Volume 2 – Arco 1: União
Capítulo 6.1: Rasgue o infinito como um feixe
O ambiente ao redor estava esquisito. As ruas se encontravam num silêncio torturante e, no máximo que avistaram até então, foram pássaros levantando voo e algumas pessoas que lhe dirigiam olhares tortos. A angústia, já presente no interior de Jun, só se intensificava cada vez mais com o passar dos segundos.
A garota ao seu lado se mantinha com uma expressão de quem estava desconfortável. Na realidade, era como se ela não estivesse passando bem de alguma forma. E as palavras que ela falou a seguir, só aumentaram a preocupação do garoto:
— Está bastante frio hoje, não?
Em reação, Jun a segurou pelo braço e a puxou para perto dele. Ela, obviamente, ficou confusa com essa repentina atitude dele, porém ele apenas colocou a sua mão na testa dela, sem dar quaisquer explicações.
— Meu deus, você está queimando!
A namorada dele, aparentemente estava com uma febre extremamente forte. Contudo, logo durante a manhã ela parecia estar perfeitamente bem de saúde. Jun começou a pensar sobre um motivo para isso, no entanto, a conclusão que chegou se tratava de uma extremamente dolorosa.
Isso deve ser por causa do seu núcleo que está prestes a se apagar… Não importa o quanto eu queira negar, esse é um sinal de que ela está começando a morrer…
Entretanto, antes que ele pudesse tomar uma atitude em relação a ela, foi repentinamente interrompido de agir. Um grito de desespero pode ser escudado vindo na direção deles:
— Vocês têm que fugir! Rápido! Deu tudo errado!
Mikio corria em direção a eles, com uma face completamente desesperada. Dentre todas as pessoas possíveis, ele era uma das últimas em que Jun esperaria ver dessa forma. E mesmo que já estivesse em mente que, muito provavelmente tudo poderia ter desandado desde que se deparou com a rainha no outro dia.
Por mais que houvesse a esperança de que ainda poderiam andar pela cidade livremente, agora sabia que estava morto. Não importava se Rie tinha se preparado para lutar; do jeito em que se encontrava, estava completamente incapacitada de fazer qualquer coisa. Jun teria que protegê-la sozinho e ainda se certificar que não faça tudo desandar mais ainda.
— O que aconteceu? — Ele perguntou. Jun já havia entrado em modo alerta, se preparando para o pior.
— A rainha decretou propriamente para que capturassem vocês.
Perante esse revelação precisava saber se já estava correndo perigo de imediato ou não. Contudo, como Mikio havia dado as caras perante eles, era muito provável que, pelo menos nesse instante, ainda houvesse alguns segundos para respirarem.
— Só sei que já estão preparando um grande ataque contra vocês. A escola, definitivamente, não é mais um lugar seguro.
Ele então respirou fundo e reorganizou todos os seus pensamentos. Ainda se encontrava um tanto confuso, mas por hora faria o que seu irmão pediu. Pegaria sua namorada que estava enfraquecida e a levaria para longe, onde poderiam elaborar algum plano quanto ao que poderiam fazer.
— De todo o modo, peço para que voltem para o esconderijo de vocês, ou qualquer lugar que possam ficar seguros. Enquanto isso, eu vou ver se consigo arrumar uma forma de fazer com que os civis fiquem seguros.
Apesar de todas as alternativas possíveis, Jun sabia que no fim teria que enfrentar eles de uma forma ou de outra. Portanto, faz o seguinte pedido:
— Eu vou pedir um favor para você, então. Quero que recupere aquela espada que foi de nossa mãe na qual o exercido roubou de mim e assim, quando tivermos um melhor controle sobre a situação, peço que você me dê isso. O local de encontro será a base das forças de ataque. Até lá, apenas vamos ficar trocando informações por mensagens. — E no final de sua fala passa o seu número para Mikio.
— Por falar nela, a nossa mãe veio até a academia para me ver. Eu quase surtei quando a vi… Ao menos, ela me explicou como conseguiu acordar e que já viu você, mesmo assim, ainda continuo incrédulo…
— Eu entrei em pânico quando me encontrei com ela… De todo modo, por causa da situação atual, ainda não consegui absorver o fato dela ter despertado direito. E também, agora não tenho tempo pra isso, preciso ir logo.
E após terminar de falar, Jun começa a se mover para pegar Rie no colo para que fujam dali juntos. No entanto, no instante que suas mãos estão prestes a tocá-la é interrompido por mais um grito. A fonte desse barulho se tratava de alguém que não gostaria de ver.
— Agora que você é oficialmente um inimigo, não vou deixar você escapar.
Essa garota de cabelos loiros, com uma mecha amarrada ao lado por uma fita preta e olhos âmbar, se tratava de Kaori Ono. Justamente a irmã mais nova de Hiro, o amigo que Jun deixou que morresse no passado. Definitivamente, dentre todas as pessoas possíveis, essa era a única na qual ele não queria encarar agora.
— Vai aproveitar pra ter sua vingança? De todo o modo, agora não tenho tempo para ficar aturando suas besteiras, então, adeus — disse Jun, se virando na hora.
— Não vocês dois não vão a lugar algum! — Ela exclama apontando suas duas pistolas de aura para o casal em simultâneo.
— Tenta fazer isso e vai se arrepender… — O olhar de Jun se torna gradualmente preenchido pelo seu poder.
Pela reação que a garota demonstrou, ela havia sentido uma certa hesitação devido a postura do garoto. De qualquer forma, Jun não estava com saco para ter que encará-la agora. Ele já sabia muito bem quais eram os pecados que carregava. Os havia aceitado completamente, portanto, nesse momento era capaz de seguir adiante.
Não serviria de nada ficar se lamentando pelos erros do passado. Mas, se ao menos estivesse ciente de cada coisa que fez e teve que passar, sabia que poderia superá-los e continuar com sua vida. Jamais esqueceria de Hiro e Aimi, apesar da culpa que carregava. Apenas desejava com todas as forças para que eles consigam descansar em paz.
— Você vai ter sua punição por todo o mal que trás para todos! — E com essa exclamação, ela pressiona os gatilhos.
Em um movimento suave, porém assustadoramente veloz ao ponto de mal dar para processo com a visão, ele move sua adaga em direção aos projeteis. A energia de um arma amarelo de coloração clara, então se parte em uma rajada, e é quanto ele parte em arranca em direção a garota.
Com a mão vazia, o ruivo fecha o punho e move para tomar impulso. Nem uma aura é concentrada no mesmo, contudo o soco que faz acerta o estomago de Kaori em cheio. Uma onda de impacto de propaga e assim essa figura sai voando para o longe em uma única rajada.
— Eu avisei…
Jun retorna para Rie e a segura novamente preparando-se para partirem desse lugar o quanto antes. Ele estava de acordo com todas as suas decisões. Não carregava mais nem um peso com sigo. Estava livre para mudar esse mundo e torná-lo um lugar melhor, para que assim, não precise ver mais ninguém com quem se importa, ter que partir perante seus olhos.
Entretanto, agora era tarde demais…
Os Ones haviam chegado. Por causa da interrupção da Kaori, nem um deles foi capaz de perceber a presença deles. Agora estavam em montes e avançando nas suas direções. Ele precisava reagir rápido, porém, antes mesmo que pudesse tomar qualquer atitude, já se deparou com balas voando na sua direção.
Jun então acelerou, desesperadamente. Contudo, nessa curta fração de segundo não era o bastante para atingir a velocidade necessária para cortar as balas. E para usar essa técnica de forma multiplica, precisava já ter atingido um fluxo contínuo para que não acabe se machucando. E mesmo que decida forçar a atingir tal nível, se ferindo no processo, ainda não conseguiria atingir o que era necessário para cortar esses projéteis de metal a tempo.
Portanto, sua prioridade foi tentar escapar. Empurrou Rie para o lado e caiu sobre o chão. Durante um breve instante, pode ver Mikio conseguindo se com a sua magia gravitacional, o que lhe deixou aliviado. Não queria mais ver ninguém sofrer injustamente por sua causa.
No entanto, quando tenta se levantar, uma de suas pernas não se move. Infelizmente, uma das balas tinha conseguido acertar, porém, o importante era que Rie estivesse bem. E, de todo o modo, ele podia curar.
Pelo menos, foi o que pensou…
Os soldados foram mais rápidos do que ele. Não estava se importando de ter que jogar sujo, se aproveitando de um momento de vulnerabilidade do garoto para conseguir eliminá-lo junto de sua namorada. Apenas tiveram que metralhar sem pensar duas vezes, e Jun, para proteger Rie que estava incapacitada teve que usar a si mesmo como um escudo.
* * *
Quando o fluxo se estabilizou e se intensificou, a dor começou a diminuir. Jun não sabia ao certo o tanto de balas que conseguiram atingi-lo, porém, em compensação ao não ter sido rápido o bastante para repeli-las, conseguiu ativar o fator de cura de modo que aquilo não o matasse. Mesmo assim, precisaria de mais alguns segundos para se levantar e ir lutar. Mas o importante era que sua namorada estivesse segura.
Contudo os dois haviam sido pegos completamente. Movendo seus membros com força, mesmo enfraquecido pelos machucados que diminui gradualmente, ele conseguiu impedir que o pegassem totalmente. Entretanto, seu estado foi o suficiente apenas para se proteger. Os soldados, haviam conseguido tomar Rie a força e começaram a levá-la.
— O que vocês estão fazendo?! Soltem ela! Larguem a Rie!! — Ele gritou enquanto dava chutes e cotoveladas nos homens com armaduras, para se soltar.
Por um pequeno deslize, agora ele estava vendo a pessoa que amava sendo tomada contra a sua própria vontade, outra vez. No entanto, além de Rie se encontrar com febre no momento, foi só ela tentar reagir contra eles ao usar sua aura que ficou automaticamente incapacitada. Da mesma forma que naquele dia, quando desmaiou, ela parecia se contorcer por causa de uma dor no peito. Pelo visto, estava pior do que Jun imaginava…
Entretanto, dessa vez, esse era o máximo em que eles iriam conseguir chegar. Haviam se aproveitado de uma pequena distração deles, mas só isso.
No instante seguinte, Jun fez uma aceleração dupla. O poder prateado atingiu um brilho reluzente e começou a deixar um rastro residual. Ainda assim, ele não parou e imbuiu com o elemento elétrico, desse modo, deixando luz tomada por um purpura que transita pra tons azulados em relances. E numa questão de segundo, jogou os soldados que tentava o prender numa única rajada. Sacou sua espada e investiu com tudo. Agora não existia mais nada nesse mundo que pudesse o ferir.
— Saiam da minha frente!!
Com um balançar de braço, criou uma onda de energia que arremessou aqueles que bloqueavam sua passagem para os céus. Ao girar seu corpo, fez navalhas com sua aura e estraçalhou todos que ainda insistiam em investir na sua direção. Vendo ele se aproximar, Rie então estendeu sua mão, e Jun foi de encontro para assegurá-la.
Contudo, uma grande carga de energia apareceu repentinamente entre os dois. Uma barreira dourada avançou contra ele, desse modo, o fazendo frear. Mesmo assim, não iria adiantar contra ele. Um truque barato desses não era nada para Jun. Ou pelo menos, foi o que ele pensou ao tentar investir.
— Eu já estou de saco cheio de você!! — Em fúria, exclamou uma voz masculina, saindo de dentro daquela onda de poder.
A espada de Jun então se chocou contra um sabre com detalhes em ouro. Faíscas jorraram entre o contato das lâminas que raspam uma na outra. O garoto tenta atacar, porém, sobre um impacto que o arremessa para trás. E então, a face de seu inimigo é revelada.
— Eu não irei mais permitir que o casalzinho fique junto. Não importa o quanto tente, eu mesmo vou lidar com você, enquanto meus homens a levam para longe.
Um homem alto de longos cabelos dourados e olhos vermelhos. Esse mesmo que vestia um uniforme de major preto, com ombreiras e detalhes em dourados, envolto por uma capa carmesim, chamado de Noburo.
— Por que sempre tem que ser você?! Me deixa viver em paz seu desgraçado! — Jun tentou cortá-lo ao meio com sua espada, em um ataque que deixava um rastro poligonal.
Entretanto, o garoto de cabelos vermelhos, foi arremessado para longe novamente, caindo contra o chão. Aquele homem estava diferente da última vez que o enfrentou. Era para ele ser um oponente insignificante para Jun, porém, como que estava conseguindo aguentar seus ataques usando da sua habilidade de forma intensificada? Ele teria que alcançar aquele mesmo estado de seu poder que usou para enfrentar a rainha, apesar que corra o risco de ficar completamente esgotado depois disso.
Não devia ser possível que, em tão pouco tempo, essa pessoa tenha se tornado tão poderosa… Aparentemente, algo a mais foi feito, pois ele também parece alterado de alguma forma…
— Jun! — Alguém gritou pelo seu nome. Tratava-se de uma voz feminina, porém não era a de Rie.
Ao se levantar, o garoto então se deparou com a mulher de cabelos de cor metálica e olhos escarlates. Como escutou de Mikio, ela tinha ido até a escola para ver o seu irmão, na qual ele estava de frente a entrada. Ela correu para tentar ajudá-lo, no entanto, Jun a ignorou.
Com os seus olhos preenchidos por sua cor prateada, rodeado por uma energia tão pujante, junto de um reflexo prismático com um espectro infinito concentrado dentro, ele apontou sua espada para o major. Sua lâmina absorve toda a sua luz. Ela brilha de forma incandescente. E assim, move seu punho repetidas vezes para frente.
Centenas de linhas, semelhantes a estrelas cadentes se formam. Ele puxa o braço para trás e então, todas elas convergem para a sua lâmina, se intensificando em algo só. Jun, então dispara contra Noburo, fazendo um rasgo na realidade, desenhando uma rajada de um brilho violento.
— Vai embora! — Ele gritou usando o limite de sua força. Colocava tudo que havia de si nesse golpe para se certificar de uma vez por todas, que esse homem desapareça definitivamente de sua vida.
A sua aura criava ondas reluzentes como tufões em meio aos diversos cortes que causava. Investia contra ele, como se fosse o jorrar do rastro de uma estrela. Cada uma das linhas que traçava iam além de sua capacidade. Seu poder não parava de transbordar descontroladamente. E sua visão se tornava cada vez mais preenchida pelos inúmeros riscos.
Não importava se esse homem pudesse criar uma barreira para impedi-lo de avançar. Ele a pegaria com tudo de vez só. Apenas possuía a vontade avassaladora de superar tudo que pudesse o amedrontar. De ser capaz de estar com a pessoa que ama de volta em seus braços.
Entretanto, antes que percebesse, já não havia mais nada dentro de si. Os cortes que enxergava, nos quais traçaram rajadas de um brilho prismático, então, foram tomadas completamente pelo escuro.
* * *
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