Clube de Gênios Chinesa

Tradução: Pumpkin

Revisão: Pumpkin


Volume 1

Capítulo 98: O Primeiro 42 do Mundo

“O Guia do Mochileiro das Galáxias” é um filme de ficção científica amplamente aclamado e influente que Lin Xian tinha assistido muitos anos atrás. Naquela época, depois de uma conversa sobre sonhos com seu amigo Gao Yang, que tinha confessado não conseguir imaginar o futuro e, por isso, não conseguir sonhar com ele. Dessa forma, Lin Xian mergulhou numa maratona de filmes e livros de ficção científica, incluindo esse clássico.

Sendo sincero, Lin Xian não tinha achado o filme particularmente interessante da primeira vez; parecia bem mediano, e ele não sentiu nenhuma vontade de assisti-lo de novo. Mas hoje era diferente.

Depois do sonho vívido da noite anterior, decidiu rever o filme no cinema particular. O motivo era específico: foi nesse filme que o número 42 chamou a atenção do público pela primeira vez.

Com uma bebida na mão, Lin Xian entrou na sala particular, onde o filme já estava passando.

“O Guia do Mochileiro das Galáxias”, adaptação de 2005 do livro de Douglas Adams, é conhecido pelo humor esquisito e pelo clima excêntrico de “filme de estrada”. As partes iniciais, que mostram a construção de uma estrada interestelar exigindo a demolição da Terra, agora poderiam parecer sem graça. Após a destruição do planeta, o protagonista se junta a um alienígena e embarca numa série de aventuras galácticas, que se desenrolam de forma episódica.

Lin Xian assistiu em silêncio até o filme chegar ao trecho mais famoso e mais comentado.

Em um planeta distante, uma civilização extremamente avançada buscava a verdade definitiva do universo. Para resolver esse mistério, eles construíram o Pensador Profundo, o supercomputador mais sofisticado já criado. Bilhões assistiram quando a pergunta foi feita ao Pensador Profundo: — Qual é a resposta definitiva para a vida, o universo e tudo mais?

Depois que vários indicadores piscaram, o Pensador Profundo respondeu: — Esse cálculo é imenso. Por favor, voltem daqui a 7,5 milhões de anos.

Quando o tempo estipulado chegou, civilizações de todo o universo se reuniram novamente, ansiosas pela resposta. Em meio a uma expectativa enorme, o Pensador Profundo finalmente declarou: — A resposta definitiva para a vida, o universo e tudo mais é 42.

A cena terminou de forma abrupta, mergulhando em silêncio antes de passar para o próximo arco da história.

— 42… — Lin Xian murmurou ao rever a cena.

O filme não dava nenhuma explicação sobre o significado do 42; simplesmente cortava e seguia adiante; uma decisão tomada porque, de forma bem-humorada, nem o diretor tinha uma explicação.

Esse enigma do universo estava além da compreensão de qualquer terráqueo; não do diretor, nem do público, nem mesmo de Douglas Adams, que tinha deixado a questão propositalmente vaga e enigmática na narrativa.

Ainda assim, a intenção de Adams era criar uma obra de ficção científica cômica e sem sentido, originalmente pensada como um programa infantil de TV. A ausência de uma explicação detalhada era justamente para adicionar um toque de mistério e diversão.

Contudo, Lin Xian não acreditava que fosse tão simples assim.

— Se Adams colocou o número 42 apenas como uma piada absurda… por que escolher justamente esse número? O que ele tem de especial?

Se Lin Xian não tivesse vivido tantos acontecimentos extraordinários, talvez nem questionasse a escolha arbitrária de um escritor. Mas o reaparecimento constante do número 42 na sua vida — nas entradas de seus sonhos, no horário de eventos importantes, até nos cálculos da constante universal dentro dos sonhos — sugeria uma conexão muito mais profunda.

O número apareceu vezes demais para ser apenas coincidência.

Enquanto os créditos subiam e o nome de Douglas Adams aparecia na tela, Lin Xian mergulhou em pensamentos.

— Será que Adams sabia de alguma coisa? Ou talvez tenha esbarrado em algum segredo que o levou a escolher o 42 como resposta definitiva?

Como Adams já havia morrido em 2001, Lin Xian não podia obter respostas dele. Adams nasceu em 1952 e escreveu o livro em 1979. Isso significava que o tal Clube de Gênios poderia existir desde antes daquela época, escondido nos anais da história?

Lin Xian sentiu calafrios ao ter esse pensamento. Se sua teoria estivesse correta, seria assustador imaginar como o Clube de Gênios conseguiu se manter oculto ao longo da história sem deixar rastros, sustentando seus planos enigmáticos por séculos.

— Todos esses mistérios… devem estar ligados ao 42 — Lin Xian concluiu, quando o filme terminou e a sala escureceu.

Ele se levantou, determinado a desvendar o enigma. Precisava investigar mais a fundo na Nova Cidade de Donghai; fosse encontrando o livro “Introdução à Constante Universal”, fosse rastreando o pai do Rosto de Gato Grande.

— O caminho adiante é longo… — murmurou, erguendo-se do sofá e empurrando a porta da sala privada para abrir.

….

Cric~

O som de uma porta sendo aberta numa vila à beira do lago, nos arredores da Cidade de Donghai, quebrou o silêncio. A luz do sol entrou pela porta aberta, lançando feixes através do ar empoeirado, criando um efeito deslumbrante.

— Não abra as janelas durante o dia, não acenda as luzes à noite… Ji Lin, quando é que você vai começar a ouvir conselhos? — um homem idoso reclamou ao entrar, deixando a porta entreaberta; a única fonte de luz naquela casa escura. Pensou que a luz natural era uma mudança bem-vinda em relação à artificial, enquanto o calor tocava sua pele.

A sala de estar estava mais bagunçada do que antes, com revistas e jornais espalhados pelo chão.

Ji Lin, sentado de pernas cruzadas no meio das pilhas, estava absorto no brilho da tela do notebook, que lançava uma palidez fantasmagórica sobre seu rosto. A luz do sol quase tocava seus pés, mas errava por pouco, deixando-o envolto em sombras.

— Você está grudado nesse chão? Quer que eu jogue água em você? — O velho brincou, com um tom misto de preocupação e irritação. — O mordomo me disse que você não sai de casa há dias… desde a minha última visita.

— Ele comentou que você até comprou uns bichos de pelúcia pela internet… meu Deus… você está virando alguém que eu não reconheço.

— Então, no que você está trabalhando, Ji Lin? Está trabalhando mesmo?

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