Volume 1 – Arco 2
Capítulo 38: Supera
Um pouco mais tarde, quando Alissa já não os stalkeava mais com tanta atenção — ao menos não mais no campus da escola —, um funcionário do governo aguardava os gêmeos para levá-los até o apartamento.
Quando chamaram os dois, e ambos caminharam até o carro, Nathaly ainda estava junto. Com muito esforço, agora mais confiante em si mesma, se aproximou do motorista e, com uma voz que tentava soar firme, perguntou:
— Moço... posso ir junto?
O homem a olhou com uma expressão neutra e, sem hesitar, perguntou:
— Bem... Qual bloco você mora?
— Bloco um, na Rua Airosa Galvão — respondeu Nathaly, a voz mais baixa do que gostaria, mas cheia de determinação.
— Ah, sim, estamos indo para lá. Qual andar você mora?
Nathaly permaneceu em silêncio, o olhar fixo no motorista. Alissa sempre dizia que existiam limites, e muitas coisas só podiam ser ditas para pessoas em quem se confiava profundamente — como sua mãe.
Revelar seu endereço, ainda mais o andar em que morava, a qualquer estranho, mesmo que fosse um agente do governo, não era algo em que confiava.
[ — Há pessoas ruins em todos os lugares... Pessoas que vivem sorrindo, alegres o tempo inteiro... não são pessoas. Em uma pessoa, dentro dela, há vários sentimentos. Mas, se uma pessoa apenas mostra o que lhe convém, há uma máscara ali, e, às vezes, o que há atrás pode ser completamente o oposto do que você pensa — ensinou Alissa, em um dia, enquanto tomava banho de banheira e Nathaly escutava sentada ao lado da porta, no corredor, com vergonha de ver sua mãe se banhando. ]
Sentiu algo estranho na voz, seu medo reagindo aos ensinamentos de sua mãe, deixando-a cautelosa.
O motorista, percebendo que havia feito uma pergunta imprópria para uma pré-adolescente, pediu desculpas imediatamente:
— Desculpe pela pergunta. Foi automático. Pode vir, já vou levá-los até lá mesmo, já aproveita uma carona.
Nathaly deu um pequeno aceno de cabeça e caminhou até o carro preto, abrindo a porta traseira. Os gêmeos observaram sem entender completamente o funcionamento dos carros, mas, quando Nathaly entrou e olhou para fora, Paff-paff... deu dois tapinhas na poltrona, indicando que entrassem.
Nina foi a primeira a entrar, seguida por Nino.
Phuf!
A porta se fechou automaticamente com a gentileza do motorista.
Pouco depois, chegaram ao destino.
O prédio era luxuoso, bem próximo à escola, o que facilitava a vida dos alunos, permitindo que se deslocassem a pé diariamente. Na recepção, o ambiente era elegante, com móveis modernos e um ar de sofisticação. Mesmo sendo gratuito para alunos, a estrutura do lugar impressionava.
Seguiram diretamente para o elevador, e o motorista, enquanto ensinava os gêmeos como usá-lo, foi interrompido por um toque de Nathaly em seus amigos.
— Vou embora... Amanhã eu posso ficar com vocês? — sussurrou baixinho, apenas para os dois escutarem.
Os gêmeos a olharam com olhos curiosos, piscando duas vezes em sincronia, não totalmente compreendendo a situação.
— Sim, claro — respondeu Nina, sorrindo gentilmente. Percebeu que Nathaly parecia desconfortável, mas não questionou.
— Tá, tchau... — disse a menina, saindo rapidamente de cabeça baixa. Não queria que o homem soubesse o andar onde morava, especialmente após a pergunta estranha que fizera.
Entrou no segundo elevador e apertou rapidamente o botão para fechar as portas.
"Preciso saber o andar deles, antes de ir para o meu!" pensou, apressada, tentando manter a calma.
Do lado de fora, os gêmeos ainda estavam um pouco confusos com a situação.
"Que estranho, estava de boa na escola." pensou Nino, mas Nina, com sua percepção aguçada, olhou discretamente para o motorista e sentiu que ele tinha algo a ver com aquilo, embora não soubesse exatamente o que.
— Moço, você conhece ela? — perguntou, com a curiosidade pressentindo algo.
O motorista olhou para ela, sem mudar a expressão, e respondeu com tranquilidade:
— Não. Apenas já a vi com uma exterminadora, indo embora, nada além disso.
— Entendi — murmurou, aceitando a resposta sem mais questionamentos.
O homem então continuou com o seu trabalho:
— Bom. Quando o elevador não estiver no andar, clica aqui e o espera. Quando a porta abrir — a porta se abriu — vocês entram, e o andar que sempre vão clicar é este, o sete, o andar de vocês.
— Ok.
— Ok.
Responderam em uníssono.
A porta do elevador se fechou, e o elevador começou a subir, com os dois agora mais familiarizados com o processo.
Enquanto isso, Nathaly havia saído do seu elevador e observava as numerações dos andares à medida que subia, controlando a ansiedade.
— Um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete... oi... O sete!
Rapidamente, correu para a escada e começou a subir o mais rápido possível, o corpo ainda tenso e ágil.
Não demorou muito para chegar ao seu destino. Ao subir tudo, viu os três conversando na frente do apartamento 701.
— Isso, agora você, Nino, coloque a mão nesse escâner.
— Para que isso? — perguntou, enquanto colocava a mão no dispositivo na parede ao lado da porta.
— Para destrancar a porta. No caso, estou configurando para que apenas suas mãos possam fazer isso neste apartamento. Hum... estranho, suas mãos são idênticas, mas... é um pouco esquis...
— O que é isso? — Nina interrompeu, tentando cortar a conversa para evitar qualquer tipo de descoberta que pudesse resultar em sangue humano derramado.
— Ah, isso é uma senha numérica. Uma opção extra para destrancar a porta. — O homem se virou de costas, mas nesse momento Nathaly, escondida na escada e ouvindo atentamente, rapidamente retirou seu rosto do corredor.
"Eu já sei o apartamento. Vão acabar me vendo!" pensou, sentindo um leve pânico. "Não quero que achem que sou estranha!" Decidiu descer as escadas calmamente para evitar qualquer contato.
Precisava voltar para o seu próprio apartamento e se afastar do local sem levantar suspeitas de seu comportamento possivelmente esquisito aos olhos alheios.
Enquanto isso, o homem, que não percebeu a sua presença, continuou a explicar para os gêmeos:
— Podem escolher a senha, são apenas quatro dígitos.
— Uhum — murmurou Nina, antes de olhar para Nino, um olhar que não precisava de palavras. Assim que percebeu a resposta, discou a senha: "06/07". — Pronto, e agora? — perguntou, olhando para o homem ainda de costas.
O motorista se virou para olhá-los novamente.
— Bom, era apenas isso o meu trabalho. Aproveitem seu novo lar — disse, com um sorriso gentil, mas ao notar o olhar impassível dos gêmeos e a frieza com que o encaravam, se desconcertou um pouco, tentando manter sua postura.
"Que isso... Trabalho o dia todo e não recebo nem um obrigado? Credo..." pensou, tentando ignorar o desconforto. Se virou e caminhou até o elevador, mas, antes de entrar, ainda sentia o olhar gélido dos gêmeos nas costas, o que fez a sensação de vazio crescer.
Assim que a porta se fechou, e o homem sumiu, os gêmeos abriram a porta do apartamento, se deparando com a primeira visão do lugar. O ambiente era luxuoso, mas ao mesmo tempo... feio. Não um feio feio de forma feia ou ruim, mas feio de uma forma bem peculiar. Não era preto, mas branco — uma cor que não gostavam muito, embora tivessem ignorado esse fato.
Ao longe, um sofá grande, virado de costas para a porta, inteiramente branco, com uma mesinha de vidro à frente, dava uma sensação de elegância simples. À frente do sofá, uma televisão enorme ocupava a parede, descansando sobre um pequeno rack branco que complementava o tom minimalista da sala.
A decoração era moderna e clean, com tons suaves de branco dominando todo o ambiente, proporcionando uma sensação de espaço e calma.
Olhando para a esquerda, os gêmeos viram uma cozinha americana de tirar o fôlego. A geladeira cinza de duas portas estava atrás de uma bancada elegante, que contava com três bancos altos, criando um ar sofisticado, mas funcional. Tudo era impecavelmente organizado, com utensílios dispostos de forma prática, prontos para serem usados no dia a dia.
O corredor à esquerda — após passar pela cozinha e entrar na área do sofá — dava acesso a duas portas. A primeira abria para um banheiro de mármore, onde uma pia de ônix brilhava quando as luzes se acendiam.
O espelho, um detalhe moderno, tinha um compartimento secreto para guardar itens, mantendo o banheiro organizado e sem desordem.
A segunda porta dava acesso ao quarto que os gêmeos iriam dividir. O quarto era simples, mas igualmente luxuoso, e carregava um toque minimalista. A cama grande no centro do cômodo dominava o espaço, com um criado-mudo de cada lado.
À esquerda, a parede de vidro se abria para uma sacada, com cortinas puxadas para o canto, permitindo que a luz suave do pôr do sol preenchesse o ambiente, criando uma atmosfera tranquila.
Na sacada, pequenas plantas decoravam o espaço, e outras estavam espalhadas por diversos cantos do apartamento, adicionando um toque de frescor e vida. Não havia televisão no quarto, mas a presença do espaço amplo e arejado, junto com o guarda-roupas do tamanho da parede, fazia o quarto ser confortável e prático.
Os gêmeos olharam ao redor, sentindo uma felicidade pura.
Nino, ao ver a geladeira cheia de comida, não conseguiu esconder seu entusiasmo.
— NINAA! — gritou, com os olhos arregalados, empolgado com o que encontrou.
Nina, que explorava o quarto, admirando a vista da sacada, correu até ele, com um sorriso no rosto.
— Acho que fizemos a escolha certa — disse ela, sentindo a excitação crescer.
— VOCÊ ACHA?! — Nino gritou de alegria e, sem pensar duas vezes, Thumpf! abraçou a irmã com força, seu coração batendo rápido com a emoção do momento.
Nina o abraçou de volta, seu rosto no ombro, igual ao dele no seu.
Mas... uma lágrima involuntária desceu, não de felicidade, mas pela realidade de que Marta havia morrido, batendo agora que não se sentiam mais em perigo... em um estado de sobrevivência.
— Eu deveria ter dito que a amava antes de ir dormir naquele dia... — Nino murmurou, a dor transparecendo em sua voz.
Nina apertou-o mais forte, tentando controlar as emoções dele.
— A vovó já sabia o quanto a amávamos... — disse com carinho. Mesmo que fosse uma recaída forte, Nina, mais centrada em controle emocional do que Nino, resolveu mudar o clima para uma brincadeira, e não um funeral adiado. — Mas eu a amava mais.
— Seu rabo!
Nino fez uma careta de desgosto, afastando-se da irmã, olhando-a, vendo o rosto de deboche.
Nina sorriu em resposta.
— Supera, ela me disse que me amava mais que você.
— Mentira!
Ganhando na briga, virou-se para explorar mais do ambiente, indo até a sacada para ver a vista novamente.
— Ai, ai... Como é bom ser a mais amada.
— MENTIROSA! — seu irmão gritou, com a cara emburrada.
Nina, com um sorriso sem vergonha nos lábios, se virou para olhar para ele.
— Tá bravinho por quê então, se é mentira? — provocou, rindo de maneira despreocupada.
— Por que você está mentindo! — resmungou, irritado.
A Primordial apenas virou o rosto, rindo enquanto continuava sua caminhada até a sacada.
— VOLTA AQUI!
— Supeeeeera.
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