Volume 2 – Arco 1: União
Capítulo 6.4: Rasgue o infinito como um feixe
Em um único golpe, ele partiu as correntes nas algemas que prendiam a garota. Jun, então se agachou para pegá-la e ajudá-la a se levantar. Rie estava muito quente. Era como se o corpo dele estivesse ardendo em chamas. Além disso, ela demonstrava muita dificuldade para conseguir se manter em pé.
Ainda deveria levar algum tempo até que chegue a hora em que seu núcleo se apague de vez. Mesmo assim, Jun sequer chegou a imaginar que ela ficaria nesse estado, antes de seu trágico fim acontecer. Contudo, essa era somente uma hipótese.
Rie viveria. Esse era um fato que ele tornaria realidade.
Mas, antes de tudo, precisava se livrar de um problema aparte. Para falar a verdade, de um grande incômodo que assombra sua vida até então. Aquele homem de olhos vermelhos e cabelos loiros, vestindo um uniforme de major.
— Inaceitável! Simplesmente, inaceitável! Eu não posso acreditar que alguém como você tenha conseguido chegar aqui tão rápido!
— Se não tivesse que desviar daqueles soldados, teria vindo antes — Jun falava de forma provocativa, como se quisesse mostrar que, o que havia feito, não foi nada demais.
— Cala a boca!
— Oh, ficou brabo, é?
Noburo morde os lábios e, com passos pesados, pega uma seringa em cima de uma mesa e a injeta em seu braço imediatamente. Brevemente, partículas de uma aura dourada com um interior sombrio, jorram do corpo dele. S esse modo Jun se assusta e entra em postura de combate.
— Rie, você não está em condições para lutar, então deixa que eu cuido disso. Apenas tenta se proteger, por favor.
— Tudo bem… Toma cuidado, tá? — A voz dela estava fraca, porém transmitia toda a preocupação que tinha no momento.
Para Jun era surpreendente que, apesar das circunstâncias, ela sempre conseguia passar esse tipo de motivação para ele. Não importava se Rie estivesse sofrendo no momento por causa de um estado que a levaria à morte. Essa garota emitia uma luz que, definitivamente, o fascinava de formas que sequer conseguia expressar.
Por mais que pareça algo bobo, isso só aumentou a sua motivação. Aquele indivíduo, que acabara de sacar um sabre da sua bainha, não era nada para ele. Se fosse para proteger Rie e fazer com que seu brilho continue a reluzir, ele se superaria e iria além de quaisquer limites que pudessem existir.
Então aquele aumento súbito de poder foi por causa daquela droga… Só espero que as coisas não fiquem pior do que já estão, por causa disso…
— Eu vou te matar! Vou te matar seu desgraçado! Já estou cansado de você destruindo a minha vida!! — O major exclamou, partindo em investida.
— Olha só quem fala…
Jun não queria se tornar um assassino, apesar das vidas que acabou tirando até então — seja sem querer, ou por não ter outra alternativa. No entanto, para essa pessoa em específico, ele faria uma exceção. Alguém tão distorcido, como essa pessoa, na qual já perdeu todo o resquício de humanidade que lhe restava, devia ser eliminado de vez.
As ires dele se intensificam num brilho prateado feroz ao acelerar, e ele parte num dash. Sua espada se choca contra a do inimigo. Elas raspam uma na outra e faíscas são expelidas pelo ar. E então, as lâminas entram em um embate frenético, em meio a um som metálico que ecoava sem parar.
A arma de Noburo é envolvida por um poder sombrio com o contorno em dourado e assim, ele tenta esmagar o garoto com um ataque que emite uma onda extremamente carregada. Contudo, Jun desviou-se para costas dele, desferindo um contra-ataque que traçava um arco prateado de um brilho pujante.
Os poderes se chocam, fazendo o cenário ao redor tremer. A cada impacto que causavam, clarões se formavam e o mundo ao redor balançava. Ainda assim, Jun continuava. Rasgando sua volta como um trovão desferiu múltiplos golpes, num ritmo descontrolado que só acelerava.
Um estrondo pode ser escutado e então, uma estocada quebra a barreira na volta do homem, na qual criava para impedi-lo de avançar. Relâmpagos jorram de Jun e ele parte numa arrancada, traçando uma linha reluzente de poder. Como um cometa, deixava um rastro ao redor, que circulava o adversário e tentava fatiá-lo formando um barbante que se entrelaçava ao redor.
— Esse seu showzinho de luzes não vai funcionar de nada contra mim! — Ao som desse grito, Noburo lança Jun para longe, criando uma explosão de aura.
Numa questão de instantes, ele dá uma investida de modo que suas espadas se chocam novamente, desta vez fazendo com que elas sejam empurradas para trás. E o major tenta se aproveitar da breve quebra de posturas para desferir um corte horizontal, mas que Jun desvia ao pular. Ele então gira seu corpo e golpeia o rosto de Noburo com um chute, em que cria uma onda de impacto ao redor.
Com um dash volta à superfície. Seus pés deslizam por um breve momento, deixando um rastro de energia por onde passa, mas ele avança logo na sequência. Um arco de um dourado tomado pelas trevas cobre seu campo de visão e, em reação, Jun se agacha. E como uma navalha que gira sem parar, um ciclone de cortes se ergue aos poucos, começando a retalhar o inimigo.
Contudo, Noburo não parecia que iria se deixar abalar. Com um grito de fúria, ele canaliza a energia dourada, rompendo o turbilhão de ataques e criando uma onda de choque que afasta Jun. Mas ele se recupera em milésimos, com um movimento ágil lançando-se novamente para o ataque.
O homem ergue sua mão para o alto, criando uma barreira na sua volta, bloqueando os golpes do garoto. Físicas voam incessantemente com cada impacto. Jun intensifica sua velocidade, deixando rastros de sua própria silhueta. Ele não parava de acelerar, ao ponto de tornar-se impossível de processar seus movimentos. Desse modo, quebra a guarda do inimigo e desfere um golpe carregado na perna dele, cortando aquela barreira de energia sombria.
Guiado por seu ego interminável, o major tenta recuar. Ele concentra seu poder e lança um ataque em resposta. O cenário é tomado por uma escuridão densa, enquanto pulsos dourados se propagam pelo ar, buscando atingir Jun. No entanto, ele desvia de cada um deles sequencialmente, sem dar brecha de ser atingido. E avança como relâmpago reluzente afastando toda a escuridão.
Indo de um lado para o outro, as lâminas entraram em um empate frenético. Faíscas, partículas e ondas de energia se espalhavam. E a corrente de poder dentro de Jun acelerava cada vez mais, e sua energia prateada reluzia violentamente. Porém, Noburo em meio sua fúria ergue a espada para cima e cria uma esfera sombria na ponta. Ele dispara contra o garoto. Aquelas trevas se expandem e tentam engolir ele de uma vez por todas.
No entanto, com um rápido arco horizontal, a esfera de escuridão é atravessada em cheio. E aquela aura maligna se espalha pelo local como gotas, em meio a uma explosão que se estende de forma suave, porém extremamente rápida.
—Não importa o que faça, você jamais irá me parar! — O garoto exclama, freando por um breve instante.
Jun puxa o braço para trás, intensificando sua luz na lâmina, que brilha de forma incandescente e reluzente. E assim move seu punho repetidas e repetidas vezes para frente, num único instante. Centenas de linhas, como estrelas cadentes voavam em direção a ele, criando rasgos na realidade fazendo-a tremer com cada impacto que causava na barreira que o alvo usava para se cobrir.
Jun grita com todas as suas forças. Um que transmitia toda sua vontade para esse seu ataque, no qual atravessava aquele homem como um emaranhado de agulhas.
Ele não iria se desesperar e se levar pela emoção outra vez. Toda energia que exalava não era desperdiçada, seja na menor quantidade que fosse possível. Jun, ainda possuía uma capacidade que estava longe de se esgotar. Apenas sabia que era capaz de ir cada vez, mais e mais além do que já foi.
Desse modo, o mundo a sua volta desacelera. As estrelas passaram a se mover devagar. E rasgando o infinito como um feixe. Jun avança e atravessa o peito daquela figura com sua espada, em meio a milhares de partículas que se espalham pelo ar.
— A esse ponto, a única coisa que eu consigo sentir é pena de você. Chega a ser triste que um ego distorcido o tenha feito perder a razão, ao ponto de abandonar sua própria humanidade… — E Jun puxa sua espada, virando-se logo em sequência para ir de encontro a Rie e levá-la embora desse lugar.
Entretanto, ele rapidamente parou e olhou de volta ao som da voz do major:
— Você está errado… Eu não abandonei nada, apenas me tornei algo melhor. Um ser perfeito e superior! — Noburo falava enquanto todos os seus ferimentos se curam gradualmente.
— Francamente… — O garoto solta um suspiro. — Só de ouvir algo ridículo de você, como isso, apenas prova o que eu disse. Agora, você não passa de um ser lamentável que rasteja para devorar qualquer tipo de poder, como uma besta.
— Seu desgraçado! Como ousa me comparar com aquelas aberrações!
— Pois é a verdade. Simplesmente olhe para você, onde está aquela aura dourada, única e especial de um One? O que eu vejo é uma energia tomada pelas trevas, que nem aqueles monstros.
— Eu vou te matar seu desgraçado!
Usando uma de suas barreiras, o homem cria uma delas em cima de Jun e tenta esmagá-lo. O garoto cai e é empurrado para baixo, fazendo com que rachaduras começassem a se formar no chão.
— Jun! — Rie grita em preocupação tentando correr para socorrer o namorado, mas que cambaleia só de tentar se mover.
O garoto faz um sinal com a mão para ela e então se apoia nela para se reerguer. Ele acelerava, de novo e de novo. Múltiplas vezes, criando uma corrente de energia, por cima da outra, que se intensifica progressivamente. A energia começa a vazar de seu corpo como uma fumaça ardente e brilhando de forma reluzente, com um cristal que reflete o mundo ao redor.
— Mas que droga! Por que você não morre, praga?! — E Noburo era cada vez mais tomado pela fúria e o desespero.
Contudo, ele se ergue por completo, perante aquele ataque como se fosse nada. Sua aura jorra numa rajada de um brilho violento. E assim seus são olhos preenchidos por um prateado de luz pura, imbuído por uma eletricidade purpura na qual transicionava para um tom azulado em flashes.
— Enquanto eu tiver alguém que eu goste para proteger, eu jamais irei morrer!
As linhas se entrelaçam pela luva na sua mão esquerda e vão até a ponta dos seus dedos. Desse modo, numa rajada, conjura raios que crescem do chão e começam a perfurar o major, desenfreadamente. Salta e um ciclone se forma ao redor, fazendo Noburo disparar em direção ao céu, partindo os relâmpagos em cacos.
E Jun avança para alto sem parar, atravessando aquela barreira, indo mais além do que nunca já foi. Toda a sua luz converge na espada, se intensificando num brilho reluzente e avassalador, concentrando aquela chuva estelar num único ponto. A manga em seu braço direito começa a incendiar, se partindo em brasas.
No entanto, quando ele para de voar e se prepara para investir em direção ao solo, ele repara ao seu redor. Jun se encontrava no meio de uma vastidão na qual desconhecia. Ao longe podia enxergar o nascer do sol, com seus feixes colorindo uma imensidão de nuvens que parecia não ter fim.
À sua volta tudo era tão extenso, de modo que não conseguia ver onde acabava. Era como se ele estivesse perante a um mundo ilimitado, onde não existiam quaisquer barreiras, apenas um infinito assustador. Entre tudo isso, ele se sentia extremamente vulnerável. Se sentia assustado nessa vastidão, além de sua compreensão. Seu coração palpitava, e ele não conseguia controlar.
Sentia uma emoção que não sabia descrever. Isso o emocionava e fazia querer continuar. Desejava fortemente poder desfrutar desse mundo sem fim, porém, agora estava sozinho, sendo incapaz de mostrar isso para qualquer um.
Entretanto, essa se tratava de uma realidade que não iria mais continuar…
É a partir desse momento que esse mundo começa a mudar!
Atravessando a barreira do som e indo cada vez mais adiante, Jun rasgou esse infinito. Ele apontou sua espada para frente e foi de encontro àquelas trevas que tentava ofuscar a sua luz. Como um cometa deixando um rastro interminável para trás, continuou a acelerar. E assim, criando um clarão, sua lâmina atravessou o peito daquele homem, fazendo uma rajada feroz jorrar.
Investindo contra a superfície, num ritmo contínuo e desenfreado, sua lâmina tocou o centro da torre se partindo em pedaços, mas que mesmo assim a energia continuou a avançar sem ele. O metal sólido que a formava, então tornou-se líquido e foi empurrado para os lados, numa espiral de um vermelho incandescente que gritava derretendo tudo em chamas ao redor.
Por favor, por favor, por favor… Por favor, dessa vez é sério! Seja rápido! Mais rápido do que qualquer um e resgate ela de uma vez!!
Em meio ao ar, Jun foi até Rie. Ele estendeu sua mão para tentar alcançá-la, e ela, mesmo que fraca e bastante incapacitada, também. Depois de tudo que aconteceu, a única coisa que queria fazer era abraçá-la, e assim fez. Num dash, envolveu seus braços nela. Sentiu o calor de seu corpo e desse modo, os dois puderam escorar suas testas uma na outra e sorrir.
— Me desculpa por te deixar tão preocupado — Lágrimas escorriam do rosto da garota.
— Não tem problema. O importante para mim é que você esteja bem e, principalmente, viva. Tão viva ao ponto de conseguir sorrir nessa situação!
Era esse brilho que Rie propagava que dava forças e as para Jun continuar. Esse no qual poderia reluzir num mundo maior e sem fim. Em meio às constantes arrancadas de aura que o garoto fazia para os dois aterrissar, em um único piscar de olhos, toda aquela parede de vidro ao redor, como se fosse uma bolha ao estourar, parou de os cercar.
Pela primeira vez, os dois podiam visualizar a realidade que tanto lutaram para alcançar. Como pássaros, agora podiam bater suas asas e voar. Atravessar esse céu infinito e ir o mais longe possível e desaparecer em meio a vastidão.
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