cabeça para a direita, observando os cartões com curiosidade.
O homem piscou, sem entender nada.
"O que é isso agora?"
Vendo os dois encarando-o daquele jeito, com os olhos bem abertos e a cabeça tombada de maneira idêntica, sentiu um estranho contraste entre fofura e desconforto. Uma inocência desconcertante.
— Gulp... Vo-vocês nunca viram um cartão antes?
— ...
— ...
Nenhuma resposta. Apenas os olhares atentos, analisando o objeto em suas mãos.
Desistindo, simplesmente colocou os cartões sobre a bancada. Os olhos dos gêmeos acompanharam o movimento.
— Vo-vocês... Ééé... Normalmente, é um aluno por apartamento e, portanto, apenas um cartão. Mas, como são irmãos gêmeos, o diretor disponibilizou dois. E, mesmo que ainda não sejam exterminadores oficiais, como ele mesmo disse: "Ainda não são", ele depositou um valor extra pelos extermínios que realizaram anos atrás. Não é o pagamento completo que receberiam se fossem oficiais, mas já lhes dá uma liberdade financeira maior, além da reserva mensal para comida.
Os gêmeos continuavam imóveis, cabeças ainda inclinadas.
"...Não entenderam o que eu disse?" — Usei palavras difíceis?
— ...
— ...
Os dois entendiam, mas suas mentes buscavam uma resposta mais simples e, ao mesmo tempo, ela veio. E quando veio, de forma sincronizada, pensaram e voltaram suas cabeças para a posição normal:
"Esse trem funciona como dinheiro."
"Esse trem funciona como dinheiro."
O homem recuou um passo, assustado. O movimento sincronizado o pegou desprevenido.
"Credo... Que pesadelo é esse?!" — Huhum... Vo-voc...
— Entendemos. Continue — Nina o interrompeu.
— Ok!
Com certa pressa, pegou de dentro da maleta um tablet, desbloqueou-o e colocou sobre a bancada, à frente de Nina. Em seguida, virou-se de costas, fechando os olhos para os gêmeos... Entretanto, o suor em seu rosto se intensificou, escorrendo por sua testa.
A sensação de ser observado no escuro, a mesma de quando passava shampoo no banho de olhos fechados, fez com que escancarasse os olhos, quase rasgando a própria pele. Olhava diretamente para a porta entreaberta, os pelos de sua nuca eriçando-se, e o silêncio que vinha de trás de seu corpo o fazia sentir que morreria com o bote de um ser maligno.
Cheio de medo, fechou os olhos por um instante, entregando sua alma ao divino.
"Em nome do Filho, do Pai e do Espírito Santo..." Com a mão direita, fez uma cruz sobre o peito, murmurando a oração em sua mente conturbada por uma sensação sufocante de perigo iminente.
— O que é pra fazer com isso? — A voz de Nina o trouxe de volta.
Abriu os olhos devagar, vendo-a olhar para o tablet com indiferença.
— Criem uma senha de quatro dígitos. Será a senha do cartão de vocês, embora possam usá-lo por aproximação também... — explicou, tentando manter o tom neutro, controlando o pavor que o consumia.
Sem nem trocar olhares com o irmão, Nina digitou rapidamente a data de nascimento deles, a mesma senha da porta do apartamento.
— Pronto.
O agente respirou fundo.
Movendo-se com pressa, fechou o aplicativo, guardou o tablet e pegou a câmera.
"Preciso acabar logo com isso." — Agora preciso tirar uma foto de cada um, apenas do rosto, para colocar na identidade.
Seu olhar varreu o ambiente. Encontrando uma parede branca ao lado, decidiu tirar ali mesmo.
"O fundo tem que ser branco, ótimo."
— Mocinha, poderia ficar de pé naquela parede?
Nina não respondeu, apenas se levantou e caminhou até o local.
O agente logo pegou a câmera, se posicionou e, Tich! tirou a foto, o clique ressoando pela cozinha. Nina manteve o rosto sério, imóvel, que logo foi revelado em 3x4 no pequeno aparelho conectado ao notebook dentro da maleta.
— Nino, vo...
Enquanto verificava a foto na tela da câmera, chamou o irmão. Mas, assim que seu rosto — nos poucos segundos que durou toda a cena — se dirigiu para o sofá, notou que Nino não estava mais lá.
Nina havia surgido de volta no banco da bancada e, no lugar dela, na parede, Nino apareceu, olhando-o com o mesmo olhar vazio e fixo.
O agente sentiu um arrepio, um tremelique em suas pernas medrosas.
"Meu Deus... Que crianças estranhas... Só quero sair daqui logo. Só isso. Apenas isso."
Forçou um sorriso trêmulo, ergueu a câmera e...
Tich!
Registrou a foto de Nino.
— Obr...
Antes mesmo de terminar a frase, baixou os olhos para conferir a imagem.
Quando ergueu o rosto novamente, Nino já havia voltado ao sofá.
Sentado exatamente como antes.
O encarando de lado.
Exatamente como antes.
O ar pesava sobre seus ombros. Sua respiração ficou curta, seus olhos não entendiam o que acontecia ali.
"Tá acabando... Tá acabando... Lucas... Você não está louco. Apenas... relaxe."
Mas era impossível relaxar.
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