Shelter Blue Brasileira

Autor(a): rren


Volume 3 – Arco 2: Desejos

Capítulo 1.3: Ilusão desperta

Depois de ficar fazendo tanto a mesma coisa repetidamente, Jun observou sua mãe e namorada de papinho em alguma coisa por um bom tempo. Curioso, ele decidiu ir até elas. Limpou o suor da testa e sacudiu sua espada, fazendo ela retornar ao estado de adaga e a guardou na bainha.

— O que vocês estão fazendo aí? Eu ocupo tanto espaço treinando assim, para vocês terem que ficar nesse cantinho isolado… — perguntou inocentemente, com um certo ar de curiosidade.

— Eu só estou tentando conhecer melhor a nova integrante da minha família — disse a mulher de cabelos prateados, abraçando a garota ao lado, sentadas naquela pequena arquibancada — Eu sou a melhor para ensinar como nós mulheres devemos mandar nos homens dessa família.

— Ah, tá… — Jun inclinou a cabeça para o lado e soltou isso em tom de brincadeira.

Desde quando ela é uma piadoca? Não lembro dela ser assim quando era criança… Eu realmente não imaginava isso, tipo, elas estarem agindo assim, pois pelo que parecia a minha mãe não estava indo com a cara da Rie. Tem algo aí…

Yuri abraçou Rie, que se manteve na mesma pose, estática, como se tivesse sido paralisada. Os olhos da garota pareciam arregalados e também, o seu corpo tremia sem parar. Era como se ela tivesse perdido o ar. Não dava para saber se estava empolgada, puta, desesperada, ou apenas envergonhada.

Encenação? Isso realmente tem cara de encenação. Não vejo outro cenário para as duas estarem agindo assim, a não ser que minha mãe estivesse criticando a Rie sem parar. E também, a Rie não iria ficar tão acanhada assim, caso alguém estivesse tacando inúmeros defeitos nela… Iria? Eu não sei…

Conforme mais os segundos passavam, a face de Rie na visão de Jun se tornava mais um pedido de socorro do que somente um caso de vergonha. Bem, se fosse levar em consideração que ela estava sendo abraçada por uma pessoa que admira — no mesmo ramo que seria cantar —, realmente deveria ser um tanto desesperante.

Para Rie devia ser uma loucura ter se tornado a nora dessa pessoa, e ele sequer conseguia imaginar. Ainda assim, não deixava de ser hilário, de certo modo. Possuía a genuína curiosidade de continuar observando esse acontecimento, só para ver no que iria dar. Mas, infelizmente, teria que ficar apenas querendo saber:

— De todo o modo, acho que você já ficou tempo o bastante brincando com aquelas faíscas. Tá na hora de você colocar isso em prática — soltando Rie, Yuri disse isso ao se levantar enquanto arrumava a saia.

Faíscas é? Faz melhor, então…

Yuri trocou olhares tanto com Jun, que carregava com sigo uma face de quem estava o mais animado e interessado possível, (muito pelo contrário) pelo que estava por vir, e com Rie. Mas no caso da garota de cabelos brancos, ela ainda parecia estar num estado de choque.

— Eu quero que vocês dois façam um duelo. E você, Jun, dê o máximo de si nisso, ou vai sofrer uma punição.

— Ei, mas eu acho que isso não vai ser muito útil… Sabe, contra mim, no estado que ele está, vai ser… bem, injusto pra não dizer outra coisa… — E Rie se levantou, dando sua palavra sobre a proposta de Yuri.

Isso, continua humilhando… Agir assim não é muito diferente do que me chamar de fracassado, fracote, incompetente e etc. Bem, pelo menos é assim que me sinto… realmente devo ser uma vergonha…

Nesse momento, Rie olhou para ele com uma cara de quem indiretamente lhe dizia: “para, que eu sei que você está doido para começar a fazer drama”. O silêncio de Jun apenas respondeu tudo.

E antes que pudessem fazer qualquer coisa, o casal foi empurrado para o centro da arena. O local já estava começando a ficar mais frio e poucos raios de sol passavam pelo teto de vidro acima. Ele apenas suspirou e então levou a mão até a bainha e sacou a adaga. Na sequência, Rie ajeitou a postura de combate e ativou seu sabre.

— Lembre-se, é pra você dar seu máximo, sem exceções — E a mãe dele repetia, enquanto observava os dois e botava um contador pra começar.

Se é pra ir com tudo, então eu farei isso… eu não aguento mais ver elas me olhando como se fosse um coitadinho…

O som de pequenos estalos de sino ecoaram pelo local. Jun se posiciona com sua espada da cor do céu estrelado. E quando o badalar mais intenso toca, seus olhos são preenchidos pela luz de seu poder. Rie hesita por instante e dá um passo para trás. A pressão exercida pela aura do garoto é o suficiente para fazer com que tudo pareça tremer.

As duas cores da aura se mesclam e então se tornam um branco vívido, no qual brilhava como um cristal de luz contendo um espectro infinito em sua composição, porém ela falhava e voltava às duas cores convencionais. Assim, num piscar de olhos ele dá uma arrancada.

A lâmina de sua espada traça uma linha reluzente pelo ar, na qual parece fatiar a própria realidade. Em meio à sua trajetória, m rasgo é deixado no chão fazendo as partículas de energia jorrarem como um jato. Ele sente tudo se concentrar em sua arma e assim, move seu braço em uma estocada, antes mesmo que sua mente pense em reagir.

— Mas também, não é pra você matar a sua noiva! — Yuri, então dá um soco na barriga de Jun, o fazendo se curvar e cair para trás, largando sua espada que começa a se debater contra o chão em um som de metal.

Como foi que ela apareceu na minha frente tão rápido? E caramba, esse soco doeu e muito…

Quando ele se recupera do tombo, então vê sua mãe acariciando o punho com a outra mão, com os olhos fechados com força e mordendo os lábios como que estava prendendo a respiração. Ela até mesmo fazia com grunhido que lembrava ao de uma chaleira.

Jun fica de cara fechada e tenta se levantar. No entanto, quando ele se apoiou no seu braço para se reerguer, sua visão ficou pesada. Era como se uma imensa exaustão tivesse o atingido repentinamente.

— Esse é o principal motivo do seu treino. Não é só recuperar as habilidades que perdeu, você também precisa ser capaz de aguentar o novo poder que possui. — A mulher de cabelos prateados, então o repreendeu apontando o dedo pra ele.

— O que tá acontecendo com você, Jun? Tá agindo um pouco esquisito, hoje. — E Rie faz a seguinte pergunta. No fundo ele consegue perceber que ela está realmente preocupada.

O cansaço do garoto estava prestes a se intensificar cada vez mais, porém de um segundo para outro ele magicamente se sentiu revitalizado. Ele então se reergueu e continuou reparando em em Rie; ainda confusa e surpresa em relação a ele e o último acontecido. Desse modo, então observa o estrago que causou no cenário, no qual é curado em uma cena que lembra muito a de um vídeo sendo rebobinado de trás para frente, mas sem a presença dele lá.

— Do que adianta ter todo esse poder, se mal consegue ficar pé ao usar ele. — Yuri cruzou os braços e olhou pra ele emburrada.

Poxa, mas não era pra dar o máximo, não? Eu fiz isso, ué…

Ele então andou até a sua adaga caída no chão e a pegou. Em reação, Rie se mexeu para guardar a dela, porém Yuri a entreviu na atitude, dizendo:

— Calma aí, isso não quer dizer que o duelo de vocês dois acabou. Vocês vão continuar com isso, mas com o Jun fazendo direito, agora.

Por que ela quer tanto que nós dois lutemos? Se fosse pra botar o que aprendi em prática, ela mesma conseguiria fazer isso… A não ser que… Ela também queria saber do que a Rie é capaz de fazer.

Antes que pudesse questionar, aquele contador já havia sido colocado para tocar de novo. Tanto Jun, quanto Rie, ficaram em postura de combate. E os estalos do sino foram ecoando, até chegar naquele que indicava o início do confronto.

Jun observou as partículas azuis, junto de outras poucas de cor branca que ela ganhou após fazer a união com ele, jorrarem do corpo dela. Os olhos foram imbuídos por um azul luminoso intenso e a espada dela logo em seguida. Assim, foi só uma questão de instantes até que aquela energia que envolvia o sabre tomasse um tom mais gelado, mas ainda muito forte e saturado.

Provavelmente, ela estava esperando que ele investisse em ataque logo de cara, portanto, Jun aproveitou-se dessa postura de esperar a ação dele para agir de modo que pudesse se preparar. 

Ainda era difícil de fazer isso no modo automático e tinha vezes que só falhava, no entanto, conseguiu concentrar a aura em si para criar um reforço físico e então a tornou elétrica. Tanto seu corpo e arma adquiriram uma resistência acima do normal, contudo, isso também lhe dava a vantagem de sua agilidade e velocidade aumentarem drasticamente graças a propriedade do elemento.

Entretanto, por mais que tentasse, foi impossível de deixar a energia vazar. Sua aura de cor dupla, como a de Rie, mas com o prata em abundância e pequenos cacos azuis em comparação. Linhas de energia o rodeavam e faíscas saiam de si, que tingia seu poder mudando ele de tom, fazendo-o piscar entre um púrpura e um safira.

— Eu não vou deixar você se mover! — Exclamou Rie, brandindo o seu sabre e criando um arco de energia na vertical.

Aquela rajada avança até Jun de forma avassaladora, porém não se tratava de algo qualquer. Uma onda de gelo imensa e afiada ia se formando e crescendo mais e mais conforme se aproximava dele. A intensidade e o poder daquilo eram absurdos. Parecia um tsunami triturando a existência de tudo à sua frente conforme avançava.

— Ops… — comentou Rie após ver o estrago que causou.

Jun olhou para o seu lado estupefato, de joelhos no chão, após quase não conseguir desviar daquela tempestade assustadora que tomou parte da sala, indo até o teto. As próprias estalagmites, paredes e pilastras de um fio que pareciam cortar qualquer coisa, se mantiveram num brilho reluzente que indicava o tamanho do poder.

Duo era o nome para o tipo de usuário que Jun e Rie eram. Esse era um poder que só podia ser alcançado após dois usuários com esse fator fazerem a união de auras, como eles. E isso lhe dava uma energia mais forte, mais rápida e mais intensa que as demais.

Com esse simples balançar de espada, Rie estava mostrando uma fração da imensidão desse poder. E isso deixava Jun apavorado. Até mesmo ficava sem fôlego para observar.

Ao mesmo tempo, ficava angustiado. Esse era um potencial que era capaz de alcançar, mas por causa do sacrifício que fez estava desse jeito…

Agora é um completo fracote.

— Tá bom, já deu de ficar se exibindo e decidiu começar a fazer algo? — provocou Jun, usando isso como motivo para superar a própria aflição e não deixá-la transparecer.

— Olha só quem fala… Se continuar agindo assim, eu vou fazer que você tenha que dormir no sofá essa noite! — E respondeu Rie, emburrada.

A jovem então dá um sorrisinho para ele. No entanto, Jun não se deixa levar por essa atitude. Agora ele iria atacar fogo com fogo. Conhecia muito bem os pontos fortes e fracos de Rie. Ela só estava com um poder drasticamente avassalador agora, mas isso eram detalhes.

Numa arrancada, ele investiu em ataques contra ela. Porém, outras rajadas de gelo foram lançadas em sua direção. Jun salta, larga a espada que volta a ser adaga no ar e morde o cabo com a boca para a assegurar e vai usando as mãos para se apoiar nos espinhos de gelo.

Seus pés tocam no chão e então deslizam, dificultando o seu equilíbrio. Ele empunha sua arma de volta e, em meio a sua transformação, a crava no solo fazendo uma onda de eletricidade se dissipar, assim derretendo a superfície escorregadia ao redor de si. No entanto, por alguma razão a área que atingiu foi só o bastante para conseguir se equilibrar.

— Dessa forma, eu só estou brincando com você. — Rie dava risadas, como quem estava se divertindo da situação. Para ela isso realmente deveria somente parecer uma besteira, e Jun estava começando a ficar irritado.

O ruivo, então permanece em silêncio e muda a expressão de seu olhar. Uma postura que ele não assumiu quando duelou contra ela da outra vez, mas quando enfrentou Renji e Noburo, e percebe a hesitação dela ao vê-lo se portar dessa maneira em relação a ela.

Eu não posso fazer uma luta no ar, se não ela vai arranjar alguma forma de me pegar e derrubar, como foi da última vez… Mas também não posso fazer isso no chão, pois ela está tirando todo o atrito para eu me mover.

Ele então ficou usando arrancadas de aura para se movimentar. E assim suas espadas, entraram pela primeira vez em confronto. Em uma dança frenética a cada impacto delas se acertando, fazendo faíscas e partículas luminosas jorrarem, arcos de aura envolviam os dois e se propagavam ao redor e, em meio a tudo isso, Jun sequer podia pisar em alguma superfície.

 O garoto precisava estar sempre em movimento, porém isso parecia ser severamente mais difícil do que devia ser. E conforme Rie dava seus ataques que faziam uma casca gélida envolver o corpo dele, fica mais complicado. 

Foi quando deu um click em sua mente. O poder de Rie era a coisa mais efetiva para conter o dele. Ao reduzir a temperatura ao redor, se tornaria cada vez mais complicado de se mover rapidamente, pois as partículas, moléculas de ar e outros elementos vão passar a se mover mais lentamente. Até mesmo concentrar sua aura com o elemento elétrico imbuído se tornava mais difícil. Ainda assim, não acredita que ela tenha pensado nisso, pois é um conhecimento específico demais.

Se ele não tivesse calor e atrito, como também uma área decente para se movimentar, jamais conseguiria vencer dela. E as habilidades de Rie eram as mais eficientes possíveis em todos os fatores contra ele.

Enquanto isso, a minha mãe tá se divertindo observando tudo, comendo um salgadinho naquela arquibancada… Qual que é o prazer que ela tem em botar um casal pra brigar?

Frustrações à parte, ele tinha que descobrir uma forma de lidar com ela e contra-atacar. Se ele não podia pisar em nada, então ele não faria, pois só precisava se equilibrar. Com esse pensamento em mente, envolveu seu corpo com a eletricidade, assim criando um campo eletromagnético na direção oposta em que seus pés tocavam.

— Como é que você tá fazendo isso!? — exclamou Rie, surpresa — Bem, tanto faz, não tem como você mover direito.

Usando sua magia, a garota criou inúmeras paredes ao redor, assim fazendo o ambiente ficar cada vez mais fechado. Entretanto, usando dessa ideia de criar um campo magnético, Jun andou pelas paredes, tetos e foi manobrando por esse cenário. Ela podia tentar mudar a forma de seu gelo, criando espinhos, ou ondas gigantescas como a de antes, porém agora ele era capaz de reagir.

Não o permitindo só avançar em linha reta até ela, a garota lançou rajadas imensas de gelos, como inúmeras pilastras que se juntavam tentando acertar, em conjunto de inúmeros cristais que voavam ao redor. Jun tentava os cortar, porém quanto mais os acertava, aquela casca gélida tomava conta e perdia velocidade. Ele não poderia só tentar desviar e os evitar.

E é quando Rie conjura uma enorme onda de gelo, mas que dessa vez cobre a sala inteira na intenção de esmagar Jun. No entanto, submerso naquilo, ele absorve toda a energia. Seus olhos brilham em azul e sua aura puxa mais a coloração da garota.

É verdade… por causa da união, nós podemos dividir a energia! Talvez eu tenha alguma chance contra ela, posso usar isso ao meu favor!

Ele não precisava mais fugir ou tentar contra-atacar, pois agora sabia que nada que ela fizesse teria efeito nele. Na verdade, só serviria como uma fonte para o fortificar. E enquanto Rie não percebesse isso, Jun iria tirar vantagem!

Não importa o quão espalhafatoso seja esse seu poder, um de nós só vai ganhar do outro se conseguir acertar um a espada… E quanto a isso, eu serei o único!

Jun sacou a segunda adaga da bainha e aquela lâmina cresceu em meio a um corte no poder gélido da garota. Ele então se fortificou e com aquela empunhadura dupla soltando faíscas púrpuras deu um dash perfurando toda aquela imensidão de poder.

 

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