Caminho do Fim Brasileira

Autor(a): Quiceath


Volume 1

Capítulo 3: A Sétima da Ordem

Sacudi a cabeça e retornei minha atenção para a arena.

Dança das lâminas!

O som metálico das espadas cortando o ar ecoou pelo campo.

Elemental de gelo! — a maga conjurou duas criaturas em forma de raposas, feitas de cristal azul fosco. Suas caudas tremulavam como vapor congelado.

Ela deu a ordem de ataque, e as duas raposas avançaram ao mesmo tempo, rápidas como flechas.

Escudo Soprador.

Do outro lado, o cavaleiro com escudo avançou contra Floy. Os dois se chocaram em combate corpo a corpo, golpe contra golpe.

— Você é boa — comentou ele, bloqueando o impacto do chicote que quase atingiu seu rosto.

— Digo o mesmo — respondeu Floy, girando o pulso com destreza.

Voltei o olhar para o espadachim de duas lâminas. Ele se movia com precisão enquanto enfrentava as raposas de gelo, cada golpe deixando um rastro branco no ar.

A cada segundo, a batalha parecia se intensificar, e eu mal conseguia desviar o olhar.

— Não me resta escolha… — murmurou a maga de gelo. Ela ergueu a mão, fazendo o ar ao redor esfriar. — Ó Deusa da Nevasca, que teus ventos cortantes reforcem meu espírito e elevem o poder de minhas criaturas. Conceda-me força para avançar e derrubar aqueles que se colocam em meu caminho.

Os olhos da maga cintilaram em um azul intenso. Em seguida, outras cinco raposas de gelo tomaram forma ao seu redor, enquanto uma leve nevasca começava a cobrir a arena.

Tributo Gélido. — Sua voz soou firme, e as criaturas avançaram sobre o cavaleiro de duas espadas em um ritmo violentamente acelerado.

— Que velocidade… — murmurou o espadachim antes de estreitar os olhos. — Corte Compactado!

Uma explosão de golpes ecoou no ar. Cada movimento criava ondas de impacto que rasgavam as raposas, apenas para que elas se recompusessem segundos depois.

Linha Flamejante! — Floy estalou o chicote em chamas contra o cavaleiro à sua frente. Ele ergueu o escudo, que brilhou ao absorver parte da energia, mas o impacto o fez recuar.

— Argh!

— Acabou! — gritou Floy, lançando mais um golpe.

O chicote atingiu o escudo de madeira com um baque seco, reverberando pela arena. O cavaleiro manteve a postura defensiva, bloqueando os ataques enquanto absorvia a força de cada impacto.

Do outro lado, a maga de gelo pressionava o espadachim sem lhe dar um único segundo de pausa. Eu observava os dois se moverem em uma velocidade que meus olhos mal conseguiam acompanhar; era impossível não sentir deslumbramento.

Esfera de Gelo! — ela lançou múltiplas esferas congeladas. O espadachim tentou se esquivar, mas já respirava com dificuldade.

Ele arfava, curvado, com as duas lâminas ainda erguidas.

— Aargh… Argh… — ofegou antes de reunir fôlego suficiente para falar. — Você é uma oponente formidável… Sou Darian Valdran. Posso saber o seu nome?

A maga não pareceu impressionada. Manteve a postura relaxada, o olhar frio e distante, como se aquilo fosse apenas mais uma tarefa entediante.

— Amanda Balce — respondeu, seca, quase sem vontade.

Darian sorriu, o que me deixou confuso, ao vê-lo animado mesmo na exaustão.

— Então vou usar meu golpe final! Prepare-se! — gritou, cruzando as lâminas diante do peito. A energia ao redor dele tremeu, como se o ar estivesse sendo puxado para aquele ponto.

Senti um arrepio subir pelo braço. Era como assistir a uma tempestade nascer diante de mim.

Tornado de Lâminas! — Ele saltou, girando tão rápido que suas espadas formaram um anel prateado ao redor do corpo.

A maga não deu um passo sequer.

Pilares de Gelo. — Sua voz saiu calma, quase desinteressada.

Dois pilares irromperam do chão em um estalo gelado. Tudo aconteceu rápido demais para que eu piscasse. Um deles atingiu Darian na cintura no local por onde ele avançava, lançando-o ao chão com força.

O baque seco chamou a atenção até dos distraídos.

Darian caiu ofegante, surpreso — e ainda assim sorrindo.

— Argh… Heh, ainda tinha truques escondidos — comentou, meio surpreso, meio animado.

— Chega! O tempo acabou! — anunciou o árbitro, sua voz cortando o som das batalhas como uma lâmina.

Floy e o cavaleiro de escudo interromperam seus movimentos quase ao mesmo tempo. Ele recuou dois passos, respirando pesado, enquanto Floy deixou o chicote descansar, ainda vibrante de calor.

— Hein? E como eles vão decidir quem venceu?

— Pela dupla que sofreu menos dano. É o procedimento — explicou Valkyrie ao meu lado.

— Os vencedores foram decididos: Floy Velmora e Amanda Balce! — anunciou o árbitro.

— Isso!

— Aos perdedores, retirem-se da are—

Ele não conseguiu terminar.

Uma silhueta negra saltou das arquibancadas e pousou na arena com leveza. A poeira se ergueu, e o silêncio tomou conta do local.

À frente de Darian, erguia-se uma garota alta, de postura impecável. Usava um uniforme negro com detalhes prateados que refletiam a luz. Os cabelos escuros, à altura da cintura, balançaram com o impacto. Seus olhos carmesins brilhavam como brasas.

Presa à cintura, estava uma rapieira prateada, impecável demais para passar despercebida.

Ela sorriu.

— Me chamo Carol Aerithal, sétima colocada na Ordem da Academia e aluna do quarto ano. Seu manejo com espadas é admirável, Darian.

Sua mão se estendeu para o espadachim ainda caído.

— Convido você a se juntar à Academia, em troca da sua lealdade a mim.

— Como? — perguntou Darian, confuso.

— Você perdeu, mas ainda assim lhe concedo a chance de ser admitido na Academia, usando minha autoridade.

— O que quer dizer com “lealdade a você”? Quer me tornar seu servo? — ele soltou uma risada fraca, quase nervosa. — Está falando sério?

Carol sorriu levemente antes de continuar.

— Eu, Carol Aerithal, lhe faço uma proposta: seja admitido na Academia Mágica de Mecto e, em troca, junte-se à minha facção.

— Isso é sério? Nós lutamos para entrar! Como um perdedor que só sabe balançar espadas de madeira ainda pode conseguir uma vaga?! — reclamou alguém nas arquibancadas.

— Verdade! A regra é clara: perdedor sai, vencedor fica!

A multidão começou a protestar, incomodada com a ideia de um derrotado ser admitido.

— Silêncio.

Tudo cessou de imediato. O ar esfriou abruptamente.

Pingos de chuva começaram a cair dentro da arena, enquanto nuvens densas e escuras se formavam acima. Com uma única palavra, Carol fez todos se calarem.

— Aqueles que desejarem ser aprovados entrem na arena e lutem contra mim — declarou, impassível. — Podem vir todos de uma vez. Concedo essa oportunidade.

O árbitro suou ao ouvir aquilo. Sua corrida até Carol foi tão apressada que me fez questionar se ele realmente era tão velho quanto aparentava.

— S-senhorita Carol… não acho que o diret—

— Afonso não vai se incomodar com alguns alunos a menos — interrompeu ela, sem sequer olhá-lo.

Ninguém ousou atravessar os portões da arena.

Até que, rompendo o silêncio, um garoto avançou com determinação, cruzando a entrada com passos firmes.

— Me chamo Julius, da Casa Siccen. Aceito seu desafio.

— Oh? Árbitro, entregue uma arma a ele.

O árbitro correu e espalhou diante de Julius diversas armas de madeira. Observei cada detalhe: o modo firme como ele escolheu duas adagas, a postura tensa que denunciava cada músculo pronto para agir.

— Irei com estas.

— Adagas? Interessante. A Casa Siccen é conhecida pelo treinamento de assassinos, estou certa? — perguntou Carol.

— De fato.

Meu coração acelerou. A tensão entre eles era palpável; eu quase conseguia sentir o ar vibrar a cada respiração contida. Cada movimento parecia calculado, e me peguei prendendo o fôlego junto com eles.

— Todos prontos? Iniciarei a contagem!

— Comece.

A arena silenciou, como se o próprio mundo tivesse parado por um instante, aguardando o primeiro ataque.

— Cinco… quatro… três…

Carol lançou um breve olhar para Darian.

— Fique sentado e aproveite o duelo, Darian — disse ela, pegando uma das espadas que ele havia usado.

— …um! Comecem!

Julius desapareceu da arena no exato instante em que o árbitro sinalizou o início.

Carol não demonstrou surpresa nem preocupação.

— Eu não conseguiria lidar com alguém invisível… — murmurei, sem pensar.

— Assassinos são mais fáceis de enfrentar quando se lê a mana do ambiente. Este ainda não consegue ocultar bem sua presença — comentou Valkyrie, encarando um ponto vazio da arena.

De repente, Carol começou a se movimentar sem parar, como se desviasse de golpes invisíveis.

— Julius, espero que sua emboscada seja boa o suficiente para me entreter — disse ela em voz alta.

É como se alguém invisível não lhe causasse dificuldades.

Em determinado momento, ela cessou o recuo e ergueu a espada de madeira.

Bem.

Carol não parou após o primeiro golpe; sua sequência de avanços rápidos continuou.

Piedade! — acelerou ainda mais e, logo depois — Amor!

A figura invisível de Julius revelou-se. Sua camuflagem se desfez no instante em que Carol o atingiu, derrubando uma de suas adagas.

Serpentes vingativas! — Julius invocou duas serpentes mágicas atrás dela.

Vi as criaturas surgirem com um brilho esverdeado, serpenteando pelo ar com precisão, mas se desfizeram como fumaça antes mesmo de alcançá-la.

Julius arregalou os olhos, o corpo inteiro tenso, o queixo quase caindo de surpresa. Estava incrédulo diante da rapidez e da esquiva perfeita de Carol.

Meu coração disparou de excitação; eu não conseguia desviar o olhar. Cada passo dela era calculado, cada movimento fluía com uma naturalidade absurda. A mente de Julius parecia travar diante daquela maestria.

— Vamos encerrar isso — anunciou Carol, retomando a ofensiva com determinação.

Perdão! Verdade!

O garoto permaneceu imóvel por um instante, os olhos arregalados e a respiração suspensa.

A velocidade dela aumentou ainda mais, seus movimentos quase se borravam aos meus olhos; ainda assim, nenhum golpe o atingia.

— Ela está… errando? — pensei alto, franzindo a testa.

— Não é que esteja errando. Parece apenas não ter interesse em acertá-lo — respondeu Valkyrie, com seu tom calmo habitual.

O clima da arena reagiu à tensão: a chuva se intensificou, caindo em padrões irregulares, enquanto o vento aumentava, como se participasse da coreografia da luta.

De repente, Julius ficou imóvel, os olhos arregalados, o corpo rígido como se tivesse sido congelado.

Justiça! — a palavra escapou dos lábios de Carol como um sussurro carregado de tensão.

Senti um frio na espinha. Cada instante daquele duelo parecia esticar o tempo, e eu não conseguia deixar de admirar o controle absoluto de Carol sobre o campo.

Momentos antes ele desviava de tudo… por que ficou parado de repente?

Engoli minhas dúvidas, sem ousar interromper o momento.

Paz.

Um grande hexagrama surgiu sob Julius. Sua segunda adaga caiu da mão imóvel. A espada de Carol apontava para o rosto dele, sem tocá-lo.

— O duelo acabou! Julius, da Casa Siccen, foi neutralizado! Carol Aerithal é a vencedora! — anunciou o árbitro.

A chuva cessou junto das nuvens negras. Darian permanecia atônito — tudo aquilo havia sido decidido em apenas seis golpes, sem intenção real de ferir.

Carol se virou para Darian. A chuva sequer parecia tê-la tocado; ao contrário dos demais, que pareciam ter saído de um lago.

— Então? Sua resposta.

Ele hesitou por um instante, mas caminhou até ela e se ajoelhou, jurando lealdade à garota destemida.

— Boa escolha. Árbitro, ele vem comigo.

Sem mais delongas, Carol deixou a arena, com Darian seguindo-a em passos contidos. Cinthia ordenou que o juiz retomasse o controle, fazendo-o se sobressaltar e lembrar de sua função. Logo, anunciou a entrada das próximas duplas.

Uma delas era a minha.

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