Volume 3
Prólogo
Na noite da véspera de Natal, Umi e eu nos tornamos oficialmente um casal.
Nós tínhamos a sensação de que nossos sentimentos eram mútuos, considerando tudo o que havia acontecido até então. Mesmo assim, quando coloquei meus sentimentos na única palavra "eu te amo", ainda havia um pouco de ansiedade dentro de mim: "E se eu for rejeitado?"
Então, quando Umi, tendo aceitado minha confissão, sorriu feliz com lágrimas nos olhos, a primeira coisa que veio foi alívio. A felicidade veio logo em seguida, é claro.
Ainda bem. Eu posso continuar ao lado da Umi de agora em diante.
Esse foi meu sentimento sincero.
"Phew~ Comi tanto. Minha barriga está tão cheia~"
"Eu também... Eu tentei dar o meu melhor, mas ainda tenho um espacinho sobrando."
"Bem, a gente cuida disso a partir de amanhã, então."
"Sim."
Nós esvaziamos a coca que restava em nossos copos e nos afundamos contra o encosto do sofá onde estávamos sentados.
Além das porcarias que já conhecíamos bem, como coca, pizza e batatas fritas, nós nos empanturramos apenas com as coisas que gostamos: coxinhas de frango e aperitivos que sobraram da festa.
E bem ao meu lado está uma namorada que divide esse momento comigo e se aconchega perto de mim.
Não uma amiga, mas uma namorada mais preciosa do que qualquer outra pessoa.
"...Umi."
"...Maki."
Sem que nenhum de nós tomasse a iniciativa, Umi e eu gentilmente nos aproximamos um do outro.
Até agora, a gente jogava videogame e passava o tempo à toa assistindo filmes ou lendo mangá até dar a hora da Umi ir pra casa, mas agora, de alguma forma, simplesmente não estávamos no clima pra isso.
Claro, tinha o cansaço de quão inesperadamente difícil foi o trabalho nos bastidores da festa, e de ter minhas emoções ocupadas, puxadas pra lá e pra cá por tudo que houve com meus pais. Mas o maior motivo era mais simples: eu só queria ficar de chamego com a minha namorada bem na minha frente.
"Hehe, Maki, sua barriguinha tá molinha como sempre."
"Eu estava prestes a dizer o mesmo sobre você, Umi... mas não tem nada pra beliscar, então não posso retrucar."
"Bem, eu me esforço onde você não vê... Dito isso, meu peso na verdade subiu só um pouquinho. Olha, tenta tocar aqui. No meu braço."
Umi arregaça a manga e estende suavemente seu braço bonito e pálido.
"...Hm, tudo bem?"
"Tudo bem. Faz um pouco de cócegas, mas se for você, Maki."
"Isso é... hm, porque nós somos... um casal?"
"...Isso mesmo."
"Bem, então, com licença."
Quando belisco de leve o braço que a Umi ofereceu, tem de fato uma sensação molinha e elástica... ou pelo menos parece.
É muito liso e agradável ao toque, esbelto mas surpreendentemente bem torneado... Não consigo pensar em um único defeito.
"...Ainda não entendi muito bem, no entanto."
"Nossa, Maki, você precisa de mais treinamento. Ganhar peso e gordura em excesso é um problema para as garotas, sabia. E a propósito, 'na verdade eu gosto mais molinho assim' também não é uma resposta muito boa. Isso vai cair na prova."
"Que prova...? Ah, é claro que vai falar algo como 'Universidade da Minha Opinião', não vale."
"...Uhh~"
"Sabia."
Nesse momento, acho que não conseguiria uma nota decente. Quando se trata desse tipo de coisa, acho que vou ter que aprender isso aos poucos.
Parece que ainda vai levar um bom tempo até que eu consiga bolar respostas que satisfaçam a Umi.
E assim a gente conversa sobre nada em particular e, com mais carinho físico que o normal, passa a véspera de Natal, só nós dois.
Um momento divertido, muito feliz.
"Ei, Maki."
"Sim?"
"...Tá quase na hora de eu ir pra casa."
"...É."
Já é quase meia-noite.
Quando terminamos nosso jantar tardio, parecia que a noite estava só começando, mas antes que percebêssemos, esta longa véspera de Natal já está escapando por entre nossos dedos.
"...Mmm~"
Com isso, Umi enterra o rosto no meu peito e se aconchega em mim.
Ela não quer ir pra casa. Ela quer ficar ao lado da pessoa que ama só mais um pouquinho.
Mesmo que o horário limite que ela prometeu à Sora-san de antemão esteja se aproximando, Umi e eu continuamos grudados como se nossos corpos estivessem presos por correntes.
Nossos estômagos estão cheios, o quarto está quentinho, e o calor da pessoa que eu amo está bem ao meu lado.
Com o cansaço, a sensação de estômago cheio e a felicidade, eu só quero dormir junto assim sem pensar em nada──se fizermos isso, tenho certeza de que conseguiremos acordar para um bom dia.
Se acordássemos de manhã, o sorriso gentil e o calor da Umi estariam bem ali. Envolvidos no cheiro um do outro, com as férias de inverno começando hoje, voltaríamos a dormir juntos até depois do meio-dia.
Não consigo evitar de pensar em como isso seria bom.
"...Umi, é melhor você ir pra casa logo."
"Uu~... é."
No entanto, já que a gente pisou na bola uma vez voltando de madrugada, não podemos simplesmente fazer isso. Hoje é um dos poucos dias especiais do ano. Justamente em momentos como este, devemos cumprir nossas promessas e reconquistar a confiança da Sora-san e da minha mãe.
"Maki, me carrega."
"Sua idade mental despencou... Mas eu não me importo, não."
"Ehehe, obrigada."
Eu tiro Umi de meus braços, ajudo ela a ficar de pé, e nos preparamos para sair. A mesa ainda não foi recolhida, mas as sobras já estão na geladeira, então podemos cuidar disso amanhã.
Por um tempo, nós, estudantes, estamos de férias de inverno. Então eu gostaria de ser perdoado por ser um pouco relaxado.
Saímos juntos da entrada e, de mãos dadas, pegamos o elevador para o térreo.
N/T: O original diz Genkan (玄関), que é a entrada tradicional japonesa onde os sapatos são removidos.
É o meio da noite, então o ar lá fora está distintamente frio, mas por algum motivo, não sinto tanto frio agora.
"Maki, aqui tá bom."
"Tem certeza? A essa hora provavelmente não vai ter ninguém por aí... mas ainda tô preocupado."
"Eu vou ficar bem. Se eu avistar alguém suspeito, saio correndo na hora, e vou prestar atenção no trânsito e em acidentes no caminho de casa. Agradeço a preocupação, mas dessa vez chega."
"Se você tá dizendo..."
É verdade que, mesmo se eu for junto, a capacidade de corrida da Umi é muito superior. Nesse sentido, ela talvez nem precise de mim, mas...
"...Hehe. Qual é, não faz essa cara tão descaradamente solitária. Não é que eu não queira ir pra casa com você, Maki, ou que pareça um incômodo, eu só quero caminhar pra casa sozinha um pouquinho. Só por hoje, como exceção."
"Só por hoje... Você tá planejando fazer um desvio?"
"Não, não é isso... Eu só quero saborear essa felicidade sozinha na caminhada noturna de volta pra casa... a felicidade de me tornar um casal com a pessoa que eu gosto, e saber que nossos sentimentos são mútuos."
"...Entendo."
Sinto o mesmo.
Agora, por estar na frente da Umi, por estar na frente da pessoa que amo, estou bancando o corajoso e tentando parecer calmo, mas por dentro estou segurando uma alegria tão forte que eu poderia literalmente pular no ar.
Estar com ela é sempre divertido, e quando ela não está ao meu lado eu me sinto solitário. Mesmo quando mostro meu lado não tão legal, ela me aceita gentilmente, e ainda por cima ela é incrivelmente fofa e confiável, mas às vezes, na minha frente, ela se torna surpreendentemente carente — uma garota assim.
Ter meus sentimentos correspondidos pela Umi, nos tornarmos namorados assim, me deixa incrivelmente feliz.
Não conseguir conter minhas emoções, me debater sozinho na cama ou pular pra cima e pra baixo sem motivo algum — tanto a Umi quanto eu precisamos só de um pouquinho desse tipo de tempo pra nós mesmos.
"Tá bom. Então acho que é aqui que a gente se separa. Mas certifique-se de chegar em casa em segurança."
"Sim. Maki, não esquece de tomar banho e se manter aquecido quando dormir, tá? Parece que vai ficar bem frio mais tarde."
"Entendido. Bem, então... até amanhã."
"Sim. E claro, depois de amanhã, e depois também."
"...Provavelmente."
Certo. Como eu disse antes, as férias de inverno começam amanhã, então se quisermos nos encontrar, podemos nos ver todo dia por um tempo.
Já que é o fim de semana de sempre, não preciso mais inventar desculpas como ter uma tarefinha pra resolver só pra ver a Umi.
Porque eu quero vê-la, porque quero ouvir sua voz, porque me sinto solitário. Mesmo que não haja muito motivo, é perfeitamente aceitável que eu mantenha contato frequente com a Umi.
Afinal, Umi e eu já somos namorados.
Para reabastecer a presença um do outro até o dia seguinte, levamos alguns minutos lentamente nos abraçando forte antes de retornar para nossas respectivas casas.
"...Hehe."
No momento em que fiquei sozinho, um pequeno murmúrio escapou da minha boca.
A Umi concordou em ser minha namorada. Por causa desse simples fato, eu simplesmente não conseguia tirar o sorriso do rosto.
Me sentia feliz e um pouco envergonhado, e minha cabeça estava meio nebulosa.
"A Umi me disse também, então é melhor eu tomar um banho e relaxar."
Já que dissemos que nos veríamos amanhã, eu tinha que estar pronto para quando a Umi pudesse aparecer.
Enquanto me aquecia no banho, saboreei tudo o que aconteceu hoje. Passei as horas tardias do dia 24 (tecnicamente, já tinha virado dia 25) sozinho.
Na esperança de que amanhã eu pudesse passar outro dia divertido junto com a Umi.
⋆⋅☆⋅⋆
...E então, a manhã chegou no dia 25, Natal.
Era o primeiro dia das férias de inverno, e eu finalmente estava livre do incômodo de ir pra escola. Logo depois de acordar, pensei: Certo, a partir de hoje vou pegar leve e ficar à toa — mas isso foi só no começo.
"...Hã...?"
Logo após acordar, percebi imediatamente que algo estava errado.
As primeiras coisas que senti no momento em que abri os olhos foram um frio intenso e dor nas articulações. Ontem, exatamente como a Umi me disse, eu fui pra cama logo depois de sair do banho, me enrolei no cobertor quentinho e no futon que a Umi também usa às vezes, e fui dormir.
E ainda assim, aqui estava eu.
"Meu... corpo tá pesado."
Tentei ir até a cozinha para pelo menos beber um pouco de água, mas mesmo levantar da cama e andar alguns passos já era incrivelmente difícil.
Eu já estava com um mau pressentimento nesse ponto, mas depois de beber um pouco de água e respirar por um momento, forcei meu corpo a se mover de novo, peguei o termômetro e decidi verificar minha temperatura.
Eu não tinha sintomas como dor de cabeça, dor de garganta ou tosse, mas era quase certeza que era um resfriado ou algo do tipo.
Depois de uns dez segundos, o termômetro terminou de medir. Minha visão ainda estava turva, mas foquei meus olhos nos números digitais.
【39,6】
"...Ah, cara."
Parecia que a razão pela qual minha cabeça estava nebulosa no banho ontem não era apenas por estar feliz; aparentemente, tinha sido um sinal do meu corpo me dizendo: "Toma um remédio e já vai pra cama, anda."
Traduzido por Moonlight Valley e Subferia
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