Clube de Gênios Chinesa

Tradução: Pumpkin

Revisão: Pumpkin


Volume 2

Capítulo 102: O Gênio Melancólico

Lin Xian ficou pensando em como poderia descobrir quando e onde o Sr. Adams tinha encontrado pela primeira vez o número 42, ou o conceito da constante universal. Ele acreditava que resolver esse mistério era essencial.

No entanto, o Sr. Adams já tinha morrido em 2001. Confirmar se ele sabia da constante universal 42 agora era impossível. Os mortos não falam…

— Pelo visto, vou ter que explorar o mundo dos sonhos da Nova Cidade de Donghai, procurar o pai do Rosto de Gato Grande, ou encontrar o livro Introdução à Constante Universal para entender de verdade o que significa a constante universal 42… — Lin Xian murmurou.

Ele balançou a cabeça. Essa ida foi quase infrutífera; não conseguiu nada conclusivo.

Mas quando se virou para ir embora…

?

— Ei!

Ao girar, deu de cara com um rosto familiar; um rabo de cavalo alto e fofo, castanho; olhos vivos e brilhantes; os lábios entreabertos, surpresos; e uma pinta de lágrima abaixo do olho esquerdo, como uma assinatura única.

— An Qing… — Lin Xian demorou um instante para reconhecê-la e dizer o nome.

Pff

Chu An Qing cobriu a boca, segurando o riso. Os olhos viraram duas meias-luas, e nas bochechas surgiram duas covinhas adoráveis.

— Lin Xian, quem você achou que eu era?

Ah… — Lin Xian travou por um segundo, percebendo que ela estava brincando.

— Achou que eu era aquela garota por quem você tinha uma quedinha no ensino médio? — Chu An Qing provocou.

— Espera aí. — Lin Xian levantou a mão para interrompê-la. — Até desenhei aquela garota, mas nunca disse que gostava dela. O desenho foi só treino, e eu não tinha nenhuma ligação com ela.

Ele suspirou por dentro. Uma mentira puxa outra. Na verdade, ele tinha desenhado a CC, mas como a CC não era desta época, acabou inventando uma colega fictícia do ensino médio como história de cobertura.

Chu An Qing era idêntica à CC. Sem essa invenção, seria impossível explicar o esboço.

— Então, você veio por causa da exposição de ficção científica também? — Lin Xian mudou de assunto.

— Não. — Chu An Qing balançou a cabeça e apontou para baixo do corredor. — Eu estava na exposição de pintura a óleo ali. Só passei por este pavilhão e pensei em dar uma olhada. Não esperava te encontrar. Que coincidência!

Lin Xian assentiu. De fato, era coincidência. Ele olhou na direção do corredor onde várias pinturas a óleo estavam expostas, confirmando o que ela disse.

Ao voltar o olhar, reparou melhor no que ela vestia hoje. Era o terceiro encontro deles: o primeiro na comemoração da Empresa MX, o segundo num auditório da Universidade de Donghai, e agora, inesperadamente, no Centro de Exposições da Cidade de Donghai.

Hoje, Chu An Qing estava com um visual casual. Como o tempo estava esquentando, ela tinha deixado de lado as roupas pesadas de inverno. Usava um moletom azul-claro vibrante, combinado com uma saia curta cinza e meia-calça cor da pele, o que lhe dava um ar jovem e cheio de energia. As botas de sola um pouco mais grossa a faziam parecer mais alta e esguia do que nos encontros anteriores.

— Você veio sozinha?

— Vim. Hoje à tarde eu não tinha aula, então decidi vir. Sempre fui atraída por pintura… embora eu não consiga dominar, por mais que pratique.

Chu An Qing riu baixinho e olhou para Lin Xian. — Mas você tem um talento tão natural pra desenhar. Já pensou em tentar outras formas de arte além de esboço?

— Não… não sou tão apaixonado assim por desenho! — Lin Xian riu. — Mas também não me incomodo. Pratiquei esboço porque era parte da prova de artes do vestibular. Minhas notas não eram grande coisa, então, tive que seguir pela rota de artes pra entrar numa universidade boa aqui em Donghai.

— Você gosta da Cidade de Donghai?

— Não é bem “gostar”… é mais curiosidade. Eu queria ver como era.

Lin Xian falou a verdade. Ele sempre sonhou com uma cidade chamada Donghai e queria vê-la na realidade. Porém, a cidade do sonho tinha mudado drasticamente: virou a pobre e decadente Velha Donghai, substituída pela megacidade de ficção científica, a Nova Cidade de Donghai, cercada por muralhas de aço de duzentos metros.

— Entendi… — Chu An Qing disse, brincando com a bolinha felpuda na ponta do cordão do moletom. — As pessoas sempre acham que a grama do vizinho é mais verde.

— Na real, prefiro a sua cidade natal, a Cidade de Hang! Fui uma vez; é linda. Diferente de Donghai, que passa uma sensação de aperto e tensão.

— Falando nisso, o Festival da Primavera está chegando. Você vai voltar pra casa no feriado, Veterano Lin Xian, ou vai ficar em Donghai?

— Vou voltar! — Lin Xian respondeu. Voltar para casa no Ano-Novo era uma tradição antiga. Além disso, Gao Yang estava organizando um reencontro do ensino médio, e ele pretendia ir.

Chu An Qing se virou na direção do salão de pinturas a óleo.

— Veterano, a exposição de pintura a óleo tem várias obras famosas, algumas até trazidas do Museu Britânico. É uma oportunidade rara. Quer visitar comigo?

Obras famosas… Lin Xian ficou um pouco interessado. Afinal, era a área dele; ele tinha estudado isso na universidade. Ver de perto obras-primas de pintores lendários era, sem dúvida, tentador.

— Tudo bem, vamos dar uma olhada.

Hehe, ótimo! Agora tenho um guia! Você deve saber um monte de coisa sobre essas pinturas, né?

— Sou só um iniciante.

Eles passearam pela exposição, trocando comentários e risadas. Como Chu An Qing tinha dito, havia mesmo várias obras autênticas de pintores europeus modernos; algumas que Lin Xian via pela primeira vez. A técnica e o encanto histórico eram de tirar o fôlego.

Antes, ele só tinha visto essas pinturas em livros didáticos ou reproduções. A diferença entre uma imagem plana e a realidade concreta era enorme. Pinturas a óleo tinham uma profundidade e uma textura únicas, quase como se convidassem a pessoa a entrar na era do Renascimento.

Chu An Qing, curiosa como uma cotovia agitada, fazia perguntas sem parar. Por sorte, hoje era o território do Lin Xian, que explicou com naturalidade os artistas, estilos e contextos, deixando Chu An Qing impressionada.

— Veterano, você é incrível! Você sabe de tudo, é muito inteligente!

— É só sorte.

Enquanto conversavam e caminhavam, viraram uma esquina e encontraram uma pintura em preto e branco numa parede. O velho retratado nela parecia tão sem vida que ambos recuaram, assustados.

— Colocar uma pintura tão… assustadora num canto desses… deve ter sido de propósito.

Lin Xian ergueu a cabeça e reavaliou a obra. O velho retratado era alguém familiar a qualquer pessoa; um grande físico presente em incontáveis livros didáticos: Albert Einstein.

Na pintura, Einstein parecia abatido, como se tivesse sofrido uma perda imensa. O cabelo estava desgrenhado, o rosto marcado por rugas, e os olhos, ocos; exalando uma aura de tristeza.

Para reforçar a atmosfera melancólica, o quadro usava pouquíssimas cores, quase todo em preto e branco, dando a impressão de um retrato memorial, como se ele já tivesse morrido.

O Einstein Melancólico.

Chu An Qing leu o título em voz alta. — Esta obra foi criada em 1952, no Brooklyn, em Nova York, pelo renomado pintor realista americano Henry Dawson…

Ela deu um passo para trás e voltou a observar. A tristeza e a apatia de Einstein eram tão profundas que parecia quase sem alma.

— Por que… Einstein seria retratado assim? — Ela piscou e olhou para Lin Xian. — Einstein foi um cientista bem-sucedido e respeitado, com enorme prestígio acadêmico. Por que ele parece tão triste e deprimido nesse quadro? Você sabe o contexto?

Para surpresa dela, Lin Xian assentiu de novo.

Isso a deixou ainda mais espantada; como esse veterano sabia de tudo? Era como uma enciclopédia ambulante.

Lin Xian começou a explicar. Uma das vantagens de assistir a tantos filmes de ficção científica era que ele acabava aprendendo um pouco de quase tudo.

— Os últimos anos do Einstein realmente foram cheios de melancolia e depressão. — Lin Xian começou a explicação, encarando o olhar vazio do retrato. — Einstein acreditava que a fórmula de equivalência massa-energia dele tinha aberto a Caixa de Pandora, dando à humanidade acesso a uma energia nuclear incontrolável… o que levou à criação de armas nucleares e à morte de milhões.

— Mas a preocupação dele ia além disso. Ele temia o futuro da humanidade; achava que incontáveis armas nucleares seriam usadas, se outra guerra mundial acontecesse… e isso poderia causar a extinção humana e o fim da civilização.

— Hoje pode parecer exagero, mas em 1952 esse tipo de preocupação era bem fundamentado e razoável.

— Quando esses pensamentos se enraizaram, ele não conseguiu mais escapar do ciclo de culpa e arrependimento… e acabou vivendo os últimos anos recluso e deprimido.

A narração serena do Lin Xian prendeu Chu An Qing. Logo, eles terminaram a visita e caminharam até a entrada do Centro de Exposições de Donghai para se despedirem.

— Muito obrigada por hoje, Veterano Lin Xian. Aprendi tanta coisa nova!

— Que isso… não foi nada.

Depois de ver Chu An Qing entrar num carro, Lin Xian chamou um táxi para voltar para casa. Após um jantar simples e um banho, ele olhou a hora.

Cinco e meia.

Era o horário perfeito para dormir; e, se pegasse no sono rápido, talvez conseguisse encontrar o ladrão das três facas no sonho, juntar-se à Gangue do Rosto e seguir o enredo até encontrar a CC no local de descarte de lixo.

Lin Xian trocou de roupa, colocou o pijama, deitou e fechou os olhos.

“Vamos lá, CC…” pensou, imaginando o sorriso da Chu An Qing ou o da própria CC.

— Tenho tantas perguntas pra te fazer…

Sem sentir aquele vento abafado do verão, Lin Xian abriu os olhos no campo silencioso, cercado por casas improvisadas e desordenadas.

Ele caminhou até a esquina de um beco. De longe, ouviu a voz ofegante da Tia Li, gritando: — Peguem… o ladrão! Peguem… peguem… o ladrão!

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