Dançando com a Morte Brasileira

Autor(a): Dênis Vasconcelos


Volume 1 – Arco 2

Capítulo 37: Ghosts

— São invisíveis. "Ghosts". Fantasmas. Não existe registro civil dos dois. Não possuem CPF. São... literalmente, ninguém.

— Me dá isso. — Alissa estendeu a mão sem hesitar, e Louis entregou os papéis. — Nino Vasconcelos? — leu, levantando os olhos para ele. — Se não são registrados, de onde tirou esse sobrenome?

— Eu conheci a avó deles, e quando não encontrei o registro dos dois, busquei o da família dela. O nome dela é Marta Vasconcelos Pereira Nunes. Teve apenas uma filha, que, embora esteja no sistema, acredito que... não esteja mais viva.

— Como assim?

— Analisamos a casa superficialmente. Levei alguns funcionários e encontramos três túmulos abaixo de uma jabuticabeira. Não havia identificações, mas dois eram antigos e um recente, com menos de cinco dias.

— Abriram?

— Não. Não quis desrespeitar a cena. Mas acredito que o túmulo recente seja de Marta, e os gêmeos devem ter mentido para mim, dizendo que viviam sozinhos há algum tempo, para não criarem suspeitas... Quando fui até lá... acabei fazendo a avó chorar. Não foi minha intenção, mas aconteceu. Ela tinha muito medo, e pelo que vi, nem mesmo sua filha, Alice, deve ter ido até um hospital para dar à luz.

— Seja mais direto — exigiu, sua voz ainda fria, sem paciência.

Louis se endireitou, ajustando a postura para parecer mais autoritário, condizente com o cargo alto que ocupava no Brasil.

— Eles não existem, e isso é um ponto. Vou mandar amanhã, aproveitando que não terá aula, funcionários até o apartamento que já disponibilizei para resolver tudo: registrar, tirar uma foto, entregar o cartão do governo e criar a identidade deles.

"Cartão? Arh... Nem vou perguntar. Vai falar por horas..." Curiosa, mas também cheia de preguiça, ignorou e deixou Louis continuar.

— Por isso, coloquei apenas o primeiro sobrenome da avó nos nomes. O nome dela é enorme, coitados. Imagina escrever isso toda vez nos relat...

— Pare de fazer piada e seja direto.

Louis engoliu em seco, mas seguiu, agora mais sério:

— ...Na segunda folha, tem dois relatórios de extermínio que eles fizeram.

— Hã? — Alissa passou a folha, dando uma olhada. — Como assim...? Uma Ruína e uma Massacre? — Olhou para Louis com curiosidade.

— É uma longa história... eu poderia passar um bom tempo contando, mas imagino que não queira ouvir.

— Rrrg... — a exterminadora rugiu. — Para de ser otário e respeite minha prima.

— ...O que eu disse demais?

— Se já está cansado, acabe logo com isso. Você mesmo me disse que a principal arma dela já não existe mais. Apenas termine e deixe ela chorar. Uma hora o choro acaba, e será um momento muito feliz para mim quando ela perceber que você é só um merda.

Louis ficou em silêncio momentaneamente, a frustração clara em seu olhar.

— Não sei por que acha isso de mim. Por que me odeia? O que eu fiz?

— Me recuso a acreditar que o ciúme dela seja apenas obsessão. Não me surpreenderia se você realmente nutre sentimentos por mim desde que eu era criança. Ao menos naqueles tempos, você era gente, e não deixava isso claro. Agora, ficar com esse discurso torto, elogiando, tentando mostrar seu interesse... Entenda, eu não ligo para você. Eu sumo com seu corpo em um segundo. Passe dos limites, e eu te mato. Me encha o saco mais uma vez, e eu te deixo aleijado. Arranco suas pernas, quebro suas mãos e boa sorte para conseguir chegar até um hospital.

Louis a encarava, a tensão aumentando junto com as ameaças.

— No mesmo tempo que você odeia ela, e fica nessa fantasia de bom moço, transando com uma garota desde a adolescência, mantendo essa desculpa fajuta de que era para deixá-la viva, eu apenas o deixo vivo, pois não quero ser a razão do sofrimento da minha prima. Depois de reduzir seu corpo a uma bolinha de carne, e quase nenhuma gota de sangue.

— Me perdoe. Eu nã...

— Não quero escutar perdão. Desculpas ou o que for. Apenas responda quando eu perguntar. Faça o que eu mandar e quando eu não me referir a você, fique quieto no seu devido lugar. Não ouse se dirigir a mim se não for um assunto de trabalho. Quer realmente salvar a vida da suicida mirim? Nunca percebeu que sempre foram suas atitudes de merda que a colocaram nesse estado vulnerável? Se fosse de fato homem, diria na cara dela que não a amava desde o primeiro dia. Mas ficou nutrindo desejos e sentimentos falsos. Ela não enxerga essa merda como mentira. Para ela, isso é real, seu desgraçado.

Louis a observava em silêncio.

— Para de ser um moleque. Ou vire homem e diga a verdade, ou ao menos dê a ela a certeza, a confiança de que você de fato a ama. Você perguntou o porquê que te odeio. De fato, além dessa merda que vem fazendo, achando que existe uma chance de eu olhar para você sem ser querendo amassar seu crânio, você não é o culpado, não o principal. Ela que me afastou. Ela quis me deixar. Largou nossa amizade por um amor proibido com o professorzinho sorridente e bonitinho. Fala mansa, olhar doce. Mais o que usava de arma em uma sala de aula?

— Eu não sou isso que está se referindo.

— Também acho que não. Não se preocupe com isso. Vejo em você. Era apenas um rapaz educado. Não havia como saber que sua forma de agir influencia as pessoas, não é verdade?

— Alissa...

— Só fiz uma pergunta, Louis. Eu te odeio. Mesmo que você não tenha culpa, parte dessa culpa tem seu nome. Você a fez ficar assim. Agora, se me der licença, eu gostaria de continuar vendo minha filha. Tenha uma boa tarde, Diretor Louis Cardoso.

Alissa se virou, ainda segurando os papéis, e voltou sua atenção para o pátio. Louis não disse mais nada. Sabia que não havia o que fazer. Apenas assentiu com a cabeça, Clap! e saiu, respeitando a decisão e deixando-a ali, com seus próprios pensamentos.


No corredor, Katherine se escondia, visivelmente irritada. A longa conversa entre os dois a incomodava profundamente, ainda mais pelo fato de não ter escutado nada. Assim que viu Louis desaparecer de vista, correu direto para o escritório dele, sua raiva pulsando a cada passo.

Thoom!

Louis se virou com o barulho, surpreso ao ver Katherine entrar pela porta, já claramente agitada.

— Onde você estava? — Tentou falar de forma calma, tentando não soar agressiva, mas a tensão estava visível em seu rosto.

— Trabalhando. Tinha alguns relatórios para entregar. — A resposta foi curta, mas com o olhar fixo no rosto dela, tentando encontrar uma pista do que havia acontecido.

— Para quem? — perguntou, tentando manter a postura, mas quase cedendo para sua mente doente, querendo chorar por se sentir insuficiente.

"Ela viu. Não adianta inventar algo." Louis pensou, um leve desconforto tomando conta de sua mente. — Para Alissa, alguns documentos refer...

— Por que... Por que está falando tanto com ela? — Katherine deu passos lentos em direção a Louis, sua voz embargada de raiva. — Por que estão sempre tão próximos? O que está acontecendo entre vocês dois?!

Sua raiva ficou impossível de esconder. Não conseguia vocalizar direito sua frustração, mas a dor era evidente em seu rosto. Apenas negou com a cabeça, tentando controlar a vontade de explodir em lágrimas.

Louis sentiu a pressão aumentar, mas tentou se manter calmo.

— Katherine, meu amor... Lembra das crianças de Minas Gerais? — falou mais baixo, buscando acalmá-la.

Sem palavras para expressar o turbilhão de emoções que sentia, Katherine apenas virou o rosto, tentando esconder as lágrimas que começavam a escorrer.

— E-eu as trouxe e as coloquei na sala dela. São gêmeos, e é o garoto que machucou Daniel no duelo. Não estava fazendo nada demais, apenas expliquei sobre eles e entreguei alguns relatórios, eu prometo. O que tem de mais nisso?

Katherine ficou em silêncio, claramente lutando contra o choro que ameaçava tomar conta dela. Com dificuldade, respondeu:

— ...Nada.

As palavras de Louis não a tranquilizaram.

"Por que sempre ela? Por que então não os deixou na minha sala? Precisava ser com ela? Precisava ir até ela?"

Louis, vendo que não teve sucesso algum em sua desculpa, se aproximou e a abraçou, puxando seu rosto para o peito, Mwah... dando-lhe um beijo na cabeça. O som de seus lábios se encontrando com a pele, abaixo do cabelo dela, foi suave, mais um gesto que tentava acalmá-la.

— Não precisa se preocupar. Eu só entreguei alguns papéis. Nunca menti e mentiria para você. Você não acredita em mim? Se eu tivesse algo para esconder, não teria contado que os relatórios eram para ela, certo? — A voz dele era suave, tentando fazer Katherine se sentir segura... embora completamente manipulada.

Katherine, ainda sem conseguir controlar as lágrimas, murmurou com a voz abafada pela blusa dele:

— ...Uhum.

Deixou o choro escorrer, sentindo seu rosto molhado pela tristeza, enquanto era envolvida no abraço do homem que amava... mas que não a amava.

Louis apertou-a ainda mais contra seu peito, tentando confortá-la, mas sentia o peso da situação que a colocou.

— Não precisa chorar, eu te amo... — sussurrou, apoiando o rosto na cabeça dela.

De repente, a pergunta de Katherine o fez parar por um segundo, com os olhos arregalados.

— Você me odeia?! — Sua voz estava carregada de dor e insegurança.

O homem ergueu o rosto e olhou, assustado pela intensidade da pergunta, mas não hesitou em responder:

— Não! Não...! Claro que não.

A abraçou com mais força, tentando acalmar a tempestade dentro dela.

A jovem adulta, ainda insegura, ergueu o olhar, olhando-o e perguntou em um tom hesitante, claramente afetado:

— Eu sou mais bonita que ela?

Louis a olhou por um momento, tentando dar a resposta certa, sem mostrar que a pergunta mexia mais com ele do que queria admitir.

— ...Sem sombra de dúvidas — respondeu, seu tom firme, mas seu sangue... gelado como um réptil.

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