Clube de Gênios Chinesa

Tradução: Pumpkin

Revisão: Pumpkin


Volume 1

Capítulo 100: Jogo de Gato e Rato

— Chega, Ji Lin! — o velho murmurou, abrindo os olhos lentamente. — Solte o meu pescoço.

Com um movimento suave, porém firme, ele afastou a mão do Ji Lin e se levantou. Fez uma pausa breve para se recompor antes de caminhar até a janela grande. O som discreto de clique dos sapatos de couro polidos pontuava o silêncio a cada passo.

Ele encarou as cortinas grossas, acompanhando com o olhar os padrões intrincados da seda, e então disse em voz baixa: — Não quero que a nossa relação seja manchada por engano e manipulação.

— Nem eu! — Ji Lin respondeu, com as mãos enfiadas nos bolsos. — Então por que simplesmente não me diz a verdade? Você acha mesmo que eu te trairia depois de todos esses anos? Nós somos como gafanhotos amarrados na mesma corda.

Ele fez uma pausa e continuou: — Você me criou. Apesar de termos objetivos diferentes, nós dois trabalhamos incansavelmente para garantir um convite para o Clube de Gênios. Isso não vale nada? Não prova a nossa confiança? Ou está com medo de que revelar a verdade comprometa as nossas chances?

Um silêncio pesado caiu entre os dois.

Por fim, o velho se virou, entrelaçou as mãos atrás das costas e encarou Ji Lin. — Não tenho certeza. Mas não posso me dar ao luxo de correr esse risco.

Ele engoliu em seco antes de acrescentar: — Você é brilhante, Ji Lin, um verdadeiro gênio. Mas até gênios erram. Julgam mal as situações e se deparam com problemas que não conseguem resolver. Precisa confiar que as nossas ações são justificadas. Tudo o que fizemos está correto.

Ji Lin soltou um riso de desdém. — Então agora nós somos os mocinhos? Só criança fala em herói e vilão.

— E adultos falam do quê, então? De convicções? — o velho retrucou, com o olhar firme. — É sobre no que você acredita.

— Bem, prefiro continuar sendo criança. — Ji Lin rebateu, jogando-se na cadeira que o velho tinha deixado e cruzando as pernas. — Convicções me soam mais como hipocrisia.

— Mas ninguém pode ser criança para sempre, Ji Lin.

Os olhos do Ji Lin se desviaram para a lareira crepitante. — Se, como você diz, eliminar aqueles que distorcem a história é o certo… então as ações deles estão erradas?

— Não necessariamente estão erradas.

O velho tirou o chapéu preto de feltro e o colocou sobre um jornal em cima da mesa ao lado. Na primeira página, havia um obituário do Xu Yun, com uma fotografia dele jovem e cheio de vida.

Ele suspirou ao cobrir a imagem com o chapéu. — É por isso que deixá-los morrer às 00:42 é o maior respeito que podemos oferecer.

— O que exatamente é 00:42? — Ji Lin perguntou, balançando as pernas. — E por que 42? Qual é a obsessão com esse número?

— Talvez você deva descobrir isso por conta própria! — o velho disse, baixando o olhar. — Talvez essa seja a verdadeira chave para o Clube de Gênios.

Ele puxou uma cadeira para perto da mesa e se sentou. — Podemos voltar ao trabalho agora, Ji Lin? Já identificou o primeiro suspeito?

Ji Lin assentiu. — Tecnicamente, identificamos a primeira pessoa a investigar. Ainda não temos evidências suficientes para provar que ela está mexendo na história.

— Exatamente. Precisamos de prova concreta. Não podemos nos dar ao luxo de acusar alguém injustamente. Um erro, e o Clube de Gênios vai nos rejeitar para sempre. — O velho lançou um olhar para o jornal escondido sob o chapéu. — Você lidou bem com aqueles dois carros… A polícia ainda não os encontrou.

— Nem vão encontrar. — Ji Lin exalou com força. — Não foi tão complicado. Se eles tivessem assistido Velozes e Furiosos, entenderiam como aqueles carros sumiram.

— Agora já é tarde. Mesmo que encontrem, não muda nada. Com você, conseguimos resolver 90% dos nossos problemas.

— Porém, tenho uma sugestão — Ji Lin disse, mexendo na unha. — Toda ação deixa rastro. Se incidentes parecidos continuarem acontecendo, as pessoas vão notar. A gente ainda não chamou atenção porque não houve casos suficientes. Xu Yun é só o primeiro. Você pode variar o método? Sei que precisa ser precisamente entre 00:42 e 00:43, mas existem alternativas a acidentes de carro?

— Não! — o velho negou com a cabeça com firmeza. — Tem que ser acidentes de carro.

— Então você é um imitador.

— Chame como quiser, Ji Lin. Mas não vou cair em provocação.

— Uma última pergunta.

Ji Lin encarou o velho, delineado pelo luar que entrava pela janela. — Como a gente prova que alguém está distorcendo a história? Parece que não temos uma linha do tempo original para comparar.

— Esse é o seu desafio, Ji Lin! — o velho disse, baixando o olhar. — Essa pessoa é diferente das outras. Os disruptores anteriores provavelmente agiam sem intenção. Mas acredito que… este esteja interferindo ativamente na história. Ainda não sabemos os motivos nem as intenções dele. Provar essa interferência é a parte mais difícil. Mas acredito que você vai descobrir. Talvez já tenha descoberto.

— Você é bom em empurrar responsabilidade.

Ji Lin não respondeu. Depois de tantos anos juntos, eles se entendiam bem demais. — Mas talvez eu precise vazar algumas informações sobre nós… sobre o Clube de Gênios. Está confortável com isso?

— É aceitável! — o velho respondeu: — Desde que ajude a provar a interferência dele na história. Alguns sacrifícios são necessários, mas não podemos ferir inocentes. Isso é o mais importante.

— Estou cansado da sua moral inconsistente. — Ji Lin se espreguiçou. — Isso vai ser uma batalha difícil. Parece que estamos em vantagem, escondidos nas sombras enquanto ele está exposto. Mas, na realidade, estamos presos a regras demais. Precisamos comprovar a interferência sem alertá-lo para as nossas intenções. Caso contrário, quem pode cair somos nós. Se ele realmente tem a capacidade de alterar a história, eliminar a gente talvez não seja difícil para ele. Assim que começarmos a investigar, ele vai perceber e se esconder. É uma caçada recíproca.

— Acredito em você, Ji Lin! — o velho falou com confiança. — Você é a mente mais brilhante que eu conheço. Esse disruptor pode ter capacidades que a gente não entende, mas não pode ser mais esperto do que você. Ele provavelmente ainda não sentiu o perigo. Então… não há motivo para perdermos esse jogo de gato e rato.

— Você é otimista demais. E arrogante.

Ji Lin voltou ao lugar de antes, deitando-se no meio de uma pilha de revistas. Apoiou a cabeça nas mãos e encarou o mascote do Gato Rhine na estante.

— Vou deixar claro. Este jogo de gato e rato é mútuo. No nosso pique-esconde com esse disruptor, quem revelar primeiro a própria identidade ou intenções… perde.

A expressão alegre e fofa do Gato Rhine, com o coque no topo da cabeça e o qipao, era chamativa.

— Eu amo joguinhos.

Ji Lin beliscou a orelha do Gato Rhine, ergueu no ar e observou os olhos do boneco balançarem.

— Nesse jogo de gato e rato… quem é o gato, e quem é o rato?

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