Shelter Blue Brasileira

Autor(a): rren


Volume 2 – Arco 1: União

Capítulo 6.2: Rasgue o infinito como um feixe

No instante que despertou, rapidamente se levantou. Seus olhos, automaticamente, foram envolvidos por sua aura prateada. A única coisa que possuía na sua cabeça era aquela garota de cabelos brancos e olhos azuis. Precisa ir atrás de Rie, quanto antes. Não podia deixar a pessoa que mais amava ser tomada por indivíduos tão desumanos.

Contudo, onde era que ele estava?

Trata-se da sala de um quarto, porém uma na qual não possui janelas. O chão, as paredes e os tetos eram feitos completamente de vidro. A ilusão era de que estava suspenso em meio ao céu noturno, ou pelo menos, entre um emaranhado de cores azuis sombrias.

— Que bom que você acordou… Eu fiquei tão preocupada quando desmaiou… — Palavras cheias de preocupação e uma certa angústia, saíram da boca daquela mulher.

Yuri Asano com seus longos cabelos prateados e olhos da cor de um rubi, encaravam Jun, o seu filho. Ele a observou de volta. Ainda não sabia como devia se comportar perante a ela. As inseguranças criadas pelos acontecimentos do seu passado, não o amedrontava mais, mas, mesmo assim, encará-la no presente era algo em que estava sem tempo para fazer. 

— O que aconteceu? Cadê a Rie?

Embora ela fosse a sua mãe, na atualidade, trata-se de uma pessoa na qual esteve distante dele durante anos. Portanto, aqueles laços que uma vez estiveram extremamente fortes, agora estavam enfraquecidos. Esse fato não o machucava, apenas tinha noção de que precisaria ser um pouco paciente para começar a reconstruí-los. Entretanto, nesse instante só queria saber daquela garota.

Rie é a pessoa mais importante e preciosa para mim agora. Eu não posso perdê-la de forma alguma. Ela é o meu mundo…

— Os soldados a levaram. E quanto aquele homem, escapou após ser arremessado para longe pelo seu ataque que o fez desmaiar. Não sei se ele saiu vivo daquilo e conseguiu escapar, mas eu aproveitei para resgatá-lo. Essa foi a única prioridade que tive naquele momento.

— Entendi…

A aura em suas íris, então desapareceu. O garoto se acalmou e observou melhor a sua volta. Seu blazer vermelho e colete preto estavam dobrados logo ao lado da cama em que acordou e, para sua surpresa, no corpo não haviam mais machucados. Para falar a verdade até mesmo os rasgos em sua roupa haviam subido.

— Então você utilizou aquela magia de recuperação em mim? Não sabia que dava para fazer coisas, além de machucados, retornarem a um estado anterior, também.

— Sim, eu de fato usei isso para te salvar naquela hora. E também, essa não é uma magia que faz as coisas retrocederem, como se voltassem no tempo, apenas ser para reconstruir uma situação que deixou de existir.

— Mesmo assim, ainda é algo muito absurdo.

— De todo o modo — Uma expressão séria surgiu na face dela — Eu posso não saber do que se trata, mas você fez algo extremamente imprudente! Uma técnica que queima energia de uma forma massiva é algo que poderia lhe matar tranquilamente por falta de aura.

Jun já estava ciente disso que ela falou, mesmo assim, não muda o fato de que havia se descontrolado naquele momento. Estava tão possesso na ideia de eliminar Noburo de uma vez, para que conseguisse ir atrás de Rie sem problemas que acabou colocando poder demais naquele golpe. Algo que não o fez ter mais força; apenas que desperdiçou sua capacidade graças a suas emoções instáveis.

— Quando acelero mais de uma vez ao mesmo tempo, eu intensifico minha velocidade, num estado que consigo manter sem problemas. Mas se faço isso sem parar, acabo atingindo aquele poder, o que faz eu gastar energia continuamente.

— Porém, naquele caso, você tentou ir além do que conseguia fazer. Tentou chegar a um ponto no qual ainda não era capaz, no qual o fez perder o controle e explodir… Mesmo que você me diga que sabe usar essa habilidade, ainda não muda o fato de que a usou de forma imprudente!

Jun apenas baixou a cabeça e aceitou as palavras que ela falara. Não havia motivos para contestar, pois sabia perfeitamente que sua mãe estava correta quanto a isso. Apesar disso, ele precisava ser mais forte, no entanto, agora que Rie estava longe do seu alcance, como iria conseguir? Isso não era algo no qual podia ser conseguido sozinho.

Mas, por hora, seria incapaz de pensar a respeito desse problema. A entrada de uma segunda pessoa no quarto, o fez guardar suas incertezas por um momento.

— É bom ver que você está bem…

Era Mikio, em que demonstrava uma expressão de alívio ao vê-lo. Não sabia dizer se era por causa de algum preconceito que existia dentro de si que desconhecia até então, porém, cada vez mais as atitudes do seu irmão o surpreendiam. Ele, de fato, havia se preocupado com Jun quanto havia desmaiado naquela situação.

— Aqui está a espada que você pediu para aquela garota me entregar — Mikio disse, estendendo sua mão.

O garoto de cabelos vermelhos pega a adaga e saca ela dá bainha. Então, em um simples piscar de olhos, aquilo cresce e se torna uma espada. Diferente da sua lampejo estrelar, essa era como se fosse o céu noturno preenchido pela escuridão.

— Espera, essa espada… — Os olhos de Yuri, então se arregalaram — Aquilo que eu disse para você, sobre ser imprudente, então não serviu de nada?!

— Então, você sabe que essa foi a causa de ter caído naquele sono?

— Sim. Eu sei muito bem, mesmo que tenha percebido que isso estava me matando quando já era tarde demais.

— Se não fosse por causa do Mikio, eu nunca teria percebido que isso era algo capaz de me destruir por dentro se não usasse da foram correta. Por mais que ainda seja muito poderoso do jeito errado.

— A questão é que isso foi feito para usuários no qual já despertaram a tal aptidão e se tornaram um Duo, pois possuem uma aura mais intensa. Uma energia comum não é assim, portanto, ao usar isso sem ter alcançado o poder necessário, faz com que seja destruído aos poucos por usar algo além da sua capacidade.

Então, aquela força que tinha obtido ao usar essa espada não vinha dela, mas de um dom, no interior dele, no qual ainda não era capaz de suportar naquela época… Entretanto, agora era diferente. Por mais que seja só uma pequena lasca de algo muito maior, Jun conseguia utilizar no momento. Mesmo que ainda não tenha alcançado totalmente isso junto de Rie, foi graças a ela que chegou a esse ponto.

— Ainda assim, com isso o poder que Jun terá será o bastante até mesmo para destruir uma nação. — Esse comentário de Mikio tentavam prever as intenções do seu irmão com esse objeto.

— Mas eu não quero destruir nem uma nação. Apenas quero salvar uma garota… Não pretendo matar ninguém, para isso… — Jun, então encarou o garoto de cabelos prateados com determinação — É por esse motivo que eu preciso de você, Mikio. Igual àquela vez que pedi para você levar todos os soldados para um certo lugar, quero que faça o mesmo desta vez, mas para conseguir evacuar os Ones inocentes da cidade deles.

— Entendo, então você vai fazer um ataque direto ao exército, sem envolver os civis no meio. É uma boa forma de ir resgatar sua namorada, sem ter que se preocupar tanto.

Em meio a conversa dos dois, a mãe que via os filhos falarem sobre um plano suicida, rapidamente os interveio. Segundo o que Jun consegue deduzir, era óbvio que ela não aceitaria algo assim, pois os filhos estavam arquiteto algo para um deles enfrentar toda uma raça sozinho.

— Então, eu não vou permitir que você saia daqui. — Ela assegura o braço de Jun — Só de atacar uma pessoa, você já perdeu o controle e desmaiou, então imagina só contra um exército?! Eu não posso deixar que meu filho morra enfrentando algo que não é capaz de vencer.

— Então, eu quero que olhe isso…

Utilizando da aceleração múltipla que o consumia sem parar, porém, agora com a cabeça no lugar, Jun concentrou sua aura de um brilho prismático reluzente na arma. E foi quando a sala que estava, junto do objeto, preenchidos por aquele azul noturno sombrio se iluminaram. Agora, estrelas envolviam tudo ao redor.

— Não duvide de mim. Não há nada que eu seja incapaz de fazer nesse momento. Se for pra trazer ela de volta, solar uma nação é a menor das coisas que consigo realizar.

 

* * *

 

O homem, com um braço apoiado na barriga, se segurou na parede. Haviam queimaduras por todo o seu corpo e rasgos na pele que deixavam rastros de sangue. Estava com seus olhos vermelhos, severamente cobertos pelos cabelos loiros bagunçados, repletos de fúria.

Quando ele se aproximou de uma mesa, derrubando os objetos largados em cima, Rie se assustou. A garota queria sair de onde estava com todas as suas forças, contudo, além de suas mão algemadas por uma corrente em cima da cabeça, ela mal conseguia se mover direito. Apenas permaneceu caída de joelhos em meio ao frio que sentia e as dores constantes a cada vez que seu coração batia.

— Eu jamais vou perdoar aquele desgraçado! Eu vou matar ele! — Junto de um ranger de dentes, Noburo exclamou.

Na sequência, o major pegou uma seringa e a injetou no braço. Partículas de um brilho sombrio jorram de seu corpo e assim, gradualmente, todas as feridas se curam num instante. Ele então joga seu uniforme rasgado no chão e pega um novo de dentro de um armário.

— Essa é aquela droga que transforma as pessoas em bestas…

Ao som do comentário de Rie, a figura se vira e caminha na direção dela. A feição que ele carregava era tão asquerosa que ela só conseguia sentir nojo.

— Não me compare com aquelas cobaias inúteis. Acha que alguém como eu se submeteria a usar uma coisa tão inunda?! Isso que eu possuo é algo perfeito e superior, feito a partir dos dados que coletamos daquela ralé.

— Então foi você que soltou aquilo? Pra falar algo assim pra mim, com tanto orgulho, não vejo outra alternativa… — A voz dela estava fraca.

— Não. Eu apenas digo isso para lembrar de quem eu sou e que estou acima de todos.

— É por causa disso que escolheu me trazer justo pra esse lugar?

Onde Rie se encontrava, metade das paredes, junto do teto, eram feitas inteiramente de vidro. A questão era que, logo acima dela, podia enxergar um grande anel giratório em conjunto de um céu poligonal que parecia que iria esmagá-la a qualquer momento. Inclusive, no interior da sala podia ver um tubo com a energia que percorria do solo até o topo da torre para formar o domo que cobria a cidade.

— O só a trouxe para cá, pois aqui possui tudo o que é necessário para dissecar esse seu poderzinho tão especial.

— Até quando você vai continuar com essa de criar armas humanas, totalmente submissas. Nunca vai se cansar dessa ideia? — E ao final da fala Rie começou a tossir.

— Não faço isso por esse motivo estupido. Faço isso por mim! Para me tornar o mais poderoso de todos e me certificar de que permaneçam abaixo do meu ser! Já me cansei de ter que ficar entre lixos como você, enquanto sequer deviam ter chance de se aproximar de alguém como eu!

— É inacreditável que sua motivação seja um ego burro desses…

Perante o comentário debochado de Rie, o homem andou até ela com passos lentos. Quando parou na sua frente, a agarrou pelos cabelos e bateu com sua cabeça na parede. Os olhos dele começam a se preencher por uma luz dourada, com contornos sombrios.

— Você tem ideia de tudo que tive que passar até então? Desde o meu nascimento foi determinado que era alguém especial e único. Um dos nobres com o maior ranking entre os Ones no qual conseguiu chegar ao cargo de major sem muito esforço…

Rie sentia dor perante o agarrar dele, no entanto, sequer tinha forças para gritar. Seu desejo era de reagir e dar um grande soco na barriga dele, mesmo assim, se encontrava com dificuldade até mesmo para respirar.

— Mas você sabe o que eu tive que fazer?! Fui obrigado a ser a babá da droga de Zeros como você! Tem noção da humilhação que foi isso?! Além de ficar perto dessas porcarias, tive que passar pela dor de perder um olho e um braço! E tudo isso foi por causa daquele seu namoradinho…

Ele então a solta, fazendo com que os cabelos de Rie caiam por cima dos olhos. O corpo dela tremia sem parar, contudo, ela sequer teria tempo para tentar se recuperar. No instante seguinte, foi recebida com um chute em cheio na barriga.

— Para mim, vai ser uma satisfação imensa retirar cada pingo de vida, da mulher daquela aberração. Mal posso ver qual será a reação dele quando a avistar morta.

— Você não passa de um lunático que perdeu a razão por um falso título de superioridade. Só ver a existência de algo tão lamentável como você chega a ser inacreditável. Sinto pena que alguém tenha se tornado assim…

No instante que Rie estava prestes a receber um segundo golpe, de repente, um som de alarme começou a ecoar pelo local. Noburo para e imediatamente vai ver qual é o motivo do barulho. Pela reação de espanto do rosto dele, não parecia ser algo que o agradava.

— Pedido de evacuação total dos civis por ameaça de alta magnitude… — Ele soltava risadas sarcásticas. — Olha só, o seu queridinho herói está preparando um show para vir salvá-la, que fofo… De todo o modo, eu vou começar os preparativos para sua dissecação. Pode demorar um pouco, mas não vai adiantar ter esperanças. É impossível que uma aberração daquelas chegue aqui a tempo, ou que não seja abatida no caminho. Já pode começar a aproveitar seus últimos momentos em que vai ver a luz.

Ela não se importava com quaisquer coisas que aquele homem falasse. Um ser que perdeu toda sua humanidade, não merecia sua atenção. Rie apenas se sentiu feliz e esperançosa. Sabia perfeitamente que Jun chegaria até esse local, sem nem um problema e mais rápido que qualquer um.

Perante a esperança que brotou nela num instante. Por um breve instante, ela pode ver uma estrela cadente cruzar os céus e assim fez um pedido. Desejou fortemente que pudesse passar por dias alegres como tiveram, ao lado um do outro, novamente. Para que fique junto dele até o momento que desapareça.

 

* * *

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