Caminho do Fim Brasileira

Autor(a): Quiceath


Volume 1

Capítulo 2: Faíscas na Arena

O salão foi tomado pelos comentários do público, a maioria deles vindo de garotas elogiando a aparência de Drake Pater, o primeiro da Ordem. Ele realmente tinha uma aparência digna de atenção. Grennor cruzou os braços e murmurou, em tom baixo, que odiava bonitões.

— Façam uma fila e me sigam. Iremos para a arena realizar o teste de entrada.

As palavras da vice-diretora foram diretas e firmes. Ela se virou, indicando o caminho até a arena. Juntei-me à fila ao lado de Grennor e notei que ele olhava em volta de forma nervosa, como se procurasse algo. Preferi evitar intromissão e ignorei, assim seguimos com o restante da fila.

Caminhamos por alguns minutos até chegarmos a uma área enorme em formato circular, rodeada por arquibancadas. O céu estava aberto, revelando com clareza o solo arenoso da arena. Cinthia parou e se voltou para nós.

— Formem duplas, peguem uma arma com o juiz e aguardem a numeração.

A multidão começou a se organizar. Dava para dizer facilmente que havia mais de oitenta pessoas ali, então resolvi priorizar encontrar alguém para formar dupla. A primeira pessoa que me veio à mente foi Grennor.

— Uma batalha logo no início… Grennor, quer formar dupla?

Ele parecia distraído, olhando para algo. Segui o olhar e vi duas garotas, uma delas com cabelos vermelhos como fogo.

— Ah, dupla? Até iria querer, mas não posso. Sou do segundo ano.

Ele se aproximou, colocou a mão em meu ombro e desejou-me boa sorte antes de se virar e se afastar. Murmúrios sobre duplas já formadas ecoavam por todos os lados. Ouvi Cinthia começar a numerar algumas delas, o que me fez acelerar na busca de um parceiro.

Virei-me apressado e esbarrei em alguém. Instintivamente, fiz uma breve reverência e pedi desculpas. A garota me fitou com frieza, estreitando os olhos e murmurando algo que não consegui entender, deixando-me confuso.

— Façamos uma dupla.

Sua sugestão repentina me pegou de surpresa. Olhei melhor para ela, distraído; os cabelos prateados e as pupilas brancas como neve a destacavam na multidão. Sentia uma estranha sensação de paz na presença dela, como se houvesse algo diferente nela, algo que a separava de todos os outros.

— Tem algo no meu rosto?

— Ah, desculpe… podemos sim. Por favor, vamos formar uma dupla!

Concordei animado, com um sorriso no rosto. O olhar frio da garota parecia ser sua expressão natural, mas isso não me incomodou; pelo contrário, sua serenidade era quase contagiante.

— Aliás, meu nome é Gindo.

— Chamo-me Valkyrie Riend.

O sotaque dela tinha um certo charme, suave e agradável.

Juntei-me a uma fila no corredor entre as arquibancadas, com Valkyrie ao meu lado. No final da fila estava Cinthia, acompanhada de um senhor que distribuía armas para as duplas. Comecei a imaginar que estilo de luta ou magia ela poderia usar, mas a culpa me atingiu de repente, e decidi ser sincero.

— Sabe… eu não sou muito bom com magia. Só consigo formar pequenas gotas de água. Também não sou habilidoso em combate…

Valkyrie manteve a postura firme, como se minhas palavras pouco importassem. Virou-se levemente para mim e respondeu que entendia, e que ela também não se destacava em nenhum dos dois.

— Próximos.

A conversa se encerrou quando o senhor ao lado de Cinthia nos chamou à frente. Ele se apresentou como o árbitro e pediu que escolhêssemos uma arma. No chão, várias peças de madeira estavam espalhadas; o arco chamou minha atenção, então o peguei. Ao lado, observei Valkyrie pegar uma lança de madeira do tamanho dela.

— Então você é uma lanceira?

— Sim.

Sua resposta foi seca, sem entusiasmo. Aquilo me fez sentir um certo incômodo, então guardei minhas dúvidas para mim. Apertei o arco com força, mostrando minha insegurança — eu sabia usar um arco, mas não a ponto de ser um arqueiro —, e acabei deixando-o de volta ao chão, pegando a simples espada de madeira. Anunciei a arma que havia escolhido.

— Muito bem, vocês são a nona dupla. Vão para as arquibancadas e aguardem serem chamados — disse Cinthia, apontando para onde deveríamos nos posicionar.

Em pouco tempo, as arquibancadas da arena começaram a se preencher, com alunos de uniforme azul, vermelho e preto ocupando os espaços vazios.

Voltei meu olhar para a arena, onde quatro estudantes acompanhavam o árbitro até o centro. Ele parou e pediu que se afastassem dez passos.

— Ei, por que não desistem e poupam nosso tempo?

— Não tô afim. Espero que esse belo rosto seu não fique roxo — a garota adversária retrucou, com um sorriso desafiador no rosto.

Faíscas de rivalidade se acenderam entre as duplas da arena. Pude ver alguns sorrisos se formando nas arquibancadas. Os competidores obedeceram ao árbitro e se posicionaram, aguardando as próximas instruções.

— Não usem magia de grau avançado nem artefatos mágicos — alertou o árbitro, afastando-se do centro da arena.

— Parece que vai começar.

Gritei de leve surpreso ao ouvir uma voz ao meu lado. Grennor parecia satisfeito com a situação, rindo alto.

— Foi mal, era só para aliviar o clima. Quem é tampinha?

Valkyrie permaneceu em silêncio até ser mencionada. Ela se apresentou com poucas palavras e o olhar frio de sempre, até que, ao ouvir a expressão de Grennor, perguntou o que significava tampinha. Não parecia se sentir ofendida, apenas curiosa. Grennor explicou que era apenas uma piada.

— Está tudo bem você estar aqui? — perguntei a ele. Como estudante, talvez devesse estar em aula ou em alguma atividade importante naquele momento.

— Sim! Iríamos ter mais aulas teóricas agora, mas a professora permitiu que saíssemos para assistir ao teste de vocês.

O sorriso dele revelou o alívio de não precisar assistir às aulas. Dei uma leve gargalhada ao perceber que Grennor não parecia ser alguém muito ligado aos estudos.

— Vocês têm cinco minutos. A dupla que tiver um companheiro incapacitado ou declarar rendição perde — o árbitro informou aos quatro, levantando o braço em seguida — COMECEM!

Muro de Pedra!

Sem perder tempo, um dos participantes conjurou um muro grande e extenso entre as duplas. Ele surgiu de forma repentina, levantando poeira que ocultou a si e sua parceira.

O estudante da espada correu para tentar ver por trás do muro, seguido pelo parceiro, mas a poeira já escondia tudo.

— Provavelmente é uma armadilha. O que faremos? — perguntou o parceiro.

— Vamos manter a posição defensiva até a poeira baixar. E cuidado com o chão. Não descarto um ataque por baixo.

— Entendido.

— Decidiu construir uma casa?!

Seu grito provocativo ressoou pela arena silenciosa; a poeira já começava a baixar, e logo eles seriam capazes de enxergar com nitidez. Uma figura irrompeu do meio da névoa arenosa, investindo diretamente contra os dois oponentes.

— Uma enorme lápide pra ti!

— Uma investida direta? Ela é idiota? — resmungou o cavaleiro, franzindo o cenho.

Ele sacou a espada de madeira e girou o corpo junto ao golpe, fazendo a lâmina cortar o ar em um arco veloz que atingiu o pescoço da garota. Ela caiu no mesmo instante, aparentemente nocauteada.

— Vencemos? — questionou-se, lançando um olhar distante ao juiz imóvel, de olhos fechados.

— Atrás!

Dois enormes pedaços de rocha foram arremessados em direção a eles. Ambos saltaram para lados opostos, tentando escapar dos pedregulhos. Fiquei boquiaberto com a velocidade das rochas; não conseguia imaginar a força necessária para lançá-las daquela forma.

— Surpresa!

A garota gritou ao surgir do topo de uma das rochas, consciente e determinada. Seu movimento foi rápido e preciso: da pedra lançada, saltou e ameaçou pelas costas um dos garotos com a lâmina de madeira.

— O quê?!

O estudante da espada se sobressaltou ao sentir, de repente, uma presença hostil e a lâmina pressionada contra a parte de trás de seu pescoço. Pisquei algumas vezes, tentando entender como ela havia se movido tão rápido da rocha até ali.

— Fim de jogo — declarou ela, mantendo a arma erguida contra o pescoço do adversário.

— Era um clone?!

Seu parceiro gritou em descrença. A garota respondeu apenas com um sorriso torto. O juiz ergueu o braço, sinalizando o fim do combate. Cerrei os punhos, ainda incrédulo com o que havia presenciado; meu coração batia acelerado pela empolgação.

— A dupla dois venceu! Agora vão para a arquibancada. Os derrotados, retirem-se da arena — anunciou o árbitro.

— Droga!

— Daqui a um ano você tenta de novo — provocou ela, sem perder a oportunidade.

— Tsc…

Com o combate encerrado, os lutadores se retiraram para dar lugar às novas duplas. O árbitro exigiu a presença dos próximos, e assim a terceira dupla do teste entrou na arena: dois garotos. Um deles era alto e empunhava espada e escudo; ao seu lado, um jovem carregava duas espadas.

O garoto das duas lâminas chamou atenção por sua beleza, mas logo teve o olhar desviado pela garota de cabelos flamejantes que se levantou da arquibancada. Ela desceu até a arena com passos firmes, acompanhada por sua parceira de cabelos negros presos em duas tranças.

Ao chegar ao campo, libertou o chicote preso à cintura, como se aquela arma fosse uma extensão natural de seu corpo. Em seguida, posicionou-se no local designado para sua dupla, sua presença irradiando confiança.

— Senhorita Floy, deixe tudo comigo — pediu a garota de tranças, avançando um passo, como se estivesse pronta para enfrentar o combate sozinha.

— Não. Não vou deixar todo o trabalho para você.

— Mas senho—

— Chega. Mantenha a posição — cortou-a com firmeza, antes de completar — Vamos começar com aquilo que combinamos.

— Entendido.

Observei tudo com atenção, sentindo um leve arrepio de antecipação subir pela nuca. As duplas murmuravam seus últimos planos e, após alguns segundos avaliando cada lado, o árbitro ergueu o braço.

Respirei fundo sem perceber.

— Preparar… COMECEM!

Floy reagiu mais rápido que todos.

Disparo flamejante!

Ela avançou um passo e lançou cinco bolas de fogo em linha reta. A magia cintilava como pequenas estrelas incandescentes, cortando o ar com precisão.

O cavaleiro adversário ergueu o escudo — de madeira reforçada — enquanto seu companheiro espadachim permanecia ao lado, atento.

Espinho Gelado.

A garota de tranças conjurou sua magia, fazendo brotar diversas estacas de gelo do chão, todas com pontas arredondadas, reflexo de seu cuidado em não ferir ninguém gravemente.

Nenhum dos dois rapazes pareceu surpreso; aparentavam já esperar aquele tipo de ofensiva.

Casca de Ferro! — rugiu o cavaleiro, e o escudo brilhou, anulando tanto as bolas de fogo quanto os espinhos de gelo.

Floy estalou a língua, irritada.

Cobra de Fogo!

Uma serpente flamejante de quase dois metros avançou pelo campo, seus olhos carmesins brilhando com intensidade. O calor que emanava dela fez minha pele arder mesmo à distância, nas arquibancadas.

Campo de Lâminas! — o espadachim não ficou para trás; girou as duas espadas com velocidade impressionante. Um redemoinho de cortes dissipou a serpente em um estalo seco.

— Ele… cortou minha magia?

Enquanto observava a cena, notei uma figura na arquibancada oposta.

Uma garota de cabelos vermelhos como chamas, vestindo uniforme preto, acompanhava o embate com um sorriso discreto — quase divertido — no canto dos lábios. Seu olhar estava fixo em Floy, como o de alguém avaliando um desafio.

Eu engoli seco. Aquele tipo de interesse nunca era por acaso.

— São tantas magias incríveis… Espero um dia aprender coisas assim — comentei com Grennor, sem conseguir tirar os olhos da arena.

— Dependendo do seu esforço, talvez consiga.

Ele mal terminou a frase e fez uma careta.

— Ah, merda… lá vem ela. Te vejo mais tarde, Gindo.

Grennor deu um tapa rápido no meu ombro e saiu quase correndo, tomando cuidado para não tropeçar nos estudantes sentados.

Um segundo depois, uma garota de cabelos castanhos surgiu ao meu lado, ofegante. Parecia ter atravessado o salão inteiro em um único fôlego.

— Aaar… Aar… GRENNOR, SEU ESTÚPIDO, IDIOTA, PATETA! — ela berrou, com os olhos ardendo de fúria enquanto disparava atrás de seu alvo.

Fiquei parado, piscando algumas vezes, tentando processar aquela cena caótica.

Não faço ideia do que Grennor aprontou… mas definitivamente não quero descobrir.

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