Shelter Blue Brasileira

Autor(a): rren


Volume 3 – Arco 2: Desejos

Capítulo 2.1: Mesmo que seja patético

Submerso no subterrâneo, sob um céu sustentado por pilastras brancas preenchidas por espirais que pareciam não ter fim, ele se viu presente. Naquela cidade cravada no mundo, sob ilhas imensas que flutuavam sobre um lago de águas luminosas, caminhou.

Entre pequenas ilhas suspensas ao redor, viu o próprio reflexo diante de uma cascata em queda infinita. Nos tons de azul e claros, notou o vermelho contrastando. Contudo, diferente daqueles espectros que o faziam sentir-se acolhido, a disparidade não o completava; expunha seu deslocamento no contexto em que estava.

Pelo que escutou, o homem de cabelos pretos e olhos vermelhos, ficou olhando quando ele apagou e logo foi embora. Yuri chegou no local, recuperando a casa com sua magia, porém um grupo de Ones chegou e estabeleceu um acampamento na volta para garantirem que ninguém as vejam enquanto estiverem sob suas posses.

Um garotinho não sobreviveu ao ataque de corte feito por Rie ao ter sido desviado pelo inimigo. Enquanto, outra garotinha, devido ao estresse do momento, ocorreu de despertar sua aura em uma idade muito prematura. Suspeitam que ela seja desse novo tipo, chamado de Duo — Jun se recorda de ver a energia tendo um aspecto reflexivo. Contudo, ao menos, ela conseguiram levar até um hospital e livrá-la das mãos dos Ones. O líder dos cavaleiros reais, por alguma razão, optou por ignorá-la.

No presente, Jun ainda não processou tudo para saber como se sentir.

— Nós já estamos quase chegando… — comentou a mulher de longos cabelos castanhos, que cintilavam sob a luz das pedras de energia.

Um local próximo, mas distante de onde ele desejava estar. Se colocasse em um mapa, sua posição ficava no extremo oposto de onde Rie estava.

Embora também estivesse naquela área subterrânea da cidade, o lado norte se opunha ao sul, onde sua namorada estava abrigada com a família, a avó e a irmã adotivas. Havia diferença entre o cenário e o comportamento das pessoas.

Em geral, os Zeros que se dedicavam a áreas derivadas do combate eram os que já tinham atingido uma idade que os tornava inúteis no campo de batalha. No entanto, naquela região esse traço não se repetia como na área em que a garota de cabelos brancos vivia. A densidade de jovens e adultos era considerável.

— Eles moram muito próximos da borda… — Jun começava a dar sinais —de impaciência de tanto andar.

Em meio aos inúmeros cristais luminosos, fadas e à decoração de ferro forjado negro que ornamentava os edifícios de telhados azuis esculpidos em rochas brancas, eles se moveram entre pontes e escadas nas ilhas de superfícies íngremes. Esse tipo de construção também existia na superfície, porém em menor escala, uma vez que prédios de vidro preenchiam a paisagem.

Isso destacou para Jun o quanto as perspectivas mudavam ao se estar em uma região diferente da mesma cidade. Em comparação aos Zeros da superfície, que estavam quase o tempo todo em uma batalha cruel contra as bestas do exterior, os do subterrâneo, por serem especializados em mais categorias, demonstravam comportamentos variados.

As crianças estavam na companhia dos pais na maioria das vezes, assim como situações cotidianas que não envolviam lutas eram mais observáveis. Acima da terra, situações como essa também eram comuns; o ambiente não era deserto porque vários arriscavam a vida, contudo esse contraste se tornava evidente.

— Olha só, não mudou nada nesses últimos anos. — disse Yuri ao chegarem a certa residência que encontraram pelo caminho.

— Dá até pra ver o final da ilha e as entradas das cavernas daqui. — Jun falava como quem tinha acabado de alcançar o fim do mundo.

— Para pessoas como nós, viver em lugares afastados é vantajoso. — Yuri deu de ombros em reação.

Se ele fosse fazer uma comparação, a situação não era diferente de quando viveu com a avó. Também se tratava de um local isolado, algo que muitas famílias com técnicas raras preferiam para evitar atenção excessiva e, consequentemente, oportunistas. Todavia, dessa vez, a razão se devia ao tipo de pessoas que estavam prestes a encontrar.

À primeira vista, a residência seguia o mesmo padrão das demais, porém era maior, pois dava a entender que uma parte se tratava de algum tipo de loja, enquanto a outra era a moradia de quem vivia no lugar. Havia um quintal com árvores, contornado por uma cerca de ferro, algo incomum na região, mas que evidenciava a vantagem de estar em um terreno plano.

Jun não sabia dizer qual tipo de serviço era comercializado. A placa sustentada por correntes ao lado da porta possuía um símbolo que não reconhecia em comparação aos demais. Aparentemente, era a representação de alguma conjuração mágica ou feitiço.

Quando estavam prestes a empurrar a porta para entrar, ela se abriu. Ao menos foi essa a impressão, pois o que aconteceu foi que uma garota a abriu no mesmo instante. Ela falou:

— Eu estava esperando vocês, o pai mandou eu ficar cuidando até chegarem, e eu fiquei muito tempo aqui — disse como quem já estava de saco cheio de algo. Contudo, exibiu um sorriso em seguida.

— Nossa, você é a Aya? Meu Deus, já virou uma moça… — Yuki comentou com expressão chocada.

Se levasse em conta a última vez que as duas se viram, a garota devia ser bem nova. No entanto, Jun imaginava que ela estivesse no início da adolescência, com treze ou quatorze anos.

Ela se chamava Aya. Tinha cabelos azuis, num tom de safira clara, e olhos rosa quase magenta. Usava uniforme escolar com laço borboleta da cor da íris, blazer cropped e saia de cintura alta.

Não era do mesmo tipo do usado na academia de Jun e, considerando que estavam na zona norte do subterrâneo, a escola mais próxima devia ficar na região correspondente da superfície. Em teoria, as quatro presentes na cidade eram a mesma instituição, mas possuíam essa peculiaridade. Durante a festa, todas se encontrariam para competir.

— Ei, que tipo de forma é essa de tratar os familiares, menina? Eu não te dei essa educação. — Uma voz masculina surgiu.

— Ficar esperando foi chato. — A garota de cabelos azuis fez um beiço.

Um homem, também de cabelos azuis e olhos magenta, apareceu. Considerando que ele era o irmão três anos mais novo do pai de sua mãe, portanto tio-avô de Jun, devia estar na metade dos quarenta anos. Como Yuri tinha trinta e três naquele período, ele seria pouco menos de quinze anos mais velho, já que essa era a idade em que Zeros costumavam ter filhos, segundo a tradição.

Seu avô fora um One, e não qualquer um. Apesar de ter nascido entre os Zeros, ascendeu na sociedade dourada até se tornar rei. Para Jun, essa figura permanecia envolta em mistério; sabia pouco a seu respeito, exceto que sua mãe o teve numa idade próxima à do pai dela. Assim, ele era jovem para o padrão da sociedade que passou a governar.

De todo modo, isso significava que Jun finalmente encontrava alguém que só tivera uma filha mais tarde, em comparação à cultura dos Zeros. Ele e Rie talvez não fossem tão estranhos por começarem mais velhos que os demais.

— E esse moço aí? — perguntou o homem.

— Então, esse é o meu filho mais novo, ele mudou bastante, né? Bem, da última vez que você o viu, era uma criança e a Aya tinha acabado de nascer.

Ele olhou para Jun com a face assustado. O garoto, que até então sentia alívio por encontrar algo com que se identificava, se encolheu, tomado por um impulso de se afastar.

— Minha nossa… Você é quase idêntico ao Daiki…

“O nome do tal rei de novo… É um nome comum pra passar a imagem de alguém importante.”

Ao se recordar, não era a primeira vez que Jun recebia essa comparação. Quando ficou cara a cara com a rainha e lutou para matá-la a qualquer custo, a mulher comparou sua aparência à do falecido marido. De um jeito ou de outro, ainda era um parente, embora já tivesse a predisposição de odiá-lo por ser um One.

— Já me falaram que sou uma versão masculina da minha mãe, mas isso é novo. — perguntou na intenção de saber mais a respeito.

— Bem, você é uma versão ruiva do Daiki.

— Qual era a cor do cabelo dele?

— Ele tinha cabelos pretos e olhos azuis iguais aos seus.

— … Hm.

Então, indo ao cerne da questão: Yuri trouxe Jun à residência desses familiares com quem tinha pouca proximidade, devido à situação que ele e a noiva enfrentaram perante os Ones. E a razão principal era que, o tipo de aura de Jun mudou devido à união, deixando de ser tão forte quanto antes.

Yuri passou as informações necessárias a esses parentes e, a partir daquele dia, Jun passaria a ficar com eles durante o período da festa, enquanto o treinavam. Eram as pessoas com maior conhecimento a respeito da aura de Duo, que despertou junto de Rie. E, por serem família, era hora de transmitir suas técnicas adiante.

Foi com eles que Yuri aprendeu suas habilidades e, pelo que Jun notou, ela desejava que ele aprendesse o mesmo. Havia uma rivalidade entre a aceleração cultivada pela parte de seu pai e o que ele estudaria agora, pois ambas eram magias de ampliação, uma variação avançada da concentração de aura, rara de se ver em uso.

— Bem, deixa eu me apresentar: me chamo Shiro Hirose, e essa minha filha é a Aya Hirose. Sou o dono dessa humilde loja de encantamentos.

“Essa também é uma especialização avançada da magia, mas ligada à conjuração. Para dominar algo desse nível, esse homem não deve ser pouca coisa… acho que começo a entender como aquela pessoa se tornou rei…”

— Não estou familiarizado com esse tipo de função, o que é? — Jun percebeu que agia com mais cautela que o habitual.

— Faço encantamentos que concedem propriedades extras a armas e equipamentos por tempo limitado. Posso adicionar resistência a uma armadura ou o elemento fogo a uma espada para um usuário que não consegue utilizá-lo.

“Então isso quer dizer que ele também consegue usar múltiplos elementos? Tá, agora não tem mais brecha para duvidar da capacidade dele.”

— Acho que nunca vi alguém usando algo assim antes.

— Bem, a maioria dos meus clientes está nas linhas de frente, ou alguém que precisa de uma vantagem específica para cumprir uma missão igualmente específica.

“Ou seja, para quem enfrenta as bestas mais perigosas, como o meu pai… Ser capitão talvez não seja uma função tão boa…”

Dentro da loja, além de várias armas de aparência extravagante, ou “mágica”, por assim dizer, havia diversas gemas entre as prateleiras, vitrines e o balcão de atendimento. Guiado pela própria dedução, Jun imaginou que aquelas joias fossem usadas como auxílio para realizar encantamentos ou como material para criar tais efeitos.

Yuri conversava com Aya, enquanto Shiro se dirigiu a Jun:

— Antes de começarmos, quero ter noção de como você luta e do que consegue fazer até agora. Quais equipamentos você tem?

— Só estes. — Jun mostrou uma adaga da cor do sangue, além de dois frascos finos de poção de cura e mais dois de energia, guardados na bainha de modo que fosse difícil danificá-los.

— Então quer dizer que você luta com uma espada?

— Bem, já tentei usar mais de uma ao mesmo tempo, mas, no fim, ficou mais com uma arma reserva do que qualquer coisa. Mesmo assim, o que você quer dizer com isso?

— É que aqui, nós somos especializados em combate com empunhadura dupla.

“Espera? Isso é viável? Quando usei foi por desespero. Nunca imaginei que algo assim fosse funcional…”

Ele refletiu sobre aquilo por alguns segundos, mas guardou para si; não teria coragem de dizer isso diante dele. Ainda assim, aguardava o que viria a seguir com relutância.

 

◊ ◊ ◊

 

Após alguns minutos, todos se reuniram no quintal aos fundos da residência. Como ficavam quase colados à borda do subterrâneo, onde se encontravam entradas para inúmeras cavernas, como um labirinto escavado por formigas, o espaço era amplo, já que poucos queriam viver perto de uma zona de risco. Adiante, bestas podiam surgir a qualquer momento.

Jun manteve os ombros caídos e o olhar perdido no chão poeirento do pátio. O vento agitava de leve sua roupa, mas ele apenas bocejou balançando a lâmina entre os dedo. O tio queria avaliar suas habilidades por meio de um duelo. Entretanto, quem o enfrentaria era um tanto decepcionante.

“Que tipo de pai é esse que quer que a filha lute contra alguém mais velho?”

Como se lesse seus pensamentos, o homem disse:

— Peço que não julgue pelas aparências, mas a Aya é forte. E, na situação em que você se encontra, imagino que seja mais do que você. — Shiro falou com orgulho e convicção.

Jun apenas o encarou, sem alterar a expressão.

— Ouvi que agora você é como um bebê que acabou de despertar a aura, então para de fazer essa cara. — Ela completou, gesticulando de forma sapeca, com tom de zombaria.

O garoto de cabelos vermelho-carmim, que sob aquela iluminação assumiam um tom arroxeado, soltou um suspiro.

Aya sacou duas adagas, que se transformaram em espadas negras com contorno prateado, confirmando a especialização em empunhadura dupla. Jun ativou sua espada escarlate e se posicionou para o combate que se aproximava.

— Quero que você dê tudo o que tem. — O tio fez o pedido.

— Ok… — A resposta de Jun expressava o quanto achava aquela situação um completo saco.

A garota também entrou em posição e o encarou com olhar afiado. Uma brisa gélida ecoou entre os cristais de luz ao redor, fazendo um som de guizos ressoar. Ele concentrou a aura e, então, ouviu o anúncio:

— Comecem!

No instante em que a ordem foi dada, a garota de cabelos azuis desapareceu num piscar de olhos. A confusão atingiu Jun, que entrou em alerta. Ele alterou o estado da aura, assumindo a forma de eletricidade, e a expandiu ao redor. Um arrepio percorreu seu corpo.

Após breve hesitação, detectou a oponente, que surgiu às suas costas. Por pouco, conseguiu bloquear o ataque dela com a espada. Ainda assim, não a empunhou com firmeza, e sua defesa foi empurrada.

Sobressaltado, Jun disparou, traçando o rastro de um relâmpago da mesma cor que arma. A perplexidade o atingiu outra vez.

— Que cor é essa? — pensou em voz alta, sem perceber.

— É devido às partículas do ar. — Shiro respondeu de imediato. — Na superfície isso não deve acontecer, pois o ambiente é limpo. Aqui, devido aos inúmeros cristais de aura presentes, sua energia é influenciada, como um raio em meio a um ambiente poluído.

— Então quer dizer que o meu elemento não está puro o bastante?

— Isso. Mas veja pelo lado bom: seu controle não está ruim; caso contrário, a tonalidade que imbui sua magia seria amarela.

“É claro que não foi tão drástico como agora, mas não cheguei a notar diferença antes. Quando fiz aquele duelo contra a Rie, a cor foi o mesmo azul e roxo aos quais já estava acostumado. Mesmo assim, se seguir essa lógica… meu poder deve ter sido impulsionado por absorver a aura dela de forma inconsciente naquela hora, devido à união…”

— De todo modo, é bom focar nesse duelo de uma vez, a menos que queira deixar essa apresentação ainda mais feia para você.

Jun bloqueou um novo ataque da garota de cabelos azuis e desviou o olhar para Shiro por um instante. Cerrou o punho no cabo da espada e sentiu o atrito da pele com intensidade.

“Ele está fazendo isso de propósito? O que esse cara quer ao tentar me provocar dessa forma?”

Embora a desfeita começasse a surtir efeito, despertando irritação, ele não conseguiu se concentrar nisso. Num piscar de olhos, Aya surgiu diante dele. O garoto bloqueou o golpe com a mão direita, e faíscas se espalharam com o impacto.

A garota desapareceu outra vez e, quando percebeu, ela desferia um ataque lateral. Aya estava mais rápida do que nas duas investidas anteriores.

“Ela consegue se teletransportar? Não, ela não surgiu de um ponto a outro sem deixar rastros.”

Uma linha fina de energia rosa se tornava visível na trajetória dela; contudo, devido à velocidade, era impossível concluir que se tratava de uma arrancada de aura comum. Ela se movia de um ponto a outro com agilidade absurda, impossível de acompanhar a olho nu.

— É bom não me subestimar! — provocou, avançando a lâmina contra ele.

A espada de sangue recebeu outro impacto e, dessa vez, quase escapou de sua mão. No mesmo instante, a segunda arma negra da garota surgiu à frente.

“É como se cada movimento a fizesse saltar de uma posição para outra…  e conforme repete esse ato, a velocidade se acumula à anterior!”

Ele decidiu usar uma estratégia que já haviam usado contra ele. Fez a aura circular ao redor do corpo e ergueu uma barreira, desacelerando as investidas da oponente e ganhando uma fração de segundo para reagir. Com força, Jun rebateu um dos golpes, gerando uma onda de choque.

Uma breve abertura na defesa dela surgiu diante de seus olhos. A energia percorreu seu corpo como corrente elétrica, ampliando sua agilidade. Não era o bastante, mas suficiente. A lâmina da cor da noite desceu em um golpe vertical.

Aya cruzou as armas para conter o avanço, mas sentiu a colisão. Movendo-se em saltos de uma posição a outra, tentou contra-atacar sem sucesso. Em rajadas, alternando entre os metais escuro e sangrento, rastros luminosos, como relâmpagos em fúria, rasgaram o espaço por onde passavam.

Ondas se propagaram e fizeram a pequena área ao redor tremer. Partículas e faíscas voaram em cascata, atravessando o que tocavam e abrindo rasgos incandescentes na superfície ao redor. As espadas se tornaram linhas de traçado poligonal escarlate por onde cruzavam, desencadeando uma pressão sobre a jovem, que mal conseguia suportar.

— Bem, até que é meio surpreendente o que consegue fazer só com isso. — Ela comentou, sem ironia.

Na realidade, conforme aumentava a agilidade, sua velocidade crescia de forma exponencial. Era questão de instantes até ultrapassar Jun e deixá-lo para trás.

“Agora eu entendi, essa é a técnica de ampliação que minha mãe mencionou.”

No estado em que se encontrava, Jun era lento. Lento a ponto de se irritar com cada ação que executava. Era frustrante. E, entre tudo que compunha aquela situação, o pior era saber que nada podia ser feito naquele momento. Havia um teto que o limitava, e não possuía recurso para ultrapassá-lo. Para ir além. Para acelerar e continuar.

Essa realidade o atingiu quando a lâmina vermelha quase voou de sua mão.

— Para a forma limitada como você luta, isso já é o bastante — disse Shiro, como quem já perdera o interesse.

“Não. Isso ainda não acabou!”

A aura, antes fluindo em traços poligonais escarlates, se comprimiu e assumiu forma concentrada. As duas cores presentes em seu poder começaram a se mesclar. A energia piscou entre azul e roxo, intensificando-se em pulsos descontrolados, até se fundirem em um tom único e harmônico.

Um branco vívido, que brilhava como cristal de luz contendo um espectro infinito, passou a fluir de modo controlado. Era a força que a união com a pessoa que mais estimava lhe trouxera. Não havia mais impurezas naquela corrente que o preenchia, apenas um estado puro.

— A partir de agora, eu só vou precisar dessa adaga para lidar com isso — falou ao desativar a espada e apontá-la para a garota.

— É sério? — Ela soltou risos em deboche. — E quem você acha que é para dizer isso?

— O único — anunciou, com as íris imbuídas na mescla de prata e púrpura reluzente.

 

◊ ◊ ◊

 

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